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Evangélicos e a descriminalização das drogas

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Literalmente graças a Deus, a mídia verde-amarela não tem apenas Marco F* e Silas M* na hora de se referir aos evangélicos. Notinha publicada ontem na bombadíssima coluna do Ancelmo Gois em O Globo informava que 100 pastores divulgariam hoje no Rio de Janeiro manifesto a favor da descriminalização das drogas.

~Estranhamente~, após a repercussão da nota o evento foi adiado para o dia 25 de junho e será realizado no auditório do Seminário Teológico Betel (RJ). Ariovaldo Ramos, André Guimarães e Edvandro Machado vão conduzir o bate-papo sobre o tema controverso.

Importante lembrar que o tal manifesto foi divulgado no início de maio e  entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves. Matéria publicada no site do Viva Rio informa que “os signatários pedem a não votação do projeto de lei 7663/2010, do deputado Osmar Terra, e a rediscussão de alguns de seus artigos, como o que diz respeito à internação compulsória”.

Abaixo, o flyer do evento adiado e a carta na íntegra.
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“E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.”

2Co 5,18-19

Prezados irmãs e irmãos,

Nós, abaixo assinados (pastores e líderes de igrejas e instituições evangélicas de ação social, capelania e evangelismo no território nacional), preocupados com o agravamento e a dimensão que a questão das drogas tomou no cenário brasileiro, achamos por bem manifestar nossa contribuição.

Dados do Instituto Pro Bono revelam que só em São Paulo, cuja população é de cerca de 41 milhões de habitantes, 29 milhões de pessoas são identificadas como “potenciais usuários” dos serviços de um defensor público, ou seja, há quase 30 milhões de pessoas que não terão, segundo a sua renda e condição social, condições de pagar os serviços de um advogado para defender a sua causa.

Por outro lado, segundo dados do Infopen, publicado em um estudo do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEVUSP) sobre prisão provisória e lei de drogas, o número de presos provisórios enquadrados na lei de drogas no Brasil teve um aumento de 61,5% em cinco anos, entre 2005 e 2010.

O cruzamento desses dados indica que, nos casos em que os presos provisórios pertençam às camadas mais pobres, de bairros periféricos, e em sua maioria sejam negros e subempregados, dificilmente terão condições de lutarem pela sua liberdade e defesa de sua inocência. As arbitrariedades permitidas em casos de prisão por tráfico criam um hiato entre o encarcerado e a ajuda, salvo os esforços de vocação missionária das diversas pastorais carcerárias, missões de capelania e de evangelismos com detentos.

Influenciados pelo que nos afirma o apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios, “Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça e verdade (5:9)”, afirmamos que cremos neste tripé, bondade-justiça-verdade, como orientação para a construção de uma nova política pública sobre drogas e para uma mudança na lei 11.343/2006, que descriminalize o usuário e estabeleça critérios mais claros e objetivos para distinguir usuário e dependente, do traficante, assegurando ao usuário e dependente o direito constitucional á saúde, educação e projetos de requalificação profissional visando sua reintegração social.

Da Bondade: a vocação da Igreja é para transformação de vidas, sem perder a esperança e a disposição para a misericórdia. A reconstrução da vida de um “criminoso” é sempre mais difícil socialmente do que a de um doente, de alguém que tenha passado por um tratamento.

Da Justiça: a justiça bíblica não é referenciada na punição, mas no resgate. Não viola direitos do indivíduo, mas o orienta para o convívio. Não impõe formas de agir, mas chama a atenção para a presença do outro no relacionamento. A justiça deve valorizar a liberdade, e a liberdade é para o que Cristo nos resgatou. Nossas comunidades, atores importantes no acolhimento, na recuperação e no cuidado com a integralidade do ser humano (alma, corpo e espírito), não desejam serem usadas como instrumentos de privação e isolamento.

Da Verdade: a verdade deve iluminar o caminho. Isso significa não se orientar pelo medo, que muitas vezes inspira ações desesperadas, mas pelo amor, que lança fora todo o medo e busca soluções que de fato visam a recuperação, o cuidado, a dignidade, a saída dos caminhos de morte.

Pedimos portanto, a não votação do projeto 7663/2010, para que possam ser reparados e rediscutidos, artigos controversos e que comprometem a justiça e a dignidade, como a internação compulsória, a restrição de direitos, a criminalização do usuário, o fichamento dos internos e o envolvimento das instituições de ensino, além do endurecimento da pena e nenhum avanço em direção a superação dos estigmas e da marginalização, que transforma a população pobre no maior efetivo de nossas penitenciárias.

