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4 coisas básicas do dia a dia que você provavelmente faz errado

Vinícius Giba, na Mundo Estranho

1. Fazer cocô.

Fazer cocô sentado nas privadas modernas causa problemas que não ocorrem com quem faz agachado.

Além da ~trava consciente~~ que usamos para não fazer cocô a qualquer momento, temos um músculo em torno do reto que ajuda a impedir a saída do bolo fecal. Essa ajuda depende do ângulo entre o nosso tronco e nossas pernas. Quando estamos de pé, ele fecha a saída. Quando sentamos, libera um pouco, mas não o suficiente. Quando agachamos, aí sim!, ele abre a passagem de verdade.

Fazer sentado retém um pouco de cocô lá dentro. Com a idade, isso causa – entre outras doenças – as desconfortáveis hemorróidas!


Sentado x agachado. Crédito da imagem: Reprodução/http://www.relfe.com/toilet_seat_constipation.html

2. Dormir

Dormir 8 horas por dia é uma coisa relativamente nova. Famílias ~pré-lâmpadas~~ tinham o sono dividido em partes durante a noite. Especialistas desconfiam que essa seja a causa do alto nível de insônia dos dias atuais.


Como todos sabem, nosso cérebro regula nosso sono a partir da luz do ambiente.

Sem TV, iluminação, Nintendo 64 ou telefones, a vida noturna antes da eletricidade tendia bastante ao sono. Assim, famílias iam dormir pouco depois de anoitecer, acordavam naturalmente antes da meia-noite e matavam tempo por mais ou menos uma hora. Porém, como o mundo continuava escuro, o sono voltava e eles dormiam de novo. Levantavam na hora do nascer do sol.

Aquela acordada que damos no meio da madrugada tem suas raízes nessa história.

3. Escovar os dentes

Passar fio dental é mais importante que escovar os dentes – não é só um opcional extra.

Explicando melhor: após comer, a acidez da comida deixa os dentes um pouco mais vulneráveis. Escovar os dentes com muita força nesse momento pode ser prejudicial. Dentistas estão passando a aconselhar um certo intervalo entre a refeição e a escovação e fazê-la de forma mais leve, focando nas gengivas. O fio dental cai como uma luva nessa situação: remove a comida+bactérias entre os dentes (lugar bem legal para elas) e não os agride tanto.

4. Sentar

Sentar é pior para a coluna do que ficar de pé ou andar. Mas já que a gente tem que ficar muito tempo sentado, umas dicas: a) O encosto ideal tem 135 graus de inclinação e não os tradicionais 90. b) Bancos sem encosto também ajudam bastante. c) Levante a cada 30 ou 40 minutos. Isso vai te poupar bastante dor no futuro.

Por que a barriga ronca quando estamos com fome?

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publicado na Mundo Estranho

Porque o ar e os líquidos do aparelho digestivo se misturam quando bate a fome, produzindo esse barulho esquisito – e, vamos admitir, bem constrangedor em certas situações. “Nessa hora, o corpo já se prepara para receber a comida: a boca produz saliva, as paredes do estômago se movimentam e passam a fabricar o suco gástrico. Se o alimento demora a chegar, o ar que entra precisa se acomodar às secreções da digestão, provocando os roncos da barriga. Pode ser desagradável, mas é uma reação natural”, afirma o gastroenterologista Joaquim Prado de Moraes, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Entretanto, o barulho não surge apenas quando estamos com fome, podendo aparecer também durante a digestão. “Quando nos alimentamos, ingerimos ar com a bebida e a comida. Ao passar pelo tubo digestivo, o ar se junta aos líquidos e causa o ronco”, diz outro gastroenterologista, Décio Chinzon, também do Hospital das Clínicas.

O pior é que a sinfonia estomacal pode ser ouvida em alto e bom som, pois, quando o estômago se contrai, as paredes do abdômen funcionam como uma espécie de amplificador. Para quem tem horário definido para comer, essas contrações acontecem sempre antes das refeições. Já para as pessoas que nunca se alimentam na mesma hora, o ronco pode aparecer após cinco a oito horas de jejum.

