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O texto censurado por Átila Brandão

atila

Em texto publicado no site da CartaCapital, Leandro Fortes conta que o bispo Átila Brandão registrou queixa-crime e abriu duas ações judiciais contra o ex-deputado e jornalista Emiliano José.

O motivo da fúria do evangélico – figurinha carimbada durante muito tempo em eventos da Adhonep (Associação dos Homens de Negócio do Evangelho) – é um texto publicado por Emiliano José e reproduzido em vários sites e blogs.

Átila  Brandão pediu uma indenização de 2 milhões de reais e a retirada do artigo do site do ex-deputado, com multa diária de 10 mil reais, no caso de desobediência. Segundo o colunista da CartaCapital, “em 13 de maio, a juíza Marielza Brandão Franco, em decisão liminar, mandou retirar o texto da página de José e reduziu a multa diária a 200 reais”.

Diz-se do homônimo famosão do pastor que “debaixo dos cascos de seu cavalo, nunca mais cresce a grama”. Que o evangélico companheiro de partido de Marco F* releia cada uma das ideias e ideais do Príncipe da Paz (a quem diz servir), para que sob seus pés floresça a verdade e a justiça. Censura (e tortura), nunca mais.

A premonição de Yaiá

Publicado no Bahia Alerta

…Um calafrio, sensação estranha. Tempos dolorosos. Não vivera iguais nos seus quase cinquenta anos. Filhos presos, tantos amigos presos. Theodomiro, Paulo, quem mais? Tantos. Penso na crueldade dessa gente, quanta maldade. A sensação estranha persistia, como um aviso. Seria de Deus? Bons, os meus filhos eram bons. Marquinhos já solto, na minha memória era setembro de 1971.

Renato Afonso, no Quartel dos Dendezeiros, transferido do Rio de Janeiro, onde fora preso em fevereiro e perversamente torturado. O corpo já não estava tão estropiado. Não fosse meu marido Orlando, e não estaria vivo. Conseguiu fazer chegar o pedido a dom Eugênio Sales, que não matassem o filho. Dom Eugênio intercedeu, e o salvou. No Rio, passou por coisas horríveis, tanta tortura que eu nem acreditava que existisse. Tudo me vinha à mente em flashes rápidos, numa velocidade absurda. No meio das lembranças, aquela sensação estranha.

Fui muitas vezes aos Dendezeiros, levava bolo pros meninos, dava um pedaço pro coronel Ghetsemany Galdino, que gostava muito do bolo de chocolate. Comandava o quartel. Eu já me afeiçoara aos outros meninos, Tibério, Roriz, também presos políticos. Nunca gostei de ouvir meus filhos serem chamados de terroristas, nem os amigos deles. Por que tudo aquilo vinha assim, aos borbotões, lembranças de tanta coisa daqueles ásperos tempos? E tudo era acompanhado daquela sensação incômoda, como se algo a chamasse, como se alguma coisa ruim estivesse acontecendo.

E de repente, uma iluminação, e a certeza: Renato sofria, precisava dela. Como se ouvisse a voz enérgica de um anjo: que não perdesse tempo, seu filho corre perigo. Estava longe, morava em Nazaré, na Cidade Alta, longe dos Dendezeiros, Cidade Baixa. Orlando não estava em casa. Peguei um táxi, segui pro quartel. À porta, ninguém me barrou, pois, já era personagem comum. Parecia que o anjo me guiava. Dirigi-me a passos rápidos para uma sala onde tinha certeza que Renato estava. Não sabia como tinha certeza. Tinha.

Um sentinela à porta. Quero ver meu filho, quero ver meu filho, sei que ele está aí. Calma, minha senhora. Calma, nada. Preciso vê-lo. O soldado parecia assustado, olhava pra mim, indeciso. Eu ali segura de meus direitos de mãe. Pediu que eu esperasse, iria entrar, voltaria, me traria uma resposta. O sentinela entrou, voltou, e disse está tudo bem com seu filho, nada de mal vai acontecer com ele. Mas, ele está aí? Está. Então quero vê-lo. Não pode, mas, eu garanto que está tudo bem com ele.

