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Bispos da Record deixam barba crescer para pagar promessa

Com barba espessa e longa, o bispo Edir Macedo visita obras do Templo de Salomão no último dia 29

Com barba espessa e longa, o bispo Edir Macedo visita obras do Templo de Salomão no último dia 29

Daniel Castro, no Notícias da TV

Barba está na moda na Record. Desde que o dono da emissora, o bispo Edir Macedo decidiu cultivar uma comprida barba, há cada vez mais barbudos na Record. A “moda” tem adeptos principalmente na alta cúpula da rede e segue uma motivação religiosa: trata-se de um “voto” a Deus pelo término das obras do Templo de Salomão, obra faraônica da Igreja Universal na zona leste de São Paulo.

Vice-presidente artístico e de programação da emissora, o bispo Marcelo Silva aderiu ao novo visual. Mesma iniciativa teve seu antecessor no cargo, o também bispo Honorilton Gonçalves, que atualmente faz pregações na Bahia. Também estão cultivando barba o vice-presidente de jornalismo, Douglas Tavolaro, e o vice-presidente executivo, Marcus Vinicius Vieira.

O “voto” é na Igreja Universal o equivalente à promessa na Igreja Católica. A construção do Templo de Salomão está saindo caro para a Record. Segundo fontes na emissora, por causa do investimento na obra, a Igreja Universal reduziu o aporte de dinheiro na Record, levando a cortes de gastos de produção, terceirização de serviços, redução de salários e demissão de mais de 1.000 funcionários.

Em construção desde 2010, o templo é uma réplica ampliada da lendária igreja construída pelo bíblico rei Salomão em Jerusalém, há mais de 2.500 anos, com o interior e o altar cobertos de ouro.

O templo de Edir Macedo está sendo erguido no bairro do Brás, na zona leste de São Paulo. Com 74 mil metros quadrados de área construída e 56 metros de altura, o equivalente a um prédio de 18 andares, comportará 10 mil pessoas sentadas. Será maior do que a Catedral da Sé, em São Paulo, e duas vezes mais alto do que a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

O projeto da igreja segue “orientações bíblicas” e incorpora elementos para “resgatar a atmosfera da época vivida por Salomão”, como madeira, pedra e cobre, que “serão usados em larga escala na área da nave”. Edir Macedo decidiu não revestir seu templo com ouro, mas importou pedras de Israel.

O templo já tem 86% das obras concluídas. A inauguração será neste ano _com fé em Deus e na barba dos bispos da Record.

O bispo Marcelo Silva, novo todo-poderoso da Record, fala no lançamento da programação de 2014, em março

O bispo Marcelo Silva, novo todo-poderoso da Record, fala no lançamento da programação de 2014, em março

dica do Fernando Passarelli

Doleiros usam igrejas para ‘lavar’ dinheiro

Doleiros usam imunidade tributária conferida por lei a templos religiosos para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal.

André Guilherme Vieira, no Valor Econômico [via Unisinos]

foto: internet

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As igrejas contam com uma condição fiscal privilegiada no Brasil. A Constituição estabelece no artigo 150 que é vedado à União, Estados, Distrito Federal e municípios, instituir impostos sobre templos de qualquer culto. A proibição compreende patrimônio, renda e serviços relacionados às finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que “templo” não está restrito ao espaço físico do culto religioso, compreendendo o conjunto de bens da organização religiosa, que devem estar registrados como pessoa jurídica.

“O uso de ‘templos de fachada’ ou ‘igrejas-fantasma’ está se disseminando no país”, alerta o desembargador federal Fausto Martin de Sanctis, especializado no combate a crimes financeiros e à lavagem de dinheiro. O magistrado, autor de livros sobre o tema no Brasil e nos Estados Unidos, destaca que a condição tributária singular franqueada às igrejas tornou-se um expediente eficaz para abrigar recursos de procedência criminosa, sonegar impostos e dissimular o enriquecimento ilícito: “É impossível auditar as doações dos fiéis. E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado. É grave”, conclui Sanctis.

