‘Nenhum magistrado é Deus’, diz Lewandowski sobre ação contra agente no RJ

Charge: Alpino
Charge: Alpino

Renan Antunes de Oliveira, no UOL

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), disse nesta segunda-feira (10), em Florianópolis, que “nenhum magistrado é Deus, eles são homens comuns e devem respeitar a Constituição”. A declaração foi dada por ele ao comentar o caso da agente de trânsito condenada no Rio de Janeiro por ter supostamente dito a um magistrado, durante uma blitz da Lei Seca, que “juiz não é Deus”.

O presidente do Supremo, no entanto, não falou sobre o mérito da ação (a condenação da agente), pois, de acordo com ele, o processo pode chegar ao STF.

O ministro disse ainda que a meta para 2015 do STF será julgar “casos escolhidos [num mecanismo diferente da chamada Súmula Vinculante] que possam resolver milhares de processos” entre os 67 milhões que estão “congestionados” no Judiciário –ele não citou quais serão os casos escolhidos.

Lewandowski disse também, citando dados da pesquisa do CNJ 2014 ( base 2013) que “temos 95,1 milhões de processos, um acréscimo de 3,3% sobre 2012,resultando numa taxa de congestionamento de 70,9%” –o que dá 67 milhões e 425 mil processos “congestionados”.

O ministro afirmou que “a demora nos julgamentos se deve às instâncias existentes para recursos, mas isto está na legislação processual, é um problema das leis existentes, que datam de 50 anos”.

Levandowski participou da abertura do 8º Encontro Nacional do Poder Judiciário, reunindo desembargadores e juizes de 91 tribunais brasileiros. A pauta do encontro é buscar soluções para a litigância excessiva e à quantidade de processos em tramitação no Judiciário.

Segundo o ministro “as metas que serão propostas à votação incluem as de medição permanente, como as Metas 1 e 2, 5 (de impulsionar o processo de execução) e 6 (de priorizar o julgamento das ações coletivas) e investimento na Conciliação, estabelecendo, na Meta 3, proposição de incrementar a atuação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSCs).

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Espanha: menores podem ser forçados por lei a fazer tarefas domésticas

foto (meramente ilustrativa): Wikimedia Commons
foto (meramente ilustrativa): Wikimedia Commons

Fernando Moreira, no Page not Found

Crianças e adolescentes até 18 anos na Espanha podem ser obrigados por lei a ajudar nas tarefas domésticas, determinadas de acordo com o gênero e com a idade. O projeto de lei está sendo analisado pelo Parlamento do país espanhol.

De acordo com o projeto, crianças e adolescentes se tornam obrigados a “participar da vida familiar” e a “obedecer pais e irmãos”. Além disso, o proposta legislativa afirma que os menores têm que “respeitar as regras escolares”, estudar o tanto quanto for exigido pela escola e manter uma atitude positiva”, de acordo com o jornal espanhol “ABC”.

O projeto, entretanto, não estabelece penas para crianças e adolescentes que falharem no cumprimento das obrigações domésticas.

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Walcyr Carrasco: “Assim como peço respeito aos evangélicos, peço aos homossexuais e a toda diferença”

Walcyr, autor de Amor à Vida: “Encerrei os trabalhos há uma semana”
Walcyr, autor de Amor à Vida: “Encerrei os trabalhos há uma semana”

título original: “Tatá Werneck deu muito conta do recado”, diz Walcyr Carrasco

Ricky Hiraoka, no Terraço Paulistano

Ontem à noite, a coluna assistiu ao capítulo de Amor à Vida ao lado do autor Walcyr Carrasco. Instalado num confortável imóvel de 2 200 metros quadrados em Higienópolis, o novelista recebeu Terraço Paulistano no escritório onde costuma escrever e assistir à trama – há uma mesa de frente para uma TV de tela plana, e no meio um sofá. É depois da exibição que ele começa a escrever, por volta das 23h e para às 5h.

