ONG evangélica lança campanha contra o “voto de cajado”

Contra o Voto de Cajado

Alessandra Mello, no Estado de Minas

Contrária ao mercado do voto religioso, a Rede Fale, uma organização não governamental que congrega evangélicos de diferentes igrejas, lançou  nessa quarta-feira uma campanha contra essa prática, muito comum em tempos de campanha. E não é para menos. Os evangélicos hoje, segundo o mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), representam 22% da população brasileira, ou 42,2 milhões de pessoas, um contingente expressivo que pode decidir uma eleição. Além disso, na atual disputa presidencial, dois dos 11 candidatos a presidente, Marina Silva (PSB) e Pastor Everaldo (PSC), são evangélicos.

Batizada de “Diga não ao voto de cajado” – referência ao instrumento cartilhausado pelos pastores para tocar animais –, o objetivo da campanha é qualificar a participação evangélica nas eleições, estimulando a discussão de temas relacionados ao pleito, e combater o uso da religião como instrumento para obtenção de votos, afirma a secretária-executiva da Rede Fale, Morgana Boostel, 27 anos, psicóloga e fiel da Igreja Batista. “Nosso foco é trabalhar para combater a estratégia de angariação de votos dos membros da igreja como curral eleitoral.”

Segundo ela, a Rede Fale defende o direito a manifestação de fé, garantido pela Constituição, mas também que o espaço religioso não seja usado como trampolim eleitoral. Morgana lembra que essa prática, além de não ser um exemplo da “melhor tradição cristã de participação política”, também é vedada pela legislação eleitoral. Pastores, bispos e também padres são proibidos de fazer propaganda eleitoral em igrejas e templos. Também não é permitida a fixação ou distribuição de material de campanha dentro desses ambientes.

Na avaliação da Rede Fale, um dos perigos para o cristão que deseja atuar politicamente é achar que, por ser “crente”, está abençoado para a política. “Essa é a concepção que leva milhões de brasileiros a votar no ‘pastor’ ou no ‘irmão’ abençoado pelo pastor. Como consequência, muitos parlamentares são eleitos sem compromisso com a justiça ou a democracia, e sem coerência partidária, programática ou ideológica, e se tornam ‘despachantes de igrejas’ – gente que vota sempre para a expansão do poder de suas igrejas, associações, rádios e empresas”, afirma um dos trechos do manifesto divulgado ontem pela organização.

Para Morgana, isso acontece principalmente nas eleições para os cargos proporcionais (deputado e vereador) , mas não tem muito apelo nas disputas presidenciais. Além disso, de acordo com ela, há um mito de que o eleitorado evangélico vota do mesmo jeito e sempre de acordo com as lideranças religiosas. “Isso é bobagem. Tem cristão mais progressista, tem uns mais conservadores, não é uma massa que pensa igual, a reboque dos pastores”, garante. De acordo com Morgana, a campanha contra o voto de cajado está sendo feita nas redes sociais e todo o material de divulgação pode ser acessado na página da entidade, que pretende até o dia das eleições realizar atos em todos os estados.

dica do Thiago Ferreira de Morais

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Jô Soares voltou. Veja 7 piadas dele sobre a “própria morte”

De volta ao ‘Programa do Jô”, apresentador brincou com as mentiras inventadas a seu respeito durante internação

foto: Francisco Cepeda / AgNews
foto: Francisco Cepeda / AgNews

Luisa Migueres, no Terra

Se ainda havia alguma dúvida sobre a recuperação do apresentador Jô Soares, que passou cerca de um mês internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta segunda-feira (8) ela foi esclarecida. De volta à Rede Globo para gravar seu primeiro Programa do Jô desde que recebeu alta, o humorista aproveitou a gravação para agradecer o carinho que recebeu dos fãs e fazer piada com os boatos sobre a sua morte.

No palco, Jô foi ovacionado pela plateia e aplaudido de pé assim que entrou no estúdio. Visivelmente mais magro – Jô perdeu 9kg durante a internação – ele foi recebido com carinho por seus entrevistados, o ator Chay Suede, o historiador Marco Antônio Villa e o ufólogo Chico Penteado, além do seu sexteto de músicos. Antes de soltar seu famoso “beijo do gordo” ao fim da gravação, o apresentador fez questão de encaixar piadas sob medida sobre os rumores que envolveram sua pneumonia:

1. “Vale a pena morrer só pra ver isso”
Emocionado com as demonstrações de carinho que recebeu enquanto estava internado. “Eu recebi um banho de carinho. Foram mais de 3 mil mensagens, desejando a minha recuperação”, lembrou o apresentador. Depois de agradecer o sexteto e seus telespectadores, Jô brincou, dizendo que valeria a pena morrer para sentir o quanto é querido.

