Vaticano diz que afastou 884 sacerdotes por abusos de menores na última década

Publicado no UOL

O Vaticano investigou nos últimos dez anos 3.420 casos de sacerdotes que supostamente abusaram sexualmente de menores, e destes 884 foram destituídos e afastados, disse nesta terça-feira (6) o representante permanente do Vaticano na ONU, Silvano Tomasi, em Genebra.

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Tomasi, que compareceu hoje pelo segundo dia diante do Comitê da ONU contra a Tortura, reiterou que apesar da Santa Sé não ter jurisdição penal em casos de pedofilia cometidos em outros países, tem obrigação de afastar os sacerdotes que foram considerados culpados.

Ontem (5), o Vaticano disse no Comitê das Nações Unidas contra a Tortura que os casos de pedofilia envolvendo membros do clero estão em “declínio”, fato que deve ser reconhecido.

“A tendência mostra que as medidas adotadas nos dez últimos anos pela Santa Sé e as igrejas em nível local deram resultados positivos e continuaremos nesta direção”, afirmou Tomasi.

O representante da Santa Sé acrescentou que a pedofilia “é um problema muito grave em nível mundial, com milhões de casos relatados a cada ano, principalmente dentro das famílias, em todas as profissões e contextos, e nossa preocupação é proteger as crianças.

“A igreja deve fazer sua própria limpeza dentro de casa”, reconheceu Tomasi.

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Evangélicos dizem que novela promove umbanda e boicotam Globo

pedacinhoPublicado no UOL [via Tribuna Hoje]

Evangélicos estão promovendo uma campanha na internet contra a novela das seis da Globo, Meu Pedacinho de Chão, que acusam de fomentar a umbanda. Uma publicação com mais de 85 mil compartilhamentos no Facebook diz que a trama é ambientada em um terreiro disfarçado e os nomes dos personagens contêm referências à religião afro-brasileira.

O texto, publicado em 15 de abril pela evangélica Dayhendyra Alves, faz um “alerta” sobre a novela Meu Pedacinho de Chão. “Descobri que a Vila de Santa Fé [cidade fictícia da novela] é um terreiro e que os nomes dos personagens são de umbanda”, diz a publicação. Coronel Epaminondas (Osmar Prado), chamado de Coronel Epa, seria uma referência à saudação Epa Babá ao Orixá Oxalá, um dos mais cultuados das religiões africanas.

Ainda segundo a publicação, o violeiro Viramundo (Gabriel Sater) seria uma variação do Exu Gira Mundo. O texto termina com uma prece a Jesus contra a trama de Benedito Ruy Barbosa: “Que o Senhor Jesus nos lave com seu poderoso sangue e abra nossos olhos!”.

Telespectadores evangélicos que compartilharam a publicação chamam Meu Pedacinho de Chão de “demônio puro” e prometem boicotar a novela da Globo. “Logo vi por que odiei essa novela. Demônio puro. Deus abra a mente das pessoas para a realidade”, comentou Michelle Araújo. “Depois dessas informações, irei me negar a não mais assistir. Prefiro agradar a meu Deus!”, escreveu Zélia Maria.

Meu Pedacinho de Chão não é a primeira novela da Globo boicotada por religiosos. O caso mais recente aconteceu em 2012, quando fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus fizeram campanha na internet contra Salve Jorge. O bispo Edir Macedo, líder da Universal e dono da Record, escreveu em seu blog que São Jorge, venerado pelo catolicismo e por religiões afro-brasileiras, é um “deus pagão travestido de santo”. Na época, a autora Gloria Perez respondeu ao ataque dos evangélicos. “Não se deve ampliar a voz dos imbecis”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Procurada pelo Notícias da TV, a Federação de Umbanda do Brasil não quis comentar o caso do boicote de evangélicos à novela das seis da Globo, porém ressaltou que não é a primeira vez que a religião afro-brasileira sofre ataques de intolerância.

A Globo esclarece que Meu Pedacinho de Chão não é inspirada na umbanda e não faz nenhuma referência a ela.

Independentemente do boicote de evangélicos, a novela das seis da Globo vem marcando a mais baixa média da história do horário.

Abaixo, o post com quase 100 mil compartilhamentos.

