Os negócios dos Crivella

Candidato ao governo do Rio de Janeiro, o senador e ex-ministro Marcelo Crivella (PRB) usou o cargo para ajudar sócios de empresa do filho

O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps (Reprodução/VEJA)
O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps (Reprodução/VEJA)

Malu Gaspar e Thiago Prado, na Veja on-line

A campanha do senador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella para o governo do Rio de Janeiro retrata um homem simples, de vida franciscana, que doa tudo o que recebe com as vendas de seus discos e livros para um projeto social na Bahia. O próprio senador declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio relativamente modesto para um campeão de vendas de discos gospel – 739.000 reais.

Longe da propaganda eleitoral, no entanto, a vida de Crivella e de sua família não é tão trivial assim. Donos de dois imóveis na Flórida, nos Estados Unidos, e adeptos de confortos como jatos executivos e carros importados, os Crivella são homens de negócios. Desde o ano passado, dedicam-se a turbinar uma rede de escolas adquirida por um grupo americano e presidida pelo filho do senador, Marcelo Hodge Crivella, de 29 anos.

A rede comandada pelo jovem filho do senador é a Seven, que apregoa ter 10.000 alunos. Não é pequena, mas alimenta planos de se tornar ainda maior, multiplicando o número de filiais e espalhando-se pela América Latina. Para concretizar tal plano, os americanos já enviaram ao Brasil, por meio de uma offshore sediada em Luxemburgo, 64 milhões de reais. Crivella, o pai, aposta alto na empreitada. E não vê problema nem mesmo em se utilizar de suas prerrogativas como parlamentar e ministro da Pesca – cargo que ocupou de 2012 a 2014 – para impulsioná-la.

Na manhã de 10 de outubro de 2013, cinco executivos da empresa que comprou a Seven – a Full Sail, uma rede de ensino de computação e games sediada na Flórida – foram retidos no aeroporto de Manaus em sua primeira escala no Brasil, rumo ao Rio de Janeiro, onde fariam reuniões de trabalho. O motivo: dos cinco passageiros do jato Legacy prefixo N53NA, apenas quatro tinham visto de negócios. O quinto, Deepak A. Kumar, vice-presidente da Seven, tinha autorização para fazer turismo, mas o comandante do jato declarara que estavam todos ali a trabalho.

Com o impasse instalado, os americanos se comunicaram com os Crivella – e o ministro imediatamente começou a trabalhar para liberá-los. Coube ao secretário-executivo do ministério, Átila Maia, enviar um ofício ao subsecretário-geral das comunidades brasileiras no exterior, embaixador Sérgio Danese, pedindo urgência na solução do imbróglio. “A pedido do ministro Marcelo Crivella, amigo do empresário norte-americano que mantém investimentos na área de educação no Brasil (…), muito agradeceria a Vossa Excelência a gentileza de instruir a divisão competente a emitir, com urgência, autorização para a liberação dos cinco passageiros”, explicava a carta. “Conforme informação da Chefia da Polícia Federal em Brasília, o assunto já foi esclarecido.” No mesmo dia, todos foram liberados.

Não foi a primeira vez que Crivella fez um pedido do gênero aos serviços diplomáticos. Naquele mesmo dia, enquanto tentava liberar a entrada dos parceiros comerciais do filho no Brasil, seus antigos funcionários no Senado solicitavam ao Ministério das Relações Exteriores a emissão de dois vistos de entrada para designers americanos que a Seven estava trazendo para participar de um evento no país. Nesse caso, a interferência do ministro era necessária por causa dos prazos. Segundo e-mail enviado pelo gabinete do senador Eduardo Lopes, suplente de Crivella, ao Itamaraty, os designers tinham de desembarcar no Brasil impreterivelmente até o dia 23 de outubro – em 13 dias, portanto. Pedido feito, pedido atendido.

A história da associação entre o filho de Marcelo Crivella e os americanos é nebulosa. Formado em psicologia, Marcelinho trabalhava na área de licenciamento de marcas da Record, emissora controlada pelo bispo Edir Macedo, manda-chuva da Universal e tio de Crivella-pai, até ingressar na Seven, em junho de 2011. Seu dono era então o empresário Leandro Moreira, evangélico como Crivella. No mês seguinte, os americanos da Full Sail se aproximaram de Moreira com uma oferta de compra.

