‘Vida que segue’, diz Jô em primeiro programa após a morte do filho

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De preto, em luto pela morte do filho, Jô Soares dá seu tradicional ‘beijo do gordo’ no programa de hoje

Publicado no Notícias da TV

Três dias depois da morte de seu filho, Rafael Soares, o apresentador Jô Soares voltou ontem (3) a gravar seu programa na Globo. A edição exibida na madrugada desta terça (4) foi dedicada ao filho, que morreu aos 50 anos na última sexta (31). Ao final do programa, emocionado, Jô olhou para a câmera e disse: “Então é isso: vida que segue. A vida é pra isso mesmo, pra gente viver”. Foi aplaudido de pé. Nas redes sociais, a homenagem comoveu o público.

“Meu filho, Rafael Austregésilo Soares, o Rafinha, esteve no mundo durante 50 anos e foi uma criança especial. Como era autista, permaneceu menino até o fim. Ele passou a vida inteira na realidade do seu próprio mundo, com corpo de adulto e coração e alma de criança. Tinha ouvido absoluto, por isso tocou piano e adorava música”, disse ao abrir o programa.

Ainda na abertura, Jô contou uma passagem que justifica o fato de voltar ao trabalho ainda em luto. “Gostaria de contar uma história que dá uma ideia das coisas que eu aprendi com o Rafinha. Uma vez, numa livraria, ele chegou junto ao caixa carregando uma dúzia de livros. Eu estranhei: ‘Rafa, é muito. Escolhe seis’. E ele: ‘Então eu não quero nenhum. Eu prefiro não escolher’. ‘Mas por que não?’. ‘Porque escolher é perder sempre’. Levei todos. Hoje, eu também não preciso escolher. Como ele nunca faltou ao seu trabalho, também não posso faltar ao meu”, disse o apresentador.

Jô se referia ao “trabalho” de Rafael em uma “rádio”, que o filho produzia e mantinha em casa, como apresentador, e que não tirava do ar nem na hora de apagar as velas do bolo de aniversário. A rádio tinha uma programação ‘fechada’, apenas para os moradores da casa. Jô mostra uma das vinhetas da emissora do filho no programa desta noite.

Na atração, Jô recebeu o maestro Isaac Karabtchevsky, que completa 80 anos em dezembro, a modelo angola Sharam Sharam, uma das angels da Victoria’s Secrets, e ator Felipe Titto, o mordomo Wagner de Amor à Vida (2013).

Ao final, após dedicar o programa ao filho, Jô agradeceu ao auditório. “Obrigado, plateia, por todo carinho, afeto e senso de humor de vocês hoje. O programa começou difícil, e a graças a vocês foi se tornando mais leve e alegre.”

Nas redes sociais, telespectadores demonstraram solidadariedade ao apresentador. “Meus respeitos ao Jô Soares pela magnífica abertura do seu programa no dia de hoje… Talvez seu melhor momento na TV até hoje”, escreveu no Twitter o produtor Arnaldo Saccomani.

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Telão do Programa do Jô exibe foto de Jô Soares com o filho, Rafael, ainda criança

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Fachada da Globo é pichada em protesto contra ‘Sexo e as Negas’

Publicado na Folha de S. Paulo

“Pro racismo acabar, a Globo vamos escrachar. E se as pretas se unir, ‘Sexo e as Negas’ vai cair.”

Esse foi um dos gritos de guerra ouvidos em frente à sede da Globo em São Paulo, na terça-feira (16), durante um protesto contra a exibição do seriado criado por Miguel Falabella, que estreava naquela noite.

Um vídeo publicado pelo Levante Popular da Juventude, um dos grupos que encabeçaram a ação, começou a circular na quarta-feira (17) com imagens do protesto, que culminou com a pichação da palavra “racista” na fachada da emissora.

“A série começou a ser propagandeada há cerca de um mês e desde o início muitas meninas se manifestaram”, disse à Folha Beatriz Lourenço, 22, militante do LPJ. “Mesmo sem ter estreado, o incômodo já estava dado.”

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A estudante de direito diz não ter assistido ao episódio de estreia inteiro, mas afirmou ter visto alguns trechos na internet.

“A gente já previa que ia ter essa visão estereotipada do povo negro e pobre, mas me assustei muito mais”, afirma. “A Globo se aproveita de um estereótipo estabelecido e o reforça.”

“O programa trata a mulher como ferramenta para o sexo”, avaliou. “São mulheres que se submetem ao sexo ao custo de qualquer coisa.”

Apesar do protesto, Lourenço diz acreditar que o programa vá continuar sendo exibido. “A gente não consegue impedir a Globo de colocar no ar. A gente sabia que não ia conseguir, mas queríamos fazer pressão.”

Procurada pela Folha, a Globo diz que o protesto foi “um ato isolado de um grupo de 60 manifestantes que naquele momento não tinha conhecimento do conteúdo da obra”.

“A estreia do programa ‘Sexo e as Negas’ foi um sucesso de crítica e de audiência, e mostrou que boa parte da discussão prévia sobre o seu conteúdo foi um equívoco de interpretação daqueles que se manifestaram contra a sua realização”, diz nota enviada pela Comunicação da Globo. “É um programa de ficção, que tem como principal objetivo entreter e divertir o espectador.”

