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Feliciano quer tirar proveito da situação, diz José Wellington

foto: Andre Borges/Folhapress

foto: Andre Borges/Folhapress

João Carlos Magalhães, na Folha de S.Paulo

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) “está querendo tirar proveito” da onda de protestos para que ele deixe a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

A opinião é de José Wellington Bezerra da Costa, 78, reeleito anteontem presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, principal entidade da maior denominação evangélica do país, da qual Feliciano faz parte.

“Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. Bobo ele não é”, afirma Wellington, lembrando, no entanto, que a entidade dá “respaldo” para o deputado –que antes da polêmica era pouco conhecido fora dos círculos evangélicos.

Wellington é presidente da Convenção há 25 anos. Nesse período, a Assembleia se consolidou como uma potência religiosa (12,3 milhões de fiéis) e política (28 deputados federais).

“Somos muito assediados [por políticos]“, diz o pastor, que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff: “A candidatura dela é uma nomeação, não precisa nem ir para a eleição”.

Folha – Há um levante preconceituoso contra o Feliciano?

José Wellington - O Feliciano é novo, jovem, inteligente e eu creio que vocês são inteligentes, vocês estão vendo que ele está querendo tirar proveito. Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. O Marco Feliciano, bobo ele não é.

Agora, eu acredito que há uma exploração, há uma exploração muito grande do pessoal do lado de lá [críticos de Feliciano]. A verdade é essa: nós estamos juntos da Igreja Católica. Porque a Igreja Católica não aceita. O que nós não aceitamos a Igreja Católica não aceita.

Um bispo de São Paulo me telefonou e disse: “Pastor, vamos fazer uma dobradinha, temos de marchar juntos porque não aceitamos”. Eles não aceitam aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo. Eu vi ontem na imprensa no Amazonas um juiz deu uma liminar para que o camarada lá casasse com duas mulheres. Negócio de doido, né? Só no Amazonas dá um troço desse.

Nós, da Assembleia de Deus, não participávamos da vida política do país. Só depois, quando eu assumi a presidência… Porque eu em janeiro agora completei 25 anos na presidência da Convenção Geral, fui reeleito nove vezes. Quando eu cheguei, com o crescimento da Assembleia de Deus, eu entendi que precisávamos colocar alguém para nos representar. E isso foi feito. Hoje temos 28 deputados federais ‘assembleianos’. No total, são 80 os parlamentares evangélicos em Brasília [de diferentes denominações].

O Marco Feliciano… Ai, não foi porque ele é evangélico, foi um acordo do partido. Destinaram aquilo para o PSC. Coube ao Marco Feliciano e ele abraçou. Como ele antes de ser presidente dessa comissão havia feitos alguns pronunciamentos… Nós não aceitamos o comportamento dessa gente, mas não os perseguimos. Não temos qualquer preconceito com eles. Absolutamente nada. É que o grupo que está apoiando essa gente, balizou, aqui no Congresso, algumas leis que estão dando muito, muita força para essa gente, e dizem que o preconceito é nosso. Pelo contrário, eles é que são os preconceituosos.

Eles quem?

O grupo, o grupo. Porque há um grupo patrocinando isso aí. Você sabe que infelizmente que esse grupo de gays, lésbicas e essa gente cresceu demais nos últimos tempos. Há interesse da parte deles que essas leis sejam aprovadas. Mas acredito que uma sociedade sensata jamais aceitará um comportamento antissocial como esse.

Qual a importância do Feliciano dentro da Assembleia de Deus?

Ele é um pastor tão igual como os demais. Eu tenho um filho deputado federal [Paulo Freire (PR-SP)], estava aí. O meu filho eu vejo melhor [risos]. Mas, como pastor da Igreja, ele não tem qualquer destaque, qualquer direito a mais, nenhuma proteção a mais, ele é um pastor igual aos demais.

Nas sessões da Comissão, parece existir uma unanimidade contra Feliciano. Mas os valores que eles defendem são valores comuns aos 12,3 milhões de fiéis da Assembleia de Deus, certo?

