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Líderes religiosos acusam drag queen barbada de ser a causa das enchentes na região dos Bálcãs

 

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Publicado na Folha de S. Paulo

Líderes religiosos dos Bálcãs acusaram a drag queen barbada Conchita Wurst, 25 anos, de ser responsável por uma enchente ocorrida na região e que deixou cerca de 50 pessoas mortas.

A drag queen austríaca, cujo o nome real é Thomas Neuwirth, ganhou atenção internacional após vencer o concurso Eurovision 2014.

Os religiosos afirmaram que a devastação, ocorrida no início deste mês nos Bálcãs, uma das piores dos últimos anos, foi uma “punição divina” pela vitória de Conchita.

“Esta enchente não foi uma coincidência e sim um aviso”, disse o patriarca de Montenegro Amfilohije em uma reportagem publicada no site do jornal “The Telegraph”. “Deus manda as chuvas como um lembrete”.

O patriarca Irinej, líder espiritual da igreja oriental ortodoxa da Sérvia teria dito que as enchentes foram “uma punição divina por seus vícios” e que “Deus está lavando a Sérvia de seus pecados”.

De acordo com a reportagem, a igreja ortodoxa russa teria descrito Conchita como uma “abominação” e que sua vitória seria “um passo a mais para a rejeição da identidade cristã na cultura europeia”.

Em entrevista ao programa “Graham Norton Show”, Conchita falou sobre seu visual. “É a minha verdade. Me deixa confortável no palco. Eu me amo e uma mulher barbada é divertido e mostra tudo o que sinto”.

A enchente nos Bálcãs forçou quase 150 mil pessoas a deixarem suas casas. Cidades e vilas na Sérvia, Bósnia e Croácia ficaram sem luz e debaixo das águas. ”

Jesus e a marcha da família (ou seria da hipocrisia?)

 Sentado no gramado da Esplanada dos Ministérios, público acompanha evento na tarde desta quarta (foto: Isaura Morgana/G1)


Sentado no gramado da Esplanada dos Ministérios, público acompanha evento na tarde desta quarta (foto: Isaura Morgana/G1)

Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Chegou, finalmente, o dia em que Jesus colocaria suas manguinhas de fora. Os discípulos já divulgaram por toda a Judeia que aquele dia seria um divisor de águas. O lugar marcado para o encontro seria em frente ao templo. De lá eles sairiam numa marcha pela família, pela liberdade expressão e pela vida até o pátio do palácio de Herodes.

Placas foram confeccionadas com dizeres do tipo “Abaixo as prostitutas!”, “Eunucos vão torrar no mármore do inferno!”, “Publicanos são uns traidores!”, “Os bacanais romanos tem que acabar!”.

Pedro, um dos militantes mais engajados, dirige-se a Jesus, dizendo: – Hoje eles verão com quem estão lidando, mestre. Chega de subserviência.

João corrobora: – Nossa manifestação será a maior desde da entrada triunfal de César em Roma.

Tiago apimenta: – Não podemos perder para as procissões saturnais!

Jesus parece assentir com o entusiasmo de seus discípulos.

- Que tal se a gente aproveitar para fazer algumas reivindicações? – sugere Mateus.

- Precisamos de um quartel general aqui em Jerusalém! – declara Filipe.

- Vamos tomar o templo! Aqueles sacerdotes velhotes já estão ultrapassados – diz Judas.

- Calma, rapazes. Isso é só o começo. O próximo passo será tomar o poder – diz Jesus. – Afinal de contas, o Pai me enviou para ser cabeça, não cauda. Nasci para ser servido!

- A propósito, Senhor, quando faremos uma marcha contra o divórcio? Já que defendemos a família, o Senhor não acha que o divórcio é tão nocivo quanto a prostituição e o homossexualismo?

- Sem dúvida! Será nossa próxima agenda.

- Só tem um probleminha, Senhor. Alguns dos seus mais achegados discípulos são divorciados.

- Então, vamos colocar um pano quente nisso.

- E que tal uma marcha contra os filhos rebeldes? Nunca mais vimos um sendo executado à pedrada na porta da cidade como ordena a Lei. A coisa está ficando muito relaxada, Senhor. Temos que tomar providência e exigir que a Lei seja aplicada.

- Não esqueçam da marcha contra o adultério e contra o troca-troca de esposas que tem acontecido com tanta frequência entre os sacerdotes.

- Epa! Mas assim a gente acaba dando um tiro no pé! Tem tantos adúlteros entre nós, quanto entre os sacerdotes do templo.

