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Manifestantes pelo Brasil protestam contra deputado Marco Feliciano

Manifestantes realizam protesto contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), na avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado (16) (foto: Leandro Moraes/UOL)

Manifestantes realizam protesto contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), na avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado (16) (foto: Leandro Moraes/UOL)

foto: Leandro Moraes/UOL

foto: Leandro Moraes/UOL

Sara Winter, ativista do movimento Femen no Brasil, participa de protesto contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste sábado (16) Thiago Louza/Brazil Photo Press/Agência O Globo

Sara Winter, ativista do movimento Femen no Brasil, participa de protesto contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste sábado (16) Thiago Louza/Brazil Photo Press/Agência O Globo

foto: Thiago Louza/Brazil Photo Press/Agência O Globo

foto: Thiago Louza/Brazil Photo Press/Agência O Globo

 Manifestantes protestam contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), no centro de Curitiba, neste sábado (16) Grupo Dignidade/Divulgação

Manifestantes protestam contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC), no centro de Curitiba, neste sábado (16) Grupo Dignidade/Divulgação

Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista (Foto: Nelson Antoine/Foto Arena/ Estadão Conteúdo)

Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista (Foto: Nelson Antoine/Foto Arena/ Estadão Conteúdo)

Publicado originalmente no G1

Grupos de manifestantes protestaram neste sábado (16) contra nomeação do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Manifestação no Largo da Catebral, em Campinas, SP. (Foto: Uéber Rosário/Futura Press/ Estadão Conteúdo)

Manifestação no Largo da Catebral, em Campinas,
SP. (Foto: Uéber Rosário/Futura Press/
Estadão Conteúdo)

Em Florianópolis (SC), um grupo de pessoas se reuniu na Praça XV segurando cartazes com mensagens contra parlamentar. Outra mobilização aconteceu em Salvador (BA), na praça do Campo Grande, com a participação da banda afro-brasileira Olodum.

O deputado é alvo de protestos porque, em 2011, postou mensagens polêmicas em redes sociais sobre africanos e homossexuais. Ele é alvo de ação penal no Supremo Tribunal Federal por estelionato e de inqúerito no qual foi acusado de discriminação por frase supostamente homofóbica.

Outros protestos ao longo da semana

Integrante do Femen Brasil participa de manifestação no Rio de Janeiro. (Foto: Christophe Simon/AFP)

Integrante do Femen Brasil participa de manifestação
no Rio de Janeiro. (Foto: Christophe Simon/AFP)

Integrantes do movimento das Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT) de Maceió (AL) fizeram um protesto em frente à Assembleia Legislativa de Alagoas na tarde de sexta-feira (15) contra a eleição de Feliciano (PSC-SP) à presidência da comissão.

Em Manaus, representantes da sociedade civil e da classe trabalhadora protestaram na sede da Assembleia Legislativa do Amazonas na quinta-feira (14).

Em Rio Branco (AC), manifestantes realizaram um “velório” em frente ao Palácio Rio Branco, no centro da capital. “Estamos de luto pelos direitos humanos no Brasil”, disse Germano Marino, presidente da Associação dos Homossexuais do Acre.

Feliciano (PSC-SP) cancelou a gravação de seu programa de televisão semanal, que aconteceria durante um culto evangélico na próxima segunda-feira (18), em Ribeirão Preto (SP), após ser alvo de protestos na cidade. A cerimônia religiosa, no entanto, será mantida. Na última segunda-feira (11), cerca de 300 manifestantes se reuniram em frente à catedral da Assembleia de Deus Avivamento da Fé, igreja liderada pelo deputado, em Ribeirão.

As capitais mais (e menos) evangélicas do Brasil

Stock.xchng

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Marcos Prates, na Exame

Não é novidade para ninguém que nenhuma religião se expande a ritmo tão acelerado quanto a evangélica no Brasil, apesar do país ainda ser a maior nação católica do mundo em termos absolutos (123 milhões – 64,6% da população).

Hoje, 42,3 milhões de pessoas – 22,2% da população brasileira, segundo o Censo 2010, do IBGE – são evangélicas. Dez anos antes, 15,4% dos cidadãos se declaravam da religião.

Mas se nacionalmente 2 em cada 10 brasileiros são evangélicos, em algumas capitais, o números aumenta para 4. Em outras, é apenas um.

São Paulo tem mais evangélicos que qualquer outra cidade do Brasil, 2,3 milhões, mas em termos percentuais fica longe de Rio Branco (AC), onde a presença de católicos e evangélicos é quase igual.

O segmento mais numeroso da religião evangélica são os pentecostais, sob a liderença da Assembleia de Deus, com 12 milhões de fieis. Entre as de Missão, a Batista lidera, com 3,7 milhões de pessoas.

dica do Raphael S. Lapa

Confira as 5 capitais com maior percentual de evangélicos e as 3 com menor presença. A lista completa pode ser acessada aqui.

