Facebook quer saber sobre a saúde dos usuários

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Publicado no Olhar Digital

Saúde é uma parte da sua vida à qual o Facebook ainda tem pouco acesso, mas a rede social pretende mudar isso futuramente. Fontes da companhia disseram à Reuters que este é o próximo setor de interesse para o time de Mark Zuckerberg.

A agência ouviu que o Facebook explora a ideia de criar comunidades de suporte que colocariam o site em contato mais direto com pessoas doentes. Uma equipe até trabalha com a possibilidade de se criar aplicativos de prevenção de saúde.

O Facebook tem passado os últimos meses se reunindo com representantes do setor de saúde e empresários, além de tocar pesquisas sobre o desenvolvimento de aplicativos voltados ao setor – mas tudo é embrionário e pode ser que a companhia ainda desista.

Há dois indícios de que os usuários podem aceitar bem um serviço de saúde ligado ao Facebook. O primeiro surgiu em 2012, quando a empresa percebeu que as pessoas estavam dispostas a falar sobre si de forma mais pessoal quando permitiu que elas informassem publicamente se são doadoras de órgãos.

Além disso, a empresa também notou que internautas com doenças crônicas, como diabetes, costumam usar a rede social para procurar conselhos. Outras redes, como a PatientsLikeMe, deixam claro que em geral as pessoas se sentem confortáveis em compartilhar suas experiências.

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Até que as eleições nos separem

Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo

charge: Internet
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Na contabilidade do barraco eleitoral, nesta guerra de farpas verbais, deixei de ler os posts de uma amiga, que virou uma maleta desbocada, e deletei dois colegas que se achavam cientistas políticos. Em época de eleição, todo mundo se acha e esfrega, sem cerimônia, sua estupidez, sua prepotência e sua ignorância na timeline alheia.

Quando vejo alguém panfletando, sempre penso: prefiro você bêbado às 5h da manhã, gritando “toca Raul”. Detesto Raul Seixas, mas não terminaria amizade com ninguém por causa do seu desgosto musical. Convivo com gente que curte pagode, sertanejo, funk. Nenhuma amizade desfeita. Uma vez peguei carona com uma amiga e vi no carro um adesivo escrito “sou chicleteira”. É pessoa do bem, apesar disso. Só não ando mais de carro com ela.

É claro que também caio na cilada de me achar bem mais sabida do que alguém que pensa diferente de mim. Não é raro ler um post e pensar: que imbecil. Eu mesma devo ter me revelado imbecil para algumas pessoas, apenas porque não penso, não voto e não quero para mim o mesma que elas. Todo mundo certo. Todo mundo errado. Todo mundo mordido pela mosquinha da vaidade de ter razão, de ser mais inteligente do que os outros.

Prometi que evitaria embates por causa das eleições. Que iria escolher bem as brigas e só gastar o latim se valesse a confusão, porque está difícil ficar do lado de qualquer candidato. Mas as discussões entre os apaixonados são piores que briga de torcedor de time que caiu pra série B. O sujeito insiste que “meu escolhido é menos ruim que o seu”.

A sua candidata é arrogante e incompetente. O seu é cheirador e baladeiro. A sua é pau-mandado de pastor. Só não arruma encrenca quem diz que vai votar no Eduardo Jorge porque ele é muito engraçado no Twitter. Ninguém fala do que interessa. Só observo a rinha.

Sempre gostei de política. Quis ser jornalista pra escrever sobre o assunto, mas meus chefes nunca botaram fé. Eles me achavam loira demais, alegre demais e baladeira demais para cobrir um assunto tão árido. Escalavam a loira para fazer o tricô, os assuntos menos nobres do jornal. Ainda bem. Talvez eu estivesse me engalfinhando pela internet se continuasse tão entusiasmada pela pauta.

Sigo praticamente em jejum nas redes sociais para evitar desentendimentos. Afora um quiproquó aqui, outro acolá. Ninguém mais respeita a timeline alheia. Pessoal entra de sola, sem pedir licença, e economiza na educação. Ninguém quer conversar, debater, trocar ideias. Todos só querem provar suas teorias e fazer valer suas opiniões.

Quer bater boca? Me chame no inbox. Abro uma cerveja e faço de conta que estou no bar. O bom e renegado bar, reduto para falar de política, concordar e discordar de tudo, dividir a conta e ir embora na paz. Quando paramos de ir ao bar falar de política? Agora é tudo dentro de casa, atrás do computador.

