Arquivo da tag: reflexão

Este vídeo vai te fazer refletir sobre o envelhecimento

Publicado no Brasil Post

Só de pensar em envelhecer, você já fica nervoso(a)? Então está na hora de você rever os seus conceitos sobre o assunto. O seu prazer de viver não pode de maneira nenhuma ser reduzido a cada ruga que surgir. Afinal, ficar velho não é doença.

A fim de desafiar as pessoas a se libertarem dos estereótipos que rondam o envelhecimento, a instituição Age UK encomendou ao poeta inglês Roger McGough um poema que pudesse ajudar na reflexão. O resultado foi este vídeo inspirador.

“Não existe cura para o envelhecimento./Porque envelhecimento não é doença, mas um estilo de vida./E alguns são melhores nisso do que outros/O segredo?/Pensar que você é mais jovem do que realmente é:/Em um ônibus ou metrô lotado, ofereça o assento para um jovem/Crie um website, invente um aplicativo/Pratique Zumba, se esqueça de tirar um cochilo/Ninguém pode prever o que pode rolar pela frente/Com um futuro mais desafiador do que nunca./ Então aproveite esta aventura/

O tempo voa, dizem, mas somos nós que voamos/O tempo está nas nossas mãos, conforme nos apressamos/A vida dá um jeito de aumentar esta velocidade/Então aproveite o dia, somos uma geração especial/Em um piscar de olhos/Aceno de mão/Batida do coração/Escorrer de uma lágrima/Você está velho./Mas ainda tem valor./Seja bem-vindo a este grupo.”

O vídeo ainda se desmembrou em outros, como este em que Dorothy Start, de 97 anos, dá um conselho valioso:

“Não é sempre fácil – eu poderia apenas me sentar em uma poltrona e ler um livro – então, às vezes, você tem que se estimular um pouco.”

Papa pede a católicos que reflitam se são fieis a Jesus ou traidores

papa-francisco

Publicado no G1

O papa Francisco iniciou neste domingo (13) os ritos da Semana Santa com a missa do Domingo de Ramos, durante a qual pediu para que os católicos se questionem se são como os que traíram Jesus Cristo ou foram corajosos e fieis a Ele até o final.

“Onde está meu coração? A qual dessas pessoas [do Evangelho] me assemelho? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana”, afirmou o Papa em tom sério ante uma multidão congregada na Praça de São Pedro durante sua homilia.

Pouco antes, o sumo pontífice presidiu a procissão de Ramos, apoiado em um bastão esculpido para a ocasião pelos detentos do presídio de San Remo (centro-oeste da Itália), e cercado por dezenas de jovens padres e bispos.

“Quem sou eu? Quem sou eu frente a Jesus que sofre?’, questionou o papa ao iniciar seu discurso, causando uma tensão palpável entre os fieis.

“Sou como Judas, capaz de trair Jesus, ou sou como os discípulos que não entendem nada, que dormiam enquanto que o Senhor sofria? Minha vida está adormecida?”, indagou o papa argentino.

 

Esqueça um pouco do celular e melhore suas relações

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL

Em 2013, um restaurante em Jerusalém criou uma promoção interessante: os donos do estabelecimento resolveram conceder descontos de 50% aos clientes que se dispusessem a desligar os celulares durante a permanência no local. O objetivo era permitir aos frequentadores uma experiência de degustação mais tranquila e prazerosa, sem interrupções.

No Brasil, alguns estabelecimentos têm adotado medidas semelhantes. Em São Paulo, um bar tradicional desenvolveu o copo off-line, que só fica de pé na mesa se estiver apoiado sobre um celular. Todas essas iniciativas vêm responder a novas necessidades, típicas de uma sociedade conectada, em que o número de pessoas que só saem de casa com o telefone móvel não para de crescer.