A negociação se desenrolou de setembro de 2011 a novembro de 2012, quando foi fechada a venda de 80% da empresa por cerca de 100 milhões de reais. Feito o negócio, a Seven passou a ser controlada pela Artemis Distribution Lux, S.A, empresa que é a ponta final de uma cadeia de offshores. Criada em junho de 2012 em Luxemburgo, ela tem como principal acionista a Artemis Distribution Partners Canada – que por sua vez, é da Artemis Distribution LLC, de Delaware, paraíso fiscal em território americano. Nos documentos da associação, todas essas empresas aparecem ligadas a Jon Phelps, dono e fundador da Full Sail.

O negócio previa que Moreira mantivesse 20% da Seven e continuasse à frente da operação. Mas, assim que assinou contrato, ele foi excluído da sociedade, proibido de entrar nas escolas – e até hoje, não teria recebido nenhum centavo, embora a Artemis já tenha injetado na Seven 64 milhões de reais, conforme mostram atas públicas da rede de escolas. Hoje, o empresário move um processo contra os americanos – Crivella-filho, apesar de presidente, não é sócio da empresa – na Justiça do Rio. Na ação há e-mails, fotos e documentos que contam a história da tumultuada sociedade e revelam a proximidade forjada entre os americanos e Crivella-filho ao longo da negociação de aquisição.

Outro conjunto de documentos, a que VEJA teve acesso, mostra ainda que, entre 2012 e 2013, as famílias Crivella e Phelps fizeram várias viagens e passeios nos Estados Unidos – especialmente pela Flórida, onde a mulher do senador, Sylvia Jane, tem dois imóveis. Numa dessas viagens, em janeiro de 2012, posaram todos para fotos em frente ao DC-3 mantido pelo dono da Full Sail – um avião que é o xodó de Phelps e figura no logotipo do grupo. Marcelinho, por sua vez, postava no Instagram fotos da viagem – como a que aparece em frente a um Camaro amarelo e entrando num jato executivo.

Entre um passeio e outro, os sócios da Seven aproveitavam o cacife do pai de Marcelinho para promover o próprio negócio. Entre março e abril, o filho de Crivella esteve no gabinete do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para pedir patrocínio a um evento da Seven, a conferência de games CG Extreme. Saiu de lá com patrocínio de 120.000 reais e apoio da prefeitura para o evento. “Com o amigo prefeito do Rio hoje falando sobre grandes novidades para nossa cidade esse mês. Prefeito confirmou sua presença. E você, tá esperando o que?”, escreveu Marcelinho na legenda da foto com Paes que publicou no Instagram. Em outra ocasião, em junho de 2013, Phelps chegou até a pedir ajuda ao filho do senador para tentar marcar uma visita da presidente Dilma Rousseff à Full Sail em sua próxima viagem oficial aos Estados Unidos. A visita nunca aconteceu, mas a parceria entre eles deu frutos, e a Seven se engajou na pré-campanha de Crivella ao governo do Rio.

Num e-mail enviado a funcionários da Seven em 31 de julho do ano passado, Crivella-filho distribuiu tarefas e deu instruções sobre como montar a página do senador-candidato na internet. “Explorar imagens de que Crivella é um homem de família – casado há mais de 25 anos com Jane. Vamos trabalhar para passar o Garotinho logo!!”, diz um trecho da mensagem. Procurado por VEJA, Marcelinho afirmou que os funcionários da Seven que hoje trabalham na campanha já se desligaram da empresa. Crivella-pai, por sua vez, nega qualquer relação entre a campanha e a empresa do filho.

Embora a família Crivella tenha dois imóveis nos Estados Unidos, nenhum deles está registrado no nome do senador. O primeiro é um apartamento de 194 metros quadrados na região sul de Orlando, comprado pela mulher de Crivella, Sylvia Jane, em abril de 2011, e avaliado em 250.000 dólares pelos sites locais de busca de imóveis. O segundo é uma casa num condomínio do outro lado da cidade, também com valor estimado em cerca de 250.000 dólares. Crivella informa que o primeiro imóvel foi comprado por sua mulher com recursos próprios, já que Sylvia é escritora e tem uma loja de iogurtes. A casa, segundo ele, foi adquirida no ano passado pela filha, Débora – que mora na Flórida e trabalha na Full Sail, a dona da Seven no Brasil.

