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Brasil lá e cá

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Marina Silva

A eleição do brasileiro Roberto Azevêdo (foto) para a OMC desperta muitas expectativas. Mesmo com poder limitado e os rumos da organização definidos pelos países ricos, a direção de um país emergente é vista como uma renovação necessária e urgente, num momento de crise e paralisia dos órgãos de governança global.

Atribui-se à crise econômica o travamento das negociações internacionais, não apenas na agenda comercial –a Rodada de Doha–, mas também na superação da miséria e até no enfrentamento das mudanças climáticas.

Mas a crise não justifica tudo, apenas revela que a inoperância dos governos vem da sua incapacidade de liderar processos complexos num mundo em transformação. Refugiam-se em protecionismos e acordos bilaterais. Para usar uma metáfora que tenho ouvido dos mais jovens, são governos analógicos num mundo digital.

Vejamos questões centrais nos impasses da OMC, como os subsídios à agricultura nos países desenvolvidos e as dificuldades dos emergentes em abrir setores de serviço e compras governamentais. Em cada país há disputas de interesses específicos, com variados graus de influência política, e as posições externas refletem contradições internas.

É o caso do Brasil: nos últimos anos, vimos um reforço político à tendência de aprofundar nossa inserção internacional com o fornecimento de alimentos e minérios, quase abdicando da capacidade de crescer em conhecimento e inovação. Ou seja, exportamos basicamente recursos naturais.

A isso corresponde o retrocesso na política interna, que passa o trator sobre os direitos das comunidades tradicionais e desregula a gestão do patrimônio ambiental. Como pode o Brasil assumir posições avançadas nas questões em que o comércio internacional defronta-se com mudanças climáticas, energias renováveis, florestas e direitos dos povos?

Todos queremos o Brasil na liderança dos organismos internacionais, mas a pergunta é: qual diferença e avanço os brasileiros trazem? No caso da OMC, como atualizá-la para tratar as interfaces do comércio com a gestão financeira, a tecnologia, as questões socioambientais? Como o novo diretor-geral tratará os critérios de sustentabilidade que devem orientar o comércio internacional?

Temos um bom sinal: ele chefiou os negociadores brasileiros numa grande vitória na OMC, quando a lei brasileira que restringe a importação de pneus reformados foi questionada pela União Europeia. E já declarou interesse em incorporar novos temas ao debate.

Esperemos que seja indicativo de suas convicções e da capacidade de ajudar o Brasil a superar a contradição entre imagem externa e política interna para, assim, construir relações internacionais adequadas aos desafios e mudanças do mundo.

fonte: Folha de S.Paulo

A casinha espiritual de Julia Rodrigues

Nikita

publicado no Epimenta

Nikita

Julia Rodrigues tem um olho invulgar.

Aos 26 anos, a carioca desponta como uma das mais promissoras fotógrafas de sua geração.

Seu trabalho já apareceu nas páginas das revistas VIP, Veja, Época,

Vogue RG, Claudia, Capricho, Gloss, Quatro Rodas, Info,

Prazeres da Mesa e e São Paulo, a revista da Folha.

Mas se você visita o Tumblr da moça verá um pouco do trabalho autoral, de que gosto bastante. Fui falar com a Julia para entender melhor.

Julia e os amigos da Casinha Cósmica; ela é primeira no alto à esquerda

Julia e os amigos da Casinha Cósmica; ela é primeira no alto à esquerda

O projeto Casinha do Retiro Espiritual Cósmico

“É uma brincadeira que me ajuda a organizar o pensamento. Estou numa fase de entender o quê (e se) quero dizer alguma coisa mais pessoal. Então resolvi fazer um inventário de todo mundo que passa pela minha vida e pela Casinha do Retiro Espiritual Cósmico, que é o lugar onde eu moro com os meus amigos. O nome surgiu quando chamei o pessoal para dividir a casa, queria deixar bem claro que não seria bagunça. Doce ilusão. A gente recebe muita visita e foi justamente durante uma conversa entre amigos na cozinha que surgiu o primeiro retrato. A parede, a luz e o enquadramento são sempre os mesmos da primeira foto, mas cada retratado faz o que bem entende quando vai para a frente da câmera.

Jenny

Jenny

Convidados Intergaláticos

A maioria pede pra ser dirigida. Imagino que assim se sintam mais livres pra criar um personagem, sem medo de parecerem “ridiculos”. Pra mim “Convidados Intergaláticos” é uma maneira leve de aprender a lidar com os egos e entender como dirigir melhor um personagem. E eu sei, o nome é bem retardado, se eu soubesse que daria uma entrevista sobre isso, teria pensado em um nome melhor.