Estou contando os dias para o fim dessa eleição. De um ano para cá, é muito assunto polêmico e pouca maturidade da nossa parte para debater. Visita do papa, futebol e eleição, tudo na sequência. Não sei como as amizades resistem. Que acabe logo esse ano para que a gente possa voltar a postar o que realmente interessa nas redes sociais: dieta, vida alheia, pratos de comida e pores do sol.

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10 motivos para sentir saudades do Orkut

Publicado no Estadão

Se você chegou até aqui, provavelmente já sabe que o Orkut vai finalmente pendurar as chuteiras e chegar ao seu fim. O Google anunciou em seu blog nesta segunda-feira, 30, que “é hora de dizer adeus ao Orkut” e marcou a data de encerramento para 30 de setembro.

É fato que a rede social inventada pelo turco Orkut Büyükkökten já não tem a mesma popularidade de antigamente, mas a memória de muita gente ficou guardada por lá. O Link selecionou 10 motivos para lembrar com carinho da primeira rede social do Google – e que até hoje ainda tem o Brasil como seu principal País.

Comunidades úteis

Parece até estranho, mas sem um feed de notícias, boa parte da interação que você podia ter no Orkut era dentro das comunidades. E algumas delas eram bastante sérias: durante muito tempo, comunidades de times de futebol eram os melhores lugares para saber de notícias, enquanto bandas divulgavam seus trabalhos e muita gente dividia links para compartilhar filmes, séries e músicas – é o caso da Discografias, que foi excluída (e recriada) da rede social diversas vezes por ações judiciais que diziam que ela incentivava a pirataria.

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Comunidades sem sentido nenhum

Além de lugares legais para trocar ideias e conhecer pessoas, as comunidades funcionavam como as fanpages do Facebook, servindo para mostrar para quem visitasse o seu perfil que você gostava de uma banda ou compactuava com uma ideia. E algumas delas eram pura piada ou galhofa – a comunidade mais popular no Brasil durante muito tempo foi a “Eu Odeio Acordar Cedo”. Mas o que dizer de clássicos como “Lenin, de três”, “Além do Ben e do Mao” (que homenageava Jorge Ben e Mao Tsé Tung), “Não fui eu, foi meu eu-lírico” ou “Sou mole, tô te dando um legal”, além da que ilustra esse texto, a “Luta de classes”.

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Os depoimentos

Atire a primeira pedra quem nunca mandou um depoimento fofo para um amigo ou lutou pelo “topo” de uma página cheia de “testmonials” (como eles eram chamados lá no comecinho do Orkut, quando o site ainda nem era traduzido). Declarações de amizade, de amor, piadas internas e até mesmo revelações sinceras eram o centro da parte mais sentimental da rede social.

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O Buddy Poke

Muito antes do Facebook se tornar popular aqui no Brasil e trazer à tona o “cutucar”, o Orkut tinha o BuddyPoke. Era um aplicativo com gráficos meio toscos, mas que recriava os usuários do site em versão 3D e os colocava para interagir com seus amigos. Você podia dar um abraço, oferecer uma rosa, contar uma piada ou até jogar uma partida de futebol, tudo virtualmente.

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Ser 90% legal, 80% sexy e 70% confiável

Outra tendência dos dias de hoje, mas que o Orkut já mostrava há muito tempo, era a possibilidade de ranquear seus amigos – alô, Lulu! Claro que, ao contrário do #UsaCrocs, o Orkut só deixava você fazer avaliações positivas, dizendo se seu amigo era legal, sexy ou confiável, além de te deixar ser fã dele.

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Os scraps

Em uma época que a internet não era tão instantânea assim, a conversa entre os amigos no Orkut rolava através dos scraps, os famosos recadinhos – que podiam ir de cantadas até gifs animados ou um pedido de amizade, uma vez que tinha muita gente que obedecia à regra de “soh add com scrap” (traduzindo para os dias de hoje: só adicionar com um scrap). Para não falar numa galera que tinha outra lei muito pessoal: “Leio, respondo e apago”, sempre avisada de jeitos muito originais. Não é?

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Os perfis pessoais organizados

A foto quase sempre pouco importava, mas ter um texto caprichado no seu perfil era imprescindível para ser uma pessoa legal no Orkut. “Quem se define se limita”, diziam as recalcadas, mas tinha gente que apostava em citações de poemas (quase sempre atribuídas a Clarice Lispector) ou em crônicas bem construídas para falar sobre si mesmo. Isso para não falar nas invasões, quando um amigo roubava a sua senha e deixava um recadinho mostrando para os outros quem você era de verdade – carinhosamente, é claro. Havia até briga entre amigos para ver quem conseguia invadir o perfil mais vezes. Se você não lembra disso, aqui tem vários exemplos de como eram as invasões.

