Grupos radicais budistas atacam muçulmanos no Sri Lanka

Grupos radicais budistas lançaram ataques contra muçulmanos no Sri Lanka, e alguns monges chegaram a se identificar como uma força policial paralela.

budistas

 

Publicado originalmente na BBC Brasil

Em protestos realizados nos últimos dias, alguns destes grupos costumam usar uma linguagem mais pesada, comparando os imãs a animais e pedindo que a maioria étnica do país, os cingaleses, não aluguem imóveis para muçulmanos.

Os muçulmanos são cerca de 9% da população do país e formam o terceiro maior grupo étnico do Sri Lanka, depois dos cingaleses e dos tâmeis. Eles tentaram ficar fora da guerra civil, mas muitos sofreram com os conflitos.

Os problemas começaram quatro anos depois de o Exército do país ter derrotado o grupo rebelde separatista dos Tigres Tâmeis.

Ativistas afirmam que, com o fim do conflito, o clima de triunfo estimulou os ataques contra uma nova minoria.

Agora, surgem informações de mesquitas atacadas e até de crianças muçulmanas discriminadas em escolas pelos colegas cingaleses.

Os clérigos muçulmanos rejeitam as alegações dos radicais budistas, que acusam fiéis islâmicos de tentar converter a população ao construir novas mesquitas.

O número de páginas na internet contra os muçulmanos também aumentou no Sri Lanka e, com cada vez mais manifestações de radicais linha-dura, muitos no país questionam se haverá um limite para a influência social e política dos religiosos.

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Republicano usa a Bíblia para defender pena de morte para “crianças rebeldes” nos EUA

Senador republicano Charlie Fuqua carregando criança no colo

título original: Republicano defende pena de morte para “crianças rebeldes” nos EUA

Publicado no Opera Mundi

Expulsar muçulmanos dos Estados Unidos, reforçar as leis contra o consumo e o tráfico de drogas, proibir o aborto em qualquer tipo de circunstância e preservar o direito de carregar armas estão entre as propostas do senador republicano Charlie Fuqua, que busca a reeleição no Arkansas. Em seu último livro, o republicano ainda introduziu uma nova ideia: permitir a pena de morte para “crianças rebeldes”, informou o jornal Arkansas Times.

Em “Lei de Deus: a única solução política”, o senador argumenta que “crianças que não respeitam seus pais devem ser removidas permanentemente da sociedade” e que este processo de condenação já estava descrito na Bíblia.

Segundo sua interpretação do texto sagrado do cristianismo, os pais podem acusar seus filhos de rebeldia e pedir à Justiça sua morte. O tribunal iria avaliar a denúncia e poderia condenar crianças à pena de morte.

Fuqua acredita, no entanto, que poucos pais “desistiriam” de seus filhos e os colocariam frente ao perigo da morte. Por essa razão, a lei de pena de morte para crianças teria o efeito pedagógico de dissuadir jovens a não desafiarem seus pais e a se comportarem de maneira adequada.

O republicano afirma, entretanto, que se uma criança for condenada à pena de morte, o seu caso servirá de exemplo para outros jovens “rebeldes”.

Como senador do Arkansas, Fuqua foi premiado com o título de “Amigo da Família” pela Coalizão Cristã do estado.

Confira o trecho do livro disponibilizado pelo Arkansas Times:

A manutenção da ordem civil na sociedade repousa sobre o fundamento da disciplina da família. Portanto, uma criança que desrespeita seus pais deve ser removida permanentemente da sociedade de uma forma que dê um exemplo para todas as outras crianças da importância do respeito pelos pais. A pena de morte para os filhos rebeldes não é algo a ser encarado com leveza. As orientações para administrar a pena de morte para os filhos rebeldes são dadas em Deuteronômio 21:18-21:

Esta passagem não dá aos pais a autoridade para matar seus filhos. Eles devem seguir o procedimento adequado, a fim de ter a pena de morte executada contra seus filhos. Eu não consigo pensar em um exemplo na Escritura onde os pais tiveram seu filho morto.

Por que é assim? Que não seja o amor que Cristo tem por nós, não há maior amor, então de um pai para seu filho. As últimas pessoas que gostariam de ver uma criança morta seriam os seus pais. Mesmo assim, a Escritura oferece um guarda de segurança para proteger as crianças de pais que, erroneamente, queiram sua pena de morte.  Os pais são obrigados a levar seus filhos à porta da cidade.

A porta da cidade era o lugar onde os anciãos da cidade se encontraram e fizeram pronunciamentos judiciais. Em outras palavras, os pais foram obrigados a levar seus filhos a um tribunal de direito e a expor o seu caso perante a autoridade judiciária competente. E a autoridade judicial que determinava se a criança deveria ser condenada ou não à morte.

