Reino Unido dará dinheiro ou presentes para quem perder peso

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Publicado no Extra

O serviço de saúde do Reino Unido planeja combater a obesidade dando dinheiro ou presentes para quem perder peso. Mas, para isso, será preciso estar empregado. Mais de dois terços dos adultos no Reino Unido são clinicamente obesos ou estão com sobrepeso, representando um gasto de R$ 20 milhões por ano com o tratamento de doenças relacionadas com a obesidade.

A medida tem gerado polêmica no país. Segundo o médico Clive Peedell disse ao “Mirror”, a política não ajudará os desempregados e, por isso, não funcionará. Já o executivo do sistema de Saúde, Simon Steven, explica que a medida foi um sucesso nos Estados Unidos. “Os empregadores em muitos países dão dinheiro para os funcionários que, por exemplo, participem do Vigilantes do Peso ou façam regimes”, contou.

Segundo Steven, os incentivos podem variar dependendo da quantidade de peso que o trabalhador perdeu, e as pessoas seriam desafiadas a competir umas com as outras. A medida faz parte de uma reformulação do sistema de saúde, que já paga aulas para pacientes obesos. Contou, essa seria a primeira vez que o sistema receberia ajuda das empresas para combater a obesidade.

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“Da Paz”, de Marcelino Freire, por Naruna Costa

Publicado no Portal Gelédes

DA PAZ

por Marcelino Freire

Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe?

A paz é que não deixa.

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Ficar a sós com uma mulher bonita faz mal à saúde

medo

 

Publicado no Hype Science

Pode parecer estranho, mas essa frase vale para o mais convicto dos heterossexuais. Basta ficar cinco minutos isolado com uma mulher atraente para que o nível de Cortisol do homem comece a subir.

O corpo produz o hormônio Cortisol em caso de stress físico ou psicológico (ou ambos, como neste caso), e sua acumulação excessiva traz danos ao organismo.

Quem chegou a essa conclusão foram pesquisadores da Universidade de Valência (Espanha), que fizeram um curioso experimento. Recrutaram 84 estudantes, todos homens. Um de cada vez, eles ficavam fechados em uma sala, resolvendo um passatempo Sudoku, na presença de um homem e uma mulher desconhecidos. Primeiro, a mulher saía da sala, e o fato de ficar a sós com o homem estranho não causava nenhuma alteração no organismo do voluntário. Então, a mulher voltava à sala e o homem saía, o que fazia o nível de Cortisol do estudante subir quase imediatamente.

O Cortisol é produzido normalmente e não causa nenhum dano ao corpo em quantidade adequada. Mas em excesso, pode provocar ataques cardíacos, diabetes, hipertensão e – ironicamente – impotência sexual.

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Propaganda promete dinheiro à vista para quem vender a alma ao “tinhoso”

Placa foi fixada no cruzamento da Bahia com a Rua da Paz. (Foto: Elverson Cardozo)
Placa foi fixada no cruzamento da Bahia com a Rua da Paz. (Foto: Elverson Cardozo)

Elverson Cardozo, no Campo Grande News

“Precisando de dinheiro? Compro sua alma! Pago à vista. 9666-6966. Tratar com tinhoso”. O recado, que tem como ilustração um capetinha, segurando um tridente, foi deixado em um cartaz, do tamanho uma folha sulfite A4, no poste, na esquina das ruas Bahia e da Paz, no Jardim dos Estados, mas também pode ser visto em outros cantos de Campo Grande, como a Avenida Afonso Pena, próximo à prefeitura.

Ninguém sabe quem está fazendo a proposta indecorosa, até porque o número de telefone, que seria a única forma de obter mais informações, não existe, mas a propaganda fez muita gente fazer cara de espanto, ficar arrepiada ou simplesmente rir.

Criatividade para tentar desvendar o mistério, que pode ser apenas uma brincadeira, uma intervenção urbana ou uma espécie de campanha publicitária, tem de sobra. O Lado B foi às ruas ouvir o que o povo está dizendo. As reações foram do “vixi” ao “Deus me livre!”. “Sem comentários”, disparou a auxiliar administrativa Ivanir Bermanaschi, de 41 anos, ao saber do caso pela reportagem.

Como trabalha em um restaurante, do outro lado da esquina, na mesma rua onde o recado foi colado, ela já tinha ouvido o “falatório” de clientes, mas não encontrou coragem para verificar o feito de perto. “Até acredito que alguma seita esteja querendo comprar a alma de alguém”, disse, ao comentar que, se for brincadeira, é de muito mau gosto.

“De mau não. De péssimo gosto”, enfatizou. Mas hoje em dia, prosseguiu, a situação financeira anda tão complicada que pode aparecer algum tentando vender.

Recado provocou a curiosidade de muita gente. (Foto: Elverson Cardozo)
Recado provocou a curiosidade de muita gente. (Foto: Elverson Cardozo)

A encarregada administrativa Ana Carolina Bonalume, de 32 anos, não encontrou outra expressão a não ser o “vixi” para dizer o que pensou na hora que foi informada do recado, mas foi a única das entrevistadas que cogitou uma possibilidade que foge da interpretação religiosa.

“Pode ser uma jogada de marketing, de outra coisa, ou uma campanha do tipo: ‘não venda seu voto. Você está vendendo sua alma’, algo mais relacionado à política”.

Para ela, a mensagem é engraçada e não deve ser traduzida de maneira literal. “Só alguma pessoa muito leiga, muito fantasiosa, para acreditar nisso”, afirmou. Ana espero que a intenção de quem fez o cartaz não seja a de comprar almas, mas ela se despediu dizendo que “hoje em dia não dá para duvidar de nada”.

