São Paulo vai distribuir 2 mil minhocários para compostagem do lixo

Equipamento, dividido em três caixas de plástico, transforma resíduos orgânicos em adubo

publicado no Estadão

A Prefeitura de São Paulo lançou nesta segunda-feira, 16, um projeto para a distribuição de 2 mil composteiras domésticas. Os equipamentos, também conhecidos como minhocários, permitem a transformação de resíduos orgânicos em adubo. O material será oferecido de graça para quem quiser participar.

Trata-se da primeira iniciativa da administração municipal no sentido de reduzir o desperdício de resíduos orgânicos que acabam sendo destinados para aterros sanitários. Esse material é composto por restos alimentares como cascas de frutas, legumes e ovos, borra de café e saquinhos usados de chá.

O equipamento é dividido em três caixas de plástico. Na superior, é colocada a matéria orgânica, sempre coberta com folhas secas ou serragem, para evitar o mau cheiro e a atração de insetos voadores. Na do meio, ficam as minhocas, em meio a terra, onde se formará o húmus. As minhocas ajudam a acelerar o processo de decomposição do material. No último segmento, acumula-se o líquido resultante do processo, que leva cerca de um mês a cada acréscimo de material orgânico. Esse líquido também é rico em nutrientes e serve como fertilizante para as plantas.

De acordo com a Prefeitura, não foram gastos recursos extras para a confecção das composteiras. Elas foram feitas a partir do 0,5% de recursos pagos pela administração municipal para as empresas que fazem a coleta de lixo na cidade. Por contrato, elas devem investir esse valor em campanhas educativas ou relacionadas à preservação ambiental.

Quem quiser se cadastrar para receber uma composteira, deve preencher um formulário no site www.compostasaopaulo.eco.br. A página traz outras informações sobre o manejo do material, além de abrigar uma comunidade de participantes do programa. A composteira pode ser acondicionada em cozinhas, quintais ou áreas de serviço de apartamentos, pois não emitem cheiro.

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Para enganar ladrão, vítima compra réplica de iPhone para levar na bolsa

Felipe Souza, na Folha de S.Paulo

Depois do “dinheiro do ladrão”, aquela pequena quantia “reservada” pelo cidadão para o assaltante levar, agora é a vez do “celular do ladrão”.

A estratégia para enganar o bandido é parecida: em vez do iPhone, por exemplo, que pode custar até R$ 3.599, a vítima entrega uma réplica.

Na galeria Pajé, região central da capital paulista, cópias do novo iPhone 5S -a versão top- custam R$ 200.

Raquel Cunha/Folhapress
A consultora de investimentos Raíssa Andrade, 21, com a réplica de seu iPhone
A consultora de investimentos Raíssa Andrade, 21, com a réplica de seu iPhone

A tática vem num momento de aumento da violência. O número de roubos cresceu no Estado pelo 11º mês seguido. E um em cada cinco casos neste ano (ou 18,4%) teve como alvo apenas o celular.

Depois de ter dois aparelhos roubados no Morumbi, área nobre da zona oeste, a consultora de investimentos Raíssa Andrade Fernandes, 21, adotou a tática de ter o “celular do ladrão”.

“Fui levar minha irmã que mora em Honduras para conhecer a Pajé e vi que vendiam um iPhone igual o meu por R$ 150. Comprei e deixei no fundo da minha bolsa”, disse.

Em maio, ela caminhava à noite com uma amiga no Morumbi quando um jovem anunciou o assalto. Ordenou que lhe entregasse a bolsa.

Para tentar ganhar tempo, Raíssa disse que não estava entendendo o que ele dizia. O rapaz então afirmou que estava armado e pediu o celular.

“Coloquei a mão na bolsa e entreguei o aparelho falso. Quando ele fugiu, me deu uma sensação muito boa. Pensei: para bandido me assaltar tem que ser mais bandido do que eu”, conta ela, rindo.