2. “Minha internação renderia um livro”
Divertindo-se com a quantidade de boatos que surgiram sobre seu diagnóstico, Jô citou uma série de doenças que teriam sido atribuídas a ele, como ” espinhela caída, andaço, dor incausada, quebranto e beribéri”. Tudo menos a verdadeira, pneumonia, que ele fez questão de explicar que é curada com o uso de antibiótico.

3. “Só uma pessoa não se manifestou, a Dona Lúcia, do Felipão e do Parreira”
Como esquecer a cartinha enviada pela Dona Lúcia ao ex-técnico da Seleção Brasileira depois do vexame contra a Alemanha durante a Copa? Jô aproveitou a piada pronta para dizer que sentiu falta de uma mensagem da “brasileira anônima”, que se dizia não muito conhecera de futebol, mas profunda admiradora da integridade e competência de Luiz Felipe Scolari. “Tudo vai passar e ficará bem”, diria a senhora.

4. “Disseram que eu tive uma parada cardíaca depois da morte”

Mais uma das notícias falsas e absurdas serviu de piada para Jô. “Entre todas as doenças que me atribuíram, teve uma que, com certeza, ganhou o prêmio de originalidade: disseram que eu havia sofrido uma parada cardíaca depois de morto. Quer dizer, virei zumbi”, brincou o apresentador, que ainda imitou um morto-vivo.

5. “Só espero que meu obituário seja solto em 20 anos”
Entre as falsas notícias que saíram a seu respeito, Jô ponderou pelo menos alguns obituários traziam belos textos sobre sua carreira. No entanto, ele espera que o público se emocione com sua trajetória só daqui duas décadas.

6. Pelo menos um café
“Um repórter ligou para o Drauzio perguntando se valia a pena mandar equipe para cobrir minha saída do hospital. Ele disse que sim, e que tinha um botequim servia um café ótimo atrás do hospital. Eu já estava em casa”, ainda brincou o apresentador, que na ocasião havia saído pela porta dos fundos do Sírio-Libanês, sem atrair atenção dos carros de emissoras estacionados na porta principal.

7. “Imagina se o Drauzio fosse ginecologista. Eu teria sofrido um aborto”
Muitos veículos divulgaram, erroneamente, que Jô estaria com câncer no pulmão, o que justificaria o envolvimento do Dr. Drauzio Varella no caso, famoso por tratar pacientes que sofrem da doença. O que ninguém sabia era que os dois são amigos de longa data, por isso o humorista aproveitou para fazer a melhor piada da noite. A plateia foi abaixo.

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Silas Malafaia: “Marina levará 80% dos votos evangélicos”

Visto como pivô da mudança no programa de governo do PSB, o pastor diz que as questões de costumes devem ser decididas no Congresso e defende a alternância de poder

Silas Malafaia diz que nunca disputará uma eleição. “Eu? Político? Não fui chamado para isso” (foto: Nidin Sanches/Nitro/Época)
Silas Malafaia diz que nunca disputará uma eleição. “Eu? Político? Não fui chamado para isso” (foto: Nidin Sanches/Nitro/Época)

Felipe Patury e Teresa Perosa, na Época

O líder evangélico Silas Malafaia é o pastor brasileiro mais influente das redes sociais. Campeão de seguidores, ele promove todos os dias o que chama de “tuitaços”. São quatro mensagens lançadas ao meio-dia no Twitter. “Só boto bomba atômica.” Por que adotou essa estratégia? “Ninguém usa as redes sociais como os evangélicos.” Malafaia provou o que diz. Na semana passada, usou o “tuitaço” para condenar o programa de governo da presidenciável Marina Silva (PSB), que defendia o casamento gay e a criminalização da homofobia. No dia seguinte, Marina tirou esses pontos do programa. Agora, Malafaia diz que votará no Pastor Everaldo (PSC) no primeiro turno e em Marina no segundo.

