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Francisco mudou ambiente sombrio da Igreja, diz Leonardo Boff

Em entrevista à DW, um dos principais críticos do conservadorismo católico afirma que, em apenas um ano, papa conseguiu reaproximar padres e bispos do povo. Para isso, vivência na América Latina foi fundamental.

papanamericanoPublicado originalmente na DW Brasil

Em 13 de março de 2013, Francisco foi eleito papa. E em apenas um ano à frente do Vaticano, colocou em discussão uma série de assuntos antes deixados de lado pela Igreja, dando início a um processo de transformação da instituição e do papel do pontífice.

Em entrevista à DW, Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação e um dos principais críticos do conservadorismo católico, diz que Francisco tornou a Igreja mais viva ao fazer uma reforma do papado.

“Francisco não vestiu o figurino clássico do ‘papa monarca’ com o primado jurídico absoluto e com a supremacia doutrinal e pastoral”, afirma Boff, que em 1992 deixou todos os cargos na Igreja, após ser censurado pelo Vaticano. “Ele mudou o clima. Antes o ambiente era severo e sombrio.”

DW: O que mudou na Igreja Católica no Brasil um ano depois que o papa Francisco foi eleito?

Leonardo Boff: Ele mudou o clima, o que não é pouco. Há alívio porque a Igreja como instituição era vista como um pesadelo. Há alegria, pois antes o ambiente era severo e sombrio. O que se percebe é que muitos padres e bispos se tornaram mais acessíveis ao povo, mais tolerantes, menos doutrinários. O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, ao ir a Roma para receber o chapéu cardinalício, viajou de classe econômica para seguir o exemplo do cardeal Bergoglio, que sempre viajava assim. Mas talvez seja cedo demais para ter uma impressão mais precisa das modificações nos hábitos dos padres e dos cristãos.

Com o papa, a Teologia da Libertação pode ressurgir das cinzas?
Ela nunca esteve nas cinzas porque a opressão continua e os cristãos conscientes se orientavam pela Teologia da Libertação para dar sentido às suas práticas. Os teólogos continuaram a publicar, apesar da vigilância severa do cardeal Ratzinger, que se fez inimigo da inteligência dos pobres.

Esse é o peso que ele carregará pela história. Roma tentou por todas as formas liquidar com este tipo de teologia, mas saiu frustrada, pois o teor evangélico da Teologia da Libertação depunha contra Roma, que se mostrava indiferente face ao drama dos pobres. Fala dos pobres, mas nunca quer encontrá-los fisicamente.

Qual foi o papel da Teologia depois que Francisco assumiu o Vaticano?

Com o novo papa ela ganhou centralidade, pois ele colocou a questão da justiça social e da igreja pobre para os pobres no centro das preocupações de seu pontificado. Ele vai ao encontro dos pobres, abraça-os e beija-os porque são, segundo suas palavras, “a carne de Cristo”. Ao receber em audiência no dia 11 de setembro de 2013 Gustavo Guiérrez, um dos fundadores desta teologia, e em seguida o pequeno irmão de Jesus Arturo Paoli, de 102 anos, que trabalhou durante 45 anos na linha da libertação na América Latina, o papa deu sinais claros de que quer prestigiar e até resgatar a Teologia da Libertação.

O papa quer prestigiar e aumentar o poder dos leigos porque a falta de padres no continente é grave. Já há sinais de quais serão esses novos poderes? Eles poderão celebrar a eucaristia ou outros sacramentos?

A categoria central da visão de Igreja que o papa representa é a “Igreja como povo de Deus”. Todos pertencem a este povo, que é constituído principalmente por leigos, homens e mulheres. O papa quer que os leigos, especialmente as mulheres, participem das decisões da Igreja e não apenas participem da vida da Igreja. A forma como o fará não sabemos. Sabemos apenas que ele é surpreendente e que coisas novas poderão ser esperadas, inclusive a nomeação de mulheres como cardeais, já que “cardeal” é na tradição um título, desvinculado do sacramento da Ordem.

Não é preciso ser padre ou bispo para ser cardeal. Não creio que ele permitirá que leigos celebrem eucaristias, pois seria um passo demasiadamente ousado. Mas como ocorre nas comunidades eclesiais de base nas quais não está presente um padre, ritualiza-se e dramatiza-se a ceia do Senhor. Eu creio, como teólogo, que tal prática é uma forma de trazer sacramentalmente Cristo para o seio da comunidade.