O senador diz ter ajudado na compra, contraindo um empréstimo junto ao Banco do Brasil – do qual, contudo, não revela o valor. Embora Crivella afirme que a operação está registrada em sua declaração de Imposto de Renda, ela não consta da declaração enviada ao TSE. Advogados ouvidos por VEJA afirmam que ele teria de ter declarado o empréstimo ao tribunal.

Marcelo Hodge Crivella, filho do senador (Reprodução/Instagram)
Marcelo Hodge Crivella, filho do senador (Reprodução/Instagram)

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Crivella condena postura de pastor que aparece em vídeo pedindo votos dentro de uma Igreja Universal

‘Acho que não se devia fazer nenhuma política dentro de igrejas’, disse o candidato do PRB

Crivella caminha na feira de Campo Grande (foto: Fabio Seixo / Agência O Globo)
Crivella caminha na feira de Campo Grande (foto: Fabio Seixo / Agência O Globo)

Rafael Galdo, em O Globo

Em caminhada com a militância do PT neste domingo em Campo Grande, na Zona Oeste, o candidato do PRB ao governo no Rio, Marcelo Crivella, condenou a campanha política dentro de igrejas. Num vídeo publicado neste fim de semana pelo GLOBO, um pastor da Catedral da Fé, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), em Del Castilho, aparece pedindo explicitamente, na antevéspera do primeiro turno, que os fiéis votassem em Crivella e em candidatos a deputado do PRB. O senador, no entanto, afirmou que “igreja não é lugar de pedir voto”.

– Acho que não se devia fazer nenhuma política dentro de igrejas. Eu não faço desde que me elegi. E, antes disso, também nunca fiz. Agora, compreendo. Está todo mundo muito revoltado com a questão da saúde, do transporte e, sobretudo, com a corrupção, com a roubalheira do governo. Então, às vezes, as pessoas extravasam aquilo que não deviam fazer. Eu não recomendo – defendeu-se Crivella, que na última semana tem sofrido ataques do seu adversário, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que o tem relacionado repetidamente à Iurd.

Na propaganda política na TV deste sábado, por exemplo, a aliança do peemedebista exibiu uma reportagem de 1995, do Jornal Nacional, da Rede Globo, em que o bispo Edir Macedo, líder da Iurd, aparece num vídeo amador orientando pastores sobre como proceder diante dos fiéis e arrecadar dinheiro dos religiosos. Macedo é tio de Crivella. E Pezão vem insistindo, neste segundo turno, em referências ao bispo, para vinculá-lo a seu opositor. O senador, no entanto, classificou o programa de TV como “baixaria”.

– Ele está tentando ganhar apelando, botando a mão na bola. São coisas de 15 anos atrás, já passadas e superadas – diz Crivella. – Acho que nem devo responder. Agora o povo vai responder nas urnas, porque tem horror à baixaria. Isso é choro – completou.

Por outro lado, Crivella voltou a ligar o peemedebista ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), chamando Pezão de “Cabrão”. E insinuou que o tom da campanha de seu adversário na segunda rodada do pleito é mais próprio de Cabral do que de Pezão.

– O Pezão acho até que reagiria melhor. Mas o Cabral não admite ficar agora sem os helicópteros e perder o dinheiro do governo para ir a Paris, fazer festas com guardanapos – disse o senador.

Durante a caminhada, numa feira em Campo Grande, tanto a militância do PT quanto a do PRB fizerem campanha também para a presidente Dilma Rousseff (PT), com músicas relacionando Crivella à petista. O senador novamente pediu votos à aliada. Ele já tinha feito um discurso na feira, sem citar Dilma, quando retornou ao microfone para falar sobre a postulante à reeleição, destacando o veto dela à redistribuição dos royalties do petróleo.

CANDIDATO DIZ QUE MANTERÁ O ‘RIO SEM HOMOFOBIA’

No dia em que ativistas LGBT convocaram, pela internet, uma parada gay não oficial em Copacabana (que ganhou o nome de I Nova Parada LGBT, com objetivo de exigir que os candidatos à Presidência se posicionem sobre temas como a criminalização da homofobia), Crivella também se comprometeu com a continuidade de programas e de direitos da população homossexual no Rio. Segundo ele, se eleito, vai manter o programa Rio Sem Homofobia, criado no governo Cabral para implementar a política LGBT no estado.

