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Quem são os ‘encoxadores’ do metrô de SP

A lógica covarde que move esses assediadores pode ser comparada, segundo especialista, ao modus operandi dos pedófilos. Na internet, eles encontram seus pares, combinam os delitos e sentem-se legitimados a praticá-los

 

Além da superlotação, as mulheres têm que se preocupar com o ataque de depravados no metrô de São Paulo (foto: Tiago Chiaravalloti/Futura Press)

Além da superlotação, as mulheres têm que se preocupar com o ataque de depravados no metrô de São Paulo (foto: Tiago Chiaravalloti/Futura Press)

Eduardo Gonçalves, na Veja on-line

No dia 19 de março, por volta das 8h30 da manhã, a vendedora Adriana Barbosa, de 33 anos, enfrentava a dura rotina de ser arrastada pela multidão que disputa diariamente um lugar nos vagões da superlotada Estação Sé, em São Paulo. A Sé centraliza as linhas do sistema metroviário paulistano, com fluxo médio de 627.000 usuários por dia. Não bastasse a dificuldade para conseguir usar o trem, Adriana foi vítima de um estúpido assédio que virou rotina no cotidiano das mulheres paulistanas no metrô: um homem apalpou suas coxas e se insinuou sem rodeios. Desesperada, a vendedora gritou na plataforma: “Covarde, tarado!”. O suspeito, o engenheiro elétrico Eduardo Nascimento, de 26 anos, acelerou o passo para fugir, mas foi detido por agentes de segurança do metrô.

“Se ele saísse ileso, eu ficaria louca”, lembra a vendedora. Nascimento foi levado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), da Polícia Civil, assinou um termo circunstanciado negando as acusações e foi liberado em seguida. Este é um dos 27 casos de abusos cometidos no sistema de transporte da capital paulista, que foram registrados pela polícia neste ano. Nas últimas semanas, episódios como esse ganharam espaço no noticiário quando Adilton Aquino dos Santos, de 24 anos, foi preso por tentar algo ainda mais asqueroso: fingindo estar armado com uma faca, obrigou a vítima a baixar as calças e ejaculou em suas pernas numa composição da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ao perceberem o crime, passageiros do trem espancaram Santos até a chegada da polícia. Interrogado, ele contou ser frequentador de páginas na internet que estimulam o assédio contra mulheres nos vagões: são os autointitulados “Encoxadores”, que praticam e às vezes até filmam com celulares os abusos para depois divulgá-los nas redes sociais.

Um levantamento feito pela ONG Safernet, especializada no combate à violação dos direitos humanos na web, identificou 21 páginas de compartilhamento desse tipo de conteúdo. As investigações da Polícia Civil já rastrearam mais de cinquenta. “O número pode parecer pouco expressivo, mas em algumas páginas foram encontradas mais de quartenta vídeos de ‘encoxadas’, sendo que a maioria tinha mais de 35.000 visualizações”, disse o diretor da ONG, Thiago Tavares.

Pedofilia e psicopatia – Acostumado a receber denúncias de pedofilia na internet – que são encaminhadas à polícia –,  o diretor da ONG compara o modus operandi dos abusadores ao dos pedófilos. “Eles se comunicam com codinomes, escondem o rosto, trocam experiências em fóruns, como, por exemplo, o lugar e a hora mais propícia para cometer abusos, ou como filmar as partes íntimas de uma mulher sem ser pego, e até qual o equipamento mais apropriado”, diz Tavares.

Segundo ele, uma lógica torpe move os “encoxadores”, que encaram os abusos como “esporte”: vence quem fizer o vídeo mais ousado. “Na internet, eles encontram seus pares e sentem-se legitimados a praticar o delito”. Na última semana, um auxiliar de informática, de 24 anos, foi preso por agentes de segurança na Estação Sé filmando partes íntimas das passageiras por baixo de vestidos e saias. Em depoimento à polícia, ele disse que tinha “uma tara” em assistir os vídeos e exibi-los na internet. No seu celular, a polícia encontrou diversas gravações deploráveis.

