Espanha: menores podem ser forçados por lei a fazer tarefas domésticas

foto (meramente ilustrativa): Wikimedia Commons
foto (meramente ilustrativa): Wikimedia Commons

Fernando Moreira, no Page not Found

Crianças e adolescentes até 18 anos na Espanha podem ser obrigados por lei a ajudar nas tarefas domésticas, determinadas de acordo com o gênero e com a idade. O projeto de lei está sendo analisado pelo Parlamento do país espanhol.

De acordo com o projeto, crianças e adolescentes se tornam obrigados a “participar da vida familiar” e a “obedecer pais e irmãos”. Além disso, o proposta legislativa afirma que os menores têm que “respeitar as regras escolares”, estudar o tanto quanto for exigido pela escola e manter uma atitude positiva”, de acordo com o jornal espanhol “ABC”.

O projeto, entretanto, não estabelece penas para crianças e adolescentes que falharem no cumprimento das obrigações domésticas.

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Walcyr Carrasco: “Assim como peço respeito aos evangélicos, peço aos homossexuais e a toda diferença”

Walcyr, autor de Amor à Vida: “Encerrei os trabalhos há uma semana”
Walcyr, autor de Amor à Vida: “Encerrei os trabalhos há uma semana”

título original: “Tatá Werneck deu muito conta do recado”, diz Walcyr Carrasco

Ricky Hiraoka, no Terraço Paulistano

Ontem à noite, a coluna assistiu ao capítulo de Amor à Vida ao lado do autor Walcyr Carrasco. Instalado num confortável imóvel de 2 200 metros quadrados em Higienópolis, o novelista recebeu Terraço Paulistano no escritório onde costuma escrever e assistir à trama – há uma mesa de frente para uma TV de tela plana, e no meio um sofá. É depois da exibição que ele começa a escrever, por volta das 23h e para às 5h.

“Encerrei os trabalhos há uma semana”, conta. “Mas, como sou imprevisível, posso alterar uma cena ou outra até o fim das gravações.” Durante o capítulo, ele destacava o trabalho de alguns atores. “A Elizabeth Savalla está um arraso”, diz. “Tatá é muito engraçada”, comentava, quando apareciam as cenas em que ela improvisava no confinamento do Big Brother Brasil. Abaixo, Carrasco comenta os principais aspectos do folhetim que terá seu último capítulo exibido no próximo dia 31.

Valdirene e BBB

Ir para o BBB é o sonho de tanta gente que eu conheço. Elas acham que se entrarem no programa terão os problemas resolvidos. Decidi que seria uma boa a Valdirene ter esse sonho. Em setembro, tive uma reunião com Boninho e expliquei minha ideia. Disse, inclusive, que queria a participação dele. No início, ele hesitou dizendo que era muito canastrão. Argumentei que Tatá resolveria esse problema.

Valdirene no BBB

Ela é muito engraçada. Tatá manteve o personagem dentro do BBB.  Dentre as orientações que lhe passei uma era de sensualizar com os participantes e levar um rapaz para debaixo do edredom. Ela leu o capítulo em que Valdirene aparece no BBB, então, ela sabia o material que deveria entregar para a direção. A gente conversou bastante. Ela estava muito disponível para esse desafio e queria muito fazer. Tatá é uma atriz muito corajosa e deu conta do recado.

Walcyr vendo Valdirene no BBB: “Tatá manteve o personagem dentro do BBB”
Walcyr vendo Valdirene no BBB: “Tatá manteve o personagem dentro do BBB”

Evangélicos

Uma das minhas ideias iniciais era transformar a Valdirene numa cantora gospel. Desisti  porque Tatá explorou muito bem o lado de humor da personagem e caiu nas graças do público. Ela ficou muito marcada por ser engraçada. Não queria fazer humor com os evangélicos e soar como deboche. Se fosse minha nona novela com personagens dessa religião e eu tivesse uma relação construída com eles, aí tudo bem.

Gays, homofobia e tolerância

“A questão dos gays e da homofobia acabou tomando conta da novela, embora esse não fosse um tema forte no projeto inicial. Esse é um assunto que está sendo falado no mundo inteiro. Vários estados americanos estão aprovando o casamento gay, outros lugares tomam medidas contra os gays… As pessoas aderiram a essa discussão. No Natal, por exemplo, a mulherada da minha família ficou especulando se o Félix se casaria com o Niko. Eu fazia cara de esfinge porque não comento nada da trama com ninguém. Até que uma sobrinha minha fez uma observação interessante: “Há cinco anos, jamais falaríamos com tanta naturalidade sobre um casal gay…”

Félix

Não planejei a transformação do Félix de vilão em mocinho. Fui sentindo a história e criando. O Félix agradou o público e abriu a discussão sobre homofobia, que tomou conta da trama. Fiquei feliz com isso.

