Garotinho usa espaço de entrevistas da TV Globo para atacar a emissora

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Publicado na Folha de S. Paulo

O deputado Anthony Garotinho (PR), candidato ao governo do Rio, usou espaço concedido pela TV Globo para entrevista com candidatos no telejornal “RJTV” para atacar a emissora. Garotinho citou casos envolvendo a TV Globo para se defender das acusações de que é alvo.

“Acusação todo mundo tem. Agora mesmo acusaram a Globo de estar envolvida num desvio milionário com laranjas em paraísos fiscais. Eu não sei se a Globo é culpada, até acho que é. Mas é uma opinião minha, quem vai dizer isso é o juiz. Disseram que a Globo sonegou bilhões. É para ver como as injustiças acontecem. A Globo pode estar sendo vítima de uma injustiça”, afirmou o candidato.

A emissora foi multada, em outubro de 2006, em R$ 615 milhões por supostas irregularidades na compra de direitos de transmissão da Copa de 2002. Segundo fiscais da Receita Federal, a emissora fez manobras para não pagar R$ 183 milhões em Imposto de Renda. A Receita não aceitou a defesa da emissora, que, em 2009, aderiu ao Refis (Programa de Recuperação Fiscal) e parcelou seus débitos.

Coube à apresentadora Mariana Gross dar a posição da emissora após a entrevista com o candidato. “A TV Globo nada sonegou. A TV Globo paga seus impostos.”

Garotinho também ironizou a emissora ao lembrar a autocrítica feita pelas Organizações Globo por seu apoio editorial à ditadura militar. Questionado sobre por que não havia reduzido o IPVA e acabado com a vistoria veicular anual, como promete fazer agora, em seu primeiro governo, o deputado disse:

“Não fiz, mas vou fazer agora. Quantas coisas na vida a gente faz uma autocrítica. A Globo, por exemplo, apoiou a ditadura. Depois, passou um tempo, fez uma autocrítica e reconheceu que não deveria ter apoiado a ditadura.”

As Organizações Globo, atualmente chamadas de Grupo Globo, publicaram em setembro de 2013 um editorial no jornal “O Globo” em que reconhecem como um erro o apoio ao golpe e à ditadura militar.

AÇÕES NA JUSTIÇA

O ex-governador responde a 13 ações por improbidade administrativa, boa parte delas relacionadas a contratação de ONGs. Garotinho ironizou também as ações nas quais é réu.

“Eu gostaria de saber onde foi parar esse dinheiro. Quem comprou fazenda foi o [ex-deputado Jorge] Picciani, milionário, ‘rei do gado’. Quem comprou casa em Mangaratiba foi o [ex-governador] Sérgio Cabral, lanchas, iates e viagens a Paris. Quem montou uma fazenda cinematográfica foi o [deputado] Paulo Melo. Eu levo uma vida normal, de classe média. Devo ser incompetente para roubar. Se você diz isso tudo e eu não tenho esse dinheiro. Sou vítima de muitas perseguições”, afirmou o candidato do PR.

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Triste balneário

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Vim fazer um filme em São Paulo. Aluguei um apê no Copan. Com o preço do aluguel, compraria uma esfiha no Rio. Acordo todo dia às 6h da manhã com gosto. Posso ver a cidade inteira amanhecendo. No apartamento, tem uma bicicleta em perfeito estado. Ligo pro dono, ele diz que é só encher o pneu. No Rio, teria cobrado uma taxa extra: 700 esfihas.

Aqui, ando de bicicleta pela cidade inteira. A cada dia surge uma nova ciclovia. No Rio, a prefeitura acha que bicicleta é uma espécie de pedalinho —uma ótima maneira de se passar o domingo. Em São Paulo, ela está sendo tratada como um meio real de transporte. Até 2015 vai ter ciclovia na Paulista.