Me acalmei um pouco. O anjo parecia aquiescer, mas me disse não arrede pé.
E eu soube depois: dentro da sala, Renato já havia apanhado bastante, socos, pontapés, perguntas aos gritos. Após o Rio de Janeiro, transferido para a Bahia por interferência de Orlando, não sofrera mais torturas. Mas, naquele dia, um sentinela veio buscá-lo. Renato perguntou por que estava sendo retirado da cela. O soldado não sabia. Levado para uma sala, logo depois viu entrar uma equipe de torturadores chefiada por Átila Brandão, que conhecera como agente infiltrado desde a Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, onde estudaram juntos em 1968.

Átila comandou com ferocidade e gosto a pancadaria inicial, que seria sucedida pelo pau de arara e pelo choque elétrico, equipamentos que a equipe trouxera. Queria informações sobre a passagem dele pelo Paraná, onde estivera como dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Como no Rio, Renato, fiel aos seus amigos, se recusava a dizer qualquer coisa.

Soube que o soldado entrou, cochichou no ouvido de Átila, e ele, irritado, mandou parar tudo, juntar o pau de arara e o resto, e se retirou. Cessou a tortura. Quando Renato saiu da sala, eu o abracei, perguntei-lhe se estava tudo bem, ele disse sim, mas pediu que avisasse o advogado Jaime Guimarães – queriam voltar a torturá-lo. Fiz o que Renato pediu. Não voltou a ser torturado.

Maria Helena Rocha Afonso de Carvalho partiu, Yaiá, e antes de seguir para o infinito me deu esse depoimento. Deixa saudades imensas, e o exemplo de uma vida cheia de espiritualidade, fé e coragem. Viveu mais de 90 anos.

Atualização 13h

Carlos Brickmann escreveu sobre o assunto no Observatório da Imprensa:

Bahia, censura

A juíza da 29ª Vara dos Feitos Cíveis de Salvador, Mariela Brandão, determinou que o jornalista Emiliano José retire de seu portal informativo a matéria “A premonição de Yayá”, publicado originalmente no jornal A Tarde. Trata-se de uma entrevista com Maria Helena Carvalho, dona Yayá, que acusa de torturador o ex-policial, hoje pastor da Igreja Batista Caminho das Árvores, Átila Brandão. Segundo Yayá, Brandão torturou seu filho Renato Afonso Carvalho, em 1971, no Quartel dos Dendezeiros. Renato Afonso, hoje professor, confirmou as denúncias feitas por sua mãe.

Três casos diferentes, três casos iguais: é a censura que, embora proibida pela Constituição, volta a mostrar sua feia face. Junte-se a isso a guerra que alguns setores governistas movem contra a imprensa, chegando a regozijar-se quando algum veículo de comunicação fecha as portas ou demite funcionários, e temos um quadro perigoso. Como dizia Thomas Jefferson, um dos líderes da Revolução americana e terceiro presidente dos Estados Unidos, “Se coubesse a mim decidir entre um governo sem imprensa ou uma imprensa sem governo, eu não hesitaria um momento em escolher a segunda alternativa”.

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O jornalista Emiliano José tem recebido apoio de muita gente:

Abaixo-assinado apoia jornalista acusado de difamação · Global Voices em Português

Um abaixo-assinado circula no estado da Bahia, Brasil, em apoio ao jornalista e professor Emiliano José, acusado de calúnia pelo pastor Átila Brandão. José relatou a participação do pastor em torturas contra estudantes na época da ditadura militar no país na imprensa e em site pessoal. A Justiça determinou a retirada do texto do site de José, já reproduzido na internet, e direito de resposta ao pastor.

dica do Tom Fernandes

Ex-funkeira, Perlla lança álbum gospel e diz que era muito doida

Perlla lançou o álbum gospel "A Minha Vida Mudou" pelo selo Central Gospel Music

Perlla lançou o álbum gospel “A Minha Vida Mudou” pelo selo Central Gospel Music

Renato Damião, no UOL

Aos 24 anos e grávida pela segunda vez, Perlla vive uma nova realidade. A cantora que chegou a ser considerada a “rainha do funk melody” carioca – ao emplacar nas rádios a canção “Tremendo Vacilão” – agora se prepara para lançar seu primeiro álbum gospel intitulado “Minha Vida Mudou”.

