Nenhum partido é dono do pensamento de esquerda (seja lá isso o que for)

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Publicado por Leonardo Sakamoto

Somos educados desde cedo para tomar partido na luta do bem contra o mal e não para entender a pluralidade de pontos de vista ou mesmo o fato de que “bem” e “mal” são construções que atendem a interesses de determinados grupos sociais. Não são absolutos, mas precisam ser enxergados à luz de seu contexto.

É tão raso quando alguém atribui a origem de todos os males a um único partido, seja PT, PSDB, Rede e por aí vai, quando sabemos que as coisas são bem mais complexas. Ou quando se institucionaliza um posicionamento político na forma de uma filiação partidária.

Nas últimas semanas, uma série de mensagens de leitores em corrente dúvida existencial que, em sua argumentação, afirmam que o PT é a esquerda e o PSDB, a direita.

Eu tinha trazido esta discussão para o blog no início do ano, mas acho válido resgatá-la e atualizá-la por conta do rescaldo eleitoral.

Fico fascinado quando um leitor identifica um perfil de esquerda (desculpe, mas na falta de uma categoria melhor para agrupar essa massa disforme vai essa palavra desgastada e mal-entendida mesmo) em minha matriz de interpretação do mundo e, ato reflexo, me chama de “petista”.

Como se todo o petista fosse obrigatoriamente de esquerda (nada mais equivocado) e como se toda esquerda não fosse, em si, muito maior que um partido em questão.

Isso lembra o início do século 20, quando imigrantes libaneses e sírios eram chamados, por aqui, indiscriminadamente de turcos por causa do passaporte emitido pelo Império Otomano. O que, claramente, deixava muitos libaneses e sírios indignados.

Revolta expressa de forma magistral pelo turco Rachid, da novela Renascer? “Nós não turco, nós li-ba-nês!”

Então, para ser bem didático: nós não petista, nós de es-quer-da!

Concordo com ações adotadas pelo governo federal quando elas vão ao encontro de um ponto de vista sobre qual deve ser a real função do Estado (como a libertação de escravos e a implementação de instrumentos para punir economicamente quem se utiliza desse crime), pondero as ações importantes mas que precisam de melhorias para efetivarem todas as suas possibilidades (como o próprio Bolsa Família) e me esgoelo de críticas quando o governo vai contra o que acredito como princípio – como a relação bizarra com antigos coronéis da política nacional e a forma com a qual estão sendo levadas a cabo grandes obras de engenharia, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, passando por cima de muita gente.

Fiz uma contagem e vejam só! Este escriba, sem partido, tem mais textos criticando políticas do PT do que concordando com elas.

Mas odiadores vão odiar. É o papel deles.

Mesmo um partido não é algo monolítico e sim dividido em correntes. E há divergências entre base e cúpula ou quem trabalha no governo e quem executa funções partidárias. Há pessoas no PT que estão possessas com atitudes conservadoras do governo, outras vivenciam orgasmos com elas.

Tal qual um sinal colorido captado por uma televisão em preto e branco, não raro encontramos gente que, diante de uma profusão de cores e tonalidades, forçam o mundo a perder toda sua riqueza e se ajustar a uma realidade com menos graça. Não existe o amarelo, verde e o vermelho, o que reina são tons de cinza. E, ainda assim, menos de 50 deles.

Não raro, a pessoa nem poderia ser cobrada por isso. Como exigir que consiga verbalizar a distinção de cores se elas nunca lhe foram devidamente apresentadas? Se durante toda a sua vida, tudo e todos fizeram-na acreditar que as opções eram apenas duas?

Cultura política deveria ser algo melhor fomentado, desde cedo, via estrutura formal de educação. Mas também através de nosso trabalho como jornalistas, evitando simplificações políticas, onde há complexidade.

Animar o debate público de qualidade para mostrar que há matizes e zonas cinzentas mesmo dentro de grupos que parecem coesos é fundamental. Não fazendo picuinhas, mas analisando o que significa cada discurso.