Qual a contribuição que a Igreja da América Latina poderia dar para as reformas do Vaticano?

A maior contribuição que a América Latina está dando à reforma do Vaticano é a pessoa do papa Francisco. Ele não começou com a reforma da Cúria, mas com a reforma do papado. Ele não vestiu o figurino clássico do “papa monarca” com o primado jurídico absoluto e com a supremacia doutrinal e pastoral. Ele se entende com bispo de Roma e quer presidir na caridade.

É importante observar que esse papa cresceu dentro do caldo cultural e eclesial da Igreja latino-americana, cujo rosto é muito diferente da Igreja da velha cristandade europeia. É uma Igreja viva, com comunidades de base, com pastorais sociais fortes, com figuras de bispos proféticos e com mártires da perseguição das ditaduras militares.

Que características o papa Francisco trouxe para o pontificado?

Ele traz ao Vaticano hábitos novos, evangélicos e proféticos. Ele se entende como um homem comum que gosta de estar junto com outros homens comuns, partilhando de suas buscas e perplexidades. Mais que ensinar, ele quer aprender no diálogo e na convivência. Estes traços pastorais são típicos da maioria dos bispos da América Latina. Com isso ele está resgatando o rosto humanitário, misericordioso e afável da severa institucionalidade da Igreja. Penso que ele será o primeiro de muitos papas que virão do terceiro mundo, pois aqui vive a maioria dos católicos.

Na sua opinião, qual seria a reforma mais importante que a Igreja Católica teria de fazer?

Eu creio que haverá uma nova forma de direção da Igreja, não mais monárquica, mas colegial. Quer dizer, o papa não dirigirá a Igreja sozinho, mas com um colégio de cardeais, bispos, leigos e mulheres. Ele insinuou claramente isso dizendo que deve haver mais corpos de decisão na Igreja junto com ele.

O Brasil ou a América Latina poderiam ser pioneiros em alguma delas?

Na América Latina temos acumulado boas experiências de pastoral de conjunto, seja no nível nacional, seja no continental. Quanto ao celibato, já foi dito que não é uma questão fechada como o era no tempo de João Paulo 2º, que proibia sequer levantar tal questão. A meu ver o caminho será mais ou menos este: primeiro convidará os cem mil padres casados do mundo inteiro que possam, e que queiram, para reassumir o ministério.

Este seria o primeiro passo. Em seguida permitiria o celibato opcional. Não haveria mais a lei do celibato obrigatório. Para este papa a Igreja é de todos, especialmente daqueles que foram postos de lado. A Igreja é uma casa aberta para todos. Todos podem entrar sem prévias condições.

O sr. estaria disposto a assumir um cargo de liderança nesse processo de reformas?

Não espero nem pretendo ter nenhuma função na Igreja. Basta-me a palavra livre.

Mofo e remédios no chão esperam por médicos cubanos no interior

Sala improvisada em garagem em Santa Maria do Cambucá / PE (foto: Bernardo Dantas/Folhapress)

Sala improvisada em garagem em Santa Maria do Cambucá / PE (foto: Bernardo Dantas/Folhapress)

Daniel Carvalho, Nelson Barros Neto, Paulo Peixoto e Felipe Bächtold, na Folha de S.Paulo

Infiltrações, rachaduras, mofo, estruturas enferrujadas, equipamentos quebrados, salas improvisadas, banheiros interditados e remédios jogados ao chão fazem parte do cenário que os médicos cubanos encontrarão na semana que vem em unidades de saúde de diferentes municípios do país.

A situação foi flagrada pela Folha em postos de saúde de cidades da região metropolitana de Porto Alegre e do interior de Minas Gerais, da Bahia e de Pernambuco. O governo federal diz que irá bancar a reforma das unidades.

Os locais visitados pela reportagem fazem parte do grupo de 206 municípios, de 18 Estados, que irá receber os primeiros médicos cubanos.

São localidades que foram rejeitadas por profissionais brasileiros e demais estrangeiros na primeira fase do programa voltado para reduzir o déficit de médicos no interior e nas periferias.