“Achei que não fosse cantar mais, não queria mais cantar. Estava feliz cuidando da minha casa, do meu marido, da minha filha”, contou Perlla em conversa ao UOL. Os responsáveis por fazerem a artista mudar de ideia foram seu marido, o músico Cassio Castilhol, e Silas, o pastor da igreja que frequenta em Vilar dos Teles, baixada fluminense do Rio. “Em um mês o CD estava pronto. Nosso querer não é o querer de Deus”, explicou.

Nas doze faixas do álbum, apenas uma fala de amor, segundo a cantora, todas as outras são sua maneira de “honrar a Deus”, caso de “A Vitória Já é Minha” e da faixa-título, “Minha Vida Mudou”. Indagada sobre a mudança de estilo – e de vida – Perlla admitiu que “era muito doida”.

“A Perlla antiga era muito doida, fazia coisas que não agradavam aos olhos de Deus. Bebia, fumava, tinha um comportamento que não condizia com a pessoa que nasceu em um berço evangélico”, ressaltou ela que chegou a ser noiva do jogador de futebol Léo Moura. A fama e o sucesso, segundo Perlla, não a preenchiam. “Passei por muita tristeza e infelicidade”, contou sem entrar em detalhes.

“Não gosto de ouvir palavrão”, diz Perlla

Para Perlla o funk, como ritmo, ainda continua agradando seus ouvidos. “Existe funk gospel e minha filha ouve, adora”, disse ela referindo-se a primogênita Pérola. “O que eu não gosto é de ouvir palavrão, na minha casa não quero nada que não seja edificante, diminui até a quantidade de televisão que assisto”, opinou.

Longe dos antigos companheiros de trabalho do funk, a artista garantiu que não tem problemas com o passado de funkeira, mas que hoje “é uma nova criatura”. Suas experiências são contadas em cultos. “As almas se rendem”, afirmou ela sobre jovens que a procuram para ouvir seus conselhos.

Sem temer críticas ou perda de popularidade – principalmente dos fãs de “Tremendo Vacilão” – Perlla pretende seguir fazendo apresentações em igrejas. “Os [fãs] que ficaram se tornaram amigos e conhecem a nova Perlla, uma Perlla de verdade”, finalizou.

Babá de cachorro fatura R$ 8 mil por mês em São Paulo

Mercado pet impulsiona abertura de serviços especializados. Negócios no setor oferecem enfeites, dentista e até florais.

Publicado originalmente no G1

O mercado pet mais uma vez é apontado por especialistas como tendência de bom negócio. Cada vez mais, os bichinhos são tratados como membros da família e isto impulsiona a abertura de novos negócios.

Em São Paulo, que concentra quase 20 milhões de animais de estimação e 10 mil pets shops, os empresários não poupam esforços para oferecer produtos e serviços diferenciados. Neste grande mercado, há enfeites para os bichos, dentista, florais e até babá.

Adriane Silveira é babá de 25 cachorros, um trabalho bem parecido com o da babá de crianças, com hora de comer, beber água e descansar. “Eu faço a primeira visita de cortesia, conheço o animal, vejo o que ele está precisando”, explica Adriane.

A empresária fatura, em média, R$ 8 mil por mês. Hoje ela atende oito bairros de São Paulo, e quer mais. “A procura está cada vez maior. E assim, sempre tem coisas novas”, diz Adriane.

A cliente Laura Sansone contratou o serviço três vezes por semana e gasta R$ 480 por mês para deixar o buldog Astor bem acompanhado. “Quando ela chega, ele já fica todo animado e eu vejo que quando eu chego do trabalho, ele já está mais calmo. Não tem necessidade de passear com ele logo que eu chego”, diz a dona do cachorro.

Clínica odontológica para cães
Já o médico veterinário Renato Tartalia abriu um consultório dentário para cachorros. O empresário investiu R$ 40 mil na clínica, com sala de cirurgia e todos os equipamentos necessários para atender os animais.

A clínica odontológica para animais atende desde casos de limpeza de tártaro até cirurgias dentárias complexas. Custam de R$ 100 a mais de R$ 1 mil. Atualmente, o empresário atende 120 animais por mês.

Para o consultor Sebastião de Oliveira, oferecer serviços especializados como tratamento odontológico é o segredo para se dar bem no mercado pet.