Segundo psicólogos ouvidos pelo site de VEJA, os “encoxadores” possuem um distúrbio comportamental que beira a perversidade sexual, conhecida como frotteurismo – quando a pessoa sente prazer em esfregar os genitais em outra que esteja vestida.  “Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento exclusivo e carinhos com a vítima. Entretanto, ele reconhece que, para evitar um possível processo legal, deve escapar à detecção após tocar sua vítima. A maior parte dos atos deste transtorno ocorre quando a pessoa está entre os 15 e os 25 anos de idade”, diz o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Segundo os dados registrados pela polícia, a idade dos detidos varia de 25 a 45 anos.

A professora de psicologia forense Maria de Fátima Franco dos Santos, da PUC Campinas, especializada em agressões contra mulheres, vai além: “O prazer deles reside em constranger e causar sofrimento às vítimas. São frios e calculistas, pois planejam os crimes com antecedência [na internet]. São sádicos, manipuladores, narcisistas e não sentem culpa”.

O ato, no entanto, é crime. Dos 27 detidos neste ano, dois estão presos – Aquino dos Santos, indiciado por estupro, e o pedreiro Silva Firmino da Silva, de 50 anos, acusado de violação sexual mediante fraude (que se difere do estupro por não haver consumação do ato sexual). Silva tocou a genitália de uma adolescente de 17 anos enquanto ela dormia num vagão da CPTM. Usando um vestido, ela acordou e chamou a segurança do metrô, que deteve Silva. Os outros abusadores foram fichados por “importunação ofensiva ao pudor”, cuja punição prevista é o pagamento de uma multa definida por um juiz, de acordo com a renda do acusado.

O delegado da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur), Osvaldo Nico Gonçalves, disse que se sente incapaz de punir os abusadores com mais rigor, porque “a lei é fraca, e, por isso, eles voltam para rua”.

Trauma – Para as mulheres, os abusos podem ter efeitos traumáticos. Desde que foi abusada por um homem no metrô de São Paulo, há duas semanas, a estudante Amanda Sampaio de Barros, de 19 anos, afirma que embarca no coletivo pelo menos vinte minutos depois do horário que costumava porque tem medo de cruzar com seu agressor. “A sensação de passar por isso é uma das piores possíveis e das mais nojentas. Me senti suja, com o orgulho ferido, vontade de chorar e de matar o cara (sic). Ele não tinha esse direito!”, diz. Outra vítima dos abusadores, a estudante Camila Gregori, de 19 anos, faz de tudo para ficar próxima a mulheres quando o trem está muito lotado. “Eu comecei a ficar mais alerta, a fugir de homem no metrô. Se não der para ficar perto de alguma mulher, tento ficar encostada na parede, por mais desconfortável que seja”, afirma.

Desde que os casos vieram à tona, as autoridades passaram a tomar algumas medidas, como infiltrar agentes de segurança e policiais civis à paisana nas composições e redobrar a atenção no vídeomonitoramento das operações.

O chefe de segurança do Metrô de São Paulo, Rubens Menezes, afirmou que adotou procedimento especial para identificar os abusadores e tentar detê-los em flagrante. “Os seguranças descaracterizados tem um padrão de ação. Treinados em artes marciais, como os outros seguranças, eles são preparados para imobilizar o suspeito sem uso de munição letal. Muitas vezes, um agente do vídeomonitoramento informa a um infiltrado pelo rádio sobre algum suspeito. Este, então, passa a observá-lo e, se identificar desvio de conduta, executa a detenção”, diz Menezes.

A Secretaria Nacional de Política para as Mulheres do governo federal informou que lançará uma campanha para alertar sobre esse tipo de crime. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff usou sua conta no Twitter para se manifestar: “Venho pedir às vítimas que não se intimidem em denunciar. E às polícias que não se omitam em combater a prática”.

