Por que o movimento evangélico naufragou?

Roger Brand, no blog Teologia Livre

Quando o RMS Titanic esbarrou seu casco no Iceberg o seu capitão já vislumbrava o tamanho da tragédia, embora, possivelmente, não conseguisse admiti-la conscientemente, graças à imensa e positiva expectativa daquele empreendimento – o Titanic era um navio “inaufragável”!

Muitos barcos navegam hoje pelo mar religioso sob a bandeira cristã, desde o Catolicismo Romano, até Testemunhas de Jeová, passando pelas igrejas Protestantes, Ortodoxas e tantas outras menores independentes. Todos eles possuem seu valor histórico institucional e se dispõem a ser a resposta para a identidade coletiva proposta pelo fundador do cristianismo.

De fato muitos alegam que Cristo não tenha fundado o cristianismo. Porém ao confrontar as lideranças judaicas de sua época, e ao reunir grupos separadamente daqueles que vinham às sinagogas e templo, Jesus começou a fazer aquilo que de seus próprios lábios ficou chamando “edificar sua igreja”. Sua vida, morte e ressurreição foi uma mudança radical naquilo que se conhecia como judaísmo. Uma nova religião estava fundada – quer gostemos da ideia ou não, quer gostemos do termo ou não.

Passaram-se quase dois milênios até que desse projeto original surgisse aquilo que hoje, no Brasil, chamamos de evangélico (do qual já cheguei alguma vez a fazer parte).

A exemplo da tragédia do Titanic pode-se hoje vislumbrar o rasgo no casco do movimento. No fundo muitos já deram seu jeito de deixar o navio (que foi o conselho sábio de Tuco). Até mesmo quem já esteve no comando em nível nacional da coisa, já pulou fora. A tragédia é inevitável, muitos passageiros a bordo só não conseguem admiti-la conscientemente, graças à imensa e positiva expectativa.

Nessa expetativa fundou-se a Aliança Cristã Evangélica Brasileira. Assim preserva-se aquilo que se teve de original no movimento, como uma ou outra atualização:

  1. insistirem que a Bíblia é inerrante;
  2. acreditarem que foi Deus que criou o mundo e não a evolução;
  3. afirmarem que o casamento é entre um homem e uma mulher;
  4. declararem que só Jesus Cristo salva e que o Cristianismo é a única religião verdadeira;
  5. acreditarem na necessidade da Igreja;
  6. se recusarem a negar qualquer das posições acima.

Assim como outros barcos nesse oceano o Evangelicalismo preserva através da Aliança seu valor histórico cultural. Assim como outros barcos eles navegam como barcos fantasmas ancorados em seu passado institucional. Mas será essa a proposta de vanguarda para quem quer ir mais além?

Pode-se vislumbrar na linha do horizonte algo novo. O que seria esse novo?

O novo paradigma que vem substituindo o velho pode ser intuído, e extraído, da voz de Ricardo Gondim, pastor que até então foi a cara mais representativa do movimento frente à opinião pública, e que recentemente chegou a seu próprio tempo de partir e deixar o arraial. Para Gondim:

  1. O Evangelicalismo está condenado a ser um negócio, uma empresa, vendida às regras capitalistas e do Marketing – Em contraponto a igreja tem o chamado para ser simplesmente uma comunidade fraterna de fé.
  2. O Evangelicalismo está condenado a fomentar o jogo de poder e político tanto interna como externamente – Em contraponto a igreja deve ser a voz profética que não só condena como vive o oposto desse jogo.
  3. O Evangelicalismo é então denunciado por outros setores da sociedade, religiosos ou seculares, por seu charlatanismo e truques de manipulação em nome de Deus – Em contraponto a igreja deveria em nome de Deus ser a agência que promove a justiça, a alegria e a paz.
  4. O Evangelicalismo (fundado originalmente no ultra calvinismo) assume valores deterministas e mutilam as infinitas perspectivas de compreensão da vida, apresentando uma suposta “cosmovisão” pronta e acabada. O tom apologético assume cores inquisitórias – Em contraponto a igreja deve ser o lugar onde a liberdade oxigena os diálogos, os pensamentos, as mentes os espíritos.