Marina

Marina

Carreira

Sou designer visual de formação e passei boa parte da infância em ambientes de ateliê, cercada de artes plásticas. Acho que sempre soube que trabalharia com algo relacionado a imagem. Logo que saí da faculdade fui fazer assistência para o fotógrafo Ernani d’Almeida, passei mais de um ano carregando muita mala, tomando bastante esporro, conhecendo muita gente e aprendendo fotografia na prática.

Nay

Nay

Jorge Bispo

Logo depois fui assistente do Jorge Bispo, foi um momento importante para entender que o que eu queria fazer mesmo era retrato. Como retratista, o fotógrafo tem permissão de fazer um contato mais profundo com as pessoas. Eu mesma como viro um personagem. Às vezes esse papel te dá livre acesso à intimidade de uma pessoa. Sou um pouco tímida e vi nessa profissão uma maneira de interagir.

Ariane Cerqueira para VIP

Ariane Cerqueira para VIP

Influências

Vi muito Man Ray, Carlos Zéfiro e Niki di Saint Phalle em casa. Na fase do autorretrato pirava na Francesca Woodman e na Cindy Sherman. Acho que as referências eternas são a Diane Arbus, Helmut Newton, Richard Avedon, August Sander, Mapplethorpe, Inez & Vinoodh, Annie Leibovitz e mais uma galera. Comprei um livro há pouco tempo chamado “Haunted Air” que é uma compilação do Ossian Brown de retratos de halloween de 1875 até 1955, é incrível. Tem a revista Treats também, os ensaios são de cair o queixo. Por último, mas não menos importante, tem o Tumblr. Sei que não é uma referência específica, sigo algumas centenas de blogs entre portfolios de fotografia, eróticos, retrato e moda. É uma avalanche de informação e sempre dá para pescar alguma referência útil e interessante.

Vallery

Vallery

Internet e a fotografia erótica

A internet tornou a fotografia erótica mais acessível. Sendo mais acessível, fica mais aceitável. As pessoas se sentem mais livres para produzir, divulgar e dizer que gostam também. Às vezes me pego vendo uns tumblrs de sacanagem no meio do metrô, esse tipo de acesso era inimaginável há pouco mais de uma década. Antes o público só tinha acesso a esse tipo de coisa em revistas e livros, agora as fontes são quase infinitas.

Kellen

Kellen

Erotismo versus vulgaridade

Depende do cenário em que é apresentado e do ambiente social de quem está recebendo a mensagem. Um nu do Avedon pode ser julgado como uma safadeza sem fim. Uma foto de um genital clicada sem preocupação artística aparente pode ser considerada uma obra de arte dentro de um contexto especifico.

Michel

Michel

E o Terry Richardson, é vulgar?
Se for no sentido do medíocre, acho que não. O cara deu um jeito de transformar o método cru, a direção “naughty” e a luz dura e direta em referência forte na fotografia. No sentido vulgar/vil também acho que não, mas aí a gente volta à linha tênue entre erotismo e vulgaridade, dependendo do que se tem como referência, pode ser diabo ou santo.

Durma de bruços e… tenha sonhos eróticos!

Estudos da Universidade Shue Yan University, de Hong Kong, trazem essa boa nova. Quer ter sonhos quentes? Agora você já sabe o que deve fazer!

De bruços, com prazer! Já escolheu como vai dormir hoje? (Foto: ShutterStock)

publicado na Glamour

A posição que escolhemos para dormir pode fazer tooooda a diferença. Pelo menos quando o que está em jogo é ter bons sonhos – e entenda por bons aqueles com uma pitadinha erótica, tá? Quem revela essa boa nova pra gente são os dedicados estudantes da Shue Yan University, em Hong Kong.

O teste feito por eles e que chegou a essa brilhante conclusão contou com 670 voluntários – a maioria mulheres – e analisou o que apareciam em seus sonhos com mais freqüência de acordo com a posição em que deitavam para dormir. E tchanam: de bruços os sonhos mais recorrentes foram os intensos com perseguição e sexo.

A explicação do autor da pesquisa, Calvin Kai-Ching Yu, é simples: “Nessa posição a respiração fica mais difícil e os estímulos físicos externos são mais intensos, já que os órgãos genitais estão em contato com a cama”. É mais ou menos o que acontece quando temos vontade de fazer xixi e começamos a sonhar com isso. Como os órgãos estão sendo estimulados isso influencia completamente o que passa em nossa mente. O resultado é a garantia de uma noite quente.