Campanha de Dilma mobiliza cem assessores do governo contra Marina

osmarina

Andréia Sadi, Marina Dias e Valdo Cruz, na Folha de S.Paulo

Depois do crescimento de Marina Silva (PSB) nas pesquisas, o comitê de campanha de Dilma Rousseff reuniu na terça-feira (26) à noite a cúpula do segundo escalão do governo federal para montar uma operação de mobilização nos Estados e de defesa da presidente nas redes sociais, ambiente mais simpático à candidata do PSB.

Segundo a Folha apurou, o comando da campanha orientou aos presentes que façam pelo menos um evento político por semana, fora do horário de trabalho, para “defender o projeto político” do governo Dilma Rousseff.

Cerca de cem assessores de ministérios e estatais comandados por PT, PMDB, PP, PR, PSD, PDT, Pros e PC do B atenderam à convocação da campanha –estavam presentes secretários-executivos, secretários nacionais dos ministérios e diretores de estatais.

Foi feita recomendação especial para que auxiliares com cargos de confiança façam reuniões com movimentos sociais e debates nas redes sociais, uma estratégia para atacar Marina Silva em seu “território”.

“A ordem é trabalhar pela vitória da Dilma, com os assessores se distribuindo em viagens pelos Estados”, afirmou um dos participantes.

Durante a reunião, os assessores foram informados que as despesas nestes eventos serão bancadas pelo PT. Eles receberam ainda a recomendação de não usar carros oficiais nos deslocamentos nem fazer agendas casadas –oficial e de campanha.

Em outra frente para reorganizar a campanha com a subida de Marina nas pesquisas, a presidente chamou nesta quarta-feira (27) uma reunião do conselho político de seu governo, que reúne os presidentes dos partidos que apoiam sua candidatura.

No encontro, agendado para o Palácio da Alvorada, o conselho iria avaliar a melhor estratégia para combater o discurso da nova candidata do PSB, que, nas simulações de segundo turno, já ganha da presidente Dilma.

TERCEIRA VIA

Com chances de vencer a disputa, Marina pretende adotar uma oratória mais firme e assertiva nos próximos 38 dias, até o primeiro turno das eleições presidenciais.

A ideia de se mostrar como uma alternativa à polarização entre PT e PSDB não será abandonada –o discurso virou mantra do PSB. Agora, no entanto, passará a ressaltar sua experiência como senadora (1995-2011) e ministra do Meio Ambiente (2003-2008) e continuará a fazer acenos ao mercado e a setores resistentes à sua candidatura, como é o caso do agronegócio.

Alguns pessebistas comparam a transição que Marina fará agora à do ex-presidente Lula de 2001 para 2002, quando foi eleito pela primeira vez ao Palácio do Planalto.

A articulação política, por sua vez, tornou-se o maior desafio da campanha. A mobilização depende do PSB, do qual Marina é recém filiada e não tem o controle da sigla.

Para resolver o impasse, o candidato a vice de Marina, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), foi escalado para fazer as pontes nos Estados e pedir votos, inclusive em palanques nos quais a candidata se recusa a subir. “Marina Silva não é mais a terceira via, é a primeira”, afirmou um dos integrantes da campanha.

Já para a equipe de Aécio Neves,”sangue frio” virou palavra de ordem. Os estrategistas do tucano estabeleceram um prazo para a campanha se recuperar (ele agora aparece em terceiro lugar nas pesquisas): 15 de setembro.

Os tucanos acreditam que a “onda” Marina vai perder força à medida que a ex-senadora for forçada a debater os termos práticos de suas propostas. Aécio passará a aparecer nos programas regionais do PSDB e de aliados.

Leia Mais

Criador do kit macho muda de tática depois de advertência do partido

Matheus Sathler, candidato a deputado federal pelo PSDB, é convencido pela sigla a retirar proposta de cartilha que ensina homem a gostar só de mulher. Mas, segundo ele, o discurso vai continuar a ser feito na campanha de rua

Sathler em campanha: propostas a "favor da família" vão deixar a televisão e o rádio, mas continuam nas ruas
Sathler em campanha: propostas a “favor da família” vão deixar a televisão e o rádio, mas continuam nas ruas

Almiro Marcos, no Correio Braziliense

Um dia depois de aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê propondo a criação do kit macho — para ensinar homem a gostar somente de mulher — e de causar reações contrárias e a favor da posição, o candidato a deputado federal Matheus Sathler (PSDB) disse que não se arrepende. “É a minha opinião e continuo pensando assim. Menino gostar de menino é antinatural”, resumiu. Enquadrado pelo partido, ele pretende começar a falar sobre temas menos polêmicos nas propagandas. “Também defendo a redução na carga tributária e nos gastos públicos”, acrescentou. O PSDB do Distrito Federal decidiu determinar a retirada do material do ar. Um candidato do PSol, ativista gay, entrou com uma representação contra o tucano no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Nas redes sociais, as opiniões foram exaltadas e divergentes. O tucano evangélico foi atacado por ativistas e chamado de homofóbico, preconceituoso e gayzista, mas também foi parabenizado pela iniciativa. Até as 19 horas de ontem, o post com a reportagem sobre o assunto, na página do Correio Braziliense em uma rede social, tinha mais de 500 compartilhamentos e milhares de curtidas e comentários.