ÉPOCA – O senhor condenou no Twitter a primeira versão do programa de Marina Silva, que defendia o casamento gay e a punição da homofobia. Marina voltou atrás por sua causa?
Silas Malafaia –
Claro que não. Entender isso é simples. Nem Marina, nem (a presidente) Dilma Rousseff, nem (o presidenciável tucano) Aécio Neves leram seus programas de governo. Entregam o texto a equipes especializadas. O programa de Marina tinha dois erros graves. A turma do LGBT (Lésbicas, Gays, Bi e Transgêneros), intransigente e exagerada, ressuscitou o Projeto de Lei 122 (que criminalizava a homofobia), já derrotado no Senado. Em relação ao ativismo gay, o programa de Marina é mais avançado que o de Dilma, levando em conta que o governo do PT tem financiado a causa gay. Estão reclamando de quê? Meus tuítes só acenderam a lâmpada na equipe da Marina para mudar o que estava escrito. Mesmo assim, não me agradou em tudo. Tem muitos pontos lá contrários à ideologia cristã.

ÉPOCA – O recuo de Marina levou o senhor a apoiá-la?
Malafaia –
Claro. Ela teve coerência. Tem coisa que o candidato promete e não dá para fugir. Marina disse uma coisa como isso: “Se for eleita presidente, não disputarei a reeleição porque não quero estar no poder pensando na continuidade do poder. Quero estar no Planalto para deixar um legado para as próximas gerações”. Quando ouvi isso, pensei: essa serva está fazendo uma colocação extraordinária. É uma declaração mais importante que a sobre o casamento gay. Marina não é candidata dos evangélicos, é candidata do povo brasileiro, que está de paciência esgotada com o PT e a corrupção deslavada. Ela interpreta essa mudança. Não me venham com “evangeliquês” nem tentem colocar nela a pecha de fanática, porque Marina contraria muita coisa que pastor evangélico pensa.

ÉPOCA – Homofobia, casamento gay e aborto devem ser tratados nas eleições presidenciais?
Malafaia –
Devem ser tratados no Congresso. Lá, onde os segmentos da sociedade se fazem representar, é o lugar de discutir esses temas. Se os ativistas gays querem algum direito, mandem seus representantes para o Parlamento. Não foram os evangélicos que botaram essa agenda na campanha presidencial. Foram eles.

ÉPOCA – Por que o senhor acredita que essas questões não devem fazer parte do debate presidencial?
Malafaia –
Um dos maiores filósofos da atualidade, Michael Sandel, um doutor em Harvard que já deu entrevista para ÉPOCA, diz que a moral, os princípios e as questões da fé são fundamentais no debate político. Atenção: não é pastor que está falando isso, não. É um dos maiores pensadores do nosso tempo. Esta eleição tem de ser moral. Não vale tratar do maior escândalo de roubalheira da história do Brasil, o mensalão? E a roubalheira na Petrobras? A corrupção é um câncer na sociedade. A discussão tem de ser moral mesmo. Por que (a presidente) Dilma (Rousseff) e (o ex-presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) nunca condenaram os mensaleiros, que estão na prisão? Estão com medo de eles abrirem a boca e os colocarem na roda?

ÉPOCA – Onde o governo Dilma acertou e onde errou nas questões que interessam aos evangélicos?
Malafaia –
Dizer que o PT só errou seria incoerência e imbecilidade. O PT acertou na ampliação dos programas sociais. Mas o que seria do investimento social do PT se não houvesse a estabilidade econômica? Podem chorar à vontade, mas esse foi ou não um mérito de Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco (ex-presidentes)? A alternância de poder é fundamental para o fortalecimento da democracia. O PT precisa perder a eleição para o bem do Brasil.

ÉPOCA – O que os evangélicos esperam do próximo governo?
Malafaia –
O que está na Bíblia: dias melhores para os brasileiros, que haja paz no país e nas casas, que haja prosperidade. Sabe o que os evangélicos fazem? Aprendemos, com a Bíblia, a orar pelos nossos governantes. Cada um vota em quem quiser. Em 2010, votei em José Serra (PSDB) para presidente. Dilma venceu. Perdi a conta de quantas orações fiz por ela na minha igreja. Quando o mandatário assume, entendemos que é a vontade de Deus.