Doações de organizações religiosas a partidos políticos são proibidas pela legislação. Elas podem significar cassação do diploma ou indeferimento da candidatura. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou convênio com a Receita e a Polícia Federal (PF), para agilizar punições quando detectadas operações de caixa dois e outros ilícitos: “Sempre nos preocupamos com essa forma de doação, porque, além de criminosa, desequilibra a corrida eleitoral”, diz o juiz assessor da presidência do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marco Antonio Martin Vargas. “Agora há maior facilidade de aferição de recursos, por conta do cruzamento com dados das declarações de imposto de renda”, assinala Vargas. Ele salienta que a colaboração da sociedade é fundamental para reprimir o fluxo de valores não contabilizados e a lavagem de dinheiro. ” A doação ilegal existe, claro. E aquele que recebe por caixa 2 corre por fora da declaração de arrecadação e gasto”.

Na opinião do procurador da República em São Paulo, Silvio Luís Martins de Oliveira, que investigou e denunciou criminalmente responsáveis pela Igreja Universal do Reino de Deus por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e estelionato, é preciso refinar a fiscalização sobre atividades financeiras de entidades religiosas: “Eu acho que se a igreja cumpre um papel social, tudo bem quanto ao tratamento fiscal diferenciado. Mas quando começa a virar empresa de telecomunicações, fazer doações a políticos, aí é preciso refrear”. Segundo o procurador, o mecanismo utilizado em templos destinados à lavagem de dinheiro continua sendo o sistema paralelo conhecido como dólar-cabo, embora, algumas vezes, também envolva a compensação bancária: “Costuma ser um doleiro de confiança que busca ajuda de casas de câmbio, pois a quantidade de cédulas é enorme. É o que chamam de ‘dinheiro sofrido’, porque o fiel costuma pagar o dízimo com notas amassadas”, esclarece.

Uma das lideranças mais polêmicas da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), discorda que falte fiscalização às doações realizadas às igrejas: ” Essa citada falta de fiscalização é questão de ponto de vista. Se o legislador após longo debate na Assembleia Nacional Constituinte isentou as instituições religiosas de impostos, nada mais fez do que atender aos anseios da maior parte da sociedade”, pondera.

O número de igrejas e templos abertos no país segue em crescimento, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. São 55.166 organizações religiosas em atividade em 2014, contra 54.402 no ano passado e 46.010 em 2012. Crescimento de 18,24% na variação entre 2012 e 2013, e de 1,4% na comparação deste ano com 2013. O número de entidades religiosas já é maior que o de sindicatos (33.837) e que o de cooperativas (40.196).

O estudo “Religião e Território” (2013), dos pesquisadores Cesar Romero Jacob, Dora Rodrigues Hees e Philippe Waniez, indica expansão exponencial dos chamados “evangélicos não determinados”. Eles passaram de 580 mil no ano 2000 para impressionantes 9,2 milhões em 2010. Os evangélicos de missão cresceram de 6,9 milhões para 7,6 milhões no mesmo período, enquanto os evangélicos pentecostais passaram de 17,6 milhões para 25,3 milhões em dez anos.

Seguiu engessado por quase um ano na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, Projeto de Lei Complementar (PLP) que suspenderia a imunidade tributária de templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e de instituições educacionais e de assistência social sem fins lucrativos. Mas a proposta foi retirada pelo próprio autor, deputado Marcos Rogério Brito (PDT-RO): “Foi o partido que me pediu para reapresentar o projeto, que originalmente teve outro deputado como autor, Gustavo Fruet (PDT) [atual prefeito de Curitiba]. Mas demandaria modificar a Constituição, então teria de ser pela via da emenda constitucional. Por isso retirei”, explica.

O parlamentar nega ter havido pressão para o descarte da proposta e afirma considerar a possibilidade de reconfigurar a ideia nos moldes de uma PEC. Mas diz que o estudo ainda não foi concluído pela área técnica da Câmara. No entanto, Brito diz que, pessoalmente, é favorável à imunidade tributária “para igrejas, partidos políticos, jornais e revistas”.

