Ciclistas reclamam de pneus furados por tachinhas em ciclovia em SP

Meta da atual gestão é instalar 400 km de vias para bicicletas até 2015.
Medida tem causado polêmica entre comerciantes e alguns moradores.

Tachinhas estavam espalhadas pela via, diz ciclista (foto: Fabio Ximenez/Arquivo pessoal)
Tachinhas estavam espalhadas pela via, diz ciclista (foto: Fabio Ximenez/Arquivo pessoal)

Publicado no G1

Ciclistas que utilizam a ciclovia da Rua Artur de Azevedo, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, afirmam que tiveram seus pneus furados por tachinhas que estavam espalhadas pela via. A implantação de vias para bicicletas tem causado polêmica entre comerciantes e alguns moradores.

O ciclista Fábio Ximenez diz que percorre o trajeto diariamente e percebeu, na noite nesta quinta-feira (9), que algo estava errado.

“Eu estava indo para a USP e percebi que um pneu estava murcho. Fui arrastando [a bicicleta] até a ponte da Cidade Universitária, quando vi um senhor, de mais ou menos uns 60 anos, com a dele tombada. Ele disse que o pneu tinha sido furado. Ele caiu e estava todo ralado”, conta Ximenez.

Ele disse que o homem afirmou ter encontrado algumas tachinhas presas ao pneu da bicicleta. “Eu verifiquei o meu e encontrei no mesmo local”, diz. O problema trouxe, além de prejuízos financeiros, dificuldades para o estudante voltar para casa. “Foram R$ 30 para trocar a câmara, mas, além disso, tem o fato de que eu ter que voltar de lá, pedir para alguém me dar uma carona até em casa”, afirma.

Lisa Watanabe, de 27 anos, utiliza a ciclovia nos fins de semana e também teve os pneus furados pelo objeto.

“No sábado passado fui ao parque do Ibirapuera de bike. Subi a Artur de Azevedo para pegar a Henrique Shaumann e fui ao parque normalmente. Na volta do trajeto, notei as tachinhas no meu pneu logo quando estava prestes a pegar a ciclovia novamente. Aí prestei bastante atenção na ciclovia e pude notar várias espalhadas pelo chão”, diz Lisa.

Ela conta que já ouviu outros casos de ciclistas que tiveram o mesmo problema. “No caminho de volta, parei em um café que é bike-friendly pra avisar o pessoal lá e perguntar se alguém sabia de algo a respeito, e me disseram que já tinham reclamado das tachinhas na Artur”.

Uma bicicletaria localizada próxima ao local alertou seus clientes sobre o problema por meio de sua página no Facebook. Na mensagem, a empresa afirma que te atendido muitos casos de pneus furados por tachinhas na ciclovia da Artur de Azevedo.

Procurada pelo G1, a Subprefeitura de Pinheiros, responsável pela região, não deu respostas sobre a questão até a publicação desta reportagem.

Ciclovias

Ciclista registrou tachinhas presas a pneu (foto: Lisa Watanabe/Arquivo Pessoal)
Ciclista registrou tachinhas presas a pneu
(foto: Lisa Watanabe/Arquivo Pessoal)

O incentivo ao uso da bicicleta tem sido uma das principais bandeiras da gestão atual. Apesar da aprovação, a implantação de ciclovias tem causado polêmica. Alguns comerciantes acreditam que a implantação das vias para ciclistas podem prejudicar suas vendas, por retirarem das ruas um espaço antes destinado ao estacionamento de veículos.

Até o momento, o prefeito, Fernando Haddad (PT), já construiu 78,3 km de ciclovias e pretende entregar em sua gestão um total de 400 km de ciclovias até o final de 2015 em toda a cidade. A  meta é fechar 2014 com 200 km. Desde junho, a gestão entregou 44,9 km em 23 trechos.

De acordo com a Prefeitura, o cumprimento da meta deixará São Paulo com total de ciclovias próximo do que há em outras cidades do mundo. O levantamento da administração municipal aponta que Berlim lidera o ranking com 750 km. Além dos 400 km do novo plano, há previsão de inauguração de 150 km de ciclovias que devem ser implantadas junto aos futuros corredores de ônibus, além de outros 63 km já existentes até 2013.

Fiscalização
Em agosto, a Prefeitura de São Paulo anunciou que vai colocar 1,2 mil agentes ciclistas da GCM para monitorar as ciclovias que cortam a cidade. Em uma segunda etapa, os agentes vão multar quem desrespeitar as regras.

A possibilidade de os guardas aplicarem multas está prevista no Estatuto Geral das Guardas Municipais, que amplia as atribuições dos agentes. Para que os agentes possam aplicar multas, será feito um convênio entre a GCM e a Secretaria Municipal dos Transportes.

