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Sentado ao lado de Feliciano, Bolsonaro provoca manifestantes em reunião da CDH: “Acabou a festa gay”

foto: Pedro Ladeira/Frame

foto: Pedro Ladeira/Frame

título original: Primeira sessão da comissão de Direitos Humanos é marcada por bate-boca

Isabel Braga, em O Globo

A primeira sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, nesta quarta-feira, já tinha tumulto entre manifestantes e alguns parlamentares antes mesmo de começar. Na primeira reunião do colegiado sob a liderança do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) provocou os manifestantes contrários a Feliciano dizendo que “acabou a festa gay”.

Nesta sessão, manifestantes evangélicos também vieram à sala onde acontece a reunião e ocuparam todos os assentos destinados a visitantes. Mais tarde, cerca de uma hora antes do começo da sessão, grupos de defesa dos direitos dos gays chegaram e permaneceram no corredor lateral, dentro da sala. Após serem provocados por Bolsonaro, representantes do movimento LGBT responderam:

- É esse tipo de representante que vocês querem defendendo vocês? É esse tipo de cara que vocês querem representando a igreja de vocês?

Os manifestantes evangélicos aplaudiram e disseram que sim.

- Enquanto existir essa comissão, os veados vão estar aqui. A gente saiu do armário, quebramos o armário e não voltamos mais pra ele – disse um manifestante para Bolsonaro.

Os manifestantes pró Feliciano chegaram logo cedo na sala da comissão. Cerca de 70 pessoas aguardavam o começo da sessão.

Uma negociação foi feita com os manifestantes pela segurança da Câmara, para que integrantes dos movimentos a favor e contra Feliciano possam estar na sala da comissão.

O tumulto na comissão fez com que apenas um assunto fosse votado em uma hora de reunião do colegiado. A confusão se alastrou e deputados também começaram a discutir entre si. A deputada Érika Kokay (PT-DF) tentou derrubar a sessão afirmando que não tinha quorum. Ela também reclamou que Feliciano não dava a palavra para deputados contrários a sua eleição.

Jair Bolsonaro, que estava sentado ao lado de Feliciano na mesa da presidência da comissão, mandou Érika calar a boca. Domingos Dutra (PT-MA), ex-presidente da comissão, defendeu Érika, e entrou em um embate com Bolsonaro.

Ivan Valente (PSOL-SP) pediu que Feliciano abandonasse a presidência. Durante a sessão, Feliciano reforçou sua posição de que não abre mão da presidência da comissão, mesmo após as manifestações contrárias.

- Não vou ceder à pressão – disse.

Para a sessão desta quarta-feira, Feliciano alterou a pauta de votação e excluiu temas polêmicos. Os projetos que previam a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o que criminalizava a “heterofobia” foram retirados. A pauta com esses itens tinha sido anunciada anteontem.

O deputado disse nesta quarta-feira que a pauta com esses itens que causava controversa não foi elaborada por ele, mas sim pela antiga gestão da comissão, que era presidida por Dutra.

Na nova pauta constam apenas oito itens, que tratam apenas de requerimento para realização de audiência pública sobre vários temas. Dos oito itens, quatro são de autoria do presidente da comissão. Ele quer audiência para debater situação de moradores de rua, casos de exploração sexual de crianças e adolescentes, e que seja encaminhada uma solicitação ao Itamaraty para que interceda em defesa dos torcedores corintianos detidos naquele país.

dica do João Marcos

Os limites da pregação religiosa

Para o padre Anísio Baldessin, é melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso

Aline Viana, no iG

A situação é difícil: um colega de trabalho descobre uma doença grave ou perde um ente querido. A intenção é boa: o primeiro consolo que lhe vem à cabeça é de cunho religioso. Mas pode ser ofensivo “evangelizar” alguém neste contexto. E em outros contextos também.

Quem nunca ouviu que religião, política e futebol não se discutem? “Na verdade, esses assuntos não se condenam. Não tenho como julgar a escolha do outro, apenas me cabe respeitá-la”, redefine Janaína Depiné, coach em relacionamentos e especialista em etiqueta.

Para Janaína, os atritos ocorrem quando se desrespeita o direito do outro de pensar diferente ou se fica preso a uma interpretação literal de uma escritura. “Jesus pregava para leprosos e prostitutas. Por isso é estranho ver alguns pastores evangélicos condenando os homossexuais. Mesmo que o Antigo Testamento condene a prática do homossexualismo, a Bíblia também diz para respeitar todos”, pontua Janaína.

Junto ao respeito, há a questão da oportunidade. Por mais que se queira levar a palavra de Deus, Jeová, Ogum, Maomé, etc. a todos, existem hora e lugar certos para fazer isso.

