A nudez e o avesso

você-é-salvoMarina Silva

Há 50 anos, um sistema ditatorial sequestrou a potência dos atos políticos no Brasil. Sob controle e censura, a política tornou-se expressão de impotência, terreno estéril onde só cresciam pequenas disputas, maledicências e mesquinharias. As boas ideias e o bom combate, arrancados do chão, resistiam nas frestas dos muros.

A democracia restaurou a fertilidade. No chão da praça, outra vez do povo, reencontramos o poder de desejar. E nada “foi”, tudo ainda é. Continuamos tendo que resistir às tentações autoritárias que permeiam nossa frágil democracia e afirmar –sempre voltando às ruas e praças– a política como potência de “acreditar criando”, na feliz expressão da psicopedagoga Alicia Fernández.

Mas outro atalho – que resulta em descaminho – persiste entre nós: a ilusão da onipotência. O carisma personificado nos pais da pátria e dos pobres, o coronelismo das oligarquias, a manipulação emocional da propaganda, o uso abusivo de linguagem subliminar e imagens arquetípicas, tudo o que lastreia a política na concentração de poder atrasa a evolução da democracia.

É na política como exercício da onipotência que brota a decisão de eleger “postes” e cuidar para que se comportem como postes, até que sejam retirados do lugar por algum motivo tático ou estratégico de quem os colocou. É também ilusão de onipotência tratar os cidadãos-sujeitos como eleitores-objetos, que tem proprietários e podem ser roubados por pretendentes não autorizados.

Avançamos na história quando afirmamos a política como potência, carregada com a energia das ideias e sonhos, necessidades e desejos. Evoluímos em civilização ao reconhecer nossa humana incompletude e promover o diálogo entre os que não tem a ilusão de bastar-se. Retrocedemos quando sucumbimos à política da impotência ou da onipotência, ambas baseadas na deposição do único detentor legítimo do poder na democracia, o povo, e sua substituição por indivíduos ou grupos que se julgam editores da história e donos da civilização.

Quando a perversão não consegue disfarçar-se de virtude, dizemos que o rei está nu. Os pensadores rebeldes, de Nietzsche a Foucault, desnudaram e expuseram a natureza do poder. Os novos meios de comunicação estão ampliando essa consciência de milhares para milhões.

Na Amazônia, quando o caboclo se perde na mata e vê que está sendo atraído por uma jiboia que o faz andar em círculos, apela para o inusitado: veste a roupa pelo avesso. Assim desfaz o encanto hipnótico e encontra o caminho.

Eis o Brasil na esquina do mundo: o rei nu, o povo ao avesso. Um momento instigante em que se pode distinguir os caminhos dos atalhos.

fonte: Folha de S.Paulo

Leia Mais

“Ele está triste”, diz Eduardo Sterblitch, amigo famoso do Rei do Camarote

imagem: Veja SP
imagem: Veja SP

Gisele Alquas, no UOL

Se Alexander de Almeida soubesse que sua entrevista à Veja São Paulo desta semana causaria tamanha repercussão, ele não teria conversado com a revista sobre sua badalada vida noturna. Os amigos do empresário, Marcos Chiesa (Bola), Carlinhos Silva (Mendigo) e Eduardo Sterblitch – o famoso que aparece no vídeo dançando ao lado de Alexander – garantiram que ele está “mal com tudo isso”.

“Era para ele estar aqui esta noite. Só não veio por causa de vocês”, diz Carlinhos aos jornalistas durante a inauguração da casa de shows Pikadero, na noite desta segunda-feira, em São Paulo.

Nos “10 Mandamentos do Rei do Camarote”, com mais de 1,7 milhão de visualizações no Youtube até o fechamento desta reportagem, o empresário ostenta o luxo e diz o que precisa ter para se tornar “o rei do camarote” nas baladas. Ferrari, champanhe com “foguinho” e roupas de grifes estão entre as suas dicas.

