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Cicarelli de Rio das Ostras dava aulas de catecismo e já foi evangélica

Wanderleia participava de encontros de casais Foto: Fábio Guimarães / Extra

Wanderleia participava de encontros de casais Foto: Fábio Guimarães / Extra

Andrea Machado e Paula Fernandes, no Extra

Quem assiste ao vídeo de Wanderlea dos Santos Silva, de 41 anos, “namorando” dentro d’água no carnaval, não imagina que, no passado, a “Cicarelli de Rio das Ostras” dava aulas de catecismo na Igreja São Francisco de Assis, perto de onde mora, no bairro Vale do Ipê, em Belford Roxo.

— A igreja foi fundada no ano em que nasci. Meu pai, minha mãe e meus tios ajudaram a construí-la. Por volta de 1988, dei aulas de catecismo para crianças de 8 a 10 anos. Falava com eles sobre Deus, lia a Bíblia e ensinava a rezar — conta Wanderlea, que durante alguns anos frequentou uma igreja evangélica mas, há pouco tempo, voltou às origens católicas para felicidade da família.

E não era só para crianças e adolescentes que Wanderlea, mãe de três filhos, dava aulas de religião… Durante alguns anos, a dona de casa também participou de grupos de família e encontro de casais na paróquia.

Advogado é Deus

Preocupada com a fama repentina, Wanderlea teme perder a guarda dos filhos, gêmeos de 9 anos. A filha de 19 — que mora em Rio das Ostras — nem quer papo com ela por causa das cenas escandalosas na praia.

— Minha filha nem quer falar mais comigo. E nem sei como será amanhã, com meus filhos voltando para a escola, porque os amiguinhos deles me conhecem. Pedi ao meu Deus para cuidar de mim, porque só ele pode ser meu advogado neste momento — reflete.

Na vizinhança, Wanderlea já caiu na boca do povo. Basta andar pelas ruas próximas à sua casa para ouvir: “Estão procurando a taradona?” ou “Se aquilo não era sexo, era o quê?”. Enquanto o tema está entre os mais comentados por ali, a dona de casa parece buscar inspiração no cantor Jair Rodrigues: prefere deixar que digam, que pensem, que falem…

— Já me chamaram até de vagabunda, mas não ligo para isso. Estou controlada por causa do meu marido, que está me dando apoio. Meu pai também me apoia, mas ele está chateado com tudo o que estão fazendo contra mim e falando.

O companheiro, Johne Max Geraldo dos Santos, de 38 anos, por sua vez, não demonstra ciúmes ao ouvir as declarações da amada. Porém, manda um recado aos que andam fazendo comentários maldosos sobre ele e Wanderlea.

— É fácil falar, difícil é ser eu. Quero ver pagar minhas contas. Sou um cara muito tranquilo, não vou dar ouvidos a isso, já falei para ela fazer o mesmo — diz Max (como prefere ser chamado), antes de soltar mais uma frase de efeito: — Falem mal, mas falem dela. Vou saber amanhã (hoje) como será a reação no trabalho. Podem falar à vontade, não vou me preocupar — antecipa ele, que trabalha numa transportadora.

‘Essa armação é coisa de homem recalcado’

Para Wanderlea, essa confusão toda que aconteceu em Rio das Ostras não passa de “armação de homem recalcado”. Ela conta que, assim que chegou à praia, foi comprar cerveja num quiosque. Lá, então, foi abordada por um rapaz que a convidou para beber. Ela recusou.

— E esse cara é o tal Rafael que testemunhou contra mim. Ele me chamou para tomar cerveja, mas eu não dei ideia. Homem quando leva um fora… Essa armação é coisa de homem recalcado, ele quis se vingar de mim. Acho que tudo foi uma armação dele com o Léo — acusa a $de casa, referindo-se ao homem com que teria dado uns amassos na água.

Olhar 43

Wanderlea conta que sempre fez muito sucesso com os homens e que, talvez, por isso atraia a inveja das pessoas.