- É… é melhor a gente focar os eunucos e as prostitutas. Elas são as bolas da vez. Pelo menos, enquanto nenhum dos discípulos resolve sair do armário ou nenhuma das ex-prostitutas resolve ter uma recaída.

- Já que o assunto é família, por que não promovemos manifestações contra a pedofilia? As crianças são as maiores vítimas, e não são delas o reino de Deus?

- Mas assim, a gente vai colocar azeitona na empada dos outros. Já tem quem defenda as crianças. Foco, gente!

- E que tal uma marcha contra a corrupção, a injustiça e a miséria? – sugere um discípulo anônimo.

- Abafa! – dizem todos em uníssono.

- É melhor a gente dar marcha-ré!

A denúncia como estilo de vida

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Ariovaldo Ramos

“As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro g e se alimentava de gafanhotos h e mel silvestre.” Mc 1.6

João vestia-se como o profeta Elias, cujo retorno ministerial representava, uma vez que João era cumprimento da profecia de que Elias viria antes, para converter o coração dos pais aos filhos (Lc1.17).

Para além de vestir-se para representar o ministério de Elias, a roupa do Batista era, em si, uma denúncia à usurpação da função sacerdotal.

João, por ser da descendência de Arão, deveria ter sido o sumo-sacerdote, se o tivesse sido só teria podido vestir as roupas apropriadas à sua posição, mas, como as suas roupas estavam, indevidamente, sendo usadas por outro, e ele não poderia vestir roupas comuns, as vestes sacerdotais foram substituídas por roupas feitas de pêlos de camelo.

Por ser o sumo-sacerdote
, João só poderia comer das comidas apropriadas aos sacerdotes, mas a sua refeição sacerdotal estava sendo usurpada por outro, mas, apesar disso, ele não podia comer das comidas comuns, daí, gafanhotos e mel silvestre.

O profeta veio do deserto, onde, provavelmente, vivera protegido pelas comunidades do deserto, até por ser quem era: a voz daquele que estava no deserto; e João, por aquele que estava no deserto, clamou contra toda a usurpação da glória e da casa de Deus.

João nos ensina o caminho do avivamento: começa com a denúncia que exige o arrependimento. João, antes de denunciar com a palavra, denunciava com o seu estilo de vida.

Eis o caminho: andemos nele.

fonte: Blog do Ariovaldo Ramos

Disseram que estou sempre do lado do diabo

angelDevil

Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Ao acessar hoje o meu perfil no facebook, deparo-me com o seguinte comentário: Você sempre está do lado do diabo. Junto com o comentário, um link de um post de Silas Malafaia sobre os pastores que se opuseram à eleição de Marco Feliciano ao posto de presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Permita-me explicar as razões porque às vezes pareço estar do lado errado.

Olho para o mundo e vejo lampejos da graça de Deus em gestos, palavras, produções culturais, etc. Olho para a igreja e vejo anacronismo, sede de poder, narcisismo, e coisas que com tanta veemência parece condenar. Há coisas no mundo que gostaria de ver na igreja. E há coisas na igreja que a tornam muito semelhante ao mundo no que ele tem de pior.

Podemos afirmar que Jesus estava ao lado do diabo por ser tão duro com os religiosos do templo e complacente com os “inimigos”? Uma das principais razões pelos quais os religiosos conspiraram para mata-lo foi justamente esta. Como um rabino judeu poderia atender e elogiar publicamente um centurião romano? Como Ele poderia hospedar-se na casa de um cobrador de impostos, um traidor da pátria? Ao mesmo tempo em que comia com publicanos e prostitutas, Jesus era duro em Seu discurso contra os religiosos hipócritas.

Se Jesus estivesse do lado deles, jamais teria feito o que fez no templo em Jerusalém, expulsando os cambistas e acabando com a mamata dos sacerdotes. Se estivesse do lado deles, não os teria chamado de  guias cegos, hipócritas, sepulcros caiados, filhos do diabo, etc.

Os que se dizem seguidores de Jesus parecem ter tomado o caminho inverso. Somos duros com os de fora e complacentes com os de dentro. Não importa se o sujeito prega um monte de heresia; se seus inimigos são os mesmos nossos, logo, deduzimos que é nosso amigo (ou seria, comparsa?).

Até quem não professe nossa fé, ao colocar-se contra os que consideramos nossos inimigos, torna-se nosso aliado. E assim,promiscuímo-nos.  Aliamo-nos com aqueles que trazem um discurso raivoso recheado de preconceito.  Seria como se Jesus abraçasse a causa herodiana.