Essas realidades revelam municípios na contramão das regras do Mais Médicos.

Em julho, quando anunciou o programa, o Ministério da Saúde apontou como responsabilidade das prefeituras o fornecimento de “condições adequadas” para o trabalho dos médicos” participantes do programa federal.

Entre as exigências aos municípios estão postos e unidades de saúde “com segurança e higiene”, “fornecimento de equipamentos necessários”, “instalações sanitárias” e “mínimas condições de conforto para o desempenho das atividades” médicas.

Um contraexemplo do que está no papel é Frei Miguelinho, no agreste de PE.

A mesa reservada ao médico cubano está enferrujada, assim como a escadinha usada pelos pacientes para alcançar a mesa de exames.

No local, a geladeira que deveria guardar vacinas está quebrada há seis meses, e os dois banheiros não têm água há pelo menos um ano.

O jeito então foi improvisar: a água para descarga fica em baldes destampados na sala da enfermeira. E esse mesmo banheiro também é usado como depósito para materiais de limpeza.

A situação não melhora na minúscula unidade de apoio, a 7 km do posto de saúde principal do distrito de Capivara. Lá, as vacinas chegam em isopor porque, como um cartaz na porta avisa, a geladeira está desativada.

Além da estrutura, o acesso a postos de saúde na zona rural será um problema para os cubanos. Na última quinta-feira, por exemplo, a Folha não conseguiu chegar ao posto na zona rural de Salgadinho (PE). Chovia, e a estrada de terra que leva à unidade estava intransponível.

“A estrutura não está conservada. A manutenção não vinha acontecendo há anos”, diz Fátima Lopes, secretária de Saúde de Passira (PE), cidades que receberá três cubanos e cujos postos têm sinais de mofo e infiltrações.

Na Bahia, na unidade de um distrito de Araci, a última faxina foi há três meses. Equipamentos estão quebrados, e a sala de armazenamento de remédios tem caixas acumuladas no chão.

“Toda semana a gente tem ao menos um dia sem água. Não tem ambulância. O desfibrilador não está funcionando. Se chegar alguém com parada [cardiorrespiratória], a gente vai orar, e só”, diz a médica Tamillys Figueiredo, 26.

Estrutura precária também é realidade na unidade de Campo de Santana, distrito da mineira Prudente de Morais (MG). O médico cubano encontrará um posto deteriorado, com partes das paredes e do teto sem reboco e com trincas que assustam moradores e funcionários.

O posto funciona há 20 anos em uma casa da prefeitura. “É uma precariedade danada em relação às novas unidades. A gente reconhece”, disse o secretário local de Saúde, Deivisson Melo.

Em Sapucaia do Sul (RS), o cubano atuará em um posto que funciona em um puxadinho de uma escola municipal. O espaço é apertado, e a estrutura, escassa: três salas, um ambulatório, uma sala de vacinas e uma cozinha.

Segundo o Ministério da Saúde, todas as unidades onde atuarão profissionais do Mais Médicos irão receber recursos para requalificação até o fim de 2014. O governo promete R$ 15 bilhões.

OUTRO LADO

As prefeituras admitem os problemas de estrutura e dizem que aguardam ajuda federal para resolvê-los.

Se um gay busca Deus, quem sou eu para julgar, diz papa

Francisco concedeu entrevista durante o voo de volta a Roma. O papa fez um balanço da viagem ao Brasil e surpreendeu ao tocar em temas delicados

O Papa Francisco desembarca nesta segunda-feira (29) no aeroporto Ciampino, em Roma (foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

O Papa Francisco desembarca nesta segunda-feira (29) no aeroporto Ciampino, em Roma (foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

Adriana Dias Lopes, na Veja on-line

O papa Francisco deu uma entrevista durante o voo de volta a Roma. O pontífice conversou com os jornalistas ao longo de uma hora e vinte e dois minutos, em pé. Francisco fez um balanço da viagem ao Brasil e surpreendeu ao tocar em temas delicados, como a reforma da Cúria Romana, o lobby gay e a evasão de fiéis. E, claro, falou de suas impressões sobre o Brasil.