Assim portanto cremos, e em Cristo, despedimos-nos,

Abel Alves de Moraes – pastor, Comunidade Evangélica Nova Aliança
Adriano Trajano – pastor batista
Alexandre Demidoff – pastor, Igreja Cristã da Aliança
Alfredo Luiz da Costa Filho – reverendo, Igreja Presbiteriana do Brasil, Campinas, SP
André Guimarães – evangelista metodista, Rede Fale, RJ
André Marçal – pastor, Igreja Cristã da Família, SP
Anivaldo Padilha – pastor metodista, Koinonia
Ariovaldo Ramos – pastor batista
Antonia Leonora van der Meer – teóloga professora, Centro Evangélico de Missões, CEM
Caio Marçal – missionário batista, sec. executivo Rede Fale
Carlos Arnóbio – pastor, Assembléia de Deus
Carlos Eduardo de Sousa e Silva – pastor, Igreja Cristã de Ipanema, RJ
Carlos Henrique Machado – líder Igreja Presbiteriana Aliança
Cláudio Silva – pastor de jovens, batista, RJ
Claudiniz Braga – diretor Escola de Missões Urbanas Avalanche, ES
Clemir Fernandes – pastor batista, RENAS Nacional, ISER, RJ
Daniel Checchio – pastor, Comunidade Evangélica do Bexiga, e Rede Social do Centro, SP
Daniel Moura – pastor, Missão Vida
Davi Lenço – pastor batista
Davina Castro – pastora, Igreja Batista Betânia de Sulacap, Centro de Cidadania e Ação Social (CCAS), RJ
Derval Dasilio – pastor, Igreja Presbiteriana Unida, Maruípe, ES
Devanir Oliveira – professor batista
Diego Machado – pastor batista, coordenador projeto Cristolândia Rio de Janeiro
Edval Campos Jr – pastor, coordenador ABENFI, SP
Edvandro Machado Cavalcante – pastor Metodista, coordenador Pastoral Carcerária Metodista, RJ
Edwin Ferraz – pastor batista
Eliezer de Souza da Silva – articulador Rede FALE Campinas, SP
Elizabeth de Almeida Silva – missionária, Jornal Recomeço, Leopoldina, MG
Erivaldo de Moura – pastor presbiteriano, SP
Fábio Py Murta de Almeida – professor, Seminário Batista do Sul
Gilson Batista Sobral – pastor batista, SP
Hélio Osmar Fernandes – pastor presbiteriano
Hernani Francisco da Silva – rede Afrokut, movimento Negros e Negras Cristãos
Humberto Costa – pastor batista, coordenador projeto Cristolândia São Paulo
Ianê Nohueira do Vale – presbítera, Igreja Presbiteriana do Brasil
Ingrid Sanchez Medeiros – Igreja Presbiteriana do Brasil
Ilson Ferreira de Souza Jr – líder juventude batista, SP
Jair de Castro Araújo – pastor, Igreja Presbiteriana de Sousas, Campinas, SP
Joel Zeferino – pastor batista
John Philip Medcraft – pastor, ACEV, Ação Evangélica, PB
Jorjão Rodrigues – adm. da Rede Cristã de Responsabilidade Social
José do Carmo da Silva (Zé do Egito) – reverendo metodista, MS
José Martins Júnior – pastor júnior, Igreja Batista Vila das Belezas
Júlio Oliveira – pastor Igreja Batista da Orla, São Gonçalo, RJ
Leandro Silva – pastor missionário, Associação de líderes evangélicos de Felipe Camarão (ALEF), RN
Leandro Barbosa – líder Comunidade Cristã Caverna de Adulão, MG
Leonara Almeida – articuladora Rede Fale São Paulo
Luciene Redondo de Freitas – assistente social, Igreja Batista do Povo
Luiz Paulo Saldanha – pastor presbiteriano