Fiquei chocado recentemente quando li que a bancada evangélica encontrou na bancada ruralista uma de suas principais parceiras no congresso. Ambas se lixam para as questões ambientais. Estamos sempre dando as mãos aos reacionários, aos que defendem os direitos dos poderosos em detrimento dos desafortunados. Traímos nosso Senhor e Cristo.

O que fazer diante desta triste realidade? Particularmente, prefiro cortar na própria carne.

De acordo com Pedro, o juízo de Deus deve começar por Sua própria casa. Não é em vão que no livro de Apocalipse, antes de tratar com a grande Babilônia, Jesus trata com a Sua igreja, repreendendo, exortando, corrigindo, e eventualmente, elogiando. Como julgar Roma, sem antes corrigir a igreja que estava em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia?

Como poderíamos propor que o mundo se submetesse aos princípios e valores do Evangelho se em nossa própria casa isso não tem acontecido?

Veja, por exemplo, nossa ânsia por poder. Jesus disse que entre nós não deveria ser assim. Quem quisesse ser o maior deveria ser o serviçal. Que moral temos de conclamar o mundo a que tome Jesus como exemplo, servindo ao invés de dominar?

Jesus ensinou a humildade. Somos uma feira de vaidade.

Jesus ensinou a generosidade. Somos avarentos, gananciosos e mesquinhos. Basta ver os suntuosos templos fincados próximos a bolsões de miséria.

Jesus ensinou a amar até o inimigo. Incitamos uma cruzada contra qualquer que pense diferente de nós.

Jesus ensinou a discrição. Buscamos os holofotes a qualquer preço. Confundimos relevância com petulância.

Jesus ensinou a perdoar. Preferimos o caminho da revanche. Mexeu com um de nós, vai se ver conosco. Vamos jogar na cara da pessoa todo o seu passado, como fizemos recentemente com a Xuxa, só porque criticou um dos nossos.

Por isso o mundo não nos leva a sério. Somos uma vergonha para o evangelho de Cristo.

De que lado eu estou? Espero estar do lado da justiça, da verdade, e do próprio Cristo. Mesmo que isso me custe a reputação. Almejo estar ao lado da adúltera, não de quem quer apedrejá-la; ao lado das minorias esmagadas, não da maioria esmagadora; dos injustiçados, não dos injustos; dos oprimidos, não dos opressores; dos pecadores, não dos pretensos santos que disfarçam suas taras com o seu farisaísmo.

Onde quer que eu identifique traços da graça de Deus, quero realçá-los. Onde identificar traços de nossa natureza degenerada, pretendo denunciá-los, sem preocupar-me em fazer média com quem quer que seja. O importante é não trair a própria consciência.

dica do Marcos Florentino

Religião e alucinação

GALHO SECO

Ricardo Gondim

Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram maridos agonizar sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca verem a promessa se cumprir.

Se pudesse, eu diria que só nos delírios messiânicos dos falsos sacerdotes acontecem milagres aos borbotões. A regularidade da vida requer realismo. Os tetraplégicos vão ter que esperar pelos milagres da medicina - quem sabe, um dia, os experimentos com células tronco consigam regenerar os tecidos nervosos que se partiram. Crianças com Síndrome de Down merecem ser amadas sem a pressão de “terem que ser curadas”. Os amputados não devem esperar que os membros cresçam de volta, mas que a cibernética invente próteses mais eficientes.

Se pudesse, eu diria que só os oportunistas menos escrupulosos prometem riqueza em nome de Deus. Em um país que remunera o capital acima do trabalho, os torneiros mecânicos, motoristas, cozinheiros, enfermeiras, pedreiros, professoras, terão dificuldade para pagar as despesas básicas da família. Mente quem reduz a religião a um processo mágico que garante ascensão social.

Se pudesse, eu diria que nem tudo tem um propósito. Denunciaria a morte de bebês na Unidade de Terapia Intensiva do hospital público como pecado; portanto, contrária à vontade de Deus. Não permitiria que os teólogos creditassem na conta da Providência o rio que virou esgoto, a floresta incendiada e as favelas que se acumulam na periferia das grandes cidades. Jamais deixaria que se tentasse explicar o acidente automobilístico causado pelo bêbado como uma “vontade permissiva de Deus”.

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos fantasiosos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade, fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando… Pode ser que uns poucos prestem atenção.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: internet