“Encerrei os trabalhos há uma semana”, conta. “Mas, como sou imprevisível, posso alterar uma cena ou outra até o fim das gravações.” Durante o capítulo, ele destacava o trabalho de alguns atores. “A Elizabeth Savalla está um arraso”, diz. “Tatá é muito engraçada”, comentava, quando apareciam as cenas em que ela improvisava no confinamento do Big Brother Brasil. Abaixo, Carrasco comenta os principais aspectos do folhetim que terá seu último capítulo exibido no próximo dia 31.

Valdirene e BBB

Ir para o BBB é o sonho de tanta gente que eu conheço. Elas acham que se entrarem no programa terão os problemas resolvidos. Decidi que seria uma boa a Valdirene ter esse sonho. Em setembro, tive uma reunião com Boninho e expliquei minha ideia. Disse, inclusive, que queria a participação dele. No início, ele hesitou dizendo que era muito canastrão. Argumentei que Tatá resolveria esse problema.

Valdirene no BBB

Ela é muito engraçada. Tatá manteve o personagem dentro do BBB.  Dentre as orientações que lhe passei uma era de sensualizar com os participantes e levar um rapaz para debaixo do edredom. Ela leu o capítulo em que Valdirene aparece no BBB, então, ela sabia o material que deveria entregar para a direção. A gente conversou bastante. Ela estava muito disponível para esse desafio e queria muito fazer. Tatá é uma atriz muito corajosa e deu conta do recado.

Walcyr vendo Valdirene no BBB: “Tatá manteve o personagem dentro do BBB”
Walcyr vendo Valdirene no BBB: “Tatá manteve o personagem dentro do BBB”

Evangélicos

Uma das minhas ideias iniciais era transformar a Valdirene numa cantora gospel. Desisti  porque Tatá explorou muito bem o lado de humor da personagem e caiu nas graças do público. Ela ficou muito marcada por ser engraçada. Não queria fazer humor com os evangélicos e soar como deboche. Se fosse minha nona novela com personagens dessa religião e eu tivesse uma relação construída com eles, aí tudo bem.

Gays, homofobia e tolerância

“A questão dos gays e da homofobia acabou tomando conta da novela, embora esse não fosse um tema forte no projeto inicial. Esse é um assunto que está sendo falado no mundo inteiro. Vários estados americanos estão aprovando o casamento gay, outros lugares tomam medidas contra os gays… As pessoas aderiram a essa discussão. No Natal, por exemplo, a mulherada da minha família ficou especulando se o Félix se casaria com o Niko. Eu fazia cara de esfinge porque não comento nada da trama com ninguém. Até que uma sobrinha minha fez uma observação interessante: “Há cinco anos, jamais falaríamos com tanta naturalidade sobre um casal gay…”

Félix

Não planejei a transformação do Félix de vilão em mocinho. Fui sentindo a história e criando. O Félix agradou o público e abriu a discussão sobre homofobia, que tomou conta da trama. Fiquei feliz com isso.

Niko

Desde o começo o Niko se colocou como um personagem que queria filhos. Alguém muito família. O Thiago Fragoso soube construir bem o personagem. E as pessoas odeiam a Amarilys porque ela fez o que nenhuma mulher perdoa: roubou o namorado da amiga, no caso, do amigo. Mas eu não esperava que fossem adotar o Niko como aconteceu. Foi uma grata surpresa

Casamento entre Niko e Felix

Não vai ter casamento. Essa semana teve um boato na internet que haveria o casamento de Félix e Niko numa igreja evangélica. Uma grande bobagem. Eu sinto que foi uma tentativa de grupos de desestabilizarem o respeito que tenho tratado os evangélicos na novela. Assim como peço respeito aos evangélicos, peço aos homossexuais e a toda diferença. Amor à Vida significa tolerância ao outro.

Arrependimentos

Nunca respondo perguntas do tipo: “O que você teria feito de diferente?”. Isso é delicado porque envolve toda a equipe. Se houve caminhos que tomamos que não resultaram nos resultados esperados, isso guardarei para mim.

