Jesus não é Je$u$: Marcha COM Jesus em Curitiba

Douglas Rezende, no flickr

A Marcha COM Jesus em Curitiba 2012 foi muito melhor do que o esperado, a receptividade foi espantosa, pessoas vinham pedir panfletos, concordavam com as faixas e cartazes com aceno de cabeça e positivos. Outras vieram unir forças conosco, caminhões de som leram ao microfone o que estava sendo expresso e o pastor Hilquias da Batista Vila Lindóia pediu a bênção de Deus sobre as nossas vidas de cima de um dos carros de som.

Em 2010, em Campo Largo, a Marcha parou quando viram que não retiraríamos as faixas, então oraram pedindo “união” do “povo evangélico”. Em Curitiba, na mesma data, organizadores da “Marcha” quiseram que retirássemos a faixa sobre a “oração da propina”.

Neste ano de 2012 trouxemos o tema “Jesus NÃO É Je$u$. Poderes Políticos e econômicos precisam ser questionados e não bajulados. Se a Igreja está viva então não sepultemos o evangelho”, entre outros relacionados à ética na política.

Membros da Repas, Rede Paranaense de assistência social, vieram nos cumprimentar pelas faixas, fomos entrevistados por duas rádios e ambas nos cumprimentaram pela iniciativa… São mais motivos para orarmos, precisamos ter cuidado, não acredito que o que afirmamos seja consenso, mas quem sabe a partir desta iniciativa, desta pequena ação, o óbvio não comece a incomodar?

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Autora defende cura pela fé: é uma questão relevante para os cientistas

Ligia Hougland, no Terra

Apesar de o número de evangélicos, carismáticos e cristãos de outras denominações que procuram e acreditam no poder da cura de doenças e invalidez por meio de preces aumentar, cientistas do mundo inteiro permanecem céticos e se recusam a investigar o fenômeno. Recentemente, uma professora americana com doutorado em estudos religiosos da Universidade de Indiana, Candy Gunther Brown, lançou o livro Testing Prayer: Science and Healing (Testando a prece: Ciência e Cura, em tradução livre) que, ao relatar casos de sucesso da aplicação de orações no tratamento de doentes e demonstrar como o método de cura pela prece é usado por diferentes culturas, espera convencer pesquisadores a deixar de lado o preconceito e estudar esse campo tradicionalmente visto com suspeita pela ciência. Em entrevista exclusiva ao Terra, Brown falou sobre a implementação do sobrenatural para melhorar a saúde pública e conta ter testemunhado – e comprovado – casos de cura pela oração.

Terra: Por que cientistas, que precisam lutar para conseguir financiamento para estudos convencionais e fundamentais para a descoberta de novos tratamentos médicos, deveriam se dedicar a estudar algo polêmico e difícil de ser determinado como o poder das orações na cura de problemas de saúde?
Brown: A verdade é que as pessoas rezam pela cura e isso pode ter um efeito sobre a saúde delas. Não importa se os efeitos da prece são positivos ou negativos, é preciso descobrir se rezar pela cura de problemas de saúde faz diferença para que possamos proteger a saúde pública.

Terra: Mas provar que a oração pode ou não ser eficaz para o tratamento de doenças não seria algo impossível de ser constatado visto seu caráter subjetivo e sujeito a interpretações pessoais? Não seria como, por exemplo, tentar provar ou desprovar a existência de unicórnios? Nunca alguém provou ter visto essas criaturas mágicas, mas cientificamente, isso não é prova suficiente de que unicórnios não existem e algumas pessoas ainda podem acreditar que eles existem.
Brown: O exemplo dos unicórnios não tem importância, pois a existência ou não deles não tem consequências para o mundo real. Mas cura pela oração tem consequências para o mundo real. Assim como pessoas que usam outros métodos para tentar aprimorar a saúde, seja pelo meio da medicina, de curandeiros ou de outros tipos de práticas ou alternativas. Portanto, essa é uma questão relevante para os cientistas preocupados com a melhora da saúde pública.