Clarice reparou que, quando alguém te recomenda alguma coisa em São Paulo, a coisa geralmente é boa de verdade. No Rio, as pessoas gostam de gostar ironicamente. “Você tem que comer aquela pizza ruim. É tão ruim que é boa.” Carioca se apega ao péssimo. Gosta porque gosta da ideia de gostar —não tem nada a ver com qualidade. A prova disso é que a pizzaria Guanabara segue de vento em popa.

Eduardo Paes importou a lei Cidade Limpa —paulistana. Tirou todos os outdoors da cidade. Muito legal. Proibiu também os cartazes na fachada do teatro. Menos legal. Fiquei meses em cartaz, ironicamente, sem cartaz.

Para piorar: no lugar dos cartazes, o prefeito espalhou autopropaganda. Agora, nas eleições, degringolou. A cidade está abarrotada de cavaletes políticos irregulares —inclusive e principalmente dos cúmplices do prefeito que se vangloria de ter feito o tal choque de ordem. Em São Paulo, a prefeitura proibiu o outdoor. No Rio, ela garantiu o monopólio.

Enquanto em SP a polarização se dá entre PT e PSDB, no Rio é entre o tráfico e a milícia. O carioca vota num candidato para evitar que outro se eleja. “Vou votar no pastor pra não ganhar o miliciano.” “Vou votar no traficante pra não ganhar o homicida.” Já vi gente discutindo qual candidato era menos assassino. “A diferença é que seu candidato mata. O meu é diferente. Ele só manda matar.”

Resumindo a tragédia, a disputa atual se dá entre um candidato chamado Pezão e outro chamado Garotinho. Não, não é uma história infantil de péssimo gosto. É terror da pior espécie.

O Haiti não é mais aqui. Ao contrário do Rio, o país mais pobre da América já saiu da guerra civil e está passando por um processo civilizatório. Já o Rio tem se transformado num califado ultrarreligioso governado ora por traficantes, ora por milicianos —onde um cafezinho ruim pode custar R$ 8.

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Aluno é barrado em escola municipal do RJ por usar guias do candomblé

‘Ele foi muito humilhado’, disse a mãe sobre o ocorrido no dia 25 de agosto.
Jovem caracterizou o episódio como discriminação e mudou de escola.

Mariucha Machado, no G1

Colares são chamados 'guias' (foto: Reprodução / TV Bahia)
Colares são chamados ‘guias’
(foto: Reprodução / TV Bahia)

A rotina de ir à escola virou motivo de constrangimento para um aluno que estava se iniciando no candomblé. Aos 12 anos, o estudante da quarta série do ensino fundamental Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, na Zona Norte do Rio, foi barrado pela diretora da instituição por usar bermudas brancas e guias por baixo do uniforme, segundo a família. A denúncia foi publicada nesta terça-feira (2) pelo jornal “O Dia”.

“Antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não entraria no colégio. Eu expliquei que ele teria que usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou indignada a mãe do estudante ao G1, Rita de Cássia.

O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação e até o horário de publicação desta reportagem não obteve resposta.

No dia 25 de agosto, depois quase um mês sem ir à escola, o jovem tentou voltar. “Eu levei o meu filho e, na porta da escola, ela [diretora] não viu que eu estava atrás e colocou a mão no peito dele e disse: ‘Aqui você não entra’. E eu expliquei que ele teria que usar as guias e o branco por três meses e aí ela respondeu: ‘O problema é seu’”, disse Rita de Cássia.

Rita ressaltou que o filho de sentiu humilhado diante dos amigos do colégio e chorou muito. “Se ela estivesse esperado todo mundo entrar e me chamasse no canto para tentar encontrar uma forma para colocar ele pra dentro seria uma coisa. Mas, não. Ela barrou ele na frente de todo mundo. Eu discuti, falei palavrão feio pra ela, eu admito, mas ela não poderia ter feito isso com ele. Ele foi muito humilhado”, afirmou a mãe.

O jovem de 12 anos foi definido pela mãe como uma criança determinada. Apesar do constrangimento, Rita contou que o filho em momento algum pensou em abrir mão dos ideais do candomblé.

