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Cidade dos EUA proíbe uso de calças com a cueca aparecendo

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Márcia Garbin, no Virgula

A cidade de Terrebone Parish, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, resolveu colocar um ponto final ao uso de calças com cuecas aparecendo.

Isso porque o senador de Nova York, Eric Adams, iniciou ainda em 2010 uma campanha contra o estilo de se vestir e instalou outdoors pela cidade com a frase: “Elevem sua imagem, elevem suas calças!”.

Com o passar do tempo, o político foi ganhando adeptos e neste ano a medida foi aprovada no distrito de Terrebone Parish. Aprovada por oito votos a um, a nova medida prevê uma multa de US$ 50 para a primeira ofensa, podendo dobrar caso o ato se repita.

Se o “delinquente” insistir em sua escolha de vestimenta, a punição pode chegar a 16 horas de serviços comunitários, para cada reincidência.

O presidente do conselho que aprovou a medida, disse que “nao há nada positivo em vestir calças desse jeito. Esse nao é um problema dos negros, esse nao é um problema dos brancos, esse é um problema das pessoas”, afirmou.

O presidente americano, Barack Obama, também já se envolveu na polêmica discussão das calças baixas. E apesar de não concordar com o estilo, Obama se mostrou, em 2008, contrário à medidas para banir o traje. “Qualquer funcionário púbico que esteja se preocupando com calças largas deve redirecionar seu foco para temas mais pertinentes”, afirmou Obama à época, em entrevista à MTV americana.

Assembleia Legislativa do RJ: eventos religiosos realizados dentro da Casa causam polêmica

Prática antiga, cerimônias evangélicas e católicas no espaço legislativo têm incomodado parlamentares

Grupo de funcionários e visitantes participa de um culto evangélico na Alerj Pablo (foto: Jacob / Agência O Globo)

Grupo de funcionários e visitantes participa de um culto evangélico na Alerj Pablo (foto: Jacob / Agência O Globo)

Natanael Damasceno, em O Globo

Uma reunião movimentou o auditório Senador Nelson Carneiro, no sexto andar do prédio anexo da Assembleia Legislativa do Rio, na tarde desta quarta-feira. Com cerca de um terço do espaço ocupado, o lugar foi palco de discussões sobre temas díspares, como o significado da Páscoa e o papel da mulher na sociedade.

Os assuntos, precedidos da exibição de um filme sobre a celebração cristã, chamaram a atenção das 36 pessoas que participaram do evento com fervor. O grupo, no entanto, formado por funcionários do Parlamento, assessores de deputados e visitantes, não estava numa audiência pública. Tampouco estava em uma das reuniões das comissões da Casa. Todos participavam de um culto evangélico conduzido pela ex-deputada Edna Rodrigues e pelo pastor Joel Vilon da Costa.

Prática antiga, os eventos religiosos no espaço legislativo têm incomodado parlamentares, que ressaltam a laicidade da instituição. E, seja nos bastidores da Casa ou nas ruas, alimentam uma polêmica: se o Legislativo é laico, esse tipo de manifestação é constitucional?

Procurador regional da República e professor de direito constitucional da Uerj, Daniel Sarmento afirma que essa prática, também adotada por um grupo católico ligado à deputada Miriam Rios (PDT), vai contra o que determina a Carta Magna:

— Uma coisa é você fazer um culto num local público, como um parque. Outra coisa é você fazer isso num local como o Parlamento, onde o espaço deveria ser usado para discussões de interesse público.

Atualmente organizados sob a responsabilidade da deputada Graça Pereira (PSD), os cultos evangélicos acontecem todas as quartas-feiras há pelo menos nove anos. Edna Rodrigues, pastora da Igreja Universal, que conduziu o encontro de ontem à tarde, conta que eles começaram a acontecer devido ao interesse de um grupo de parlamentares na oitava legislatura da Casa (entre 2003 e 2006).

— Fizemos um requerimento ao então presidente da Casa, Jorge Picciani, e não houve qualquer manifestação contrária — afirma.

Edna, que perdeu o mandato em 2006, explicou ainda que hoje cada reunião é patrocinada por um deputado da extensa bancada evangélica da Casa — segundo a Alerj, pelos menos dez dos 70 deputados estaduais professam a religião — e organizada pelo pastor Vilon da Costa, assessor parlamentar de Graça Pereira.

