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O que um pastor foi fazer no Rock in Rio?

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Publicado por Hermes Fernandes

Depois de dois cultos para lá de especiais, antes da bênção apostólica anuncio ao povo que eu, meu filho e um grupo de pastores da Reina (Pr. Cecílio, meu irmão, Pr. Rodrigo e Pr. Bruno) estaríamos no último show do Rock in Rio, prestigiando a um irmão em Cristo, Nicko Mcbrain, baterista da maior banda de Heavy Metal do mundo, o Iron Maiden. Pedi que os irmãos orassem por nós, já que estaríamos expostos a todo tipo de críticas. Nem precisei me dar o trabalho de ficar explicando o que faríamos lá. Graças a Deus, os irmãos da Reina já estão acostumados comigo e sabem que eu seria incapaz de me esconder atrás de uma justificativa mentirosa.

Confesso que estava muito cansado. O domingo foi, como sempre, de muito trabalho pastoral. Todavia, eu não poderia deixar de aproveitar os ingressos que um grande amigo nos conseguiu de graça. Afinal, esperei quase trinta anos para assistir à banda responsável pela trilha sonora da minha juventude.

Assim que chegamos ao local do show, surpreendi-me com o clima familiar. Tratava-se de um encontro de gerações. Avôs, pais e filhos se reuniam para ouvir sua banda predileta. Alguém disse que o Iron não tem fãs, mas fiéis. Não é uma modinha passageira, mas algo que se passa de pai para filho. Não encontrei um clima devasso, como alguns poderiam supor. Havia quem se exacerbasse um pouco, bebendo além da medida. Mas não precisa estar num show de rock para assistir a isso.

Quando vi aquela multidão, o primeiro comentário que fiz ao meu amigo Pr. Bruno foi que pareciam ovelhas sem pastor. Antes de começar o show, perguntava-me a mim mesmo o que fazer para alcançar aquela gente com o evangelho. A primeira coisa que me ocorreu foi que precisaríamos remover de nossa abordagem todo tipo de caretice.

Enquanto transitava por entre a multidão, pensei: – Como posso estar aqui sem julgar quem quer que seja? Como posso enxergar-me como um deles, tão carente quanto qualquer outro da graça divina?

Das várias cenas que assisti, talvez a que mais me chamou a atenção foi a de um senhor cadeirante que não conseguia ficar parado durante as apresentações, fazendo manobras com sua cadeira de rodas, celebrando o fato de estar vivo.

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Resolvi, então, partilhar com meus amigos do facebook aquele momento tão importante para mim. Bastou que postasse duas fotos para que surgissem as mais inusitadas reações. Houve quem me acusasse de estar levando para o inferno todos que me seguem. Em pouco tempo, perdi vários seguidores (ao menos oito, num universo de cinco mil).

Alguém me perguntou se minha presença ali tinha objetivo evangelístico. Para muitos, esta seria a única razão que justificaria que um ministro do evangelho estivesse num show de rock. A verdade é que eu estava ali para me divertir ao lado do meu filho e dos meus companheiros de ministério. Curti cada canção do Iron. Foi como tomar um elixir da juventude.

Como me arrependo de ter quebrado todos os meus discos do Iron assim que ingressei no ministério. Que mal faz o legalismo! Mas pelo menos, minha esposa se libertou dos Menudos…rs

Tenho sérias dificuldades para entender as razões pelas quais alguns cristãos abominam o tipo de performance do Iron. Será que não percebem tratar-se de dramatização? Então, por que assistem a filmes de terror? Por que conceder licença poética ao cinema, ao teatro, aos livros, mas não à música?

A maioria sequer se deu o trabalho de examinar as letras bem trabalhadas da banda. Algumas falam de demônios, 666, mas sempre em tom irônico ou crítico. O Iron é uma das poucas bandas de rock que não fazem apologia às drogas e ao sexo livre. Bruce Dickinson , seu vocalista e principal compositor é professor de história e, nas horas vagas, piloto de avião.

Eu poderia ter levado folhetos evangelísticos para distribuir ali, mas será que funcionaria? Talvez eu pudesse usar isso como álibi ou mesmo para driblar minha consciência. Mas, sinceramente, seria inútil. Em momento algum minha consciência se viu violada.

