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Apenas 1% dos fãs do Facebook se engaja

Publicado no Meio&Mensagem

Usuários da rede social não estão próximos das marcas, aponta estudo do Instituto Ehrenberg-Bass

Já há alguns anos as marcas estão encarando o número de “likes” no Facebook como a prova de sua perspicácia nas mídias sociais. Mas quantos desses fãs estão realmente preocupados em manter um diálogo com as marcas? Não muitos, como se vê.

Pouco mais de 1% dos fãs das maiores marcas no Facebook estão realmente engajados com as marcas, de acordo com um estudo do Instituto Ehrenberg-Bass, sediado na Austrália, que conta com Procter & Gamble, Coca-Cola e outros grandes anunciantes como seus apoiadores.

A relação das marcas com as redes sociais e com os consumidores foi tema da reportagem de capa “Por que entrar no Facebook?”, publicada na edição 1493 de Meio & Mensagem, com data de 23 de janeiro. Confira aqui a matéria sobre o estudo da SixpixContent apresentado com exclusividade na reportagem e aqui a análise.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores usaram uma das métricas próprias do Facebook, a People Talking About This, ferramenta que analisa a contagem de likes, posts, comentários, tags, ações e outras maneiras que um usuário da rede social pode interagir com as páginas das marcas. A nova métrica foi apresentada no ano passado como uma forma de dar aos anunciantes uma imagem mais nítida no nível de atividade em suas páginas.

Os pesquisadores do instituto fizeram uma relação entre essa métrica e o crescimento geral de fãs das 200 maiores marcas no Facebook ao longo de um período de seis semanas em outubro. E descobriram que o percentual de fãs que interagem com o conteúdo das marcas, em geral, é de 1,3%.

Se você subtrair os novos “likes” e isolar para as formas mais engajadas de interação, o número é ainda menor: 0,45%. Isso significa que menos de meio por cento de pessoas que assumem gostar da marca por meio de um “like” realmente se preocupa em criar qualquer conteúdo em torno dela.

Você pode supor que estes números são condenatórios. Mas isso não é necessariamente o caso.

“Eu não acho que isso é uma coisa ruim”, disse Karen Nelson-Field, pesquisadora sênior associada do Instituto Ehrenberg-Bass, que se descreve como uma “advogada do Facebook”. “As pessoas precisam entender o que ele pode fazer por uma marca e o que não pode fazer. O Facebook não difere muito dos meios de comunicação de massa. É muito bom ter um alcance decente, mas mudar a forma como as pessoas interagem com uma marca em uma noite é apenas irreal”.

O pano de fundo aqui é o pensamento de Andrew Ehrenberg, o matemático que era altamente cético em relação à sabedoria convencional de marketing. Em artigos densos, ele lançou dúvidas sobre conceitos como lealdade à marca e nunca se convenceu do poder persuasivo da publicidade. Agora seus discípulos defendem a conquista do amplo alcance através da mídia de massa. O crescimento da marca, segundo eles, não depende de alguns fãs leais, mas de um número maior de compradores leves e médios. Neste raciocínio de marketing e mídia, social é apenas mais um canal de mídia útil pelo seu alcance e não pelo conceito de engajamento.

Esta pesquisa brinca com este pensamento assim como um estudo independente da senhorita Nelson-Field que analisa a distribuição do comportamento de compra entre as bases de fãs do Facebook. Nesse estudo, ela usou paineis de consumidores baseados na web para examinar o comportamento dos fãs de Facebook de duas marcas anônimas das categorias de chocolate e refrigerantes. A principal conclusão foi uma ocorrência muito maior de compradores fortes na população do Facebook do que em uma população mais geral de clientes. O estudo também descobriu que a frequência de compra não aumentou depois que alguém se tornou um fã.

Em outras palavras, a base de fãs do Facebook tende a se tornar heavy buyer mais do que os consumidores casuais, que são aqueles que as marcas precisam para crescer. Mais uma vez, a menos que você acredite que apenas o marketing no Facebook constitua uma estratégia completa, ou esteja alinhando ao inevitável IPO do Facebook, essa notícia não é totalmente ruim. O Facebook tem um bom alcance e sua audiência de fãs leais é boa para pesquisas de mercado e para a propaganda boca a boca.

Se há uma cautela geral, é contra, nas palavras da senhorita Nelson-Field, “colocar uma quantidade desproporcional de esforço em engajamento e estratégias para levar as pessoas a falar sobre uma marca, quando se deveria estar gastando mais tempo para conquistar consumidores leves”.

