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Pai fotografa filho autista e cria laços entre os dois

Fotografia mostra universo infantil com sutileza e sensibilidade

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Publicado originalmente no Catraca Livre

O fotógrafo Timothy Archibald começou a fotografar o filho, Elijah, quando ele tinha cinco anos. As fotos colaborativas eram uma maneira de criar algo em comum e uma tentativa de entender um ao outro. Um pouco depois de começarem o projeto, o filho foi diagnosticado com autismo.

Segundo Archibald, o diagnóstico fez com que ele entendesse melhor o filho e surgiu a necessidade de criar uma ponte emocional entre os dois.  As fotos passariam a ter papel importante na relação e resultaram no livro “Echolila: Sometimes I Wonder”.

Na construção das fotos, os dois trabalham juntos, mas Archibald afirma que tenta deixar o filho com todo o processo criativo e o fotógrafo apenas opera a camêra. Depois,  eles redefinem e tentam melhorar as ideias das fotos. Nada é programado e Elijah costuma fazer coisas inesperadas.

Confira galeria abaixo.

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Show de insensibilidade (2)

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Sérgio Pavarinix

Recorrendo à sigla criada por Stanislaw Ponte Preta, continua o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) depois da tragédia no município gaúcho de Santa Maria.

Como ignorância escolhe seus amantes independentemente da religião (ao contrário do que muita gente preconceituosa pensa), ateus e evangélicos babacas beligerantes aproveitam o momento triste para se digladiar. Os que não creem provocam com ataques do tipo “onde estava o Deus de vocês ao permitir essa tragédia?”, questionamento debatido há zilhares de anos com + seriedade e profundidade. Sugiro pesquisar o termo “teodicéia” no pai Google pra começo de papo.

Do outro lado, cristãos ignoram tantas reflexões pertinentes sobre a dor (C.S. Lewis, por exemplo) e registram explicações rasas e equivocadas nas redes sociais. O que falar ao ler uma estupidez como “o diabo juntou tudo e fez a colheita”? Cada bola fora é imediatamente espalhada na tentativa de provar que todos os crentes são evanjegues parvos. Ao contrário do exame de sangue, nesse caso não é possível fechar diagnósticos com base em uma gota.

As sandices perpetradas por cristãos na área de comentários de sites e blogs e nas redes sociais agora têm espaço cativo no Deus perdoa, mas…, tumblr criado recentemente para listar “pérolas gospel”. Como também acontece com as jóias, certamente há muitas pérolas falsas circulando por aí.

A falta de noção sensibilidade de alguns repórteres também foi lembrada numa charge de Latuff.

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Tragédias são solo fértil para disseminar “teorias conspiratórias” e a criatividade dos chamados illuminatis sempre fornece adubo nesses momentos. Um blog insinua que o acontecimento foi um “sacrifício” e lista supostas coincidências. Pra ficar em apenas 1 exemplo, o arrazoado de sandices afirma que a última música tocada antes do incêndio foi “Die young”.

Imaginar que a banda Gurizada Fandangueira fez 1 cover “gaúcho” da música gravada por Ke$ha (entre outros) é ridículo irresponsável demais.Basta uma espiada no YouTube para conhecer o repertório dos caras.

Se o sofrimento é o “megafone de Deus” como afirmou Lewis, é hora de o rebanho brasileiro se submeter a uma audiometria para discernir qual é o seu papel na vida da nação.

dicas do Felipe Costa, João Marcos, Sidnei Carvalho de Souza e Vinícius Sena

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Cartaz da Banda "Gurizada Fandangueira" que estava tocando na noite da tragédia em Santa Maria, e o cidadão que soltou o sinalizador é esse que aparece ao lado do cartaz, se você tiver um pouquinho de sensibilidade espiritual, olhe ao redor da caveira tocando, cheio de pessoas em meio ao fogo, isso já estava mais que avisado que alguma coisa iria acontecer. Meu Deus... (post no perfil de um pastor)

Cartaz da Banda “Gurizada Fandangueira” que estava tocando na noite da tragédia em Santa Maria, e o cidadão que soltou o sinalizador é esse que aparece ao lado do cartaz, se você tiver um pouquinho de sensibilidade espiritual, olhe ao redor da caveira tocando, cheio de pessoas em meio ao fogo, isso já estava mais que avisado que alguma coisa iria acontecer. Meu Deus… (post no perfil de um pastor)