O empresário virou piada na internet, com direito a tumblrs e perfis nas redes sociais. No Facebook, a página “Agrega Valor ao Camarote” já tem mais de 95 mil curtidas.”Ele está muito triste, mesmo”, afirma Sterblitch, que conhece Alexander há algum tempo. “Eu sou o único famoso que aparece no vídeo. Ele, inclusive, me deu uma Lamborghini  de presente”, brinca.

“Estava em uma noite lá naquela balada e eu, bêbado como sempre, fui ao camarote e me filmaram. E aconteceu tudo isso. É o vídeo mais maravilhoso do ano”, diz Sterblicth, aos risos. Surgiram rumores de que a matéria seria uma “trollagem” do programa “Pânico na Band” com a revista Veja, o que foi negado pelo humorista. “Claro que não, a gente jamais faria isso com ele”, afirmou.

Amigo há mais de dez anos de Alexander de Almeida, Bola ressalta que o empresário é “muito gente boa”. “Ele tem um bom coração, é um cara de ouro. Sei lá porque fizeram essa matéria”, comenta.

Carlinhos lembra que chegou a aconselhar Alexander a não dar a entrevista. “Eu falei: ‘cara, não precisa disso’. Mas ele achou que seria bom. Era para ser uma jogada de marketing e que teria outra repercussão. Ele ficou louco, está pirado”, conta o humorista.

A ex-panicat e empresária Dani Bolina também conhece Alexander há muito anos. Ela, inclusive, aparece em uma das fotos postadas no Instagram do empresário bebendo champanhe. “Ele é um amor de pessoa, tem dinheiro e pode gastar. É melhor ele que tem do que gente pagando de rico e não tem nada”, afirma.

Depois da divulgação do vídeo, Alexander excluiu seu perfil no Instagram.

Leia Mais

Deus foi para a periferia

estrela_belemAriovaldo Ramos

Jesus nasceu onde tinha de nascer, em Belém, conforme disse o profeta Miquéias (5.2); a Trindade cumpriu a sua palavra.

Uns pastores foram avisados, logo, no dia do nascimento. E houve, a sauda-lo, Simeão, e a profetisa Ana, quando apresentado no Templo, no início de sua vida, e, então, o esquecimento.

Depois de cerca de dois anos, uns magos foram avisados, no longínquo oriente.

Eles foram avisados da forma mais estranha, por meio da descoberta de uma estrela, eles eram precursores da astronomia, numa época em que a ciência e a fé andavam juntos.

Isso quer dizer que Jesus estava entre os seus, era a promessa mais esperada de todas, e estava no ostracismo. Veio para o que era seu, mas os seus sequer o notaram.

Depois de cerca de 2 anos Deus atraiu a atenção de magos do Oriente.

Deprimente, de um lado, porque o povo que deveria estar “paparicando” o menino, nem percebeu a presença dele, mas, doutro lado, extraordinário, porque já demonstra a vocação universal do ministério do Senhor Jesus!

Eles trouxeram tesouros para honrar um rei especial. Ouro para que fosse um rei afortunado; perfume para ser destacado dos seus pares; e mirra para ser honrado, como um rei excelente, na sua morte.

Paulo disse que Deus escolheu o que não é para envergonhar o que é (1Co 1.26-29). E o Senhor escolheu uns magos, aparentemente, pagãos, do Oriente, para envergonhar os sacerdotes e escribas de Israel.

Eles vieram para honrar o Rei dos judeus, mas, fizeram mais, eles alertaram ao Rei Herodes e a toda a Jerusalém, sobre o nascimento daquele que eles deveriam estar adorando. Eles foram os primeiros pregadores gentios.

Nem os sacerdotes, nem os escribas, nem o povo de Jerusalém creu. A falsa religiosidade não o permitiu.

A lógica era: Deus jamais falaria através de pagãos! A falsa religiosidade tenta aprisionar Deus, se recusando a aceitar a liberdade divina. A falsa religiosidade obscurece Deus.

O povo de Deus foi, também, traído pelo etnocentrismo. A lógica era: Deus tem o seu povo, por que usaria outro povo para falar, ao seu povo, sobre promessas exclusivas? A segregação obscurece a humanidade e o amor de Deus por todos.

Que ironia! Uma pessoa acreditou: Herodes! O único que acreditou decidiu que mataria o Messias. O amor ao poder o impeliu.