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A sorte do dia

Às vezes, parecia que o Orkut era 2 em 1: junto com a rede social, você ganhava de graça um conselheiro anônimo na sua tela de entrada. Era a “sorte do dia”, que tinha palavras edificantes dignas de um biscoitinho da sorte chinês. Mas de vez em quando esse conselheiro anônimo tirava férias, e o resultado era sempre engraçado.

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Radar de bisbilhoteiros

Essa servia para quem queria se sentir popular ou tinha mania de perseguição: em cima da sorte do dia, na tela de entrada, todo dia o orkut avisava quantas pessoas tinham visto sua perfil recentemente, e dava até os nomes dos curiosos – há quem até tenha começado namoros graças a essa ferramenta, mas também servia para lembrar que cada um tinha que cuidar um pouco da sua vida.

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Todo mundo estava lá

Hoje o Facebook, o Twitter e o Instagram podem ter superado o Orkut na preferência dos internautas brasileiros, mas uma coisa é certa: se você navegou na web entre 2005 e 2011, você esteve lá – e também todos os seus amigos. Era um grande espaço de convivência, e, mais do que isso, a primeira interação social de muitos brasileiros na internet. E a primeira rede social a gente nunca esquece. Que tal ir lá para lembrar como era, hein?

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Recém-eleita, Miss Brasil 2014 sofre ofensas na internet por ser nordestina

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Publicado no UOL

Melissa Gurgel, 19, foi criticada ao ganhar o concurso de Miss Brasil 2014, no último sábado (27), por ser nordestina. Na manhã desta segunda-feira (29), a OAB-CE (Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará) assinou representação e notícia-crime junto ao MPF (Ministério Público Federal) para “responsabilizar os autores que teceram comentários de cunho racista ao povo cearense em virtude da eleição da Miss Brasil 2014″.

No Twitter, houve postagens sobre o sotaque cearense, em que uma internauta o define como “sotaquezinho sofrível”, além da comparação dos padrões de beleza do Estado aos de outras regiões do país. Após a repercussão negativa, os perfis apagaram as postagens e um deles restringiu o acesso ao público em geral.

“Não podemos tolerar qualquer discriminação contra o povo do Ceará”, defende o presidente em exercício da OAB-CE, Ricardo Bacelar.

A Miss Ceará 2014, Melissa Gurgel, venceu o concurso realizado em Fortaleza (CE). Melissa vai representar o Brasil no Miss Universo 2014, que vai ser realizado na cidade de Doral (Flórida), Estados Unidos, em 18 de janeiro de 2015. Além da coroa, a bela ainda ganhou um carro no valor de R$ 40 mil por vencer o concurso.

A bela é modelo e estudante de design e moda. Ela se considera uma pessoa esportista, amante de cinema e de livros.

Em segundo lugar, ficou Fernanda Roberta Leme (Miss São Paulo) e em terceiro lugar, Deise Benício (Miss Rio Grande do Norte). Cada uma ganhou uma viagem para o Caribe.

A nova Miss Brasil vai tentar quebrar um jejum de 45 anos sem títulos brasileiros. As duas únicas brasileiras que levaram a coroa de mais bela do mundo foram a gaúcha Ieda Maria Vargas, em 1963, e a baiana Martha Vasconcellos, em 1968.

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Candidatos reagem, com atraso, às declarações homofóbicas de Levy Fidelix

Aécio e Marina alegam que não podiam se manifestar na hora devido às regras do debate

charge: Carlos Latuff
charge: Carlos Latuff

Marcio Beck, Silvia Amorim, Leonardo Guandeline e Letícia Lins, em O Globo

Os candidatos à Presidência da República reagiram nesta segunda-feira ao discurso homofóbico feito pelo candidato do PRTB, Levy Fidelix em debate realizado pela Rede Record, que não foi contestado imediatamente por nenhum dos adversários. Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) e Marina Silva (PSB) condenaram a postura de Fidelix, que, ao responder a uma pergunta de Luciana Genro sobre união homoafetiva, defendeu “tratamento psicológico” para homossexuais, declarou não querer os votos de pessoas que não são heterossexuais e disse ainda que a “maioria” deveria “enfrentar a minoria”. Os candidatos do PV e do PSOL pediram punições a Fidelix.

O primeiro a se manifestar foi Eduardo Jorge. Pouco após o fim do debate, ainda de madrugada, ele postou no Twitter sua crítica.

Em tom de brincadeira, ele ainda compartilhou em seu perfil oficial uma imagem postada por um perfil falso seu, também condenando as declarações.