— Cada reunião tem um responsável, que nem sempre vem aqui. Alguns nem são evangélicos — explica a pastora Edna Rodrigues.

Ela, Vilon da Costa e Graça Pereira rebatem as acusações de que atrapalham a atividade parlamentar. Dizem que ocupam o espaço na hora do almoço e que não usam dinheiro da Assembleia para realizar os encontros. No entanto, os parlamentares contrários à prática afirmam que já tiveram dificuldade para agendar discussões de interesse público devido à extensa agenda dos eventos religiosos. De acordo com a mesa diretora, pelo menos dez encontros aconteceram no local nos últimos dois meses.

E, na semana que vem, haverá mais três: o culto dos evangélicos na quarta-feira, o encontro católico na quinta-feira e uma missa na terça-feira à tarde.

— Só comecei a organizar os encontros católicos depois que meus eleitores vieram a mim com o pedido. E não fiz isso sem consultar a mesa diretora e a Arquidiocese. A missa de terça-feira, por exemplo, deve ser celebrada pelo próprio Dom Orani (arcebispo do Rio) — argumenta Miriam Rios. — E nos últimos dois anos, apenas duas vezes cancelamos um encontro porque alguém precisou do espaço. A prioridade são os eventos da Casa.

Graça Pereira também se defende:

— As pessoas trabalham aqui e a gente percebe que, quando estão ansiosas, buscam conselhos. Por isso, sentimos a necessidade do espaço, semelhante ao que existe em instituições como a Polícia Militar e o Tribunal de Justiça.

O procurador Daniel Sarmento, porém, lembra que a Casa representa um dos poderes do Estado. Presidente da Alerj, o deputado Paulo Melo disse, por meio de sua assessoria, que o auditório não é um espaço da Casa usado só para eventos religiosos e que eles acontecem apenas quando não atrapalham a agenda política.

Corpo a corpo

DANIEL SARMENTO

Procurador regional da República e professor de direito constitucional, ele diz que o Brasil não incorporou o princípio do Estado laico.

O senhor acha que os cultos e missas no Parlamento são adequados ao espaço?

Essa é uma prática totalmente inadequada. É inconstitucional. Você não pode utilizar as instalações do Poder Legislativo para fazer um culto religioso. A Constituição fala do princípio do Estado laico, mas o Estado brasileiro não conseguiu incorporar esse princípio ao seu dia a dia.

Na sua avaliação, essa é uma exclusividade do Parlamento fluminense?

Isso não acontece apenas no Rio. Outro dia, fui participar de uma audiência pública em Brasília, sobre o direito ao aborto, e tivemos todos que ficar esperando o fim de um culto evangélico que acontecia no local.

Por que isso acontece?

Embora o princípio da laicidade exista desde o nascimento da República, ele nunca foi levado a sério. Então, não é uma novidade. Você pode observar isso ao constatar que há um crucifixo na sala do Supremo Tribunal Federal, onde se discutem questões como o direito ao aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, assuntos aos quais a Igreja sempre foi abertamente contrária.

Mas e a liberdade de expressão?

Isso não é cerceamento ao direito de expressão. O cidadão tem todo o direito de professar sua religião. Mas uma coisa é ele fazer isso na sua igreja. Outra é usar o espaço do Poder Legislativo para isso.

JOEL VILON DA COSTA

Pastor da Igreja Presbiteriana, o assessor da deputada Graça Pereira coordena hoje o agendamento dos cultos evangélicos na Alerj.

O que o senhor tem a dizer aos críticos dos encontros religiosos na Assembleia?

Essa é uma casa aberta ao povo. Os eventos não são fechados aos evangélicos. Já recebemos convidados de outras religiões, como o deputado Marcio Pacheco, que não só patrocinou um encontro como participou do culto. Nunca impedimos que um padre participasse das nossas reuniões, nem nunca reclamamos das manifestações ligadas às outras religiões.

Mas o Legislativo não deveria ser uma instituição laica?

A Casa não deixa de ser laica por causa dos nossos encontros. Uma coisa é a atividade parlamentar. Outra é a utilização do espaço para dar aquilo de que o povo precisa. Não utilizamos recursos públicos. E, institucionalmente, não existe uma comissão de parlamentares evangélicos ou religiosos para tratar dos cultos. Nós organizamos, fazemos de forma voluntária, fora do horário do trabalho. Por isso, não acho que os encontros afetem a laicidade da Casa.