Ajudaria se todo mundo lesse os textos até o final ao invés de só passar o olho pelos títulos e fizesse um esforço para sua interpretação.

Mas como atravessamos a adolescência da internet, em que as pessoas estão com os hormônios à flor da pele, vale uma certa quantidade de resignação e de torcida para que a fase de descobertas pessoais passe rápido.

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Turistas podem pagar multa ao tirar fotos da Torre Eiffel à noite e postar imagens nas redes sociais

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publicado no ELA

É um clique inevitável: qualquer turista que se preze em Paris faz fotos da Torre Eiffel. Mas é bom tomar cuidado se o registro for feito à noite sob o risco de ter que pagar multa. É que uma lei diz que fotos noturnas da torre estão sujeitas à pagamento de direitos autorais ao artista responsável por posicionar os canhões de luz sobre a edificação.

A iluminação é tecnicamente considerada uma obra de arte, então qualquer ‘reprodução’ requer a permissão do artista. Isso também significa que é ilegal compartilhar essas imagens nas redes sociais. Em seu site, a Torre Eiffel confirma que usos de fotografias estão sujeitas a certas restrições.
As fotos feitas durante o dia estão livres de questionamento já a torre foi construída em 1889, ou seja, já caiu em domínio público.

As diretrizes da União Europeia, de 2001, indicam que fotografias de obras arquitetônicas em espaços públicos podem ser tiradas de forma gratuita, mas a cláusula é opcional, segundo informou o tabloide britânico “Daily Mail”. Países como Itália, Bélgica e França, por exemplo, optaram por não seguir essa indicação.
Muitos edifícios em toda a Europa estão protegidos por copyright. Turistas devem pedir permissão do detentor dos direitos autorais para compartilhar suas fotos em sítios públicos.
Na Romênia, Bulgária e Eslovênia, por exemplo, pode-se tirar fotos de edifícios públicos, desde que as imagens não sejam vendidas.

Enquanto isso, no Reino Unido, Holanda e Alemanha, os turistas têm a liberdade de tirar e compartilhar fotos de prédios públicos por qualquer motivo.

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Silvio Santos recebe críticas nas redes sociais após comentário sobre cabelo de atriz negra de Chiquititas

Julia reagiu com espanto ao comentário de Silvio Santos: “Como assim?” (foto: Reprodução/YouTube)
Julia reagiu com espanto ao comentário de Silvio Santos: “Como assim?” (foto: Reprodução/YouTube)

Publicado no Extra

Durante a participação do elenco da novela infantil Chiquititas no Teleton, exibido pelo SBT no último sábado, o apresentador e dono da emissora, Silvio Santos, fez um comentário sobre o cabelo da atriz Julia Oliver, que interpreta a personagem Pata. Considerado racista por usuários das redes sociais, rapidamente o nome do “dono do Baú” virou alvo de críticas.

Julia, de 11 anos, foi questionada por Silvio sobre o que gostaria de ser quando crescer. Ao responder que queria ser “atriz ou cantora”, ouviu do apresentador: “Mas com esse cabelo?”. A menina ficou visivelmente espantada com o comentário. “Como assim?”, perguntou a jovem, em tom de incredulidade. Veja o vídeo da entrevista aqui.

“Silvio Santos, o sr foi muito racista, nojento e de baixíssimo nível #SomosTodosTeleton“, escreveu uma jovem. “Tirar o Silvio Santos de engraçadão é divertido. Até ele fazer chacota com o cabelo de uma criança de 11 anos. Não é brincadeira”, comentou outro homem.

