Decisão judicial obriga pais que optavam por homeopatia a vacinarem seus filhos

vacinasPublicado no Última Instância

Na última terça-feira (24\9), o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), por meio da Promotoria da Infância e Juventude de Jacareí, obteve liminar da Justiça obrigando os pais de duas crianças a a encaminhá-los para vacinação gratuita. Os pais tratavam os filhos apenas com homeopatia e não permitiam que as crianças recebessem as vacinas disponibilizadas pelo poder público, alegando não acreditar na eficácia da imunização.

Segundo a sentença, os pais têm cinco dias para providenciar a vacinação obrigatória dos filhos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de um salário mínimo revertida para o fundo gerido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Se decorridos 10 dias sem que a sentença judicial seja cumprida, a Justiça determinou ainda a expedição de mandado de busca e apreensão das crianças, como medida protetiva, para encaminhamento dos meninos à Secretaria de Saúde para o recebimento das vacinas.

O procedimento teve início a partir de uma denúncia encaminhada ao MP pelo Conselho Tutelar de Jacareí. O órgão foi acionado pela diretora da escola municipal em que um dos filhos do casal estuda, ao constatar que o garoto não possuía carteira de vacinação.

Convocada ao Conselho e à Promotoria de Justiça para receber orientação sobre a obrigatoriedade e importância sobre a vacinação, a mãe das crianças afirmou não acreditar na eficácia das vacinas, alegando que o tratamento homeopático ministrado aos filhos é suficiente para a imunização, sem colocar a vida dos filhos em risco, no que teve a anuência do marido.

Ela ainda tentou argumentar que teria, supostamente, o respaldo médico para tal, de um homeopata e de um pneumologista. Mas os especialistas pediatras, por escrito, negaram veementemente terem contra-indicado a vacinação para os infantes.

Os argumentos da inicial, integralmente acolhidos, baseiam-se no direito individual de proteção integral da saúde da criança e também na repercussão da não vacinação na rede de saúde pública.

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Nova orientação para psicólogos prega que adolescência agora vai até os 25 anos

Diretriz propõe extensão do período para que a maturidade emocional e o desenvolvimento hormonal esperem desenvolvimento total do córtex pré-frontal

Infantilização: mais anos dependentes dos pais (foto: Julia Freeman-Woolpert / StockPhoto)
Infantilização: mais anos dependentes dos pais (foto: Julia Freeman-Woolpert / StockPhoto)

Publicado em O Globo

LONDRES – Uma nova orientação para psicólogos americanos prega que a adolescência agora vai até os 25 anos, e não apenas até os 18 anos como estava previsto.

- A ideia de que de repente, aos 18 anos, a pessoa já é adulta não é bem verdade – disse à BBC a psicóloga infantil Laverne Antrobus, que trabalha na Clínica Tavistock, em Londres. – Minha experiência com jovens é de que eles ainda precisam de muito apoio e ajuda além dessa idade.

A mudança serve para ajudar a garantir que quando os jovens atingem a idade de 18 anos não caiam nas lacunas no sistema de saúde e educação – nem criança, nem adulto – e acompanha os acontecimentos em nossa compreensão de maturidade emocional, desenvolvimento hormonal e atividade cerebral.

Há três estágios da adolescência: dos 12 aos 14, dos 15 aos 17 e dos 18 em diante. A neurociência tem mostrado que o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa jovem continua em um estágio mais tardio e que, sua maturidade emocional, a autoimagem e o julgamento são afetados até que o córtex pré-frontal seja totalmente desenvolvido.

O professor de sociologia Frank Furedi, da Universidade de Kent, defende que já há um grande número de jovens infantilizados e que a medida só vai fazer com que homens e mulheres fiquem ainda mais tempo na casa dos pais.

- Frequentemente se apontam as razões econômicas para este fenômeno, mas não é bem por causa disso – diz . – Houve uma perda da aspiração por independência. Quando eu fui para a universidade, se fosse visto com meus pais decretaria minha morte social. Agora parece que esta é a regra.

Furedi acredita que esta cultura da infantilização intensificou o sentimento de dependência passiva, que pode levar a dificuldades na condução dos relacionamentos maduros. E não acredita que o mundo virou um lugar mais difícil para se viver.