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Para o Estado somos todos bandidos

Ele existe não para nos defender sem necessidade de matar, mas para “executar”, e se for com tortura, melhor

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Juan Arias, no El País

Estou há muitos anos neste país que amo, sobretudo suas pessoas. Muitas coisas mudaram desde que aterrissei pela primeira vez no Rio, onde ainda se podia caminhar pela rua e viajar de ônibus sem ter que ficar alerta por medo de ser vítima da violência urbana. O mesmo ocorria em São Paulo.

O Brasil avançou na consciência dos cidadãos e até em riqueza econômica, apesar de uns poucos continuarem crescendo cada vez mais do que a maioria. Há algo, porém, que no Brasil não só não avançou, como também retrocedeu. Por exemplo, no que se refere ao respeito à vida das pessoas.

Eu me pergunto tantas vezes, com dor e até com raiva, por que a vida de uma pessoa vale tão pouco e é esmagada a cada dia como se esmaga uma barata. Esse pouco apreço por ela faz com que nossa polícia, eternamente mal paga e mal preparada, sempre com licença para matar, seja a cada dia mais truculenta e corrupta.

Eu voltei a me perguntar lendo a sangrenta reportagem de minha colega María Martín neste jornal sobre o tiro disparado por um policial na cabeça de um jovem vendedor ambulante, que acabou morto no asfalto de uma rua da rica São Paulo.

Esse policial que atirou sem compaixão no ambulante, como se atira em um coelho no campo, não pensou que aquele jovem vendia suas coisas na rua porque talvez não tenha tido a possibilidade de fazer algo melhor na vida? Que poderia ter sido seu filho ou irmão? Que ele também tinha sonhos e desejo de continuar aproveitando a vida?

Vendo aquelas imagens feitas no lugar do crime pela nossa repórter María meu estômago se revirou de desgosto e a mente, de indignação, enquanto pensava que esses policiais que em vez de nos dar um sentido de segurança e proteção nos incutem a cada dia mais medo.

Pensei também que a nossa classe média ajuda os guardiães da ordem a disparar o gatilho da pistola sem tantos remorsos. Fomos nós que cunhamos a terrível frase de que “bandido bom é bandido morto”. E o respeito à vida? “É que eles também não respeitam a nossa”, se contrapõe. Mas isso leva à concepção de que o Estado existe não para nos defender sem necessidade de matar, mas para “executar”, e se for com tortura, melhor. E que todos acabamos sendo vítimas potenciais dessa loucura.

Há países, como os Estados Unidos, onde se um policial poderia ter prendido um criminoso sem lhe tirar a vida e fica comprovado que não o fez porque era mais fácil matá-lo, acaba sendo duramente punido.

É um problema de escala de valores. Quando a vida de um ser humano, criminoso ou santo, deixa de ter valor supremo, todos logo acabamos nos tornando carne de canhão. Nossa vida entra em liquidação, perde seu valor e dignidade.

Tudo isso, no Brasil parece mais evidente pelo fato de que o Estado trata os cidadãos não como pessoas em princípio honradas, mas como potenciais “bandidos”. Em outros países, o Estado parte do pressuposto de que o cidadão é do bem, que não mente, que não engana, que não procura, a princípio, violar a lei.

E é o Estado, se for o caso, que tem de demonstrar que não é assim, que esse cidadão é um delinquente e fraudador, e só então terá de ser punido.

Viram como nós, cidadãos, somos tratados no Brasil quando precisamos comprar algo, quando entramos em um cartório? Todo o papel é pouco para demonstrar que não somos bandidos, sem-vergonha, mentirosos, vigaristas. Nos pedem certificados e mais certificados, assinaturas e mais assinaturas, reconhecimento de firma, e ainda mais, comprovação com presença física de que essa assinatura é autêntica.

Em uma ocasião, quando comprei um pequeno imóvel em Madri, tudo durou 20 minutos num cartório. Assinamos o contrato de compra e venda. O proprietário me entregou a escritura e as chaves e eu entreguei o cheque da compra. No Brasil nos teríamos perguntado, e se o imóvel foi vendido duas vezes? E se nós dois não estivéssemos nos enganando? E, e, e, e…..! quantos “es” e quantos medos de que no fundo sejamos de verdade uns bandidos que só queremos enganar!

Essa possibilidade de que possamos estar enganando sempre se deve ao fato de que perante as autoridades, ante a polícia, ante o Estado, todos somos sempre vistos como bandidos em potencial. Como me disse um amigo meu, para meu espanto: “É que todos nós, brasileiros, somos todos um pouco bandidos. Se nós podemos enganar, fazemos isso”.

