Cid Moreira: ‘Você começa a ler a Bíblia e as coisas vão acontecendo’

“Estou na minha fase derradeira e gloriosa”, diz Cid Moreira

(foto: Alexandre Campbell - 21.ago.1998/Folhapress)
(foto: Alexandre Campbell – 21.ago.1998/Folhapress)

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

Cid Moreira, que apresentou o “Jornal Nacional” durante 27 anos, entre 1969 e 1996, diz que segue em sua “fase bíblica”. Ele falou com a Folha na noite de entrega do Prêmio Comunique-se, na terça-feira.

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Folha – O que o senhor tem feito ultimamente? Tem trabalhado em projeto pessoal?
Cid Moreira - Olha, a minha vida é de fases. Tive fase do rádio, fase de cinema, fase de TV, e agora estou na fase bíblica. Estou divulgando a Bíblia. Tenho conseguido resultados maravilhosos. Por exemplo, a Bíblia que eu gravei, com trilha de cinema, efeitos, personagens, vamos dizer assim, o cego vê as imagens. A intenção é que as pessoas vejam. Essa Bíblia foi incluída num aplicativo que tem acesso de mais de cem milhões de pessoas no mundo.

Em várias línguas?
Não. Em português é a minha gravação. E é gratuito [o aplicativo], claro.

O senhor é muito religioso?
Não era, mas agora eu sou.

O que mudou?
Milagre da Bíblia. Você começa a ler a Bíblia, trabalhar com a Bíblia, e as coisas vão acontecendo.

Quando começou a ler?
No início da década de 1990, quando gravei salmos. A Globo me ajudou muito. Gravei vários clipes, trechos da Bíblia, enfim Começou a fase que vai ser a minha fase derradeira e gloriosa. Estou completando no final do mês 70 anos de carreira.

O que mais gostou de fazer?
O que estou fazendo agora.

O senhor acha que mudou muita coisa na televisão?
Sim, melhorou muito. Não só a imagem, que é digital, mas mesmo os apresentadores estão mais soltos, mais informais. Está ótimo. Nota dez.

Era mais difícil na sua época?
Era, claro. Era mais formal.

O senhor sente vontade de voltar a fazer televisão?
Minha filha, com 87 anos, pelo amor de Deus!

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Renascer como fênix

renascer

Ricardo Gondim

Os vivos albergam três inimigos que podem surpreender nas madrugadas insones: fracasso, impotência e culpa. Quem lida mal com as próprias inadequações sofre horrores. A percepção da fraqueza existencial, faca de dois gumes, tanto ajuda como destrói. Quem reluta contra sua condição frágil arquejará, invariavelmente, sob o peso de seus erros.

Exigências sociais também podem deixar qualquer um como peixe fora d’água, arfando. Não há fadiga mais debilitante do que a inaptidão. Vez por outra, nos consideramos calouros desafinados em show de talentos. A iminência do gongo nos aterroriza. A mente recria os momentos em que fracassamos. Paralisamos, iguais ao jogador que pisou na bola na pequena área e não consegue mais voltar a fazer gol.

Não poucas vezes retrocedemos, intimidados. Depois de algumas descomposturas, perdemos a ousadia de tentar novos caminhos. Quando falamos, gaguejamos. Não faltam pessoas que nos lembrem nossos tropeços. Depois que nos esmeramos tanto, fica um gosto amargo: estamos em falta com a divindade.

Religioso nunca se desvencilha de culpa. Na lógica da religião, mesmo depois de décadas, continua a sensação de que somos os principais pecadores. A mente martela: você frustrou os anseios de seu pai, constrangeu sua mãe e decepcionou Deus. Queremos rasgar a máscara, mas ela parece pregada na cara. Não sabemos quem é mais verdadeiro, o simulacro imposto pela igreja ou a pessoa que conversa conosco de dentro do espelho. Deixamos de ser a personagem que se exibia sob as luzes da ribalta, todavia, não achamos nosso verdadeiro eu.

Dura tarefa admitir a própria impotência. Entre heróis, precisamos ir no caminho inverso. Sem a capa dos ungidos, abrir mão da capacidade de decretar milagre, não ter por usurpação ser igual a Deus e não buscar encabrestar as pessoas ao nosso redor. Quem trilha a estrada do esvaziamento deve saber: seus argumentos não passarão de arrazoamentos; é impossível controlará o porvir; jamais alguém conhecerá as rotas de fuga do labirinto chamado vida; não há como antecipar os incidentes – ou acidentes – existenciais.