“Você pode ir pra nichos de mercado, ou seja, pedaços de mercado que não interessa para os grandes players, para os grandes concorrentes. O atendimento diferenciado, isso provavelmente ele não vai encontrar em qualquer lugar, principalmente nos lugares grandes”, diz.

Máquina de fazer lacinhos
A sofisticação desse mercado chegou também aos enfeites para animais. O empresário José Silva desenvolveu uma máquina de fazer laços e gravatas. “O lacinho seria como a azeitona na pizza”, afirma Silva.

A máquina de fazer laços custa R$ 950. Ela faz de 2.500 a 3.000 peças por dia.

Carolina Matsumoto comprou cinco máquinas. Ela produz mais de 25 mil laços e gravatas por mês. Cada um custa de R$ 0,30 a R$ 0,90. “Meu faturamento mensal é de mais ou menos R$ 4 mil a R$ 5 mil, dependendo também do tempo”, diz a empresária.

Já o empresário Joel Aleixo teve a ideia de fazer florais para cães, gatos e outros animais. Em termos de negócio, foi um achado. Após um ano, ele vende por mês 30 mil frascos de florais usados para fins terapêuticos.

A produção é feita em Cotia, na Grande São Paulo. O empresário cultiva mais de 30 tipos de flores no fundo de casa. O empresário investiu R$ 200 mil em equipamentos e testes. As flores são imersas numa mistura de água e álcool que depois é borrifada em bolinhas feitas de farinha e açúcar

Autores de paródias de Dilma Rousseff querem audiência com ela

Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)

Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)

Marina Cohen, no O Globo

“Presidenta, meu Bolsa Família ainda não bateu esse mês.” “Dona Dilma, o prefeito da minha cidade comprou um carro novo. Acho que tem desvio de verba aí.” Dezenas de reclamações e pedidos desse tipo chegam, todo dia, à caixa de e-mails do estudante Jeferson Monteiro. Carioca de 22 anos, ele é o cidadão por trás da página Dilma Bolada, no Facebook, e do perfil @diImabr, no Twitter. De tanto encarnar a presidente com muito humor — e um bocado de exagero —, Jef, como prefere ser chamado, acaba sendo confundido com a própria Dilma Rousseff.

— Muita gente acha que é a Dilma escrevendo, mas faço questão de responder, explicando que é só uma personagem ficcional e linkando à seção “Fale com a presidenta”, do site do Planalto — diz o criador de uma Dilma de ego estratosférico, que adora bordões como “Êta, presidenta maravilhosa!”.

Juntamente com a Dilma Bolada, que tem mais de 200 mil fãs na web, incluindo as “curtidas” no Facebook e os seguidores no Twitter, outras paródias da presidente fazem muito sucesso. O humorista Gustavo Mendes, por exemplo, fez tanto barulho com seus vídeos no YouTube que sua personagem, hoje, tem um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, da TV Globo. Já a Dilminha, protagonista da coluna “Diário da Dilma”, escrita pelo jornalista Renato Terra e publicada mensalmente na revista “Piauí”, é motivo de comentários até nos corredores do Planalto.

Essas três “Dilmas” — a Bolada, a do “Casseta” e a Dilminha — se encontraram pela primeira vez, na sede do GLOBO, onde conversaram sobre a tarefa de encarnar a presidente. Papo vai, papo vem, os criadores das personagens se deram conta de que suas personagens têm um elemento em comum: a surpreendente doçura da terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista “Forbes”. Entre uma bronca no ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um pito no povo brasileiro, a Dilma de Gustavo Mendes faz o tipo “mãezona”. A Dilma Bolada não perde uma chance de exibir seu lado de diva da moda. Já no diário de Renato Terra, Dilminha se divide entre os grandes dilemas nacionais e dúvidas como o esmalte que vai usar nas unhas.

— Dilma é muito sisuda e séria, então, colocá-la em situações de menininha, comprando maquiagem ou se apaixonando, é o que torna a paródia engraçada — comenta Renato, que tem uma pilha de revistas “Capricho” e “Atrevida” em cima da mesa de trabalho, para usar como fontes de pesquisa.

Para o comediante Gustavo Mendes, parte da popularidade da presidente se deve à qualidade das paródias. E não é só ele que acha isso. Em artigo publicado em agosto, o “The New York Times” enfatizou que o trabalho de humoristas brasileiros como Gustavo Mendes contribui para a grande aceitação popular do governo Dilma:

— Nós humanizamos a figura técnica e, muitas vezes, antipática da presidente. Ajudamos a transformá-la em alguém que o povo brasileiro ama.

