Ação leva ônibus anfíbio ao Rio Tietê

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publicado no Ciclo Vivo

Nesta quarta-feira (17), o São Paulo Boat Show, maior salão náutico indoor da América Latina, trouxe para as águas do Rio Tietê um ônibus anfíbio. A iniciativa teve como objetivo conscientizar a população e a opinião pública sobre os benefícios de recuperar os rios urbanos.

O veículo identificado com placas do projeto “Por Uma Ação Sustentável” adentrou com a primeira turma de convidados para o passeio sobre as águas do Rio Tietê. Ao todo foram três voltas, cada uma com duração de 30 minutos, 1 hora e 30 minutos com diferentes grupos de participantes, que somaram cerca de 80 pessoas no total. Durante os três trajetos diversas questões, opiniões e impressões foram levantadas pelos participantes.

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Para fomentar a discussão sobre a preservação dos rios foi convidado o especialista Alexandre Delijaicov, responsável pelo Grupo Metrópole Fluvial da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU). O professor ressaltou a importância da iniciativa “Uma ação assim é fundamental para mudar a mentalidade da população. A questão não está nas mudanças das infraestruturas físicas, mas nas mudanças individuais. Fomos nós que poluímos e somos nós que temos que despoluir com um comprometimento de falar e fazer o que foi dito”. O especialista encerra com um discurso taxativo: “É preciso navegar para despoluir. Quem usa, cuida.”

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Como parte das novidades previstas pela 3a Ação Por Uma Cidade Navegável, a integração dos paulistanos se deu com a presença de membros da sociedade civil com ligações bem especiais e até afetivas com o Rio Tietê, como a nadadora Marlene Maia Matos, que chegou a nadar no rio na fase despoluída, da década de 40. “Aprendi a nadar no Rio Tietê, cheguei a tomar água do rio quando tinha 10 anos. É muito triste estar navegando por ele nestas condições hoje”, conta com os olhos marejados.

De outro lado, a estudante Marcela Abrhão, 14, se surpreendia com a experiência. “Nossa que diferente, as pessoas passam de carro e ninguém pensa que é possível isso (navegar pelo rio), devem pensar que é uma alucinação.”

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O ônibus anfíbio foi desenvolvido no Brasil e segue as normas de segurança marítimas e terrestres, brasileiras e internacionais. Tem capacidade para transportar 28 pessoas e é usado atualmente no Rio de Janeiro, em passeios turísticos. Ecologicamente correto, não prejudica o meio ambiente. As graxas utilizadas são atóxicas e inertes em meio aquático. O motor fica em compartimento isolado e monitorado por vídeo.

 

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Reeleição é “a mãe de todas as corrupções”, diz Joaquim Barbosa

Guilherme Balza, no UOL

Joaquim Barbosa dá sua primeira palestra após deixar o Supremo
Joaquim Barbosa dá sua primeira palestra após deixar o Supremo

Na primeira palestra após ter se aposentado, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa fez duras críticas à reeleição para cargos executivos no Brasil.

“A possibilidade real de mudança periódica dos agentes políticos, com o voto universal e livre, é um elemento essencial de frenagem e de calibração democrática, mas essa possibilidade real de mudança periódica fica prejudicada quando se tem o instituto da reeleição para os cargos executivos”, disse o ex-ministro.

A palestra foi dada na manhã desta terça-feira (16), em São Paulo, no 13º Congresso Internacional de Shopping Centers, evento organizado pela Abrasce, entidade representativa dos shoppings do Brasil.

Sem citar casos concretos, Barbosa afirmou que é necessário acabar com a reeleição, tratada por ele como a “mãe de todas as corrupções” nos países em que as instituições ainda não estão consolidadas. “Ressalto veementemente que estou falando em termos puramente hipotéticos, sem nenhuma relação a qualquer caso concreto da atualidade”, afirmou Barbosa.