A propaganda polêmica foi ao ar duas vezes na televisão (tarde e noite) e duas vezes no rádio (manhã e tarde) na última quinta-feira. Nela, Matheus Sathler fala da distribuição de cartilhas contrárias ao homossexualismo e a favor do que ele considera normal (homem gostar de mulher). O PSDB chegou a afirmar que o material não tinha sido divulgado, mas depois admitiu a publicidade. De acordo com o partido, não houve tempo para que a produtora fizesse a substituição, mas que a propaganda não voltaria a ser exibida até que a situação fosse discutida entre a direção partidária e o candidato.

Ontem, enquanto fazia uma caminhada pelo Recanto das Emas à tarde, Matheus Sathler recebeu uma ligação do presidente da legenda no DF, Eduardo Jorge. “Ele não chegou a me censurar. Apenas pediu que eu passe a apresentar outras propostas no horário eleitoral. Concordei com isso, pois tenho outros pontos a debater. Mas a minha posição a favor da família continuará a ser mostrada na minha campanha de rua. Não tenho nada a me esconder e nem por que me envergonhar ou temer.”

dica do Gerson Caceres

Leia Mais

Twitter passa a remover imagens sobre pessoas falecidas

imagem

 

Publicado no Olhar Digital

O Twitter passará a remover determinadas fotos de pessoas falecidas, caso receba pedidos dos falimiares.

A ação vem logo após Zelda Williams, filha do ator Robin Williams, anunciar que deixaria a plataforma por estar recebendo montagens de fotos que seriam do corpo de seu pai.

Em comunicado, a rede de microblogs informa que os familiares podem enviar as solicitações para o e-mail privacy@twitter.com especificando o tipo de conteúdo que desejam ver removido. Entram na mira fotos de momentos antes ou após a morte e os que mostrem ferimentos críticos.

O Twitter avisou, entretanto, que nem todos os casos serão atendidos. Será levado em conta, por exemplo, o interesse público em torno da imagem.

Para mais informações, há um artigo sobre como lidar com a conta de pessoas falecidas aqui.

Leia Mais

Marcelo Paiva e Roger travam duelo sobre a ditadura militar

O escritor Marcelo Rubens Paiva durante mesa sobre a ditadura militar na Flip, no início do mês (foto: Danilo Verpa - 2.ago.2014/Folhapress)
O escritor Marcelo Rubens Paiva durante mesa sobre a ditadura militar na Flip, no início do mês (foto: Danilo Verpa – 2.ago.2014/Folhapress)

Juliana Gragnani, na Folha de S.Paulo

Na semana passada, o vocalista da banda Ultraje a Rigor, Roger Moreira, 57, apagou do Twitter mensagens (reproduzidas abaixo) em que atacava o jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, 55. Mas isso não quer dizer que tenha se arrependido.

À Folha, o autor da canção “Inútil” admitiu ter sido “extremamente grosso”, mas reiterou suas declarações e disse que o jornalista “pode ter sofrido lavagem cerebral”. Paiva não quis comentar as declarações.

FLIP

O imbróglio começou durante a Flip, em 2/8, quando Paiva, em mesa sobre o golpe militar no Brasil, usou Roger como exemplo de alguém que desconhece aquele período histórico.

Como resposta, Roger escreveu as mensagens no Twitter, e as apagou em seguida.

Paiva causou comoção ao chorar quando falou do pai, o deputado Rubens Paiva, morto sob tortura na ditadura militar.

“Não sofri na ditadura porque não estava fazendo merda. A pessoa tem que saber quais são os riscos do que está fazendo”, afirma Roger. O cantor diz ter vivido “uma vida absolutamente normal” durante o período. “Era melhor do que essa ditadura disfarçada que vivemos hoje.”

Roger diz que a lavagem cerebral é “um processo de anos e anos” praticado por militantes da esquerda.

Para o cantor, é mais difícil “lavar o cérebro” de quem, como ele, pertence à Mensa, organização que reúne pessoas com QI alto. “Você pode ser uma peneira ou uma esponja. Nós somos peneiras.”