Quem frequenta os cultos evangélicos? Os deputados responsáveis acompanham os cultos?

Nem sempre os parlamentarem acompanham as reuniões. E não são apenas os funcionários da Alerj que aparecem. Os cultos são conhecidos e atraem muitos visitantes de empresas próximas e de instituições como o Tribunal de Justiça, que mantém iniciativas semelhantes.

Noivos, Lauriete e Magno vão casar apenas no civil

Senador e deputada federal têm que conciliar agendas políticas e de shows para marcar data

O relacionamento amoroso não é surpresa na bancada federal. Divorciados recentemente, eles são vistos juntos com frequência no Congresso

O relacionamento amoroso não é surpresa na bancada federal. Divorciados recentemente, eles são vistos juntos com frequência no Congresso

Rondinelli Tomazelli, na Gazeta Online

Noivos há cerca de um mês, o senador Magno Malta (PR) e a deputada federal Lauriete (PSC) se casarão em breve. Será um enlace matrimonial apenas no civil, realizado no Estado, mas a data dependerá das agendas parlamentar e de shows dos dois, informou nesta terça-feira (26) a assessoria da deputada. Lauriete não pretende divulgar a data, já que a cerimônia será mais reservada e familiar.

O relacionamento amoroso não é surpresa na bancada federal. Divorciados recentemente, eles são vistos juntos com frequência no Congresso, embora com discrição. Aliados na bancada evangélica e na Frente Parlamentar em Defesa da Família no Congresso, Magno e Lauriete também são cantores do gênero gospel e já teriam até feito shows juntos.

Magno recusa-se a falar de sua vida pessoal e não dá entrevista sobre o assunto. Sua assessoria também não comenta. No perfil oficial do republicano no Facebook, porém, há fotos dele com Lauriete. Em uma delas, aparecem abraçados, sorridentes, com aliança no dedo e os seguintes dizeres do senador: “Essa é minha estrela preferida… Casal lindo!!!”.

A postagem rendeu 108 “curtidas” e 221 compartilhamentos, além de comentários de felicitação deixados por amigos, cantores e pastores.

Magno já não é mais pastor da Igreja Batista. Lauriete frequenta a Igreja Assembleia de Deus do bairro Ibes (Vila Velha). Ela foi casada com o ex-vereador e ex-deputado Reginaldo Almeida (PSC), que é da Assembleia de Deus.

Reservadamente, pastores relatam insatisfações com a união dos dois parlamentares, devido a preceitos religiosos contrários à união afetiva não motivada por viuvez do cônjuge.

Magno já conduziu as CPIs do Narcotráfico e da Pedofilia e agora é presidente da CPI dos Erros Médicos. Lauriete é titular da Comissão de Seguridade Social e Família.

dica do Nietzsche Ribeiro Robson

Elio Gaspari: O melhor cabo eleitoral do PT é a oposição

foto: CartaCapital

foto: CartaCapital

O senador Aécio Neves fez um discurso pedestre, com boas opiniões que não formam um ponto de vista

Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo

Anunciado como se pudesse vir a ser o discurso do então desconhecido companheiro Obama na convenção democrata de 2000, o grito de guerra do senador Aécio Neves foi um pronunciamento pedestre. Suas críticas à década petista têm alguma procedência, mas terminam caindo na armadilha de quem tem muitas opiniões sem que elas formem um ponto de vista. Viu o futuro no retrovisor. Se a exibição das contradições morais, políticas e econômicas do comissariado levasse a algum lugar, Lula não teria sido reeleito, muito menos colocado os postes Dilma Rousseff no Planalto e Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

O tucanato continua encantado pela crença segundo a qual se uma pessoa ficar com duas vezes mais raiva do PT, terá direito a dois votos nas próximas eleições. Só a falta de assunto explica o fato de os tucanos terem caído numa finta petista, aceitando uma antecipação precoce e descosturada da sucessão presidencial do ano que vem.

Tome-se o espaço que o senador dedicou à educação. Exatamente 21 palavras: “O governo herdou a universalização do ensino fundamental, mas foi incapaz de elevar o nível da qualidade na sala de aula”. Médio. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, o Inep, em 2007 havia 7,1 milhões de crianças matriculadas na zona de mau ensino, com avaliações abaixo de 3,7 no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico. Em 2011, esse número baixou para 1,9 milhão. Há tucanos que fazem melhor? Em Minas Gerais, com certeza. Em Alagoas, não.