Liberdade de criação

Um coisa que me deixou muito feliz e tiro meu chapéu para a direção da Globo é que eles tiveram uma visão ampla que permitiu que eu tratasse de qualquer tema. Em nenhum momento, recebi uma ligação falando: “Pare de escrever tal coisa!”. Só me ligavam para me felicitar, para dizer que a novela era boa e estava dando audiência.  Tudo que escrevi foi exibido. Essa liberdade me deixou muito feliz.

Influência das redes sociais

Assisto aos capítulos de olho no Twitter. Acompanho tudo que está na hashtag Amor à Vida. Sei que ali é uma parcela muito pequena dos telespectadores. Não analiso os comentários qualitativamente e sim quantitativamente. Observo que personagens são mais citados. Tem muita gente que vem me xingar no Twitter. Aí, eu bloqueio.

Perseguição

Me sinto perseguido por dois ex-colegas dos tempos que era jornalista. Eles usam os veículos em que escrevem para fazer críticas sem fundamentos. Falam qualquer coisa. Eu pesquisei muito para escrever a novela. A cegueira do Cesar, um dos alvos das críticas, por exemplo, foi baseada num estudo de um catedrático da Escola Paulista de Medicina. Por mais absurda que possa parecer, essa situação é a mais medicamente correta de Amor à Vida. Acho que esses dois jornalistas a quem me refiro se incomodaram com o fim de nossa amizade.  Nem adianta que não vou citar o nome de nenhum deles.

Crítica de atores

Teve um site que publicou que atores estavam reclamando dos respectivos personagens. Não foi nada disso. Tiraram falas de contextos. Essas notícias não são ruins para mim. São ruins para os atores que ficam mal dentro da própria Globo, ganham fama de reclamões.

Cesar e Antonio Fagundes

O público feminino adora a trama do Cesar. Na sinopse, o personagem deveria morrer por volta do capítulo 80. Mas quando consegui a escalação de Antonio Fagundes, mudei de ideia. Lembro que por volta do capitulo 75, Fagundes me ligou e perguntou: “Eu não ia morrer?” (risos). Não dá para abrir mão de um ator como ele. Quando Fagundes está numa novela só pode sair no penúltimo capítulo.

Merchan literário

Indico livros na novela, pois sou escritor. Sei que muitos reclamam disso, mas tentei fazer um panorama da literatura atual. Falei de autores brasileiros que já são considerados clássicos, daqueles que estão começando a aparecer e ainda citei obras jornalísticas, livros infantis e autoajuda espírita.

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Papa: Igreja não pode “interferir espiritualmente” na vida dos gays

Novas declarações de Francisco foram publicadas em uma revista jesuíta

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Publicado no Terra

O Papa disse que a Igreja tem o direito de expressar suas opiniões, mas não pode “interferir espiritualmente” nas vidas de gays e lésbicas. Em uma entrevista divulgada nesta quinta, Francisco afirmou também que as mulheres deveriam ter papel nas decisões da Igreja e desconsiderou as críticas daqueles que dizem que ele deveria lutar contra o aborto e o casamento entre homossexuais.

A entrevista, divulgada hoje pela revista La Civiltà Cattolica e traduzida em diferentes línguas (leia na íntegra, em inglês), aprofunda a visão de Franciso a respeito da Igreja Católica Romana. Eric Marrapodi e Daniel Burke, comentaristas de religião da rede de TV americana, acreditam que os comentários do Papa não fere a política ou a doutrina católica, mas mostram um movimento que vai da censura ao engajamento (em relação à polêmica).

“A Igreja, às vezes, se fecha em si mesma em coisas pequenas, em regras pequenas”, disse o chefe da Igreja de Roma. “As pessoas de Deus querem pastores, e não clérigos agindo como burocratas ou oficiais do governo”, acrescentou. Segundo Francisco, se a Igreja falhar em achar equilíbrio entre as missões espiritual e política, “vai ruir como um castelo de cartas”.

No final de julho, quando voltava a Roma depois da Jornada da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, Francisco já havia feito declarações parecidas. “Se a pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”, disse o Papa na época.

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