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Roberta Spitaletti: Fé é acreditar até quando não posso enxergar

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Postada em primeira mão aqui no Pavablog, a canção “Meu Senhor” bombou nas redes sociais e muita gente comentou sobre o talento de Roberta Spitaletti.

Hora de conhecer outra música linda dela para inspirar sua vida neste fim de semana: “Confiar”. #enjoyit

Tive momentos na minha vida
Que eu duvidava que você existia
Eu suplicava por um sinal
Esperava algo sobrenatural

Algo que pudesse sentir
Ver pra poder decidir
Que comprovasse o existir
Pra confiar em ti

Enquanto esperava por coisas grandes
Eu deixei de perceber
Que todo dia na minha vida
Um milagre pode acontecer

Algo que eu posso sentir
Não posso ver mais sei que estás aqui
Enquanto eu existir
Vou confiar

No ar que eu respiro
Na casa que eu vivo
Em cada amigo
No caminho que sigo

Pois a fé é acreditar
Até quando não posso enxergar
Mesmo que o céu não possa tocar
Eu vou confiar

Mais sobre a cantora:

Suicídio de jovem militante do ateísmo repercute no Facebook

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Paulo Roberto Lopes, no Paulopes

No dia 28 de dezembro, por volta das 19h30, uma jovem morena colocou uma corda no pescoço e se matou. Órfã de pai, Roberta Baêta (foto) tinha 17 anos, era bipolar, sofria de depressão e em outras ocasiões já teria tentado o suicido.

Roberta disse estar cansadada exclusão por ser ateia

Roberta disse estar cansada
da exclusão por ser ateia

A sua morte tem repercutido no Facebook, onde ela tinha um perfil que usava para sua militância ateísta. O perfil até ontem continua disponível, mas alguém deletou as postagens e as fotos.

Entre as fotos, havia registros da participação dela em manifestações a favor do Estado laico, por exemplo. Entre os textos, estava a transição de “Ex-freira Elizabeth, 73, conta como virou militante ateísta”, publicado por este site em novembro de 2012.

Amigos de rede social de Roberta conseguiram tirar cópia de alguns textos e fotos um pouco antes de serem deletados e com eles criaram uma página de homenagem à jovem.

Em um dos textos, Roberta reclama da rejeição que vinha sofrendo por ser ateia. “Estou cansada de gente que simplesmente me exclui de suas vidas ao saber que sou ateia, sem conhecer o meu caráter”, escreveu. A página da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos no Face está dando destaque à mensagem.

Somente um psiquiatra informado sobre o caso de Roberta pode avaliar até que ponto a pressão familiar por ela ser ateia acentuou a sua depressão. Trata-se de uma questão delicada, porque envolve a dor quase insuportável de uma família que perdeu uma jovem.

Pouco se debate o suicido porque, para a sociedade e imprensa, o assunto é incômodo e virou tabu — acredita-se que evidenciá-lo é uma forma de encorajar outros a se matarem.

Não deveria ser assim porque o assunto exige mais atenção, tendo em conta que o suicido no Brasil é a terceira causa de morte entre os jovens de 15 a 19 anos. A taxa de incidência nessa faixa etária onde Roberta se encontrava se multiplicou por dez de 1980 a 2000, de acordo com dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Os suicidas geralmente dão “avisos” de que pretendem se matar, o que pode ser entendido como pedidos de ajuda, de socorro. No caso de Roberta, além de postagens no Face, ela deu avisos explícitos nas vezes em que teria tentado pôr fim a sua vida, embora agora, a posteriori, fique fácil dizer isso.

imagem topo: fan page em homenagem a ela