Como o seu cérebro manipula você no quesito “paixão”

Ana Carolina Prado, na Super Interessante

Já parou para pensar o que, exatamente, faz com que você se sinta atraído (a) por certas pessoas mesmo sem conhecê-las direito? Ou por que aquela mulher ou aquele cara que você viu de relance parece muito mais bonita (o) do que realmente é?
Tudo isso pode ser explicado com base no funcionamento “secreto” do nosso cérebro – ou seja, toda aquela atividade que não chega até a nossa consciência.
No livro “Incógnito – A vida secreta do cérebro”, o neurocientista David Eagleman conta que realizou um experimento no qual exibiu lampejos de fotos de homens e mulheres a voluntários e pediu a eles que as classificassem quanto ao seu grau de atração. Depois, eles ainda as classificaram uma segunda vez, mas levando o tempo que quisessem para analisá-las.
O resultado mostrou que as pessoas eram sempre julgadas mais bonitas quando vistas de relance do que quando eram melhor analisadas. Isso é algo que provavelmente já aconteceu com você. Por exemplo, quando vê de relance um amigo conversando com outras pessoas e percebe que, no grupo dele, está uma mulher linda. Quando para parar falar com eles, porém, você descobre que ela estava longe de ser aquele poço de formosura que você havia inicialmente vislumbrado.
Estudos como o de Eagleman têm mostrado que esse tipo de engano é mais comum em homens do que em mulheres, provavelmente porque a avaliação que eles fazem do que é atraente se baseia mais fortemente em fatores visuais.
Mas por que isso acontece? Por que nosso cérebro sempre erra para o lado de acreditar que as pessoas são muito mais bonitas, em vez de simplesmente calcular a beleza na média?Segundo o neurocientista, isso se deve às exigências da reprodução. Expliquemos melhor: para nós, supostamente é melhor julgar um parceiro em potencial como sendo inicialmente maravilhoso porque, para comprovar ou negar isso, basta dar uma segunda olhada e pronto. No entanto, se a pessoa fosse linda e você a julgasse como sendo feia de relance, iria perder o interesse – e poderia perder a chance de ter um possível futuro genético promissor. Ou seja, para não correr o risco de perder um parceiro em potencial, o palpite é sempre para o lado positivo.

Eagleman cita outros estudos que mostraram que homens acham mais atraentes fotos de mulheres com as pupilas dilatadas, embora esse fosse um detalhe extremamente sutil e imperceptível pela consciência. Mas há um detalhe: os homens não sabiam, mas pupilas dilatadas indicam interesse sexual (pode reparar, suas pupilas provavelmente ficam maiores quando você está olhando para a pessoa em quem está atraído).
Por que isso acontece? Seu sábio cérebro captou esse sinal de receptividade muito antes de sua consciência e já lançou a mensagem para você: “essa pessoa vale a pena, invista nela!”. E aí ela passa a ser vista como atraente.

O que dançarinas de boate nos ensinam sobre o cérebro

A atração que outras pessoas exercem sobre nós também se adapta às circunstâncias. No reino animal, a fêmea dá sinais claros de que está no cio. As fêmeas dos babuínos, por exemplo, ficam com o traseiro com um rosa vivo que é entendido pelos machos como um convite claro para o acasalamento.

Entre os humanos, apesar de não ocorrer nada assim tão claro, as mulheres também são consideradas mais bonitas quando estão no período fértil. “Isso é verdadeiro tanto quando ela é julgada por homens quanto por mulheres, e o efeito funciona mesmo quando o teste é feito por fotos”, explica Eagleman. Ou seja, não depende da forma como ela age – somente de sua aparência.
Ainda não se sabe que sinal é esse que elas transmitem. Pode ter algo a ver com a tonalidade de sua pele, que muda durante essa época, ou ao fato de suas orelhas e seios ficarem mais simétricos. Nossa consciência não sabe ainda o que é – mas o cérebro sim.
E isso é um efeito mensurável. Cientistas do Novo México descobriam que dançarinas de boates locais ganhavam uma média de 68 dólares por hora em seu pico de fertilidade, enquanto as que estavam menstruando ganhavam apenas 35. A média geral era de 52 dólares.
Isso mostra que o poder da atração, apesar de estar além do nosso alcance consciente, já está determinado neurologicamente. O cérebro é muito bom na detecção de dicas sutis. Se você for medir as feições de uma pessoa que acha bonita com a de alguém que não acha, verá que a primeira apresenta uma simetria maior, mas que é tudo extremamente sutil. Um alienígena ou uma barata jamais entenderiam a diferença, assim como nós não saberíamos diferenciar um ET ou barata bonitos de outros feios. Para nós, eles têm todos a mesma cara – mas pesquisadores de baratas garantem que cada uma delas possui um rosto com traços particulares.
As pequenas diferenças em nossa própria espécie têm um efeito intenso no nosso cérebro, que está equipado para a seleção e busca de um parceiro. E, como escreveu David Eagleman, “tudo isso ocorre sob a superfície de nossa consciência – nós simplesmente desfrutamos das sensações agradáveis que borbulham dela.”

 

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Brasileiros criam rede social que ajuda a realizar sonhos

Publicado por AdNews

Realize seu sonho / FOTO: Divulgação

Está no ar uma rede social que promete ajudar os internautas a realizarem seus sonhos. O site, que recebeu o nome de Dreabe, ainda nem foi lançado oficialmente, mas já conta com mais de 4 mil usuários, os “dreabers”.