Para mim, o ponto alto do show foi quando os Irons tocaram “I’m running free”. Ali estava a graça de Deus revelada numa canção de Heavy Metal. Ocorreu-me, imediatamente, a passagem em que Paulo declara: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.”

Ao decidir escrever este post, pensei em apresentar razões teológicas para estar naquele show. Lembrei-me, por exemplo, de Mesaque, Sadraque e Abedenego que estavam presentes naquela convocação do rei, e ao ouvirem a música, não se prostraram diante daquela escultura. Apesar de ter sido uma convocação, Daniel parece não ter atendido. Ou então, teremos que admitir que ele se prostrou. Todavia, cheguei à conclusão que seria um desperdício de tempo tentar me justificar. Parafraseando Paulo, quem não iria a um show de rock, não julgue quem o faça, e quem foi, como eu, não julgue quem jamais iria. O que autentifica nossa fé não são os ambientes que frequentamos, mas o amor que revelamos em qualquer lugar.

Em pleno Rock in Rio, eu e meus pares não fizemos proselitismo, não exibimos camisetas com dizeres evangelísticos, mas buscamos encarnar o evangelho, amando cada pessoa, sem julgá-la ou enxergá-la de cima para baixo.

A força das pastoras

As mulheres ganham espaço nos altares evangélicos do Brasil, conquistando cada vez mais fiéis para essas denominações. Em algumas igrejas, quase metade do corpo pastoral é feminino

Rodrigo Cardoso, na IstoÉ

O papa Francisco voltou a surpreender o mundo na quinta-feira 19, quando, durante longa entrevista, de 29 páginas, publicada no jornal jesuíta italiano “La Civiltà Cattolica”, não se furtou a falar sobre assuntos indigestos para a Igreja Católica, como aborto, gays e o papel das mulheres. “É necessário ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. O gênio feminino é necessário nos locais onde se tomam decisões importantes”, afirmou, num discurso que, à primeira vista, pode soar progressista, mas continua tão engessado quanto as colunas da Praça de São Pedro. Em seu comentário, o pontífice enaltece o gênero, mas o coloca como apêndice dos homens na estrutura da Santa Madre Igreja. Ou seja, nada mudou desde sua visita ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude, há dois meses, quando, na volta para o Vaticano, foi questionado por um jornalista durante o voo, sobre o direito das religiosas. Francisco, assim como fizeram seus antecessores, deixou claro que as mulheres são semelhantes aos homens – mas não iguais; são importantes para o crescimento do catolicismo – mas jamais irão atingir o status de sacerdotes. “Sobre a ordenação das mulheres, a Igreja falou e disse: não! Esta porta está fechada”, sentenciou. Enquanto a Igreja Católica segue acorrentada a essa tradição milenar, o grupo dos evangélicos, aquele que mais cresce e faz frente aos católicos no País, anda em sintonia com as mudanças em relação ao lugar das mulheres na sociedade. Transformações essas que vêm fazendo com que elas ocupem cada vez mais postos de liderança e atraiam milhares de fiéis para os templos cristãos.

sarah5O mais novo e fulgurante exemplo de liderança feminina religiosa é Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A jovem acaba de superar a marca de um milhão de cópias vendidas de seu livro “Casamento Blindado” e faz sucesso na tevê à frente do programa “Escola do Amor”, na Record, que apresenta junto com o marido, Renato. “Entendemos que a liderança da mulher é uma necessidade da igreja e vai muito além do título ou cargo que ela exerce”, afirma Cristiane. “Temos pastoras consagradas no Brasil e ao redor do mundo.” Quem abriu caminho para Cristiane e tantas outras foi Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Apesar de Estevam Hernandes, seu marido, ter o título de apóstolo, é atribuído à bispa Sônia o papel de protagonista. É ela quem arrebata multidões na Marcha para Jesus e reúne milhares de evangélicos nas ruas de São Paulo todos os anos. “Sem o viés feminino que Sônia trouxe à igreja, por certo a denominação não teria tido tanto avanço como houve no Brasil, sobretudo em São Paulo”, afirma Rogério Rodrigues da Silva, pesquisador da Universidade de Brasília.

