‘A maior eclosão de compulsão gay está no movimento evangélico’, diz ex-ministro presbiteriano

O comediante Danilo Gentili (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
O comediante Danilo Gentili (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Renato Kramer, no F5

Danilo Gentili entrevistou no “The Noite” (SBT) desta segunda-feira (23) o ex-ministro presbiteriano Caio Fábio, hoje líder do Movimento Caminho da Graça.

Polêmico e altamente “sincericida”, Caio Fábio não deixou pedra sobre pedra em suas afirmações sobre o que viu durante a sua longa trajetória em mais de trinta anos de ministério. A entrevista foi longa. Aqui apenas alguns flashes para quem perdeu.

“Eu achava que a comunidade evangélica era alienada como era, era massa de manobra como era porque faltava instrução. Então passei 33 anos ensinando, dos luteranos aos neopentecostais. Criamos até a Associação Evangélica Brasileira pra ver se dava parâmetros de saúde mental para o pessoal, mas descobri que ninguém queria isso”, afirmou Caio Fábio.

“Isso desmonta o circo, a estrutura, a exploração”, continuou o ex-pastor, “instrução ajuda o povo a andar com as próprias pernas. Instrução liberta, tira as dependências desses gurus tiranos sobre a cabeça das pessoas, e isso eles não querem!”, acrescentou enfático, referindo-se a alguns líderes evangélicos. “[Edir] Macedo me abomina, esse povo todo me abomina porque passei a vida tirando as estruturas de poder que eles usam para manipular o povo”, concluiu.

Mas isso foi só o começo. Caio Fábio parecia querer desabafar em rede nacional todo um descontentamento com o que acontece muitas vezes por detrás dos cultos de algumas vertentes evangélicas. Danilo Gentili quis saber o que de mais abjeto o seu entrevistado teria observado nesse universo. “A capacidade que esse pessoal teve de literalmente tirar o cérebro das pessoas”, respondeu Caio Fábio.

“Os evangélicos são burros, é o que você tá falando?”, questionou Gentili. “Ficaram”, replicou Caio Fábio. “Qualquer um fica sob aquele rolo compressor” completou o entrevistado. E ainda comentou: “Eu fiz uma pesquisa sobre você e vi que você já passou por lá, você (Danilo) sabe o poder que aquilo ali tem de fazer mentes tornarem-se amebas”, concluiu com firmeza.

Caio Fábio falou também, entre tantas outras coisas, de como pode ser mal interpretado o “Livro Sagrado” e a sua visão do Velho e do Novo Testamento (“A Bíblia é a mãe de todas as heresias, se você quiser – a Bíblia diz sobre a Bíblia que parte dela já caducou”, afirmou) e desmascarou as “possessões demoníacas” apresentadas em alguns cultos: “Aquilo ali é sugestão, é psiquismo demoníaco aprendido pela cultura neopentecostal – na maioria das vezes é forjamento, têm até possessos contratados”, delatou Caio Fábio.

“Eles me chamam de herege porque eu digo que essas coisas caducaram, porque justamente se caducaram o dízimo já era e eles vivem disso!”, continua Caio Fábio em sua metralhadora giratória. Até que o apresentador lhe coloca numa espécie de ‘saia justa’. “Como você acha que Jesus veria hoje o movimento gay?”, perguntou Gentili de supetão.

Mas Caio Fábio não se fez de rogado, nem tampouco titubeou em responder: “Do jeito que Ele viu nos dias dEle. Nos dias dele tava cheio de gay, o que que Ele fez?!”, devolveu a pergunta para Danilo. “Não sei. O que que Ele fez?”, quis saber o apresentador. “Nada”, respondeu tão simplesmente Caio Fábio. Mas desenvolveu melhor.

“Tava cheio de puta, o que Ele fez? Nada. Tava cheio de canalha, calhorda pra todos os lados, o que Ele fez? Nada. Ele acolheu quem o procurou, não perguntou coisa nenhuma. Isso não estava na pauta de Jesus nem está”, argumentou. “Essa pauta aí é uma pauta moral, é uma pauta ideológica, é uma pauta da fragilidade da religião que introjeta culpa nas pessoas e exacerba o maior movimento de compulsão psicológica justamente para aquilo que eles proíbem”.

E então foi que veio talvez a sua informação mais pitoresca da noite: “Você pegue uma estatística e vá ver onde proporcionalmente nesse país existe a maior eclosão de compulsão gay…não é no Corinthians”, ironizou. “É no São Paulo (FC)?!?”, ajuntou Danilo. “No São Paulo chega perto”, brincou Caio Fábio, “mas nada alcança o movimento evangélico”, concluiu. “Tem muito veado lá?”, perguntou Gentili. “Claro! Uma sociedade que só introjeta pecado vai produzir só tarados! Não tem jeito dos evangélicos melhorarem enquanto eles piorarem o mundo para todos”, sentenciou o líder do Movimento Caminho da Graça.

dica do Moisés Gomes

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Papa excomunga máfia italiana por ‘adoração do mal’

Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia
Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia

O papa Francisco condenou neste sábado a máfia italiana pelo o que chamou de “adoração do mal” em uma missa na região da Calábria.