“Em países ainda em fase de consolidação institucional, ou que tenham instituições débeis, a reeleição funciona como o carro-chefe, a mãe de todas as corrupções de toda a espécie. Ela condiciona tudo: de projetos essenciais à coletividade à pauta diária do governo e até mesmo a projetos individuais e pessoais daqueles que se associam ao governante que busca se manter perene no poder”, disse o ex-ministro, que foi o relator do caso do mensalão no Supremo.

No julgamento, ele foi protagonista de uma série de polêmicas com outros ministros. Barbosa aposentou-se em 1º de julho, após 11 anos na Corte.

Para Barbosa, o instituto da reeleição favorece o “toma lá da cá” entre o Executivo e o Legislativo. “Consiste em concessões reciprocas nas matérias submetidas à aprovação legislativa ou executiva. É o nosso toma-lá-da-cá.”

O ex-presidente do Supremo afirmou também que o os mandatos no Executivo tem de durar cinco anos e defendeu o voto distrital para representantes do Legislativo em contraposição ao modelo atual. “A grande vantagem é você saber em quem está votando.”

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Alckmin ora com pastores e defende parcerias com entidades religiosas

Geraldo Alckmin durante culto na Igreja El Shaddai, associada ao Ministério Internacional da Restauração (foto: Danilo Verpa/Folhapress)
Geraldo Alckmin durante culto na Igreja El Shaddai, associada ao Ministério Internacional da Restauração (foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Gustavo Uribe, na Folha de S.Paulo

Em busca do apoio evangélico na disputa eleitoral deste ano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), subiu nesta quinta-feira (11) no altar de uma igreja neopentecostal e defendeu a manutenção das parcerias do governo estadual com entidades religiosas para a reabilitação de dependentes químicos.

Em discurso a uma plateia de 400 pastores, no qual pregou os princípios cristãos e o fortalecimento da família, o tucano disse que o consumo de crack no país se tornou uma “epidemia” e defendeu a importância do trabalho social das igrejas evangélicas.

“Eu vim pedir as orações de vocês. Nós somos parceiros e iremos trabalhar juntos no trabalho social das igrejas, procurando apoiar quem mais precisa”, garantiu.

Na disputa estadual deste ano, a ampliação das parcerias com entidades religiosas em programas para dependentes químicos é uma das principais reivindicações de lideranças evangélicas, que dialogam com quase um quarto dos paulistas.

A Secretaria da Justiça de São Paulo possui atualmente convênios com 31 comunidades terapêuticas, com ou sem vínculos religiosos, nas quais oferece 787 vagas. O valor médio pago por mês por vaga ocupada é de R$ 1.350.

No palco da Igreja El Shaddai, associada à denominação Ministério Internacional da Restauração e com 850 templos no Estado, o tucano orou de olhos fechados e recebeu a bênção dos pastores.

“Não há nada mais importante, mais bonito na vida, que evangelizar e levar a palavra de Deus às pessoas”, pregou o governador.

Em discurso de tom religioso, o tucano defendeu a unidade familiar como a “primeira célula da nação” e elogiou a atuação da igreja evangélica em São Paulo.

“Eu vim aqui para agradecer: quanto mais vocês trabalharem e levarem sua mensagem, melhor para São Paulo e para o Brasil”, disse o tucano, sob gritos de “aleluia” dos pastores presentes na plateia.

No final do encontro, o apóstolo Fábio Abbud, presidente da Igreja El Shaddai, pediu o apoio dos pastores presentes ao tucano.

A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (10), mostrou que a expectativa de voto de Alckmin entre os eleitores que se declaram evangélicos pentecostais é de 49%. Em agosto, no entanto, ela chegava a 63%.

CONFIDENCIAL

A participação do tucano na reunião com evangélicos não foi divulgada pela assessoria de imprensa do governo ou da campanha.

Desde o início da disputa estadual, em julho, o governador tem participado de agendas religiosas, em igrejas católicas e evangélicas, que são tratadas por sua equipe como “confidenciais”.

De acordo com tucanos, elas não são informadas para que a presença de jornalistas não atrapalhe os cultos e para que a divulgação da visita não cause atritos com outras igrejas que ainda não foram visitadas pelo tucano.