(*) Por Matthew Creamer, do AdAge.

Cresce debate sobre aspectos nocivos de viver o tempo todo na internet

Nelson de Sá, na Folha de S.Paulo

Há dois meses, falando a estudantes em Stanford, Mark Zuckerberg desabafou que, se voltasse no tempo para recomeçar o Facebook, ficaria em Boston, longe do Vale do Silício, dos fundos de “venture capital” e da “cultura de curto prazo”. Ele tem um problema: a abertura de capital do Facebook se aproxima e a rede social dá sinais de, nos EUA, ter batido no teto.

As visitas cresceram 10% de outubro de 2010 ao mesmo mês de 2011, segundo a comScore, contra 56% de aumento no ano anterior.

Já se fala em “saturação social”, como publicou o “New York Times”. Segundo depoimento de David Carr, repórter e colunista da área cultural do “NYT”, 2011 foi o primeiro ano em que ele viu sua produtividade cair por causa de seu consumo de mídia. E, para 2012, Carr diz estar diante da escolha entre cortar passeios de bicicleta ou “alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo”.

Nas três primeiras semanas, nada. “Meu Twitter ainda está me comendo vivo, embora eu tenha tido certo sucesso em desligá-lo por um tempo”, diz ele à Folha. “Na maior parte do tempo, porém, é como ter um cão amigável que quer ser sempre acariciado, levado para passear. Em outras palavras, continua me deixando louco.”

MENOS INTERAÇÃO

Pouco a pouco, os americanos, bem como os europeus, restringem a interação on-line e se tornam “espectadores”, segundo o relatório Adoção de Mídia Social em 2011, da Forrester Research. Só um terço dos americanos e europeus atualiza seus perfis em redes sociais, Twitter inclusive, toda semana.

Já nos emergentes, Brasil entre eles, dois terços dos internautas atualizam seus perfis semanalmente. Nos centros urbanos, três quartos.

O relatório visa ajudar em estratégias de negócios, alertando de que “essas tendências apresentam um desafio para o Facebook, conforme se aproxima de seu IPO [oferta pública de ações]“.

Aos estrategistas de marketing, Gina Sverdlov, da Forrester, escreve: “Se você tem como alvo usuários nos mercados ocidentais, priorize dar a eles conteúdo que possam simplesmente ler ou ver. Não espere muita interação dos consumidores ocidentais”.

“SLOW” TUDO

A reação vai além das redes sociais. No final do ano, a revista “Travel + Leisure” publicou uma edição sobre “o futuro das viagens”, ouvindo futuristas e proclamando que “o maior luxo do século 21 será escapar da rede” em “black hole resorts”, refúgios buracos negros, com “total ausência de internet -até as paredes serão impenetráveis ao acesso sem fio”.

Segundo Judith Kleine Holthaus, ex-Future Foundation, hoje responsável por estratégia e insight na McDonald’s Corp., “sejam instalados no alto de montanhas ou em vilas exóticas, os buracos negros serão o ápice do movimento ‘slow food’ [a favor de produção camponesa], ‘slow travel’, ‘slow’ tudo -o máximo em se livrar de tudo”.

Na mesma direção, espalham-se pela Ásia os centros de recuperação de viciados em internet. Na Coreia, já seriam 200. Na China, 300.

Ganham repercussão nos EUA os softwares criados por Fred Stutzman, da Universidade Carnegie Mellon, como o Freedom, um “software de produtividade” que restringe o acesso à web por um determinado número de horas.

ATAQUES À WEB

E no último ano e meio acumularam-se os livros com questionamentos aos efeitos da internet: ela mina a criatividade, escreve Jaron Lanier em “Gadget – Você Não É um Aplicativo” (ed. Saraiva); sufoca os momentos de quietude, segundo “Hamlet’s Blackberry”, de William Powers, inédito no Brasil; e afasta as pessoas com ferramentas que serviriam para aproximá-las, segundo “Alone Together”, de Sherry Turkle, do MIT, também inédito por aqui.

O porta-bandeira nas críticas é Nicholas Carr, autor três anos atrás de um artigo de grande repercussão na revista “Atlantic”, “Is Google Making Us Stoopid?” (“O Google está nos tornando burros?”), com argumentos que depois ampliou em “A Geração Artificial” (ed. Agir). Dele, na edição mais recente: “O que são os smartphones senão coleiras high-tech?”.