Publicado na BBC Brasil

A Calábria, no sul da Itália, é considerada a base da organização criminosa ‘Ndrangheta, uma das mais influentes do país. O pontífice também excomungou os gângsteres.

Mais cedo, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com um homem cujo filho de três anos foi morto em um aparente “acerto de contas” envolvendo o não pagamento de uma dívida de drogas.

Durante seu discurso, o papa criticou repetidamente o crime organizado e a corrupção.

Em frente a centenas de milhares de pessoas, ele descreveu a ‘Ndrangheta como “adoração do mal e do desprezo do bem comum”.

“Aqueles que em suas vidas seguem o caminho do mal, como os mafiosos, não estão se comunicando com Deus”, disse o papa, de acordo com a agência de notícias Reuters. “Eles estão excomungados”.

Encontro com prisioneiros

A ‘Ndrangheta é composta por uma rede de pequenas organizações criminosas no sul da Itália que domina o comércio de cocaína do país.

Trata-se de uma das mais poderosas máfias da Itália, ao lado da siciliana Cosa Nostra e da napolitana Camorra.

Papa visita Calábria | Crédito: Getty
Papa cumprimentou fiéis após missa na Calábria, no sul da Itália

Na manhã deste sábado, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com familiares presos de “Coco” Campolongo, um menino de três anos que foi assassinado junto de seu avô na Calábria.

“Nenhuma outra criança deve sofrer dessa maneira novamente”, afirmou o pontífice.

O argentino também se encontrou com centenas de outros prisioneiros da penitenciária de Castrovillari, muitos dos quais foram condenados por crimes relacionados à atuação na máfia.

Segundo a agência de notícias AFP, muitos dos prisioneiros choraram quando foram cumprimentados pelo papa.

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Grupo multirreligioso de juristas é criado para combater intolerância

Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. - Divulgação
Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. – Divulgação

Advogados irão agir conjuntamente em casos de denúncias de discriminação

Juliana Prado, em O Globo

RIO – Representantes de várias religiões decidiram criar um grupo de juristas para defender fieis das mais variadas matizes de casos de preconceito e intolerância. A decisão foi anunciada por integrantes de Igreja Católica, Umbanda, Candomblé, Budismo, Islamismo e Judaísmo. O grupo foi recebido num templo de candomblé, localizado no Bairro de Bonsucesso, na Zona Norte, nesta segunda-feira. A ideia surgiu depois que o juiz Eugênio Rosa, da Justiça Federal, afirmou, em sentença emitida a um pedido de liminar, que umbanda e candomblé não são religiões.

A polêmica ainda não se encerrou, já que está em andamento um processo em que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e a Associação Naconal de Mídia Afro pedem a retirada da internet de 16 videos ofensivos à umbanda e ao candomblé. Na última sexta-feira, o grupo teve uma vitória parcial, depois que o desembargador Roy Reis Friede determinou, via liminar, que o Google retire o material do ar sob pena de pagamento de multa de R$ 50 mil diários. No entanto, a decisão final sobre o mérito do processo cabe ao mesmo juiz, que já negou esse pedido no início do processo.

O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, representante do candomblé, celebrou o caráter “inédito” da criação do grupo de advogados para defender os direitos das manifestações religiosas – tenham elas o cunho que tiverem. Ele conta que a ideia surgiu de uma conversa com representantes da Igreja Católica e começou a ganhar força nas últimas semanas. O grupo também irá acompanhar o desenrolar do atual processo na Justiça Federal.

- Vamos manter a mobilização e nossa ofensiva junto ao Judiciário. Com o grupo, começaremos a monitorar outras agressões e casos de preconceito que possam surgir. Finalmente, poderemos agir de forma unida – afirma Ivanir, emendando, ainda, que a investida de se reunir juristas em torno de várias crenças é inédita “no mundo”.

A tentativa das lideranças é mais ambiciosa e terá um obstáculo pela frente: trazer para o debate sobre intolerância religiosa representantes dos evangélicos, que ainda não sinalizaram positivamente neste sentido. Alguns dos vídeos acusados de desrespeitar umbanda e candomblé – e alvos do processo judicial em curso – têm como cenário, justamente, templos neopentecostais. Ivanir dos Santos declarou que já se abriu uma porta ao diálogo com algumas lideranças, mas ainda não houve avanço em definitivo. Ele sustenta que, com a decisão liminar do desembargador, as esperanças de uma vitória final na justiça aumentam.

- Com a decisão do desembargador uma luz se acendeu. Mesmo com o processo voltando para o mesmo juiz, acreditamos que temos uma chance grande de sairmos vitoriosos. Não somos contra a liberdade de expressão, mas contra o ódio e o preconceito (que seriam expostos nos vídeos).