— As pessoas têm inveja. Sempre foi assim. Sou muito carismática. dizem que sou atraente — confidencia.

Seu olhar é o que mais chama atenção, segundo a própria. Como explicar esta fórmula de sedução?

— Sou uma mulher bonita para a minha idade, sou muito conservada.

Os limites da pregação religiosa

Para o padre Anísio Baldessin, é melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso

Aline Viana, no iG

A situação é difícil: um colega de trabalho descobre uma doença grave ou perde um ente querido. A intenção é boa: o primeiro consolo que lhe vem à cabeça é de cunho religioso. Mas pode ser ofensivo “evangelizar” alguém neste contexto. E em outros contextos também.

Quem nunca ouviu que religião, política e futebol não se discutem? “Na verdade, esses assuntos não se condenam. Não tenho como julgar a escolha do outro, apenas me cabe respeitá-la”, redefine Janaína Depiné, coach em relacionamentos e especialista em etiqueta.

Para Janaína, os atritos ocorrem quando se desrespeita o direito do outro de pensar diferente ou se fica preso a uma interpretação literal de uma escritura. “Jesus pregava para leprosos e prostitutas. Por isso é estranho ver alguns pastores evangélicos condenando os homossexuais. Mesmo que o Antigo Testamento condene a prática do homossexualismo, a Bíblia também diz para respeitar todos”, pontua Janaína.

Junto ao respeito, há a questão da oportunidade. Por mais que se queira levar a palavra de Deus, Jeová, Ogum, Maomé, etc. a todos, existem hora e lugar certos para fazer isso.

“Usamos muito a expressão ‘a pessoa tal é uma pessoa de Deus’ porque não precisa pregar, as atitudes falam por si mesmas”, observa o padre Anísio Baldessin, autor do livro “Entre a Vida e a Morte: Medicina e Religião” (Editora Loyola). “É melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso, porque se o outro se sentir agredido jamais ficará interessado em conhecer mais sobre a sua religião”, concorda Janaina.

Intolerância ao pé da letra

Paulo Vinicius passou por uma saia justa incomum no velório do pai: em vez de confortá-lo, membro da igreja que ele deixara de frequentar ignorou-o
foto: Gustavo Magnusson/ Fotoarena

No velório do próprio pai, o auxiliar judiciário Paulo Vinicius Mendes Ananias, 29, se sentiu agredido pelo comportamento de um irmão de sua antiga igreja. Ele tinha sido Testemunha de Jeová e, segundo as leis da igreja, os fiéis não podem mais manter contato com quem se afasta.

“No velório do meu pai, estávamos eu, minha mãe e a minha namorada. Chegou um irmão da igreja e cumprimentou todo mundo, menos eu. Apertou a mão da minha mãe, dos outros e passou direto por mim. Só tinha eu de filho lá na hora. E ele é um ancião, uma figura de autoridade da igreja. Eu me senti humilhado e mais triste do que já estava”, relembra Paulo.

Ele pontua que nem todos os religiosos agiram assim na ocasião. “Havia outras pessoas da igreja que me cumprimentaram, conversaram e tentaram me confortar. Mas foi justamente com aquele que não me cumprimentou que eu tive um relacionamento mais próximo, porque foi ele quem me passou os ensinamentos da religião quando eu era criança”, conta. “Hoje eu não vou mais a nenhuma igreja porque não acredito mais em nada.”

O que não fazer

Sugerir um momento de oração em local de trabalho ou de estudo pode ter a melhor das intenções, mas sair pela culatra e criar um clima de isolamento para quem não quer participar. Se uma única pessoa se sente constrangida ou desconfortável, é melhor respeitar e deixar a prática para outro momento.

Dar presentes de cunho religioso sem conhecer bem o outro também é arriscado. Se a pessoa não comunga da mesma fé, pode se ofender.

Convites para cultos também devem ter contexto adequado. Esteja pronto para ouvir um “não”. “O próprio Jesus Cristo sempre propôs: ‘se você quiser me seguir’, ‘se você quiser entrar no Reino dos Céus’…”, diz o padre Anísio.