9 motivos para empresas ficarem longe de redes sociais

9 motivos para não estar lá

Publicado originalmente no Adnews

Um estudo divulgado pelo Ibope Nielsen Online mostra que o Brasil possui 46,3 milhões de usuários de redes sociais ativos em casa ou no trabalho, ficando em terceiro lugar no ranking mundial de 2011. Mas sua empresa precisa estar nas redes sociais?

Para a empresa L3 CRM, ser capaz de monitorar tudo o que está sendo falado sobre a companhia não é motivo suficiente. “Apesar de parecer um ótimo negócio, estar nas mídias sociais não é para qualquer um”, destaca Leandro Lopes, diretor da empresa, que listou nove motivos para ficar longe desses sites:

1 – Conteúdo
Sua empresa tem algo a dizer que não se esgota nos canais de comunicação tradicionais, como site, newsletter e anúncios publicitários? Se estiver sem assunto, é melhor passar longe das redes sociais. Um perfil desatualizado pode passar uma imagem de desleixo, e você não quer esse valor aliado à sua marca, quer?

2 – Chatice
Se o discurso da sua empresa é chato e irrelevante, não há espaço para ele nas redes sociais. Isso porque as pessoas não têm tempo para ler ‘bobagem’. Elas podem até passar tempo demais na internet, mas não será lendo algo que não chama sua atenção;

3 – Motivo
Defina seus objetivos com cuidado. Simplesmente “quero minha empresa nas redes sociais” não é uma meta, e sim um meio para alcançar algo. Por que você quer estar presente? Quer gerar tráfego para o site? Aumentar seu cadastro de clientes em potencial? Gerar vendas? A simples presença de seus clientes (e concorrentes) não pode ser sua única motivação, ou você vai gastar tempo e dinheiro à toa;

4 – Tempo e dinheiro
Parece fácil e barato entrar nas redes sociais. Mas não é bem assim. Criar o perfil é grátis, mas desenvolver conteúdo para mantê-lo demanda o tempo de alguém, e isso tem custo;

5 – CRM 1.0
Como funciona sua relação com os clientes por vias tradicionais? Como anda seu site e SAC? A menos que tudo funcione às mil maravilhas, essa não é a hora de aventurar-se nas redes. Se sua empresa é ruim no CRM tradicional, como vai se comportar no relacionamento com o cliente 2.0? E não vale oferecer um serviço melhor para os clientes digitais. Para ter uma comunicação realmente eficiente com o cliente, ela precisa ser totalmente integrada: todos os setores precisam conhecê-lo e atendê-lo da melhor forma e no menor tempo possível. Sem uniformidade, é melhor ficar offline;

6 – Comunicação interna
Como funciona a relação com seus colaboradores? Não adianta propor um diálogo com clientes via redes sociais se sua empresa nunca conversou com os próprios funcionários. Eles são seu público-alvo número 1, seus maiores vendedores, mas quase sempre ficam completamente à parte de qualquer iniciativa criada online. Muitas vezes são proibidos de acessar essas redes no ambiente de trabalho. Manter uma relação digital aberta e direta será complicado se a empresa já gasta tempo e energia contra o chamado “rádio peão”;

7 – Medo
Você tem pavor de que falem mal da sua empresa? Lembre-se que, nas redes sociais, cada um diz o que bem entende. Os consumidores aproveitam esse espaço para emitir opiniões sobre diversos assuntos, incluindo as marcas que os agradam ou decepcionam. Alguém pode reclamar do seu produto ou serviço. E você não pode impedir isso. Há como responder de forma eficaz e conquistar aquele cliente de volta, mas não há a possibilidade de controle sobre o teor das conversas. Ou você se acostuma a lidar com isso, ou é melhor ficar de fora;

8 – Conhecimento
O mercado não disponibiliza somente duas opções de redes sociais. Por isso, conhecer seu público-alvo e saber que mensagem você quer passar são essenciais na hora de escolher o melhor canal de comunicação. Pode ser que seu cliente goste de podcasts e você continua insistindo em apresentações por slide;

9 – Resultados
Você queria entrar nas redes sociais para saber mais sobre seu cliente. E agora? Reunir um monte de dados não é garantia de que você vai entender melhor esse consumidor e vender mais. A empresa precisa ter um objetivo claro de como utilizará a informação. Estratégia é tudo. E nas redes sociais não poderia ser diferente.

A internet contribui para ampliar a prostituição no mundo

Daniela Fernandes, na BBC

Mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente, segundo um estudo da fundação francesa Scelles, que luta contra a exploração sexual. A grande maioria (75%) são mulheres com idades entre 13 e 25 anos.