Niko

Desde o começo o Niko se colocou como um personagem que queria filhos. Alguém muito família. O Thiago Fragoso soube construir bem o personagem. E as pessoas odeiam a Amarilys porque ela fez o que nenhuma mulher perdoa: roubou o namorado da amiga, no caso, do amigo. Mas eu não esperava que fossem adotar o Niko como aconteceu. Foi uma grata surpresa

Casamento entre Niko e Felix

Não vai ter casamento. Essa semana teve um boato na internet que haveria o casamento de Félix e Niko numa igreja evangélica. Uma grande bobagem. Eu sinto que foi uma tentativa de grupos de desestabilizarem o respeito que tenho tratado os evangélicos na novela. Assim como peço respeito aos evangélicos, peço aos homossexuais e a toda diferença. Amor à Vida significa tolerância ao outro.

Arrependimentos

Nunca respondo perguntas do tipo: “O que você teria feito de diferente?”. Isso é delicado porque envolve toda a equipe. Se houve caminhos que tomamos que não resultaram nos resultados esperados, isso guardarei para mim.

Liberdade de criação

Um coisa que me deixou muito feliz e tiro meu chapéu para a direção da Globo é que eles tiveram uma visão ampla que permitiu que eu tratasse de qualquer tema. Em nenhum momento, recebi uma ligação falando: “Pare de escrever tal coisa!”. Só me ligavam para me felicitar, para dizer que a novela era boa e estava dando audiência.  Tudo que escrevi foi exibido. Essa liberdade me deixou muito feliz.

Influência das redes sociais

Assisto aos capítulos de olho no Twitter. Acompanho tudo que está na hashtag Amor à Vida. Sei que ali é uma parcela muito pequena dos telespectadores. Não analiso os comentários qualitativamente e sim quantitativamente. Observo que personagens são mais citados. Tem muita gente que vem me xingar no Twitter. Aí, eu bloqueio.

Perseguição

Me sinto perseguido por dois ex-colegas dos tempos que era jornalista. Eles usam os veículos em que escrevem para fazer críticas sem fundamentos. Falam qualquer coisa. Eu pesquisei muito para escrever a novela. A cegueira do Cesar, um dos alvos das críticas, por exemplo, foi baseada num estudo de um catedrático da Escola Paulista de Medicina. Por mais absurda que possa parecer, essa situação é a mais medicamente correta de Amor à Vida. Acho que esses dois jornalistas a quem me refiro se incomodaram com o fim de nossa amizade.  Nem adianta que não vou citar o nome de nenhum deles.

Crítica de atores

Teve um site que publicou que atores estavam reclamando dos respectivos personagens. Não foi nada disso. Tiraram falas de contextos. Essas notícias não são ruins para mim. São ruins para os atores que ficam mal dentro da própria Globo, ganham fama de reclamões.

Cesar e Antonio Fagundes

O público feminino adora a trama do Cesar. Na sinopse, o personagem deveria morrer por volta do capítulo 80. Mas quando consegui a escalação de Antonio Fagundes, mudei de ideia. Lembro que por volta do capitulo 75, Fagundes me ligou e perguntou: “Eu não ia morrer?” (risos). Não dá para abrir mão de um ator como ele. Quando Fagundes está numa novela só pode sair no penúltimo capítulo.

Merchan literário

Indico livros na novela, pois sou escritor. Sei que muitos reclamam disso, mas tentei fazer um panorama da literatura atual. Falei de autores brasileiros que já são considerados clássicos, daqueles que estão começando a aparecer e ainda citei obras jornalísticas, livros infantis e autoajuda espírita.

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Papa: Igreja não pode “interferir espiritualmente” na vida dos gays

Novas declarações de Francisco foram publicadas em uma revista jesuíta

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Publicado no Terra

O Papa disse que a Igreja tem o direito de expressar suas opiniões, mas não pode “interferir espiritualmente” nas vidas de gays e lésbicas. Em uma entrevista divulgada nesta quinta, Francisco afirmou também que as mulheres deveriam ter papel nas decisões da Igreja e desconsiderou as críticas daqueles que dizem que ele deveria lutar contra o aborto e o casamento entre homossexuais.