“Cabe ressaltar ainda que o nosso documento de Princípios e Valores prevê o respeito à diversidade e a repulsa ao preconceito, o que é praticado em toda a nossa programação”, afirma a emissora.

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Dona Nenê e Lineu Silva

publicado no Casa Aberta

Visitei a casa da família Silva, na zona norte do Rio de Janeiro, durante um almoço com cozido. Foi uma viagem rápida que nem consegui ver o mar, mas com uma família dessas, a viagem foi incrível. Os Silva são simples da maneira deles, uma família formada pelo fiscal sanitário, Lineu Silva, e sua mulher, Dona Nenê. Eles tiveram dois filhos que ainda moram na casa, o caçula Tuco e a filha mais velha Bebel. E como família grande pede, o marido dela, Agostinho, com o filho, Florianinho, também moram na casa. Essa é feita de azulejos antigos, retratos espalhados e a velha e boa jarra de abacaxi. A casa parece estar em constante mutação com os pais dormindo em um sofá cama no escritório e o filho caçula dormindo na sala. Mas eles vão se ajeitando e levando a vida sem muito reclamar.

Deixo aqui então a casa aberta de uma das famílias mais queridas.

 

 

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Ser rico e dono da mídia, que mal tem?

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Publicado na Carta Capital

No último dia 13, a Revista Forbes divulgou seu ranking de “ricaços” do Brasil. Os Marinho lideram a competição com uma fortuna estimada em US$ 28,9 bilhões. Qual o problema de a família mais rica do Brasil ser dona dos principais meios de comunicação do país? Resposta: poder demais. Poder econômico e cultural (ideológico, simbólico ou como se quiser chamar). Isso se falarmos genericamente.

Se pensamos de forma mais concreta, observando a história do setor da comunicação social no Brasil, responderemos de outra forma. O total domínio do interesse privado-comercial, o jogo de influências (e privilégios) políticas, a inexistência de mecanismos democráticos de participação social na comunicação (o que gera um sério problema para a garantia da liberdade de expressão), a extrema oligopolização e uma série de outros problemas nos fazem pensar que a resposta mais correta, na verdade é: dominação demais.

Uma sociedade que pressupõe que “todo o poder emana do povo”, que se pretende “livre, justa e solidária” e que afirma que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações” deve fazer os ajustes necessários para que possa garantir liberdade, justiça, solidariedade, igualdade e poder popular. E isso significa não permitir que o poder se concentre nas mãos de alguns poucos indivíduos. E dinheiro é poder. E comunicação é poder.

Opa! Ouvi alguém ali comentando: “mérito!”. Será? Dos 65 bilionários constantes na lista de ricaços do Brasil, 25 são “herdeiros”. Assim também acontece coincidentemente com o trio de irmãos Marinho. Ainda que não fosse isso, porém, quem disse que é legítimo o assassinato da democracia pela meritocracia? E que mérito se tem em ser mais poderoso porque se tem mais recursos do que os outros?

Imediatamente atrás dos Marinho, no ranking, estão as famílias de banqueiros. Safra (da família homônima), Ermírio de Moraes (Votorantim), Moreira Salles (Unibanco-Itaú). Os governos do Brasil pós-ditadura não ousaram mexer com os primeiros, magnatas da comunicação, e nutriram os últimos, senhores do vil metal. Quem se atreveria a enfrentar tamanho poder, diante de compromissos mais urgentes como a garantia da governabilidade? Já pensou o que seria de um governo deslegitimado por todos os meios de comunicação? Melhor não mexer aí, ganhar confiança, oferecer uma vaga de ministro ao Hélio Costa, não insistir com esse papo de mané projeto de Agência Nacional do Audiovisual… Vai que os Marinho se zangam… Já pensou? Nem pensar!

Aliás, os Marinho já constam no ranking da Forbes desde 1987, primeira vez em que foi publicado, acompanhados pelas famílias Ermírio de Moraes e Camargo (Camargo Correa). E, assim, se dá prosseguimento à triste tradição brasileira de mandar quem pode (e tem poder) e obedecer quem tem juízo. Ou não.

* Bruno Marinoni é repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes

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Evangélicos se revoltam com sátira de “Friends” no “Tá no Ar”

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Publicado no UOL

O momento mais aguardado do “Tá no Ar: A TV na TV”, da Globo, desta quinta-feira (22) foi a sátira da série americana “Friends” que, nas mãos de Marcelo Adnet e Marcius Melhem, passou a ser chamar “Crentes”. O quadro foi anunciado momentos antes do programa entrar no ar e causou alvoroço nas redes sociais. Evangélicos se revoltaram através da internet criticando a brincadeira feita pelos humoristas.

“Zoar os crentes é bom, só tente lembrar disso quando forem pedir oração a eles!”, dizia um dos comentários.

“Esse povo que fica zoando os crentes, inclusive os do ‘Tá no Ar’, fiquem sabendo que vocês vão tudo pro inferno.”

Na abertura do quadro, até mesmo a música original ganhou uma paródia na qual a frase do refrão “I’ll be there for you/when the rain starts to pour” se tornou “Pago o dízimo/10% para o pastor”.

Por outro lado, outros internautas criticaram a postura dos evangélicos perante à sátira. Os comentários através do Twitter recriminaram a hipocrisia deles.

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