Agência de Notícias do Acre

Agência de Notícias do Acre

1ª Rio Branco (AC) – 39,54%

Evangélicos: 39,54% (120,8 mil pessoas)
Católicos: 40,44%
Espíritas: 1,02%
Umbanda e Candomblé: 0,05%
Outras: 3,25%
Sem religião: 15,51% 

Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons

Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons

2ª Manaus (AM) – 35,19%

Evangélicos: 35,19% (577,2 mil pessoas)
Católicos: 54,1%
Espíritas: 0,76%
Umbanda e Candomblé: 0,09%
Outras: 3,02%
Sem religião: 6,74%

Divulgação

Divulgação

3ª Palmas (TO) – 32,77%

Evangélicos: 32,7% (68.189 mil pessoas)
Católicos: 54,56%
Espíritas: 1,84%
Umbanda e Candomblé: 0,02%
Outras: 3,18%
Sem religião: 7,79%

Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons

Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons

4ª Porto Velho (RO) – 32,16%

Evangélicos: 32,16% (126,4 mil pessoas)
Católicos: 48,75%
Espíritas: 1,16%
Umbanda e Candomblé: 0,11%
Outras: 3,26%
Sem religião:13,75 %

Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons

Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons

5ª Boa Vista (RR) – 32,09%

Evangélicos: 32,09% (82.624 mil pessoas)
Católicos: 46,96%
Espíritas: 3,62%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 4,27%
Sem religião: 14,89%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

25ª Teresina (PI) – 13,25%

Evangélicos: 13,25% (100 mil pessoas)
Católicos: 79,13%
Espíritas: 0,88%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 2,06%
Sem religião: 4,4%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

26ª Florianópolis (SC) – 12,81%

Evangélicos:12,81% (50,9 mil pessoas)
Católicos: 63,68%
Espíritas: 7,48% (maior do Brasil)
Umbanda e Candomblé: 0,66%
Outras: 3,39%
Sem religião: 11,76%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

27ª Porto Alegre (RS) – 11,65%

Evangélicos: 11,65% (155 mil pessoas)
Católicos: 63,85%
Espíritas: 7,03%
Umbanda e Candomblé: 3,35% (maior do Brasil)
Outras: 3,64%
Sem religião: 10,38%

Marcus Alexandre (PT) realiza sonho dos crentes e vira o primeiro prefeito evangélico da história de Rio Branco

Luciano Tavares, no AC24Horas

Há pouco mais de um mês, o prefeito eleito e diplomado Marcus Alexandre passou a freqüentar junto com sua esposa Gicelia Viana a Igreja Batista do Bosque, liderada pelo Pastor Agostinho.

Quem é membro da IBB garante que o petista se tornou um evangélico fervoroso.

Mas ele é cauteloso: “estou freqüentando” disse Marcus Alexandre à reportagem.

A prova de que Marcus Alexandre se apegou de vez com a religião se mostrou durante a cerimônia de diplomação dos eleitos na noite desta terça-feira, 11, no teatro da Ufac. O petista protagonizou uma cena curiosa. Na introdução do hino acreano, quando todos em pé começaram a cantar, o petista que estava ao lado de sua esposa e do comunista Márcio Batista, seu vice, abaixou a cabeça e por cerca de um minuto fez uma oração em voz baixa, para depois entoar o hino.

Marcus Alexandre durante sua campanha para prefeito fez amizades com vários pastores. Mas sua ligação maior sempre foi com Agostinho e Jamyl Asfuy, deputado do PEN e Pastor da rede de casais da IBB.

O petista tinha até um comitê evangélico denominado “comitê da família”, que era coordenado por Asfury.

“Ele, a gente, todos nós precisamos mesmo se apegar com Deus”, disse um assessor de Marcus Alexandre.

E se esse era o sonho dos crentes, se realizou: Marcus Alexandre será o primeiro prefeito de Rio Branco da história com confissão evangélica. E com outra curiosidade quase controversa: um petista crente.

Assim não dá

Manaus Imagem

Marina Silva

Em Rio Branco (AC), o folclore político e a genialidade de um cronista inventaram que os candidatos derrotados descem o rio numa balsa, sem comida, devorados pelos insetos, até aportarem, dias depois, em Manacapuru (AM), onde ficam sentados à beira d’água escutando o choro do surubim, esperando para subir outra vez o rio e tentar melhor sorte nas eleições seguintes.

Acostumada a “pegar balsa” nos anos 80, quando minha geração se iniciava na política, construí um conceito diferente. É possível “perder ganhando”, quando se consegue avançar nos ideais, e é possível “ganhar perdendo”, quando se abandona os ideais em acordos puramente pragmáticos.