Terra: Atualmente, a ciência parece mais ou menos aberta ao sobrernatural?
Brown: Depende do lugar. A ciência provavelmente está mais aberta ao sobrenatural no Brasil do que nos Estados Unidos. Mas mesmo nos EUA, as pesquisas sugerem que até 73% dos médicos acreditam que algum tipo de cura acontece por meio de causas sobrenaturais ou miraculosas. Na maior parte da história e na maioria das culturas sempre houve uma expectativa de que existe uma relação entre o sobrenatural e o natural. Mas, por volta do Período do Iluminismo até o século passado, houve uma menor crença no sobrenatural, particularmente no mundo ocidental. No entanto, acredito que estamos voltando a ter uma maior abertura em relação ao sobrenatural, conforme as pessoas concluem que a ciência não oferece todas as explicações para o que acontece no mundo. Mesmo com os melhores tratamentos médicos nem todos os problemas de saúde podem ser curados e não existe possibilidade de encontrar cura para eles no futuro próximo.

Terra: Culturas diferentes rezam de modo diferente?
Brown: Esse é o caso até mesmo em regiões diferentes de um mesmo país, mas também existe um tipo de cultura cristã global, com grupos que atuam em diversos países. Um dos grupos que estudei foi o grupo americano Global Awakening (Despertar Global) que visita o Brasil diversas vezes a cada ano e participa de uma rede com um grande número de igrejas e denominações brasileiras. Parte do que esse grupo faz é compartilhar práticas religiosas. Assim, as práticas brasileiras influenciam o modo pelo qual os americanos rezam pela cura de doenças e vice-versa. Um exemplo dessa troca é que os americanos adotaram parte da expectativa que os brasileiros têm com respeito ao sobrenatural, enquanto que os brasileiros adotaram maneiras mais democráticas de rezar pela cura. No passado, muitas igrejas brasileiras tinha um pastor ou um líder que fazia a maior parte das orações pela cura, mas cada vez mais acontece que todos os membros de uma congregação reza pedirem pela cura de algum problema de saúde.

Terra: A senhora já viu alguém ser curado pela reza no Brasil?
Brown: Essa é sempre uma pergunta difícil de ser respondida. Eu certamente encontrei pessoas que acreditavam ter sido curadas. Um caso interessante aconteceu em Imperatriz, no Maranhão. Uma mulher contou que, dois anos antes, ela pesava apenas cerca de 38 kg e cuspia sangue, pois era vítima de câncer do tórax. Os médicos a consideraram uma causa perdida, depois que fizeram tudo que podiam por ela e a mandaram para casa para morrer. Ela foi a uma sessão do Global Awakening como um último esforço. As pessoas rezaram por ela por algumas horas e, naquele mesmo momento, ela começou a se sentir melhor e forte o suficiente para levantar e cantar. Ela ainda está bem e trabalha como radialista. Também encontrei pessoas que tinham problemas de visão ou audição e que haviam sido curadas.

Terra: Esses casos de cura foram comprovados?
Brown: Na minha pesquisa eu não apenas confiei no que as pessoas diziam ter acontecido, mas também usei testes clínicos. Contei com uma equipe que realizou testes com audiometro e de visão em Moçambique e no Brasil, comprovando melhoras na audição e na visão das pessoas que acreditavam ter sido curadas. Essas pessoas tinham realmente melhorado por causa das orações, e a melhora delas era tão grande que fomos capazes de atingir um significado estatístico padrão, sugerindo que isso não era apenas uma coincidência e que o efeito era real.

Terra: A oração pela cura funciona em qualquer tipo de religião?
Brown: Estudamos especificamente a oração cristã. Mas há diversos estudos realizados nos EUA que sugerem que outros tipos de práticas religiosas não geram os mesmos efeitos. Não sei se já foram realizados estudos com umbanda e camdomblé ou outras práticas usadas no Brasil. Não acho que podemos pressupor que um tipo de prática religiosa é tão bom quanto outro.

Terra: Muitos dizem que, se rezar realmente funcionasse, todos os campeonatos brasileiros de futebol terminariam em empate. O que a senhora tem a dizer sobre esse argumento?
Brown: Argumentos semelhantes são feitos nos EUA, e já foram realizados estudos sobre rezas que as pessoas fazem à distância para alguém que nunca encontraram, que imagino se enquadrar no exemplo do futebol. Mas algo acontece em encontros pessoais que dá um elemento social à reza e parece fazer uma diferença em como as pessoas rezam, o que dizem, no que acreditam. Parece que são observados mais resultados em rezas com contato pessoal. Não precisa ser um grupo grande de pessoas. Muitos exemplos que tenho incluem situações bem privadas, sem música alta nem demonstrações de emoção.