O passado se projeta como sombra e pode nos aterrorizar. Melancolia não passa de remorso não curado. Cientes das escolhas equivocadas, todos convivemos com a tortura de sentir que transgredimos alguma lei, maculamos o universo ou constrangemos expectativas divinas. Para nos livrar da angústia de nos perceber inadequados, agudizamos as faltas. Fazemo-nos os piores do que somos e, cabisbaixos, procuramos nos purgar por meio de uma penitência redentora, final e definitiva. Transformamo-nos em algozes. Implacáveis com nossas sombras, projetamos nos outros as maldades que nos atormentam.

Só depois que notamos a inutilidade dos castigos é que temos condição de fazer as pazes com a alma. (Quem estabeleceu a régua implacável que me condenou? Quem exige que eu controle as variáveis insubordináveis do universo? Qual o ganho se culpa me atolar em autocomiseração?)

Não precisamos desempenhar. Não somos demiurgos em algum palco cósmico. Felicidade não consiste em impor a vontade sobre as demais pessoas. Ninguém despista a angústia – ela é condição humana.

Resta-nos levantar a cabeça. Nosso valor não depende de alcançar os atributos omni dos deuses. Rechacemos as vozes que lembram o nosso fracasso. Procuremos desdenhar da tentação de afirmar: Tudo posso. Transformemos culpa em aliada. Não nos vejamos decadentes, caídos. Somos Fênix, destinados a renascer.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Padre exorcista polonês diz receber SMS do demônio

smscapetapolonia

publicado no Vi na internet

O padre Marian Rajchel, da cidade polonesa de Jaroslaw, está tendo problemas inusitados com a tecnologia: o religioso está recebendo mensagens de texto malcriadas de ninguém menos que o demônio. Tudo começou quando o padre realizou um exorcismo em uma adolescente e o procedimento não foi bem sucedido. Desde então, o exorcista recebe SMS no celular da garota enviados por Satanás, segundo ele.

Em entrevista ao jornal inglês Daily Mail, Rajchel afirma: “O autor dessas mensagens é um espírito mau”. Muitas vezes, os donos de telefones celulares nem têm noção de estarem sendo usados desse modo. No entanto, isso é muito claro nesse caso, disse o padre ao site do jornal inglês. De acordo com ele, o demônio não faz cerimônia em usar as novas tecnologias para assediar as pessoas.

Veja o conteúdo de uma das mensagens recebidas pelo padre polonês: “Ela não vai sair deste inferno. Ela é minha e qualquer um que rezar por ela vai morrer”. Rajchel respondeu que rezaria pela garota e obteve outra resposta malcriada: “Cale a boca, pregador. Você não pode salvar a si mesmo. Idiota. Seu patético e velho pregador”. E aí, você já recebeu algum SMS maligno?

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Padre exige que ladrão assine recibo após assalto a igreja

Publicado no Estadão

O padre Rosevaldo Bahls, da Igreja Nossa Senhora do Caravaggio, em Cascavel (PR), surpreendeu um ladrão, na tarde de sexta-feira, 1º, após pedir para ele assinar um recibo no valor de R$ 200, que foi roubado da igreja. Segundo Bahls, a atitude foi tomada como uma forma de prestar contas aos fiéis.

“Assim como é feito nas empresas ou em outros lugares precisava prestar contas de tudo o que saiu, assim como do que entra”, contou. O ladrão, que já era procurado pela polícia e costumava assaltar igrejas havia quatro anos, foi preso e está na delegacia de Cascavel.

Em entrevista à RPC TV, o padre disse que foi surpreendido com o roubo. “Ele chegou e fomos ao confessionário; depois disse, ‘eu não vim me confessar, quero cinco mil reais’, então conversamos e eu lhe entreguei R$ 200″, disse. Logo depois, pediu à secretária que preparasse o recibo.

O ladrão foi detido horas depois, após assaltar o pastor Jair Krack, da Igreja Luterana. “Ele já cometeu assaltos anteriormente, é uma situação complicada, mas confiamos em Deus”, disse.

dica do Gerson Caceres Martins

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A internet vai acabar com a sua fé?

Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

A popularização do uso da internet é uma das principais causas para a diminuição vertiginosa da religiosidade dos americanos dos anos 1990 para cá.

Ou ao menos é o que diz uma nova pesquisa, divulgada pela “Technology Review”, revista do MIT, e enviada para este escriba por Rafael Garcia, o homem mais gato do jornalismo científico brasileiro e autor do blog “Teoria de Tudo” nesta Folha, o qual, além de ser másculo, pai de família e grande repórter, também faz às vezes de meu pauteiro de quando em quando. Será que tem a ver mesmo?

Bem, vamos aos fatos. Primeiro, uma olhada rápida no gráfico abaixo.

religioTraduzindo rapidinho no texto mesmo (já que eu faltei da aula de Photoshop), o gráfico de cima mostra a evolução da porcentagem de usuários da web na população americana de 1990 a 2010. O de baixo mostra a porcentagem de pessoas “não afiliadas” — ou seja, que declaram não pertencer a nenhuma igreja ou grupo religioso específico.

Note bem: isso NÃO significa que quase 20% dos americanos eram ateus ou agnósticos em 2010. Significa, isso sim, que eles não se identificavam como pertencentes a nenhum grupo religioso em especial. Boa parte dessa galera provavelmente diria que acredita em Deus, ou até em Jesus.

Beleza, adiante então. Na pesquisa — que ainda não foi publicada, mas pode ser acessada publicamente no diretório online arXiv clicando aqui –, o cientista da computação Allen Downey, da Faculdade Olin de Engenharia (Massachusetts, EUA), usou dados demográficos americanos para tentar achar correlações entre vários fatores, entre eles o nível educacional, a criação religiosa no âmbito familiar e, claro, o uso da internet.

O que a pesquisa fez, portanto, foi basicamente usar métodos estatísticos para ver quais fatores variavam juntos — ou seja, a probabilidade de mudanças num deles estarem associadas a mudanças em outro.

O trabalho mostrou — o que, aliás, não é nada surpreendente — que há uma correlação entre ser criado numa família que segue determinada tradição religiosa e acabar seguindo essa religião quando adulto. Tanto que, como hoje há mais pessoas não recebendo esse tipo de criação nos EUA, isso parece ter influenciado o aumento de “não afiliados”. Do ponto de vista estatístico, esse fator responderia por 25% desse aumento (ou da queda no número de religiosos tradicionais, tanto faz).

Também houve um aumento do número de pessoas com formação universitária — de 17% nos anos 1980 para 27% nos anos 2000 –, o qual, estatisticamente, também poderia explicar 5% do aumento de “não afiliados”.

As mesmas técnicas estatísticas, porém, também indicam a correlação entre “desafiliação” religiosa e uso da internet, uma das variáveis que mais brutalmente mudou de 1990 para cá, como a gente está careca de saber. A variável explicaria 25% das alterações de “religioso” para “não afiliado”.

Beleza. Agora repetida comigo, bem devagar, o mantra mais importante já inventado desde “Auuuuum”, que é o seguinte: correlação não é causação. Correlação não é causação. Mais mil vezes, por favor.

Falando sério, esse mantra é importantíssimo porque o fato de duas coisas “co-variarem” (variarem juntas) muitas vezes não significa que uma seja a causa da outra. Pode haver uma terceira causa aí no meio. E é preciso achar um mecanismo conectando os dois fatores caso você queira mesmo provar que um causa o outro.

Allen Downey propõe que a internet permitiu que pessoas de meios religiosos mais fechados pudessem ter contato com pessoas e informações fora de seu círculo, facilitando que eles deixassem de lado sua visão tradicional sobre temas de fé. É bastante razoável, mas difícil de provar, e longe de estar provado, claro.

Um “experimento natural” interessante pode acontecer aqui mesmo no Brasil, aliás. Hoje, dependendo de como se faz a conta, temos entre um terço e metade da população usando internet, e apenas uns 8% — no máximo — de “não afiliados”. Conforme o uso da web se universaliza por aqui, como se deu nos EUA, vai ser interessante descobrir se a tese do pesquisador continua de pé.

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