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Maioria dos moradores de rua são homens desiludidos com o amor

João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)

João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)

Publicado na Folha Ribeirão

Há 30 anos, João de Paula Ribeiro, 52, tinha um casamento aparentemente feliz, quatro filhos, casa, carro, um comércio e uma profissão em Serrana (313 km de São Paulo), sua cidade natal.

Hoje, ele passa o dia nas ruas de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), come o que os outros dão, toma banho quando arruma um lugar, ingere bebida alcoólica a todo momento e tem um barraco em uma favela na zona norte, que pouco frequenta.

Essa reviravolta aconteceu depois que a mulher o abandonou e o trocou pelo sócio de sua própria empresa. A desilusão amorosa acabou com os sonhos de toda a vida, com a vontade de seguir em frente e com as perspectivas de um futuro com a família.

Segundo dados do Creas-Pop, ao menos 92% dos moradores de rua são homens e uma grande parte é usuária de drogas, ingere álcool com frequência e já sofreu alguma desilusão amorosa.

Ele não gosta muito de falar sobre a própria vida. Com olhar triste, barba grande e um chapéu escondendo os cabelos brancos, Ribeiro tenta abafar a tristeza do passado com as pessoas que conheceu nas ruas.

“Sou feliz aqui com meus amigos. Visito os meus filhos de vez em quando, mas não gosto de depender de ninguém”, disse Ribeiro.

Por falta de funcionários qualificados, Apple deve inaugurar loja em dezembro

Empresa tem 13 vagas abertas para trabalhar na loja do Rio de Janeiro e outras 10 na área de software e engenharia para São Paulo

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publicado no Administradores

A Apple Store já está sendo construída no segundo pavimento do Village Mall, complexo anexado ao Barra Shopping, no Rio de Janeiro. Mas o estabelecimento, que deveria ter sido inaugurado em julho, irá abrir as portas apenas no início de dezembro. Motivo: falta de profissionais qualificados, segundo os rigorosos padrões da empresa.

De acordo com a INFO, a inauguração está prevista precisamente para o dia 7 de dezembro, com um pequeno evento — mas isso só irá acontecer após a companhia preencher os quadros. Um funcionário nível “Genius” recebe aproximadamente R$ 5 mil, enquanto a remuneração para cargos de chefia chega a R$ 10 mil.

No total, ainda estão abertas 13 vagas nas funções de engenheiro de soluções, líder corporativo e encarregado de estoque, dentre outras. Além das vagas no setor de varejo, a Apple também precisa de 10 profissionais nos segmentos software, engenharia, administrativo e finanças para atuação em São Paulo (SP). Aplicações para trabalho na Apple Brasil podem ser feitas pelo hotsite de empregos da companhia.

Grupo aplica golpes por telefone em pacientes de hospitais de São Paulo

Pacientes do Sírio-Libanês e Albert Einstein já foram alvos.
Vítimas têm doenças como câncer e precisarão de remédios caros.

sirioPublicado no G1

Criminosos estão aproveitando o momento de fragilidade de quem tem parentes internados em hospitais para aplicar golpes por telefone. Na maioria das vezes, as vítimas têm doenças como câncer e vão precisar de remédios caros, ou acompanhamento médico depois da alta.

O golpe já foi aplicado em pelo menos dois grandes hospitais da capital. Ambos reconhecidos centros de excelência médica e locais de grande circulação de profissionais de saúde, pacientes e visitantes. Os bandidos ligam no apartamento do paciente cobrando honorários ou oferecendo medicamentos importados com desconto. Os hospitais reforçaram as orientações de segurança assim que souberam dos golpes.

No Sírio-Libanês, a administração do hospital chegou a entregar aos pacientes um comunicado alertando para a ação dos golpistas.”Além da presença de seguranças devidamente uniformizados e do monitoramento feito por câmeras de vigilância, a instituição mantém um sistema eletrônico para o registro da entrada e saída de visitantes em todas as recepções. Embora haja todos esses esforços, pessoas de má fé estão utilizando o telefone para obter vantagens financeiras indevidas”, diz o comunicado.

O informativo detalha o golpe:

- Uma pessoa que se faz passar por médico liga para o quarto do paciente e alega ter desconto junto a um laboratório, diz que vai repassar  o medicamento por um valor mais barato. E deixa um número de celular.

- Os próximos contatos são feitos via celular: ligação ou mensagens de texto.

Depois que o paciente faz o depósito da quantia pedida, o falso médico liga novamente, avisa que se enganou ao informar o valor e pede um segundo depósito.

Outro centro médico de referência onde o golpe foi aplicado é o hospital israelita Albert Einstein. O crime também foi motivo de alerta a médicos e pacientes. “Há alguns meses vêm ocorrendo uma modalidade de estelionato em hospitais brasileiros, em que pessoas inescrupulosas beneficiam-se da angústia e preocupação dos pacientes ou de seus acompanhantes para obter vantagens financeiras”, revela informativo do Hospital Albert Eistein.

