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Leitura obrigatória da Bíblia em escolas é vetada no interior de SP

Lucas Sampaio, na Folha de S.Paulo

O projeto de lei que tornaria obrigatória a leitura da Bíblia em escolas municipais de Nova Odessa, cidade de 55 mil habitantes a 122 km de São Paulo, foi vetado nesta segunda-feira (21) pelo prefeito.

Aprovado pela Câmara Municipal de Nova Odessa há duas semanas, o projeto do vereador Vladimir Antônio da Fonseca (SDD) imporia aos alunos do 1º ao 5º ano a leitura de um versículo bíblico por dia.

Se fosse sancionado, o projeto poderia atingir 4.000 alunos de 12 escolas municipais. Polêmico, ele dividia os moradores da cidade e era considerado inconstitucional por juristas ouvidos pela Folha.

Agora, o veto da prefeitura será apreciado pela Câmara, que está em recesso e retomará suas atividades em 4 de agosto. A análise do veto entrará na ordem do dia da Casa, onde a leitura de um versículo da Bíblia é tradição e ocorre sempre no início das sessões.

Segundo o prefeito Benjamin Bill Vieira de Souza (PSDB), o projeto foi vetado após pareceres contrários da Diretoria de Assuntos Jurídicos e da Secretaria de Educação, que respectivamente apontaram a inconstitucionalidade da proposta e a contrariedade às diretrizes educacionais vigentes, que impedem a prática religiosa no ensino público do município.

“Não dá pra aprovar uma lei que não é legal”, diz o prefeito tucano, que, apesar do veto, é simpático ao projeto. “O projeto, no mérito, não é ruim. Se não fosse inconstitucional, eu seria favorável ao projeto.”

NOVA TENTATIVA

Autor da proposta, o vereador Vladimir diz que aceita o veto do prefeito, mas vai propor um novo projeto, nos mesmos moldes do atual, mas com duas alterações.

“Vou continuar com o projeto. Vou apresentar duas emendas, sendo uma a leitura facultativa, não mais obrigatória, e a outra para se poder ler também provérbios e salmos”, diz o político do Solidariedade.

“Com isso, serão 3.000 versículos. Se ler um por dia, vai dar para passar dez anos lendo um versículo por dia na escola, sem repetir”, afirma Vladimir. “Vou correr atrás dos meus sonhos.”

Deus e o “diabo” no mesmo espaço

O bispo Denis Almeida "ungiu" o lugar e orou por sete dias

O bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou por sete dias

Publicado na Carta Capital

A rua ilha da juventude já abrigou um “inferninho” daqueles. Aos domingos, o salão reunia até 1,5 mil funkeiros para o pancadão mais famoso do Jardim Paulistano, na zona norte de São Paulo. Os carros e motos turbinados, os rapazes com cueca à mostra e correntes no pescoço, as moças no rebolado até o chão, a truculência policial para dispersar a multidão… Nada disso existe mais. Hoje, quem passa pela Ilha da Juventude ouve outro som: os gritos dos fiéis e os cânticos da Igreja Evangélica Obra Vida com Deus – Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará. O funk ostentação cedeu lugar à teologia da prosperidade.

Antes de abrir as portas do templo, o bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou durante sete dias. Elson Pereira de Souza, promotor dos antigos bailes funk e dono do galpão agora alugado ao pastor, brinca: “Vai demorar um ano para exorcizar. Era um ambiente tenso”.

Almeida, que antes de pregar no Jardim Paulistano atuava no Jaraguá, na zona oeste, define-se como um “soldado de Cristo”. Sério, embora entusiasmado, gesticula intensamente, enquanto conta a própria história. Perdeu os pais cedo. À época morava em Campo Grande (MS) e sofria de depressão. Oprimido, carente, sonhava em ser jogador de futebol. Aos 19 anos, garante, foi curado da doença por Jesus e descobriu a vida dedicada à fé. Mudou-se para São Paulo e atuou em outras congregações até chegar ao seu destino atual e empenhar-se em uma cruzada contra o funk. “Ele destrói as famílias, é o eixo do mal, o próprio diabo. A jovem de 10, 12 anos sai escondida da mãe. Isso veio causar a divisão familiar. O mal veio para promover esses tipos de eventos. As letras vulgares, uma baixaria.

O bispo afirma ter “salvado” vários jovens do funk, entre eles uma ex-interna da Fundação Casa frequentadora de seus cultos. “Quero falar para os jovens que Jesus liberta, dá uma vida de paz. Quantas mães não perderam seus filhos? A igreja trouxe paz para a comunidade.” Segundo ele, um dia o funk chegará ao fim, pela graça divina. E cita seu próprio exemplo. “Os moradores esperavam tudo aqui neste lugar, menos uma igreja.”

Deus o colocou nessa missão, prossegue, para trazer paz à comunidade. “Eu acredito que São Paulo vai mudar muito sem o funk, os pais veem os filhos com problemas de drogas porque estão no funk, que também atrai a sensualidade.” Se as meninas não estiverem “sensuais”, afirma, não são bem-vistas. “Elas precisam ser vulgares e isso tem atraído muita destruição.”