Daniel Rocha, o Roni de Avenida Brasil: “Tenho minha fé, porém sou um artista”

Ator brilha no horário nobre | Foto: João Laet / Agência O Dia

tíulo original: Daniel Rocha diz que as periguetes não fazem seu tipo

Paulo Ricardo Moreira, em O Dia Online

Rio -  A polêmica sobre a sexualidade de Roni, vivido por Daniel Rocha em ‘Avenida Brasil’, tem atiçado a imaginação e o desejo das mulheres … E dos homossexuais também! Não bastasse o assédio de meninas, que querem dar um trato no marido de Suelen (Isis Valverde) e “ajudá-lo” a virar hétero, o ator paulista, de 21 anos, tem recebido cantadas de homens que se identificam com o jeito fofo, sensível e romântico do craque de bola do Divino, e torcem por um possível romance entre Roni e o melhor amigo, Leandro (Thiago Martins).

“São cantadas educadas, os homens me respeitam mais do que as mulheres. As meninas atacam, arranham, puxam o cabelo. Quando vou jogar futebol beneficente no interior, saio com a roupa toda rasgada”, conta Daniel. Ele tem uma teoria: “Isso só acontece com ator. Bota uma atriz linda e gostosa e vê se os homens a atacam? Eles são mais respeitosos”.

Apesar da paixão reprimida por Leandro, Roni ainda não assumiu sua opção sexual. Mas seu intérprete torce, sim, para que o filho do machão Diógenes (Otávio Augusto) se declare e fique com o jogador no final. “Para mim, como ator, é mais interessante, desafiador, que Roni termine com Leandro. Não sei se ele é gay, mas também acho que, dramaturgicamente, essa dúvida sobre a sexualidade é melhor do que ter a certeza”, diz.

Se rolar beijo gay, Daniel já se prontificou a fazer, sem problemas. Mas será que o público está preparado para assistir à cena de dois homens se beijando na TV?

“É ingenuidade achar que não existe racismo e preconceito. Qual seria a reação de um pai com seu filho que visse na novela um personagem anunciando sua sexualidade? Ainda é um problema social e cultural, porque viemos de uma geração machista. Isso pesa muito”, analisa ele. “Tenho amigos gays que namoram, mas não assumem sua sexualidade para a família. Gostam do Roni porque ele não tem o estereótipo, não é caricato. Tem sensibilidade, mas não é frágil”, completa.

Na trama de João Emanuel Carneiro, Roni, Suelen e Leandro estão vivendo juntos sob o mesmo teto. Daniel acha interessante mostrar essa ousada relação a três na novela, mas não assumiria um triângulo amoroso na vida real: “Deixo esse tipo de relação para os personagens”. A surpresa ao descobrir que o pé é o ponto fraco do rapaz não mudou sua visão por essa parte do corpo. “Nunca reparei em pés, nem olho!”, garante, aos risos. Mas ele revela o que observa primeiro no corpo de uma mulher: “Os olhos… Dizem muitas coisas”.

A química com Isis Valverde, diz o ator, foi conquistada com o tempo. “Acho fundamental ter essa sintonia. Criamos uma relação de amizade e respeito. A gente preserva muito isso para fazer a cena da melhor maneira possível”, explica. Nem as cenas de sexo com a periguete mais desejada do Divino abalam os nervos do ator. “Para mim, só é complicado por causa da construção do personagem, da dúvida sobre a sexualidade. Mas sou experiente em teatro. Já perdi um pouco desse pudor e timidez”, frisa o ator, que passou três anos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), grupo experimental comandado por Antunes Filho, em São Paulo.

Além da formação nos palcos, ele busca inspiração em dois ídolos do cinema: Marlon Brando e James Dean. “Vejo e copio o jeito deles. São escolas que me ensinam muito. Acho Marlon um ótimo ator. Espero que um dia chegue a ser um Marlon Brando. Ele tira coelho da cartola o tempo todo, é gênio!”, derrama-se.