Não vejo problema em embarcar em diversas balsas pelo Brasil adentro, desde que seja possível construir compromissos pelos ideais do desenvolvimento sustentável e pela ampliação da democracia.

Mas notei, nestas eleições, uma atitude agressiva, de intolerância e preconceito, arraigando-se no Brasil. A polarização PT x PSDB se aproxima, em virulência, das corrosivas polarizações bipartidárias anteriores, soterrando o debate sob o ressentimento. Basta ler a troca de desaforos entre “petralhas” e “tucanalhas” (é como uma parte deles chama a outra) na internet.

Uma novidade nada alegre parece surgir: uma “terceira via”, que recusa os partidos e candidatos da polarização. Ela precisa, porém, evitar a mesma intolerância: para uma parcela dos
insurgentes, petistas e peessedebistas são descritos como um mal absoluto e ninguém entre eles é digno de qualquer consideração. E qualquer compromisso passa a ser satanizado, inviabilizando qualquer aproximação.

Mas dá esperança ouvir, de todos os lados, que “do jeito que está não dá mais” e “algo precisa ser feito para mudar”.

Para enfrentar o sectarismo maniqueísta enraizado em nossa política, é preciso uma mudança. Que não ocorrerá nas disputas eleitorais, mas nos intervalos. Precisa, antes, sobrevir no cotidiano político entre os membros dos partidos, lideranças e forças políticas. Não em enunciados de “boas” intenções e vazias de compromisso, mas naquilo que, como disse C. S. Lewis, “se deduz de milhares de conversas, por um princípio revelado em centenas de decisões relativas a assuntos menores”.

Já os viciados no jogo do poder, mal terminada a apuração, contabilizam o “cacife” e fazem apostas para 2014. As cidades, os cidadãos e a cidadania não mais importam, eram meros ícones de propaganda.

Que tal outro exercício: esquadrinhar os programas dos candidatos e os seus compromissos? É possível que em alguns lugares, ganhando ou perdendo, um avanço civilizatório tenha dado mais um passo rumo à sustentabilidade política em nossa democracia. Há lugar para todos nessa balsa.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Trip Advisor

Cheio até a tampa

Marina Silva

Tenho tentado ajudar familiares e conterrâneos numa situação dramática que hoje vou ver de perto: a enchente do rio Acre, que já alcançou quase a marca histórica de 1997. Agora, com mais pessoas atingidas, devido ao crescimento urbano sem planejamento.

Entre as pessoas afetadas estão membros da minha família. Meu pai, com 80 anos, como a maioria das pessoas de sua idade, recusa-se a sair de casa, cuja palafita mandou aumentar para que ficasse acima da marca alcançada pela água em 1997. Vizinhos, como dona Antônia e dona Alzira, e minha irmã Doia, que também moram em casas altas, permanecem no local. Minha irmã comprou uma canoa e, com meu sobrinho Eudes, dedica-se ao trabalho de ajudar os desabrigados.

Consigo imaginar a aflição das milhares de famílias no Acre e em vários outros Estados, que olham para o céu indagando quando vai parar de chover ou quando chegarão os recursos prometidos. No caso do Acre, nem tanto: o esforço do governo estadual e das prefeituras, com a ajuda do governo federal, criou uma estrutura para abrigar com segurança e socorrer com rapidez.

Admirável tem sido a mobilização da sociedade e do intenso voluntariado. Os órgãos públicos teriam muita dificuldade para acolher todos.

Na Amazônia, temos uma dádiva, que é a floresta. Em Rio Branco, a situação é mais grave justamente porque é o trecho onde o rio Acre perdeu a maior parte de sua mata ciliar e a subida das águas não tem contenção. Ainda assim, é mais lenta que em outras regiões. Na planície, a água se espalha mata adentro. Em regiões de relevo mais acidentado, sua rapidez e sua força provocam tragédias irreparáveis.

Mas há outro fator adicional, expresso numa palavra muito usada para descrever as melhores práticas de sustentabilidade: resiliência. Essa espécie de teimosia faz com que as pessoas inventem novos modos de conviver com a natureza em mudança e lhes dá capacidade de resistir, adaptar-se e, se necessário, mudar. No caso dos acreanos, sua base é o amor pelo rio que inunda as casas mas que provê os recursos essenciais à vida.

Ao brasileiro não falta solidariedade, nem amor à natureza e resiliência para suportar seus rigores. O Estado e seus dirigentes poderiam aprender essas lições, para distribuir com justiça os recursos e promover adaptações necessárias a este novo tempo de extremos.

Hoje abraçarei meu velho teimoso e, caso o rio tenha subido, tentarei convencê-lo a ir para a minha casa, onde o igarapé São Francisco chega perto, mas não entra.

PS: Campanha Acre Solidário (doações para os atingidos), Banco do Brasil, ag. 0071-X, conta-corrente 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Página da notícia