“Boa noite. Foi uma bela viagem, mas estou bastante cansado”, disse o papa aos jornalistas.  ”A bondade e o coração do povo brasileiro são muito grandes. Esse povo é tão amável, é uma festa. No sofrimento (o povo) sempre vai achar um caminho para fazer o bem em alguma parte. É um povo alegre, um povo que sofreu tanto. É corajosa a vida dos brasileiros. Tem um grande coração, este povo.”

Respondendo a uma pergunta sobre lobby gay no Vaticano, Francisco disse: “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade”.

Francisco também falou sobre a segurança durante a Jornada Mundial da Juventude. “Não teve um incidente em todo o Rio de Janeiro com estes jovens. Foi super espontâneo. Com menos segurança eu pude estar com as pessoas, saudá-los, sem carro blindado. A segurança é a confiança de um povo. Eu prefiro esta loucura, e ter o risco da loucura, que é uma aproximação. ”

O papa fez elogios à organização da JMJ: ”A parte artística, a parte religiosa, de música, foi muito bonita. Eles têm uma capacidade de se expressar. Ontem, por exemplo, fizeram coisas belíssimas. Aparecida para mim foi uma experiência forte, maravilhosa. Eu me lembro, durante a conferência, eu queria ter ido sozinho, escondido, mas não era possível. Depois, o numero de jovens. Hoje o governador falou de 3 milhões. Não posso acreditar. Isso é verdade, não sei se viram. Do altar até o final, toda praia estava cheia, até lá onde fazia a curva, havia tantos jovens.”

Confira abaixo alguns trechos da entrevista concedida por Francisco durante o voo de volta a Roma.

Nestes quatro meses, o senhor criou várias comissões no Vaticano. Que tipo de reforma tem em mente? O senhor quer suprimir o IOR (Instituto para as Obras de Religião, mais conhecido como Banco do Vaticano)? 

Alguns acham melhor que seja um banco, outros que sejam um fundo, uma instituição de ajuda. Eu não sei. Eu confio no trabalho das pessoas que estão trabalhando sobre isso. O presidente do IOR permanece, o tesoureiro também, enquanto o diretor e o vice-diretor pediram demissão. Não sei como vai terminar essa história. E isso é bom. Não somos máquinas. Temos que achar o melhor. A característica de, seja o que for, tem que ser transparência e honestidade.
O senhor enfrenta muitas resistências na Cúria?

Se há resistência, eu ainda não vi. É verdade que aconteceram muitas coisas. Mas eu preciso dizer: eu encontrei ajuda, encontrei pessoas leais.

O mundo mudou, os jovens mudaram. Temos no Brasil muitos jovens mas o senhor não falou de aborto, sobre a posição do Vaticano em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil foram aprovadas leis que ampliam os direitos para estes casamentos em relação ao aborto. Por que o senhor não falou sobre isso?

A Igreja já se expressou perfeitamente sobre isso. Não era necessário falar sobre isso, como também falar de tantos outros assuntos. Eu também não falei sobre o roubo, sobre a mentira. Em relação ao aborto, a Igreja tem uma doutrina clara. Queria falar de uma coisa positiva no Brasil, que abre caminho aos jovens. Além disso, os jovens sabem perfeitamente qual a posição da Igreja.

Por que o senhor carrega a sua própria mala e o que leva dentro?

Não tinha a chave da bomba atômica dentro da mala… Eu sempre fiz isso. Quando viajo, levo minhas coisas. Tenho um barbeador, o livro da Liturgia das Horas, uma agenda e um livro para ler. O livro é sobre Santa Terezinha. Sou devoto de Santa Terezinha. Eu sempre carreguei minha maleta. Acho isso absolutamente normal.

Por que pede tanto para que rezem pelo senhor ? Não é habitual ouvir de um papa que peça que rezem por ele.

Sempre pedi isso. Quanto era padre, pedia, mas nem tanto e nem tão frequentemente. Comecei a pedir mais frequentemente quando passei a ser bispo. Preciso da ajuda do senhor. Eu, de verdade, me sinto com tantos limites, tantos problemas, e também sou pecador. Peço a Nossa Senhora que reze por mim. É um hábito, mas que vem da necessidade. Eu sinto que devo pedir.

O senhor tem um calendário definido para o próximo ano? 

Em outubro devo ir para Assis. Para fora da Itália, quero ir para Israel. O governo israelense fez um convite para ir a Jerusalém. E o da Palestina também. Também tenho um convite para ir a Fátima.