Mas se uma pregação fora de hora ou de lugar ofender, não responda. Uma discussão não vai mudar a opinião do outro, nem torná-lo mais tolerante. Se isso acontecer, será por meio de um processo mais longo, não de um bate-boca.

Que deselegante!

A ex-primeira-dama Rosane Collor , em entrevista à edição de maio da revista “Marie Claire”, disse que a atual mulher do ex-marido, Caroline Medeiros, foi punida por Deus por ter lhe roubado Fernando Collor. Segundo Rosane, essa é a razão de uma das filhas gêmeas do ex-presidente com Caroline ter nascido com problemas de saúde.

Além de deselegante, a declaração não encontra respaldo no próprio pensamento religioso. “Deus não conserta um erro com outro erro. No Antigo Testamento, pensava-se que doença era um castigo. Mas no Cristianismo é inconcebível que os pais cometam um erro e que os filhos paguem por ele”, diz o padre Anísio.

Segundo Anísio, as dificuldades da vida serão as mesmas para os fiéis de qualquer religião – e para quem não tem nenhuma. “Ter ou não ter uma religião não livra da doença, do desemprego. E religião não é para resolver o problema de ninguém, mas sim para pôr Deus em contato com as pessoas”, conclui.

dica do Fábio Davidson

Comunidade religiosa isolada do México impede ensino laico

 Há uma semana, membros a favor e contra a escola tem se enfrentado Foto: Raúl Tinoco/El Universal
Há uma semana, membros a favor e contra a escola tem se enfrentado

Elisa Martins, em O Globo

CIDADE DO MÉXICO — Num povoado de Turicato, município do estado mexicano de Michoacán, no Sudoeste, é proibido jogar futebol, ver televisão e ler jornais. O dia a dia dos moradores de Nova Jerusalém, comunidade religiosa fundada em 1973, é dedicado à fé. Nos últimos meses, no entanto, a intolerância tem dominado o cotidiano dos habitantes.

Na última segunda-feira, enquanto 27 milhões de jovens voltavam às aulas com o fim das férias de verão no México, os de Nova Jerusalém foram impedidos. Na porta de uma casa improvisada como escola, fiéis fecharam o acesso dos alunos, em protesto contra a educação laica na região. Criticaram o uso de uniforme em vez da vestimenta tradicional e se enfrentaram a golpes com os pais que insistiam em deixar os filhos na unidade. O conflito já dura uma semana e expõe a disputa de poder entre dois grupos antagônicos.

Nas ruas, o fundamentalismo religioso divide espaço com a pobreza. A maioria dos moradores vive da plantação de cana-de-açúcar. A prefeitura de Turicato diz que os habitantes recusam serviços básicos, como eletricidade e pavimentação, em nome do isolamento.

São determinações seguidas desde a fundação do povoado há 39 anos, quando uma anciã teria testemunhado uma aparição da Virgem do Rosário. Ela teria indicado ao pároco que criasse uma “comunidade divina”. O pároco, autodenominado Papai Nabor, governou o local com mão de ferro até sua morte, em 2008. Seu sucessor, um homem que se fazia chamar por “San Martin de Tours”, não teve a mesma aceitação. O movimento religioso, não reconhecido pela Igreja, rachou. Hoje, dos 2.100 habitantes de Nova Jerusalém, estima-se que quase a metade seja de dissidentes que, apesar de compartilharem a religião, discordam do radicalismo, por um melhor futuro para os filhos.

A educação sempre foi responsabilidade dos religiosos tradicionalistas em Nova Jerusalém. A primeira escola laica só foi erguida em 2007, mais de 30 anos depois da fundação da comunidade, por insistência dos governos municipal e estatal. A partir daí, os conflitos aumentaram. Em agosto de 2011, os tradicionalistas ocuparam as escolas e, em julho deste ano, queimaram uma por “orientação divina”. Seguidores de Martin de Tours fazem plantões para impedir os acessos a elas.