O relatório analisa o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e diz que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo. O estudo revela ainda que 90% delas estão ligadas a cafetões.

O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.

Exploração de crianças
A América Latina e os países ricos registram, respectivamente, 10% e 10,8% do tráfico de pessoas para atividades ligadas ao sexo, afirma o “Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual – A prostituição no coração do crime organizado”, publicado em um livro.

E quase a metade das vítimas de redes de tráfico humano são crianças e jovens com menos de 18 anos.

“Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente”, diz o documento. Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo.

Tráfico de mulheres brasileiras
O juiz Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, diz que não há dados suficientes para avaliar o aumento da prostituição no mundo.

“O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente”, afirma.

O estudo da fundação francesa afirma, com base em dados da agência da ONU contra as drogas e o crime, que o tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando. O documento não revela, no entanto, números em relação a esse crescimento.

“Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.”

“Se a maioria das prostitutas na Europa são de países do leste europeu e de ex-repúblicas soviéticas, a predominância desses grupos parece estar diminuindo no continente”, diz o relatório, acrescentando que paralelamente a isso o número de brasileiras estaria aumentando.

Em dezembro passado, a polícia espanhola desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha dezenas de menores brasileiras sob cárcere privado.

Tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando
O estudo também afirma que grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, contribuem para agravar o fenômeno da prostituição.

“Futebol e Olimpíadas são identificados como os cenários mais comuns da exploração sexual”, afirma o relatório.

Segundo o texto, essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de prostitutas.

Na África do Sul, por exemplo, 1 bilhão de camisinhas foram encomendadas pelas autoridades para enfrentar eventuais riscos sanitários durante a Copa do Mundo em 2010.

O número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante o evento.

Internet
Segundo a Fundação Scelles, a internet também contribui para ampliar a prostituição no mundo.

“As redes de cafetões agora recrutam pessoas em redes sociais como Facebook e Twitter”, diz o estudo, citando um caso na Indonésia em que as autoridades prenderam suspeitos de aliciar jovens estudantes no Facebook e no Yahoo Messenger.

Nos Estados Unidos, a maioria das menores prostitutas são recrutadas por cafetões no site Craiglist, de anúncios, diz o estudo.

“Os cafetões fazem falsas propostas de trabalho como manequim e utilizam as vítimas para recrutar outras jovens.”

Manual para ser interessante nas redes sociais

Matheus Pichonelli, na CartaCapital [via Observatório da Imprensa]

Como no Big Brother, existe uma maneira muito simples de a gente parecer mais interessante do que de fato é diante de uma multidão. Basta criar uma conta no Facebook e manifestar desprezo por qualquer coisa que seja popular. Como o Big Brother, ou o Orkut.

Em janeiro, quando as inserções do Pedro Bial passam a ser mais frequentes na TV, o movimento de pudores eletrônicos ganha um tom de campanha política. Depois que inventaram as correntes de Facebook (espécie de TV a cores a substituir o pré-histórico jogo da velha que indicava uma hashtag), ficou muito fácil manifestar nossos bons gostos e engajamentos pela internet.

Basta compartilhar as fotos com as inscrições “Odeio BBB”, “Fora Pedro Bial”, “Meu sofá da sala não é privada”, “Morte ao Paredão”. Pega muito bem. Se houvesse um guia prático do internauta moderno (sim, porque existem os internautas da velha guarda, uns que se deixarem mandam até a íntegra da missa aos domingos), a ojeriza aos reality shows seria a regra número 1.

Coisas fofas em ambiente familiar

Mas não só. Para parecer um cara muito legal na internet e na vida, é preciso também:

** Bater no Michel Teló. Sem dó. Como se ele fosse o Sarney. Todo mundo vai pensar que você morre de saudade dos tempos do sertanejão de raiz, ainda que o mais perto que você tenha chegado de um boi foi naquela visita ao Pet Zoo;

** Ter sempre em seu mural algum auto-retrato pintado da Frida Khalo (serve uma foto em preto e branco) e desenhos estilizados do Tarantino, do Almodóvar, do Che Guevara e daqueles quatro meninos de Liverpool atravessando a zebra de pedestres em Abbey Road. Não é preciso esclarecer a conexão entre eles;

** Fazer um minuto a minuto sobre a sua ansiedade pelo próximo show dos Strokes ou do Arcade Fire no Brasil. De preferência, sem pontos de exclamação nos posts, para não ser confundido (a) com fã de pagode;