UM ALERTA SOBRE A NOVELA MEU PEDACINHO DE CHÃO!!! Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que você tem deixado entrar na sua casa? Me senti incomodada com a novela das 18:00hs (Meu pedacinho de chão), achei as roupas estranhas então decidi pesquisar, não achei nada tenebroso rs… Mas Deus me tocou para pesquisar nome por nome, descobri que a vila de Santa fé é um “TERREIRO” e que o nomes dos personagens são de “UMBANDA” veja: EPAMINONDAS chamado de ÊPA significa: saudação ao ORIXÁ OXALÁ (Êpa Babá) SERELEPE: Seus sinônimos são Gay, excitado, inquieto, danado, caxinguelê, conhecido na umbanda como Joãozinho, Saci Pererê, Negrinho do Pastoreio e Serelepe da Umbanda (sapeca adora balas e doces). PITUCA: Boneca Pituca, esoterismo e ocultismo, Famosa mãe de santo, e filha de orixá VIRAMUNDO/GIRAMUNDO: exú GINA: Famosa mãe de Santo ,A Voz de Oyá, Yansã e Ruy de Ógún, está representando o lesbianismo. AMÂNCIA: filha de OXÚM Dona TEREZA: CIGANA, OXUM PANDA, CABLOCA, No grego significa SEIFERA E CAÇADORA. TUIM: santo, saudação de umbanda. Mãe BENTA: mãe de santo CATARINA: mãe de santo RODAPÉ: pé que gira PEDRO FALCÃO: Falcão povo das aguas, OXUM Tem um senhor que vive de chapéu fumando cachimbo com bengala na mão esse vcs já sabem. Estes são apenas alguns… Que o Senhor Jesus nos lave com seu PODEROSO SANGUE e abra nossos olhos!

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Projeto no Iraque reduz idade para mulher casar a 9 anos

Os opositores ao projeto afirmam que a decisão representa um retrocesso e que pode agravar as tensões no Iraque

foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP
foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP

Publicado em O Dia Online

Um projeto de lei que, segundo seus opositores, legaliza o casamento das meninas e o estupro conjugal provocou uma polêmica no Iraque, semanas antes de eleições previstas para o fim de abril.

Os opositores ao projeto – que, segundo analistas, tem poucas chances de ser adotado – afirmam que representa um retrocesso em matéria de direitos da mulher e que pode agravar as tensões entre diferentes confissões do país.

Seus opositores ressaltam que um de seus artigos permite que as crianças se divorciem a partir dos nove anos, o que significa que podem se casar antes desta idade, e que outro prevê que uma mulher seja obrigada a ter relações sexuais com seu marido quando ele pedir.

Segundo um estudo de 2013 do grupo de pesquisa americano Population Reference Bureau (PRB), um quarto das mulheres no Iraque se casam com menos de 18 anos.

— Este projeto de lei é um crime humanitário e uma violação dos direitos das crianças — declarou Hanaa Edwar, que dirige a associação Al-Amal (“esperança”, em árabe).

Os partidários do projeto de lei afirmam que o texto apenas regula práticas que já existem.

— A ideia da lei é que cada religião regule e organize a condição jurídica pessoal em função de suas crenças — estimou Ammar Toma, um parlamentar xiita do partido Fadhila.

No entanto, analistas consideram muito improvável que o parlamento iraquiano vote este projeto e afirmam que se trata de uma manobra política.

Assim, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki pode estar tentando deixar aberta a possibilidade de uma aliança com Fadhila após as eleições, que, acredita-se, não fornecerão maioria parlamentar absoluta a nenhum partido.

Fonte: Zero Hora

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Santidade em série

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Por Cláudio Lembo, no Terra

A santidade é um atributo de poucos. Indica a perfeição, elemento incomum entre os humanos. As pessoas, por palavras ou ações, tendem a se fragilizar.

Qualquer teólogo aponta para as dificuldades de se atingir o estágio de santidade. Sabe que os humanos tendem a romper padrões e, em momentos diversos, ferem preceitos estabelecidos.

Daí a perplexidade oriunda dos últimos sinais emitidos por Roma. Uma série de personalidades é declarada santa. Um taylorismo jamais praticado pela hierarquia romana.

Dirá um cético: sinal dos tempos. Realmente, vive-se um período da humanidade onde o coletivo substituiu o singular. Onde o consumo de bens e imagens é soberano.

No passado, o sagrado era dominante. Hoje, o materialismo sem causa domina as vontades e os costumes. Daí certa perplexidade na proclamação de dois santos de uma só vez.