“A escolha de entrar para o candomblé foi dele. Ele sabe o que quer, é muito firme nas decisões. Por nada ele larga a religião dele. Quando aconteceu isso tudo ele disse: ‘Se eu fosse muçulmano ou qualquer outra coisa eu deveria ser respeitado, isso é discriminação’”, lembrou a mãe.

Segundo Rita, o jovem caminhou até em casa de cabeça baixa, teve febre e perdeu o interesse de retornar à escola. “Se o meu filho estivesse com drogas, se tivesse arma tenho certeza que eles iam tampar os olhos”, reclamou.

Depois de quatro dias do episódio, ele foi transferido para a Escola Municipal Panamá, também no Grajaú, onde foi bem recebido pela diretoria, professores e estudantes.

“Depois que eu fui lá para pedir a transferência a diretora disse que não gostaria que eu levasse ele porque ele era um ótimo aluno. Mas o que ela não poderia era ter feito meu filho passar vergonha. Depois que ele foi tão humilhado, meu filho foi muito bem aceito na escola nova. Todo mundo me apoiou. Pra quem é mãe é muito difícil ver um filho sofrendo esse preconceito”, disse emocionada Rita de Cássia.

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Pastor é preso por abusar sexualmente e engravidar a enteada de 12 anos

Publicado no Extra

Policiais da 11ª DP (Rocinha) cumpriram um mandado expedido pela 43ª Vara Criminal e prenderam um homem, de 45 anos, que atuava como pastor. Ele havia sido condenado a sete anos e seis meses de prisão pelo crime de estupro de vulnerável. Ele estava foragido e foi capturado no bairro de Inhoaíba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, perto da igreja onde trabalhava.

De acordo com a polícia, o homem foi condenado por abusar sexualmente e engravidar a enteada, desde que ela tinha 9 anos até os 12. A investigação, na época, foi realizada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher – Oeste.

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Acusados de ligação com o crime, policiais viram cabos eleitorais de Garotinho no Rio

Álvaro Lins, ex-chefe de Polícia do Rio que chegou a ser preso, faz campanha em áudio por vitória de candidato no PR no primeiro turno. Inspetor acusado de ligação com máfia dos caça-níqueis envia mensagens pedindo votos para Garotinho e avisando que vai acabar a “palhaçada de UPP”

VELHOS CONHECIDOS – Anthony Garotinho, na época em que era governador do Rio de Janeiro, apresentando o novo chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, em 24/11/2000 (foto: Ricardo Leoni/Agência O Globo/VEJA)
VELHOS CONHECIDOS – Anthony Garotinho, na época em que era governador do Rio de Janeiro, apresentando o novo chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, em 24/11/2000 (foto: Ricardo Leoni/Agência O Globo/VEJA)

Thiago Prado, na Veja on-line

Diga-me com quem andas e te direi quem és. O provérbio clichê é valioso em uma campanha para projetar como seria o governo de um candidato em caso de vitória. Nas últimas semanas no Rio de Janeiro, tornaram-se cabos eleitorais do ex-governador Anthony Garotinho (PR) dois condenados por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis que tiveram papel crucial nas políticas de segurança do seu governo e da mulher, Rosinha. Preso em 2008 pela Polícia Federal, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins, chegou a ser condenado a 28 anos de prisão por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Recentemente, ele gravou um áudio e enviou para várias pessoas no Estado conclamando “vingança” e pedindo a vitória do seu candidato no primeiro turno. O inspetor Fábio Menezes Leão, o Fabinho, condenado no mesmo processo de Lins, foi ainda mais escrachado: em uma mensagem de celular enviada para dezenas de colegas, afirmou que Garotinho terá o apoio dos “amigos das vans” e que “acabará com essa palhaçada de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora)”.