- Os governos estaduais nunca submeteram essa comunidade ao marco legal. Parece haver outros interesses envolvidos – contou ao GLOBO Efraín Barrera, porta-voz da prefeitura de Turicato. – Essa comunidade costuma garantir ao menos 700 votos ao Partido Revolucionário Institucional (legenda do governo e do presidente eleito).

O estado garante que as aulas serão retomadas em Nova Jerusalém na próxima segunda-feira “de qualquer maneira”. Mas as alternativas, como transferir os alunos a escolas de cidades próximas, foram recusadas pelas famílias dissidentes.

Os dissidentes deram um ultimato ao governo: se as aulas não forem retomadas até segunda-feira, atuarão por conta própria. Nos bastidores, há temor de recrudescimento de uma espécie de guerra santa moderna que tradicionalistas, dissidentes e autoridades não conseguem resolver.

foto: Raúl Tinoco/El Universal

dica do Ailsom Heringer

“Religiosa cantando no plenário e divulgando sua crença maluca”


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Em junho do ano passado aconteceu na Câmara uma homenagem ao centenário das Assembleias de Deus. O plenário transformou-se em congregação e a deputada (e cantora) Lauriete mandou um Grandioso és tu na sua versão que dispensa comentários.

Nesta semana, o “Universo ateu” postou novamente o vídeo no YouTube e já teve quase 45 mil cliques e + de 1.200 comentários indignados. Abaixo, o texto-protesto deles:

“Religiosa cantando no plenário e divulgando sua crença maluca,
um total desrespeito ao povo brasileiro que paga o salário desses palhaços ridiculos.  Brasil, vergonha mundial, estão querendo transformar o governo em mais uma igreja corrupta que vive do dinheiro dos ignorantes”.

dica da Isabel Dias Heringer

Quem tem razão? Homenagens a, por exemplo, Allan Kardec e Iemanjá podem ocupar o mesmo espaço? Essa é a melhor contribuição da bancada evangélica ou apenas uma ilustração de seu corporativismo e irrelevância?

 

Brasileira do futebol lidera evangélicos na igreja da Vila, que tem até pastor

Gustavo Franceschini*, no UOL Esporte

A Vila Pan-Americana tem lugares de convivência, de relaxamento, de lazer e de… oração. O espaço ecumênico do local que abriga a maior parte dos atletas que estão em Guadalajara atende também aos evangélicos. Ketlen Wiggers, do futebol feminino, é uma das líderes de um grupo que, segundo ela, reúne fieis de vários países e conta até com um pastor das “Atletas por Cristo”.

A jovem de 19 anos é uma das mais fervorosas. Em seu Twitter, ela já falou sobre bandas gospel, orações que recebeu de um colega e sobre a experiência na Vila. “Cheguei da igreja, foi bênção. Tremendo mesmo. O melhor é saber o que Deus faz com as outras pessoas”, disse a atleta.

“É sempre muito legal. Tive essa experiência pela primeira vez na Universíade, na China, neste ano. Nós tínhamos perdido para as chinesas, estávamos meio chateadas e fomos na igreja. Acabamos encontrando as meninas [para quem perderam] lá e ficamos amigas”, disse Ketlen, após a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Costa Rica, na última quinta-feira.

A jogadora foi acompanhada de algumas companheiras de time. Renata Diniz, Thais e Beatriz também já passaram na reunião, que envolve atletas de outros países. “Nós vimos muita gente do México ontem. Também tinha um pessoal do atletismo da Colômbia”, conta Ketlen, sem poupar elogios ao clima encontrado no local.

O responsável por tanto é um pastor da Atletas por Cristo. Trata-se de uma entidade religiosa internacional que está sempre presente em grandes eventos esportivos para fornecer amparo religioso para esportistas que estão em atividade. Entre os adeptos do grupo, que não compõe uma igreja evangélica, o mais famoso é o meia Kaká, do Real Madrid, que já foi fiel da Igreja Renascer, no Brasil.

*Colaborou Alexandre Sinato

foto: Marty Melville/Getty Images

dica do Leone Lacerda