– Vou manter o programa Rio Sem Homofobia e todos os direitos, além de ser contra qualquer tipo de violência, seja física ou mesmo psicológica. Quero respeitar os homossexuais, assim como espero que eles me respeitem – disse Crivella, dias depois de lideranças da causa LGBT se articularem para pregar uma campanha contra o senador que, segundo eles, ameaçaria as conquistas obtidas pelo movimento nos últimos anos.

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Garotinho critica Crivella e diz que ele não lê a Bíblia

Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)
Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)

título original: Ataques de fé em nome do voto: Garotinho responde a crítica de Crivella

Marcelo Remigio, em O Globo

Com um discurso carregado de referências à Bíblia, o candidato do PR ao governo do Rio, deputado federal Anthony Garotinho, respondeu ontem ao adversário do PRB na disputa, senador Marcelo Crivella, que o acusou de ser culpado pelo aumento da violência em áreas onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Garotinho, que é evangélico, disse que o senador, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), mente e se comporta como “um fariseu” ao defender interesses materiais. Para ele, Crivella deixou de ler a Bíblia e deveria recorrer aos Dez Mandamentos, que proíbem a mentira.

“Crivella, numa linguagem bíblica, está atirando naquele que sempre lhe estendeu a mão e se comportando como um fariseu de olho apenas nos seus interesses materiais”, postou Garotinho em seu blog, numa referência aos fariseus, grupo judaico da época de Cristo citado em pregações, muitas vezes referentes à hipocrisia e ao orgulho. “Embora eu não seja bispo nem pastor, conheço bem a palavra de Deus, e jamais utilizaria os meios que Crivella vêm usando para atingir o poder. Ele tem se comportado como o rei Saul, um homem que, depois de ser abençoado por Deus, tornou-se ambicioso, e descumpriu as ordens estabelecidas pelo Senhor dos Exércitos”, atacou o ex-governador, que, em sua TV on-line, mantém um vídeo em que garante não misturar religião com política.

Para Garotinho, os 12 anos de Crivella no Senado deixaram o adversário sem tempo para ler a Bíblia: “Suas declarações são mentirosas. E falando a linguagem que o bispo da Universal entende, o pai da mentira é o diabo”, disparou no blog.

CRIVELLA LIDERA ENTRE OS EVANGÉLICOS

Garotinho e Crivella estão tecnicamente empatados nas pesquisas de intenções de voto e disputam o eleitorado evangélico. O ex-governador é fiel da Igreja Presbiteriana, que integra o núcleo de igrejas protestantes históricas. Já Crivella é um dos religiosos da Iurd, igreja evangélica neopentecostal, que prega a prosperidade.

Garotinho tem intensificado as críticas a Crivella e tenta evitar o crescimento do adversário entre o rebanho evangélico. Hoje, eleitores de denominações evangélicas respondem por um terço dos votos fluminenses. De acordo com pesquisa recente do Instituto Datafolha, encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S. Paulo” e divulgada no fim de julho (TRE-00009/2014), o candidato do PRB está à frente do ex-governador entre evangélicos. Crivella soma 35% dos votos dos evangélicos pentecostais, enquanto Garotinho tem 30%. Entre os neopentecostais a diferença é maior: 33% para Crivella e 23% para Garotinho. A margem de erro é de 3%.

“Outro dia, numa entrevista dada à (TV) Bandeirantes, o bispo da Universal Marcelo Crivella disse que o homossexualismo é pecado. E a mentira não é? Ele deveria ler os Dez Mandamentos. Um deles é ‘não mentir’. Ao cumprir a tarefa que o PMDB de Sérgio Cabral (ex-governador do Rio) e (Luiz Fernando) Pezão (candidato do PMDB a governador) lhe deu, ou seja, me atacar, ele descumpre outro mandamento bíblico: “Fazei o bem a todos, em especial aos irmãos da fé”, disse ainda Garotinho, em seu blog.