Do outro lado da mesa estão as políticas sociais do governo. Se a oposição admitir que algumas delas funcionam, todo mundo lucra, sobretudo ela. Dois exemplos: o desempenho escolar das crianças beneficiadas pelo Bolsa Família e a discussão do estímulo à criação do turno único nas escolas.

A velha demofobia ensina que dar dinheiro a pobre é assistencialismo barato. No século 19 dizia-se que a abolição da escravatura estimularia o ócio e a embriaguez dos negros. Hoje há gente que acredita que o Bolsa Família remunera a preguiça da miséria e, como o ensino público é ruim, as crianças fogem das aulas ou, quando comparecem, não aprendem. É a ignorância a serviço da demofobia. Em 2011 a evasão escolar da meninada do programa no ensino básico da rede pública foi de 2,9%. Já a evasão no universo das escolas públicas, segundo o Censo Escolar, ficou em 3,2%. No desempenho, perderam de 86,3% a 83,9%. Indo-se para o ensino médio, a garotada do Bolsa Família fez melhor tanto no desempenho (79,9% x 75,2%) como na evasão (7,1 x 10,8%).

Enquanto a oposição mostra-se incapaz de erguer a bandeira do turno único, o governo correu atrás da expansão do tempo integral nas escolas onde a maioria dos alunos são beneficiados pelo Bolsa Família. Em 2010 havia 10 mil escolas públicas com esse regime. Nelas, só 2.869 (29%) tinham maioria de alunos cobertos pelo programa. Em 2012, as escolas com tempo integral triplicaram (32 mil) e 17.575 (54%) são frequentadas por crianças do Bolsa Família. Isso foi conseguido com recursos do Orçamento e parcerias com prefeitos. Nem um tostão federal foi gasto com tijolos, quadras de esporte ou salas para diretores. Muito menos com clipes publicitários ridículos.

E o mensalão? Pois é, pobre não sabe votar. Ou será que sabe, apesar do mensalão?

Eduardo Suplicy é estrela do lançamento do partido de Marina Silva

Ex-senadora Marina Silva e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP)

Ex-senadora Marina Silva e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP)

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chega no camarote da prefeitura no Sambódromo e cumprimenta Marta. Ela mostra a ele a neta, que o abraça. “É a filha do João”, diz o senador.

Um amigo do petista sopra: “Pergunta para ele da [ex-senadora] Marina Silva. Ela o convidou para o novo partido que está montando”. A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada hoje na Folha.

Suplicy sorri. E confirma: “Sim, a Marina me telefonou hoje. Nós conversamos por mais de uma hora”. Ela convidou, e ele aceitou, ser uma das estrelas do lançamento do novo partido que está lançando, no dia 16. “Vou lá expor as minhas ideias.”

Suplicy está escanteado no PT. O partido planeja tirar dele a legenda para a candidatura ao Senado em 2014. Quer oferecer a vaga para partidos como PMDB e PSD, numa aliança para o governo de SP. Ele anda chateado.

Marina então o convidou para deixar o PT e integrar o partido que está montando? “A Marina sabe o que eu penso da fidelidade partidária. Eu disse a ela que não sairia do PT até cumprir todo o meu mandato [em 2014].”

E depois? “Se o PT me fechar as portas…”. Suplicy para, sorri e refaz o raciocínio. “Eu não acredito que o PT vai me fechar as portas. Eu acho que o partido vai continuar me apoiando.”

Por isso, decidiu enfrentar a cúpula partidária: vai propor prévias para a escolha do candidato do partido ao Senado em 2014. “Eu pensei muito e decidi: quero ser candidato de novo.”

O PT tem pelo menos uns dez “bons candidatos”, diz ele. “O Luiz Marinho, o Edinho Silva, o Emídio de Souza. Em outros partidos, o Gilberto Kassab [do PSD], o Chalita [PMDB]. São todos bons. Mas eu tenho certeza de que ganho as prévias. Eu ando por aí e as pessoas me dizem: ‘Mas o PT vai abrir mão de um candidato como você?’”.

A única chance de Suplicy desistir é se Lula for candidato ao Senado. “Aí, em respeito a ele, eu não disputaria.”

foto: Alan Marques/Folhapress