Ainda porque ambos, no caso presente, participaram do vértice da hierarquia e, por esta mesma hierarquia, são reconhecidos como santos. Há certa dificuldade para a compreensão do acontecimento.

Os dois papas – João Paulo II e João XXIII – apresentaram-se, durante seus pontificados, como personalidades fortes e com claros posicionamentos. Em épocas diferentes, apontaram caminhos.

João XXIII foi o pontífice do “aggiornamento”. Recebeu uma Igreja profundamente conservadora e submissa às tradições eurocêntricas e a entregou arejada.

São nítidas as transformações oriundas do Concílio Vaticano II convocado pelo Cardeal Roncalli, o Papa João XXIII. Estas se espelharam no culto e nas orações.

É famosa sua primeira aparição aos fiéis. Dirigiu-se à lua, que se apresentava bela e plena nos céus de Roma. Seu ato foi apontado por muitos como um gesto panteísta.

João XXIII foi amado em vida por seguidores de sua Igreja e por adeptos de outras religiões. Era um homem bom. Seu legado perdura e suas lições próprias do humanismo italiano calaram fundo nas consciências.

João Paulo II tem outra origem. Veio da Polônia, país onde se encontram presentes, de maneira flagrante, os princípios tridentinos. Rigor no culto e posicionamento repleto de ortodoxia. Lá se refugiaram os jesuítas, quando expulsos de outros países europeus.

Este pontífice foi uma das personalidades mundiais que, por atitudes nítidas, ajudou a colocar fim no socialismo real em todo leste europeu. Foi, na verdade, um combatente contra o materialismo histórico.

As duas personalidades – agora elevadas à santidade – merecem registros históricos com traços muito fortes. Trabalharam em campos diversos, mas com objetivos comuns.

Desejaram o encontro de seus seguidores com situações existentes e que ferem os valores históricos do Ocidente. Suas personalidades se apresentaram como diametralmente opostas.

Um era homem do diálogo, o italiano. O outro, o polonês, pessoa de forte conservadorismo. Parecem possuir muitos atributos próprios da santidade.

Choca, contudo, a aproximação de suas vidas com o ato da consagração. Tudo tão rápido. O tempo parece não ser mais um elemento de recolhimento.

O mundo contemporâneo exige imediatismo. Nada de reflexão. Já não se pode esperar. É preciso consumir imagens e difundi-las “urbi et orbe” pelos meios eletrônicos de comunicação.

Longe ficou o silêncio das catedrais. O cantochão já não eleva as almas. Tudo é massificado. As linhas de produção venceram. Só resta o conforto da meditação silenciosa no interior da consciência de cada um.

Se houver tempo.

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Lições que nascem com a simplicidade

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Publicado por Ricardo Gondim

Quantas vezes perdemos o encanto de certos momentos por não sabermos valorizar os processos singelos da vida. Não entendemos uma existência perpassada pela simplicidade.

No enfrentamento dos pequenos medos, a vida se prepara para a grande coragem.
Perseverança depende do desânimo.
Esperança se anima na frustração.
Resiliência acontece desde as derrotas mais amargas.
Desestímulo alheio convida à ousadia.
Aprende-se ternura com as feridas.
Desprezo educa para o perdão.

Para ser simples, a virtude precisa andar quando outros, afobados, correm; sussurrar, quando outros, presunçosos, gritam; sorrir, quando outros, raivosos, destilam ranho; pensar, quando outros, iludidos, mistificam.

Quem deseja subir um degrau na existência, precisa descer dois. Humildade, o contrário de autocomiseração, significa apenas a capacidade de perceber as sombras com a mesma sensibilidade que a luz.

Perfeição não aparece nas simetrias extraordinárias. Perfeição se esconde no ordinário – no dia a dia – e só pede um olhar simples. Por isso alguém já disse que a camisa que tremula no varal pode conter a vela que empurra o navio; o fio que a aranha estende entre os galhos da árvore pode preceder a ponte suspensa sobre o abismo; a chaleira que chia no fogão pode inspirar o mecanismo da locomotiva; a maçã que despenca da árvore pode explicar a lei da gravidade; o pardal que voa no entardecer pode lembrar o cuidado universal de Deus, que ama a todos.

A grande tragédia de passar pela existência sem viver se dá nos que perdem a capacidade de apreciar o belo, escondido no banal. Resta ser “simples como as pombas”.

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