O movimento evangélico naufraga por ser um negócio econômico, por seduzir e ser seduzido pelo poder político, por ser objeto de ridículo ao manipular o povo e por colocar viseiras no rebanho. (Não importa se o nome “evangélico” foi sequestrado de seu significado original, ele já fez morada e mandou recado que não voltará mais.)

Resta-nos abraçarmos e catalisarmos o processo de chegada dessa comunidade de fé, que liberta os espíritos e prosseguirmos nossa navegação, se é que desejamos ser salvos.

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Para ensinar como os missionários cristãos sofrem, igreja dos EUA sequestra adolescentes com arma de verdade

Publicado no Blog do Fabiano Caldas

A Glad Tidings Assembly of God church,em Middleton, na Pensilvânia, provocou indignação depois de um exercício de ensino que traumatizou um grupo de jovens e deixou alguns com hematomas físicos.
Uma adolescente de 14 anos de idade, disse que dois homens entraram na sala com armas de fogo,  e levaram os adolescentes para uma van.

“Eles mandaram eu ficar deitada no chão”, disse a menina. “E eu era a primeira pessoa a entrar na van. Amarraram minhas mãos para trás .Eles disseram: ‘faça o que eu digo e voces não vão se machucar”.

O grupo de jovens “sequestrado” foi então levado para a casa de seu pastor, onde parecia que o ministro estava sendo atacado.

A menina mostrou as marcas das contusões que sofreu a partir do evento, e afirma que os homens riram enquanto ela chorava na van.

Apesar das reivindicações dos funcionários da Igreja de que o incidente foi apenas para ensinar os adolescentes como é ser um missionário cristão perseguido, pode haver sérias repercussões para a igreja.

“É realmente muito sério”,disse Dauphin Fran Chardo, primeiro Vice-procurador distrital do Condado , em um relatório separado. “Cárcere privado de uma criança, alguém abaixo da idade de 18 anos, é um crime de segundo grau punível com até 10 anos  na prisão.”

Como  os adolescentes nunca concordaram em participar da “lição”, os oficiais da igreja podem estar em problemas legais para o incidente. O homem que “seqüestrou” os adolescentes era um policial de folga, usando uma arma real, mas descarregada.
No meio de potenciais ramificações legais, Andrew Jordan, o pastor da igreja, disse que ele ainda vai continuar a realizar esta lição , mas aque agora ele vai pedir a autorização dos pais.

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Briga de cachorros grandes

Romeu Prisco, no Direto da Redação

Num dos últimos programas “Domingo Espetacular” (18.03.2012), a Rede Record divulgou longa reportagem, ancorada por Marcelo Rezende, exibindo parte da fortuna do apóstolo Valdemiro Santiago, “dono” da Igreja Mundial do Poder de Deus, auferida graças às contribuições (dízimos) efetuadas pelos fieis daquela seita evangélica. Seriam fazendas e mais fazendas, compondo extensa área de terras, para exploração de atividade agropecuária.

Isso é que se pode chamar de “briga de cachorro grande”. Por trás da citada reportagem está a Igreja Universal do Reino de Deus, do Bispo Edir Macedo, cuja fortuna teve a mesma origem do seu “concorrente”. A Rede Record está fazendo com a Igreja Mundial do Poder de Deus, o mesmo que a Rede Globo já fez com a Igreja Universal do Reino de Deus.

Por sua vez, o sisudo e altissonante pastor Silas Malafaia, “dono” da Igreja Vitória em Cristo, disse que os “donos” daquelas igrejas, Bispo Edir Macedo e apóstolo Valdemiro Santiago, são farinha do mesmo saco, mas, nem por isso, deixa de enfatizar nos seus sermões a necessidade de os “patrocinadores” do seu culto cumprirem as obrigações financeiras.

