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Grupo musical formado por vovós russas conquista a Europa

Publicado por Estadão

Aos poucos, vice-campeãs do festival Eurovision 2012 retomam rotina na lavoura de batatas

As vovós russas / Vyacheslav Oseledko/AFP

MOSCOU – As vovós russas que conquistaram a Europa ao ficarem em segundo lugar no festival da canção Eurovision 2012 aos poucos retomam sua rotina que inclui cultivar batatas e reconstruir a igreja de seu povoado.

“Party for everybody. Dance. Come on and dance. Bum, bum”, é o refrão em inglês que tornou famosas as Buranovskiye Babushki (Avós de Buránovo) oriundas da república da Udmórtia (Urais), na Rússia profunda.

A grande vencedora do Eurovision 2012 foi a cantora sueca Loreen, mas a apresentação que cativou os espectadores de todo o continente foi Party for Everybody, na qual as sePtuagenárias russas – os demais participantes quase não superavam os 30 anos – inclusive ofereceram empadinhas aos espectadores após cozinhá-las em um forno à lenha em pleno palco.

As avós russas subiram ao palco com longos vestidos vermelhos, lenços, uma espécie de mocassins e não deixaram de movimentar-se ao ritmo da folk dance durante os três minutos de música.

Entre todas elas, a estrela é Natalia Pugachova, uma pequena senhora de 76 anos e apenas um metro e meio de altura, que se transformou em uma celebridade por seu sorriso eterno e por sua inesgotável vitalidade.

O grupo, que interpretou seu tema em língua udmurt (dos Urais), com exceção do refrão em inglês, não pôde conter as lágrimas de emoção ao término da votação na cidade de Baku, no Azerbaijão, onde o público não deixou de aplaudi-las.

Até a correspondente da edição alemã da lendária revista Rolling Stone demonstrou sua decepção pela derrota das vovós russas no concurso musical.

“É muito triste que as babushki não tenham ganhado já que sua canção era fantástica. Adorei e lhes desejei sorte, já que as apresentações dos demais participantes foram muito menos interessantes”, disse.

Agora as avós dedicarão o dinheiro arrecadado a reconstruir uma igreja em seu povoado, de onde saíram praticamente pela primeira vez em suas vidas para competir no Eurovision.

“No dia 30 de maio temos a cerimônia de colocação dos alicerces da igreja que as vovós vão reconstruir”, afirmou Ksenia Rubtsova, produtora do grupo, citada por agências de notícias russas.

As vovós russas no no festival da canção Eurovision 2012 / SERGEI ILNITSKY/EFE

Exatamente esse foi o motivo da participação no concurso europeu desse peculiar grupo procedente de Buránovo, localidade de 650 habitantes situada a cerca de 30 quilômetros de Izhevsk, capital da Udmórtia, célebre por acolher a fábrica dos fuzis Kalashnikov.

Além disso, as vovós se dedicarão “a apanhar escaravelhos colorados”, acrescentou, pois, aparentemente estão preocupadas pelo fato de este inseto ter afetado as batatas de suas hortas durante suas duas semanas de ausência para participar do Eurovision.

Em seguida, o coro atenderá aos convites de diferentes cidades do país e da Europa, o que inclui uma apresentação na Praça Vermelha de Moscou no próximo 12 de junho, no Dia da Pátria na Rússia.

“Vamos viajar. As vovós têm muita vontade de ver diferentes países e visitar novas cidades. Cada uma delas comprou um grande mapa mundi e já marcaram os lugares que visitaram. Já estão perguntando para onde iremos primeiro”, comentou Ksenia.

Além disso, confiam que seu sucesso no Eurovision convença às autoridades locais sobre a necessidade de melhorar as condições de vida em Buránovo.

“As coisas já estão mudando. O presidente da Udmórtia acaba de visitar Buránovo e pelo que sei está fazendo todo o possível para que ali haja uma Buránovo-City, como dizem as avós”, apontou a produtora.

Com relação ao futuro, Ksenia assegurou que o grupo não tem intenção de participar de outros concursos de televisão.

“A medalha de prata é uma vitória. Em todo caso, isto representa um grande estresse para as vovós e já fizeram tudo que delas dependia. Já não precisam de mais nada”, ponderou.

O presidente da Udmórtia, Aleksandr Volkov, qualificou de “extraordinário” o resultado obtido pelo coro, que somou 259 pontos contra 372 da cantora sueca que levou o grande prêmio.