Preferindo se manter apartidários, os três cérebros por trás das paródias apenas afirmam que têm “um carinho” pela chefe de estado, e que o compromisso é com o humor, não com o governo ou com a oposição.

— A intenção é fazer graça, e o que tem de mais engraçado na Dilma é essa mistura de mãe, avó, política e zagueira de futebol. Ela poderia tanto governar um país quanto bater a laje na sua casa — define Gustavo.

Durante a conversa, as “Dilmas” ainda combinaram de tentar marcar uma audiência com sua musa inspiradora.

— Será que ela gosta das nossas paródias? Eu gostaria muito de saber o que ela pensa — questiona Renato.

A revista entrou em contato com a assessoria da Presidência da República para tirar a dúvida, mas até o fechamento não houve resposta. Renato, Gustavo e Jeferson prometem fazer uma campanha pela realização do encontro com a mineira de Belo Horizonte.

“Temos a mesma cara de bolacha”

Hoje famosas e com ambições tão grandes quanto um encontro com a presidente, as paródias de Dilma começaram modestas, ainda em 2010. Antes de ser um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, a interpretação de Gustavo Mendes era veiculada só na web. A personagem nasceu a partir de outra que o ator mineiro já costumava interpretar: Margarida Salomão, candidata à prefeitura de Juiz de Fora, cidade onde o comediante nasceu e foi criado. Só foi preciso ajustar um trejeito ou outro. Assim que fez o vídeo de teste, o humorista notou que a versão daria certo.

— Fazer o quê? Eu sou parecido com a Dilma, né? Nós dois temos essa cara de bolacha. E o sotaque mineiro também ajuda — pondera Gustavo.

A característica mais forte da Dilmandona Rousseff, retratada pelo humorista, é o estilo briguento. As broncas bem-humoradas respingam em todos os ministérios e também no povo brasileiro. Mas Gustavo nem liga para quem acha que sua Dilma é feroz demais.

— Uma senhorinha com a bolsa debaixo do braço esperando o ônibus no ponto é tudo o que a Dilma não é. Ela é uma mulher forte, que sofreu com a ditadura — defende-se, respondendo a críticas de quem acha que a personagem passa uma imagem negativa da presidente. — Muito pelo contrário. Nas paródias, ela é muito carismática. A militância tem que nos amar.

Após 89 apresentações de seu espetáculo de stand-up comedy “Mais que Dilmais” em 2012, Gustavo reconhece que grande parte do seu sucesso vem da paródia de Dilma. Mas o ator avisa que o personagem não deve continuar na TV em 2013, já que “Casseta & Planeta Vai Fundo” não terá nova temporada.

— Ainda estou estudando o que vou fazer na Rede Globo no ano que vem. Já cansei da personagem da Dilma e tenho vontade de partir para outras ideias, mas não vou deixar a presidenta morrer. Ela vai voltar à internet — garante o comediante.

Passando para o papel, o “Diário da Dilma” é inspirado numa coluna de humor semelhante sobre a ex-primeira dama francesa Carla Bruni, que costumava ser publicada no jornal francês de humor “Le Canard Enchaîné”. A ideia partiu do então editor da revista “Piauí”, Mario Sergio Conti, mas é Renato Terra que, todo mês, passa dois dias imerso no noticiário nacional e em revistas adolescentes para compor o diário da personagem Dilminha de acordo com a agenda cumprida pela presidente na vida real.

Entre um compromisso oficial e outro, a Dilma criada por Renato se preocupa bastante com o seu visual nas fotos publicadas pela imprensa e sonha acordada com seu príncipe encantado, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.

— O universo da Dilma é tão rico justamente porque ele é muito fechado. Esse mistério todo permite que a gente se sinta livre para criar em cima dele — justifica Renato. — Por isso, as paródias são extremamente autorais. Não são imitações da presidente, mas personagens criados a partir dela.

O cargo de “ghost-writer não oficial” de Dilma caiu como uma luva em Renato. Depois de dois anos escrevendo o diário, o jornalista, responsável também pelo blog de humor “Piauí Herald”, muitas vezes se pega lendo o jornal pelos olhos da Dilminha.