LIDERANÇA Apresentadora da Rede Record, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, vendeu mais de um milhão de exemplares de seu último livro

LIDERANÇA
Apresentadora da Rede Record, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo,
da Universal do Reino de Deus, vendeu mais de um milhão de exemplares de seu último livro

Para a professora Sandra Duarte de Souza, de ciências sociais e religião da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), em muitas instituições religiosas as mulheres conseguem criar uma empatia muito mais sólida com a comunidade do que os homens. Na Igreja Batista da Lagoinha, fundada em Belo Horizonte (MG), 44,6% do corpo pastoral é do sexo feminino – a cultuada cantora gospel Ana Paula Valadão é uma delas. Entre os metodistas, as mulheres representam aproximadamente 30% dos pastores – a mesma porcentagem é verificada entre os presbíteros da Igreja Anglicana. Até mesmo uma das mais conservadoras denominações pentecostais brasileiras, a Assembleia de Deus, tem aberto caminhos para as fiéis ocuparem altos postos na sua hierarquia. No mês passado, a denominação permitiu pela primeira vez em sua história que mulheres assumissem o cargo de evangelistas. Para essa posição, que permite, por exemplo, que a eleita dirija um templo, duas jovens foram consagradas no ministério do Brás, em São Paulo. “Já não dá mais para negar a importância da mulher dentro das nossas igrejas”, diz Samuel Ferreira, pastor da Assembleia. “Eu não tenho o direito de negar a elas a prerrogativa de exercerem essa liderança.” Especialistas no tema ouvidos por ISTOÉ têm notado um aumento no número de ordenações de mulheres, principalmente daquelas que estudam para atingir um alto posto na instituição. Ainda é bem maior o contingente de religiosas escaladas para tarefas como limpar e ornamentar a igreja, cozinhar e assessorar pastores em visitas externas. Mas vê-las pregando em púlpitos, batizando, realizando casamentos e celebrando a ceia são cenas vistas já com normalidade e frequência em muitos templos.

PROTAGONISTA O carisma, na Renascer em Cristo, está em poder da bispa Sônia Hernandes: referência para as fiéis

PROTAGONISTA
O carisma, na Renascer em Cristo, está em poder
da bispa Sônia Hernandes: referência para as fiéis

Aos 48 anos, a gaúcha Margarida Ribeiro é reverenda da Igreja Metodista, que possui uma bispa entre as oito pessoas que ocupam esse posto no Brasil. Para tanto, ela encarou seis anos de preparação por meio de estudos teológicos e experiências em comunidades. Hoje, em 27 anos de pastorado, já foi titular em 20 igrejas. Mas o início não foi fácil. Quando pisava em alguma comunidade para pregar a palavra, Margarida ouvia o seguinte questionamento: “Você quem vai fazer o culto? Onde está o seu pai ou marido?” Hoje, no entanto, conta com orgulho que, ao ser convidada a dirigir cultos em igrejas pentecostais que possuem dois púlpitos, é frequentemente instada a pregar no principal, local costumeiramente ocupado por um homem. A reverenda, hoje, cuida da criação da primeira comunidade em Santa Isabel, interior de São Paulo. No Rio Grande do Sul, já esteve à frente de templos em zonas rurais, atuou na pastoral do agricultor, desenvolveu atividades sociais, ecumênicas e com mulheres, além de ter supervisionado trabalhos de outros pastores.

“Uma liderança feminina dá credibilidade à igreja evangélica.
Mulher não é vista como exploradora da fé”

Bispo Hermes C. Fernandes, da Igreja Reina

Para Margarida e outras lideranças femininas de origem protestante histórica, a ascensão dentro da hierarquia está muito atrelada à formação teológica, o que facilita o acesso delas a posições de destaque. É o que aponta a professora Sandra, da Umesp. No universo pentecostal e neopentecostal, no entanto, fazer parte do corpo sacerdotal depende em muitos casos do apadrinhamento de personalidades da instituição. Recentemente, só para citar um exemplo, um ministério da Assembleia de Deus consagrou compulsoriamente todas as mulheres de pastores presidentes no Brasil. “Ordenar ou não mulheres não classifica uma igreja como mais ou menos patriarcal. Ter mais mulheres na hierarquia pode significar apenas um dado”, alerta a professora Sandra.