Os moradores jovens da região têm opiniões diferentes sobre o fim do baile. Bruno Gabriel Adamczuk, de 16 anos, é indiferente à igreja, mas deixou de frequentar bailes e não procurou outra opção. “É melhor ficar em casa. Muita violência, polícia jogando bomba.” Segundo Milena de Souza Raimundo, 20 anos, o funk era bom, mas rolava muita coisa ruim. “A igreja é boa também.”

O fiscal de lotação Pedro Henrique dos Santos, de 29 anos, diz sentir raiva da transformação, pois gosta da “bagunça”. “Não gosto de lugar queto (sic), gosto de ver tumulto e fechar a rua e já era, tio.” Mayra Tainá de Souza, 21 anos, concorda: “O funk vai deixar saudades. Agora é uma igreja, fazer o quê?” Ela passou a frequentar um baile no Jaraguá. O motoboy Jonas Moisés da Silva, 25 anos, descreve a mudança na “balada” provocada pela igreja. A alternativa é o pistão, um espaço ao longo da rua no qual diversos carros mantêm o som ligado até o último volume. “Num lugar onde era um funk virar igreja não acho certo, muita coisa ruim aconteceu ali.”

O pastor não se abala: “Me sinto um predestinado por estar aqui”. Ele acredita que a igreja vai fazer bem. “Não cumpri nem um terço da minha missão. Vou fazer um trabalho benfeito nesse bairro. Oro pelo dono para ele vender o salão. Que ele seja tocado por Deus.” Como foi a escolha do lugar? “O Espírito Santo me tocou quando passei em frente.” Ele insiste: “Por todas as igrejas onde congreguei, esta é a mais marcante. Louvar onde era um funk. Oh, glória meu Deus! É um privilégio. Todos querem saber quem é o pastor que congrega onde era o baile funk”.

Souza, o antigo promotor do baile, reflete: “É interessante. De repente, você vê um pessoal de alma tão boa para limpar o ambiente. O baile funk é pesado. No dia que a vizinhança queria descansar, eu abria as portas. Mas não me arrependo. Financeiramente foi muito bom e gerei emprego para muita gente”. Souza não pode reclamar. No seu caso, Deus ou o “diabo” tanto faz. O milagre da multiplicação de dinheiro está garantido.

TJ-SP considera menina prostituta e inocenta acusado de estupro

Publicado no Estadão

Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) inocentou um fazendeiro de Pindorama, no interior do Estado, da acusação de estupro contra uma menina de 13 anos. Ele foi preso em flagrante ao fazer sexo com a garota, mas os desembargadores consideraram que ela era prostituta e, por isso, o acusado teria sido levado ao erro sobre sua idade.

O processo corre em segredo de Justiça e cabe recurso, que dever ser feito nos próximos dias pelo procurador-geral Márcio Fernando Elias Rosa. Entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente criticaram a decisão.

O acórdão de 16 de junho favorece o fazendeiro G.B., hoje com 79 anos. Ele foi preso em fevereiro de 2011 com duas meninas, uma de 14 anos e outra de 13, dentro de sua caminhonete, em um canavial na zona rural do município. As meninas disseram que tinham saído para fazer um programa – a maior teria recebido R$ 50 e a menor, R$ 30. A conjunção carnal foi comprovada com a menina de 13 anos. Ele ficou preso por 40 dias, mas foi libertado e não voltou mais à prisão.

Em primeira instância, o acusado foi absolvido do crime de favorecimento à prostituição e condenado, a 8 anos, por estupro de vulnerável. O Ministério Público Estadual (MPE) recorreu da absolvição e, na análise da apelação, feita pela 1.ª Câmara Criminal Extraordinária do TJ, o fazendeiro acabou absolvido dos dois crimes.

O relator reconheceu o caráter absoluto da presunção de violência para o crime de estupro de menores de 14 anos, mas acolheu o argumento da defesa de que o fazendeiro foi levado a erro quanto à idade da menina por causa de suas experiências sexuais anteriores e da prática de prostituição. “Não se pode perder de vista que em determinadas ocasiões podemos encontrar menores de 14 anos que aparentam ter mais idade, mormente nos casos em que eles se dedicam à prostituição, usam substâncias entorpecentes e ingerem bebidas alcoólica”, afirmou o acórdão.

Indignação. “O acusado cometeu crime de violação dos direitos da criança e deveria ser punido por isso. Houve exploração sexual de menor, o que é crime hediondo e ele deveria ter sido condenado”, disse a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Míriam Maria José dos Santos.

Para Ariel de Castro Alves, fundador da Comissão Especial da Criança da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a decisão do TJ “é como uma espécie de licença para a exploração das crianças e adolescentes”. “A partir de agora em São Paulo qualquer abusador sexual pode explorar sexualmente crianças e adolescentes e justificar que não sabia que eram menores de idade”, afirmou.

