Chupa Chups: A maldade está nos olhos de quem lê

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Gabriela Araújo, no Plugcitários

Os últimos dias estão agitados para os entusiastas da social media de plantão, e um dos posts discutidos recentemente foi o “chupar, morder ou lamber”, da marca de pirulitos Chupa Chups.

A primeira vista, o conteúdo parece usar de conotação sexual, ter duplo sentido e ser ofensivo para as crianças, seu público-alvo. Epa, calma ai; quem disse que o target da marca é as crianças?

É a mesma coisa que acontece com os desenhos. Os brasileiros estão tão acostumados que animações são para crianças, devido à indústria americana, que acham que os animes japoneses surtem o mesmo efeito. Mas quem conhece um pouco da cultura oriental sabe que não; há animes para crianças, adolescentes, adultos, homossexuais, etc. O caso aqui é parecido: já temos enraizado em nossa mente que o pirulito é um produto para crianças, então achamos que isto não pode ser visto de outra forma. Ledo engano.

Quem se dispor a stalkear a fan page da Chupa Chups Brasil, vai perceber que todo seu conteúdo parece ter duplo-sentido, além do título de capa: não leve a vida tão a sério. Leia de novo: não leve a vida tão a sério. Do lado, uma adolescente moderninha e hipster sensualizando (ou não) com um pirulito. Acho que está na cara que todo o conteúdo e identidade visual da página é voltado ao público jovem: cores fortes e atrativas, frases que precisam de uma sacada sutil que crianças não entenderiam. E vamos combinar, criança até tem perfil no Facebook, mas é minoria.

Esclarecido o target, chega o segundo questionamento: “eu nunca vi esse tipo de comunicação da marca nas mídias tradicionais, e isso está me deixando confuso. Afinal, qual é o posicionamento de marketing deles?”. Para tentar responder essa pergunta, resolvi dar um Google no assunto, e descobri algumas coisinhas.

O slogan “Não leve a vida tão a sério”, ou “Life less serious” é global. Tem mais: o produto foi reintroduzido no Brasil em 2011, utilizando apenas forte presença nos pontos de venda e apoio das redes sociais. A Perfetti Van Melle, indústria que trouxe o produto, afirma:

“A estratégia da Perfetti Van Melle é conquistar os consumidores teen e o público de jovens adultos, uma vez que a categoria ganha cada vez mais espaço no ritual das baladas. “O pirulito, hoje, atribui uma imagem descolada, irreverente e descontraída aos consumidores, tanto que deixou de ser associado exclusivamente à infância. No Brasil, como na Europa, é comum o consumo do produto em festas e baladas”, acrescenta. Essa moda segue uma tendência europeia, quando o produto passou a ser consumido em festas de música eletrônica. No Brasil, ela ganhou fôlego também com as festas de temática dos anos 80, associadas à infância, fazendo com que muitos adultos e jovens redescobrissem o pirulito.”

Segundo o site Brasil Alimentos, o público-alvo definido pela empresa é de 12 a 30 anos. Também não há nada de errado com a comunicação, afinal, ela segue os padrões internacionais da Chupa Chups. No canal oficial do Youtube, dá para ver que todos os vídeos usam jovens, especialmente em clima de paquera. Claro que este tipo de comercial seria denunciado ao Conar em sua primeira exibição, por isso não temos esse tipo de propaganda diferenciada por aqui.

A ~pesquisa~ abaixo entrou hoje (29) na fan page da empresa:

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dica da Fabiana Zardo

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Vídeo no YouTube e petição na web fazem Hasbro fazer “forninhos” com igualdade de gêneros

Ismael dos Anjos, na Superinteressante

Depois de anos de luta pela igualdade entre os sexos e pelo menos alguns milhares de chefs homens espalhados pelas cozinhas do mundo, era de se esperar que a cozinha não fosse mais considerada um lugar restrito às mulheres. Era. Por que é difícil mudar essa mentalidade quando brinquedos infantis, como os forninhos, apostam em um marketing dedicado exclusivamente às meninas. De olho nessa lacuna e em dar um bom presente de Natal para seu irmãozinho, a adolescente americana McKenna Pope foi à luta: quem disse que cozinha é lugar de garotas?

Começou assim: tão logo Gavyn pediu um Easy Bake Oven (forno de assar fácil, em tradução do inglês) da Hasbro para fazer seus experimentos culinários infantis no Natal, McKenna e os pais saíram para comprar o brinquedo. Não acharam um que servisse à situação: todos eram vendidos em cores como roxo e rosa, e acompanhavam detalhes femininos. Revoltada, McKenna fez o que todo adolescente conectado faz hoje em dia: xingou muito no Twitter postou um vídeo no YouTube e começou uma petição online pela igualdade de gêneros nesse tipo de produto.

Deu certo. Mais de 160 mil visualizações 45 mil assinaturas depois, a adolescente de New Jersey conseguiu que a fabricante do forninho se comprometesse a lançar o produto nas cores preta e prata, além de fazer comerciais que indiquem que o brinquedo pode ser utilizado por ambos os sexos. “Sou muito grata a todos os que apoiaram essa campanha. Com os novos produtos, a Hasbro está dizendo que qualquer um pode cozinhar e eu mal posso esperar para dividir esse presente com meu irmãozinho Gavyn”, disse.

É a internet dando mais um tapa na cara da sociedade :-) .

Abaixo, assista ao vídeo que motivou a mudança (vale o clique para conferir a fofice do pequeno Gavyn: “eu quero um dinossauro e um forno de assar fácil):

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