APARELHO VELHO

Felipe Souza/Folhapress
Réplica do iPhone comprada na galeria Pajé por R$ 150
Réplica do iPhone comprada na galeria Pajé por R$ 150

As réplicas são muito parecidas com os originais. Só dá mesmo para perceber a diferença ao ligar o aparelho -o sistema operacional é o Android, em vez do iOS.

A produtora Anne Trevisan, 28, não comprou um aparelho novo, mas tem usado a mesma técnica.

“No ano passado, uma adolescente tentou me assaltar enquanto eu mexia no celular quando parei no semáforo na Vila Mariana [zona sul de São Paulo]. Desde então, coloco meu iPhone na bolsa que guardo embaixo
do banco e deixo à mostra um celular mais velho e uma carteira com R$ 20″, disse.

“Graças a Deus”, afirma Anne, não foi preciso entregar nenhum deles.

Colaborou ISABEL KOPSCHITZ

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Marcha para Jesus reúne ao menos 250 mil

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Publicado no Estadão

Vestindo camisetas personalizadas da seleção brasileira, pelo menos 250 mil pessoas estiveram presentes ontem na 22.ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. O número, informado às 15h30, foi dado pela Polícia Militar, mas os organizadores do evento falaram em “milhões de participantes” no site oficial. O uniforme com as inscrições do evento trouxe o número 33 nas costas, que representa a idade da morte de Cristo. O tema de 2014 foi “Conquistando Para Cristo”.

Organizada e presidida pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer, a marcha reuniu igrejas cristãs de várias denominações. Ela percorreu quatro quilômetros pela Avenida Tiradentes, da Praça da Luz, no centro, até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte. No percurso, oito carros de som variaram pregações, escola de samba, grupos de rap e cantores gospel.

O evento ainda contou com bandas evangélicas como Eyshila, Renascer Praise e a cantora Ana Paula Valadão, organizadas em um palco na praça Campo de Bagatelle, na zona norte. A marcha teve início às 10h. Em alguns pontos, foram vistas faixas de cunho político, de defensores da ditadura militar a jovens pedindo mais ética na política. “Ela (a marcha) representa nosso desejo de expressar essa fé e declarar a bênção do Senhor sobre nosso país!”, afirma Hernandes.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) organizou uma operação especial para o evento em 47 pontos do percurso, mas houve congestionamento nas zonas norte e oeste da cidade.

A fonoaudióloga Priscila Agostinho, de 29 anos, participou da Marcha pela 15.ª vez. Desde os 14 anos ela vem ao evento. Trouxe o namorado Júlio César Alves pela segunda vez na caminhada. “Eu era católico e ela me trouxe pela segunda vez. Me senti muito bem”, disse Alves. “Você é abençoado, é um dia que tira para Jesus”, disse Priscila. Segundo o casal, este ano a edição foi especial por ser época da Copa. “A alegria e a animação são maiores”, contou Priscila, que saiu cedo de Piracicaba (no interior de São Paulo) com o namorado para prestigiar a Marcha.

O produtor gráfico Marcelo Caetano, de 38 anos, está presente na marcha há 11 anos. Ontem, ele levou os filhos Juan, de 10, e Lorena, de 2. “Está sendo ótimo. Aqui não tem confusão. Está sendo uma bênção”, disse.

Insistência. Pela terceiro ano seguido, o manobrista Daniel Francisco da Silva perdeu o evento por causa do trabalho. Aos sábados, a churrascaria em que trabalha costuma estar lotada. Desta vez, ao menos, ele esteve próximo e pode sentir a “vibração” do movimento: a empresa fica na Avenida Olavo Fontoura, primeira via de saída do palco em que as bandas se apresentaram. Era até possível ouvir as músicas. “Gosto da marcha porque todos estão unidos em um só pensamento. São pessoas de denominações diferentes, mas todos demonstram uma forma de expressar amor a deus”, argumenta. Nas edições de 2013 e 2012, Silva trabalhou como garçom. Ele é evangélico desde os 11, por influência do pai. “Meu pai parou de beber e sair muito graças a igreja e eu segui o caminho dele”, explica. Souza diz que não é frequentador assíduo de festas e, nos dias de folga, costuma ir ao shopping com a mulher e à igreja. Para 2015, uma promessa: “vou fazer de tudo para estar lá”.