A reportagem ouviu conselheiros tutelares de Pindorama. Uma delas, que participou da abordagem feita ao fazendeiro no dia da prisão, disse que as duas meninas não eram prostitutas. “Elas eram usuárias de drogas”, afirmou a conselheira, que pediu para não ser identificada. Procurado, o advogado do fazendeiro, Edervek Delalibera, não foi localizado.

Milan, Orlando e São Paulo se acertam, e Kaká deve ser apresentado dia 7 de julho

Kaká vai defender o São Paulo no resto de 2014 (foto: Getty Images)

Kaká vai defender o São Paulo no resto de 2014 (foto: Getty Images)

Paulo Vinicius Coelho, no ESPN

Faltavam só detalhes para Kaká ser anunciado como jogador do São  Paulo para o Campeonato Brasileiro de 2014. Não faltam mais. O Orlando acertou a contratação de Kaká com o Milan, mas só pode escalá-lo a partir de março, quando começará a nova temporada americana. Nesse período, Kaká jogará pelo São Paulo.

Kaká jogará no São Paulo por seis meses. Ou seja, com a tentativa de ajudar o time a ser campeão brasileiro, o que não ocorre há seis temporadas.

Quando trocou o Real Madrid pelo Milan, Kaká assinou contrato com cláusula que o liberaria em caso de não classificação do clube para a Champions League. Esse foi um problema menor do que a percepção de que nada vai mudar no clube italiano a médio prazo. A crise política entre Adirano Galiani, Silvio e Barbara Berlusconi deve deixar o Milan durante um longo período longe dos melhores resultados.

Isso afastou Kaká do Milan, aproximou do futebol norte-americano e, por consequência, do São Paulo. Kaká vai assinar contrato semana que vem e será apresentado, provavelmente, no dia 7 de julho.

Kaká aceita proposta do São Paulo e negocia saída com o Milan

Kaká controla a bola no amistoso do Brasil contra a Irlanda (foto: Glyn Kirk/AFP)

Kaká controla a bola no amistoso do Brasil contra a Irlanda (foto: Glyn Kirk/AFP)

Danilo Lavieri, Guilherme Palenzuela e Pedro Lopes, no UOL

Kaká já aceitou a proposta do São Paulo. De acordo com o que pessoas da diretoria são-paulina informaram ao UOL Esporte, o que resta para a negociação ser concretizada é o acerto do jogador com o Milan. Ele tem mais um ano de contrato com o time italiano e precisa se acertar com os dirigentes para poder retornar à equipe que o revelou.

Em conversa rápida pelo telefone, o presidente são-paulino admitiu que negocia com o atleta. “Estamos conversando mesmo com o Kaká, mas não tem nada certo”, disse o dirigente diretamente do Itaquerão, onde acompanha ao jogo entre Uruguai e Inglaterra pela segunda rodada do grupo D da Copa do Mundo.

A reportagem apurou que o jogador foi, de fato, procurado pela diretoria são-paulina. Pela primeira vez desde que foi para a Europa, ele admite o fato de voltar ao país. A assessoria de imprensa do atleta não se pronunciou.

No fim desta temporada, inclusive, admitiu que pensava em deixar a Itália. “No final da temporada vou conversar com Galliani (Adriano, chefe executivo) para ver as ideias para a próxima temporada e o que o clube quer. Eu tenho um desejo de jogar nos Estados Unidos, e se for para deixar o clube, vou para a América”, falou em entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera.

No meio do ano passado, Kaká voltou ao Milan onde foi melhor do mundo (em 2007) depois de ser pouco aproveitado no Real Madrid pelo técnico José Mourinho. No time italiano, fez uma temporada regular, mas não foi o suficiente para tirar o clube italiano da crise e despertar o desejo do técnico Luiz Felipe Scolari em convocá-lo para a seleção brasileira.

A última vez que Kaká vestiu a camisa amarela foi no começo de 2013, em amistosos contra Rússia e Itália. Depois, não voltou mais. Ele ainda tem mais um ano de contrato com os italianos.

Há cerca de uma semana, a revista Caras chegou a publicar que Kaká tinha se separado de sua mulher Carol Celico. Apesar disso, depois da reportagem, o casal colocou fotos juntos nas redes sociais.

O São Paulo está, neste momento, em uma intertemporada nos Estados Unidos. O time fará um amistoso contra o Orlando City. De lá, Luis Fabiano já até fez uma brincadeira na sua conta de Facebook e postou uma foto dele ao lado do meio-campista na Copa das Confederações de 2009, quando atuaram lado a lado.

Há três semanas, frente a uma pressão popular, o presidente Carlos Miguel Aidar recuou após descartar a contratação do zagueiro uruguaio Diego Lugano e iniciou campanha para repatriá-lo. Afirmou que negociaria com o jogador após a pausa no Brasileirão, mas, como disseram próprios membros da diretoria, não passava de jogo de cena para satisfazer os anseios da torcida.