Marcelo Jaccoud da Costa – assistente social, Primeira Igreja Batista de Campo Grande, RJ
Márcia Torres – Igreja Apostólica Yaweh Shamah
Marco Davi – pastor batista
Marcos Custódio – diretor executivo ong CADI-Origem, Manaus, AM
Marcos Ribeiro – pastor, Escola Verbalizando Missões Urbanas, RJ
Narcus Vinícius Matos – rede FALE
Marli Marcandali – pastor, ministério JEAME, SP
Miguel Adailton da Silva – missionário Missão Ágape Brasil
Morgana Boostel – sec. executiva rede FALE
Narcy Wutzki – teólogo professor, Seminário Teológico Batista Independente
Natan de Castro – missionário ABU-Aliança Bíblica Universitária
Neil Barreto – pastor, Igreja Batista Betânia em Sulacap, RJ
Neto – pastor, Igreja Batista da Redenção
Nilton Lind – pastor batista, ES
Nelson Bento de Carvalho – pastor emérito, Igreja Evangélica Batista em Vila Guarani
Otildes Maria Michel Sanchez – presidente da FEPAS
Paulo Cesar Borges – pastor presbiteriano
Paulo Santiago – secretário, RENAS Campinas
Paulo Sérgio Falcarella – pastor da Igreja Batista do Povo, Curicica, RJ
Paulo Felipe da Penha – pastor batista
Rafael Lira – líder de Juventude Batista do Estado de São Paulo
Rafael Simões Vaillant – pastor batista, Coroado, Gauarapari, ES
Raul Nogueira – pastor Batista
Regina Meire do Nascimento – diretora ministério JEAME, SP
Reinaldo Júnior – pastor, Primeira Igreja Batista de São paulo
Remy Damasceno Lopes – pastor batista
Renan Porto – articulador rede FALE Uberaba
Renato de Arruda – pastor presbiteriano
Renato Saidel – pastor, sec. exec. Ação social Igreja Metodista 3ª região eclesiástica
Ricardo Ramos – pastor batista, coordenador de ação social PIB Campo Grande, RJ
Rodrigo Lins – pastor batista
Ronaldo Guimarães – pastor, Comunidade Cristã S8, RJ
Ronaldo Rutter – pastor batista
Ronilso Pacheco – Comunidade Cristã S8, RJ
Rosa Bonfim – líder Igreja Batista Independente de Gravataí – RS
Ruth Silva – reverenda metodista, pastoral da 3ª Idade, RJ
Sandra Mederos de Campos – pastora batista
Sérvulo Costa – pastor presbiteriana, Igreja Presbiteriana, PE
Sérgio Lun M. Santos – pastor, representante legal Aliança Evangélica Brasileira – AEB
Sérgio Oliveira – pastor batista
Sérgio Toledo – pastor metodista, SP
Silvana Grandi – coordenadora sócioambiental, Igreja Batista da Liberdade, SP
Silas Andrade, pastor batista, PIB em Ponto Chic, Nova Iguaçu, RJ
Tânia Wtzki, coordenadora FEPAS – Federação das Entidades e Projetos Assitencias da CIBI – Convenção Batista Independente
Tércio Sá Freire – pastor, Rede Evangélica Nacional de Ação Social, RENAS, SP
Tereza Cassab – pastora, coordenadora Desperta Débora, SP
Ubiratan da Silva – pastor, grupo gestor Rede de Agentes de proteção e Prevenção as Drogas, REAGE, PR
Valdimir Andrede Julio – pastor, Comunidade Evangélica O Grande Amor de Deus
Walcir Gomes da Silva – pastor batista
Waldir Luiz – pastor batista
Wellinton Pereira – pastor metodista, Visão Mundial Brasil
Wilma Rodrigues Ribeiro – Assistente social Igreja Evangélica O Mundo Para Cristo
Wilton Silva dos Santos – pastor PIB de Guaratinguetá