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Gustavo Mendes, a Dilma da internet, é retirado do palco durante show em Búzios (RJ) por causa de piada “religiosa”

Comediante foi retirado do palco durante um show em Búzios (RJ), neste domingo, (15) e alega ter sido agredido verbalmente

Gustavo Mendes como Dilma Rousseff
Gustavo Mendes como Dilma Rousseff

Gabriel Marchi, no Virgula

Gustavo Mendes, comediante conhecido pela sátira da presidenta Dilma Rousseff, foi retirado do palco durante um show em Búzios, Rio de Janeiro, neste domingo (15). O humorista se apresentou com o espetáculo de stand-up Mais que Dilmais no festival Búzios Love, que comemorava o Dia dos Namorados.

Ele alega ter sido agredido verbalmente nos bastidores por Robson Motta, Secretário Adjunto de Governo do prefeito André Granado (PSC), e fisicamente por um funcionário não identificado do staff da prefeitura.

De acordo com Gustavo, foi uma piada envolvendo religião que motivou as agressões. Na brincadeira em questão, Gustavo brincava com o fato de uma antiga proibição de venda de bebidas alcoólicas em festas religiosas, dizendo que “foi Jesus quem transformou água em vinho”.

Neste momento, o empresário de Gustavo foi notificado por funcionários da prefeitura que ele deveria deixar o palco. Nos bastidores, houve discussão e Robson o teria xingado. Na sequência, um funcionário da prefeitura, não identificado, deu um chute no humorista.

Sob vaias da plateia, Robson discursou contra o conteúdo do espetáculo de Gustavo. “Quero pedir desculpas aos familiares aqui presentes a intenção nossa era trazer cultura, mas de forma respeitosa para a família da cidade. O povo de Búzios não pode compactuar com essa sacanagem, temos que respeitar a comunidade católica”, disse, sob protestos e gritos de “censura!” de presentes.

Em nota, a Prefeitura de Búzios alega que pediu ao artista, previamente, “cuidado especial com o texto teatral para que fosse apresentado em praça pública”, por “se tratar de um show inserido em um evento de uma comunidade religiosa”.

Também em nota oficial, Gustavo argumenta que não foi informado de que o espetáculo estaria inserido em uma comunidade religiosa, e que a prefeitura tampouco pediu alterações no texto. Ele acrescenta ainda que quaisquer alterações caracterizariam “censura prévia” e que o ator “não aceitaria” participar do show nestas condições. Gustavo não registrou Boletim de Ocorrência – de acordo com sua assessoria de imprensa, ele e sua equipe deixaram a cidade com medo de maiores retaliações.

Assista ao vídeo do momento:

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Eu acredito no diabo

Ricardo Gondim

charge: Orlandeli
charge: Orlandeli

O diabo se tornou relevante. Hoje, como na Idade Média, fala-se muito nele. Com sua súbita ascensão, o Querubim Caído continua a pintar e bordar. Ele suga a fé, derruba figuras proeminentes, infiltra-se em redes de televisão, envia praga, fura pneu de carro, provoca terremoto, mata crianças e enferma idosos com doenças terríveis. Alguns círculos responsabilizam o Coisa Ruim por controlar municípios, respeitando, inclusive, fronteiras geográficas. Se na teoria, ele não passa de um anjo, na prática, Lúcifer compete e ganha de Deus.

Devido ao novo momento de popularidade do Grande Vilão, muitos identificam sua tristeza como resultado de artimanhas infernais. Para alguns, quando duvidam: o Capiroto mandou a incerteza. Como enorme tela, em Satanás se projetam todos os males do mundo. Os círculos religiosos mais conservadores acreditam mesmo que a existência está controlada, guiada, dominada, manipulada e organizada por Belzebu.

Dá para compreender a súbita importância de um anjo caído. Como se levantaria dinheiro nas igrejas se ele não fosse a estrela no show da fé? Como televangelistas inculcariam pavor nas pessoas se não revelassem um tinhoso tão medonho? Como poderosas multinacionais da fé subsidiariam projetos se o demo não ostentasse tamanha força? Religião que usa o mal como eixo de sua espiritualidade carece de uma figura mitológica arrasadora. Entretanto, igreja que não pode prescindir de ameaças se tornou uma ameaça. Ética que só tem relevância rodopiando em Satanás não é ética, apenas oportunismo.

Nem é preciso discutir a existência metafísica de uma entidade maligna que compete com Deus; a badalação já é suspeitosa. Nenhuma espiritualidade humana pode se deixar definir pela maldade. Integridade nunca vem do pavor de que Deus faça vista grossa – ou use de sua vontade permissiva – para que demônios devorem pessoas desobedientes.

Me perguntam se acredito em Satanás. – Sim, respondo rapidamente. Eu o tenho como espantalho alegórico ou metáfora angelical. Reconheço: o esforço de creditar-lhe todas as mazelas é interessante, já que assim nos absolvemos de todos os crimes. Não nego a maldade. Sei que existe perversidade por todos os lados. Todavia, nenhum ser sobrenatural, transcendental ou fantasmagórico seria capaz de imitar a iniquidade de homens e mulheres, quando se comportam como demônios.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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