Também recentemente, o SBT levou ao ar matéria produzida por Roberto Cabrini, abordando a igreja Assembléia de Deus e as pesadíssimas acusações que recaem sobre seu “dono”, apóstolo Marcos Pereira. O missionário R.R. Soares, “dono” da Igreja Internacional da Graça de Deus, valendo-se da sua aproximação com o Bispo Edir Macedo e o Senador Marcelo Crivela, obteve passaporte diplomático, que até os filhos do ex-Presidente Lula tiveram de devolver ! De quebra, com o crescimento da igreja, sustentada pelos fieis através do pagamento de carnês das “mensalidades”, R.R. Soares passou a vender assinaturas de TV a cabo.

Mais “discretos” no momento, porém não menos envolvidos, no passado, em incidentes “monetários”, quando tentaram entrar nos EUA com elevada quantia de dólares, não declarada, estão a Bispa Sonia e o apóstolo Estevam Hernandes, “donos” da Igreja Renascer. Foram presos, processados, condenados e cumpriram pena em regime domiciliar. Centenas de outras igrejas evangélicas de menor porte estão espalhadas pelo país.

Vários são os aspectos dessas igrejas, que chamam a atenção. O primeiro deles é o tratamento dispensado aos seus titulares, ou responsáveis, chamados de “donos”, como se se tratasse de negócios comerciais, autênticos filões do mercado, ainda não totalmente esvaziados. Aliás, esvaziados estão ficando os templos dos outros credos religiosos. Esses “donos” falam descaradamente em nome de Deus, com a maior naturalidade, como se do Senhor fossem procuradores. Suas igrejas ocupam largos e onerosos espaços na televisão, oferecendo aos fieis os mais variados “pacotes” de cura física e espiritual, com direito à vaga eterna no reino divino. Realizam enormes concentrações e marchas, cada vez angariando mais seguidores.

Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que este texto não se refere ao evangelismo propriamente dito, mas sim aos espertalhões que dele se valem para obter rápido enriquecimento, lícito apenas na aparência. Se as suas atividades fossem rigorosamente fiscalizadas pelas autoridades competentes, ver-se-ia que elas se confundem com a prática de estelionato e curandeirismo, fora outros delitos criminais. Entretanto, acontece que o Poder Público prefere as massas anestesiadas e contemplativas, do que as massas lúcidas e reivindicativas. Dão menos trabalho, votam, pagam impostos e não reclamam, na expectativa de manter obediência às recomendações bíblicas.

Sem participarem diretamente da briga, mas, atentos às vantagens que podem ser auferidas pela televisão, estão vários padres católicos, verdadeiros “showmen”, alguns deles despidos da batina, artisticamente produzidos, com “franjinha” no cabelo, cantando, dançando e promovendo a venda dos seus CDs e DVDs. Um padre, este da Igreja Católica Brasileira, de batina e estampa de galã cinematográfico, participou do programa “Superpop”, da RedeTV!, para selecionar candidatas, interessadas em com ele contrair matrimônio ! Foi uma correria de mulheres de todas as idades, proclamando seus dotes morais e exibindo seus atributos estéticos.

Diante de tudo isso, fica difícil duvidar da máxima, segundo a qual “a religião é o ópio do povo”.

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Não me envergonho do evangelho

Ed René Kivitz

Evangelho é a palavra grega que quer dizer “boas notícias”. No mundo do Mediterrâneo, onde Paulo exerceu sua vocação como apóstolo dos gentios, os pagãos, a religião que crescia mais rapidamente era o culto imperial, a adoração a César.

Os imperadores romanos se consideravam deuses e exigiam ser tratados como tais. Ave Caesar morituri te salutant, literalmente: “Salve Cesar, saúdam-te os que morrerão”, era a maneira como os gladiadores honravam o imperador romano antes do combate na arena.

Filho adotivo e herdeiro legal de Julio César, Otávio, que veio a ser César Augusto, foi quem divinizou o título César, acreditando ser filho de deus, príncipe da paz, e único senhor. O Império Romano obrigava o culto aos césares como salvadores divinos da humanidade, pois acreditavam que Roma e seus imperadores haviam feito aquilo que somente os deuses poderiam fazer: trazer a paz e a luz ao mundo. O anúncio de que Roma era a luz do mundo era chamado de evangelho: os arautos romanos percorriam províncias, vilas e cidades anunciando a boa notícia da chegada do domínio de César, o salvador e senhor.