Após a polêmica, a própria Julia compartilhou uma mensagem no Instagram sobre o assunto. “Nada do que me falarem por essa vida afora vai fazer mudar meu caráter, esse sim é mais importante que o meu cabelo. #AmoMeuCabelo”. Ao ser questionada por um seguidor no Twitter sobre o que achou da postura de Silvio Santos, Julia foi diplomática. “Chateada com o meu patrão? Nunca… tenho o maior respeito pela família SBT”.

foto: Reprodução/Instagram
foto: Reprodução/Instagram

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Identificados jovens que seriam de grupos que fazem pacto suicida nas redes sociais

Os dois adolescentes se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. (foto: Reprodução Faceook)
Os dois adolescentes se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. (foto: Reprodução Faceook)

Publicado no Diário do Vale

Integrantes de dois grupos de uma rede social – um conhecido como “Eu, posso” e o outro como “roleta” – foram identificados pela polícia. A administradora de um dos grupos que promove pacto suicida já foi, inclusive, identificada, mas não teve o nome revelado. Entre os participantes de um dos grupos tem uma menor de 12 anos, segundo informou a polícia. Alguns pais e funcionários da escola já foram localizados e outros foram ouvidos no fim de semana.

No fim de semana, o delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio Furtado, recebeu novas denúncias dos grupos de redes sociais que estariam induzindo jovens a cometerem suicídios. A polícia, no entanto, não quis dar maiores detalhes para não atrapalhar as investigações, iniciadas após dois alunos do Colégio Municipal Getúlio Vargas cometerem suicídio num prazo de sete dias. Os dois se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. Segundo parentes de uma das vítimas, um grupo de uma rede social teria incitado o suicídio.

– Estamos investigando todas as informações sobre esses grupos de roleta russa. Nós já estamos sabendo do caso de uma menina que, em conversa com uma amiga, disse que se trata de um pacto de morte feito na internet e que ela seria a próxima a cometer o suicídio. Nós já localizamos o pai dela e estamos aguardando a presença dele na delegacia para conversar e tentar impedir que isso aconteça – afirmou Furtado.

O delegado disse que está investigando os participantes desses grupos e que eles podem responder criminalmente.

– Como disse, na sexta-feira, se verificarmos que há participação de maiores de idade podemos indiciá-los pelo crime de induzimento ao homicídio, com pena de até 20 anos. Os menores poderão ser apreendidos e ficam internados, como uma medida socioeducativa, por até três anos por ato infracional análogo ao crime de homicídio.

Estudantes com medo

No sábado, o DIÁRIO DO VALE recebeu, além de imagens dos grupos, relatos de alunos do Colégio Getúlio Vargas afirmando estarem com medo de que novos casos de suicídios aconteçam no colégio.

Uma aluna gravou um áudio relatando a situação. Em um dos trechos, ela diz que circulam vários boatos sobre as motivações para o suicídio de Gabriel e Maisa. Segundo a menina, há um grupo, com a participação de cinco adolescentes, todos homossexuais, em que todos iriam morrer e com o suicídio de Maisa e Gabriel restariam outros três jovens.

– O negócio na nossa escola tá bem pesado. Uma colega estava escrevendo no quadro e quando se virou disse ter visto a alma de Maisa e logo desmaiou- disse a jovem num áudio que circula no WhatsApp.

Em um trecho ela cita um outro grupo com a participação de 17 adolescentes. Ela diz não saber se são todos do Colégio Getúlio Vargas ou se há adolescentes de outras unidades de ensino. No final ela pede ajuda e orações para a escola voltar á normalidade.

– Sinceramente se não fizermos nada isso será cobrado de cada um de nós, precisamos agir. Peço que você orem por cada um, para que cada um possa fazer momentos de oração por todos os jovens – acrescentou a jovem.

Fevre emite nota sobre o caso

A Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda)emitiu nota na sexta-feira sobre o suicídio de dois alunos do Colégio Municipal Getúlio Vargas, ocorridos em suas residências, nas duas últimas semanas. A fundação informou que buscou o apoio dos órgãos competentes do município para dar a assistência necessária à direção do colégio em seu trabalho de restabelecimento da ordem afetiva.