Para se ter uma ideia, fechamos o ano de 2013 com 271,10 milhões de linhas ativas de celular, segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). “Desde 1998, quando ocorreu a privatização da antiga Telebrás, mais de 100 milhões de pessoas passaram a ter uma linha de telefone celular. O acesso se democratizou e ocorreu um processo importante de inclusão digital”, explica a antropóloga Sandra Rúbia da Silva, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

O aparelho, que antes tinha como única função ampliar e agilizar a comunicação, hoje é, também, um computador de bolso. “O mundo da tecnologia se parece com um parque de diversões para adultos”, declara a psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). “Por conta dos aplicativos, os smartphones têm funções lúdicas, que carregam um aspecto de novidade e despertam a criança que vive dentro do usuário”, diz.

E quem se deixa envolver por tanta sedução dificilmente é capaz de perceber se a frequência do uso está passando dos limites e, mais ainda, de distinguir se aquela espiadinha no celular, que muitas vezes interrompe outras atividades importantes, acrescenta algo de relevante na vida pessoal. “O aparelho que tinha a função de aproximar as pessoas pode fazer com que o indivíduo diminua suas habilidades sociais”, explica a psicóloga Dora Sampaio Góes, do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Além de ter dificuldade de viver o aqui e o agora, as pessoas que não desgrudam do smartphone se tornam menos disponíveis para interações. “Elas deixam de conversar com quem está do lado e até mesmo de conhecer pessoas novas. Podem nem notar direito quem é o garçom que as atende em um restaurante, por exemplo”, diz Dora.

Estar sozinho com os próprios pensamentos também se tornou um desafio. “Fala-se muito que a tecnologia interfere na relação com o outro, mas ela também influencia na relação do indivíduo consigo mesmo”, afirma Rosa Maria. “O tempo dedicado para se perder nas próprias ideias, sentimentos, refletir sobre o cotidiano está cada vez menor. E isso interfere no desenvolvimento pessoal, já que não encontramos espaço para avaliar ideias, posturas, valores e as expectativas de vida”, explica.

Ansiedade a mil

Por conta da alta velocidade que a tecnologia imprimiu na vida das pessoas, também não são raros os usuários que se tornam mais ansiosos, à medida que se apegam mais e mais aos seus celulares. “Você envia uma mensagem e espera que o outro responda na mesma hora. Se ele não responde, quer saber o motivo. Ou seja, além de agravar a ansiedade, esses contatos também podem aumentar a insegurança”, diz Dora.

O grande risco é acreditar que a vida externa precisa seguir o nosso ritmo interno, acelerado e instantâneo, assim como acontece com os aplicativos do celular. E, em decorrência disso, desenvolver a intolerância com a espera ou uma cobrança exagerada em relação a si mesmo. “A tentativa de atender a todas as demandas diminui o poder da nossa concentração. Então, não conseguimos mais nos concentrar em uma atividade por muito tempo”, afirma a psicóloga.

Assumindo o controle

Colocar a culpa na tecnologia “é uma bobagem”, diz Rosa Maria. Já que somos nós que temos que aprender a utilizar esses aparelhos, inerentes à vida contemporânea, com equilíbrio. “O problema não está em carregar o celular o tempo todo com você, mas, sim, em querer responder no mesmo momento a todas as demandas que ele lhe traz”, declara a especialista.

O mais importante, segundo Rosa, é dar atenção às prioridades. Quando se está na companhia de amigos, familiares ou parceiros, toda atenção deve ser dada às pessoas. O mesmo vale para momentos íntimos, quando se está no meio de uma refeição, no chuveiro ou tentando dormir.

Quem possui celular corporativo também precisa estabelecer seus próprios limites. “Se eu já trabalhei durante o dia, e estou em casa, tenho o direito de não responder a uma demanda profissional que não considero urgente. O segredo é ser capaz de avaliar o que é realmente importante em cada momento da vida”, diz a coordenadora do NPPI.

Há, ainda, outras boas estratégias que podem ajudar quem já está condicionado a mexer no aparelho o tempo todo. “O primeiro treino é, ao se envolver em uma atividade, como ler, estudar ou assistir a um filme, deixar o celular no silencioso e virado para baixo”, ensina Dora Sampaio Góes. Ela também explica que, ao adotarmos esse hábito regularmente, a ansiedade pode diminuir.

Também ajuda desabilitar todas as notificações de aplicativos, para não atiçar a curiosidade de olhar. “É você quem escolhe como utilizar o celular, e não o contrário”, diz a psicóloga.