A manutenção da condição ímpar de isenção fiscal a que as entidades religiosas foram alçadas pela Constituição, é defendida intransigentemente pela bancada evangélica da Câmara dos Deputados, que conta com 73 parlamentares eleitos em 2010 e vem ganhando representatividade a cada nova legislatura. O deputado Marco Feliciano declara-se “visceralmente” a favor da imunidade fiscal aos templos, em nome da ‘liberdade religiosa’. Sobre o uso das casas religiosas para práticas de moral e legalidade questionáveis, Feliciano faz uma alusão indireta a entidades católicas: “Se partirmos do pressuposto que uma entidade não deve ter tratamento especial pela possibilidade de malfeitores se aproveitarem, por analogia o mesmo princípio se aplicaria às Santas Casas e Universidades mantidas por Fundações sem fins lucrativos”.

dica do Gerson Caceres Martins

“Mostramos Jesus de calça jeans e não de fraldas”, diz diretor de ópera rock

Em meio às criticas de religiosos, "Jesus Cristo Superstar" estreia nestas sexta-feira (14), no Teatro Tomie Ohtake (foto: Divulgação)

Em meio às criticas de religiosos, “Jesus Cristo Superstar” estreia nestas sexta-feira (14), no Teatro Tomie Ohtake (foto: Divulgação)

Publicado no UOL

A versão brasileira do espetáculo “Jesus Cristo Superstar” estreia no próximo dia 14 de março em meio a polêmicas com religiosos, quarenta e três anos após o lançamento da obra original nos EUA com letras de Tim Rice e música de Andrew Lloyd.

A Associação Devotos de Fátima recentemente publicou em seu site oficial uma petição endereçada à Ministra da Cultura Marta Suplicy para impedir a estreia do espetáculo no Teatro Tomie Ohtake, sob a alegação de que “não se pode promover com o dinheiro dos contribuintes atentados contra a fé dos brasileiros sob pretexto de promover a cultura”. A petição já conta com mais de 32 mil assinaturas e busca chegar ao número de 50 mil. Com produção da gigante do entretenimento nacional T4F, “Jesus Cristo Superstar” teve captação de recursos via Lei Rouanet.

Com Igor Rickli no papel do protagonista, Negra Li como Maria Madalena e Alírio Netto como Judas Iscariotes, a clássica peça de ópera-rock aborda a última semana de vida de Jesus Cristo na Terra – da chegada a Jerusalém ao momento de sua crucificação. “É uma obra com aspecto transgressor e jovem, e a expressão de rebeldia é universal e atemporal”, disse o diretor Jorge Takla, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda (10).

Takla ainda afirmou não se chocar com as críticas. “O Brasil é um Estado laico. Eu, por exemplo, sou católico praticante e uma peça como esta não abala a minha fé. Por ser uma obra de arte, é natural que ela gere polêmica. As pessoas podem se incomodar e achar o que quiserem. Mas vamos continuar trabalhando”, argumentou.

Quando questionado se a foto de divulgação do espetáculo não mostra Jesus de uma forma mais sexual - com Rickli usando apenas a coroa de espinhos e uma calça jeans -, o diretor rebateu. “Nós respeitamos a imagem que nos foi passada pela própria Igreja. É Jesus sem camisa. E na original ele ainda usa uma fraldinha e nós colocamos uma calça jeans”, disse, referindo-se ao pano utilizado para cobrir a região do quadril de Jesus durante sua crucificação.

“Senti abordagens diferentes. Tem pessoas que gostam e existem as que não gostam”, comentou Rickli. “Isso de estar sem camisa é tabu. Cada um tem a sua versão para Jesus e nesse trabalho foquei nesse personagem que transmite amor às pessoas. Sempre fui muito espiritual, então a pesquisa não foi difícil, mas precisei reforçar os estudos de canto. O teatro musical permite que o artista consiga expandir seu trabalho”

De acordo com o diretor, a ideia era criar um espetáculo mais autoral, já que ”Jesus Cristo Superstar” nasceu em meio à contracultura e ao movimento hippie dos anos 60 e 70. “Buscamos abordar a peça de forma mais clean, elegante e mais atual. A versão de Vinicius de Moraes que estreou no Brasil em 1972 ainda trazia a estética hippie em peso. Nós quisemos mudar isso. Nos figurinos, trouxemos itens contemporâneos, como o jeans e os coturnos, e na parte de cima dos vestuários os elementos bíblicos”, explicou Takla.