Terra: Os grupos que promovem a cura pela reza não estariam explorando pessoas desprivilegiadas e sem instrução e, por isso, são tão populares em países pobres?
Brown: Muitas dos representantes desses grupos também são pobres. A explicação para o cristianismo estar crescendo nos países em desenvolvimento é que muitas pessoas estão rezando pela cura de condições de saúde e acreditam estar sendo curadas.

Terra: A senhora recomendaria que as pessoas procurassem a cura de seus problemas de saúde pela oração?
Brown: Todos nós queremos tornar a saúde pública o melhor possível e apoiar o que é bom para a saúde como um todo. O que estou buscando pode ser empircamente demonstado como maneiras eficazes de buscar a cura para problemas de saúde. Particularmente nos países onde os recursos médicos são limitados, faz sentido buscar métodos que não exijam esses tipos convencionais de tratamentos médicos.

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Um Deus que sofre

Ed René Kivitz

O relacionamento entre Deus e a pessoa – raça humana, baseado no paradigma salvação e danação – ir para o céu ou para o inferno, pode ser interpretado pelo menos de duas maneiras. A maneira mais tradicional foi bem caricaturada pelo meu amigo Ricardo Gondim em sua “metáfora da festa”, que apresenta um Deus furioso dizendo à raça humana algo mais ou menos assim: “Vocês estragaram a minha festa, e eu vou estragar a festa de vocês. Sairei atrás de vocês com um chicote em punho, ferindo de morte todos os que se rebelaram contra mim e mostrarei quem tem a autoridade e o poder no mundo. Pouparei alguns poucos para dar ao universo um vislumbre de minha misericórdia, bondade e graça, e não terei piedade do restante da raça, que amargará no inferno, por toda a eternidade, a escolha errada que fez ao abandonar a minha festa”.

Essa descrição tradicional, que chamo de “paradigma moral”, compreende o pecado como um ato de desobediência que desperta a ira de Deus. Mas há outra maneira de perceber a relação entre Deus e a pessoa humana, que chamo “paradigma ontológico”. A metáfora do corpo pode ajudar. Imagine que Deus e a raça humana são uma unidade em que Cristo é o/a cabeça e a raça humana é o corpo.

Imagine também que cada membro do corpo tem um cérebro, e que, portanto, a harmonia do corpo depende do alinhamento de todos os pequenos cérebros (dos membros) com o grande cérebro (do/da cabeça). Caso o cérebro do braço direito se rebele e comece a esbofetear o rosto, isso seria uma rebelião moral.

Mas se o cérebro do braço direito reivindicasse ser amputado do corpo para viver de maneira autônoma, isso seria uma rebelião ontológica: uma pretensão de viver como ser auto suficiente, à parte do corpo, rompendo a unidade original do corpo e gerando, então, dois seres.

O grande cérebro diria ao braço: “Você não conseguirá sobreviver, você não tem vida em si mesmo, sua vida depende de estar no corpo”. Mas o braço insistente, se amputaria do corpo e ao debater-se no chão, com energia residual, imaginaria ainda estar vivo, mesmo separado do corpo. Até que morresse. Nessa metáfora (quase grotesca, desculpe), Deus não estaria ocupado em punir, destruir ou condenar o braço rebelde, mas faria todo o possível para reimplantar o braço no corpo.

A “metáfora da festa”, mais popular, é bem simbolizada no famoso sermão de Jonathan Edwards, no movimento puritano da Inglaterra do século XVI, entitulado: “Pecadores nas mãos de um Deus irado”.

Alguém precisa oferecer outro sermão, que bem poderia receber como título: “Pecadores nas mãos de um Deus ferido de amor”. Nele estaria um Deus que sofre ao perceber suas criaturas se rebelando contra o amor, a verdade, a compaixão, a justiça e a solidariedade, por exemplo, e ferindo-se umas às outras.

Deus seria apresentado, nas palavras de Jesus, como Aquele que “não apagará o pavio que fumega; não esmagará a cana trilhada”. Os pecadores seriam expostos não ao Deus que tem nas mãos um chicote e espuma o ódio transbordando de sua boca, mas um Deus com lágrimas nos olhos, caminhando entre os homens com laços de amor, sussurrando nas praças: “Com amor eterno eu te amo e com misericórdia te chamo”.

fonte: Blog do Ed René Kivitz

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