Não acredito. Sempre pensei que até nas sociedades mais violentas e atrasadas as pessoas de bem, honradas, que não desejam enganar são infinitamente mais numerosas do que os bandidos. Do contrário, o mundo inteiro seria há muito tempo um inferno.

É assim no Brasil? Enquanto se continuar pensando e agindo como se a vida humana tivesse menos valor do que um verme e ninguém se espantar quando é sacrificada com violência e sem remorsos, às vezes até por uma insignificância, talvez tenhamos que reconhecer que esse inferno existe também aqui.

Isso é o que recordam as mais de 50.000 vidas, todas elas de jovens negros ou mulatos, pobres quase em sua totalidade, que acabam assassinados a cada ano, mais que em todas as guerras em curso no Planeta. Cada vez que um policial acaba com a vida de uma pessoa na rua, às vezes por uma mesquinharia, continuará sendo alimentada, pela outra parte, a dos cidadãos e dos mesmos bandidos, uma cadeia infernal de desejo de vingança que continuará nos esmagando e humilhando.

Até quando? Irá despertar alguma vez este país de tantas maravilhas, de tantas pessoas fantásticas, com desejo de viver em paz, sem serem tratadas como se fossem todas bandidos, ou continuará deixando atrás de si a cada dia tristes trilhas de sangue e medo ante a impassividade e a impotência do Estado?

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Ação leva ônibus anfíbio ao Rio Tietê

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publicado no Ciclo Vivo

Nesta quarta-feira (17), o São Paulo Boat Show, maior salão náutico indoor da América Latina, trouxe para as águas do Rio Tietê um ônibus anfíbio. A iniciativa teve como objetivo conscientizar a população e a opinião pública sobre os benefícios de recuperar os rios urbanos.

O veículo identificado com placas do projeto “Por Uma Ação Sustentável” adentrou com a primeira turma de convidados para o passeio sobre as águas do Rio Tietê. Ao todo foram três voltas, cada uma com duração de 30 minutos, 1 hora e 30 minutos com diferentes grupos de participantes, que somaram cerca de 80 pessoas no total. Durante os três trajetos diversas questões, opiniões e impressões foram levantadas pelos participantes.

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Para fomentar a discussão sobre a preservação dos rios foi convidado o especialista Alexandre Delijaicov, responsável pelo Grupo Metrópole Fluvial da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU). O professor ressaltou a importância da iniciativa “Uma ação assim é fundamental para mudar a mentalidade da população. A questão não está nas mudanças das infraestruturas físicas, mas nas mudanças individuais. Fomos nós que poluímos e somos nós que temos que despoluir com um comprometimento de falar e fazer o que foi dito”. O especialista encerra com um discurso taxativo: “É preciso navegar para despoluir. Quem usa, cuida.”

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Como parte das novidades previstas pela 3a Ação Por Uma Cidade Navegável, a integração dos paulistanos se deu com a presença de membros da sociedade civil com ligações bem especiais e até afetivas com o Rio Tietê, como a nadadora Marlene Maia Matos, que chegou a nadar no rio na fase despoluída, da década de 40. “Aprendi a nadar no Rio Tietê, cheguei a tomar água do rio quando tinha 10 anos. É muito triste estar navegando por ele nestas condições hoje”, conta com os olhos marejados.

De outro lado, a estudante Marcela Abrhão, 14, se surpreendia com a experiência. “Nossa que diferente, as pessoas passam de carro e ninguém pensa que é possível isso (navegar pelo rio), devem pensar que é uma alucinação.”

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O ônibus anfíbio foi desenvolvido no Brasil e segue as normas de segurança marítimas e terrestres, brasileiras e internacionais. Tem capacidade para transportar 28 pessoas e é usado atualmente no Rio de Janeiro, em passeios turísticos. Ecologicamente correto, não prejudica o meio ambiente. As graxas utilizadas são atóxicas e inertes em meio aquático. O motor fica em compartimento isolado e monitorado por vídeo.

 

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Reeleição é “a mãe de todas as corrupções”, diz Joaquim Barbosa

Guilherme Balza, no UOL

Joaquim Barbosa dá sua primeira palestra após deixar o Supremo
Joaquim Barbosa dá sua primeira palestra após deixar o Supremo

Na primeira palestra após ter se aposentado, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa fez duras críticas à reeleição para cargos executivos no Brasil.

“A possibilidade real de mudança periódica dos agentes políticos, com o voto universal e livre, é um elemento essencial de frenagem e de calibração democrática, mas essa possibilidade real de mudança periódica fica prejudicada quando se tem o instituto da reeleição para os cargos executivos”, disse o ex-ministro.