Valores comuns a uma sociedade sensata, uma sociedade sadia. Quando escreveram o PL 122 [que criminaliza a homofobia], nós [evangélicos] reunimos e tomamos algumas posições em relação àquilo ali. Chamamos os deputados federais e pedimos para que eles segurassem a coisa. Eu mesmo fui lá falar com o presidente da Câmara, fui falar com gente do Senado, até o senador José Sarney [PMDB-AP, ex-presidente da Casa] me mandou uma cartinha muito bonita. É uma posição nossa mais bíblica, nada preconceituosa. Por exemplo, se chegam dois cidadãos lá [na igreja que ele comanda, em SP], se dizendo crentes e pedindo que eu faça um casamento deles eu não faço nunca [risos]. Aí a lei [do projeto] vai e me condena, diz que é discriminação, me joga na discriminação, cinco anos de cadeia, sem direito a qualquer recurso, é um absurdo um troço desse.

Qual a posição da Convenção sobre a alegação de Feliciano de que Noé amaldiçoou os africanos?

Essa é uma interpretação teológica. A Bíblia, quando conta a histórica de Cã, a tradução chama de Cão, né?, é que aquele filho de Noé (eram três) quando o pai tomou uns gorós e, bêbado, se despiu, ficou caído bêbado, veio um dos filho, viu os dois, e saiu criticando, né?, outro veio, de costas, e cobriu a nudez do pai, então esse o pai abençoou e outro ele amaldiçoou. Cada um interpreta como queira. Qual foi a mudança que houve, se foi de cor, eu não sei.

Mas eu soube que dentro da igreja a posição não é essa.

Olha, eu não sou paulista, eu sou cearense. A cor da pele não faz muita diferente não, sem dúvida nenhuma. Eu recebo o irmão pretinho, a velhinha pretinha, para mim eu tenho tanto carinho, amor e respeito quanto por qualquer outro. Acredito que essa é a posição da maioria dos pastores. Agora, ele e alguns outros pregam isso, que os negros, os africanos, são descendentes de Cão.

O que o conjunto de valores dos evangélicos pode trazer para a discussão dos direitos humanos?

Em primeiro lugar, eu parto da premissa da própria vida na nossa Constituição. Que todos nós somos iguais perante a lei. Alguém disse que somos quase iguais, mas a letra disse que somos iguais. Acho que todo brasileiro deve ter sua liberdade de culto, de voto, do ir, do vir, os princípios de direitos humanos que a Constituição predispõem, acredito que ali está muito correto para todos nós. E também, em relação ao Estado ser laico, eu entendo perfeitamente o texto da lei. O Estado é laico, mas o povo é cristão, o povo tem religião. De maneira que essa interpretação. Entendo é que na vida administrativa deve ser separado um do outro, são dois ramos equidistantes, porém quando se trata da vida religiosa, todo povo tem a sua religião. E eu respeito perfeitamente. Eu tenho amizade por todos eles [líderes de outras religiões]. Continue lendo

Dito e feito?

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Marina Silva

Os novos prefeitos completam três meses no cargo e começam a enfrentar cobranças e críticas. Tudo normal e democrático, afinal fizeram promessas e têm que mostrar serviço. Mas é fundamental que a boa gerência seja sustentada pela visão estratégica e pelo planejamento para enfrentar os graves problemas da mudança climática, que tanto afetam as grandes cidades. E não acho demais insistir: mais que de gerentes, precisamos de líderes que tenham visão antecipatória dos grandes desafios que se colocam nas diferentes realidades do país.

Na semana passada, voltou ao noticiário o debate sobre trânsito e poluição. O prefeito de São Paulo afrouxou de tal modo a inspeção anual de veículos que a tornou quase sem efeito no controle da poluição.

Isso não é pouco: o Laboratório de Poluição Atmosférica e Saúde da USP estima que 4.000 pessoas morrem anualmente por causa da poluição dos veículos na cidade.

Os municípios seguem o que a “gerência” nacional decide. Para enfrentar a crise econômica, o governo repete estímulos fiscais para a indústria de automóveis sem exigir contrapartidas sociais e ambientais, embora saiba, como todos sabem, que apenas empurra a crise para mais adiante e agrava os problemas urbanos.

O que pode ser feito? Há um acúmulo de conhecimento sobre a mobilidade urbana, a poluição e suas implicações econômicas e sociais, especialmente na saúde da população e nos empregos da indústria. Todos os aspectos desse complexo assunto são debatidos há anos. Mas as discussões são esquecidas e a complexidade é desprezada nas decisões políticas, que se fixam apenas nas questões levantadas pelos lobbies mais poderosos e nos efeitos eleitorais que possam ter.