dica do Pércio Faria Rios e do Bruno Dias

Mujica sobre o Papa: “tem muita malandragem”

Mujica, ex-guerrilheiro de 77 anos, é famoso por sua falta de apego a formalidades.

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Publicado originalmente no Terra

José “Pepe” Mujica comentou nesta terça-feira sobre suas impressões a respeito do papa Francisco, com quem manteve uma reunião de 45 minutos há dez dias. O presidente uruguaio – que é ateu – foi só elogios ao Pontífice.

“É um Papa esperto, que tem que tem muita malandragem e uma grande tarefa pela frente. Se Deus existe, tem que dar-lhe uma mão porque tem a missão de reformar a única corte antiga que resta sobre a terra”, disse Mujica ao jornal La República.

“É um Papa sóbrio, que tem consciência de que não é época de uma igreja com pompa, mas uma que esteja perto dos pobres”, acrescentou. Mujica, ex-guerrilheiro de 77 anos, é famoso por sua falta de apego a formalidades. Ele vive em uma fazenda nos arredores de Montevidéu. Tem patrimônio de R$ 455 mil e doa quase 90% de seu salário, que é de cerca de R$ 26 mil. Uma vida que pode ser chamada de franciscana.

Durante a visita ao Vaticano, Mujica recebeu um quadro de presente do papa Francisco e brincou: “vou ter que fazer uma casa nova porque não tenho onde pendurá-lo”. Ao apresentar sua equipe ao Papa, ouviu o conselho de Francisco dirigido à sua médica pessoal: “cuida bem dele…”

As dez mais belas e santas canções do nosso hinário popular

Certo de que o Evangelho de Jesus não foi nesses quinhentos anos de Brasil um item isolado – exclusivo da religião institucional – escolhi colocar na lista apenas canções populares que se conectam com princípios e símbolos cristãos.

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Publicado por Marcos Almeida

A certeza que me conduz nesta fascinante pesquisa dentro do repertório popular, é de que a espiritualidade cristã afetou (sim) o modo de ver o mundo de muitos compositores daqui. É no cancioneiro das ruas que busco a confissão explícita e a arte analógica. Aquela que ‘explica’, essa que aponta.

A liturgia dos palcos e dos bares me interessa. Sabemos que a música que tem poesia, discurso e letra está se confessando; porque toda canção é confissão. Palavra é denúncia.

Duas constatações bem vindas:

1. Chamar a música ‘religiosa’ de confessional é de certa forma estúpido – é redundância. Pois toda canção é confissão.

2. Quem explica dá o molde. A fé, portanto, é explicação de vida, é base para cosmovisões, assim como a filosofia ou a “educação laica”. E tudo que explica a vida também fundamenta discursos a respeito da vida. Sendo assim, a fé pode ser vista comoformadora de pressupostos e intenções. Essa  fôrma ideológica do compositor aparece estruturando seu discurso ou apenas surge como um tipo de moldura para um quadro abstrato.

Certo de que o Evangelho de Jesus não foi nesses quinhentos anos de Brasil um item isolado – exclusivo da religião institucional – escolhi colocar na lista apenas canções populares que se conectam com princípios e símbolos cristãos. Dez canções (contemporâneas – não fui parar lá nos baús imperiais)  que apontam, como uma analogia redentiva, para a Boa Nova e a Esperança.

A força espiritual de algumas letras aparentemente não “religiosas” constrói um acesso ao conteúdo do evangelho de forma linda. Não incluí aqui as canções de molduras afro ou indígena – embora elas mesmas também se relacionem com o esperances de alguma forma (mas isso é outro assunto). Por enquanto, curta aí as dez mais belas e santas canções do nosso hinário popular.

1. Todos estão surdos ( Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

2. Juízo final (Nelson Cavaquinho)

3. Minha festa (Nelson Cavaquinho)

4. Dê um rolê (Moraes Moreira)

5. Deus é o amor (Jorge Ben)

6. Brother (Jorge Ben)

7. A canção que chegou (Cartola)

8. Feito pra acabar ( Marcelo Jeneci )

9. Wave (Tom Jobim)

10. De onde vem a calma (Marcelo Camelo)

Vale uma busca por Elis Regina cantando Já refulge a glória eterna (Glória, glória, aleluia). “Preciso me encontrar”, do Candeia, gravada pelo Cartola e “Obrigado Jesus” do Neguinho.

Isso quer dizer que estamos cristianizando a música popular brasileira? De forma alguma. Antes de existir qualquer movimento organizado da música evangélica, o Grande Tema  já estava ardendo dentro dos compositores da rua. Porque foi Ele mesmo quem colocou em nós esse desejo pelo Eterno.

Viva!

Abraço demorado

“Abraço final”: Conheça a história por trás da foto mais perturbadora da tragédia em Bangladesh

Para Taslima Akhter, a foto mostra que os quase mil mortos na tragédia não são apenas números, mas vidas tão valiosas como a de qualquer ser humano

"Abraço Final", fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

“Abraço Final”, fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

Publicado originalmente no Terra

A fotógrafa e ativista bengalesa Taslima Akhter percorria os escombros do prédio em situação irregular que desabou em Savar, nos subúrbios de Daca, capital de Bangladesh, no dia 24 de abril, quando se deparou com o casal da foto acima. Desde então, essa foto a assombra. Não exatamente pelo que a imagem mostra à primeira vista, mas pelo que só é possível sentir quando se sabe o contexto que envolve a tragédia ocorrida em uma fábrica de roupas e cujo número de mortos já se aproxima de mil.