** Vale a pena também iniciar, em sua página, uma contagem regressiva para a Feira Literária Internacional de Paraty. Pode começar em qualquer época do ano: “Faltam 291 dias para a Flip”;

** De vez em quando, diga como anda sua vida acadêmica e comemore em letras garrafais quando chegar a formatura. Não se esqueça de dizer que A-M-A a profissão escolhida. No Facebook não existe gente frustrada no campo profissional;

** Conte sempre coisas fofas vividas em ambiente familiar, ainda que te digam que o que se vive entre quatro paredes deva ficar entre quatro paredes;

Uma frase atribuída ao Veríssimo

** Vai a Paris, Roma, Viena ou Nova York? Avise todo mundo pedindo dicas de lugares para os amigos. Chegando lá, não espere a volta para postar impressões e fotos, ainda que você passe 90% do seu tempo livre na sala de internet do hotel;

** Não importa que o Parque Nacional do Xingu fique em Mato Grosso: seja sempre contra qualquer intervenção humana no Pará. Se não colar, lembre também que o país da corrupção não está pronto para receber eventos do porte de uma Copa, uma Olimpíada, um Cirque du Soleil;

** Lista de artistas brasileiros que devem constar das suas preferências musicais: João Gilberto (aquele do “vai, minha tristeeeeeza…”), Chico Buarque (“estava à toa na vida, o meu amor me chamou”), Cartola (ver também: Mangueira. É um morro, além de escola de samba), Noel (o daquela caricatura com nariz grande, cigarro meio desprendido na boca…), Pixinguinha (o moço das bochechas). Engenheiros do Hawaii e Roupa Nova, que te levaram às lágrimas depois daquele fora no colegial, nem pensar. Mantenha certa distância também de Raul Seixas (tiozão demais, coisa de hippie doido);

** Tome duas doses de Clarice Lispector todos os dias. Adicione, de vez em quando, aquele poema da Fidelidade do Vinícius de Moraes (“de tudo ao meu amor serei atento antes…”) e algum pensamento do dia escrito por Mário Quintana ou Caio Fernando Abreu (se não tiver nenhum livro deles em casa, jogue no Google alguma letra sobre despedidas cantada pelo Alexandre Pires. Se não citar a autoria, todo mundo vai achar o máximo). Se estiver de bom humor, use qualquer frase atribuída ao Luís Fernando Veríssimo. Em dias de mau humor, use Arnaldo Jabor (o cineasta e o comentarista são as mesmas pessoas, mas não parece);

Viver cada minuto como se fosse o último

** Faça print screen de erros gramaticais alheios e compartilhe, em tom de lamento, o que você considera um erro grosseiro. De quando em quando, solte um: “Maldita inclusão digital”. É tiro e queda;

** Quando algum autor de renome for dar aquela palestra marota no Sesc perto de casa, marque dois ou três amigos em seu mural e provoque alarde para todo mundo saber: “Vamos, né??????”. Não esqueça de postar o link relacionado;

** Curta a página de qualquer bar com mais de cinco anos de fundação no entorno da rua Augusta; dê preferência ao Ibotirama;

** Use e abuse de qualquer onda retrô. Está sempre em moda;

** Compartilhe diariamente sua indignação com a política nacional. Lembre todos os dias que o governo não presta e que Brasília seria muito melhor se, no lugar do Congresso, funcionasse um estacionamento. É de bom tom ignorar que os governos totalitários do século XX também transformaram seus Legislativos em estacionamento;

** Não conte, nem sob tortura, que você adora passar no McDonald’s depois do rolé pelo Espaço Unibanco;

** Deixe sempre claro que você é habitué de lugares incríveis, como as praias de Trindade-Paraty ou o sofá do Outback;

** Compartilhe qualquer reportagem relacionada ao D.O.M, o mais premiado restaurante brasileiro lá fora, e expresse sua intimidade com o nome de Alex Atala.

Feito isso, você espantará qualquer fantasma da breguice e do lugar-comum que contamina este país que a gente gosta de chamar de atrasado.

Ninguém vai dar a mínima, mas o importante é ficar bem com a gente mesmo. Ou viver cada minuto como se fosse o último. E dormir com a consciência tranquila. Ou qualquer outro clichê que sirva.

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[Matheus Pichonelli é subeditor do site e repórter da revista CartaCapital]

ilustração: Marcelinho Barros