BELAS DA FÉ Em Vila Velha, no Espírito Santo, três amigas fundaram e administram uma igreja desde 2011: únicas pastoras de um templo

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Racionais fazem show expresso para ‘mauricinhos’ na zona sul de SP

Mano Brown no show dos Racionais MC's no clube Royal, na Vila Olímpia

Mano Brown no show dos Racionais MC’s no clube Royal, na Vila Olímpia. (foto: Zanone Fraissar/Folhapress)

Leandro Machado, na Folha de S.Paulo

Uma fila de Porsches, Mercedes, Ferraris e Range Rovers se formou na rua Quatá, na Vila Olímpia. Os mais modestos chegavam de i30 ou Fiat 500. O estacionamento, a R$ 30, ficou lotado. “Doors open at 10:00 PM”, dizia o flyer da Royal Club, balada de “mauricinhos” na zona sul de São Paulo.

Era show dos Racionais MC’s, o maior expoente do rap brasileiro e voz autoproclamada da periferia.

Duas horas antes do show, anteontem, os carrões paravam e o público fazia a “social” na porta da casa. Os VIPs entravam correndo.

Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians, entrou rápido e logo foi para o camarote –R$ 3.500 o mais caro, para dez pessoas. Denilson, ex-jogador e comentarista da Band, também não fez hora.

“Você quer que eu fale da banda? Não conheço muito, mas pode anotar aí que eu gosto”, disse a promoter Gabriela Burbos, 20, salto altíssimo, shortinho e boné ao estilo “rapper” virado de lado.

Na fila, ela encontra o amigo Rodrigo Queiróz, 22, jogador de futebol sem clube no Brasil, mas “com transferência certa para a Hungria”.

Eles dizem ser habitué da Royal e, nesse domingo, tiveram a oportunidade de assistir a um dos grupos mais famosos do Brasil em um local, digamos, mais exclusivo.

Os Racionais, até o fim dos anos 90, tocavam apenas em casas dedicadas ao rap. Mano Brown dizia (e cantava) não gostar de playboys.

A presença do grupo num lugar como a Royal seria impensável há dez anos. Em 2010, a banda se apresentou lá, mas sem sua clássica formação, com Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay.

Na porta, Lucas Fabbre, 18, estudante de engenharia civil pelo Mackenzie e morador do Tatuapé (zona leste), diz não conhecer muito bem as letras dos Racionais.

“Não sou fã, conheço as mais famosas. Vim porque aqui é mais seguro do que em locais abertos, como na Virada Cultural.

Já a estudante Beatriz Felix, 18, veio de Guarulhos, na Grande SP. É fã de rap e frequenta até uma batalha de MC’s na zona sul da capital.

“São um dos poucos que conseguem fazer música com letra boa”, diz ela, impecavelmente maquiada.

Os Racionais mostram, segundo ela, a realidade dos bairros periféricos das grandes cidades. Realidade, diz, que não vive, mas que é um “um ponto de vista”.

“Você vai ver como vou cantar todas as músicas”, diz Beatriz, apressada para entrar na Royal.

E cantou mesmo. No fim do show, saiu rouca e ensopada.

A Royal, que tem capacidade para 600 pessoas, estava lotada –o ingresso custava R$ 100 para homens e R$ 60 para mulheres. O bar, cheio, cobrava a R$ 16 uma cerveja e R$ 35 a dose de tequila.

Nos camarotes, baldes com garrafas de champanhe eram servidos com velas de aniversário presas ao gargalo. Cada garrafa custava R$ 430.

Por volta das 2h, começou uma batida e tudo escureceu. Uma fumaça branca e gelada foi lançada de um canhão no teto. Quando a névoa se dissipou, lá estavam os Racionais no palco.

A primeira música, a recente “Mente de vilão”, tocou o público mais por ser a primeira do que pela letra, que poucos na casa sabiam cantar.

Depois veio o clássico “Diário de um detento” e aí o público explodiu.

Nas músicas seguintes, menos conhecidas do habitué da Royal, como “Selva de pedra” (do disco solo de Edi Rock), o público se dispersou, foi fumar, beber, conversar.

Voltou depois, já no final, quando Mano Brown cantou as mais famosas “Negro Drama” e “Vida Loka”. Mas os Racionais pareciam ter pressa e o show durou só uma hora.