“Usamos muito a expressão ‘a pessoa tal é uma pessoa de Deus’ porque não precisa pregar, as atitudes falam por si mesmas”, observa o padre Anísio Baldessin, autor do livro “Entre a Vida e a Morte: Medicina e Religião” (Editora Loyola). “É melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso, porque se o outro se sentir agredido jamais ficará interessado em conhecer mais sobre a sua religião”, concorda Janaina.

Intolerância ao pé da letra

Paulo Vinicius passou por uma saia justa incomum no velório do pai: em vez de confortá-lo, membro da igreja que ele deixara de frequentar ignorou-o
foto: Gustavo Magnusson/ Fotoarena

No velório do próprio pai, o auxiliar judiciário Paulo Vinicius Mendes Ananias, 29, se sentiu agredido pelo comportamento de um irmão de sua antiga igreja. Ele tinha sido Testemunha de Jeová e, segundo as leis da igreja, os fiéis não podem mais manter contato com quem se afasta.

“No velório do meu pai, estávamos eu, minha mãe e a minha namorada. Chegou um irmão da igreja e cumprimentou todo mundo, menos eu. Apertou a mão da minha mãe, dos outros e passou direto por mim. Só tinha eu de filho lá na hora. E ele é um ancião, uma figura de autoridade da igreja. Eu me senti humilhado e mais triste do que já estava”, relembra Paulo.

Ele pontua que nem todos os religiosos agiram assim na ocasião. “Havia outras pessoas da igreja que me cumprimentaram, conversaram e tentaram me confortar. Mas foi justamente com aquele que não me cumprimentou que eu tive um relacionamento mais próximo, porque foi ele quem me passou os ensinamentos da religião quando eu era criança”, conta. “Hoje eu não vou mais a nenhuma igreja porque não acredito mais em nada.”

O que não fazer

Sugerir um momento de oração em local de trabalho ou de estudo pode ter a melhor das intenções, mas sair pela culatra e criar um clima de isolamento para quem não quer participar. Se uma única pessoa se sente constrangida ou desconfortável, é melhor respeitar e deixar a prática para outro momento.

Dar presentes de cunho religioso sem conhecer bem o outro também é arriscado. Se a pessoa não comunga da mesma fé, pode se ofender.

Convites para cultos também devem ter contexto adequado. Esteja pronto para ouvir um “não”. “O próprio Jesus Cristo sempre propôs: ‘se você quiser me seguir’, ‘se você quiser entrar no Reino dos Céus’…”, diz o padre Anísio.

Mas se uma pregação fora de hora ou de lugar ofender, não responda. Uma discussão não vai mudar a opinião do outro, nem torná-lo mais tolerante. Se isso acontecer, será por meio de um processo mais longo, não de um bate-boca.

Que deselegante!

A ex-primeira-dama Rosane Collor , em entrevista à edição de maio da revista “Marie Claire”, disse que a atual mulher do ex-marido, Caroline Medeiros, foi punida por Deus por ter lhe roubado Fernando Collor. Segundo Rosane, essa é a razão de uma das filhas gêmeas do ex-presidente com Caroline ter nascido com problemas de saúde.

Além de deselegante, a declaração não encontra respaldo no próprio pensamento religioso. “Deus não conserta um erro com outro erro. No Antigo Testamento, pensava-se que doença era um castigo. Mas no Cristianismo é inconcebível que os pais cometam um erro e que os filhos paguem por ele”, diz o padre Anísio.

Segundo Anísio, as dificuldades da vida serão as mesmas para os fiéis de qualquer religião – e para quem não tem nenhuma. “Ter ou não ter uma religião não livra da doença, do desemprego. E religião não é para resolver o problema de ninguém, mas sim para pôr Deus em contato com as pessoas”, conclui.

dica do Fábio Davidson

Reuniões religiosas perdem espaço e pastor símbolo da era Dunga fica fora da seleção

No comando da seleção, Mano Menezes procurou restringir reuniões religiosas na concentração
No comando da seleção, Mano Menezes procurou restringir reuniões religiosas na concentração

Carlos Padeiro, no UOL

Conhecido no ambiente da seleção brasileira de futebol há pelo menos dez anos, o pastor Anselmo Alves não viajará para a Olimpíada de Londres. Segundo o religioso, que ficou marcado principalmente no período de Dunga como treinador, sua entrada no hotel do Brasil não é mais liberada.

“Não tenho mais a permissão de fazer trabalhos aí [na seleção] e nenhum atleta me convidou. Então vou ficar por aqui mesmo”, revelou o pastor, que vive em Curitiba, por telefone. Essa é a primeira vez que ele fica ausente de um grande torneio desde 2002.

