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“Foi um momento de profunda emoção”, diz Paulo Coelho sobre Springsteen ter tocado “Sociedade Alternativa”

Autor da letra do sucesso de Raul Seixas, o escritor se diz fã do norte-americano; assista ao vídeo com a execução da música em São Paulo

foto: Roberto Larroude

foto: Roberto Larroude

Publicado na Rolling Stone

A surpresa da plateia do Espaço das Américas, em São Paulo, na última quarta-feira, 18, era clara quando Bruce Springsteen e a E Street Band chegaram ao refrão de “Sociedade Alternativa”, lançada por Raul Seixas em Gita(1974) – cantada em português decorado e com um arranjo de metais.

O momento também surpreendeu o autor da letra da música, o escritor Paulo Coelho. “Foi um momento de profunda emoção”, contou à Rolling Stone Brasil por email. “Uma música que fizemos em 1974, e que é mais atual que nunca.”

Coelho também diz ser admirador não apenas da obra de Springsteen, que se apresenta nesta sábado, 21, no Rock in Rio. “Não apenas gosto, como admiro o ser humano que é, profundamente comprometido com o ser humano e o planeta.”

Assista ao vídeo de “Sociedade Alternativa” executado por Bruce Springsteen em São Paulo, na quarta-feira, 18:

A única coisa que importa saber

Para aqueles que conhecem a Deus, basta-lhes o dom de um dia o haverem conhecido. Esses servem a Deus por nada. Para eles tudo já está feito. Sim, esses são prósperos até quando passam fome.

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Caio Fábio

Deus é amor. E amor é o que todo ser humano quer. Portanto, quando alguém quer amor/amor, tal pessoa quer Deus, mesmo que não saiba.

Assim é que João, um dos apóstolos de Jesus, já idoso, mais ou menos aos 90 anos de idade, resumiu tudo o que de Deus em Cristo Jesus aprendeu e apreendeu, apenas dizendo:

Deus é amor. Quem ama é nascido de Deus e naturalmente conhece a Deus. Mas como Deus é amor e tanto Deus quanto o amor são invisíveis e inconfináveis, o único modo de se expressar o amor a Deus e à tudo quanto seja Vida em Deus, é amando o próximo e a toda a criação do Criador/Pai.

Desse modo é que se pode dizer que se Deus tem uma religião, ela tem apenas Um Dógma: amor segundo Deus.

Ora, o amor segundo Deus é entrega. Para Deus amar é dar vida e até a própria vida!

Entretanto, esse amar/dar/vida só se torna significativo no encontro do homem com outro humano ou com outra criatura, ainda que menor supostamente na percepção do existente.

O homem não tem como amar a Deus sem ser através do próximo!

Eu só expresso amor se minha vida for uma dádiva ao mundo no qual eu habito; seja esse mundo do tamanho que seja; grande ou pequeno; ou mesmo ínfimo.

Não adianta amar o Infinito se não se ama o finito!

O amor ao Infinito só é possível aos humanos como amor ao finito!

Afinal, de acordo com o espírito do Evangelho, quem não ama o pequeno, não ama o grande, assim como quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito.

Desse modo se reconhece um filho de Deus: pela sua existência em estado de entrega ao amor como serviço sincero aos vivos e à vida.

E para que isto aconteça basta que a pessoa se dê em amor onde quer que esteja!

Em certas pessoas isto só acontece quando são chocadas pela pregação do Evangelho e se convertem. Há outras, todavia, que nunca tiveram essa informação, mas cresceram segundo o caráter dela, da informação. Com certeza apenas por causa de um segredo de Deus inexplicavelmente falado no silêncio de seus corações sinceros. Esses são os filhos de Deus que os religiosos insistem em chamar de “criaturas” de Deus, a fim de diferenciar um humano do outro; ou seja: o religioso do não religioso, ou do indiferente à religião.

O Pai, no entanto, sabe quem são os Seus filhos apenas e tão somente pela prática da fé que atua pelo amor, mesmo que tal fé na vida em amor não decorra de um ensino direto do corpo organizado do Evangelho.

Ora, isto é tudo que os “crentes” não gostam, ou mesmo abominam. Sim, pois tal liberdade de Deus lhes mata o discurso de “poder e detenção” da verdade e de sua aplicação “conquistadora” na existência do próximo.

Foi por esta razão que alguns entenderam no passado que a igreja — como ente social e visível — tem a muitos que Deus não tem; ao mesmo tempo em Deus tem muitos que a igreja não permite entrar.

Ou seja: a igreja pode estar cheia de gente sem Deus, enquanto Deus é Deus de muita gente sem “igreja”!

Nele, porém, todos os que são do amor, são da Igreja!

Nele, do mesmo modo, todos os que não são do amor, não são Dele; ainda que tenham igreja entre os homens.

É esta realidade prática do amor como confissão encarnada da fé que os “crentes” abominam; pois é melhor dizer que se crê num corpo de doutrinas do que entregar o corpo/ser para ser a encarnação do dogma de Deus: o amor.

