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Líderes cristãos se reuniram na Índia para discutir a corrupção

Agência Pavanews, com informações do The Lausanne Movement

Líderes cristãos de várias partes da Índia se reuniram no início de setembro em Bangalore em uma reunião histórica e sem precedentes para discutir o problema da corrupção, em especial na igreja. Chamada de “Operação Neemias”, o encontro teve como objetivo “reunir líderes cristãos preocupados com a corrupção e dispostos a criar um movimento unido com a visão de erradicar o problema na Igreja da Índia”.

Estiveram presentes cerca de sessenta líderes religiosos e empresários, representando uma ampla gama de tradições de fé cristã do país. Havia cerca de 55 diferentes igrejas e organizações paraeclesiásticas representadas. Além de evangélicos de várias correntes, o evento contou com a participação de arcebispos e bispos representando as igrejas Católica e Ortodoxa.

Embora corrupção não seja algo novo na vida política da Índia, escândalos recentes aumentaram o nível de conscientização e de indignação da sociedade civil. Protestos públicos de multidões e uma campanha nacional contra a corrupção abalaram a Índia nos últimos meses. Existe um desejo profundo na nação de livrar-se desse mal.

A Operação Neemias alude à crença de que o rebanho deve ser líder e pioneira nessa luta contra a corrupção. Infelizmente, a igreja está seriamente afetada por líderes e membros corruptos. Existe uma grande lacuna entre a visão do nosso Senhor sobre a igreja como sal e luz e a realidade do povo de Deus na Índia.

Entre os palestrantes, o Dr. Manfred Kohl enfatizou que a prioridade era a renovação dentro da igreja. Diretor nacional do Conselho Filipino de Igrejas Evangélicas, o Bispo Efraim M. Tendero falou sobre o que quer dizer a igreja ser “sal e luz” na sociedade.

Após as preleções, houve um tempo de confissão coletiva liderado por L.T. Jeyachandran, diretor executivo na Ásia para os Ministérios Internacionais Ravi Zacharias. Seguiu-se uma série de sessões de pequenos grupos nas quais os participantes discutiram problemas de corrupção na igreja e medidas concretas que poderiam ser implementadas. Cada pequeno grupo foi desafiado a criar um projeto específico com resultados a curto prazo.

A modernidade e as amplas prateleiras do mercado religioso

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Ed René Kivitz

Apavorado ante o mistério da imensidão do cosmos e perdido em termos de sentido para a existência, o ser humano buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante do “mysterium tremendum”.

O aspecto mais relevante do novo cenário religioso no Brasil, revelado por pesquisas recentes, é o surgimento de uma nova personagem: o religioso não institucionalizado, que busca uma experiência de espiritualidade não tutelada pelas hierarquias das religiões formalmente organizadas em termos de dogmas, rituais e códigos morais. Vivemos os dias da religião sob medida, montada por consciências individuais que misturam os ingredientes disponíveis nas prateleiras do mercado religioso.

O sociólogo Otto Maduro define religião como “conjunto de discursos e práticas referentes a seres superiores e anteriores ao ambiente natural e social, com os quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação”. As ciências da religião sugerem que as religiões se estruturam com base em dogmas, rituais e tabus, isto é, crenças adotadas como verdades inquestionáveis, celebrações litúrgicas em homenagem e devoção às divindades, e regras de comportamento moral que acarretam benesses ou maldições.

A modernidade não conseguiu acabar com a relação de dependência e obrigações, pois o ser humano é atormentado por sua finitude, encurvado pelo peso de uma culpa ancestral, apavorado ante o mistério da imensidão do cosmos, e perdido em termos de sentido para a existência. Por essa razão, buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante disso que Rudolf Otto chamou de “mysterium tremendum”, a que damos o nome de Deus.

Mas a modernidade destruiu, sim, a religião como sistema de dogmas, rituais e tabus. O conceito de modernidade nos remete à segunda metade do século XVIII, com a revolução industrial – capitalismo, ciência e técnica, urbanismo, desenvolvimento ilimitado, a revolução democrática sensível aos direitos humanos, e principalmente ao conceito de indivíduo e ao descobrimento da subjetividade, que afirma a consciência individual acima de qualquer autoridade e liberta o indivíduo de sua dependência das instituições sociais, inclusive e principalmente religiosas.

Esse ideário moderno exige dois outros aspectos da individualidade: a autonomia e a racionalidade. Autonomia, a lei em si mesma, fala da capacidade que o indivíduo tem de agir movido e orientado por sua própria consciência, assumindo, portanto, a responsabilidade por seus atos.

Implica todo poder normativo subordinado à consciência individual e, consequentemente, a rejeição de todo poder arbitrário e dogmático, representado por um Estado ou um governo, uma ideologia ou religião, uma divindade ou, em última instância, Deus. O princípio cartesiano “penso, logo existo” explica o Iluminismo como esclarecimento racional, em oposição ao dogmatismo fundamentalista e obscurantista.