- Acho que o mundo não ficou mais cruel, nós seguramos nossas crianças por muito tempo. Com 11, 12, 13 anos não deixamos que saiam sozinhos. Com 14, 15, os isolamos da experiência da vida real. Tratamos os estudantes universitários da mesma maneira que tratamos alunos da escola, então eu acho que é esse tipo de efeito cumulativo de infantilização que é responsável por isso.

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Jair Bolsonaro agride Randolfe Rodrigues em visita da Comissão da Verdade ao DOI-Codi

Troca de agressões entre parlamentares começou quando Bolsonaro tentava forçar a entrada ao batalhão na Tijuca que funcionou como centro de tortura

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Publicado na Carta Capital

A visita da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro ao 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, na zona norte da cidade, começou com tumulto. O motivo foi a chegada do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que não faz parte da comissão e não estava na lista dos integrantes da visita ao local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), principal centro de tortura durante a ditadura.

A confusão começou quando Bolsonaro forçou a passagem, no portão do quartel, e chegou a dar um soco na barriga do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que tentava impedir a entrada do deputado federal. Representantes de movimentos como o Tortura Nunca Mais e o Levante Popular da Juventude exigiam, aos gritos, a saída de Bolsonaro, que conseguiu entrar.

A comitiva, no entanto, recusou-se a fazer a visita na presença de Bolsonaro. Além de Randolfe Rodrigues, acompanharam a visita da comissão o senador João Capiberibe (PSB-AP), que foi torturado nas dependências do batalhão durante a ditadura, e as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP).

A visita faz parte da campanha para que o local seja tombado e transformado em um centro de memória. No fim de agosto, a visita da Comissão Estadual da Verdade ao local foi barrada pelo Exército.

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Quem é o publicitário por trás do falso enterro do Bentley de Scarpa

Reis entre Marcelo Tas e Chiquinho Scarpa: campanha de 15 000 reais (foto: Divulgação)
Reis entre Marcelo Tas e Chiquinho Scarpa: campanha de 15 000 reais (foto: Divulgação)

João Batista Jr., na Veja SP

Sócio e vice-presidente de criação da agência Leo Burnett, o publicitário Marcelo Reis é o autor da campanha da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos que criou a polêmica do enterro do carro Bentley do playboy Chiquinho Scarpa. “Ele não cobrou cachê e a campanha custou cerca de 15 000 reais” Saiba outros detalhes:

De onde surgiu a ideia de promover o falso enterro do Bentley?
Nada é mais importante para alguém do que os órgãos, bem mais do um carro ou apartamento. Com esse raciocínio de que nada vale mais que um órgão, pensamos: imagina uma pessoa cheia de dinheiro concordasse em ver seu bem material enterrado como os faraós do Egito?

Como surgiu o nome do Chiquinho como o autor da pegadinha?
O nome dele foi o primeiro, até porque tem o título de conde. Ligamos para o Chiquinho em um dia e, no outro, estávamos fazendo o convite pessoalmente na casa dele. Ele comprou a briga e aceitou a ser boi de piranha. Lembro que o Chiquinho falou: “As pessoas já acham que eu sou louco mesmo, então vão acreditar que eu vou enterrar meu Bentley.”

Foi ele quem sugeriu o Bentley?
Sim, ele falou que o carro tinha a ver com nobreza.

Teve medo de que o tiro saísse pela culatra?
Na verdade, nosso medo era de que as pessoas ficassem bravas por acharem que plantamos uma notícia falsa. Então a ideia foi o Chiquinho colocar uma foto dele cavando o buraco nas redes sociais, porque daí a imprensa poderia procurá-lo. Ou seja, não plantamos notícia falsa nas redações. Um detalhe curioso: o Chiquinho pediu para fazer o primeiro buraco no jardim da casa dele. Também planejamos a entrevista dele no programa do Danilo Gentili, da Band.

O Chiquinho ganhou cachê?
Não. Essa campanha toda custou cerca de 15 000 reais. Gastamos com a retroescavadeira para tirar terra e também com seguranças para proteger a casa do Chiquinho hoje, pois tínhamos receio de ter algum protesto. Deu tudo certo, as pessoas gostaram da nossa proposta de colocar a discussão da doação de órgãos na pauta da imprensa.

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