No caso de São Paulo, aplicável a outras grandes cidades, foi sugerida a regulagem de veículos novos a cargo de indústrias e concessionárias, subsídios para combustíveis menos poluentes, estímulo ao transporte coletivo com maior controle de poluição e um variado conjunto de ideias que não atrapalham o desempenho da economia, mas a colocam sob nova perspectiva social e ambiental.

Penso que as decisões do poder público podem ser tomadas construindo consensos e formalizando pactos entre os setores envolvidos. Não custa ouvir quem vive os aspectos diferentes de cada problema.

As cidades não precisam ser feridas na crosta do planeta, onde se agrava a crise civilizacional. Podem ser fontes de inovação e criatividade, laboratórios de soluções sustentáveis.

Nas eleições de 2012, vários candidatos a prefeito assinaram compromisso com essa segunda opção. Os que se elegeram podem ficar certos de que ninguém precisa fazer críticas e cobranças, a própria realidade de suas cidades se encarregará disso.

fonte: Folha de S.Paulo

Se Jesus andasse por aí hoje, certamente apanharia do povo

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Publicado por Leonardo Sakamoto

Hoje é Sábado de Aleluia. Dia da Malhação do Judas.

Para quem não é ou não foi cristão, nem acompanha as notícias, a tradição consiste em fazer um boneco de pano, papel, serragem, jornal, o que seja, para representar Judas Iscariotes – o delator de Jesus – e humilhá-lo, xingá-lo, surrá-lo, queimá-lo, alfinetá-lo, explodi-lo.

Quando me lembro das vezes em que dei paulada em Judas na época de moleque, fico pensando como essas tradições esquisitas são consumidas por nós como a coisa mais normal do mundo, assentando-se em nossa formação com seu rosário de símbolos e significados (lembrando, é claro, que Judas resolveu ele próprio se enforcar, não sendo necessária nenhuma turba enfurecida, de acordo com a mitologia cristã). Não estou dizendo que é por causa da Malhação de Judas que aceitamos tão passivamente o ato de linchar alguém quando reina a sensação de que a Justiça convencional não será o bastante. Mas essas ações públicas de justiciamento com as próprias mãos me dão calafrios.

A massa na sua versão descontrolada – a turba – é idiota. Em 2010, um homem foi espancado até a morte e teve a casa incendiada e o bar destruído após ser acusado de ter sido o responsável pela morte de uma adolescente no interior de São Paulo. A investigação, contudo, mostrava que a jovem poderia ter morrido por outro motivo. A turba idiota não quis saber e rolou, ladeira abaixo, uma bola de neve de rumores, fofocas e maldizeres, decidindo que ele era culpado. Ao final, questionado pela barbárie, um dos participantes da loucura declarou: “Se a gente fez, ele deve. Alguma coisa ele deve”.

Adoraria discordar de Oscar Wilde. Mas, nesse caso, ele cai como uma luva: “Há três tipos de déspotas. Aquele que tiraniza o corpo, aquele que tiraniza a alma e o que tiraniza, ao mesmo tempo, o corpo e a alma. O primeiro é chamado de príncipe, o segundo de papa e o terceiro de povo”…

Conversei com amigos de denominações protestantes revoltados com os Felicianos da vida, que jogam na lama a fé de milhões de outras pessoas no intuito de realizar seus projetos pessoais.

(Aliás, durante a Santa Inquisicão que se tornou a campanha eleitoral de 2010, cravei que, um dia, a gente iria descobrir que tanto Dilma quando Serra são ateus ou, no máximo, agnósticos não-praticantes, mas que ajoelharam e fizeram o sinal da cruz para vencer. E como na política cabe tudo, de repente o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias também é ateu e a gente ainda não sabe…)

Mas o discurso fácil que, consumido, decantado, enraizado e ativado, transforma a massa em turba provoca distorções de entendimento sobre as palavras que estão na origem da fé das pessoas. Estudei em escola adventista por nove anos e, ao mesmo tempo, participei bastante da vida na igreja católica perto de casa, tendo sido até coroinha. Por conta, sei razoavelmente o que está escrito nos evangelhos – inclusive nos apócrifos, bem mais interessantes, mas isso é outra história. E, certamente, não é esse discurso de intolerância que grassa em muitos cultos, dos católicos aos neopentecostais.

Sei que cada um interpreta do jeito que melhor lhe cabe. E que o processo de decodificação de uma mensagem é sim um ato que depende do filtro de cada um que, por sua vez, depende da experiência de vida, classe social, formação, enfim, de cada um. Mas a interpretação é um processo que pode ser conduzido e é carregado de política, pois dá o tom da forma como algo deve ser visto pelos demais. Quem faz prevalecer a sua visão de mundo ganha o rebanho.