A gente poderia dizer que os magos deveriam ter continuado a seguir a estrela, sem desvio. Não é tão simples, primeiro, porque parece natural que um povo saiba de seu rei, de um rei que até os céus anunciam; segundo, porque a estrela apontou para Israel, mas, só passou a precede-los depois de terem avisado as autoridades e a toda Jerusalém, e rumarem para Belém.

Em Belém, a estrela adiantou-se a eles e apontou a casa, então eles a viram e se alegraram. Foram comovidos à adoração, mas, o Senhor, primeiro, os levou à proclamação.

Como um evento divino que mexe com o cosmos e desperta os gentios, não encontra corações sensíveis entre o seu próprio povo?

Quando o fiel se torna o gabarito de Deus, Deus passa a ter que satisfazer as expectativas do fiel. Quando as expectativas do fiel passam a aferir o que é ou não de Deus, o fiel veio para o centro, e Deus foi para a periferia.

fonte: Blog do Ariovaldo Ramos

Leia Mais

Como um engenheiro ganhou 1,25 milhão de milhas aéreas comprando pudim

pudim

 

Publicado no Gizmodo

Milhas aéreas são incríveis. Elas podem ser usadas para voos ou estadias gratuitas em hotéis, e, se você tiver sorte, também podem gerar ódio e desprezo de todos com quem você entra em contato e precisam pagar o preço inteiro quando viajam. O rei das viagens virtualmente gratuitas é David Phillips, um engenheiro civil que também é professor da Universidade da Califórnia.

David ganhou destaque na mídia quando conseguiu converter cerca de 12.150 potes de pudim de chocolate Healthy Choice em um milhão de Milhas Aéreas. Desde então, David e sua família estão viajando pelo mundo por quase nada.

Como ele conseguiu fazer isso? Bem, antes de mais nada, precisamos explicar que tipo de homem David Phillips é; ele é o tipo de cara que lê todos os mínimos detalhes impressos em fontes minúsculas nas coisas. O tipo de cara que aprendeu a contar cartas para nunca ser enganado em um cassino. Phillips já disse que poderia ter se tornado um jogador profissional de cartas se não fosse pela fumaça de cigarro. Sim, este cara – segundo ele mesmo – poderia ser um jogador de cartas milionário, mas ele aprecia mais o ar fresco do que o cheiro desagradável do sucesso.

Seu mais famoso empreendimento foi em 1999, quando ele descobriu que a Healthy Choice estava fazendo uma promoção em sua seção de pratos congelados. A oferta era a seguinte: a cada 10 códigos de barras dos produtos da empresa enviados por uma pessoa, ela ganharia 500 Milhas Aéreas. No entanto, a empresa estipulou que os primeiros clientes a resgatarem os pontos das ofertas no primeiro mês receberiam o prêmio em dobro, ou seja, a compra de 10 dos seus produtos renderia 1.000 milhas aéreas.

Ao entender os detalhes da promoção, David vasculhou supermercados próximos à sua casa para ver qual produto oferecido tinha o melhor potencial de retorno. Depois de um trabalho bem chato, ele encontrou o que estava procurando – uma rede de supermercados que vendia cada pote individual de pudim de chocolate por US$ 0,25 cada. Isso significava que com US$ 2,50 ele conseguiria 1.000 milhas aéreas.

Percebendo o incrível retorno que ele estava para receber, David visitou todas as lojas da rede em um dia e comprou todos os potes de pudim Healthy Choice que encontrou.

Você provavelmente está pensando agora que um sujeito entrando em diversas lojas e pedindo para comprar todos os pudins Healthy Choice disponíveis, até no estoque, é um pouco suspeito, e se alguém questionou o que ele estava fazendo, e, se soubessem da história, também iam querer entrar na jogada, certo? David aparentemente imaginava isso e, enquanto comprava os pudins, disse às pessoas que estava fazendo isso para estocar para o ano 2000 que estava chegando.