Silêncio, a mais covarde das covardias

silencio4Ricardo Gondim

Venho das fronteiras. Filho de um preso politico e de uma feminista militante, senti na pele o preço que eles pagaram pelo degredo. Canhoto, acostumei-me a não encontrar carteira adequada na sala de aula. Excomungado da igreja presbiteriana, antes de completar 20 anos de idade, perdi o medo de cenho franzido. Pentecostal entre teólogos com bom currículo, experimentei o peso da suspeita. Migrante nordestino em São Paulo, percebi a sutileza do preconceito.

Na adolescência, enquanto esperava papai descascar laranja para os filhos, ouvia seu conselho: Nunca negociem suas convicções. Nos anos de chumbo da ditadura, ele viu seus colegas de farda calados. Amigos, para fugir da inclemência do regime, desciam a calçada para não cumprimentá-lo. Papai se sentia só. - Silêncio, dizia meu velho, pode ser a mais covarde das covardias. Só nas horas difíceis a gente sabe quem é quem. Aprendi com ele: chacais e colibris não bebem do mesmo chafariz; ratos e gatos não se escondem na mesma toca.

Ele também me ensinou que o bem só prevalece enquanto existir gente disposta a encarná-lo. Mesmo em meio a uma indiferença histórica, quando a lua se recusa a amenizar a noite e vampiros vagam, o bom fermento não pode cessar de levedar a massa. Meu pai, agnóstico, repetiu sem se dar conta, a verdade do primeiro Salmo: Os ímpios não subsistirão na congregação dos justos; uma breve aragem se transformará em vendaval e os ímpios se espalharão como a moinha no deserto.

Devido à sua prisão, moramos de favor na casa da vovó. Ficamos expostos – talvez demasiadamente – uns aos outros, sem privacidade. Entretanto, aqueles anos serviram para me ensinar a detectar dissimulações mal ensaiadas. Carrego desde então, um certo asco para o sorriso manso de quem procura disfarçar mazela – lobos vestidos de ovelhas acreditam que ninguém os percebe patéticos no esforço de parecerem corretos; eles, na verdade, só lutam para esconder falhas e conveniências.

Anos se passaram e eu continuo habitando fronteiras – agora da teologia. Fiscais da ortodoxia se acham, permanentemente, de plantão. Eles me espreitam, querendo achar um til mal colocado que engatilhe suas censuras inquisitoriais. O bombardeio do fundamentalismo é renitente.

Espicaçado e achincalhado, não me vitimizo. Se noto que me estrangeiro, lembro: os guetos são pequenos. Não me impressiono se me avisam que me tornei emissário do diabo, inimigo de Deus ou apóstata. Dependendo de onde saem tais comentários, eu os tomo por elogio. Religiosos chamaram Jesus de Nazaré de príncipe dos demônios, apóstata e pedra de tropeço.

Meu caminho continua inexorável. Sigo resoluto. Rechaço o conselho dos apóstolos da cautela. Não respondo quem usa de pretenso zelo por minha alma para sugerir: volte atrás antes de queimar no inferno. Esse tipo de manipulação pode parecer piedosa, mas não deixa de ser apenas manipulação.

Também não me sinto constrangido com doçuras piegas. Condescendência não tem força de me fragilizar. Sequer o distanciamento de ex-amigos. Só acho estranho que eles, só agora, se sintam constrangidos em caminhar perto de mim. Não tem problema. Ser fiel às minhas convicções será sempre um dever para comigo mesmo.

Paulo avisa na Bíblia que a obra de cada um será testada no fogo. Me submeto ao tribunal de Deus. Os milhões de quilômetros que viajei para ajudar igrejas de outras denominações, os seminários, as conferências e os congressos onde falei atestam minha biografia. Estou certo de que nunca fiz mal a ninguém. Jamais defraudei quem colocou o seu auditório à mercê de meus pensamentos. Não tenho remorso de como me comportei desde a tesouraria, aos aconselhamentos pastorais, às noites de vigília que passei ao lado de famílias enlutadas. Que meus livros e sermões testemunhem a meu respeito.