Questionado sobre se suas preferências políticas são de direita, afirmou que a repórter também estava “com o cérebro lavadinho”. Respondeu que votará em quem “tirar o PT do poder”, Aécio Neves (PSDB) ou Marina Silva (provável candidata do PSB).

INÚTIL

O humorista do “Porta dos Fundos” João Vicente de Castro, filho do jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, entrou na briga na sexta (15).

Ele escreveu uma mensagem no Instagram a Roger. “Quem estava fazendo merda era o seu pai, que criou um homem simplista, preconceituoso como você (…) Você é realmente inútil”, diz o texto.

Roger contra-atacou: “Uma pena que o filho de um escritor tão brilhante seja tão tapado. Resultado de anos de lavagem cerebral. Ele acha que o pai dele é um herói que lutou por mim. Uma mentira repetida tantas vezes”.

Atualmente, Roger toca no “talk show” do SBT “The Noite”, e também faz “comentários inteligentes” (segundo o site do programa) no quadro “O Homem do QI 200″.

Leia Mais

Mania de ‘selfies’ pode estar passando dos limites, diz pesquisador

140814104321_pope_selfie

 

Publicado na BBC Brasil

Registrar os momentos com vídeos, atualizações de status e selfies é inevitável, mas podemos estar ultrapassando os limites. É o que pensa o pesquisador Andrew Hoskins, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Ele está em São Paulo para o Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória, onde falará sobre como as tecnologias digitais estão mudando a maneira como os acontecimentos atuais se tornam memória.

Manter-se conectado a todo momento, segundo Hoskins, já é parte integrante da experiência de estar em qualquer lugar e se tornou uma espécie de compulsão. Isso ajudaria a explicar, por exemplo, a polêmica levantada pelos autorretratos tirados durante o funeral de Eduardo Campos.

O pesquisador, que fundou a publicação especializada Memory Studies, fala até mesmo de um “esvaziamento da memória” à medida que as pessoas se tornam mais dependentes das buscas online e guardam extensos arquivos e fotos pessoais digitais que nunca serão visualizados.
“A memória sempre se faz no presente. Ainda não entendemos a magnitude da maneira como a tecnologia mudará nossa memória no futuro”, disse o pesquisador à BBC Brasil.

Confira a entrevista:

BBC Brasil: Durante o funeral do ex-candidato presidencial Eduardo Campos, pessoas foram criticadas por tirar selfies mesmo próximo ao caixão. Como você vê isso? Pode ser considerado desrespeitoso ou seria uma reação normal ao estar presente em um evento histórico?

Andrew Hoskins: Depende do ponto de vista de cada um. A noção do que é público se transformou com a tecnologia. E há agora o que eu chamo de compulsão pela conectividade. Então a pergunta a se fazer é por que as pessoas estão tirando selfies? Por que elas estão constantemente registrando tudo? É em parte a ideia do que é estar em um espaço público hoje, o que é entender uma certa experiência ou evento.
A tecnologia sempre esteve presente nesse sentido, mas para mim há um ponto em que chegamos longe demais. É quando registrar o evento se torna mais importante do que ver o que está sendo registrado. Acho que esse momento estamos vivendo agora.

BBC Brasil: E a noção que temos dessas regras de comportamento vai mudar ao longo do tempo?

Andrew Hoskins: Essa moral é geracional e está sempre mudando. São níveis diferentes de alfabetização midiática. O uso normal para uma pessoa não é o mesmo para outra.
Quando eu vou para um show, eu quero ver uma banda, eu vou para ver a performance. Eu não quero alguém diante de mim balançando o telefone, a câmera ou um iPad. Mas eu sou de outra geração, eu acho isso estranho. Eles claramente acham que não. Eles acham que isso é parte rotineira do que significa estar em um evento ao vivo. Essa midiatização dos eventos é algo que mudou muito nos últimos cinco anos.

Pesquisador Andrew Hoskins diz que a tecnologia está mudando a forma como fatos se tornam memórias
Pesquisador Andrew Hoskins diz que a tecnologia está mudando a forma como fatos se tornam memórias

Eu também vivo tirando fotos e gravando tudo o que acho interessante, não estou acima disso. Mas você precisa se perguntar: como seria essa experiência se você não a tivesse registrado? O que ela significaria para você uma semana ou dois meses depois sem aquele registro audiovisual? Quão importante é esse registro na formação da memória daquele evento? Outras pessoas construirão suas memórias sem isso e sempre foi suficiente.

BBC Brasil: Em seu livro iMemory você diz que a compulsão pela conectividade pode ser responsável pelo esvaziamento da nossa memória. Como esse esvaziamento acontece? Nos lembramos de menos coisas porque estamos muito ocupados tirando fotografias?