O serviço foi idealizado pelos irmãos Djeison e John Moreira, que se uniram a um terceiro investidor para montar a empresa, sediada em Curitiba (PR). A versão beta está em funcionamento desde o dia 1º de março.

Após o cadastro, o usuário preenche um perfil e detalha suas vontades, que poderão ser realizadas por outras pessoas. No perfil, ele define três sonhos e, em seguida, os outros usuários poderão classificá-los entre: nobre, legal, criativo ou pesadelo. A cada avaliação, aumenta a popularidade e o sonho passa a ser visualizado por mais pessoas. No caso de “pesadelo”, ele naturalmente será deixado de lado e perde a visibilidade.

É possível realizar sonhos de três formas: realização total, quando você identificou um sonho e pode torná-lo real sozinho; realização parcial, em que você pode ajudar, porém não completamente, e indicando alguém (eu sei quem pode ajudar). Nas três opções, é preciso escrever como a pessoa pretende realizar o sonho e enviar uma proposta para que o sonhador aceite.

Alguns sonhos já foram realizados, desde empregos a viagens. Djeison estima alcançar 100 mil usuários em seis meses, realizando mais de 30 mil sonhos. O lançamento da versão oficial está previsto para acontecer em junho de 2012.

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Eu não vou me adaptar

Publicado por Revista Missões

“Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia/ Eu não encho mais a casa de alegria,
Os anos se passaram enquanto eu dormia / E quem eu queria bem me esquecia…
Será que eu falei o que ninguém ouvia? / Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar… Me adaptar… Me adaptar…
Eu não tenho mais a cara que eu tinha / No espelho essa cara não é minha,
Mas é que quando eu me toquei achei estranho / A minha barba estava desse tamanho”.
(Titãs, letra e música de Arnaldo Antunes)

Imagem: Google

Esta canção, composta por Arnaldo Antunes e interpretada pelo grupo musical Titãs, deixa transparecer um mal estar indefinido, nebuloso. O personagem anônimo da canção faz supor a ideia de um descompasso entre a evolução sociocultural e o crescimento pessoal. Um desencontro que deixa feridas abertas e profundas. Aquele que era o “brinquedo animado” da família enquanto criança torna-se, na passagem para a juventude, um verdadeiro “problema”. Eu não encho mais a casa de alegria!…

A música é um grito! Um grito de quem se sente um estranho, tanto diante da sociedade em seu ritmo alucinado, quando no interior da própria casa. Clamor sem nome e sem remédio que brota atualmente do clima de não poucas famílias, em especial nos porões e periferias das grandes metrópoles. Gritos de uma rebeldia insuspeitada, com destaque para a situação dos jovens e adolescentes. Uma estranheza pungente e dolorida, descoberta frente a si mesmo. No espelho eu não tenho a cara que eu tinha, essa cara não é minha!…

Consciente ou inconscientemente, o compositor alerta para um progresso díspar, tão marcante na trajetória histórica brasileira. Por um lado, crescem vertiginosamente a produção, o comércio e o consumo. Torna-se mais fácil o acesso a uma série de bens, os quais costumam ser adquiridos com a mesma velocidade com que, em seguida, são banalizados e banidos. Multiplicam-se os itens do lixo com utensílios descartados antes mesmo de ser utilizados, ou até desembalados. Não faltam coisas, mas estas escondem uma espécie de existência sem-sentido.

Por outro lado, esse progresso técnico, por uma parte, e o crescimento físico do indivíduo, por outra, encontram-se em profunda disparidade com um amadurecimento afetivo e emocional, psíquico e espiritual. Subitamente, eu não caibo mais nas roupas que eu cabia… Enquanto mundo ao redor caminha a passos largos, geometricamente, a maturidade individual parece avançar de forma lenta, aritmeticamente. Ambas as esferas seguem órbitas diferentes e paralelas. Criam-se linguagens desconectadas, uma de costas para a outra. Rompe-se a possibilidade de qualquer diálogo.

Essa sensação de “estrangeiro no próprio país, falta de cidadania ou de órfão em sua casa”, que vem à tona em forma de melodia-protesto, na maior parte das vezes permanece silenciosa ou silenciada. Grito estrangulado, engolido a seco ou com as lágrimas amargas do abandono, da solidão e da impotência. E acaba gerando sintomas de uma enfermidade generalizada, um novo “mal estar da civilização” para ater-se à expressão de Freud.

Os resultados costumam ser altamente nefastos e irreversíveis. Diante do descaso da saúde pública e da sociedade como um todo, os jovens em geral buscam alternativas no álcool e no cigarro, no crack ou em outras drogas, no sexo fácil ou na violência gratuita. Gemidos isolados de vozes mutiladas, que dizem o que ninguém ouve e escutam o que ninguém diz!…

Disso resulta a dificuldade de adaptar-se, refrão da música. Como se os anos tivessem passado, enquanto eu dormia!… Uma avalanche de coisas, fatos, relações e novidades, em ondas cada vez mais numerosas e poderosos, atropela o ritmo dos pés, do coração e da alma humana. De repente, sentimo-nos como tartarugas, ultrapassadas pelas passadas quilométricas de um gigante chamado Tempo. Impossível mastigar, engolir, digerir e ruminar tudo o que se vê e se ouve, ou tudo o que ocorre em volta. Mais fácil, infinitamente mais fácil, buscar um analgésico… Coisa que não falta nas farmácias de cada esquina!

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