Se não empolgou, não foi só por culpa da banda. O público parecia mais interessado em registrar a ocasião com smartphones do que em ouvir a música.

Mano Brown só cantou. Não fez nenhum de seus famosos discursos. “Obrigado, São Paulo, segunda é dia de trampo”, encerrou.

Leticia Galhardo (esq) e Gabriela Burgos, 20, antes do show dos Racionais MC's (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

Leticia Galhardo (esq) e Gabriela Burgos, 20, antes do show dos Racionais MC’s (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

dica do Ronaldo Junior

‘A intenção era chocar’, diz mulher ao tatuar olhos de preto como o marido

Body piercing de São Carlos aplicou método conhecido como ‘eyeball tattoo’.
Procedimento invasivo pode causar inflamação interna, dizem especialistas.

Leticia decidiu pintar os olhos de preto assim como fez o marido há seis meses (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia decidiu pintar os olhos de preto assim como fez o marido há seis meses (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Fabio Rodrigues, no G1

Seis meses após o marido inovar e pintar os olhos de preto, a moradora de São Carlos (SP) Letícia Dias de Carvalho, de 35 anos, resolveu fazer o mesmo. Na última segunda-feira (2), ela se submeteu ao procedimento conhecido como “eyeball tattoo”, que consiste em injetar tinta na camada de proteção dos olhos. O sonho era pintar de vermelho, mas uma alergia ao mercúrio a fez mudar de opinião. “Achei que iria ficar mais assustador, a minha intenção era chocar, mas fiquei com medo de dar problemas”, disse a body piercing que também optou pela cor preta. Para a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o procedimento invasivo é desaconselhável e pode causar inflamação interna, levando à perda da visão.

Mesmo sabendo dos riscos, Leticia decidiu ‘pagar para ver’ e investiu R$ 1 mil para escurecer o branco dos olhos. O procedimento difundido nos Estados Unidos foi realizado em Jundiaí (SP) pelo tatuador Rafael Leão Dias. Foi ele quem também fez a transformação no marido dela, Rodrigo Fernando dos Santos, conhecido em São Carlos como Musquito, que chorou tinta por dois dias.

O profissional explicou que a tinta usada para esse tipo de arte é importada e não é a mesma das tatuagens convencionais. Há também uma agulha especial utilizada como se fosse uma seringa. Para colorir os olhos, são necessárias três aplicações em cada um. Segundo ele, não há perfuração. A aplicação é feita entre a camada conjuntiva e a esclera, que protege o olho.

“Antes eu estava tranquila, mas na hora do procedimento não, porque é meio tenso. Dependia muito de mim, não pode mexer o olho de jeito nenhum porque se não pode rasgar, já que a agulha está lá dentro. É preciso ter muita confiança no profissional”, relatou Leticia, que disse ser a sexta mulher no Estado de São Paulo a passar pelo processo irreversível.

Leticia relatou que o procedimento durou uma hora e que se sentiu um pouco incomodada. “A hora que injeta a tinta fica tudo preto. Como foi sem anestesia, dá para sentir a agulha entrando e saindo. É uma dor esquisita, diferente de todas as outras, mas é suportável. Acho que é pior para quem está vendo, dá aflição”, contou.

Leticia investiu R$ 1 mil para realizar procedimento irreversível nos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia investiu R$ 1 mil para realizar procedimento irreversível nos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Perigo
O oftalmologista Antonio Carlos Baldin não recomenda o procedimento e alerta para os riscos que podem surgir a médio e longo prazo. “Quem se candidata a isso está correndo o risco de uma reação contra a substância que é infundida, porque a gente não tem a menor ideia do que uma tinta como essa pode provocar no olho”, falou

“Ali há células responsáveis pela substituição de células mortas na superfície do olho e também por parte da produção lacrimal. Também nessa região tem uma rica quantidade incontável de vasos sanguíneos e toda a musculatura que rege a movimentação do olho”, completou Baldin.

Para o especialista João Alberto Holanda de Freitas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o método é inteiramente nocivo e não adequado. “Isso pode dar alguma complicação, como uma uveíte (inflamação interna) e a pessoa perder a visão. A recomendação é não fazer. O consenso da oftalmologia brasileira é para que não se faça isso”, ressaltou o médico.