Desde que a Polícia Civil e o Metrô ampliaram a fiscalização e os flagrantes, sete páginas foram tiradas do ar pelo Google e pelo Facebook. Vinte e sete pessoas foram detidas. Tanto a polícia quanto o Metrô afirmam que número de denúncias aumentou consideravelmente nas últimas semanas. Chega a ser um alento num país onde 65% das pessoas afirmam concordar que mulheres merecem ser atacadas por usar roupas curtas, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Homem protesta contra a ação dos "encoxadores" no metrô de São Paulo (foto:  Fábio Vieira/Fotoarena)

Homem protesta contra a ação dos “encoxadores” no metrô de São Paulo (foto: Fábio Vieira/Fotoarena)

Com veto a cotoveladas e ring girls, evento une MMA e igreja

Reborn Strike Fight 6, que será realizado nesta sexta-feira em São Paulo, preserva quase todas as características de um evento de MMA convencional; apenas ring girls, por ser “apelação”, e cotoveladas, que tem finalidade de “rasgar”, são proibidas nas lutas organizadas pela Igreja Renascer

Momento de oração marca início dos treinamentos (foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

Momento de oração marca início dos treinamentos (foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

Rodrigo Trindade, no Terra

Religiões são associadas geralmente à tranquilidade espiritual e reflexão, enquanto o MMA ainda é visto por um número grande de pessoas como uma modalidade esportiva violenta. Unindo duas coisas que na teoria são opostas, o Reborn Strike Fight 6 colocará dentro de uma igreja um octógono e diversas lutas nesta sexta-feira.

Organizador do evento, Roberto Dantas Pedroso é professor de artes marciais há 14 anos e cuida dos treinos das dezenas de alunos que comparecem às segundas e quartas-feiras ao subsolo da igreja Renascer da Avenida Morais Costa, no bairro da Vila Industrial.

A academia possui instalações humildes e utiliza um espaço cedido gratuitamente pela instituição. Tudo no ambiente foi criado pelas mãos de Roberto e seus pupilos, que montaram o espaço a partir de materiais doados por estabelecimentos próximos.

Paredes e piso foram pintados pelos praticantes de MMA no local, pessoas de idade, gênero e tamanhos diferentes. No último treino realizado na academia antes do Reborn Strike Fight 6, o público presente variava desde crianças com menos de dez anos a meninas adolescentes e lutadores profissionais. Gratuitas, as atividades são abertas e aceitam inclusive alunos que não frequentam a igreja.

“Nós recebemos todos os tipos de pessoas, até ateu, que no fim sai falando Graças a Deus. Não tem que fazer parte da igreja Renascer necessariamente. Nosso projeto é mostrar que a vida pode ser melhor e, trazendo um pouco da palavra também. Levamos o treino sério, dedicado, tanto que estamos com lutadores profissionais. No começo era complicado, porque achavam que quem treinava na igreja não podia bater. Hoje vê que não só pode bater, mas que você pode praticar o esporte, independente se você tem um adversário na frente ou não. Nós temos essa visão de que todos podem vir, participar; Se quiser fazer parte, seja muito bem vindo”, explicou Roberto.

Todos os presentes na academia participaram de primeira parte das atividades, que duraram cerca de uma hora. Durante elas, os alunos aqueceram e realizaram movimentos de lutas no ar, enquanto se viam no espelho colocado em uma das paredes do salão.

ufc6

Roberto ditava o ritmo das ações, mas não participava delas. Enquanto os mais inexperientes aprendiam os movimentos básicos do esporte, o professor e também pastor da Renascer praticava jiu jitsu com Erick “Japonês”, um dos dois atletas de mais destaque da academia e o primeiro a se firmar como profissional depois da inauguração da mesma há quase quatro anos.

“Eu treino na Reborn tem quatro anos, sou um dos pioneiros. Vim treinar através de um amigo. O primeiro dia que eu treinei aqui eu não saí mais e é a equipe que eu represento. Aqui que eu me batizei também”, disse o lutador, que continuou ao explicar que o que o atraiu para a equipe, se foi o esporte ou a igreja: “foi a academia. Eu vinha só por causa da luta mesmo, para se distrair”.