Em termos de sonoridade, a diretora musical Vânia Pajares destaca que manteve as mesmas estruturas das canções originais, mas com abordagem acentuadamente rock’n'roll. “Muita coisa aconteceu na música nos últimos 40 anos, então trabalhamos com tudo isso. Tem muita farofa dos anos 80 também (risos)”, afirmou.

Negra Li, já conhecida do público como cantora, assume o posto de Maria Madalena e comenta as semelhanças do papel com os tempos de rapper integrante do grupo RZO. “Voltei à fase da minha vida em 1996, com a postura de mulher forte no rap porque essas mulheres que seguem Jesus são guerreiras, estão com ele por uma causa”, afirmou.

(foto: Divulgação)

(foto: Divulgação)

Integridade não religiosa

legalismoRicardo Gondim

Desde a adolescência, organizei a vida a partir de valores da religião. Frequentei e lecionei na escola dominical. Militei em grupos jovens. Me preparei para o exercício pastoral em um seminário. Caminhei pelos bastidores do mundo religioso. Sentei na roda de alguns notórios líderes brasileiros e ianques.

Zeloso, sempre procurei cumprir com as exigências das instituições que participei. Se a igreja não permitia que mulheres cortassem o cabelo, briguei com a minha mulher. Se diziam ser pecado ir ao cinema, para evitar a aparência do mal e mesmo não concordando com a proibição, eu viajava para longe quando queria ver algum filme.

Relevei disparates. Calei diante de incoerências. Dei as costas para hipocrisia. Eu considerava a causa de Cristo importante demais. Para não escandalizar, fiz vista grossa para muita ruindade.

Abracei as instituições como divinas e acabei conivente. Não notei o caminho sinuoso do mercenário. Ingênuo sequer me dei conta dos intencionalmente cobiçosos. Justifiquei tolices. Eu acreditei na sinceridade das pessoas. Cheguei ao ponto justificar um monte de bobagem por achar que havia pureza nas intenções.

Um eureka aconteceu em minha vida. Embora sincero, eu dava volta, sem sair do lugar. Chego a um tempo de vida que algumas reivindicações da religião perdem seu apelo. Depois de inúmeras decepções, deixei de acreditar na inerente pureza religiosa. Notei que quanto mais bagunçada a interioridade (a alma), mais simétrico o exterior (a aparência). Trato a pregação da santidade absoluta como mistificação. Lembro os malabarismos que testemunhei. Quantos líderes falseavam suas inadequações, projetando em pecadilhos, monumentais desvios éticos.

Jesus não conviveu ao lado de gente certinha demais. Ao contrário, o Nazareno evitava e criticava quem pretendia cumprir todas as demandas da lei judaica. Ele chamou austeros sacerdotes de sepulcros caiados; tratou mestres como cegos guiando outros cegos. Os evangelistas do templo conseguiam convertidos, mas Jesus afirmava que eles apenas os condenavam a um inferno duplo. O filho do homem, gostava da companhia dos pecadores. Ele se sentia bem perto dos que assumiam a condição humana. Quando alistou apóstolos não se importou com suas inadequações. Pedro era tempestivo; Tomé, hesitante; João, vingativo; Filipe, lento em compreender; Judas, ladrão. Acostumado com os costumes da sinagoga e com o linguajar dos doutores da Lei, ele não buscou discípulos nesses círculos.

Jesus aceitou que uma mulher de reputação duvidosa derramasse perfume sobre sua cabeça. Elogiou a fé de um centurião romano, adorador de ídolos. ão deixou que apedrejassem uma adúltera. Mostrou-se surpreso com a determinação de uma mãe cananéia. Nos estertores da morte, prometeu o paraíso a um ladrão. Não mediu esforços ou palavras para enaltecer os diferentes.

Santidade nunca significou para ele a simples obediência de normas. Jesus não tratava um ato igual a uma intenção. Adultério não se restringe ao coito; ele questionava os valores que antecediam o sexo e que podiam ou não desembocar em traição.

O ódio residual, que dá ânsia de matar, é mais grave do que o próprio homicídio. Para Jesus, pecado e santidade participam nas dimensões mais profundas da interioridade humana. Caráter tem a ver com valores escondidos nos porões da alma. Integridade depende de como o ser se estrutura às escondidas.