Investigação
A polícia também orienta que as pessoas não aceitem as ofertas por telefone e não façam depósitos, sem antes checar com o hospital ou com o médico. Os casos já estão sendo apurados. A polícia quer saber como os bandidos tinham dados dos pacientes.

“A polícia investiga procurando, principalmente, rastrear os usuários das linhas telefônicas utilizadas e perceber se alguém poderia dar algum tipo de informação privilegiada para aquele que está praticando o delito”, afirma o delegado Paulo Cesar Freitas.

O golpe aplicado no Albert Einstein e no Sírio-Libanês já é de conhecimento da polícia. A investigação quer saber como os estelionatários têm informações sobre os pacientes a quem eles enganam. E para outras pessoas não caíam no golpe, fica o alerta.

“Devemos ter uma atenção redobrada quando a pessoa que oferta solicitar um adiantamento em dinheiro, ou depósito bancário, transferência bancária, porque são estratagemas, normalmente utilizada pelos estelionatários”, complementa Freitas.

Até agora, nenhum golpista foi identificado ou preso. O hospital israelita Albert Einstein informou que assim que tomou conhecimento da ação dos bandidos, avisou a polícia e desde então nenhum golpe foi aplicado mais. O  hospital Sírio-libanês  disse que tem conhecimento de que existem quadrilhas especializadas em tentar aplicar golpes por telefone em pacientes internados em instituições de saúde.

Também falou que adota medidas no sentido de prevenir essas ações com o objetivo de resguardar a segurança e o bem-estar dos pacientes. A produção do SPTV conversou com a filha de uma paciente que deu R$ 15 mil para os estelionatários. Ela não quis gravar entrevista.

Filha de cantor gospel diz à polícia que abusos começaram quando tinha 12 anos

Marcelo Terrinha foi preso na Bahia e apresentado nesta segunda na Baixada Fluminense

Cantor gospel é preso por suspeita de estuprar a própria filha

Cantor gospel é preso por suspeita de estuprar a própria filha

Publicado no R7

A filha do cantor gospel Marcelo Galdino Cordeiro, conhecido como “Marcelo Terrinha”, suspeito de estuprar a garota, disse à polícia que os abusos começaram quando ela tinha 12 anos. Os estupros aconteceram ao longo de um ano — atualmente, a adolescente tem 13 anos. Ele foi preso por policiais da 61ª DP (Xerém).

De acordo com o delegado titular da delegacia, Mário Arruda, após investigações, os agentes localizaram Marcelo na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia. Os policiais foram até a Bahia e conseguiram prendê-lo.

Segundo depoimento da vítima, os abusos aconteciam quando ela ia a São Paulo visitar o pai e quando ele a visitava no Rio de Janeiro. Após o ato, segundo a polícia, ele a obrigava a ajoelhar e pedir perdão a Deus pelo que praticaram.

O R7 tentou contato com a equipe do cantor, por meio de seu site, mas até a publicação desta reportagem não havia conseguido retorno.

Assista à reportagem:

dica da Rafamila Almeida

Como matar sonhos

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Carmen Guerreiro, no AnsiaMente

Minha meia-irmã recentemente veio a São Paulo para uma visita. Ela tem 12 anos e está justamente na fase transitória entre a infância e a adolescência, entre a visão de “meus pais são o meu mundo e só falam a verdade” e a rebelião completa do “eu sei o que é melhor para mim e para o mundo”. O riso infantil deu lugar ao silêncio e à cara de saco cheio adolescente. Mas tem uma coisa que faz seus olhos brilharem e sua boca tagarelar: escrever. “Ela fala para todo mundo que tem uma irmã escritora”, a mãe dela me disse. Fiquei toda orgulhosa. Em uma semana em São Paulo, ela devorou dois livros de mais de 300 páginas. Pediu para passar uma tarde toda na Livraria Cultura, um dos seus lugares preferidos da cidade. Eu puxei o assunto sobre seu gosto pela literatura.

“Eu escrevi um conto, nada demais, mas foi a primeira coisa maior que eu escrevi”, ela me contou.

“Que legal! Eu quero ler!”, eu respondi, empolgada. A cara dela apagou e ela olhou para o chão involuntariamente.

“É que… eu queimei. E apaguei do computador.”

“O quê??? Por quê?”

“Porque eu escrevi uma história inspirada no Gasparzinho [o fantasminha caramada], e minha tia disse que aquilo não era de Deus.”

Uma ira tomou conta de mim e, caso eu fosse um desenho animado, minhas orelhas teriam soltado fumaça e minha cara teria ficado vermelha. Não se trata de religião.  Trata-se de matar o sonho de uma criança. Uma criança que começa a andar com as próprias pernas, ter suas próprias ideias, desenvolver seus interesses e BUM, tem suas asas cortadas por uma pessoa em quem confia e que tem como modelo. E com isso, o lado criança a retraiu e ela logo desistiu “dessa maluquice” de escrever.

