Arquivo da tag: Richard Dawkins

Richard Dawkins lidera lista com os maiores intelectuais do mundo

Responsável pela invenção do termo ‘meme’, evolucionista é popular na internet
Ranking de revista recebeu mais de 10 mil votos de mais de 100 países

O biólogo Richard Dawkins foi eleito o maior intelectual do mundo no ranking da revista Prospect Divulgação

O biólogo Richard Dawkins foi eleito o maior intelectual do mundo no ranking da revista Prospect Divulgação

Publicado originalmente em O Globo

O biólogo evolucionista Richard Dawkins desbancou ganhadores do Prêmio Nobel e foi considerado o maior intelectual do mundo pelos leitores da revista Prospect. Atrás dele vêm o político afegão Ashraf Ghani, o psicólogo Steven Pinker, o ex-ministro iraquiano Ali Allawi e o economista Paul Krugman. O ranking foi publicado após mais de 10 mil votos de mais de 100 países.

Ateu, Dawkins é autor dos livros “Deus, um delírio” e “O gene egoísta”, que introduziu o termo “meme”, em uma referência à menor unidade do pensamento. Hoje, o conceito é frequentemente usado para definir conteúdos que se espalham pela internet na forma de textos, imagens e vídeos. O biólogo, inclusive, é popular na web: ele tem quase 700 mil seguidores no Twitter, onde costuma falar muito de religião.

Em relação à primeira lista, de 2005, uma novidade entre os mais votados foi o físico inglês Peter Higgs, que contribuiu para o desenvolvimento da teoria do Bósson de Higgs, a chamada “partícula de Deus” descoberta no ano passado que dá massa a outras partículas elementares. O cientista é um dos mais cotados para o Nobel este ano.

Chama a atenção a ausência de mulheres entre os dez primeiros colocados. A mais bem classificada, no 15º lugar, é a escritora e ativista da Índia Arundhati Roy, uma crítica proeminente das injustiças no país.

O ranking foi baseado em 65 nomes escolhidos por especialistas. O critério para fazer parte da seleção era ter exercido “influência nos últimos 12 meses” e uma importância “para as grandes questões do ano” – o que pode explicar a ausência de pensadores renomados, como Noam Chomsky e Stephen Hawking, por exemplo.

Confira a lista completa

Nem Deus socorre Dawkins

Marcio Campos, na Gazeta do Povo

Parece que um dos assuntos do momento (na Inglaterra, não aqui) é o olé que o reverendo anglicano Giles Fraser deu em Richard Dawkins durante um programa de rádio na BBC. Para encurtar a história, Dawkins estava falando de uma pesquisa feita por sua fundação com pessoas que se declararam cristãs no último censo britânico. Um dos dados mostrava que dois terços dos autodeclarados cristãos não sabia qual era o primeiro livro do Novo Testamento. Fraser interveio e disse que esse não era um modo confiável de avaliar a religiosidade das pessoas, e para comprovar isso perguntou a Dawkins qual era o nome completo de A origem das espécies. Depois de um punhado de “ums” e “ers”, e até um “oh, God”, o biólogo não conseguiu se lembrar (mas chegou perto). Para quem quiser ouvir, está aqui (o trecho em que Fraser pergunta sobre o livro está perto de 3:30). O diálogo, transcrito pelo Huffington Poste traduzido por mim, é o seguinte:

Fraser: Richard, se eu lhe perguntasse qual o título completo de A origem das espécies, tenho certeza de que você seria capaz de me dizer.
Dawkins: Sim, seria.
Fraser: Então vamos lá.
Dawkins: Sobre a origem das espécies… hm, com, oh, Deus. Sobre a origem das espécies… e tem um subtítulo referente à preservação de raças favorecidas na luta pela vida.
Fraser: Você é o sumo sacerdote do darwinismo. Se você perguntasse essa questão a pessoas que acreditam na evolução e voltasse dizendo que somente 2% acertaram, seria muito fácil para mim dizer “então, eles não acreditam nisso”. Não é justo perguntar esse tipo de questão. As pessoas se autoidentificam como cristãos e eu acho que você deveria respeitar isso.

