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Ana Lúcia Torre mergulha no espiritismo para compor nova personagem

Publicado originalmente na Caras

A personagem Verbena parece ter sido escrita especialmente para Ana Lúcia Torre (66). Com várias características em comum com seu novo papel, a atriz, que é espírita, exalta a religião como mais forte delas na hora de se preparar para o novo papel.

“Eu sou espírita. Para mim, é um grande prazer estar fazendo esse trabalho e, falando em termos de uma pessoa espírita, é prazeroso e me dá muita responsabilidade transmitir isso de uma forma absolutamente tranquila. Não existe diferença, para mim, entre um espírita, um católico ou um evangélico, por exemplo. Existe, sim, uma união em Deus”, revelou ao site oficial da trama.

Além da fé, o lado mãezona de Ana Lúcia também é parecido com o de Verbena que, na trama, irá procurar seu filho desaparecido. “O fato de o filho ter desaparecido não fez da Verbena uma mulher triste e amarga, muito pelo contrário: ela luta para revê-lo. Criou uma fundação que ajuda a recuperar crianças desaparecidas. Ela tem uma fé inabalável de que vai encontrar esse filho e de que ele está vivo. Embora todo mundo diga que depois de tantos anos sem ter notícias de Rodrigo é quase impossível encontrá-lo, ela não desiste de procurá-lo”.

Ana Lúcia teve que mudar de visual para a trama. O cabelo está mais curto e com cores bem distintas, entre elas o branco e tons de vermelho, e seu figurino possui peças elegantes e em tons neutros.

Ela ainda buscou em outras mães algumas referências. “Não fui em busca de uma mãe específica, mas tenho referências. Sou mãe, tenho uma mãe viva ainda, convivo com outras mães… Então, eu fui juntando um pouquinho de todas elas para formar Verbena”. E acrescentou, falando de sua dedicação ao herdeiro: “Eu tenho um filho e dois netos. A minha relação com eles é ótima, tenho uma amizade muito grande com meu filho”.

Amor Eterno Amor, nova novela das 6 da Globo, tem estreia prevista para 5 de março.

foto: Estevam Avellar

Por que estudar religião?

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for “sim”, a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.

Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, “de modo objetivo”: via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.

Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins “lucrativos” para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não “lucrariam” com seus objetos de estudo.

Duvido profundamente deste pressuposto. Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.

Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar -já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?

Como você vê, trata-se de uma pergunta “podre” no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.

Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.

Por exemplo, quando mulheres estudam “opressão feminina”, não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em “lucrar” com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam “opressão contra os gays”, não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também “lucrariam” com o estudo de seu próprio caso?

Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?

Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”.

Proponho as seguintes hipóteses.

1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações “espirituais”, mas se acham “cultas e bem (in)formadas” e estão um tanto de saco cheio das “igrejas” (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas “oficialmente” e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.

2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de “revolta contra Deus”. Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.

3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.

4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.

5. Para tornar sua vivência religiosa mais “culta e bem informada” e “modernizar” sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.

6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.

7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.

8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.

9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.

10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.

Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.

Nem Deus socorre Dawkins

Marcio Campos, na Gazeta do Povo

Parece que um dos assuntos do momento (na Inglaterra, não aqui) é o olé que o reverendo anglicano Giles Fraser deu em Richard Dawkins durante um programa de rádio na BBC. Para encurtar a história, Dawkins estava falando de uma pesquisa feita por sua fundação com pessoas que se declararam cristãs no último censo britânico. Um dos dados mostrava que dois terços dos autodeclarados cristãos não sabia qual era o primeiro livro do Novo Testamento. Fraser interveio e disse que esse não era um modo confiável de avaliar a religiosidade das pessoas, e para comprovar isso perguntou a Dawkins qual era o nome completo de A origem das espécies. Depois de um punhado de “ums” e “ers”, e até um “oh, God”, o biólogo não conseguiu se lembrar (mas chegou perto). Para quem quiser ouvir, está aqui (o trecho em que Fraser pergunta sobre o livro está perto de 3:30). O diálogo, transcrito pelo Huffington Poste traduzido por mim, é o seguinte:

Fraser: Richard, se eu lhe perguntasse qual o título completo de A origem das espécies, tenho certeza de que você seria capaz de me dizer.
Dawkins: Sim, seria.
Fraser: Então vamos lá.
Dawkins: Sobre a origem das espécies… hm, com, oh, Deus. Sobre a origem das espécies… e tem um subtítulo referente à preservação de raças favorecidas na luta pela vida.
Fraser: Você é o sumo sacerdote do darwinismo. Se você perguntasse essa questão a pessoas que acreditam na evolução e voltasse dizendo que somente 2% acertaram, seria muito fácil para mim dizer “então, eles não acreditam nisso”. Não é justo perguntar esse tipo de questão. As pessoas se autoidentificam como cristãos e eu acho que você deveria respeitar isso.

(Em português, o título original seria Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida)

O episódio vale mais a pena como anedota. Sim, o reverendo Fraser tem um bom argumento quanto à identificação entre boa memória para livros e filiação religiosa (ou “científica”), mas essa foi apenas uma das muitas perguntas da pesquisa. O conjunto dos dados é bem sombrio, para o leitor que se considera cristão. Mas não é surpreendente, porque a mesma coisa acontece aqui no Brasil. Que objeções o reverendo Fraser poderia levantar ao dado de que boa parte dos autodeclarados cristãos não reza, não vai à igreja (exceto em casamentos, funerais, batizados, e quem sabe na Páscoa e no Natal, como na piada dos esquilos), e nem mesmo crê na divindade de Cristo e na sua ressurreição física?