“Dezenas de milhões de pessoas em todos os cantos do mundo escutaram uma preciosa canção na língua da Udmórtia, apreciaram a originalidade e a honestidade das cantoras da Rússia profunda”, assinalou.

Volkov ressaltou que “para conquistar o público elas não recorreram a roupas da moda ou às possibilidades oferecidas pela tecnologia por computador” e destacou “a bondade das mulheres do campo”.

Até o embaixador americano, Michael McFaul, que mantém tensas relações com as autoridades russas, felicitou efusivamente as Buranovskiye Babushki por sua “excelente” apresentação.

Cantor da banda punk Against Me! anuncia que vai virar uma mulher

Lúcio Ribeiro, no PopLoad

A nova edição da revista “Rolling Stone” americana que vai chegar às bancas traz a revelação de que Tom Gabe, cantor, guitarrista e fundador da conhecida banda punk americana Against Me!, da Florida, vai virar uma mulher.

A história é… punk. Gabe há anos sofre de uma “doença psicológica” chamada Disforia de Gênero, um transtorno de identidade que no caso dele é a não-aceitação do gênero sexual com o qual nasceu. Isso esteve presente em algumas letras de música do Against Me! e da carreira solo de Gabe.

Tom Gabe, que é casado (com uma mulher) e tem uma filha de 3 anos, decidiu que em breve vai começar um processo real de mudança de sexo, tomando hormônios e fazendo um tratamento com eletrólises, que no fim vai culminar em uma cirurgia de troca de sexo.

A questão de Gabe, veja bem, não é a de se maquiar e se vestir como uma mulher, como chocou o Brasil recentemente o cartunista Laerte. O cantor do Against Me! vai virar uma real, vai mudar os documentos e vai passar a se chamar Laura Jane Gabe

Tom Gabe disse à revista que sua mulher o apoia. Abaixo, a foto que ilustra o texto-bomba da “Rolling Stone”.

Wagner Moura: O Amor é phoda e minha religião é o Radiohead

Marcos Almeida, no Nossa brasilidade

Na edição 49 [Out 2010] da Rolling Stone, o ator Wagner Moura (Capitão Nascimento em Tropa de Elite) faz uma declaração curiosa a respeito da sua espiritualidade. Por Ricardo França Cruz:

“O filho de pais espíritas, que foi coroinha de igreja quando garoto, teve passagens pelo candomblé e admira os rituais de todas as religiões que conhece, acredita que Deus somos nós no domínio pleno de nosso potencial cerebral. “Não compro todo o papo do Deus cristão, e onda toda dos testamentos não faz sentido pra mim. Mas não tem como não acreditar em Jesus, que é um cara fodão que andou ali pela Galileia e descobriu uma coisa genial. Naquela época, o cara fodão era o da espada e Jesus foi lá e disse: ‘Brother, a parada é o amor, é o papo, é a gente se gostar’. E botou pra foder! Mas ai aquele papo de cruz, ressurreição e talé muito difícil pra mim.”

Quando diz que não acredita em Deus, e que o que chama de “busca que resulta na minha inquietação metafísica” o levou à ciência, Wagner não quer dizer que sua existência esteja desprovida do sagrado. “Acredito no metafísico, nas coisas que a gente não enxerga com nossa visão limitada. No teatro, tem às vezes uma hora em que uma fagulha te faz sentir em comunicação com algo que você não sabe o que é direito. É algo inexplicável. O palco é um templo. Acho que o ritual das religiões tem muito a ver com o rito do teatro. Aquela repetição toda me parece uma tentativa de entender alguma coisa que, talvez, em última instancia, seja esse Deus”.

Mas, se você quiser mesmo falar sobre religião com Wagner Moura, invoque o exu branco e torto Thom Yorke. “Eu sou da religião do Radiohead, de uma forma bastante praticante. No show aqui no Rio eu estava fazendo Hamlet e cheguei a tempo de pegar as quatro últimas músicas. Mesmo assim foi o melhor show da minha vida. No mundo da arte hoje em dia nada me encanta mais que o Radiohead. Gosto muito do rock inglês. Para mim, a maior banda de todos os tempos foi The Smiths.”

Depois dessa declaração, ouçam Radiohead dizendo que o “verdadeiro amor espera”.  A nossa brasilidade ganha um tom mais cinza nesse início de tarde. O tapete é coloridíssimo e quando parece que já disseram tudo sobre o assunto…. E você, o que pensa sobre o amor?  Até daqui da pouco!