Solteiro, Daniel tem aproveitado para curtir a vida no Rio, onde mora há seis meses e pretende fixar residência. Quando não grava no dia seguinte, gosta de sair à noite com amigos do elenco. Sobre paquera, ele se diz um pouco tímido. “Ainda estou me adaptando ao assédio. Tem que ter um pouco de jogo de cintura. Mas é difícil encontrar alguém que goste das mesmas coisas que eu, que tenha afinidade. Se eu chamar a pessoa para ir ao cinema e assistir a um filme em preto e branco, francês, ela vai querer? Tem que ter química, encaixar. Por isso estou solteiro”, argumenta ele, que terminou há três meses o namoro com a atriz paulista Monizza, 18. “Não estou à procura. Agora, estou focado na novela, no meu crescimento profissional”, decreta.

E para acabar com a curiosidade de muita gente, ele entrega: “Nunca namorei uma periguete como a Suelen. Nem faz o meu tipo, né?”.Evangélico, o ator não mistura a religião com a profissão. “Tenho minha fé, porém sou um artista”, diz ele, que estudou violino por dez anos. Se na novela bate um bolão no Divino, na real ele arrasa nos ringues. É campeão panamericano, sul-americano, brasileiro e paulista de kickboxing, luta que pratica desde os 15 anos e hoje virou hobby, além do surfe. “Comecei a lutar para me defender na escola, era muito magrinho e levava a pior no jogo. Não gosto de futebol”, conta o ator.

Foto: João Laet / Agência O Dia

 

Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião

Herton Escobar, no Estadão

Pesquisa revela que a maioria dos estudantes do ensino médio não vê a fé como barreira à aceitação da teoria evolutiva de Darwin

A maioria dos jovens brasileiros vive em paz com suas crenças religiosas e a ciência da teoria evolutiva. Tem fé em Deus e, ao mesmo tempo, concorda com as premissas estabelecidas por Charles Darwin mais de 150 anos atrás, de que todas as espécies da Terra – incluindo o homem – evoluíram de um ancestral comum por meio da seleção natural. É o que sugere uma pesquisa realizada com mais de 2,3 mil alunos do ensino médio no País, coordenada pelo professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Futuro? Uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência / Marcos Müller/AE

A conclusão flui de um questionário sobre religião e ciência respondido por estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do País, com média de 15 anos de idade. A base de dados e a metodologia usadas na pesquisa foram as mesmas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), segundo Bizzo, para garantir que os resultados fossem estatisticamente representativos da população estudantil brasileira. “É o primeiro dado com representatividade nacional sobre esse assunto para esta faixa etária”, diz o educador, que apresentou os dados pela primeira vez neste mês, em uma conferência na Itália.

“Ainda vamos fracionar e analisar mais profundamente as estatísticas, mas já dá para perceber que os alunos religiosos brasileiros são bem menos fundamentalistas do que se esperava”, avalia Bizzo, que também é formado em Biologia e tem livros e trabalhos publicados sobre a história da teoria evolutiva. “É surpreendente. Algo que sugere que no futuro teremos uma população com uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência.”

Aos 15 anos, diz Bizzo, os jovens estão passando por uma fase de definição moral, em que consolidam suas opiniões sobre temas fundamentais relacionados à ética e à moralidade. “É um período crucial. Dificilmente os conceitos de certo e errado mudam depois disso.”

O questionário apresentava aos alunos 23 perguntas ou afirmações com as quais eles podiam concordar ou discordar em diferentes níveis. Mais de 70% disseram que se consideram pessoas religiosas e acreditam nas doutrinas de sua religião (52% católicos e 29% evangélicos, principalmente, além de 7,5% sem religião). Ao mesmo tempo, mais de 70% disseram que a religião não os impede de aceitar a evolução biológica; e 58%, que sua fé não contradiz as teorias científicas atuais. Cerca de 64% concordaram que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.

Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”.

Sensibilidade. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que nenhuma das respostas que seriam consideradas fundamentalistas, do ponto de vista religioso, ultrapassam a casa dos 29%, porcentagem de entrevistados que se declararam evangélicos (denominação em que a rejeição à teoria evolutiva costuma ser mais forte). Apenas em dois casos elas ultrapassam 20%: entre os alunos que “discordam totalmente” que o ser humano se originou da mesma forma que as outras espécies (24%) e que os primeiros seres humanos viveram no ambiente africano (26%).