(Em português, o título original seria Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida)

O episódio vale mais a pena como anedota. Sim, o reverendo Fraser tem um bom argumento quanto à identificação entre boa memória para livros e filiação religiosa (ou “científica”), mas essa foi apenas uma das muitas perguntas da pesquisa. O conjunto dos dados é bem sombrio, para o leitor que se considera cristão. Mas não é surpreendente, porque a mesma coisa acontece aqui no Brasil. Que objeções o reverendo Fraser poderia levantar ao dado de que boa parte dos autodeclarados cristãos não reza, não vai à igreja (exceto em casamentos, funerais, batizados, e quem sabe na Páscoa e no Natal, como na piada dos esquilos), e nem mesmo crê na divindade de Cristo e na sua ressurreição física?

Só lamento que não haja na pesquisa (pelo menos no que foi publicado até agora) questões sobre como os autodeclarados cristãos veem temas de ciência e fé. Espero que esse conteúdo esteja nas 20 questões cujas respostas a fundação promete publicar em um futuro próximo.

foto: Shane Pope/Wikimedia Commons

Os ateus se organizam

chamada.jpg
Participantes do 1º Encontro Nacional de Ateus, que reunirá cerca de três mil pessoas. “Precisamos sair do armário”, diz a estudante Stíphanie da Silva. Abaixo, projeto do templo em Londres

img.jpg

Rodrigo Cardoso, na IstoÉ

Os ateus brasileiros têm no universo virtual uma espécie de igreja online. É ali onde o conglomerado de pessoas que negam a existência de Deus se sente à vontade para professar o desapego às religiões, manifestar os porquês de não seguir nenhuma delas e trocar ideias com outras pessoas na mesma condição.

Minoria em uma sociedade crente como a nossa – os ateus fazem parte do grupo demográfico definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sem religião, do qual fazem parte também agnósticos e crentes sem religião, e representam 6,7% da população brasileira –, eles preferem esse canal de comunicação uma vez que, em público, ainda estão sujeitos a críticas.

Duas ações, uma no Brasil e outra em Londres – onde um templo ateu deverá ser erguido até o ano que vem – pretendem pôr fim à solidão físico-intelectual desse grupo.

No domingo 12, está marcado o 1º Encontro Nacional de Ateus. Cerca de três mil pessoas estarão reunidas simultaneamente em 21 Estados e no Distrito Federal. “Precisamos sair do armário, mostrar que somos bons filhos, pais, que a moralidade independe de uma crença”, diz a estudante gaúcha Stíphanie da Silva, citando uma expressão utilizada na luta pelos direitos civis dos homossexuais.

Aos 22 anos, ela é membro da Sociedade Racionalista, que organiza a ação. “O intuito principal do evento é conhecer uns aos outros e organizar a nossa força.” Soa paradoxal, porém, ateus militantes se reunirem para defender um ceticismo contra fé, religião e deuses. Agindo dessa forma, argumenta o professor Edin Abumansur, do departamento de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), o ateísmo se torna uma opção de crença, a da negação, à disposição dos que procuram coisas para acreditar, no caso, que Deus não existe.

Apesar de contraditório, os brasileiros estarão seguindo à risca, com essa movimentação, a cartilha do britânico Richard Dawkins, espécie de guru dos ateus, autor de “Deus, um Delírio”. Zoólogo, ele exorta seus pares, historicamente estigmatizados, a se assumir e encampar publicamente um debate intelectual.

No século XIX, porém, a fé na ciência e na razão já pautava as discussões nas igrejas positivistas, principalmente na França, terra natal de Auguste Comte (1798-1857). Um dos pais da sociologia, ele propunha uma nova religião baseada não em uma crença, mas na capacidade humana. “Crer no homem e na sua racionalidade justifica uma militância ateísta”, afirma o professor Pedro Paulo Funari, do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fora do Brasil, no entanto, ateus famosos parecem não falar a mesma língua. Dawkins criticou publicamente o filósofo suíço Alain de Botton, autor de “Religião para Ateus”, que anunciou a construção de um templo ateu no centro financeiro de Londres. “Ateus não precisam de templos, é um desperdício de dinheiro”, afirmou o zoólogo.

O projeto do espaço, que terá 46 metros de altura, foi encomendado por Botton ao arquiteto Tom Greenall. Segundo o arquiteto, o templo representará a história da vida na Terra. “Cada centímetro equivale a um milhão de anos de vida”, diz Greenall.

O filósofo – que pretende começar a levantar a construção no ano que vem, após a autorização da prefeitura – defende em seu livro que os ateus não devem fechar os olhos para as religiões, mas aprender com aquilo que elas têm de bom.