O apóstolo Paulo inicia sua carta aos cristãos de Roma “armando também possuir um evangelho: uma boa notícia, um anúncio a respeito de um salvador e senhor. Mas identifica sua mensagem como “o Evangelho de Deus, o qual foi prometido por ele de antemão por meio dos seus profetas
nas Escrituras Sagradas, acerca de seu Filho, que, como homem, era descendente de Davi, e que mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 1.3,4).

As boas notícias do Evangelho de Deus se resumem em três palavras: poder, salvação e confiança, e se estendem aos confins da terra, pois inauguram um reino universal e atemporal: desde sempre em todo o universo. O legítimo Filho de Deus, Salvador e Senhor é Jesus de Nazaré, que foi morto, mas eis que vive pelos séculos dos séculos. Amém. (Apocalipse 1.18)

Jesus é o Filho de Deus, que venceu a morte, e por isso tem nas mãos o poder de salvar. Isso significa que Jesus é, não apenas, a segunda pessoa da Santíssima Trindade – Deus, o Filho, mas também o primeiro espécime de um tipo de ser humano jamais visto até sua encarnação, morte e ressurreição. Antes de Jesus de Nazaré, todos os seres humanos eram do tipo Adão. Jesus é o último Adão e o segundo homem (1Coríntios 15.45-47).

O primeiro homem, Adão, era apenas figura do que havia de vir, a saber, Jesus Cristo (Romanos 5.14). Por essa razão se diz que Jesus “segundo o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos” (Romanos 1.4).

Somente um homem que tivesse vivido em espírito de santidade, isto é, sem pecado, poderia vencer a morte, pois o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23). Isso explica a afirmação do apóstolo Pedro ao declarar que não era possível que a morte mantivesse Jesus Cristo preso/retido em suas mãos (Atos 2.23,24).

A condição humana mortal se deve ao pecado: por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram (Romanos 5.12).

Jesus Cristo, portanto, venceu a morte por causa de sua vida segundo o Espírito/espírito de santidade. E ao ressuscitar dos mortos é declarado Filho de Deus. Diante do Cristo ressurreto, o Filho de Deus, Adão não passa de um bonequinho de pano.

Jesus Cristo, ressurreto é o primeiro ser humano que atravessou a morte e saiu vencedor, isto é, comeu da árvore da vida, deixada para trás por Adão, no paraíso do Éden. É disso que trata o Evangelho: quem é Jesus e quem somos chamados a ser nEle.

O Evangelho é a boa notícia de que Deus está manifestando, em Cristo, seu poder para nos transformar de bonequinhos e bonequinhas de pano em seres humanos de verdade. O propósito eterno de Deus é que todos os seres humanos sejam conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele, Jesus, seja o primogênito entre muitos irmãos (Romanos 8.28-30).

O evangelho traz consigo a promessa do dia quando todos os seres humanos seremos participantes da natureza divina (2Pedro 1.4) e viveremos a unidade que existe entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (João 17.20-26; 1Coríntios 3.16; Efésios 2.19-22). Os cristãos que viveram nos primeiros séculos depois da era cristã assim compreenderam o Evangelho.

Irineu de Lyon, século II, disse que “Deus se tornou homem para que o homem pudesse se tornar Deus”, e que “o homem está destinado a ser pela graça aquilo que Deus é por natureza”. Basílio de Cesaréia, século IV, acreditava que “o homem é um ser que recebeu a ordem (ou o chamado, digo eu) de se tornar Deus”.

Esse é o Evangelho do qual não nos envergonhamos: o poder de Deus que nos leva não apenas para o céu, mas também, e principalmente, faz de nós homens e mulheres à semelhança de Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor. Ave Christus.

via Informativo Ibab

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