O contato próximo com a religião, no entanto, ensinou Erick a ter autoconfiança, qualidade que o ajudou dentro do octógono. “Aprendi que eu tenho que ter fé, sem ter fé você não vai a lugar nenhum. Por exemplo, o Zé ‘Reborn’ treina bem menos tempo que eu e ele tem garra, tem deus no coração. Eu não entendia isso, mas hoje eu compreendo que a fé é tudo. Ele tinha bem mais fé do que eu. Ele acreditava nele. Eu não, sentia medo. Ele vai para cima e está onde está hoje. Acabei me espelhando nele para chegar em algum lugar”, contou, citando o maior talento da academia.

Conhecido no meio profissional como Zé “Reborn”, José Alexandre Elias da Silva, chegou só para a metade séria do treino, que teve início minutos antes das 21h. Nela, os lutadores mais experientes subiram no tatame para aperfeiçoar a técnica, enquanto as dezenas curiosos e iniciantes voltavam para casa. Praticante de MMA há pouco mais de dois anos, ele foi apontado pelos colegas da Reborn como maior talento da casa.

“Eu nunca treinei nada. Aqui foi o primeiro treino que peguei mesmo. Nunca treinei capoeira, sempre tive vontade, mas nunca treinei. Aí com essa oportunidade que surgiu eu comecei a vir e estou há dois anos treinando”, afirmou “Reborn”, que participará da disputa de cinturão do evento marcado para esta sexta-feira, em Santo André. No evento, o lutador enfrentará Washington Rodrigues, para quem perdeu em janeiro de 2013.

Com o objetivo de retomar o caminho das vitórias na carreira – Zé “Reborn” perdeu seu último combate -, o atleta tem treinado com seriedade e antes do início de cada atividade na academia. Antes de todas elas, uma oração é puxada pelo pastor Roberto, fato faz com que os alunos fiquem quietos e concentrados no momento de reflexão.

“Todos os treinos nós temos uma oração no início, no finzinho do treino uma breve ministração da palavra, da verdade, e no fim outra oração. E sempre que alguém pede uma oração em alguma causa a gente sempre também faz”, esclareceu Roberto, que também comentou sobre as distinções do torneio desta sexta-feira para as principais competições da modalidade, como o Jungle Fight e o UFC.

Esta espécie de “UFC de Cristo” tem certas diferenças fundamentais em relação ao principal evento da modalidade, parte delas relacionada à doutrina da igreja e outra por princípios estabelecidos pelo próprio professor. Não há ring girls, consideradas por ele uma “apelação”, e cotoveladas são proibidas por terem como única finalidade “rasgar”.

“As pessoas falam que não combina luta dentro da igreja, mas eu acho que a perversidade, a apelação para trazer público é a pior coisa. Nós não temos ring girl”, justificou Roberto, que deu sequência a sua explicação: “se é para usar o cotovelo, não usa luva. Eu entendo assim, então já que é para preservar o atleta e o esporte é bem praticado é o esporte saudável, nós não usamos a cotovelada. Mas as demais coisas que são permitidas no UFC, nós também permitimos, porque faz parte da regra”.

A sexta edição do Reborn Strike Fight será realizada nesta sexta-feira às 20h na Rua Luiz Pinto Flaquer, número 46, no centro de Santo André. A entrada custa R$ 30, dinheiro que será utilizado para pagar a bolsa dos atletas. A competição é considerada no cartel de lutas no MMA de todos os participantes e contará com apenas Zé Reborn dentre lutadores da academia paulista.

 Oração marca o início oficial dos treinos conduzidos pelo pastor Roberto (foto: Ricardo Matsukawa / Terra)


Oração marca o início oficial dos treinos conduzidos pelo pastor Roberto
(foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

Propaganda sobre ‘xaveco’ causa embaraço para o Metrô

Vagão parado na estação da Sé em horário de pico (foto: Nacho Doce/Reuters)

Vagão parado na estação da Sé em horário de pico (foto: Nacho Doce/Reuters)

Eduardo Gonçalves, na Veja on-line

Uma peça publicitária do Metrô de São Paulo veiculada ao vivo num programa esportivo da rádio Transamérica causou embaraço para a companhia. Na propaganda, o locutor afirma que os vagões lotados são um bom lugar para “(sic) xavecar a mulherada”.