— Uma vez, minha mulher comentou com alguém que eu escrevo o “Diário da Dilma”. A pessoa respondeu: “Nossa, adoro a coluna! Mas achava que o tal Renato fosse gay.”

Além das revistas teen e dos notíciários, muitas informações de bastidores servem de material para Renato:

— Muita gente nem imagina. Há histórias ali que parecem brincadeira, mas são informações exclusivas que eu recebo.

Assim como a personagem Dilminha, a presidente real pediu mesmo a Selton Mello um DVD com os episódios da primeira temporada do seriado “Sessão de terapia”, ao receber o ator, que dirige o programa, no Palácio do Planalto, em março.

Já o comediante Gustavo Mendes garante que as flores favoritas da chefe de governo são orquídeas, e que a estadista passou um pito na comitiva presidencial durante a viagem a Nova York, em setembro deste ano. E teria proibido os integrantes de seu séquito de voltar para casa cheios de bugigangas.

“Se fosse como Hebe Camargo, não imporia respeito”

No início de sua carreira “vestindo a saia” de Dilma, Gustavo mantinha contato com a militância do PT para conseguir informações exclusivas. Foi assim que descobriu que, segundo ele, a presidenta nutriria uma antipatia pelo ex-ministro José Dirceu.

— Hoje, não preciso me esforçar tanto. As fofocas caem no meu colo — comenta o humorista, que passou a devorar o noticiário político depois que se tornou intéprete da governante petista.

Quando não está na faculdade estudando administração ou no seu estágio, na produtora Bananeira Filmes, Jeferson Monteiro, morador de Mesquita, na Baixada Fluminense, diverte os internautas encarnando uma versão “bolada” da presidenta. Hoje, metade da rotina do criador da página “Dilma Bolada” no Facebook e do perfil @diImabr (o “L” é, na verdade, um “I” maiúsculo) do Twitter é dedicado a criar declarações.

A governante imaginada por Jef tem um cachorrinho chamado Boladinho, gosta de se arrumar para as ocasiões de festa e se sente uma diva soberana. Ela também não cansa de ressaltar que o Brasil é um país rico.

— Uma vez, o marqueteiro do PT, João Santana, disse que a Dilma era uma rainha no trono. E é exatamente assim que eu a vejo — define o jovem.

Jef, porém, acredita que Dilma é bem diferente na realidade:

— Ela deve ser simpática, mas sem dar muita liberdade. Afinal, precisa agir de acordo com seu cargo. Se fosse fofinha como a Hebe Camargo, não imporia respeito.

Apesar de haver muitas empresas loucas para anunciar nas páginas virtuais da Dilma Bolada, Jef não pretende usar a sua glamurosa presidente como garota-propaganda. Ele recebeu até proposta de “uma pessoa ligada a um partido político” para comprar os direitos autorais de sua criação.

— A Dilma não está à venda — afirma.

Mesmo sem gerar dinheiro diretamente, os perfis da chefona já renderam ao estudante um emprego. Ele foi contratado para gerenciar as redes sociais na Bananeira Filmes graças à fama na internet. Mas, para o estudante, a maior retribuição de seu empenho é encontrar “dilmetes” que entram para valer no universo criado por ele.

— Me realizo quando as pessoas pedem para ouvir mais histórias sobre a empregada doméstica do Planalto, a Marcela (Temer, mulher do vice-presidente, Michel Temer), ou perguntam como estão as emas criadas pela presidenta no quintal. Os brasileiros que moram fora do país são os que mais se entregam à brincadeira — conta o rapaz, que também tem fãs latino-americanos. — Recebi um recado de alguém dizendo que tinha depressão, e que sua única alegria era acompanhar os posts da Dilma Bolada. Saber que posso levar felicidade para as pessoas é demais.

Diferentemente de Gustavo Mendes, Jef não pretende largar sua Dilma Bolada tão cedo. Em janeiro, ele estreia um blog, com textos maiores, contando aventuras inéditas da presidente no poder. Caso a nova plataforma seja um sucesso, virá por aí um livro, com outras histórias:

— Mesmo dividindo a minha vida com a Dilma Bolada, ainda chamo essa atividade de lazer. Acima de tudo, me divirto.