Bebidas. Diferentemente de outras festas de rua, não há uma cerveja sequer na Marcha.  Quem busca bebida encontra sucos industrializados e refrigerantes. O vendedor Alex Cairos, 34, explica: “está escrito na Bíblia que você pode beber, mas não se embriagar. Ou seja, nada de álcool.  Um vinho, no máximo,  que é o sangue de Cristo”. Alex era católico e se converteu há dois anos, depois de um período em que considerou estar sem propósito na vida. “O queco mundo me oferecia era apenas momentâneo”, relata. Segundo Cairos, depois de entrar para a denominação “Sara nossa Terra”, de uma igreja evangélica da Saúde,  zona sul, sua vida mudou. “Consegui casamento, carro próprio e deixei a casa da minha sogra. Hoje moro em casa alugada e logo compro a minha”, contou. Os 70 reais obtidos por Cairo com a venda dos sucos serão revertidos, segundo ele, para um projeto social de sua comunidade, o Parceiro de Deus, que trabalha com alcoolatras e dependente s químicos.

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Americano encontra mulher com quem sonhou por anos

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(Divulgação)

Chico Felitti, no Digo Sim

Título original: Darrell e Rosângela: dois sonhos em uma realidade

Darrell sempre sonhou com Rosângela . Rosângela sempre sonhou com Darrell.  Só que de jeitos bem diferentes.

O americano tinha 12 anos quando viu uma cena enquanto dormia. Estava numa festa em um casarão com uma mulher que nunca havia visto, mas que amava. A garoa da noite fazia o cabelo da moça ficar úmido, ele sentia na pele. E acordava.

Já Rosângela sonhava desde os 12 anos em sair da cidadezinha onde morava, no sul de Minas Gerais, e ir para os Estados Unidos. “Ainda criança, eu queria me casar com um americano!”

O sonho dele se repetiu, sempre à noite, “umas 30, 40 vezes” em 13 anos (dos 12 aos 25).

O sonho dela se repetia dia e noite na sua cabeça. “Eu via os filmes americanos e queria aquela vida para mim. Não sei exatamente o que era, mas queria.”

O sonho dele se transcorria dentro da casa da avó paterna em Salt Lake City, nos EUA.  “Era o amor da minha vida.”

O sonho dela levou-a a se mudar. Foi para Santos fazer faculdade e trabalhar, com uma ideia fixa. “Eu ia guardar dinheiro para ir para os Estados Unidos.”

O sonho dele levou-o a escolher uma especialização diferente da sua graduação, de antropólogo. “Descobri que havia um mestrado sobre sonhos e fui fazer.” Nas aulas, chegaram até a encenar a miragem que se repetia em muitas noites.

Sonho2 O casal, que hoje mora em Santos (ela desistiu de se mudar para os EUA) (Divulgação)

Rosângela não desistiu do sonho. Em 1989, ela decidiu que partiria assim que o ano virasse. Até comprou um apartamento para impressionar como profissional de sucesso na entrevista para o visto americano.

Darrell, sim, desistiu. “Na época eu gostaria de ter expurgado o sonho, porque ele não significava nada.” O último sonho que ele teve foi o único diferente de toda a vida. “Nele, essa pessoa estava na janela do apartamento onde eu morava, na avenida 9 de Julho, e não na casa da minha avó.” Nessa época, o americano já havia se mudado para São Paulo e trabalhava na editoria Internacional desta Folha.

Por sugestão de um amigo, ele, que terminara um namoro e estava desiludido, mandou uma carta para a seção de encontros amorosos da revista “Contigo”.  “Era um currículo, literalmente. Dizia o que eu tinha estudado e feito da vida.”

Enquanto isso, em Santos, uma colega de trabalho entrou na sala de Rosângela com uma revista “Contigo” na mão. Ela e as amigas brincaram que estavam encalhadas e que cada uma mandaria uma carta. Só ela mandou de fato. Dizia no papel “Quero me corresponder para fazer novos amigos”.