O resultado desse processo é que a modernidade, apesar de avanços significativos – o pluralismo ideológico, a abrangência da educação, a superação da superstição e a emancipação da ciência – também significou racionalismo, individualismo, humanismo e secularismo. Ou seja, a religião fora do espaço público e o universo vazio do divino e do sagrado. A modernidade deu origem a “ismos” tão opressivos e escravizadores das consciências e das massas quanto os “ismos” religiosos contra os quais se levantou.

A verdade é que os avanços da ciência, da técnica e da razão, que, em tese, deveriam construir um mundo melhor, promover a justiça e a paz, e apontar caminhos para a felicidade e a realização existencial do ser humano, de fato fizeram água. O saldo da modernidade é o rompimento com as instituições sociais religiosas e o abandono da pessoa humana à sua própria consciência e à mercê de sua liberdade. Mas ainda carregando no peito as mesmas questões que afligiam nossos antepassados.

O vazio do universo implicou também um vazio de sentido (niilismo) e um vazio de critérios morais para ordenação da vida. Essa é uma das compreensões possíveis da denúncia de Fiódor Dostoiévski: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Eis porque a experiência religiosa tutelada pelas religiões institucionalizadas se esvaziou, mas a busca pelas dimensões da espiritualidade cresce a olhos vistos.

O rebote da modernidade é a chamada pós modernidade – ou hipermodernidade, alta modernidade, modernidade tardia, modernidade radicalizada, modernidade líquida, seja lá como se queira chamar. O tempo se encarregou de desmascarar as pretensões da razão humana e fez as vezes dos profetas e sábios místicos, que sempre insistiram em afirmar que a realidade é distante e profunda, e que o universo esconde mais mistérios do que é capaz de discernir a “vã filosofia”.

O mundo atual se explica mais pelo recrudescimento dos fundamentalismos religiosos do que pela ausência de religião. Em resposta ao relativismo e ao niilismo moderno, a religião ressurge na pós-modernidade com uma força avassaladora.

Ainda que afetado por interesses geopolíticos e econômicos, o conflito entre Ocidente e Oriente não pode ser entendido nem terá solução sem uma clara comprensão das forças e implicações do embate entre o cristianismo e o islamismo como matrizes de sentido para as civilizações que sustentam.

Alguns dos mais relevantes debates contemporâneos, sejam científicos, éticos, políticos ou econômicos, são travados na arena religiosa: criacionismo versus evolucionismo como teoria a ser ensinada nas escolas, o aborto como questão moral ou de saúde pública, os direitos civis dos homossexuais e as controvérsias ao redor das leis contra a homofobia são exemplos recentes de conflitos entre os que acreditam na prosperidade social atrelada ao retorno aos valores religiosos da tradição judaico-cristã contra aqueles que defendem um estado laico e secular.

Assim como em muitos de seus intentos, a modernidade fracassou também em acabar com a religião. A racionalidade científica e o secularismo obviamente não conseguiram provar que Deus não existe, pois Deus não é variável epistemológica, isto é, não é passível de verificação em testes de laboratório. Mas a modernidade conseguiu, ainda que temporariamente, desferir um duro golpe nos representantes de Deus, notadamente as instituições religiosas e seu clero.

A experiência religiosa já não se resume à obediência cega aos dogmas e à hierarquia institucional. A sociedade moderna não abandonou Deus, mas colocou seus intérpretes e seus representantes coletivos sub judice. Deixou de lado as tradições e seus necessários hábitos, costumes e crenças. E partiu para uma viagem pessoal e particular rumo à religião privatizada e a uma experiência de fé à la carte.

As massas decepcionadas com a modernidade e suas promessas voltam a correr para as categorias do sagrado, do transcendente e do divino. Nos países do chamado Terceiro Mundo, a religião nunca saiu de moda. Conceitos como modernidade e pós- modernidade passam longe dos dilemas de quem vive na pobreza e na miséria extrema. Os resultados das últimas pesquisas a respeito do cenário religioso no Brasil indicam que, com sua mensagem que enfatiza o poder do Espírito Santo e a interferência de Deus no cotidiano das pessoas, as igrejas evangélicas crescem sem parar.

Motivados pela busca de solução para seus problemas pessoais e dificuldades de inserção na sociedade, as massas se convertem à esperança prometida pela religião. As pessoas trocam de religião ou de credo em virtude de questões como desemprego, doenças na família, problemas conjugais, perdas significativas e sofrimento intenso, e também e principalmente por solidão e a necessidade de sentido existencial.

Quem não tem para onde correr, corre para Deus. Os que sabem disso e não têm escrúpulos em se aproveitar da fragilidade de quem sofre são protagonistas de um processo nefasto que mantém acesa a fogueira da religião entendida no pior de seus sentidos.

O atual retrato da fé permite a afirmação de que, se é verdade que as instituições religiosas estão abaladas, Deus continua vivo como sempre, e adorado – ou idolatrado – como nunca.

fonte: Valor Econômico

Sobre Deus

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Texto de Rubem Alves publicado originalmente na Folha de S.Paulo

TRÊS HOMENS olham para o horizonte. O sol se anuncia colorindo de abóbora e sangue umas poucas nuvens escuras. Um deles diz: “Vejo, no meio das nuvens vermelhas, uma casa. Na janela, um vulto acena para mim.” O segundo homem diz: “Vejo, no meio das nuvens vermelhas, uma casa. Mas não há nenhum vulto acenando para mim. A casa está vazia, é desabitada.” O terceiro homem diz: “Não vejo vulto, não vejo casa. Vejo as nuvens abóbora e sangue… E como são belas! Sua beleza me enche de alegria!”