Leticia antes e após realizar o procedimento para mudar a cor dos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia antes e após realizar o procedimento para mudar a cor dos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Família
Leticia, que trabalha com body piercing há seis anos, é mãe de três filhos (Évora, de 2 anos, Lucas, de 8, e Maria Eduarda, de 11). Questionada sobre o impacto que a mudança visual tanto dela quanto do marido causa nas crianças, ela disse acreditar que está formando pessoas menos preconceituosas. Segundo Leticia, os filhos acharam normal, bem como a avó.

“Fiz como uma modificação corporal. Não vendi minha alma, não sou demoníaca, não sou satânica”, explicou ela que, assim como o marido, adora tatuagens e fez a primeira aos 22 anos. O desenho de um sol nas costas deu lugar seis anos depois a um dragão. Depois ela pintou as mãos, os braços e as pernas. A meta, disse, é cobrir 90% do corpo.

“Daqui a alguns anos, imagine dois velhinhos com olho preto e todo tatuado. Quero ficar velha logo só para ver como vai ser, acho que vai chocar mais. Já pensou na fila do banco esperando para receber a aposentadoria?”, brincou Leticia, que é seguidora da filosofia budista, mas afirmou não acreditar nem em Deus, nem no diabo.

dica do Rodrigo Cavalcanti

Filme cearense com legendas vira fenômeno de bilheteria

Cena do filme "Cine Holliúdi", de Halder Gomes

Cena do filme “Cine Holliúdi”, de Halder Gomes

Rodrigo Salem, na Folha de S.Paulo

A comédia “Cine Holliúdy”, do cearense Halder Gomes, tornou-se um fenômeno de bilheteria. E nem mesmo precisou estrear em São Paulo e Rio, os maiores circuitos de cinema do Brasil.

Segundo os números do Filme B, portal que analisa o mercado cinematográfico brasileiro, o filme atraiu cerca de 23 mil pessoas no fim de semana de estreia (em apenas dez salas do Ceará), alcançando a maior média de público do período no país: 2.293 espectadores por sala, contra 961 de “Os Smurfs 2″, campeão de renda geral e segundo lugar na média.

Os números se revelam ainda mais fantásticos se comparados aos do campeão de bilheteria do ano, “Homem de Ferro 3″, que teve uma média de público de 1.470 pessoas por sala em sua estreia, em abril. A média de “Cine Holliúdy” é similar à de “Tropa de Elite 2″ e “Os Vingadores”, dois megasucessos de bilheteria.

A comédia filmada por somente R$ 1 milhão foi lançada apenas no Ceará e em três dias foi responsável por 44% do público nos cinemas da capital do Estado, faturando R$ 268 mil.

A estratégia do lançamento foi proposta pela distribuidora Downtown ao diretor Halder Gomes. “O pessoal da Downtown viu o filme e gostou, mas propôs o desafio de testar primeiro no Ceará, porque é um produto novo, diferente”, conta o cineasta.

COM LEGENDAS

Ainda é cedo para medir o tamanho do sucesso do longa, falado em “cearensês” e legendado em português para facilitar o entendimento do público, mas os especialistas afirmam estar diante de uma produção fora da curva.

“O filme é um fenômeno, nunca vi algo parecido. Mas a extensão do sucesso ninguém sabe dizer. Os exibidores acham que ele pode chegar aos 500 mil espectadores”, afirma Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B. “Ainda é preciso ver como ele será vendido no resto do país.”

Gomes diz que a comédia será lançada em 50 salas em outras cidades do Nordeste, em 30 de agosto, apesar de ainda não ter ideia de quando entra em circuito no Sudeste.

“Nossa expectativa era de fechar a carreira do filme com 100 mil ingressos vendidos em todo o Brasil, mas agora tudo isso mudou. Faremos isso apenas no Ceará. Semana que vem, teremos mais três salas no Estado e devemos chegar aos 45 mil pagantes. Se o resto do Nordeste acompanhar o sucesso, chegaremos a São Paulo em meados de setembro”, diz o diretor.

A estratégia de lançamento também teve uma ajudinha de um campeão de bilheteria. “A Downtown colou o trailer do nosso filme em ‘Minha Mãe É uma Peça’ e as pessoas riam de passar mal. Foi inteligente.”