Em mensagem no whatsapp, Fábio Leão, condenado por formação de quadrilha, pede votos a Garotinho
Em mensagem no whatsapp, Fábio Leão, condenado por formação de quadrilha, pede votos a Garotinho

O áudio de Álvaro Lins que está circulando na rede revela o rancor do ex-delegado com o governo de Sérgio Cabral (PMDB), que o expulsou da Polícia Civil em 2009. Álvaro não cita Garotinho, mas ressalta que quer a vitória no primeiro turno. Hoje, segundo a última pesquisa Datafolha, o ex-governador é o primeiro colocado com 25% das intenções de voto, sete pontos a frente de Marcelo Crivella (PRB). “Bem aventurados aqueles que têm sede de justiça, pois serão saciados. Essa é a única expressão que vem à minha cabeça quando vejo uma notícia como essa. Eu espero que cada um de vocês nos ajude nessa luta. Eu sou apenas mais um dos muitos que sofreram na mão dessa corja que tem que ser varrida do Rio de Janeiro. Essa é a oportunidade que nós temos, não vai haver outra oportunidade. Daqui um ano, dois anos, quatro anos, dez anos. Acabou. Ou é agora ou nunca. Vamos varrer essa gente do Rio de Janeiro. A gente tem que conseguir isso. Eles é que são bandidos, eles é que roubaram o povo do Rio de Janeiro. Eles não têm nada contra nós. A gente vai dar o troco. Então, vai para rua hoje, telefona para a sua família, para o seu amigo, para pessoa que você não vê há muito tempo. Convence aquele cara que ainda está na dúvida.  E vamos ganhar isso, se possível até no primeiro turno. Essa é a minha voz, eu espero que seja a sua também”, diz Álvaro. Procurado pelo site de VEJA, o ex-chefe de Polícia não se manifestou.

Já as mensagens enviadas pelo celular de Fábio Leão assumem compromissos maiores que os de Álvaro. Ele é integrante do grupo dos inhos – como ficou conhecido um núcleo formado por ele e outros dois inspetores chamados Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho, e Hélio Machado da Conceição, o Helinho. Os três foram condenados em 2012 pela juíza Karla Nanci Grando, da 4ª Vara Federal do Rio após a operação Gladiador da PF. “Irmãos, estive com nosso chefe, Dr Álvaro (Lins) esta manhã e o que ele me pediu para passar é o seguinte: com apoio dos amigos das vans, das comunidades que foram impedidas de terem suas próprias seguranças e foram tomadas por traficantes entre outros casos, provavelmente o nosso governador Garotinho ganhará no primeiro turno”, enviou para um grupo de amigos no Whatsapp. Quando fala em “seguranças próprias”, Fábio está se referindo às milícias que dominam favelas do Rio de Janeiro há anos, contrapondo-se ao tráfico de drogas. Segundo o relatório de 2008 da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, o poder de tais grupos paramilitares – que fazem justiça com as próprias mãos e faturam com a venda de gás, pirataria na TV por assinatura e transporte alternativo – cresceu exponencialmente no estado durante os governos Rosinha e Garotinho.

Mas a mensagem de Fábio que mais chama atenção é a que põe em xeque o discurso de Garotinho de que não vai acabar com as UPPs: “Dr Alvaro esteve com o governador Garotinho essa manhã e o mesmo garantiu que reintegra todo o nosso grupo a PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) nos primeiros dias de 2015!!! Garantiu que acabará com essa palhaçada de UPP!!! Irmão, vamos ajudar! Garotinho na cabeça! Não se envergonhe! Gardênia, Rio das Pedras e todas de Jacarepaguá já declararam apoio e voto a Garotinho. Vamos para cima deles! Essa é a hora! Conto com a ajuda e o apoio de vocês. Ass: Fábio Leão”, afirmou na mensagem. Procurado, Fábio nega que tenha enviado as mensagens. Chegou a alegar clonagem do seu celular e montagem das imagens. No entanto, admite que encaminhou para alguns amigos o áudio de Álvaro Lins pedindo votos para Garotinho. VEJA tem o print screen de várias mensagens enviadas por Fábio nos últimos dias. ​

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