As acusações de Crivella contra Garotinho foram feitas durante sabatina do jornal “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, na última quinta-feira. De acordo com o senador, declarações de Garotinho contrárias às UPPs criam expectativas entre os bandidos e estimulam ataques às unidades: “Esses confrontos aumentaram sobretudo porque o Garotinho disse que ia acabar (com as UPPs), que a UPP era de lata, e isso acaba dando a esperança de que o cara (traficante) vai ser dono do morro. Nesses momentos da política, precisamos estar firmes. Se você hesitar, você já cria expectativas”.

Um dia antes, Garotinho disse, também em sabatina da “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, que pretende consertar o que está errado no modelo de Segurança Pública do atual governo. Segundo ele, “UPP não é sinônimo de pacificação”: “Eu nunca disse que vou acabar, mas a polícia não pode ser o único remédio para combater a criminalidade. Hoje, se vende a ideia de que somente UPP vai resolver o problema. Nós vamos consertar o que está errado na UPP, como esvaziar os batalhões do interior e mandar todo mundo para o Rio de Janeiro. Isso não dá. Vou fazer o batalhão de defesa social, modernizar a UPP. Não vou acabar com UPP nenhuma, vou fazer o batalhão de defesa social, uma evolução da UPP. O batalhão de defesa social é melhor do que a UPP”, afirmou, motivando a crítica de Crivella.

Crivella não comentou as críticas de Garotinho.

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Jornalista Ricardo Boechat é condenado por ofensas contra senador Roberto Requião

Osny Tavares, no UOL

O jornalista da Band Ricardo Boechat
O jornalista da Band Ricardo Boechat

O jornalista do Grupo Bandeirantes Ricardo Boechat foi condenado a seis meses e 16 dias de prisão por crime de calúnia contra o senador Roberto Requião (PMDB-PR). A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal do Fórum Regional de Pinheiros, em São Paulo. A juíza Aparecida Angélica Correa converteu a pena para três meses de trabalho comunitário.

Boechat foi condenado por comentário feito no dia 11 de maio de 2011 na Rádio Band News, onde ancora o noticiário matinal. Após reportagem sobre o incidente em que o senador pemedebista tomou o gravador das mãos de um repórter, Boechat acusou o senador de corrupção e nepotismo.

O jornalista fez acusações sobre a atuação do irmão do senador como gestor do Porto de Paranaguá e afirmou que a aposentadoria que Requião recebe como ex-governador do Paraná era “um roubo”.

No mesmo comentário, Boechat disse que Requião o perseguia por atribuir a ele a divulgação de uma notícia que acusava o político paranaense de haver violentado uma menor, e tratou de esclarecer que jamais havia feito tal afirmação.

Após a sentença, Requião comentou a vitória judicial em comentário gravado enviado a emissoras de rádio e órgão de imprensa: “Eu sou absolutamente a favor da liberdade de imprensa, mas a irresponsabilidade de alguns jornalistas tem que ser questionada e as pessoas devem ir à juízo. A juíza acertadamente converteu a pena em trabalho social. Preso numa cadeia brasileira, Ricardo Boechat com certeza ficaria junto com pessoas piores que ele, e poderia sair pior que entrou”.

Requião também defendeu a inclusão do direito de resposta na legislação brasileira. Nesta quinta-feira (8), pouco após saber da decisão, disse em discurso no plenário do Senado que trocaria a condenação pelo direito de resposta.

Um projeto de autoria dele tramita na Câmara e prevê que pessoas ou organizações citadas na imprensa teriam o mesmo espaço no veículo de comunicação para se defender, caso comprovem judicialmente a inverdade ou ofensa.

A Band, por meio da assessoria de imprensa, informou que vai recorrer da decisão.

Ao Portal Imprensa, Boechat declarou que mantém as declarações sobre o senador “Me avisaram que tinha uma condenação e o jurídico da Band vai recorrer. Não tem muito o que comentar, mas não mudo uma vírgula daquilo que eu disse”, disse o jornalista.

