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Quem a via conversando com seus cães…

Companheiros-Equivalência

Will Leite, no Will Tirando

Em minhas caminhadas matinais, sempre vejo uma senhora (calculo que ela tenha uns 70 anos) passeando com seus dois cães. Sempre no mesmo horário. Não sei o nome dela, mas sei o nome de um dos cães, o mais velho: Amarelinho. Deduzo que o menor se chame marronzinho, ou pretinho… por causa da cor do seu pelo.

No entanto na maioria das vezes vejo ela se dirigindo a eles como “amiguinho, companheiro, etc” Isso mesmo, ela conversa naturalmente com os cães, em público… é lindo.

Hoje, por exemplo, ouvi um resquício da conversa. Ela disse algo assim para o mais novo “Eles (não sei a quem se referia) estão pensando que aqui é hotel cinco estrelas, companheiro”. Não sei o que ela quis dizer. Mas sei que foi com os cães… que provavelmente não entenderam muito bem, pois não sabiam decodificar a frase como um humano. Mas certamente sabiam o quão importante era ser ouvinte dela.

Psicanalista lança manual de sexo para judeus ultraortodoxos

Ribner criou guia com ilustrações que ficam fechadas dentro de envelope. Sexo é tabu para judeus ortodoxos, permitido só depois do casamento.

Ilustrações trancadas em envelope na aba traseira do livro mostram posições sexuais (Foto: BBC)

Ilustrações trancadas em envelope na aba traseira
do livro mostram posições sexuais (Foto: BBC)

publicado no G1

Sexo é um assunto delicado, mas entre judeus ultraortodoxos pode ser mais sensível ainda. Para tentar quebrar um pouco o tabu que gira em torno do tópico, um terapeuta em Jerusalém elaborou um manual de sexo específico para esta comunidade.

Até um tempo atrás havia uma sex shop no caminho para o consultório do Dr. David Ribner, o autor do livro, no centro de Jerusalém. A placa ainda está lá, com letras garrafais vermelhas: “Sex shop, Sex, Love”, mas mal dá para ler porque o letreiro foi danificado.

A loja fechou e atualmente há somente um sex shop na cidade, o que não é surpresa diante do grande número de devotos religiosos.

Ribner nasceu nos Estados Unidos e em Nova York foi ordenado rabino e fez doutorado em Trabalho Social. Posteriormente mudou-se para Israel, onde há 30 anos trabalha como terapeuta atendendo judeus devotos. Ele também fundou um programa de treinamento de terapia sexual na Universidade de Bar-Ilan, em Tel Aviv.

Ele acredita que a publicação de um manual de sexo para judeus ortodoxos já devia ter sido feita há muito tempo.

Tabu
Meninos e meninas ultraortodoxos estudam em escolas separadas com pouca ou nenhuma educação sexual e têm pouca interação com o sexo oposto até a noite do casamento, em que espera-se que consumam a união.

O contato físico entre homens e mulheres – até mesmo um simples apertar de mãos – só é permitido entre marido e esposa ou entre parentes próximos. Acesso a filmes e à internet é geralmente restrito.

“Nós gostaríamos que o livro fosse uma referência para que as pessoas dissessem ‘eu não sei nada (sobre sexo) e quero aprender alguma coisa”, diz o psicanalista.

O The Newlywed’s Guide to Physical Intimacy (Guia de Intimidade Física para recém-casados, em tradução livre), que Ribner escreveu juntamente com o pesquisador ortodoxo Jennie Rosenfeld, começa com o básico, explicando, por exemplo, como as formas dos corpos de homens e mulheres são diferentes.

Segundo Ribner, o judaísmo encara o sexo como algo positivo entre marido e mulher, e espera-se que o casal tenha muitos filhos. Mas conversar sobre o assunto é ainda um grande tabu.

“O sexo só é apropriado no contexto de casamento”, diz Ribner. “Mas ninguém fala sobre assunto, tornando o diálogo algo muito difícil”.

Envelope selado
Folheie as páginas do guia e você não verá ilustrações. Mas um envelope selado colado na aba de trás adverte os leitores que dentro há ‘figuras sobre sexo’.

O psicanalista abre o envelope e me mostra o que há dentro: três desenhos de posições sexuais básicas.

“Nós queríamos dar às pessoas uma ideia de não somente onde colocar seus órgãos sexuais, mas também suas pernas e braços”, diz Ribner. “Se você nunca assistiu a um filme, nunca leu um livro, como vai saber?”, indaga.