Eu sei de muitos casos de crianças rebeldes e, no entanto, não posso pensar em um caso em que seus pais tenham desistido de seus filhos a ponto de leva-los a um tribunal de justiça para condenação de morte. Mesmo que este procedimento raramente seria usado, daria aos pais autoridade. Crianças que sabem que seus pais têm autoridade (ou seja, podem acusa-las à pena de morte) seria um enorme incentivo para elas darem o devido respeito aos seus pais.

dica do Alexandre Melo Franco Bahia

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Obedecer a Deus obedecendo aos homens

Robinson Cavalcanti

Nada é mais danoso para a igreja cristã do que a leitura de textos bíblicos fora do contexto, servindo de pretexto. Ao lado dos egos inflamados dos megalômanos e narcisistas, ao lado da rebeldia dos filhos de Coré, que rangem os dentes de ódio contra toda norma que atrapalhe as suas ambições, e contra toda autoridade acima da sua (embora, geral, hajam como déspotas para os que estão abaixo) esse “pinçar” estratégico e maroto de textos são os grandes responsáveis pela esculhambação institucional pela qual vive a Igreja de Cristo nesse século XXI pós-moderno e suas 39.000 “denominações” protestantes, de nomenclaturas cada vez mais esdrúxulas e reveladoras de insanidade.

Um desses textos manipulados das Sagradas Escrituras é o de Atos 5.29: “Importa antes obedecer a Deus dos que aos homens”, como resposta do apóstolo Pedro ao poder religioso aliado do poder político que havia proibido a pregação do Evangelho.

Deus não costuma mandar anjos a toda hora para trazer telegramas celestiais. O céu não está ligado à internet – embora haja rebeldes, fanáticos, histéricos e picaretas que pretendam ter um telefone de linha direta com o trono da Graça – através do qual se despreza o contexto e a totalidade dos ensinos bíblicos (substituído por revelações privadas), se insurge contra a autoridade (dos pais, dos chefes no trabalho, do governo ou da Igreja), e se parte para “carreiras solo” ou a criação de novas empresas religiosas (“pequenas igrejas, grandes negócios”), que, quando não dá dinheiro, satisfaz ao ego inflado ou às alucinações.

Deus concedeu um mandato cultural à humanidade, como continuadora da obra da Criação, a ser vivido em sociedade, e suas expressões micro ou macro, da família ao Estado, passando pelo mundo do trabalho e pelas agremiações lítero-atlético-recreativas e religiões, impossível de ser vivido sem normas e autoridades.

Ele nos manda obedecer e não desmoralizar pai e mãe; nos manda trabalhar com disciplina e ética, e nos manda obedecer à autoridade do Estado, enquanto forem “ministras de Deus”, para a promoção da paz e da justiça. No Antigo Testamento levantou a Tribo de Levi, e no Novo Testamento, constitui apóstolos, bispos, pastores, diáconos, mestres, como autoridade para governar, ensinar e liderar a Igreja. E foram eles que definiram o Cânon Bíblico, estabeleceram as Doutrinas nos Credos, os Sacramentos, o Governo Episcopal e a Liturgia, construindo, ao longo dos séculos a Tradição Viva do Consenso dos Fiéis, assistidos pelo Espírito Santo.

O mundo sobrevive à base de Tratados e Organizações Internacionais (como a ONU), e o Estado com a Constituição Federal, Constituição Estadual, Lei Orgânica dos Municípios, Códigos, Leis e Regulamentos. Cada empresa ou repartição sobrevive pela adesão às suas normas, bem como as famílias que são famílias, assentadas sob a disciplina e a hierarquia (e o que passar disso é “mundiça”). Cada ramo sério da Igreja de Jesus Cristo possui sua Constituição, Estatutos e/ ou Cânones, aos quais se espera uma adesão sincera dos seus membros, especialmente o seu clero.

No caso da Igreja Anglicana, esse juramento de adesão “à Doutrina, Culto e Disciplina” se dá no Rito de Confirmação (Pública Profissão de Fé com imposição de mãos dos Bispos), e, para os vocacionados, no Rito de Ordenação ao Diaconato, ao Presbiterado e ao Episcopado. No juramento dos Diáconos e Presbíteros, se exige a promessa de obediência aos Bispos e aos ministros(as) que tenham autoridade sobre si. Quem faz um juramento de forma insincera, ou o detona depois, é um perjuro, além de um mau caráter.

Deus deve ser obedecido? Sem dúvida. Em cada área da vida Ele tem os seus representantes? Sem dúvida. As Escrituras são o padrão máximo de verdade? Sem dúvida. Interpretado pelo conjunto na História e não por isolados fora da História? Sem dúvida. O individualismo burguês ocidental gestado no modo de produção capitalista e na vida urbana + o individualismo protestante que degenerou o livre exame em livre interpretação, nos tem conduzido a essa “zorra geral” em que vivemos o pecado da rebeldia.

Já dizia um pensador que “quem não está disposto a obedecer não tem o direito de comandar”.

A verdade é que se obedece a Deus obedecendo aos homens.

Quem não tem o espírito de humildade, antes o de soberba espiritual e a “mediunidade protestante”, deve ao menos deixar de tencionar e tirar a paz, botando a sua viola no saco e ir cantar em seu próprio terreiro, como tantos já o fizeram e estão a fazer.

Todo rebelde é filho de Coré e neto de Lúcifer, não obstante a sua fachada de espiritualidade.

Exorcizemos esses “espíritos” para o bem da Igreja!

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