Na renitente cruzada contra mim,  replico Davi: Caia eu nas mãos de Deus e não dos homens. Acrescento apenas uma nota: é pecado julgar precipitadamente. Alguns, cegos ao mercadejamento da verdade, à banalização do sagrado e ao aviltamento da ética, tentam me caçar em nome de uma ortodoxia que eles mal sabem explicar.

Saí do circo que se tornou o movimento evangélico. Do exílio, minha única surpresa talvez seja: constatar milhões indignados com o livre pensar; mudos e, portanto, condescendentes com o avanço dos neocambistas – especialistas em convocar Marcha Por Coisa Nenhuma.

Surdo aos ataques, lembro: a tarefa de separar joio e trigo pertence aos anjos. E o Supremo pastor apartará as ovelhas do bodes. Logo será alardeado de cima do telhado o que aconteceu na surdina.

Se o Batista se assumiu porta voz do que clama no deserto, não posso hesitar. Sigo a falar no meu ritmo. Se minha cadência não coincide com a dos pusilânimes, paciência. Continuarei a clamar basta antes que as pedras façam por mim. Se me acantono, abro alas para os aproveitadores da credulidade popular.  Silêncio não é opção.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

A ditadura que não vivi e a “ditadura” que vivo

passeata-1024x768Publicado por Fabricio Cunha

Tava conversando com a Ester hoje, na hora do almoço… Tentávamos fazer o exercício mental de imaginarmos como seríamos, como nos posicionaríamos, como interferiríamos ou seríamos “interferidos”, se vivêssemos em 1964.

Ficamos um bom tempo imaginando. Uma nostalgia estranha, daquilo que não vivemos. Mas, a verdade, é que é impossível saber o que passaram nossos irmãos que viveram de fato esse período de nossa história nacional.

Na verdade, viver mesmo, foram somente alguns poucos, diante do todo. A maioria, como meus pais, por exemplo, só existia nesse período. Os que o viveram de fato, trazem consigo marcas irreparáveis, memórias inesquecíveis e um gosto amargo. Gosto de sangue derramado.

Quem não conhece e reconhece seu passado, não tem condições de escrever um futuro minimamente positivo.

Vivemos num país pacato, de gente muito boa, o que é maravilhoso, mas nas horas de crise, onde se demanda um engajamento radical e consciente, essa maravilha toda nos entorpece e aliena, nos tendendo, enquanto povo de uma nação, ao apequenamento, ao amedrontamento e ao silêncio.

Eu queria dizer algo sobre isso. Engraçado… Geralmente quando eu quero dizer algo sobre alguma coisa, não consigo.

Então… Não consigo…

Eu assisti o “O que é isso, companheiro?!”, li “Batismo de Sangue”, vi o documentário sobre o Vlado, li matérias e mais matérias sobre a ditadura, o AI-5, o DOI-CODI, li a espetacular biografia do Marighella. Enfim…

Mas, pelo fato de não ter vivido tudo isso, me sinto inabilitado, ou melhor, um profano, pisando em solo sagrado, ao tentar emitir uma opinião sobre o tema.

Reservo-me às minhas pesquisas, à curiosidade que me transporta no tempo e me põe em silêncio, na presença dos 6.016 torturados pela mão de ferro do inescrúpulo militar. Silencio e pasmo, acompanhando o cortejo fúnebre dos 210 mortos nos porões escuros e escusos de nossa vergonha. E choro e grito e pergunto pelos 146 que desapareceram de nosso solo, feito pó, não dando aos seus queridos nem a chance de enterrá-los.

Que o nosso silêncio seja de reflexão e respeito, mas não de medo, nem de descaso, muito menos de anuência. “Quem cala sobre o teu corpo, consente na tua morte”, me disse o Milton.

O mais triste… Na mesma semana onde nos lembramos de nosso período recente mais sombrio, o IPEA veicula uma pesquisa na qual 65% dos entrevistados concordam que uma mulher que se veste de forma “provocante” merece ser atacada.

O mais triste é perceber que nossa sociedade parece ter mudado pouco.

A sociedade que apoiou os militares ontem, é a mesma que acha normal estuprar mulheres pelo que vestem, hoje.

Mudam-se os “comos”, permanecem os “porquês”.