ÉPOCA – O Pastor Everaldo (PSC), seu amigo, é candidato a presidente e pretendia capturar o voto evangélico. Marina Silva, também evangélica, pode tomar-lhe esse eleitorado?
Malafaia –
Quando Everaldo lançou sua candidatura, marcou 4% nas pesquisas eleitorais. Pensávamos que, se os líderes evangélicos se engajassem na campanha, Everaldo chegaria a 10% e teríamos uma agenda no segundo turno. A lamentável morte de Eduardo Campos mudou o panorama. Marina também é evangélica e tem um histórico político no Brasil. Everaldo, não. O trator da Marina passou por tudo. Passou por Everaldo, Aécio e Dilma. Everaldo sofreu mais com isso, por causa do voto evangélico.

ÉPOCA – Há líderes evangélicos que apoiam o Pastor Everaldo. Outros estão com Marina Silva, Dilma Rousseff ou Aécio Neves. Por que esse segmento é tão fragmentado?
Malafaia –
Isso mostra que os evangélicos não têm unanimidade em pensamento político. Cada um é livre para fazer suas escolhas. Por isso, sempre fui contra a criação de um partido evangélico. Baixo o bambu quando alguém vem com essa ideia. Temos de estar em tudo que é partido. Mas não tenho dúvidas: Marina levará de 80% a 90% do voto evangélico. A candidatura dela, o acirramento da propaganda e as redes sociais mudaram tudo. O evangélico tem interação social, porque vai à igreja pelo menos uma vez por semana. Ninguém usa as redes sociais como os evangélicos, e somos entre 25% e 27% da população. Somem a nós os católicos praticantes, também uns 25% a 27% e que, em muitos pontos, pensam igual. Já deu a maioria da população.

ÉPOCA – Que presidenciável está mais preparado para atender às demandas evangélicas?
Malafaia –
Em primeiro lugar, Everaldo. Depois, Marina e Aécio. Dilma começou a falar agora, mas, no Congresso Nacional, nos quatro anos de seu governo, o PT votou contra nossos princípios. As demandas evangélicas são: casamento entre homem e mulher, proibição do aborto, liberdade de religião e imprensa livre, mesmo falando mal de nós. Não queremos impor ideologia. Queremos que o Brasil seja democrático, cresça, crie emprego e prospere para todos.

ÉPOCA – Dilma prometeu apressar a tramitação da Lei Geral das Religiões, que dá benefícios fiscais às igrejas evangélicas.
Malafaia –
Vou mandar a Dilma uma caixa de óleo de peroba, porque uma garrafa só não dá. Ela pensa que nós, evangélicos, somos idiotas e otários. Doze anos de PT… só agora essa conversa? Na caneta, ela não pode decidir isso. Tem de ser o Congresso. É hipocrisia eleitoral. Estão tão desesperados que prometem o que não podem entregar.

ÉPOCA – O senhor afirmou que o PT o ataca.
Malafaia –
Em junho do ano passado, fizemos uma manifestação em Brasília com 70 mil pessoas. Lá, eu disse que o povo queria os mensaleiros na cadeia. Um mês depois, a Receita Federal abriu fiscalização na igreja em que sou pastor e na Associação Vitória em Cristo, entidade com que levanto recursos para obras sociais e programas de TV. Coincidência? Em julho, os procedimentos foram encerrados. Não descobriram nada, porque não sou ladrão nem bandido. Tem evangélico em todos os lugares. Um passarinho me contou: a ordem veio de cima para me detonar e calar minha voz. Eles têm medo de certa liderança que tenho entre os evangélicos.

ÉPOCA – O senhor pretende se candidatar algum dia?
Malafaia –
Nunca. O que são partidos políticos? Partes da sociedade. Não sou de partes. Sou do todo. Eu, que trabalho para Deus todo-poderoso, direi que Ele é um mau patrão e, agora, serei empregado dos homens? Uma das coisas mais fantásticas do ser humano é conhecer seus limites, reconhecer erros e corrigir rotas. Eu? Político? Não fui chamado nem tenho competência para isso. Onde estou, falo com todos, teço minha ideologia. Lá, seria só mais um.