A entrevista, divulgada hoje pela revista La Civiltà Cattolica e traduzida em diferentes línguas (leia na íntegra, em inglês), aprofunda a visão de Franciso a respeito da Igreja Católica Romana. Eric Marrapodi e Daniel Burke, comentaristas de religião da rede de TV americana, acreditam que os comentários do Papa não fere a política ou a doutrina católica, mas mostram um movimento que vai da censura ao engajamento (em relação à polêmica).

“A Igreja, às vezes, se fecha em si mesma em coisas pequenas, em regras pequenas”, disse o chefe da Igreja de Roma. “As pessoas de Deus querem pastores, e não clérigos agindo como burocratas ou oficiais do governo”, acrescentou. Segundo Francisco, se a Igreja falhar em achar equilíbrio entre as missões espiritual e política, “vai ruir como um castelo de cartas”.

No final de julho, quando voltava a Roma depois da Jornada da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, Francisco já havia feito declarações parecidas. “Se a pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”, disse o Papa na época.

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As cantadas ofendem

Uma pesquisa mostra que as mulheres têm medo de andar sozinhas por causa das agressões verbais – e físicas – que recebem dos homens. Quando haverá uma campanha oficial contra isso?

Manifestantes na Marcha das Vadias, em julho, no Rio de Janeiro. Elas defendem o respeito ao corpo e à dignidade feminina, ofendidos pelas “cantadas” (Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Folhapress)
Manifestantes na Marcha das Vadias, em julho, no Rio de Janeiro. Elas defendem o respeito ao corpo e à dignidade feminina, ofendidos pelas “cantadas” (Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Folhapress)

Karin Hueck, na Época

Natália, de 28 anos, andava por uma avenida movimentada de São Paulo com uma amiga. O rapaz que vinha na direção oposta se esgueirou entre as duas. Encarou-as de alto a baixo e soltou: “Sem calcinha vocês devem ser uma delícia”. Débora, de 29 anos, esperava o semáforo abrir para atravessar uma avenida. Foi abordada por um estranho que a convidava para um café. Puxou-a pelo braço, insistiu e depois começou a segui-la. Thatiane, de 23 anos, estava numa festa. Sentiu alguém deslizar a mão por seu corpo. Ela se voltou para tirar satisfação, e o rapaz a chamou de vagabunda. Thatiane jogou o conteúdo do copo que tinha nas mãos sobre ele. Levou um tapa na cara. Laura tinha 14 anos, estudava no centro de Porto Alegre e saiu para almoçar. Três homens cruzaram seu caminho, passaram a mão no meio de suas pernas e discorreram sobre suas partes íntimas, com uma frase que jamais poderia ser publicada em ÉPOCA.

Natália, Débora, Thatiane e Laura são minhas amigas. Não precisei ir longe para reunir essas histórias assustadoras, porque elas não são exceção. Assim como minhas amigas e eu, já passaram por situações constrangedoras nas ruas 99,6% das quase 8 mil mulheres que responderam a um questionário on-line elaborado por mim. O levantamento, promovido entre julho e agosto, faz parte da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, organizada pelo blog Think Olga, um espaço virtual para discutir questões femininas. O percentual de mais de 99% é parecido com o encontrado num trabalho feito nos Estados Unidos pela organização Stop Street Harassment (Parem com Assédio nas Ruas). Lá, 99% das mulheres afirmaram ser incomodadas nas ruas. Como não sou pesquisadora e não usei metodologia científica, sei que meus resultados podem não ser exatos. Mas eles traçam um bom panorama do que as mulheres enfrentam – e do que sentem – quando andam pelas ruas. Como mulher e jornalista, foi a maneira que encontrei de mostrar que esse tipo de “elogio” não agrada. Ofende, humilha e causa medo.

É tão comum que uma mulher ouça cantadas ou passe por situações que beiram ao assédio que o assunto é pouquíssimo discutido. Parece apenas mais um fato da existência. A chuva molha. Seres humanos envelhecem. Mulheres são importunadas nas ruas. É tão frequente que algumas dizem não se importar. Parecem ter se conformado. De acordo com a pesquisa, 17% consideram cantadas algo legal.