A nota informou ainda que foi montada uma equipe envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde – através dos Psicólogos do Programa de Saúde Mental, da Área Técnica Programática da Saúde da Criança e do Adolescente, do CAPSI (Centro de Atenção Psico-Social) – os implementadores educacionais da Secretaria Municipal de Educação, Membros do Conselho Tutelar, psicólogos da Secretaria Municipal de Ação Comunitária, Secretaria Municipal de Políticas Públicas para a Mulher, o serviço de Orientação Educacional do Colégio e a equipe pedagógica da Fevre.

– Essa equipe quando tomou ciência do estado emocional em que se encontra a comunidade escolar fez a proposta de assistência à unidade escolar durante esse período que antecede o final do ano letivo, iniciando, já a partir das 13h de sexta, um trabalho junto aos professores e alunos – explica a nota.

“A Fevre e a equipe ora constituída, sensibilizadas com o ocorrido e cientes da importância de um trabalho preventivo, já está estabelecendo um cronograma de atendimento a toda essa comunidade”, conclui a nota.

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Me estarrece que adultos fiquem cegos por partidos políticos

Ordem-e-Progresso

Clóvis Rossi, na Folha de S.Paulo

Como diria Dilma Rousseff, estou estarrecido com a quantidade de amor e ódio que vertem sem parar as redes sociais e alguns colunistas.

Não é apenas que não me comovem. É que não entendo como seres racionais podem ter o cérebro dominado pelo fígado, em relação aos adversários, ou pelo coração, em relação a seu próprio time.

Sou bicho raro a quem não assustava minimamente a possibilidade nem de reeleição de Dilma nem de vitória de Aécio Neves.

Antes de mais nada porque acho que os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram os melhores –ou, no mínimo, os menos ruins– de toda a minha vida adulta, os últimos 50 anos.

Tiveram defeitos? Incontáveis. Espero tê-los apontado todos no devido momento. Os méritos, estes sim deixei de apontar pela simples e boa razão de que fazer bem as coisas é a obrigação de quem governa.

Elogiar o mero cumprimento da obrigação seria aceitar a mediocridade como regra. Não dá.

Por tudo isso, me estarrece que haja adultos, alguns deles veteranos na observação da cena política, capazes de enrolar-se na bandeira de um partido e de deixar que ela os cegue em relação aos seus defeitos.

Como me estarrece que se tornem em uma espécie de “black-blogs”, empenhados em destruir o inimigo, que deveria ser só adversário, se o combate político fosse civilizado.

Nada contra a paixão, fique claro. Mas quem ama não mata. Nem fica cego. Ainda mais que paixão e ódio giram em torno de agendas vencidas.

Está vencida a agenda da estabilização econômica, a grande marca do tucanato, conforme reconheceu Dilma, na carta em que cumprimentou FHC pelo 80º aniversário.

Está pelo menos iniciada a inclusão social, a grande marca de Lula, internacionalmente reconhecida.

O que deveria, agora, despertar paixões incontroláveis é a a agenda das revoluções que o Brasil necessita. Não deixo por menos: revoluções, sim, não meras reformas.

Revolução política, porque não há um único país minimamente sério que tenha 28 partidos representados na Câmara de Deputados, como ocorrerá no Brasil em 2015.

Não é sério um país em que quase dois terços são pobres (24,5%) ou vulneráveis (37,5%).

Não é sério um país que passa tremenda vergonha em rankings internacionais de educação, de competitividade ou de corrupção.

Não é sério um país cujos habitantes sufocam no trânsito cada vez que saem de casa. Não é sério um país em que a atenção à saúde é o que todos sabemos.

Não é sério um país cujos habitantes são submetidos diariamente a uma roleta russa, porque não sabem se a bala que lhes está destinada chegará hoje ou amanhã.

Há alguém aí que acredita de verdade que o PT ou o PSDB, os partidos em que a maioria dos brasileiros depositou suas esperanças, é capaz de resolver essa ampla agenda?

Ou a sociedade se mobiliza para empurrá-la para a frente ou acabará se afogando em fel.

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