O livro tem linguagem direta, tocando em assuntos que podem ser delicados, como masturbação e sexo oral.

O sexólogo Nachshon David Carmi, baseado em Jerusalém, está acumulando cópias do guia em seu consultório e aconselha a leitura para seus pacientes.

Ele avalia que o silêncio sobre sexo cria uma “barreira de vergonha” e que os que procuram se educar sexualmente podem ser vistos como “subversivos e rebeldes”.

O livro de Ribner foi lançado no ano passado em inglês e será publicado em hebraico nas próximas semanas, tornando-o mais acessível ao público em Israel.

Quando a nova edição chegar às livrarias, deve provocar “um estrondo”, acredita Menachem Friedman, professor e sociólogo que já escreveu vários livros sobre a comunidade judaica ultraortodoxa.

“Eu acredito que a reação será extremamente negativa”, prevê.

Para testar possíveis reações, eu levei uma cópia do livro a um centro de estudos judaico ultraortodoxo, onde encontro um homem de 22 anos de barba usando um chapéu preto típico. Entramos numa salinha e mostro o guia de sexo.

“Eu não conheço nenhum livro deste tipo por aqui, mas acho que há a necessidade de explicar este tópico e entendê-lo”, acrescenta.

Ele me leva para o andar de cima, onde não há ninguém, para dar uma olhada nas ilustrações.

Assim que ele começa a manusear os desenhos, muda de ideia e os enfia de volta no envelope.

“Eu ainda não sou casado”, diz ele. “Vou esperar a minha hora”.

Caminhos que nunca falham

caminhosquenuncafalham

Caio Fábio

O soberbo cairá…

O humilde aprenderá…

O rico ficará vazio…

O pobre será farto…

O altivo será quebrantado…

O quebrantado será elevado em espírito…

O elevado em espírito será muito tentado…

O tentado se conhecerá…

Assim também…

O fraco que não é covarde é fortalecido…

O simples que não é tolo torna-se sábio…

O que renuncia a tudo… de tudo fica livre…

O que ama a tudo o que seja verdade vence todo medo…

Por isto também…

A coragem do louco é o ódio…

A vingança do tolo é blasfemia sem que ele o saiba…

A justiça do ódio é a morte e o inferno…

Ainda também…

O que mente será apanhado sempre…

O que esconde o mal terá que mostrá-lo da varanda…

O que engana ao povo será blasfemado…

Porém…

O generoso será rico de tudo…

O perdoador será um filho de Deus no mundo…

O que ama, será heredeiro de tudo!

Nele, em Quem sei que é assim e que assim será,

fonte: site do Caio Fábio

‘Vocês estão ultrapassando o limite de espaço’, diz Feliciano a jornalistas

Presidente da Comissão de Direitos Humanos reafirmou que não renuncia.
Alvo de processos, deputado disse que jornalistas ‘falam besteiras’.

Publicado originalmente no G1

Deputado Marco Feliciano (PSC) ao deixar a embaixada da Indonésia (Foto: Amanda Lima/ G1)

Deputado Marco Feliciano (PSC) ao deixar a
embaixada da Indonésia (Foto: Amanda Lima/ G1)

O deputado Marco Feliciano (PSC), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, criticou a imprensa na manhã desta quarta-feira (27). Alvo de processo por discriminação e pressionado a renunciar à presidência, Feliciano afirmou que os jornalistas “estão ultrapassando o limite de espaço” , “não tem outro assunto para falar” e que “falam besteiras”. O deputado reafirmou que não vai renunciar “de jeito nenhum”.

Feliciano foi à embaixada da Indonésia para conversar com o embaixador sobre a situação de dois brasileiros que estariam condenados à morte no país.

“Não falo mais nada. Vocês [jornalistas] estão ultrapassando o meu limite de espaço. Eu estou aqui para um assunto sério e vocês estão de brincadeira”, disse.

Questionado se esse seria o momento de analisar suposto pedido de clemência dos condenados, Feliciano respondeu: “Existe tempo para pedir clemência? Isso e uma pergunta estúpida, não?”

Segundo Feliciano, o embaixador não soube informar se os brasileiros estão na lista de condenados à morte e que o apelo por clemência do governo é bem visto pelo presidente da Indonésia, que os convidou para visitar o país.

Depois, Feliciano afirmou que a Comissão dos Direitos Humanos não está em crise, que a crise é dos jornalistas.