Essa é uma parábola metafísica. O primeiro homem vê, no meio das nuvens, um vulto, quem sabe o senhor do universo. Se eu gritar, ele me ouvirá. Para isso há as orações: gritos que pronunciam o Nome Sagrado, à espera de uma resposta.

O segundo vê a casa, mas a casa está casa vazia, não tem morador. É inútil gritar, porque não haverá resposta. É o ateu… E como dói viver num universo que não ouve os gritos dos homens… O terceiro, que não vê nem casa e nem vulto, vê apenas a beleza -que nome lhe dar? Acho que o nome seria “poeta”.

A beleza é o Deus dos poetas. Quem disse isso foi a poeta Helena Kolody: “Rezam meus olhos quando contemplo a beleza. A beleza é a sombra de Deus no mundo.”

Borges relata que, segundo o panteísta irlandês Scotus Erigena, a Sagrada Escritura contém uma infinidade de sentidos. Por isso, ele a comparou à plumagem irisada de um pavão. Séculos depois, um cabalista espanhol disse que Deus fez a Escritura para cada um dos homens de Israel. Daí por que, de acordo com ele, existem tantas Bíblias quantos leitores da Bíblia. Cada leitor vê na Bíblia a imagem do seu próprio rosto.

O teólogo Ludwig Feuerbach disse a mesma coisa de forma poética: “Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que a sua flor é a mais bonita.” Os deuses das flores são flores. Os deuses das lagartas são lagartas. Os deuses dos cordeiros são cordeiros. Os deuses dos lobos são lobos.

Nossos deuses são nossos desejos projetados até os confins do universo. Dize-me como é o teu Deus e eu te direi quem és…

Mosaicos são obras de arte. São feitos com cacos. Os cacos, em si, não têm beleza alguma. Mas, se um artista os juntar segundo uma visão de beleza, eles se transformam numa obra de arte. As Escrituras Sagradas são um livro cheio de cacos. Nelas se encontram poemas, histórias, mitos, pitadas de sabedoria, relatos de acontecimentos portentosos, textos eróticos, matanças, parábolas…

Ao ler as Escrituras, comportamo-nos como um artista que seleciona cacos para construir um mosaico. Cada religião é um mosaico, um jeito de ajuntar os cacos.

Como no caso do labirinto literário de Borges cujos cacos eram peças de um quebra-cabeças que, juntos, formavam o seu rosto, também o mosaico que formamos com os cacos dos textos sagrados tem a forma do nosso rosto. Há tantos deuses quanto rostos há. Assim, quando alguém pronuncia o nome “Deus” há de se perguntar: “Qual?”

foto: Sequelanet

Público é recepcionado por evangélicos no entorno do Rock in Rio

RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 01-10-2011: (Pedro Carrilho/Folhapress, ILUSTRADA).

Felipe Martins, na Folha.com

A multidão que chega ao Rock in Rio para assistir aos shows é recebida por evangélicos de diferentes vertentes. Os religiosos distribuem panfletos com a frase “Um mundo melhor? Só Jesus”.

Integrante do grupo, o motorista Uanderson Ferreira, 32, contou que foi à edição do festival em 2001, mas que agora “encontrou a libertação e um novo caminho”.

“Eu curtia Guns N’ Roses, Red Hot, mas a gente vai se libertando. Eu bebia bastante, tentei me matar, mas eu consegui encontrar o verdadeiro caminho da palavra”, disse.

Os religiosos calculam que 500 pessoas chegaram em oito ônibus de vários bairros do Rio para distribuir os panfletos. O texto exalta “o maior guitarrista do universo: Jesus”.

foto: Pedro Carrilho/Folhapress

dica do Leone Lacerda

alguns comentários no site:

  • Não consigo entender onde uma coisa exclui a outra… Não é possível ir ao Rock in Rio e ir a uma igreja?
  • Não entendo o pq desta discussão!! Sou tanto cristão como tb adoro rock!!
  • Quero ser livre para escolher, sem ter que nadar neste mar de preconceitos em que se transformou o meio evangélico.
  • Estas pessoas apenas mudam de droga, passando a se intoxicar com religião
  • Que tal levar seus panfletos à casa de bispos, pastores, etc, que se locupletam com o dinheiro dos incautos?
  • Para ser cristão ñ necessito abdicar de ouvir musica e ficar só ouvindo Aline Barros. Isso para min é supressão cultural.
  • Vou me juntar com alguns amigos e me postar nas portas das igrejas  divulgando toda música de qualidade contra a porcaria gospel.

como sempre, aparece 1 crente furibundo com as críticas e quase pragueja, mostrando o que transborda em seu coração não tão convertido.

  • A vida dá muitas voltas e talvez quando há uma cama de hospital, um câncer agressivo talvez Deus possa existir nessa hora.