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De novo, Jader Barbalho foi o mais ausente no Senado

Peemedebista, que já havia sido o mais faltoso em 2012, não compareceu a quase 40% das sessões da Casa em 2013

Em 2012, Jader faltou a quase metade das sessões reservadas a votação no Senado
Em 2012, Jader faltou a quase metade das sessões reservadas a votação no Senado

Publicado no Congresso em Foco

Pelo segundo ano consecutivo, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) foi o campeão de faltas no Senado – somadas todas as ausências, justificadas ou não, excluídas as licenças médicas. Em 2013, o peemedebista paraense deixou de comparecer a 46 sessões (39%), 37 delas abonadas por algum tipo de licença. Ainda assim, um retrospecto melhor do que o de 2012, quando faltou a 57 (45%) das 126 sessões deliberativas. Os dados são de levantamento da mais nova edição da Revista Congresso em Foco, que já pode ser acessada por assinantes em sua versão digital ou comprada, em sua versão impressa, tanto pela internet quanto nas bancas.

Discreto desde que voltou à Casa há dois anos, Jader ainda não apresentou nem relatou qualquer projeto de lei ou proposta de emenda à Constituição no período, apesar de ter sido o segundo senador que mais gastou a verba para o exercício do mandato, o chamado cotão. O peemedebista também foi o terceiro em faltas injustificadas. Deixou sete sem explicações até o início de janeiro.

O segundo senador com mais ausências foi Zezé Perrella (PDT-MG), que deixou de comparecer a 39 sessões. Dessas, apenas três ficaram sem esclarecimento. Em novembro, a Polícia Federal apreendeu um helicóptero da família do pedetista com quase 500 kg de cocaína. O delegado que cuida do caso diz que não há qualquer indício de envolvimento da família com a droga apreendida. Mas o senador teve de subir à tribuna para se explicar.

Completam a relação dos senadores com mais ausências Roberto Requião (PMDB-PR), com 35 faltas, José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL), com 33 cada. Requião justificou todas as ausências. Collor e Sarney deixaram sem justificar duas e quatro, respectivamente.

Em resposta à reportagem, a assessoria de imprensa de Requião atribuiu as ausências do senador às suas atividades parlamentares fora do Brasil, em países como México e Polônia. Muitas das viagens, informou o gabinete, estavam relacionadas à sua função de vice-presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul) e, mais recentemente, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Sustentável da Eurolat, entidade que reúne parlamentares europeus e latino-americanos.

Sem justificativa

Entre os que mais tiveram faltas não justificadas, a primeira colocação ficou com o senador Lobão Filho (PMDB-MA), filho e suplente do senador licenciado Edison Lobão (PMDB-MA), atual ministro de Minas e Energia. Até janeiro, ele não havia explicado o motivo de 14 ausências do ano passado. O senador, no entanto, não aparece entre os mais faltosos. Esteve presente em 101 das 119 sessões.

Em 2011, Lobão Filho havia conquistado o ingrato troféu de parlamentar com mais faltas totais na Casa, mesmo ano em que sua mãe, Nice Lobão (PSD-MA), alegando problemas de saúde, foi a mais faltosa entre os deputados federais (leia mais). Naquele ano, o senador também se recuperava de um acidente automobilístico. Procurado, ele não retornou o contato da reportagem desta vez.

De acordo com os registros oficiais do Senado aos quais a revista teve acesso, o segundo senador em faltas injustificadas no ano passado foi o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A reportagem identificou dez sessões em que não houve o registro de comparecimento nem de esclarecimento sobre a ausência do peemedebista.

A assessoria de Renan reconhece a existência de apenas três faltas injustificadas e alega que as informações sobre o presidente do Senado são registradas à parte. “As presenças e faltas de presidentes do Senado são lançadas em separado dos demais senadores”, justifica a assessoria.

O curioso é que o nome do senador aparece 106 vezes na mesma relação de presença em que figuram os demais, publicada no Diário Oficial do Senado. Ou seja, ao menos no caso das presenças, não há distinção no registro entre o presidente e os demais senadores. Conforme revelou a Revista Congresso em Foco, o Senado mantém um relatório secreto com o quadro de comparecimento de cada parlamentar, mas restringe seu acesso ao próprio congressista. Uma prática bem diferente da Câmara, que permite ao eleitor acompanhar a frequência de seus representantes dia a dia. Quarto colocado entre os que não justificaram, Vicentinho Alves (SDD-TO) atribuiu suas ausências a compromissos partidários e com sua base eleitoral no Tocantins.

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