“A comissão não está em crise, quem está em crise são vocês. Falando besteira e falando coisas que não existem. Já fizemos duas sessões e na primeira votamos a rodada da pauta, a segunda foi impedida por causa do tempo, hoje tem a terceira sessão. Não sei se será (aberta ou fechada)”, disse.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e líderes partidários anunciaram nesta terça que farão uma reunião na próxima semana para tentar convencer Feliciano a renunciar. O PSC, partido de Feliciano, decidiu nesta terça manter o deputado no cargo. Para Feliciano, líderes não podem interferir em sua decisão de continuar como presidente.

“Não vou renunciar de jeito nenhum. O que os líderes podem fazer com a minha vida? Eu fui eleito pelo voto popular e pelo voto do colegiado ponto final, que insistência. Vocês não têm outro assunto pra falar, não?”, completou.

Ações e declarações
Pastor da igreja Tempo de Avivamento, Feliciano é alvo de dois processos no Supremo Tribunal Federal: um inquérito que o acusa de homofobia e uma ação penal na qual é denunciado por estelionato. A defesa do parlamentar nega as duas acusações.

O pastor causou polêmica em 2011 quando fez declarações em sua conta noTwitter sobre africanos e homossexuais. “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome… Etc”, escreveu o deputado na ocasião.

Recentemente, o pastor provocou novos protestos com a divulgação de um vídeo que dizia que as manifestações contra ele eram “rituais macabros”. Na última terça-feira (19), em um programa da Rede TV!, Feliciano disse que continua disposto a não renunciar. A declaração foi feita antes da divulgação do vídeo.

Trabalho de casa

Penha, Rosário e Cida (Foto: Cheias de Charme / TV Globo)

Penha, Rosário e Cida (Foto: Cheias de Charme / TV Globo)

Marina Silva

É necessário distinguir o mero crescimento –efêmero, superficial, reversível– do verdadeiro desenvolvimento econômico e social.

Muitas vezes, o alinhamento político e a busca de resultados imediatos obscurecem a análise de governos e oposições, que se atracam em disputas pelo crescimento em vez de buscarem consenso para estender à sociedade benefícios do desenvolvimento. E não resta dúvida de que, nos últimos 20 anos, mesmo quando o crescimento não foi exuberante, o desenvolvimento econômico do Brasil avançou e vem criando condições para superar fragilidades sociais e históricas.

Tramita agora no Congresso, em fase final de votação, a PEC que equipara os direitos das empregadas domésticas (por que sempre usamos no feminino?) aos dos demais trabalhadores. Sim, temos até hoje um regime trabalhista que divide cidadãos com mais e com menos direitos em função de sua ocupação. Sempre houve um forte apelo para corrigir essa injustiça, mas os mais refratários à ampliação desses direitos sempre evocavam os custos elevados e o receio de que muitos trabalhadores perdessem o emprego. Assim, as conquistas vêm a conta-gotas.

Conheço bem esse drama. Aos 17 anos, quando fui empregada doméstica, não tinha noção do que eram direitos trabalhistas, sentia apenas gratidão pela família que me acolhia em sua casa e me dava emprego. Ainda sou grata, mas sei que milhões de pessoas que realizam o trabalho doméstico não podem constituir um gueto social, numa relação de servidão incrustada no século 21.

Agora temos um contexto favorável. Mais de 15 anos de baixa inflação, com melhoria de distribuição de renda, avanços importantes nos programas de transferência de renda e baixo nível de desemprego são fatores de estabilização do desenvolvimento econômico que fornecem lastro para a conquista de direitos trabalhistas.

Lembro que o senador Suplicy, primeiro a pregar no deserto para convencer a sociedade a adotar programas de renda mínima, já chamava a atenção para esse efeito: o trabalhador, tendo a garantia de uma renda de subsistência, pode rejeitar condições inadequadas de trabalho. Isso vale para o emprego doméstico, mas precisa avançar também em outras situações de extrema precariedade, como carvoarias ilegais e atividades em zonas rurais e remotas. Mesmo nas periferias urbanas persistem situações de trabalho em condições similares à escravidão.

São situações que não deveriam existir mais num país que chega ao século 21 reivindicando o direito de estar no time do Primeiro Mundo.

Transformar o crescimento em desenvolvimento, e dar a esse a sustentabilidade que advém da justiça social, é o trabalho de casa inadiável de nossa sociedade.

fonte: Folha de S.Paulo