Para Jesus, santidade e integridade se confundem. Aceitar-se sem panacéias e, sem eufemismo, ser inteiro, eis a receita da perfeição. Sombra, falta, inadequação, defeito, luz e bondade precisam ser encarados sem medo.

Deus não requer vidas perfeitinhas. Ele deve saber que a estrutura humana vem do pó. Deus não exige correção absoluta. Para isso, ele teria que converter mulheres e homens em anjos.

Os que vivem a varrer as faltas para debaixo dos tapetes eclesiásticos não têm parte no reino de Deus. As prostitutas, que aprenderam a lidar com suas faltas e defeitos, precedem os sacerdotes bem compostos. O samaritano, que traduziu sua humanidade em gesto de solidariedade, virou o herói da parábola. O tempestivo Pedro recebeu as chaves do Reino de Deus. A mulher, outrora possessa de sete demônios, anunciou a alvissareira notícia da ressurreição.

A lei serviu para mostrar que legalismo não desemboca em humanidade. Integridade equivale ao constante exercício de confrontar as luzes e as sombras que estruturam a alma. Me afasto do moralismo religioso para amadurecer na ética. Fujo do legalismo para recuperar os muitos anos em que corri em círculos. Repenso a espiritualidade porque desejo aprender a viver.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Praticantes de candomblé e evangélicos se unem contra intolerância religiosa

Isabela Vieira, da Agência Brasil [via Rede Brasil Atual]

© wanessadealmeida.com.br / reprodução

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Rio de Janeiro – Líderes do candomblé, da umbanda e de uma igreja evangélica neopentecostal se reúnem em um mesmo evento na próxima sexta-feira (24) para celebrar a convivência entre os credos e a liberdade religiosa. Organizado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), o show Cantando a Gente se Entende terá apresentações musicais de de várias religiões.

O evento marca as comemorações do Dia Nacional da Liberdade Religiosa, celebrado hoje (21) e criado em homenagem à sacerdotisa do candomblé Gildásia dos Santos –ela foi vítima de perseguição por uma igreja neopentecostal e sofre um infarto ao ser acusada de charlatanismo, em 2000.

Nos últimos anos, o interlocutor da CCIR, babalaô Ivanir dos Santos, avalia que fiéis de religiões diferentes se tornaram mais tolerantes, mas que, institucionalmente, igrejas ainda são hostis a segmentos religiosos de matriz africana, principalmente. “Satanizam nossas crianças na escola, demonizam nossa cultura religiosa e popular como o samba, a capoeira e nossos rituais”, disse.

Instalada no Brasil há 12 anos, a Igreja Evangélica Voz de Deus, da corrente neopentecostal, será a primeira a se juntar ao evento da comissão. O pastor presidente Ayo Balogun, de origem nigeriana, avalia que é preciso vencer as barreiras do preconceito no Brasil. “As igrejas têm que unir os seres humanos e não deixar de amar pessoas que não praticam a mesma fé que a nossa”, declarou.

Para Ivanir dos Santos, a adesão da igreja de Ayo Balogun à comemoração é o primeiro passo para sensibilizar outras igrejas a se juntar contra a intolerância religiosa. “O gesto desse pastor é uma semente que tende a crescer porque muitos evangélicos não têm postura preconceituosa”, disse.

O Cantando a Gente se Entende começa na sexta-feira a partir das 18h, em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, no centro da cidade. Estão confirmadas a presença do ogan Tião Casemiro, ogan Taina, padre Omar e banda Afro Gospel. O arcebispo da cidade do Rio, Dom Orani Tempesta, nomeado cardeal na semana passada, foi convidado, mas ainda não havia confirmado presença até o fechamento desta matéria.

Hoje, sacerdotes de várias religiões integrantes da CCIR  participam de um culto ecumênico no Templo Religião de Deus, em Campo Grande, na zona oeste carioca. Além de candomblecistas, umbandista e neopentecostais, são esperados espíritas, muçulmanos, budistas, ciganos, praticantes de wicca e seguidores da Fé Bahá’i e hare krishnas.