A palestra foi dada na manhã desta terça-feira (16), em São Paulo, no 13º Congresso Internacional de Shopping Centers, evento organizado pela Abrasce, entidade representativa dos shoppings do Brasil.

Sem citar casos concretos, Barbosa afirmou que é necessário acabar com a reeleição, tratada por ele como a “mãe de todas as corrupções” nos países em que as instituições ainda não estão consolidadas. “Ressalto veementemente que estou falando em termos puramente hipotéticos, sem nenhuma relação a qualquer caso concreto da atualidade”, afirmou Barbosa.

“Em países ainda em fase de consolidação institucional, ou que tenham instituições débeis, a reeleição funciona como o carro-chefe, a mãe de todas as corrupções de toda a espécie. Ela condiciona tudo: de projetos essenciais à coletividade à pauta diária do governo e até mesmo a projetos individuais e pessoais daqueles que se associam ao governante que busca se manter perene no poder”, disse o ex-ministro, que foi o relator do caso do mensalão no Supremo.

No julgamento, ele foi protagonista de uma série de polêmicas com outros ministros. Barbosa aposentou-se em 1º de julho, após 11 anos na Corte.

Para Barbosa, o instituto da reeleição favorece o “toma lá da cá” entre o Executivo e o Legislativo. “Consiste em concessões reciprocas nas matérias submetidas à aprovação legislativa ou executiva. É o nosso toma-lá-da-cá.”

O ex-presidente do Supremo afirmou também que o os mandatos no Executivo tem de durar cinco anos e defendeu o voto distrital para representantes do Legislativo em contraposição ao modelo atual. “A grande vantagem é você saber em quem está votando.”

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Alckmin ora com pastores e defende parcerias com entidades religiosas

Geraldo Alckmin durante culto na Igreja El Shaddai, associada ao Ministério Internacional da Restauração (foto: Danilo Verpa/Folhapress)
Geraldo Alckmin durante culto na Igreja El Shaddai, associada ao Ministério Internacional da Restauração (foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Gustavo Uribe, na Folha de S.Paulo

Em busca do apoio evangélico na disputa eleitoral deste ano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), subiu nesta quinta-feira (11) no altar de uma igreja neopentecostal e defendeu a manutenção das parcerias do governo estadual com entidades religiosas para a reabilitação de dependentes químicos.

Em discurso a uma plateia de 400 pastores, no qual pregou os princípios cristãos e o fortalecimento da família, o tucano disse que o consumo de crack no país se tornou uma “epidemia” e defendeu a importância do trabalho social das igrejas evangélicas.

“Eu vim pedir as orações de vocês. Nós somos parceiros e iremos trabalhar juntos no trabalho social das igrejas, procurando apoiar quem mais precisa”, garantiu.

Na disputa estadual deste ano, a ampliação das parcerias com entidades religiosas em programas para dependentes químicos é uma das principais reivindicações de lideranças evangélicas, que dialogam com quase um quarto dos paulistas.

A Secretaria da Justiça de São Paulo possui atualmente convênios com 31 comunidades terapêuticas, com ou sem vínculos religiosos, nas quais oferece 787 vagas. O valor médio pago por mês por vaga ocupada é de R$ 1.350.

No palco da Igreja El Shaddai, associada à denominação Ministério Internacional da Restauração e com 850 templos no Estado, o tucano orou de olhos fechados e recebeu a bênção dos pastores.

“Não há nada mais importante, mais bonito na vida, que evangelizar e levar a palavra de Deus às pessoas”, pregou o governador.

Em discurso de tom religioso, o tucano defendeu a unidade familiar como a “primeira célula da nação” e elogiou a atuação da igreja evangélica em São Paulo.

“Eu vim aqui para agradecer: quanto mais vocês trabalharem e levarem sua mensagem, melhor para São Paulo e para o Brasil”, disse o tucano, sob gritos de “aleluia” dos pastores presentes na plateia.

No final do encontro, o apóstolo Fábio Abbud, presidente da Igreja El Shaddai, pediu o apoio dos pastores presentes ao tucano.

A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (10), mostrou que a expectativa de voto de Alckmin entre os eleitores que se declaram evangélicos pentecostais é de 49%. Em agosto, no entanto, ela chegava a 63%.

CONFIDENCIAL

A participação do tucano na reunião com evangélicos não foi divulgada pela assessoria de imprensa do governo ou da campanha.

Desde o início da disputa estadual, em julho, o governador tem participado de agendas religiosas, em igrejas católicas e evangélicas, que são tratadas por sua equipe como “confidenciais”.

De acordo com tucanos, elas não são informadas para que a presença de jornalistas não atrapalhe os cultos e para que a divulgação da visita não cause atritos com outras igrejas que ainda não foram visitadas pelo tucano.

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