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Delegado que investiga casos de desrespeito a religiões é preso após atirar em fiel de igreja

Caso aconteceu no 5º Juizado Especial Cível, em Copacabana. Confusão começou no fim de audiência

Tupirani da Hora Lores em frente à 12ª DP, onde o caso foi registrado: pastor da igreja Geração Jesus Cristo (foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)
Tupirani da Hora Lores em frente à 12ª DP, onde o caso foi registrado: pastor da igreja Geração Jesus Cristo (foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

Dandara Tinoco (Extra), Gustavo Goulart, Luã Marinatto (Extra) e Marcel Tardin, em O Globo

RIO — Uma longa história de antagonismos entre seguidores da igreja Geração Jesus Cristo e o delegado Henrique Pessoa, encarregado de combater a intolerância religiosa no estado, terminou, nesta quarta-feira, com a prisão em flagrante do policial por tentativa de homicídio, após ele ter baleado um fiel. O incidente aconteceu por volta das 15h30m no 5º Juizado Especial Cível, na Rua Siqueira Campos, em Copacabana, onde o delegado move uma ação contra um integrante da igreja que o perseguia por meio de redes sociais. Em 2008, o delegado colaborou com um inquérito no qual seguidores da Geração Jesus Cristo foram acusados de terem depredado um centro espírita. Ao fim da audiência, houve confusão entre Pessoa e um grupo de 20 fiéis. Cercado, o delegado, que foi agredido por evangélicos, fez o disparo, ferindo na barriga Carlos Gomes, de 29 anos, que está internado no Hospital Miguel Couto e não corre risco de vida.

EM 2008, INVASÃO A CENTRO ESPÍRITA

Há seis anos, três homens e uma mulher integrantes da igreja, que tem sede no Morro do Pinto, no Santo Cristo, foram denunciados pela invasão ao Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete, onde quebraram imagens de santos e agrediram frequentadores. Em 2009, o pastor da Geração Jesus Cristo, Tupirani da Hora Lores, e o fiel Afonso Henrique Alves Lobato se tornaram as primeiras pessoas presas no país por intolerância religiosa. Lobato havia divulgado um vídeo, com o consentimento do pastor, no qual fazia ofensas a religiões de matriz africana, afirmando, por exemplo, que “todo pai de santo é homossexual” e que “centro espírita é lugar de invocação do diabo”. O fiel foi um dos acusados de depredar o templo no Catete.

Na época, o delegado Henrique Pessoa, representante da Polícia Civil na Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), disse que imagens e textos postados por fiéis da igreja na internet foram provas importantes no inquérito. Os dois acusados, no entanto, ficaram menos de um mês na prisão. Depois de serem soltos, divulgaram dezenas de vídeos com ofensas ao candomblé e à umbanda, intensificando os atritos com o delegado.

Em 2010, a Polícia Civil criou o Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa, comandado por Henrique Pessoa. No mês passado, em entrevista ao GLOBO sobre o assunto, ele chegou a afirmar:

— A internet tem sido usada de forma deliberada. As pessoas acham que a rede é terra de ninguém, então, atualmente, esse é um dos principais meios de disseminação das ofensas.

AÇÃO POR DANOS MORAIS

A vítima baleada nesta quarta-feira não era o alvo da ação judicial movida pelo policial, que, além de atuar no núcleo e na CCIR, trabalha na 79ª DP (Jurujuba). O delegado está processando por danos morais um outro fiel, o cabeleireiro Márcio Pereira Carvalho, de 35 anos, que teria revelado o endereço residencial de Pessoa ao divulgar documentos no Facebook, onde também teria postado um texto com ofensas a ele. O delegado alegou que, depois da audiência de conciliação, na qual não houve acordo, foi cercado por cerca de 20 seguidores da igreja. Pessoa afirmou ainda que foi atacado e que atirou para o chão, para se defender.

— Eles (os fiéis) se organizaram pelo Facebook, e hoje (quarta-feira) havia um grupo de cerca de 20 homens no juizado. Quando fui atacado, tentei me desvencilhar. Acabei puxando a pistola e dando um tiro. Tomei muitos chutes. Estou com a cabeça arrebentada e muito abalado — disse Pessoa, que conversou com o GLOBO pouco antes de ser internado sob custódia da polícia no hospital Copa D’Or.

Filha e advogada do delegado, Luciana Pessoa também afirmou que o policial foi atacado:

— Ele sofreu escoriações na cabeça e chegou a desmaiar durante a confusão. Atirou em legítima defesa.

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