— A posição do PV todos já conhecem, somos a favor de equiparar a homofobia a crime de racismo. Para nós, mesmo sem essa legislação explicitamente aprovada no congresso, julgamos que cabe o processo por incitação à violência e preconceito. O Jurídico do PV também está estudando para amanhã (terça-feira) uma ação no TSE — afirmou Eduardo Jorge, no comunicado.

A candidata do PSOL, Luciana Genro, fez uma representação ao TSE, junto com o deputado Jean Wyllys, do mesmo partido, pedindo que Fidelix “seja punido, nos termos da legislação eleitoral, por ter incitado o ódio e a violência contra a população LGBT em seu pronunciamento no debate”.

“A nossa candidatura é a única que está pautando constantemente a defesa dos direitos LGBT. E a fala odiosa do candidato Levy Fidelix chamou a atenção do Brasil inteiro para o silêncio dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas a respeito da homofobia e da necessidade de se garantir, em lei, o casamento civil igualitário e de se combater, a partir da educação nas escolas, qualquer tipo de discriminação”, disse Luciana Genro, em comunicado.

DILMA: ‘STF FOI DEFINITIVO’

A presidente Dilma Rousseff voltou a defender que a homofobia seja criminalizada no Brasil.

— O meu governo e eu, pessoalmente, sou contra a homofobia e acho que o Brasil atingiu um patamar de civilidade que nós, a sociedade brasileira e o governo, não podemos conviver com processos de discriminação que levem à violência — disse a presidente. — No que se refere às relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, o Supremo Tribunal Federal foi claro e definitivo. Leis, neste país, e decisões do Supremo existem para serem cumpridas. E nós temos de cumprir esta que declarou que a união estável entre pessoas do mesmo sexo garante às pessoas todos os direitos civis, tais como herança, adoção e todos os demais — acrescentou.

Dilma, que ainda nesta segunda-feira deve se reunir com lideranças defensoras dos direitos homossexuais, no entanto, não rejeitou um eventual pedido de apoio a Fidelix em um segundo turno:

— Meu palanque ainda não foi concluído. Estou no primeiro turno e não vou fazer aquela precipitação, que é achar que tudo já foi resolvido. Eu respeito o voto. Então, só falo em segundo turno depois do voto depositado na urna e computado, contadinho. Aí a gente discute o que vocês quiserem.

AÉCIO: ‘SEM SENTIDO E EQUIVOCADA’

Antes de fazer uma caminhada no centro comercial de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Aécio Neves classificou a fala de Fidélix como “lamentável”.

— Quero expressar nosso repúdio absoluto àquela declaração. Como já disse, qualquer tipo de discriminação é crime. Homofobia também — disse.

Em atividade de campanha em seu estado natal, Minas Gerais, em Uberlândia, pela tarde desta segunda-feira, o tucano voltou a responder sobre a polêmica. O tucano disse não considerar que as ofensas aos gays proferidas por Fidelix tenham dado a tônica ou tenham interferido no conteúdo dos demais concorrentes no penúltimo debate presidencial neste primeiro turno.

— Foi uma participação (de Levy Fidelix) sem sentido e equivocada, mas é exagero dizer que ofuscou o debate. Reitero o que já disse: homofobia é crime, como qualquer outro tipo de discriminação, e assim deve ser tratada.

O candidato Aécio Neves afirmou que não teceu críticas aos comentários do adversários, logo após as afirmações de Levy Fidelix, devido ao formato do debate. Questionado pela reportagem de O Globo, ele também indagou sobre como poderia ter se manifestado durante o debate.

— Como? Me sugere. Me fala como? Não era a minha vez de falar, eu não podia falar. Estou manifestando aqui agora.

MARINA: ‘DECLARAÇÃO INACEITÁVEL’

Durante evento em Caruaru, onde foi reforçar a campanha de Paulo Câmara (PSB), Marina Silva também alegou que não pode interferir no momento devido às regras do debate.

— A declaração dele foi inaceitável do ponto de vista da completa intolerância com a diversidade social e cultural que caracteriza o nosso país.

Para ela, o candidato faltou com o respeito que se deve ter com as pessoas independentemente de condição social, de cor e orientação sexual. A candidata do PSB disse ainda que a Rede está avaliando as declaração com os advogados e está estudando entrar com representação na Justiça.

— As declarações são de fato homofóbicas e inaceitáveis em qualquer circunstância — disse, acrescentando que ninguém deve aceitar a incitação ao desrespeito e à violência contra integrantes da comunidade LGBT ou contra qualquer pessoa.

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