Quantas crianças vemos todos os dias na rua, no supermercado, no ônibus, no metrô, nas praças e parques recebendo a mesma patada que minha irmã recebeu e desistindo, assim, daquilo pelo que são apaixonadas, curiosas, instigadas? Inclusive tratei disso em outro post. “Isso é uma besteira, menino”, “Você nunca vai ganhar dinheiro com isso”, “Alguém já deve ter inventado isso”, “Pare de inventar moda”.

Em um mundo com tantos problemas complexos que exigem soluções inovadoras, quebras de paradigmas e questionamentos, precisamos que crianças (e adultos!) possam acreditar que é possível fazer diferente. Que dá para viver daquilo que a gente ama. Que sonhos podem ser realidade. Que ideias são poderosas e podem sim transformar o mundo. Que tudo aquilo que foi dito para elas não é uma verdade inquestionável nem uma realidade imutável.

Caí na minha própria armadilha dois dias depois que minha irmã me contou o causo do Gasparzinho. Ela me perguntou por que eu escolhi ser jornalista, e eu disse que meu sonho era ser escritora (escrevi dois livros aos 14 anos, mas não tive coragem de tentar publicá-los). “Então por que não foi ser escritora, oras?” ela me questionou. Temos que prestar atenção nas perguntas que fazem as crianças. Elas são as pessoas antes de se conformarem. São o otimismo antes da depressão. Eu não prestei essa atenção na hora e respondi: “Porque eu precisava viver de alguma coisa, ué.”

E no dia seguinte me dei conta da bobagem que falei. Fiz o mesmo que a tia dela, mas em outro nível. Quis dizer que aquele sonho era só um sonho, que a realidade é diferente. Mas não precisa ser. Se existem escritores profissionais, é porque é possível ser um escritor profissional. E o mesmo serve para tudo o que se imagina que é “demais” para a gente. Se todos achassem que ser astronauta, escritor, artista profissional, ator reconhecido, trabalhar na organização que admiramos (Pixar, ONU, Google etc.), não existiriam pessoas trabalhando nessa realidade. Então de onde vem essa autoestima baixa que não permite nem que a gente tente, experimente, teste antes de sabermos se vamos conseguir ou não? Algumas palavras e gestos de um adulto são capazes de mudar todo o futuro de uma criança, para o bem ou para o mal. Quantas vezes já não ouvi a frase “meu sonho era fazer faculdade, mas meu pai dizia que eu tinha que trabalhar e no fim ele estava certo”?

Você consegue olhar para trás e lembrar do momento em que incutiu que algo era “bom demais” ou “difícil demais” para você? Aposto que a maior parte desses momentos estava ligada a um adulto que disse que aquilo não era o caminho certo, ou que deu de ombros para a sua ideia. Li (na verdade ouvi) recentemente o livro Creating Innovators, de Tony Wagner (aliás, recomendo fortemente a leitura para qualquer um interessado no rumo que nossa sociedade está tomando), e ele insiste que por trás de adultos criativos que saem do seu quadrado e inovam a forma das pessoas viverem (o engenheiro por trás do iPhone, por exemplo, é citado no livro), existiu um adulto – professor ou familiar – que o incentivou na infância ou adolescência. E não necessariamente sendo um mentor, mas simplesmente dando o seu aval, dizendo que sim, ele deveria ir em frente.

Isso fez muito sentido para mim. E descobri que aconteceu comigo também, e provavelmente aconteceu com todos vocês. Apesar de eu me orgulhar da formação e criação que meus pais me deram, nunca foram super apoiadores do meu espírito criativo, empreendedor e explorador. Foram em alguns momentos, mas faltaram em outros. E eu reconheci pessoas-chave por quem eu tenho um imenso carinho até hoje que simplesmente disseram: “Ótima ideia, vai fundo!” ou “Você tem potencial” e que isso bastou para que eu movesse montanhas para fazer minha ideia acontecer.

Corri atrás do meu erro com a minha irmã, e aproveitei para resgatar o meu próprio sonho no processo. Propus a ela que fizéssemos juntas exercícios de escrita e construíssemos personagens, trama e tudo o mais de uma história juntas, via email (ela mora a 1000 km de distância). Um incentivo para ela, uma retomada de sonho para mim. Ela ficou muito feliz com a proposta e o desafio. Para terminar, criei uma conta de email para ela e meu primeiro email inaugurando sua caixa de entrada foi um texto me redimindo, e explicando que falei uma grande besteira. E que ela podia ser escritora se quisesse, sim.

E você, já mudou de ideia sobre uma escolha de vida em que se viu tendo que trocar o duvidoso (e inovador) pelo certo  (e conservador)? Você escolheu sua profissão baseado em um sonho ou na pressão para ser bem sucedido? Ou nos dois? Você já se conformou em um relacionamento por mais tempo do que deveria porque achou que o amor era aquilo mesmo, e você não encontraria alguém como uma vez sonhou? Você já desistiu da ideia de fazer um intercâmbio internacional ou simplesmente viajar para fora porque disseram que tem coisa melhor para gastar o dinheiro? Conte sua história aqui.

dica da Cristina Danuta