Às vezes, o senhor se sente aprisionado no Vaticano?

Eu gostaria de poder andar pelas ruas de Roma. Eu era um padre da rua. Os seguranças do Vaticano têm sido bons comigo. Agora, me deixaram fazer algumas coisas a mais. Mas claro que entendo que não posso andar pelas ruas.

O Brasil esta perdendo muitos fiéis. O senhor acha que o movimento carismático pode ser uma forma de impedir a fuga dos católicos para os pentecostais? 

Exatamente. Conversei ontem com os bispos sobre o problema da evasão de fiéis. Vou lhes contar uma história agora: no final dos anos 70 e 80, eu não os podia ver (movimento carismático). Certa vez, eu cheguei a afirmar que eles confundiam uma celebração litúrgica com escola de samba. Agora, acho que este movimento faz tanto bem para a Igreja. Neste momento da Igreja, acho que os movimentos são necessários. Os movimentos são uma graça do Espírito Santo. E digo mais: os movimentos não apenas servem para evitar a fuga de fiéis, mas são importantíssimos para a própria Igreja em si.

Qual sua relação de trabalho com Bento XVI ?

É como ter um avô em casa, em meio a uma família. Um avô venerado.

O senhor falou de misericórdia. A Igreja não deveria ter misericórdia com os casais divorciados e que se casam novamente? 

Um dos temas que deverão ser discutidos entre a comissão de oito cardeais que criei há alguns meses é como ir adiante na pastoral matrimonial. Esse será um dos assuntos do próximo sínodo.

O papel das mulheres na Igreja pode mudar? 

A questão da ordenação das mulheres é um assunto de portas fechadas. A Igreja diz não. No entanto, acredito que a mulher deve ter papéis mais importantes na Igreja. Uma igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria. A mulher ajuda a igreja a crescer. E pensar que Nossa Senhora é mais importante do que os apóstolos! Acredito, no entanto, que, até agora, não fizemos uma profunda teologia sobre a mulher. Há as mulheres que fazem a leitura, que são presidentes da Cáritas. Mas há mais o que fazer. Acredito que é necessário fazer uma profunda teologia da mulher.

Recentemente, o monsenhor Battista Ricca, um dos diretores do IOR, o Banco do Vaticano, foi acusado de pertencer ao lobby gay do Vaticano. Como o senhor pretende enfrentar esta questão? 

Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não tem nada do que o acusam. Não achamos nada. Esta é a minha resposta. Mas eu gostaria de dizer outra coisa sobre isso. Vejo que muitas vezes na Igreja se buscam os pecados de juventude, por exemplo. Abuso de menores é diferente. Mas, se uma pessoa, seja laica ou padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o Senhor perdoa, o Senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o Senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo. O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada. A imprensa tem escrito muita coisa sobre o lobby gay. Vou lhes dizer: eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo “sou gay”. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim, devemos distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, o lobby dos maçons, tantos lobbys. Esse é o pior problema.

O senhor se assustou quando viu o informe do Vatileaks? 

O problema é grande, mas não estou assustado.

Políticos brasileiros terão que trabalhar dois anos no SUS antes de se elegerem

Dilma foi medicada com uma dosagem alta de Semancol

Dilma foi medicada com uma dosagem alta de Semancol

Publicado impagavelmente no The i-Piauí Herald

BRASÍLIA – Aturdida com a velocidade de Rubens Barrichello que o Congresso imprime na aprovação da Reforma Política, Dilma Rousseff resolveu alterar sua proposta inicial: “Vamos propor um programa nacional batizado Reforma Político“, anunciou a mandatária, após se reunir com Lula, João Santana, José de Abreu, Zezé Di Camargo e Slavoj Zizek.

Entre as medidas, há um projeto de lei que obriga todos os aspirantes a cargos legislativos e executivos a gerir uma unidade do SUS por dois anos antes de se eleger. “Caso não haja quantidade suficiente de políticos qualificados na próxima eleição, importaremos legisladores e gestores do Sudão do Sul e da Coreia do Norte”, explicou o porta-voz da presidência, Aloizio Mercadante.