Se o Evangelho não produz esse fruto em mim, saiba: é porque em mim o Evangelho de Deus não habita… ainda.

fonte: site do Caio Fábio

Essa animação vai te deixar com vergonha de pertencer à raça humana

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Jaque Barbosa, no Hypeness

Todos os seres existentes no planeta possuem características específicas que permitem que eles sobrevivam em meio às diversidades. Nós humanos não somos velozes, nem muito grandes ou fortes, nem expelimos um veneno mortal quando estamos nervosos – mas, em contrapartida temos um cérebro mais desenvolvido do que os outros animais. Por esse motivo, muitas vezes fazemos um julgamento equivocado, nos considerando superiores aos outros seres vivos. Concedemos a nós mesmos o direito de explorar, de matar, de dominar e achamos isso normal – afinal, somos nós que ditamos as regras e a situação é confortável (já viu político reclamar do aumento de salário votado por eles mesmos?).

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E nessas, o ser humano conseguiu trazer muitas evoluções, mas também trouxe mais destruição do que qualquer outro ser que já habitou a Terra. O modelo capitalista não funciona sem progresso, e progresso significa fazer tudo em nome de mais dinheiro. Inclusive abusar do planeta e acabar com recursos que jamais voltarão. Talvez seja um pensamento um pouco pessimista demais, mas a impressão que temos é que os humanos não vão parar. Ainda sim, cabe a nós que não compactuamos com esse sistema de destruição, continuar na luta da forma que conseguirmos.

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Por isso, hoje trouxemos um vídeo chamado “Man” [que inclusive, muita gente já viu - só o vídeo original no youtube já acumula mais de 3.369,385 views], que é uma animação feita pelo ilustrador londrino Steve Cutts, e que retrata bem a relação da humanidade com os outros habitantes do planeta e com o meio ambiente. O curta de menos de 4 minutos vai mostrando com genialidade várias atrocidades cometidas por nós, humanos, e que passam despercebidas por já fazerem parte do sistema – daí o título provocativo desse artigo, que pode te deixar com vontade de pertencer a uma outra espécie por alguns instantes. Assista:

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“Abraço final”: Conheça a história por trás da foto mais perturbadora da tragédia em Bangladesh

Para Taslima Akhter, a foto mostra que os quase mil mortos na tragédia não são apenas números, mas vidas tão valiosas como a de qualquer ser humano

"Abraço Final", fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

“Abraço Final”, fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

Publicado originalmente no Terra

A fotógrafa e ativista bengalesa Taslima Akhter percorria os escombros do prédio em situação irregular que desabou em Savar, nos subúrbios de Daca, capital de Bangladesh, no dia 24 de abril, quando se deparou com o casal da foto acima. Desde então, essa foto a assombra. Não exatamente pelo que a imagem mostra à primeira vista, mas pelo que só é possível sentir quando se sabe o contexto que envolve a tragédia ocorrida em uma fábrica de roupas e cujo número de mortos já se aproxima de mil.

Em um texto publicado dia 8 no site da revista americana Time, Akhter afirmou que o que a aterroriza nessa imagem é, na verdade, sua capacidade de dizer o que muitas vezes é ignorado em acontecimentos dessa natureza em Bangladesh: o fato de que os operários que trabalham sob as péssimas condições oferecidas pela indústria têxtil do país não são apenas números. São seres humanos cujas vidas valem tanto quanto as de qualquer outra pessoa.

Não por acaso a Time classificou a foto tirada por Akhter como a “mais perturbadora” da tragédia em Bangladesh, a mais representativa de uma cobertura fotográfica marcada por imagens fortes, como é possível observar na galeria dispónível ao final desse texto.

O Terra entrou em contato com Akhter, que cedeu a imagem do “Abraço Final”. Abaixo, a tradução do texto publicado na Time.

Eu venho fazendo muitas peguntas a respeito do casal que morreu abraçado após o colapso. Eu tentei desesperadamente, mas ainda não achei nenhuma pista a respeito deles. Eu não sei quem são ou qual a relação eles tinham. 

Eu passei o dia inteiro do desabamento no local, assistindo aos trabalhadores serem retirados das ruínas. Eu lembro do olhar aterrorizado dos familiares – eu estava exausta mental e fisicamente. Por volta das 2h, encontrei um casal abraçado nos escombros. A parte inferior dos seus corpos estava enterrada sob o concreto. O sangue que saía dos olhos do homem corria como se fosse uma lágrima. Quando os vi, não pude acreditar. Era como se eu os conhecesse – eles pareciam ser muito próximos a mim. Eu vi quem eles foram em seus últimos momentos, quando, juntos, tentaram salvar um ao outro – salvar suas vidas amadas.

Cada vez que eu olho para essa foto, me sinto desconfortável – ela me assombra. É como se eles estivessem me dizendo, nós não somos um número – não somos apenas trabalho barato e vidas baratas. Nós somos humanos como você. Nossa vida é preciosa como a sua, e nossos sonhos são preciosos também. 

Eles são testemunhas nessa história cruel. O número de mortos agora passa de 750 (nesta quinta-feira, já chega a quase 1000). Que situação desagradável nós estamos, onde humanos são tratados apenas como números. 

Essa foto me assombra todo o tempo. Se as pessoas responsáveis não receberem a punição merecida, nós veremos esse tipo de tragédia de novo. Não haverá consolo para esses sentimentos horríveis. Cercada de corpos, eu senti uma imensa pressão e dor nas duas últimas semanas. Como testemunha dessa crueldade, tenho necessidade de compartilhar essa dor com todos. Por isso eu quero que essa foto seja vista.