Não dá para entrar num culto do Malafaia e gritar a pelos pulmões algo como “vocês não entenderam nada do que o Nazareno disse!”. Seria muito arrogante e ofensivo à liberdade de que ele dispõe. Mas que dá vontade, ah, dá, principalmente porque liberdade não é algo absoluto, acaba quando você a usa para causar dor a alguém. O fato é que se tivessem interpretado por uma forma mais humana o que significa amar o seu semelhante como a si mesmo, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, e todo o restante, entenderiam que professar homofobia, racismo e machismo não faz sentido algum. O que significa amar alguém de verdade? E o que significa submeter alguém à minha vontade?

Dito isso, tenho a certeza de que se Jesus, o personagem histórico, vivesse hoje, defendendo a mesma ideia presentes nas escrituras sagradas do cristianismo, mas atualizando-a para os novos tempos, seria humulhado, xingado, surrado, queimado, alfinetado e explodido não só num Sábado de Aleluia, mas também em dias menos santos. Seria tachado de defensor de bicha, mendigo e sem-terra vagabundo. Olhada como subversivo, acusado de “heterofóbico” e “cristofóbico”. Alcunhado como agressor da família e dos bons costumes.

Pelos príncipes. Pelos papas. Pelo povo.

Daí, outra passagem que gosto muito, em Lucas, capítulo 23, versículo 34: “Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem.”

Prédio em SP vira telão para obras de arte baseadas em games

Os games clássicos, como “Space Invaders” e “Pac-Man”, vão enfeitar a fachada do edifício da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

Foto: Divulgação/SESI-SP

Foto: Divulgação/SESI-SP

Publicado originalmente no Adrenaline

Os games clássicos, como “Space Invaders” e “Pac-Man”, vão enfeitar a fachada do edifício da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, a partir desta segunda-feira (25/03). O prédio também vai virar um grande telão, com 3 mil m², para que as pessoas disputem partidas em dupla.

A atração é a mostra de arte digital Play!, que reúne seis trabalhos de consagrados criadores de videogames, três interativas (ou seja, jogos executáveis) e três em vídeo. São eles: Alberto Zanella, Andrei Thomaz, Suzete Venturelli e as equipes Midialab-UnB (Brasil), Les Liens Invisibles (Itália), Lummo (Espanha) e Mark Essen (Estados Unidos).

As grandes imagens que serão visualizadas na fachada do prédio são criadas por 100 mil lâmpadas de LEDs, uma cadeia elétrica que possibilita a transmissão de até 4,3 bilhões de combinações de cores.

A exposição acontece entre os dias de 25/03 e 07/04. Das 20h às 22h, os visitantes podem conferir as experiências interativas. Até as 5h haverá exibição das obras visuais no edifício.

 

 

Gusttavo Lima: ”Talvez esse seja um dos últimos shows, eu já não aguento mais”

Cantor deixou público surpreso durante show no Iperó Fest, no interior de São Paulo

Gusttavo Lima disse durante show que pensa em parar com a carreira musical

Gusttavo Lima disse durante show que pensa em parar com a carreira musical

publicado no Contigo! Online

Gusttavi Lima surpreendeu os fãs durante uma apresentação no Iperó Fest, no interior de São Paulo na sexta-feira (22). O sertanejo disse que está pensando em parar com a carreira de cantor, por não aguentar mais.

Ele começou falando que o sonho de qualquer artista é ter fãs como as que ele tem: “Vocês podem ter certeza que o sonho de qualquer artista é ter fãs iguais a vocês. Estou muito feliz hoje. São 14 anos de carreira, 14 anos de luta. Desses 14, 10 foram cantando em barzinho, foram anos maravilhosos”.

E continuou: “Tem uma coisa que vou falar para vocês hoje que nunca falei para ninguém. Estou pensando seriamente, talvez esse seja um dos últimos shows que vou fazer na minha vida. Eu já não aguento mais, eu já não suporto mais. Tudo que vivi na música sertaneja, agradeço a vocês, fãs de verdade, fãs de coração”, disse o cantor, deixando as fãs surpresas com a declaração.

A Contigo! Online entrou em contato com a assessoria do cantor, mas ainda não obteve resposta.

O vídeo da declaração caiu na rede. Assista