Haitianos em situação análoga à de escravo são resgatados em SP

Vítimas cumpriam jornadas de mais de 15 horas sentadas em cadeiras de plástico inadequadas. (foto: SRTE/SP)
Vítimas cumpriam jornadas de mais de 15 horas sentadas em cadeiras de plástico inadequadas. (foto: SRTE/SP)

Publicado por Leonardo Sakamoto

O governo federal resgatou 14 trabalhadores haitianos que estavam em condições análogas à escravidão em uma oficina de costura na região central do município de São Paulo. A operação é a primeira envolvendo imigrantes dessa nacionalidade no Estado.

O caso é inédito. Apesar de haitianos já terem sido resgatados da escravidão no Brasil (por exemplo, 100, em Minas Gerais e 21, no Mato Grosso), nenhum caso havia sido registrado no Estado de São Paulo, nem no setor têxtil. Segundo depoimentos, os trabalhadores não estavam recebendo salários e passavam fome. A reportagem é Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil:

Doze haitianos e dois bolivianos foram resgatados de condições análogas às de escravos em uma oficina têxtil na região central de São Paulo. O resgate ocorreu no início deste mês após fiscalização de auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e uma procuradora do Ministério Público Trabalho (MPT). As vítimas trabalhavam no local há dois meses produzindo peças para a confecção As Marias, mas nunca receberam salários e passavam fome.

Segundo a fiscalização, antes de serem aliciados, os haitianos estavam sendo abrigados pela pastoral Missão Paz, mantida pela paróquia Nossa Senhora da Paz para acolher migrantes de outros países que chegam a São Paulo. Além de alojar os migrantes, a pastoral promove palestras a empresários sobre a cultura e os direitos dos estrangeiros, onde os interessados em contratar os recém-chegados preenchem fichas com informações que são usadas para verificar a situação trabalhista das empresas na Justiça e monitorar as contratações.

A estilista e dona da empresa, Mirian Prado, afirmou à Repórter Brasil que não tinha conhecimento das condições de trabalho na oficina e que só terceirizava o trabalho: “A gente estava na hora errada, no lugar errado e fazendo a coisa errada sem saber”, disse. Depois da autuação, informou que a empresa passou a fiscalizar outros fornecedores e que pretende deixar de terceirizar o serviço em breve para ter melhor controle sobre sua produção.

De acordo com o padre Paolo Parise, que coordena a missão desde 2010, o interesse dos empresários pela Missão Paz diminui quando eles são informados de que os migrantes têm os mesmos direitos dos demais trabalhadores no Brasil. O padre diz que, de janeiro a julho deste ano, 587 empresas contrataram 1710 migrantes através da pastoral. O número de empresas, porém, equivale a apenas um terço do total de interessados que assistem à palestra inicial.

MTE assina protocolo contra escravidão – Em coletiva de imprensa, o superintendente regional de São Paulo do MTE, Luiz Antônio de Medeiros Neto assinou portaria que regulamenta o envio direto de ofício com informações sobre empresas flagradas com trabalho escravo no Estado de São Paulo para a Secretaria da Fazenda do Estado. A medida visa garantir a efetividade da lei nº 14.946/2013, que prevê a cassação do registro do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de empresas flagradas com trabalho escravo e seu banimento do estado por dez anos.

A dona da oficina onde as 14 vítimas de trabalho escravo foram resgatadas faz parte dos dois terços de empresários desistentes. “Em maio, ela e seu esposo vieram, participaram da palestra e, depois, sumiram sem contratar ninguém”, disse Paolo. Antes de ser aliciado, Daniel*, um dos haitianos, já tinha emprego fixo em um shopping da capital e retornava todas as semanas à pastoral para dar, voluntariamente, aulas de português aos colegas conterrâneos. (mais…)

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Você pode ter uma miniatura sua impressa em 3D por 150 reais

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publicado no Exame

Já pensou se você pudesse ter uma versão em miniatura de você mesmo? Há pelo menos duas empresas – Avatoys e MiniYou – que estão usando impressoras 3D para oferecer esse tipo de serviço.