Em um texto publicado dia 8 no site da revista americana Time, Akhter afirmou que o que a aterroriza nessa imagem é, na verdade, sua capacidade de dizer o que muitas vezes é ignorado em acontecimentos dessa natureza em Bangladesh: o fato de que os operários que trabalham sob as péssimas condições oferecidas pela indústria têxtil do país não são apenas números. São seres humanos cujas vidas valem tanto quanto as de qualquer outra pessoa.

Não por acaso a Time classificou a foto tirada por Akhter como a “mais perturbadora” da tragédia em Bangladesh, a mais representativa de uma cobertura fotográfica marcada por imagens fortes, como é possível observar na galeria dispónível ao final desse texto.

O Terra entrou em contato com Akhter, que cedeu a imagem do “Abraço Final”. Abaixo, a tradução do texto publicado na Time.

Eu venho fazendo muitas peguntas a respeito do casal que morreu abraçado após o colapso. Eu tentei desesperadamente, mas ainda não achei nenhuma pista a respeito deles. Eu não sei quem são ou qual a relação eles tinham. 

Eu passei o dia inteiro do desabamento no local, assistindo aos trabalhadores serem retirados das ruínas. Eu lembro do olhar aterrorizado dos familiares – eu estava exausta mental e fisicamente. Por volta das 2h, encontrei um casal abraçado nos escombros. A parte inferior dos seus corpos estava enterrada sob o concreto. O sangue que saía dos olhos do homem corria como se fosse uma lágrima. Quando os vi, não pude acreditar. Era como se eu os conhecesse – eles pareciam ser muito próximos a mim. Eu vi quem eles foram em seus últimos momentos, quando, juntos, tentaram salvar um ao outro – salvar suas vidas amadas.

Cada vez que eu olho para essa foto, me sinto desconfortável – ela me assombra. É como se eles estivessem me dizendo, nós não somos um número – não somos apenas trabalho barato e vidas baratas. Nós somos humanos como você. Nossa vida é preciosa como a sua, e nossos sonhos são preciosos também. 

Eles são testemunhas nessa história cruel. O número de mortos agora passa de 750 (nesta quinta-feira, já chega a quase 1000). Que situação desagradável nós estamos, onde humanos são tratados apenas como números. 

Essa foto me assombra todo o tempo. Se as pessoas responsáveis não receberem a punição merecida, nós veremos esse tipo de tragédia de novo. Não haverá consolo para esses sentimentos horríveis. Cercada de corpos, eu senti uma imensa pressão e dor nas duas últimas semanas. Como testemunha dessa crueldade, tenho necessidade de compartilhar essa dor com todos. Por isso eu quero que essa foto seja vista.

Evangélicos são maioria entre os jogadores brasileiros da atualidade

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Publicado originalmente no UOL

Os jogadores evangélicos são maioria no futebol brasileiro atual, revela uma pesquisa do UOL Esporte realizada com 105 jogadores de grandes times do país. Os atletas foram ouvidos sobre o tema em condição de anonimato.

Um terço dos atletas consultados (33%) está ligado a religiões evangélicas, enquanto que 18% afirmaram serem seguidores do catolicismo. Por fim, 2% declaram ser batistas.

Nas respostas, 19% dos jogadores consultados dizem estar distanciados de qualquer religião, enquanto que 28% optaram por não se manifestar a respeito do tema.

A reportagem do UOL ouviu jogadores de vários estados para traçar um raio-X do futebol no país através dos olhos dos boleiros. Em anonimato, atletas de grandes equipes falaram sobre temas controversos, como álcool, gays no esporte e relação com a imprensa.

Foram ouvidos jogadores de Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco da Gama.

Esta é a segunda edição do Pesquisão UOL Esporte com jogadores de futebol do país. No final de 2012, o levantamento trouxe opiniões polêmicas. Por exemplo, Kleber Gladiador foi eleito o jogador mais violento do país, e o corintiano Jorge Henrique, o mais irritante. Na mesma eleição, Milton Leite foi escolhido o melhor narrador, enquanto que Caio Ribeiro foi eleito o melhor entre os comentaristas da TV.

batistas ñ são evangélicos, UOL? #megafail