Já a CBF informou que não proíbe a entrada de ninguém na concentração durante a viagem pelo Reino Unido. Na última terça-feira, por exemplo, familiares do volante Sandro estiveram no hotel em St. Albans, conversaram com boa parte do elenco e tiraram fotos.

Quando assumiu o cargo de técnico da seleção, Mano Menezes avisou que não aprovaria reuniões religiosas na concentração. Mesmo assim, o pastor Anselmo esteve na Argentina na Copa América de 2011, a convite do capitão Lúcio. O zagueiro era o último remanescente da turma próxima ao evangélico e o conhecia desde o Mundial de 2002, na conquista do penta.

Para seguir a recomendação de Mano, Lúcio conversou e rezou com o pastor no restaurante do hotel argentino, ou seja, um local público. O beque de 34 bancava as viagens de seu amigo, e outros atletas passaram a ajudá-lo.

“Não é só um suporte espiritual, mas sim emocional, psicológico, de problemas familiares”, comentou Anselmo, sobre o apoio que oferece.

Os encontros religiosos no ambiente da equipe nacional viraram um tema polêmico durante a era Dunga, que tinha no seu auxiliar Jorginho um dos maiores expoentes. Os pastores tinham livre acesso aos bastidores. Existia um espaço reservado só para isso, e mesmo jogadores que não eram evangélicos participavam.

foto: Mowa Sports

Empresa inaugura espaço para ‘cochilo’ na região da Av. Paulista

Publicado por G1

Loja tem cabines individuais com luz negra, música e cama em ‘s’.
Ideia de conforto e privacidade surgiu de necessidade de fundador.

Cabines para cochilo são individuais e prometem
privacidade (Foto: Divulgação/Cochilo)

A região da Avenida Paulista ganhou nesta semana um espaço para que empresários, estudantes e baladeiros de plantão possam tirar uma soneca a qualquer hora do dia. A empresa familiar que leva o nome do serviço que oferece – Cochilo – abre sua loja-piloto dentro de um shopping na Rua Augusta com a proposta de propiciar descanso a quem circula pela região.

“Queremos não apenas que a pessoa durma, mas que ela entenda que esse cochilo significa saúde, melhora na qualidade de vida e no rendimento profissional”, diz André Jankavski, responsável pela área comercial da empresa.

A loja conta com quatro cabines, todas individuais. As camas em “s” foram desenvolvidas especialmente para o pequeno período de sono, e o cliente conta ainda com luz negra e fones de ouvido com músicas relaxantes. Desde que o espaço foi aberto, em 5 de julho, os proprietários estimam que cerca de 500 pessoas passaram pelo local para matar a curiosidade e 30 experimentaram o serviço gratuitamente. A inauguração ocorrerá oficialmente na próxima segunda-feira (16), quando o cochilo passará a ser cobrado.

A ideia é oferecer conforto, mas com garantia de privacidade. “As cabines são trancadas por dentro e ninguém tem acesso. Para acordar o cliente usamos um sistema que faz o colchão vibrar, luz, um telefone, e em último caso batemos na porta. Claro que em caso de emergência temos como abrir a cabine, mas o objetivo é deixar as pessoas à vontade”, diz Jankavski.

Foi de uma necessidade da própria família que surgiu a ideia de abrir o negócio. “Meu marido sempre teve esse gosto de cochilar depois do almoço e um dia, esperando por uma reunião que estava atrasada, ele me ligou reclamando que não tinha um lugar com esse perfil para passar o tempo e descansar. À noite me peguei pensando e conclui que não tinha um espaço assim em São Paulo. No dia seguinte nós registramos o nome ‘cochilo’ e começamos a planejar a loja”, conta uma das sócias da empresa, Alícia Jankavski.

O público-alvo da Cochilo é, segundo os empresários, funcionários de empresas da região, estudantes e até mesmo baladeiros que querem descansar no horário do almoço. “Queremos que as empresas da região façam parcerias para propiciar esse serviço a seus funcionários, com cartões de fidelidade. Só não queremos fugir da ideia do cochilo. Não é um espaço para massagem, não é para passar a noite, é para tirar um cochilo”, diz.

O espaço fica aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h. A empresa fica dentro do Shopping Porto Paulista, na Rua Augusta. Para 15 minutos de cochilo o cliente paga R$ 15. Trinta minutos saem por R$ 20, 45 minutos saem por R$ 25 e uma hora custa R$ 30.

Luz negra, cama em ‘s’ e música relaxante contribuem para descanso (Foto: Divulgação/Cochilo)