Andrew Hoskins: A memória hoje é menos uma questão de lembrar e mais uma questão de saber para onde olhar. Muitos psicólogos dizem que há uma diminuição da memória humana por causa da nossa crescente confiança na tecnologia. Quando eu era criança, eu tinha que lembrar das coisas. Agora se eu não me lembro, posso digitar e aparece para mim.
A grande mudança é que a confiança nas tecnologias da comunicação e da informação para criar memórias, para se sociabilizar e para se informar está passando a ser um dependência. E esse é o ponto crítico. Diferentes países estão em diferentes estágios, mas estamos todos entre a confiança e a dependência das tecnologias.

Contar com essas tecnologias é bom, na minha opinião. Mas depender delas é outra coisa. A noção de compulsão pela conectividade sugere para mim que estamos dependentes. É essa coisa de não poder ficar sem checar mensagens no telefone, sem tirar fotos. De não poder ficar desconectado por algum tempo, porque nos sentimos sozinhos e alienados.

BBC Brasil: E é possível determinar quais eventos as pessoas devem ou não registrar? Como shows ou mesmo funerais?

Andrew Hoskins: Há pessoas que estão tentando. Há algumas bandas que pedem aos fãs que não gravem, não fotografem e não usem seus telefones durante os shows e alguns aderem a isso. Mas eles são a exceção, não a regra. A sensação é de que isso é inevitável e de que a penetração dos smartphones faz parte da sociabilidade do dia a dia. É impossível escapar deles.

BBC Brasil: Mesmo antes dos celulares, estes eventos já eram sociais. Em funerais, já se debatia o hábito de conversar animadamente com outras pessoas. Nos anos 1960 já se dizia que fãs dos Beatles iam aos shows mais para gritar do que para assistir à banda. A tecnologia móvel mudou isso tanto assim ou estamos apenas nos adaptando a um novo formato?

Andrew Hoskins: Em países e regiões diferentes as coisas mudam em ritmos distintos. O que é um comportamento aceitável em cada lugar é cultural e regional. É difícil ter uma resposta única para esta pergunta. Mas é realmente uma questão de adaptação.
Especialmente se você pensar que muitas das pessoas tirando essas fotos são de uma geração mais nova. Há 30 anos, quando eu era criança, a pessoa que tirava todas as fotos das férias em família era meu pai. Era o pai que determinava o que seria, no futuro, a memória da família. Então tínhamos aquela perspectiva bastante patriarcal e masculina. Quem tira as fotos hoje? Os filhos. Então temos hoje uma perspectiva diferente sobre as famílias. Nesse sentido, a mudança é interessante.

BBC Brasil: No caso da política, é mais fácil hoje trazer de volta promessas de campanhas e escândalos envolvendo os candidatos para continuar cobrando respostas. A tecnologia estaria ajudando a nossa memória política?

Andrew Hoskins: Sim e não. Há muitas maneiras de responder a essa pergunta. Uma delas tem a ver com a maneira como os políticos estão lidando com o presente, porque eles sabem que tudo está sendo gravado e poderá ser usado contra eles. Na Grã-Bretanha, acho que o discurso político se tornou muito insosso porque os políticos têm medo de dizer algo que eles sabem que dois meses depois será recuperado rapidamente para contradizer a próxima coisa que eles disserem.

O jornalismo sempre fez isso, mas era muito difícil. Você tinha que analisar um arquivo imenso para encontrar o momento em que uma pessoa prometeu algo. Mas agora qualquer um pode fazê-lo, chama-se Google. Isso tem um efeito adverso na política. Porque os políticos, assim como qualquer um, não querem ter que responder por opiniões e promessas que inevitavelmente mudam – por boas e más razões. Então o discurso deles tende a ser mais vazio.
Por outro lado, há uma filosofia de que a memória perfeita e completa sobre todas as coisas é algo bom, mas isso ignora algo fundamental: nem todas as memórias são boas. Também queremos esquecer coisas. Esquecer não é disfuncional, é muito importante.

BBC Brasil: Mas ao escolher representantes políticos é importante lembrar, não?

Andrew Hoskins: Sim e não. Quando o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown chamou uma eleitora de “preconceituosa” em 2010, a tecnologia o pegou desprevenido. (Gordon havia acabado de cumprimentar a mulher, Gillian Duffy, e fez o comentário momentos depois, no carro, para um de seus assessores, sem perceber que ainda usava um microfone do canal de TV Sky News. O caso repercutiu em todo o país).
Um microfone que estava ligado o pegou falando o que ele realmente pensava e isso foi visto como degradante. Aquela frase representava tudo o que Gordon Brown pensava? Provavelmente não. Mesmo assim, ela manchou a memória política do homem que ele foi e das coisas que pensou.

Leia Mais