O programa também estipula que os candidatos tenham frequentado o ensino público por dois anos, morado por pelo menos seis meses numa residência do Minha Casa Minha Vida e andado de ônibus cinco vezes na vida.

Solidário, Sérgio Cabral colocou a frota de helicópteros do Rio de Janeiro à disposição dos candidatos que quiserem otimizar suas agendas no cumprimento de suas novas funções no SUS.

“Como cristãos, unimos nossas vozes em favor da Justiça”

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título original: Carta Pública sobre manifestação em BH: Rede FALE e Aliança Bíblica de Profissionais de BH

Caio Marçal, no Blog do Fale

Nós, cristãos evangélicos do grupo da Rede Fale e da Aliança Bíblica  de Profissionais  de Belo Horizonte, estamos muito atentos ao atual momento que tem mobilizado milhares de cidadãos em nossa cidade. Há uma evidente descontentamento no seio de parte da sociedade civil brasileira ante a problemas como a falta de  mobilidade urbana, custo do transporte público ou dos males da corrupção em diversos níveis da política brasileira, por exemplo.

Não podemos deixar de registrar que bandeiras como essas são extremamente justas e necessárias. Nosso país ainda não conseguiu superar problemas estruturais ou vícios no âmbito dos poderes públicos. Celebramos profundamente ver jovens preocupados com os problemas da coletividade. Como cristãos,  unimos nossas vozes em favor da Justiça, valor essencial do Evangelho de Jesus. Porém é preciso lembrar que mais do que ir as ruas, é primordial qualificar com maior profundidade o debate sendo propositivo. Embora seja válido dizer que se é contra a corrupção, por exemplo, é preciso se apropriar de discussões como reforma política e fortalecimento de mecanismos de transparência pública. Esperamos que esse novo momento inspire a todos a ter maior envolvimento  e acúmulo sobre as pautas da cidade a posteriori. Tais pautas inclusive já mobilizam movimentos e organizações sociais em Belo Horizonte.

É com pesar que vemos atos de violência em alguns manifestos. Pedimos encarecidamente que a polícia e manifestantes tenham zelo quanto a construção de uma cultura de paz. Não cabe à PM reprimir atos públicos com força desmedida e nem a alguns manifestantes agir de forma semelhante. Devemos compreender que a construção da paz não é tarefa exclusiva das autoridades públicas, mas uma via de mão dupla que deve comprometer a todos nós. O papel dos órgãos de segurança pública é de proteger e de garantir o direito de livre manifestação que acontece de modo pacífico. É notório verificar que, quando não houve uma postura belicosa em manifestações, não houve sequer um distúrbio — a exemplo do último sábado, dia 15/6. É a autoridade pública a primeira que deveria dar o exemplo e agir modo condizente com sua função de trazer bem estar social.

Lamentamos o fato de que desde o início o Poder Judiciário de Minas Gerais tenha determinado a proibição das manifestações, ferindo assim as garantias da Constituição Federal. Tal decisão é em si um ato de violência.

Não obstante, salientamos que, embora não se possa classificar a grande maioria das pessoas de “vândalos”, alguns passaram da medida ao agir de forma violenta. É fraudulenta a manipulação de alguns grupos da mídia local que tentam criminalizar a todos. Essa atitude impensada, que não reflete a postura da maioria, não pode ser aceita. Quem agride se coloca em igual condição de quem o agrediu. Não se pode aceitar as lógicas da violência, pois na medida em que a aceitamos, estamos validando-a. Ademais, ao agir assim, põe-se em risco a vida de quem se manifesta de modo pacífico, que é a esmagadora maioria. Conclamamos a todos que exerçam seus direitos de livre expressão e que, ao fazê-lo, usem o bom senso e cultivem o cuidado com a a integridade física de todos, assim como desejamos que o tratamento do Estado seja respeitoso e garanta o direito legítimo de protesto. Unimo-nos com outros coletivos e movimentos sociais no esforço na promoção da paz e da não violência.

Como seguidores de Jesus, proclamamos que o pacifismo é o único caminho viável para um mundo mais justo e no reconhecimento que somos irmãs e irmãos.

Nossa oração é que todos, responsáveis pela paz na cidade, procedamos com cordialidade e respeito pela sacralidade da dignidade humana e que a “justiça corra como rio”.

Em Cristo,

O Príncipe da Paz

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