Ela recebeu umas 300 cartas. “Gente do Brasil inteiro, brasileiros que trabalhavam no Oriente Médio, enfim.”  Eram tantas missivas que até seu chefe ajudava a ler.

Mas ela respondeu uma só, a de Darrell. “Era um currículo, ele dizia os países que conhecia, o que tinha estudado, as línguas que falava. E ele era americano, né?”

Três dias depois, recebeu a resposta dele. Com uma foto. Na véspera do Natal, ele ligou para ela. Na do Ano-Novo, ela para ele.

Sonho3Ele só contou a ela dos sonhos recorrentes com seu rosto depois do casamento (Divulgação)

Em 13 de janeiro de 1990 marcaram de se ver, na estação Paraíso do Metrô. Ele a esperava na plataforma (“O casamento sempre começa no Paraíso!”). E esperou, e esperou. “Ela atrasou mais de duas horas.”

“Teve um congestionamento subindo a serra. Foi muito tempo de atraso”, confessa ela, que chegou na estação achando que ele não estaria mais ali.

Quando ele estava para ir embora, olhou para trás. “Virei e vi aquela mulher saindo do trem. Era ela. Foi bater o olho na orelha e no joelho dela e eu sabia. Eu queria falar aquilo, que ela era a mulher da minha vida, mas não podia, ela ia achar estranho.”

Três meses depois estavam casados.  O pedido formal nunca existiu. A decisão veio de uma frase proferida pelos dois. “Minha mãe não está muito contente de a gente estar morando juntos sem se casar.”

O encontro faz parte de uma palestra dele sobre sonhos e um livro sobre o mesmo assunto. Já narrou a história nos programas de Marcia Goldschmidt e de Olga Bongiovanni.

Rosângela Champlin, 56, e Darrell Champlin, 49, estão casados há 25 anos e vivem em Santos. “Depois dela, nunca tive outro sonho recorrente.”

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Projeto que torna exploração sexual infantil crime hediondo é aprovado

campanha2Mariana Haubert, na Folha de S.Paulo

O plenário da Câmara aprovou nesta quarta-feira (14) o projeto de lei que torna crime hediondo explorar sexualmente crianças e adolescentes. O texto segue para sanção presidencial.

O projeto acrescenta no rol de crimes hediondos o favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança e adolescente ou de vulnerável, que são consideradas as pessoas com deficiência ou enfermidade.

Quem for condenado pela prática fica impedido de obter anistia, graça ou indulto e até de pagar fiança. O condenado tem ainda que cumprir um período maior no regime fechado para poder pleitear a progressão da pena. Se for réu primário, deve cumprir, no mínimo, 2/5 do total da pena e se for reincidente, deve cumprir 3/5 da pena antes de pedir a mudança no regime. A pena para este crime é de 4 a 10 anos de reclusão.

A pena pode ser aplicada ainda a quem facilitar a prática de exploração ou impedir que uma vítima consiga escapar do cometimento do crime. Enquadram-se neste quesito, os donos ou gerentes de bordéis em que ocorrem prostituição. Quem for flagrado praticando sexo com menores de idade que estejam se prostituindo também podem ser condenados por crime hediondo.

A lei de crimes hediondos já estabelece as penas citadas para outros dez tipos de crimes, incluindo estupro de crianças e adolescentes menores de 14 anos e pessoas vulneráveis, latrocínio, sequestro seguido de morte e o genocídio.

Para a relatora da proposta, a ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário (PT-RS), o projeto não tem o objetivo de criminalizar a prostituição de pessoas adultas mas sim de proteger as crianças e adolescentes no país.

Alguns deputados cobraram da presidente Dilma Rousseff agilidade na sanção da proposta para que ela já esteja em vigor durante a Copa do Mundo, que tem início em junho.

No próximo domingo (18/5), um grupo vai realizar manifestação contra a exploração sexual infantil ao lado do Itaquerão (SP). #LevanteEssaBola

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