Ao todo, David gastou cerca de US$ 3.000 em pudim, o que parece muito, mas não é quando você pensa que o valor total em dólar em milhas que ele estava para receber superava US$ 150.000. No entanto, antes disso, ele ainda precisava enviar todos aqueles códigos de barras.

De acordo com David, sua esposa ficou com bolhas de tanto descolar centenas de adesivos, e seus filhos e colegas de trabalho cresceram fisicamente e ficaram doentes de tanto comer pasta de chocolate. Além disso, ele duvidou se seria capaz de destacar todos aqueles códigos de barras a tempo de se qualificar para a primeira parte da promoção – a que garantia as milhas aéreas em dobro.

Foi aí que ele teve outra ideia – por que fazer sua esposa e filhos sofrerem quando ele poderia pedir para outras pessoas trabalharem para ele?

David entrou em contato com o Exército da Salvação local com uma oferta; se eles oferecessem um punhado de voluntários para ajudar a retirar os códigos de barras dos pudins, ele doaria todos os pudins para eles. Mas eis a parte bonita: isso foi considerado uma doação de caridade, que permitiu que David tivesse US$ 800 em deduções fiscais no fim do ano.

Os benefícios do esquema de David não pararam por aí. Após enviar os códigos de barras e receber de volta as 1.280.000 milhas (ele conseguiu algumas além do que conseguiria só com os pudins porque também comprou sopas a 90 centavos antes de perceber que esse método era para perdedores), ele agora tinha oficialmente mais de um milhão de milhas, o que dava a ele um acesso vitalício a algo chamado “Clube de Vantagens American Airlines”, rendendo a ele e a sua família voos incríveis para o resto da vida deles.

Mas não chegamos na melhor parte ainda. David provavelmente nunca vai ficar sem milhas porque ainda ganha milhas a uma velocidade 5x maior do que gasta, além de viajar frequentemente, graças a vários programas de incentivo que ele sempre está de olho para conseguir explorar do jeito que fez com o esquema do pudim. Hoje, ele tem mais de 4 milhões de milhas em suas várias contas e já voou para mais de 20 países e tirou diversas férias nesse tempo.

No fim, para um custo inicial de US$ 3000 (ou pouco mais de US$ 2000 se você considerar a dedução fiscal), e alguns outros acordos parecidos que ele se aproveitou para melhorar seus números, David nunca mais precisar pagar por outro voo pelo resto da sua vida. Um gênio.

Leia Mais

Achados do Nat Geo

Eloise Martins, no IdeaFixa

O tumblr FOUND apresenta uma coleção de fotografias especialmente escolhidas dos arquivos do National Geographic e foi elaborado para comemorar o 125º aniversário da instituição.

POR BATES LITTLEHALES. Nadadores em Weeki Wachee, Florida, 1955.

CORBIS
POR CORBIS. Charles Lindbergh visita Surrey, Inglaterra, com seu monoplano chamado ‘Spirit of St. Louis’ em Junho de 1927.

Com a intenção de mostrar fotografias que revelassem diferentes culturas e momentos do passado, muitas das imagens nunca haviam sido publicadas e foram raramente vistas pelo público.

DAVID CUPP
POR DAVID CUPP. Um menino descansa com seu cachorro em Capri, Italia, Junho de 1970.

DOUGLAS AIRCRAFT CO
POR DOUGLAS AIRCRAFT CO. Narizes do avião de guerra americano Douglas A-20 sendo fabricados.

FENNO JACOBS
POR FENNO JACOBS. Mulheres bolivianas observam a mais nova mercadoria em loja de departamento em Agosto de 1943.

H. EDWARD KIM
POR H. EDWARD KIM. Estudantes norte coreanas praticam o acordeão. Agosto de 1974.

“Esperamos trazer vida a essas imagens ao dividi-las com o um público abrangente. Suas belezas ficaram perdidas por muitos anos e muitas fotografias têm suas datas e locais originais faltando.”

HERBERT G. PONTING
POR HERBERT G. PONTING. Para entreter seus homens, o Capitão Robert Scott levou um gramofone na sua expedição ao Polo Norte. Chris, um de seus cachorros, aparentemente também era um fã. Setembro de 1911.
(mais…)

Leia Mais