Só lamento que não haja na pesquisa (pelo menos no que foi publicado até agora) questões sobre como os autodeclarados cristãos veem temas de ciência e fé. Espero que esse conteúdo esteja nas 20 questões cujas respostas a fundação promete publicar em um futuro próximo.

foto: Shane Pope/Wikimedia Commons

Fé e ciência

Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo

Como estou até agora respondendo a e-mails indignados por conta de minha coluna de domingo, em que procurei mostrar que a noção de alma encerra vários problemas, acho oportuno desfazer alguns equívocos mais comuns.

Ao contrário do que muitos leitores sugeriram, crer na ciência não é o mesmo que acreditar numa religião, e eu vou tentar mostrar por que.

Comecemos pelas semelhanças. A ciência busca seus fundamentos em meia dúzia de postulados que, a exemplo dos dogmas religiosos, são tomados como autoevidentes. Trata-se de princípios como o de identidade e o de não contradição. O primeiro afirma que, se A=A, então A=A, e o segundo reza que, se A=não B, na ocorrência de A não ocorre B. Não são ideias particularmente geniais.

As semelhanças acabam aí. Enquanto dogmas religiosos podem abarcar tudo, os da ciência ficam restritos ao campo da lógica. Até aqui, a vantagem é da religião. Ela já emite pareceres sobre o mundo, enquanto a ciência permanece presa a abstrações. Para permitir que ela fale sobre o universo, temos de autorizá-la a lidar com induções, ou seja, que, partindo de casos particulares, faça generalizações: o sol nasceu todos os dias até hoje, logo nascerá amanhã.

Ao aceitar esse tipo de raciocínio, conquistamos o direito de proferir juízos sobre a realidade física, mas sacrificamos o plano das certezas matemáticas. O fato de o sol ter nascido todos os dias no passado não encerra garantia lógica de que nascerá amanhã. Isso é, no máximo, muito provável, mas não necessário.

Paradoxalmente, esse rebaixamento do grau de certeza das ciências é uma boa notícia. Juízos científicos tornam-se verdades provisórias, que dependem ainda de um processo de verificação empírica propenso a erros.

A vantagem é que a ciência ganha algum poder de autocorreção: ao contrário das religiões, é improvável que ela se obstine por muito tempo em delírios e equívocos do passado.

Sarah Sheeva: “O sexo tem o poder de unir espiritualmente as pessoas”

No De Frente Com Gabi deste domingo (29), Marília Gabriela recebeu a cantora, compositora, missionária e escritora Sarah Sheeva. Filha de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, Sarah deixou o grupo SNZ (que formou com suas irmãs Nãna Shara e Zabelê em 2000) e três anos depois mudou sua vida de forma radical.

Ela é hoje missonária e pastora aspirante da Igreja Celular Internacional e defende a “castidade” e a “contenção sexual”. Sarah lançou dois livros sobre o assunto e defende a abstinência sexual completa antes do casamento.

Confira abaixo as melhores frases da entrevista:

  • Meus pais demoraram 6 meses para me dar um nome.
  • O sexo tem o poder de unir espiritualmente as pessoas.
  • Deus adormeceu o meu desejo (sexual) porque eu pedi.
  • Nunca usei drogas, nunca fumei e nem cheirei.
  • Estou esperando a minha hora para poder beijar muito.
  • Me tornei pastora só em 2010, mas eu não queria isso porque é muita responsabilidade.
  • Eu recebo uma ajuda de custo da igreja que não paga nem o meu aluguel.
  • Existe hoje, no meio evangélico, muita gente hipócrita.
  • Quando eu vi o filme “Thor”, eu falei: “Meu Deus, é o meu número!”. Jesus me curou mas não me cegou.
  • Eu acredito que tem gente que não frequenta igreja e tem um caráter muito melhor do que alguns que estão lá dentro.
  • Eu tinha preconceito com igreja. Eu chamava todo mundo de fanático na minha cabeça.
  • Em 1999 eu já estava convertida, mas era uma crente “007”, ninguém sabia que eu era.
  • A conversão verdadeira não é à religião, é à Deus.
  • Nunca me deixei levar pela cabeça de ninguém, eu tenho personalidade.
  • A terapia te faz enxergar o problema, mas não tira ele de dentro de você. Deus tira.

A entrevista foi o assunto + comentado nas redes sociais e alcançou os TT’s mundiais. Claaaro que os internautas se dividiram nas opiniões. Confiram alguns tuítes. Tb fiz alguns comentários aqui.

  • SarahSheeva é o Inri Cristo de Saia
  • Como podem falar tanta asneira sobre a Sarah Sheeva?! Ela é uma benção!
  • Aquela mulher é doente mental.
  • Ameii a entrevista, representou muito bem o nosso DEUS
  • Carai foi massa ontem a Sarah Sheeva no de frente com gabi, ela nao bate muito bem das idéias
  • A mulher fala muito bem e não deixou a Gabi colocá-la em saia justa.
  • Eu quse virava crente ontem vendo a Sarah Sheeva ‘fumada’ no DE Frente com Gabi
  • Sarah Sheeva de frente com Gabi e eu imahinando o desespero de Deus, quando ela fala com ele
  • Sarah Sheeva expulsa qualquer tipo de demônio de perto. Não pela fé, mas por ninguém aguentar manter uma conversa de 20 minutos