O motorista José Afonso, de 40 anos, está no “time” dos céticos. Não acredita e nem se importa com o cartaz. “Não vejo fundamento nisso”, afirmou. Já o auxiliar de serviços gerais Márcio da Silva, de 33 anos, vê muito sentido na proposta. “O único que compra alma é o diabo”, disse.

“É do demônio. É o número da besta”, completou a esposa dele, a dona de casa Léia Nunes, de 36 anos, logo que leu o recado e o contato. O casal frequenta a Igreja Assembleia de Deus e, por isso, segundo eles, a interpretação é feita de outra forma, com base na Bíblia.

“É ele mesmo, o bichinho, querendo comprar a alma dos jovens”, prosseguiu a mulher, evitando nomear o demônio. “Mas ele está usando alguém. A pessoa liga e, com certeza, fica o registro no telefone. Ele vai lá, dá uma pesquisada e vê de quem é. É ‘estrombólico’ esse 9666-6966”, completou, citando os números, um a um, compassadamente.

A reportagem pergunta: Não pode ser só uma campanha? Léia Nunes responde: “Campanha usando isso? Só quem compra a alma é o diabo”, voltou a dizer, desta vez, com o semblante ainda mais apreensivo.

Cartaz também pode ser visto em poste que fica na esquina da rua 13 de junho. (Foto: Cleber Gellio)
Cartaz também pode ser visto em poste que fica na esquina da rua 13 de junho. (Foto: Cleber Gellio)

dica do Ailsom Heringer

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Dois pesos e duas medidas

cristo-youtubeLuiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Não sou religioso, só frequento templos vazios. Tampouco considero o ateísmo prova de maior inteligência ou coragem intelectual. Dias atrás, nesta coluna, ataquei as dimensões picaretas das religiões.

Por que digo isso? Porque hoje em dia, em épocas de exigências de pureza ideológica (no mundo da cultura vivemos um fascismo descarado dos bonzinhos, baseado em difamação de quem não frequenta as ideias que eles frequentam), se faz necessário apresentar algumas “credenciais” quando se vai tratar de um assunto delicado que pode ofender a sensibilidade totalitária dos bonzinhos. Quando ofendidos, os bonzinhos passam à gritaria, principalmente nessa masmorra escura que são as redes sociais.

Apesar de não ser religioso, conheço o suficiente de algumas religiões para saber que muitas delas carregam um saber de valor inestimável, fato este que escapa a muitos dos críticos banais das religiões. Você identifica um ignorante quando ele diz que a Bíblia é um livro opressor.

Dito isso, vamos ao que interessa. Há alguns anos, um cartunista dinamarquês passou por poucas e boas quando fez piadas com Maomé. Lembro-me de muitos dos bonzinhos defenderem o direito dos muçulmanos de se ofenderem com a piada e jogarem a atitude do cartunista no saco indiferenciado do preconceito ocidental contra o Islã.

Fico feliz que no Brasil ainda se possa fazer humor com as religiões e que quem faz piada com Jesus (que acho um cabra-macho, mas não acho que seja Deus) possa fazê-lo, ganhar dinheiro com isso e não ser ameaçado de morte. Ou, quem sabe, perder o emprego. Pedir a cabeça de alguém é um pedido comum dos bonzinhos quando leem algo com que não concordam.

Acho que o humor deve ser livre porque ele é uma das dimensões por meio das quais o espírito humano sobrevive, se alimenta e reflete sobre sua condição. Não partilho da ideia de que o humor seja uma forma menor de cultura. Por isso, discordo da tentativa de qualquer grupo, religioso ou não, de querer barrar ou processar quem quer que seja por ter feito piada do que for.

Mas me pergunto uma coisa: por que alguns acham politicamente incorreto fazer piadas com negros, índios, gays e nordestinos (e julgam justificados processos legais contra quem faz tal tipo de piada), mas julgam correto fazer piada com os ícones do cristianismo?

Claro, quem pratica esse tipo de critério, com dois pesos e duas medidas, é gente boazinha e com opiniões corretas. Defendem a própria liberdade, mas negam imediatamente a liberdade de quem os aborrece. O nome disso é incoerência. A democracia só vale para quem nos irrita, mas os bonzinhos não pensam assim.

Não me surpreende a incoerência dos bonzinhos, porque o que faz alguém ser bonzinho hoje é a falta de caráter. Ser do “partido dos bonzinhos” hoje dá dinheiro, ganha editais, cargos no governo, fotos em colunas sociais, convites e prêmios culturais. Identificar um bonzinho hoje em dia como resistente ao poder é uma piada e tanto! Eles estão no poder até no RH das empresas e na magistratura.

Os cristãos têm todo o direito de ficar bravos com as piadas com Jesus (que aliás, costumam ser ótimas). Mas, acho “engraçado” (já que estamos falando de humor) alguém não perceber que vivemos num mundo em que tirar sarro de cristão pode, mas de outros grupos não. Por quê?

Fácil: porque ninguém precisa ter “cojones” para tirar sarro de cristão. No mundo da cultura, falar mal de religião (menos da indígena, afro e budista) é bater em bêbado na ladeira.

Proposta: que tal tirar sarro das pautas dos bonzinhos? Tipo fazer piada com as “jornadas de junho”. Ou da moçadinha que quer salvar o Ártico. Ou de gente que vive falando mal da polícia, mas treme de medo e chama a polícia logo que sente sua propriedade privada em risco. Ou do movimento estudantil. Ou de intelectual que glamoriza os “rolezinhos”. Ou das feministas. Ou de ateus militantes. Ou do exército da salvação PSOL e PSTU. Ou de quem diz que bandidos são vítimas sociais.

É isso aí: que tal fazer piadas com os preconceitos dos bonzinhos? Missão impossível?

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