Na próxima quinta (dia 21), a Avatoys abre um quiosque com essa finalidade no MorumbiShopping, em São Paulo.

Ao chegar no local, o interessado é escaneado por 15 segundos na pose desejada. Então, as imagens registradas são enviadas a um computador, que leva 50 minutos para processá-las.

Depois disso, uma impressora 3D imprime a miniatura em até quatro horas. Ela é feita de um pó composto de gesso, plástico e outros materiais.

Após a aplicação de resina protetora, o objeto está pronto para ser retirado. O prazo de entrega é de até cinco dias úteis.

“Já estamos pensando em abrir lojas em outras partes de São Paulo e no resto do país”, afirmou Caio Alegre, fundador e diretor-geral da Avatoys, em entrevista a EXAME.com.

MiniYou

A Avatoys não é a única empresa a usar impressoras 3D para fabricar miniaturas de pessoas. Em funcionamento há um mês, a MiniYou vem colhendo bons resultados na área.

A empresa usa uma tecnologia parecida com a da Avatoys para oferecer esse tipo de serviço. “Já vendemos mais de 100 miniaturas”, afirmou Raquel Topgian, uma das diretoras da MiniYou, em entrevista à EXAME.com.

A MiniYou funciona em um estúdio em Santana, na zona Norte de São Paulo. A empresa planeja abrir três espaços em shoppings paulistanos até o fim do ano. Em 2015, o plano é criar filiais em Belo Horizonte, Curitiba e Rio.

Segundo Raquel, o modelo de miniatura mais vendido pela MiniYou é o de 18 centímetros, que custa 699 reais. “Quanto maior é, mais real parece”, explica ela.

Além dele, a empresa oferece miniaturas de 10 centímetros (150 reais), 14 centímetros (249 reais) e 20 centímetros (899 reais). Já no caso da Avatoys, são oferecidas miniaturas de 10 centímetros (150 reais), 12 centímetros (200 reais) e 14 centímetros (250 reais).

Versões de miniatura com duas pessoas também estão à venda na Avatoys, custando – respectivamente – 220, 300 e 350 reais para modelos de 10, 14 e 20 centímetros.

A seguir, veja vídeo de divulgação da MiniYou:

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Reação de alunos faz professores pararem com piadas homofóbicas de cursinho

Publicado na Folha de S. Paulo

“O movimento feminista mais importante na história é o movimento dos quadris.” Piadas típicas de cursinho pré-vestibular como essa correm risco de extinção.

As direções de instituições preparatórias frequentadas pela classe média alta paulistana têm orientado professores a suspender comentários jocosos para evitar processos.

Alunos e especialmente alunas têm reclamado do que consideram machismo, homofobia e racismo aos pais, que cobram explicações.

“Virei chato. Não faço mais brincadeiras. Minhas aulas estão terminando mais cedo. Passo exercícios a mais”, diz um professor do Intergraus que não quis ser identificado.

Um professor do Anglo diz que é brincadeira entre os meninos chamar os professores de “bicha” e “veado”. No início de 2014, ele passou de sala em sala para informar: “Se eu for conivente, como sempre fui, estarei permitindo que vocês usem a palavra gay com sentido pejorativo. E não tem. Não permito mais”.

Para ele, o tema é tabu. “Entre 80 pessoas entenderem que é brincadeira e 20 acharem que você está incentivando alguma coisa, é melhor não fazer piada. O incrível é que, dez anos atrás, você podia contar piada de preto, de português. Ao mesmo tempo, era inimaginável ter dois meninos se beijando no cursinho como temos agora.”

“Eu, três meninas e um menino saímos da sala quando o professor falou que, se quiser ‘comer’ a empregada, o cara tem que levá-la ao Habib’s. Ele sempre fala que pobre adora Habib’s”, conta Julia Castro, 19, aluna do Anglo de Higienópolis. “Essas brincadeiras reforçam o preconceito. Nossa luta já é difícil.”