Como funciona um circo de pulgas?

Renato Domith Godinho, no Mundo Estranho

Esse espetáculo deixava o público curiosíssimo justamente com essa pergunta: como treinar insetos para fazê-los pular de trampolins, andar na corda bamba e até serem atirados de canhões? Não devia ser fácil! Na Europa dos séculos XVIII e XIX, época de maior popularidade do circo de pulgas, muitas delas fugiam, levando seus donos a espalhar cartazes oferecendo fortunas a quem as encontrasse. Ao contrário das pulgas que infestam animais como ratos, gatos e cachorros, a que ataca seres humanos era a única que se prestava ao treinamento. Com isso, o aumento da higiene pessoal no século XX quase eliminou a espécie e os circos entraram em decadência.

Isso é o que dizem as lendas. Prepare-se agora, leitor, para conhecer a verdade, pois vamos revelar um dos segredos mais bem guardados da história: não há pulgas no circo de pulgas! “Por seu curto ciclo de vida e dificuldade de manipulação, é altamente improvável que elas possam ser treinadas para espetáculos desse tipo”, diz o psicólogo Antonio Motta Fagundes, o maior especialista brasileiro no adestramento de animais para TV e cinema. Ele tem razão. Os circos de pulgas estão muito mais ligados à magia e ao ilusionismo do que à domesticação de insetos. Alguns espetáculos atuais nos Estados Unidos e na Europa chegam a usar pulgas mortas – ou até mesmo vivas – em certos números. Mas isso é raro e elas nunca são treinadas de fato. “É tudo feito com truques, aparelhinhos mecânicos, e pelo apresentador, que convence a platéia com seu discurso e seu jogo de corpo”, afirma Márcio Corrêa, diretor do grupo Legião de Palhaços, de Florianópolis, SC.

Márcio fala com autoridade, pois encena o que talvez seja o único circo de pulgas do país. Ele mesmo construiu tudo, incluindo o sistema de cordões, elásticos e bombinhas d’água que alimenta a ilusão da platéia. Como as pessoas ficam relativamente distantes do palco, jamais vêem as pulgas, apenas seu “rastro” na forma de aparelhinhos que se movem. O poder de sugestão é tão grande que muitos espectadores juram ter visto os bichinhos. Os melhores circos de pulgas dos séculos XVIII e XIX eram construídos por relojoeiros suíços e valem hoje dezenas de milhares de dólares em leilões.

Fantasia e realidade 
Márcio Corrêa revela os segredos do seu Cirquinho de Pulgas

PULGA-BOMBA

O show: depois de oferecer à platéia toucas de plástico para se protegerem, o apresentador acende o pavio do canhão que vai disparar a pulga-bomba. Ele, então, pega o minúsculo acrobata em pleno ar com uma redinha de caçar borboleta

O truque: o minicanhão, preparado com pólvora, dispara de verdade. Todo o resto é jogo de cena

SALTO TRIPLO

O show: a pesada pulga-bomba salta com força na gangorra, para que sua parceira seja impulsionada para trás, dando vários saltos mortais no ar.

O truque: a gangorra mexe por meio de um sistema de elásticos, acionada pelo apresentador por um pedal embaixo da mesa. Ele também finge aparar a pulga no bolso da casaca

CORDA BAMBA

O show: a pulga equilibrista anda na corda bamba segurando uma sombrinha. É bom que ela não caia, pois não há rede de segurança…

O truque: a sombrinha, presa na corda, cria a ilusão de haver uma pulga embaixo. O barbante é bem mais comprido do que a platéia pensa e o apresentador puxa sua ponta por baixo da mesa, fazendo a sombrinha caminhar pela corda

MERGULHO MORTAL

O show: neste número um tanto perigoso, a pulga-aquática salta de um trampolim, que tem mais de 200 vezes a sua altura, executando piruetas até cair, com um estrondo, dentro de uma tina d’água.

O truque: debaixo da mesa, o apresentador aciona uma bombinha d’água que atira um pequeno jato na tina, como se uma pulga tivesse realmente caído ali dentro