“Isso (a construção) poderia significar um templo ao amor, amizade, tranquilidade e perspectiva”, diz Botton. “O ateísmo de Richard Dawkins ficou conhecido como uma força destrutiva, mas há pessoas que não acreditam (em Deus) e não são agressivas contra outras religiões.”

Não é o que ocorre no Brasil. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), por meio de uma pesquisa com seus cerca de 3,5 mil membros, descobriu que 90% deles consideram a religião um mal. Um claro efeito rebote da hostilidade crescente patrocinada por alguns religiosos.

Presidente da Atea, o engenheiro civil Daniel Sottomaior, 40 anos, faz troça da proposta de Botton, a quem se refere como um agente duplo infiltrado no movimento. E apoia com ressalvas as reuniões de ateus no Brasil. Para ele, à medida que eles conseguirem se colocar na sociedade sem medo, a necessidade de se encontrarem cairá drasticamente. “Afinal, não temos nada em comum: há gays, heteros, gente de esquerda, de direita”, diz Sottomaior.

O engenheiro explica que, nos países nórdicos, com altas taxas de ateus, eles não se organizam, porque não precisam. “Por que pessoas que não acreditam em saci-pererê, por exemplo, teriam de se organizar?” Lutando pela causa juntos ou cada um por si, os brasileiros descrentes têm muito trabalho pela frente.

G_Ateus.jpg

10 sintomas de um cristão iludido

http://1.bp.blogspot.com/-kACB5Chbzt8/TgKTLFiwOsI/AAAAAAAAAJI/ZRWRz410tGU/s1600/mascara.jpg

Nelson Costa Jr., no blog Quando o cristianismo não faz sentido

Ao criar os humanos, Deus não considerou a verdade, eterna como ele próprio, de que a lei em sua essência está fadada à transgressão. Os teístas acham que todos os deuses exceto o deles são falsos. Os ateus simplesmente não abrem uma exceção para este último.

Encontrei o texto abaixo no excelente blog Debunking Christianity via Sotnaspg,  criado pelo apóstata John Loftus.  Loftus é pós-graduado em estudos teológicos, é ex-aluno de William Lane Craig, autor de vários livros utilizados e recomendados tanto por acadêmicos cristãos quanto por céticos, e vem desafiando Bill Craig para um debate desde que este passou a assediar Richard Dawkins. Craig vem se esquivando alegando não querer transformar Loftus num apologista anticristão. O que me chamou a atenção no texto foram o sexto e o oitavo sintomas. Onde é que você já viu isso antes?

Listo abaixo, sem nenhuma ordem em particular, o que considero os dez sintomas (ou características) apresentados por uma pessoa iludida. Acredito que mesmo cristãos intelectualizados concordarão com a maioria delas. Veja quantos dos itens listados se aplicam a você; quanto maior a pontuação, mais provável é que você esteja iludido pela sua fé. Agora, é perfeitamente possível que pessoas religiosas possam estar iludidas e ainda assim sua fé seja verdadeira, de maneira idêntica a uma pessoa que sofreu lavagem cerebral ou foi doutrinada para acreditar na verdade. Mas a questão é que se você é uma pessoa iludida, você não possui nenhuma boa razão para acreditar.

É mais provável para uma pessoa iludida, em relação a uma que não está iludida…

1. Ter nascido e crescido em sua fé religiosa. Isto é um fato indiscutível e inegável dado o número de religiões espalhadas ao redor do globo e a adesão e a convicção incondicionais com que são aceitas como a única fé verdadeira.

2. Como adulto nunca adota ou cultiva a atitude madura da dúvida. Todos os adultos devem revisar a fé religiosa que lhes foi ensinada por seus parentes uma vez que o primeiro sintoma acima é inegavelmente verdadeiro. O que significa que eles devem duvidar. A dúvida é a atitude adulta.

3. Nunca lê muito ou é exposto em grande escala a outros pontos de vista nos meios de comunicação. Falo de obras de não-ficionais sobre as ciências, culturas diferentes, fés diferentes, e aquelas produzidas por céticos ou descrentes. Para evitar ser iludido, os crentes deveriam ler livros escritos por pessoas pertencentes a diferentes culturas ou comunidades religiosas, e assistir programas no History Channel, National Geographic Channel, Discovery Channel, PBS, 60 Minutes, Dateline, e, porque não, YouTube.