Adolpho Mayer, 18, disse que se indignou. “Isso é discriminação de classe.”

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No aniversário de uma estudante no ano passado, meninos sortearam quem a beijaria. A aniversariante não consentiu, mas disse às amigas que foi obrigada pelo professor a ceder.

O professor, na condição de anonimato, admite que entrou na brincadeira: “Falei ‘quem vai ser o felizardo?’ Mas outra estudante protestou: ‘Mulher não é objeto para ser sorteada’. Eu então pedi desculpas e passei a repudiar a brincadeira”.

Para Clara, 18, que fez Intergraus em 2013 e hoje cursa arquitetura na USP, “o humor que oprime alguém não merece a risada de quem assiste à aula”. “Não digo que não se deve fazer piadas. Mas que estas sejam inteligentes o suficiente para tirar sarro do opressor, e não do oprimido.”

Jorge Ovando, gerente de marketing do Intergraus, afirma que as queixas, em geral, são fruto de má compreensão. “A instrução é não brincar.” Luís Ricardo Arruda, coordenador-geral do Anglo, conta que a recomendação é tratar os alunos “com respeito”. “As piadas têm que ser adaptadas a seu tempo.”

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Templo de Salomão muda a rotina do Brás

Publicado no Estadão

Bairro de tradição operária e de imigrantes, onde há quase três décadas se formou o maior polo de venda de roupas do País, o Brás, na região central de São Paulo, vai ganhando nova paisagem. A região vive um boom sem precedentes do turismo religioso e do mercado da fé. Inaugurado na semana passada, o Templo de Salomão, da Igreja Universal, já recebe, por dia, o dobro de visitantes do Cristo Redentor, no Rio, o ponto turístico mais famoso do Brasil.

Até o fim de agosto, cerca de 400 mil pessoas devem passar pelo megatemplo da Universal, para ver os cultos ou só para visitá-lo, numa média de 13.300 pessoas por dia. Só como comparação, o Cristo recebeu seu melhor público neste ano em janeiro, com 282.625 visitantes. Entre fevereiro e maio, o público mensal nunca ultrapassou 200 mil pessoas. Em 2013, o cartão-postal carioca recebeu 1,5 milhão de visitantes, média de 125 mil por mês, ou 4.200 pessoas por dia. Já o Pão de Açúcar, outra grande atração carioca, recebe, em média, de 3 mil a 4 mil visitantes na baixa temporada, e de 8 mil a 9 mil nos períodos de férias, segundo a prefeitura do Rio.

Longas filas para conhecer o local
Longas filas para conhecer o local

Concorrentes. A nova casa do bispo Edir Macedo tem vizinhos concorrentes de sobra. Num raio inferior a quatro quilômetros, o Brás concentra 6 megatemplos evangélicos e 14 igrejas. Só num trecho de 300 metros da Avenida Celso Garcia, são três templos, onde cabem cerca de 22 mil fiéis – dois da Universal e um da Assembleia de Deus.

O Templo de Salomão, o maior deles, erguido num terreno de 100 mil metros quadrados, no primeiro mês está aberto somente para convidados e fiéis em caravanas. São cerca de 10 mil fiéis/dia a visitar, desde a inauguração, o maior espaço religioso do País. Eles aguardam em filas enormes, que começam de madrugada nas calçadas da Celso Garcia. Outras centenas de curiosos e de turistas se aglomeram do lado de fora, para observar a grandiosidade da construção, com colunas de mais de dez metros de altura. Quase não dá para andar ou atravessar as faixas de pedestres no entorno da igreja. Até motoristas de ônibus reduzem a velocidade e tentam fazer fotos com o celular.
A transformação nas ruas da região tem sido rápida. Lojas de artigos religiosos e novos restaurantes não param de abrir as portas. Alguns desses estabelecimentos estão ocupando imóveis antes fechados ou que vendiam retalhos de tecidos.