Imaginando que algum comentário sobre nosso corpo feito por estranhos seja admissível, qual o limite entre o elogio aceitável e a cantada ofensiva? Pode chamar de princesa? Pode passar a mão no cabelo? E colocar a mão no corpo, pode? Parece que muitos acham que sim. No levantamento, 85% das mulheres afirmaram já ter sido tocadas ao andar sozinhas. Nas nádegas (88%), na cintura (56%), nos seios (20%), entre as pernas (17%). Se isso não é agressão sexual, o que será?

Todas essas “cantadas” – da “princesa” à passada de mão – violam a intimidade feminina. O assediador parte de um princípio: o corpo da mulher é visto como público, algo sobre o qual se pode opinar e, por que não, do qual pode se servir à vontade. Como essa percepção é generalizada, a mulher que decide se manifestar contra o assédio corre o risco de ser ofendida. Vira metida, baranga e outros insultos que não cabem neste artigo. Entre as voluntárias que responderam ao questionário, 68% relataram ter sofrido intimidações verbais ao revidar. Talvez por isso, poucas mulheres reajam às cantadas que ouvem: apenas 27%. “Medo de apanhar” é uma das principais justificativas para o silêncio delas, e faz sentido. Dados da Secretaria de Política para as Mulheres mostram que 37% das brasileiras foram agredidas em vias públicas, e 29% foram atacadas por desconhecidos.

Isso significa que mais da metade da população brasileira – 51,5% de mulheres – sente medo quando sai à rua. Isso faz com que esse enorme grupo não se expresse da maneira como gostaria. Meu levantamento revela que 90% das mulheres já trocaram de roupa para sair de casa, com medo de chamar a atenção. Mais de 80% mudaram de caminho, desistiram de sair a pé ou até de ir aonde desejavam, por medo da atitude dos homens. As cantadas tolhem a liberdade da mulher. Lembro-me de como abaixava a cabeça e fingia chorar quando passava na frente de um aglomerado de homens durante a adolescência. Torcia para que se enternecessem e não me dissessem nada.

A intimidação não acontece só nas ruas. Sofri ataques pelo simples fato de ter lançado o questionário. Internautas anônimos mandaram mensagens de ódio e ameaças para o blog que hospedou o formulário. “Por fora vocês não gostam, mas por dentro adoram”, escreveu um. “Que mimimi é esse? Tem de olhar reto e, se não quiser aparecer, põe uma roupa maior”, escreveu outro. E o campeão: “Essa pesquisa é a coisa mais imbecil que já li. Vocês merecem ser estupradas”, de um usuário cujo e-mail era rapist@raperz…(estuprador@estupradores…). Gente assim deve achar que é direito dos homens cantar as mulheres. Que homem nenhum deveria se controlar perto de uma mulher, passando por cima – imagine, que absurdo! – do impulso de falar obscenidades.

Engana-se quem acha que esse tipo de violência é exclusividade do Brasil. Débora, citada no começo do texto, foi perseguida pelo rapaz em Berlim, na Alemanha. Nos Estados Unidos, o problema é tão comum que uma jornalista criou o site ihollaback.org para receber e divulgar vídeos e relatos de mulheres que passaram por situações constrangedoras. O site, que funciona a partir de financiamentos coletivos, também treina pessoas de 64 cidades em 22 países para gravar pequenos filmes de celular com flagrantes de assédio nas ruas.

Para as mulheres, é incômodo falar sobre o assunto. Elas sentem vergonha, como sugerem os relatos das voluntárias que participaram da pesquisa (além de responder às perguntas de múltipla escolha, elas podiam relatar casos que tivessem vivido). Por que as mulheres têm vergonha? Atrevo-me a sugerir uma explicação: muitas podem pensar que tiveram culpa, que provocaram de alguma maneira o comportamento dos homens. Não raro, quando sofremos uma agressão dessas, pensamos: “Como eu estava vestida?”. Como se isso fosse uma justificativa. Como se isso importasse. Esse raciocínio já é uma forma de violência. É a velha cultura do estupro, absorvida pelas próprias mulheres: “Ela mereceu”. As histórias contadas pelas mulheres que responderam ao questionário são tão chocantes, que é de estranhar que não exista nenhuma campanha pública educativa contra esse tipo de comportamento. Há adolescentes e meninas pré-púberes ouvindo ameaças à virgindade nas ruas, sob o olhar complacente de todo mundo. Essas meninas aprendem desde cedo que, em pleno Brasil do século XXI, a rua pertence aos homens, e nela a mulher anda de cabeça baixa. Já passou da hora de levantarmos a cabeça.

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