4. Nunca faz longas viagens, incluindo viagens a regiões culturalmente diversas. Uma pessoa iludida só experimenta uma fatia fina do bolo. Uma pessoa deve conhecer o mundo para ver como os outros vivem. Quanto mais melhor. Uma pessoa assim basicamente fica estagnada dentro dos limites sociais das pessoas religiosas com uma maneira de pensar semelhante. Os amish são um exemplo radical disso. Vários crentes só possuem amigos crentes. Mesmo se os crentes não puderem viajar ao redor do mundo ainda lhes é possível variar um pouco seu círculo social e encontrar pessoas que pensam diferente. A maioria dos crentes não confiam em descrentes ou em pessoas que professem uma fé diferente. Procure-os. Compareça a uma reunião de livres-pensadores. Conheça-os. Faça amizade com eles.

5. Nunca se aprofunde no estudo da essência de sua fé. Quanto mais você sabe menos você acredita, menos convicto você se torna, e mais você duvida.

6. Mente com o objetivo de defender sua fé. Aqui há uma profusão de exemplos, desde falsas histórias sobre a descoberta da Arca de Noé, a falsificação da verdade quando não há uma resposta razoável, inventar histórias sobre curas pessoais, alegar a conversão de uma posição de  ateísmo intelectual ( em oposição ao ateísmo prático) para o cristianismo evangélico como Lee Strobel e David Wood, ataques pessoais e injustificados sobre qualquer um que questione a fé de alguém a fim de desacreditar ou desqualificar o que o alvo disse ou venha a dizer, debater táticas como as usadas por William Lane Craig ou Dinesh D’Souza que, como debatedores, assim como boxeadores num ringue, estão lá para vencer o debate, não importa o que seja preciso dizer para vencê-lo. Estes são mentirosos em nome de Jesus em vários níveis. Se você precisa mentir para defender sua fé você precisa de ajuda.

7. Prega para pessoas que pensam de maneira diferente em vez de dialogar racionalmente. Fico estupefato, confuso,  frustrado e entediado com os tipos de respostas que escuto de crentes religiosos quando tento lhes explicar porque não compartilho de sua crença. Elas começam a pregar, a falar de maneira dogmática, a citar a Bíblia. Elas ainda anunciam entusiasticamente que vamos todos (os descrentes) para o inferno. Muitos deles meramente balbuciam as frases de seu credo e afirmam o que acreditam, em vez de se envolver numa verdadeira discussão racional sobre os fundamentos da crença, em primeiro lugar. Eles vem pregando para nós a partir de uma antiga compilação de textos supersticiosos em vez de nos mostrar porque deveríamos acreditar neles em primeiro lugar.

8. Alega que não precisa de evidência para acreditar. Vejam Alvin Plantinga e William Lane Craig! Iso é absolutamente delirante especialmente se considerarmos todas as coisas que devem ser consideradas como crenças propriamente básicas advindas do testemunho interno do Espírito Santo. Como alguém já disse, “o que pode ser afirmado sem evidência também pode ser descartado sem evidência”. Qualquer um que afirme que sua fé não precisa de evidência, mesmo se verdadeira, deve confronta-la com a realidade.

9. Deve ser convencida de que sua fé é impossível antes que a veja como improvável. Em incontáveis ocasiões os crentes afirmarão que não provamos que sua fé é impossível, e que a ausência de uma prova deste tipo dá-lhes uma razão para acreditar. Entretanto, estamos sempre falando sobre probabilidades. Portanto, mesmo que seja possível acreeditar à luz da quantidade de problemas enfrentados pela fé, ainda é uma fé improvável e isto deveria ser o suficiente.

10. Precisa denegrir as ciências a fim de manter a fé. Vejo isto com muita frequencia. Os crentes denigrem as ciências de inúmeras maneiras como o objetivo de acreditar. É o que sua fé lhes exige. Alguns crentes sequer fazem idéia do que estou falando. Como a ciência nos diz que orações não funcionam então elas não funcionam. Ela nos diz que o universo tem 13,7 bilhões de anos. Ela nos diz que as histórias sobre o nascimento de Jesus nos Evangelhos não podem ser verdadeiras; ela nos diz que virgens não podem dar à luz. Ela nos diz que pessoas mortas não podem se levantar corporalmente do túmulo. Cristãos devem denegrir as ciências a fim de crer. Ciência ou fé? A ciência possui um histórico de sucessos. A fé joga aviões contra arranha-céus. A ciência sempre, abaixe as mãos. Fim de papo.

P.S.: O texto sofreu ligeiras adaptações.

arte via Pensador