As ruas ali vivem engarrafadas, com ônibus de caravanas. O movimento começa às 5 horas e se estende até as 23 horas. “Eu abri aqui no mesmo dia do templo. Vou deixar meu escritório um pouco de lado a partir de agora. Aqui o movimento não para, é fila o dia todo”, afirma a advogada Danielle Amaral, de 27 anos, que abriu uma casa de coxinhas e sucos na frente do templo. Ao lado da lanchonete, a fila para entrar no restaurante por quilo Skina do Templo tinha mais de 40 pessoas.

Aparecida. O Templo de Salomão receberá neste mês quase a metade dos 830 mil visitantes mensais de Aparecida, onde está a Basílica Nacional, da Igreja Católica. A cidade do Vale do Paraíba, a 130 quilômetros da capital, tem o maior movimento de turismo religioso da América Latina. A tendência também é de que o número de visitantes e de turistas caia no megatemplo da Universal após os três primeiros meses da inauguração.

De qualquer forma, a nova igreja tem como vizinhos outros grandes templos de igrejas evangélicas, que devem manter impulsionado o mercado da fé no Brás. Aos domingos, esses seis megatemplos vão receber, durante todo o dia, uma média de 100 mil pessoas. Pela Times Square de Nova York, ponto turístico mais visitado dos EUA, passam cerca de 98 mil pessoas por dia. Na capital paulista o Parque do Ibirapuera, na zona sul, local mais visitado da cidade, recebe diariamente, em média, 75 mil pessoas.

Nos últimos dias, os fiéis com Bíblias na mão já estavam em maior número do que os sacoleiros que normalmente lotam as ruas do Brás e do Pari. Camelôs trocaram as bugigangas eletrônicas por tudo o que lembre o templo: pano de prato, casaco, cachecol, camisa, roupa de bebê, todos com a estampa da igreja da Universal. Cabos eleitorais de pastores candidatos nas eleições de outubro ficam nas esquinas da Celso Garcia distribuindo santinhos para quem entra nos templos.

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Preciso do voto do povo e da graça de Deus’, diz Dilma em igreja de SP

Presidente participou de encontro de mulheres da Assembleia de Deus.
‘Não se esqueçam de orar por mim’, disse a cerca de 5 mil pessoas.

A presidente Dilma Rousseff em congresso da igreja Assembleia de Deus, em São Paulo (foto: Glauco Araújo/G1)
A presidente Dilma Rousseff em congresso da igreja Assembleia de Deus, em São Paulo (foto: Glauco Araújo/G1)

Glauco Araújo, no G1

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, disse nesta sexta-feira (8), durante discurso no Congresso Nacional de Mulheres das Assembleia de Deus Ministério de Madureira, em São Paulo, que precisa “do voto do povo e da graça de Deus”.

Dilma discursou dentro da igreja para uma plateia formada na maioria por mulheres evangélicas. Segundo a organização do evento, cerca de 5 mil pessoas estavam no local.

 “Acredito naqueles que creem, acredito no poder da oração. Espero que ao voltarem para suas casas, não se esqueçam de orar por mim. Preciso do voto do povo e da graça de Deus”, disse a presidente.

Em sua fala, a presidente ressaltou programas sociais de sua gestão e disse que o governo tem em comum com os evangélicos “a dedicação àqueles que mais precisam”.

“Com o Brasil sem Miséria, 22 milhões de pessoas cadastradas como miseráveis saíram da extrema pobreza. O governo corre atrás dessas pessoas. Apoiamos a busca ativa. Vocês, evangélicos, fazem isso também e encontram essas pessoas durante a evangelização que fazem”, afirmou.

A presidente também disse que, com parcerias entre governo e entidades civis, entre elas as igrejas, os benefícios podem chegar de forma mais rápida à população pobre. Para ela, é preciso ter “humildade” para reconhecer o “trabalho de evangelização”.

“No semi-árido do país, nunca se construiu cisterna. Graças às parcerias com entidades diversas, nós chegamos a um milhão de cisternas instaladas. Há que ter a humildade política de reconhecer o trabalho de vocês, onde exercem a evangelização. Se nos unirmos, chegamos mais rápido”, disse.

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