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Triste balneário

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Vim fazer um filme em São Paulo. Aluguei um apê no Copan. Com o preço do aluguel, compraria uma esfiha no Rio. Acordo todo dia às 6h da manhã com gosto. Posso ver a cidade inteira amanhecendo. No apartamento, tem uma bicicleta em perfeito estado. Ligo pro dono, ele diz que é só encher o pneu. No Rio, teria cobrado uma taxa extra: 700 esfihas.

Aqui, ando de bicicleta pela cidade inteira. A cada dia surge uma nova ciclovia. No Rio, a prefeitura acha que bicicleta é uma espécie de pedalinho —uma ótima maneira de se passar o domingo. Em São Paulo, ela está sendo tratada como um meio real de transporte. Até 2015 vai ter ciclovia na Paulista.

Clarice reparou que, quando alguém te recomenda alguma coisa em São Paulo, a coisa geralmente é boa de verdade. No Rio, as pessoas gostam de gostar ironicamente. “Você tem que comer aquela pizza ruim. É tão ruim que é boa.” Carioca se apega ao péssimo. Gosta porque gosta da ideia de gostar —não tem nada a ver com qualidade. A prova disso é que a pizzaria Guanabara segue de vento em popa.

Eduardo Paes importou a lei Cidade Limpa —paulistana. Tirou todos os outdoors da cidade. Muito legal. Proibiu também os cartazes na fachada do teatro. Menos legal. Fiquei meses em cartaz, ironicamente, sem cartaz.

Para piorar: no lugar dos cartazes, o prefeito espalhou autopropaganda. Agora, nas eleições, degringolou. A cidade está abarrotada de cavaletes políticos irregulares —inclusive e principalmente dos cúmplices do prefeito que se vangloria de ter feito o tal choque de ordem. Em São Paulo, a prefeitura proibiu o outdoor. No Rio, ela garantiu o monopólio.

Enquanto em SP a polarização se dá entre PT e PSDB, no Rio é entre o tráfico e a milícia. O carioca vota num candidato para evitar que outro se eleja. “Vou votar no pastor pra não ganhar o miliciano.” “Vou votar no traficante pra não ganhar o homicida.” Já vi gente discutindo qual candidato era menos assassino. “A diferença é que seu candidato mata. O meu é diferente. Ele só manda matar.”

Resumindo a tragédia, a disputa atual se dá entre um candidato chamado Pezão e outro chamado Garotinho. Não, não é uma história infantil de péssimo gosto. É terror da pior espécie.

O Haiti não é mais aqui. Ao contrário do Rio, o país mais pobre da América já saiu da guerra civil e está passando por um processo civilizatório. Já o Rio tem se transformado num califado ultrarreligioso governado ora por traficantes, ora por milicianos —onde um cafezinho ruim pode custar R$ 8.

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Artista israelense destrói Templo de Salomão em vídeo

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publicado na Veja SP

Antes do Templo de Salomão, construído pela Igreja Universal do Reino de Deus no Brás, existiram outros dois em Jerusalém. O primeiro foi destruído em 584 a.C. e o segundo, em 64 d. C, dando origem ao atual Muro das Lamentações. Quando soube que um terceiro templo seria erguido no Brasil, a artista israelense Yael Bartana decidiu fazer um filme que simulasse a demolição dele, como se fosse uma repetição profética do passado.

A diretora visitou as obras no ano passado e, no galpão de uma escola de samba, reproduziu seu interior em detalhes. Com efeitos visuais feitos em computador, finalizou sua história. O resultado é a ficção Inferno, de 22 minutos, na qual se vê o templo pegando fogo, desmoronando completamente e dando lugar – tal como o original – a um grande paredão onde as pessoas vão rezar, no meio da cidade.

O vídeo fará parte da 31ª Bienal de São Paulo que abre 6 de setembro. A exposição terá como tema a influência da arte sobre o mundo. Foram realizadas diversas residências artísticas no país e o resultado é que a capital paulista aparecerá em muitos trabalhos.

Assista a um trecho da obra:

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