A inserção, que foi ao ar na última semana, não poderia ter sido divulgada em pior hora: a Polícia Civil prendeu mais de vinte pessoas neste ano por assédio a mulheres no sistema metroviário paulista.

“Nos horários de pico, é normal trem e metrô lotados. É assim nas grandes metrópoles espalhadas pelo mundo. Para falar a verdade, até gosto do trem lotado, é bom para xavecar a mulherada, né mano (sic). Foi assim que eu conheci a Giscreuza”, diz o trecho da peça publicitária.

O Metrô informou que não aprovou previamente o conteúdo nem autorizou sua divulgação. “Advertida, a Rádio Transamérica tirou o comercial do ar e informou que a produção desse infeliz conteúdo é de sua inteira responsabilidade”, diz  nota do Metrô.

PSDB e PT buscam apoio evangélico em SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Gustavo Uribe  e Marina Dias, na Folha de S.Paulo

No salão apertado de um hotel em Guarulhos (SP), o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, discursava entre gritos de “aleluia” e “glória” vindos da plateia. O petista fez questão de ressaltar a presença do pai, que é metodista, e apresentou-se como um homem que crê em Deus, sob o olhar desconfiado de alguns evangélicos.

Quatro dias depois, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), subia ao altar da Igreja Batista do Povo, na capital paulista, durante culto em comemoração aos 100 anos do pastor Enéas Tognini. Orou, fechou os olhos, levantou as mãos, mas errou diversas vezes a letra das canções de louvor.

“Feliz a cidade, feliz o Estado, feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, decretou.

A menos de sete meses das eleições, os principais nomes que disputarão a sucessão ao governo estadual iniciaram uma romaria em busca do apoio de líderes evangélicos, que dialogam com quase um quarto dos paulistas.

Em troca, os pastores reivindicam a inclusão de cinco pontos nos programas de governo dos pré-candidatos, entre eles, o ensino religioso na grade regular de escolas públicas e a neutralidade diante de temas como a legalização do aborto e a descriminalização das drogas.

Até o momento, os pré-candidatos, que abriram espaço em suas agendas para visitas a templos e encontros com pastores, têm evitado se comprometer com os pedidos, mas fazem discursos em reverência aos evangélicos.

“Vocês sabem que o presidente Lula começou no país uma era de crescimento, de ascensão, de redução da pobreza. E todos nós sabemos o quanto tem o dedo de Deus no crescimento individual no nosso país”, disse Padilha há duas semanas, durante encontro com pastores.

No evento, pediu que orassem por ele, que trouxessem propostas para a elaboração do seu programa e se mostrou favorável à oferta de apoio espiritual durante tratamento para dependentes químicos.

“Com certeza nossas reivindicações vão entrar no plano de governo. São pedidos pertinentes e ele [Padilha] me disse isso pessoalmente”, afirmou Luciano Luna, coordenador do setorial de assuntos religiosos do PT.

Além de ter visitado o templo batista na semana passada, Alckmin se encontrou no início do mês com lideranças evangélicas, na sede do governo paulista. Uma agenda com pastoras também deve ser estruturada para a primeira-dama, Lu Alckmin.

“O governador já foi a todas as igrejas evangélicas que você pode imaginar. Ele vai ao interior e é convidado a participar de cultos, assim como a missas”, disse o presbítero Geraldo Malta, do PSDB.

O pré-candidato do PMDB, Paulo Skaf, é outro que mantém encontros com lideranças e participa de cultos. A meta dos peemedebistas é obter o apoio de um milhão de evangélicos em São Paulo.

“Pretendemos consolidar o apoio de mil lideranças [evangélicas]. Cada uma buscará mais cem pessoas, que buscarão mais dez, o que dá um milhão de eleitores”, disse o coordenador do núcleo evangélico do PMDB, pastor Renato Galdino.

dica do Ed Brito