“A porcentagem dos que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos da amostra, o que é uma surpresa, já que os evangélicos no Brasil costumam ser os mais fundamentalistas na interpretação do relato bíblico”, avalia Bizzo. “A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos. Mesmo assim, os dados mostram que a juventude brasileira é sensível aos produtos da ciência.”

Divulgada em 1859, com a publicação de A Origem das Espécies, a teoria evolutiva de Charles Darwin propõe que todos os seres vivos têm uma ancestralidade comum, e que as espécies evoluem e se diversificam por meio de processos de seleção natural puramente biológicos, sem a necessidade de intervenção divina ou de forças sobrenaturais – um conceito amplamente confirmado pela ciência desde então.

Apesar de ser frequentemente (e erroneamente) resumida como “a lei do mais forte”, a teoria evolutiva é muito mais complexa que isso. A Origem das Espécies tinha 500 páginas, e Darwin ainda considerava isso muito pouco para explicá-la. Desde então, com o surgimento da genética e o desenvolvimento de várias outras linhas de pesquisa evolutiva, a complexidade da teoria só aumentou, dificultando ainda mais sua compreensão – e, possivelmente, sua aceitação – pelo público leigo.

“O problema é que a maioria dos estudantes – ainda mais com 15 anos – não tem muita clareza sobre o que está envolvido na teoria darwiniana. Com isso há o potencial de surgirem respostas contraditórias”, avalia o físico e teólogo Eduardo Cruz, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Isso não tem a ver com a qualidade da pesquisa, mas com a pouca compreensão de temas tanto científicos quanto teológicos. Além do que, quando se trata de perguntas que envolvem a intimidade das pessoas, as respostas nem sempre são confiáveis. É como perguntar a rapazes de 15 anos se ainda são virgens.”

Aceitação. Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina. Os dados também mostram que a aceitação da teoria evolutiva cresce de acordo com a renda e a escolaridade das pessoas – o que pode ou não estar relacionado a uma melhor compreensão da teoria.

“Há uma discussão se a aceitação depende do entendimento, e uma análise mais precisa será realizada, mas uma análise superficial dos dados não encontrou essa correlação”, afirma Bizzo sobre sua pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Faculdade de Educação da USP. “Há indícios de que a compreensão básica seja acessível a todos e que a decisão de concordar que a espécie humana surgiu como todas as demais não depende de estudos aprofundados na escola.”

Para a filósofa e educadora Roseli Fischmann, os resultados da pesquisa são “compatíveis com a capacidade dos jovens de viver o mundo de descoberta da ciência sem abalar sua fé”.

“A fé, se bem sustentada, não é ameaçada pelo conhecimento científico”, diz Roseli, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista e professora da USP. “Sozinhas, nem a ciência nem a religião garantem que o ser humano seja bom e que o bem comum seja alcançado. É preciso a presença da ética, do respeito a todo ser humano, da consciência da responsabilidade individual na construção do bem comum.”

Pensar de forma analítica reduz fé em Deus, diz estudo

Pensar de maneira mais analítica induz as pessoas a acreditar menos em Deus, segundo um estudo publicado na edição passada da revista Science. Os pesquisadores, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, submeteram cerca de 180 alunos de graduação a uma bateria de testes e questionários e descobriram que, ao forçar os estudantes a pensar de forma mais analítica sobre algum assunto, esse raciocínio influenciava a sua fé, tornando-os menos religiosos.

Acredita-se que o cérebro humano tem dois “modus operandi” para processar informações e tomar decisões: um mais intuitivo e outro mais analítico. Os resultados do estudo sugerem que a religiosidade flui do modo intuitivo e perde força à medida que as pessoas são forçadas a pensar de modo mais analítico.

Em um dos testes aplicados, os alunos eram apresentados com problemas matemáticos que tinham uma resposta intuitiva errada e uma resposta analítica correta. Depois, respondiam a um questionário sobre sua fé e religiosidade. Os alunos que resolviam os problemas de forma analítica relatavam acreditar menos em Deus.