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Mãos de joalheiro

Ricardo Gondim

Dentre todos os medos, assombro-me em virar um homem de palavras ríspidas e de textos cínicos. Quero, na página, a mesma atitude de minhas reações quando estou perto de gente. Se perco a beleza da doçura, sinto-me péssimo – pretendo continuar assim se não for íntegro ao redigir qualquer coisa. Ao desconsiderar a sensibilidade que um dia afirmei e por não conseguir renová-la diante do meu próximo, faço-me menos que homem; flagelo-me; nado em culpa.

Ao escrever, desejo aproximar-me de pessoas com a reverência dos monges quando entram em um lugar sagrado. A história de cada um tem nuances que merecem pausa. Para abrir os livros da vida individuais são necessárias mãos de joalheiro. Se falho em detectar diferença entre decência e cretinice, bondade e oportunismo, sei que meu caminhar é decadente. Cada existência é por demais preciosa, e para conhecer, só se tornando místico. Então que nossas relações se construam baixas, graves, suaves – num pianíssimo musical.

No inicio de toda conversa, nossas percepções são traspassadas pelo susto. Depois prosseguem na calmaria da lealdade. Mas só é possível nos conhecer se levarmos conosco bandeiras brancas. Sem nunca nos esquecermos de deixar a porta aberta para que o outro diga, reaja, conceitue, sobre qualquer atitude que conspire contra a amizade que se constrói.

Guardo feridas narcísicas. Uma delas tem a ver com o pavor de achar-me inconveniente. Meu pai nos disciplinou com rigor. Apanhei de cinturão por bobagens. Desse rigor, desenvolvi um medo de falar à mesa e ser repreendido. Ao descobrir o sexo, nas brincadeiras de criança, ao invés de explicar, instruir, papai simplesmente nos castigava. A dor era tremenda. Em determinada ocasião, comentei algo sobre o casamento de um jogador de futebol e a reprimenda veio na hora: “Cale a boca, Ricardo, não vê que está sendo inoportuno?”. Esse medo se desdobrou e acabei me tornando tímido nos contatos pessoais. Viajo de avião ou de ônibus por milhares de quilômetros, mas nunca entabulo conversa com o passageiro do lado. Em festas, prefiro o grupo que me dê algum apoio emocional e fico em um canto, sem transitar entre as pessoas.

Meu terapeuta tem um sofá, daqueles que os psicanalistas freudianos gostam de usar. Logo no começo da terapia, pedi para não me deitar. Expliquei para ele que o exercício de falar olho no olho seria bem mais desafiador que deitar sem enfrentar o seu rosto.

Talvez eu faça da escrita um exercício de convidar olhares para perto de mim. Seria meu jeito de entabular amizades, alinhavar contatos. Aprendi com Vinicius de Moraes a admirar quem se deixa conhecer através do texto. Quero estar perto de você, pensador, cidadão do mundo, ávido por justiça, sensível ao apelo do pobre e curioso diante do mistério. Se você se enternece pela beleza, gosta de literatura e não tem medo de chorar, então é meu irmão.

Escrevo desde a minha solitude. Se não há ninguém por perto, deixo os dedos bailarem sobre o teclado e despejo o que resta de poesia em minha prosa hesitante e em meus versos mal trabalhados. Desejo porém ser comido por quem tem fome da palavra.

Vejo-me ao lado de meus leitores. Assim, se ao debruçar sobre o texto, eu não tiver poesia para oferecer, que nunca me saia uma linha. Quero ser todo em tudo o que sair de minhas entranhas – e se não me transportar completo, que os deuses me quebrem os dedos.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: Paulo, o diferente

Sabe aquele cabelinho escroto do Neymar?

Cristiano Machado, no Crentassos

Sabe? Não sei se você acha aquele cabelinho bonito, mas eu, particularmente, acho terrivelmente feio. É uma tentativa de MOAICANO, como é típico dos punks usarem, mas feito com gel e num cabeleireiro e tal. Os punks originalmente usavam o cabelo dos nativos (não gosto muito do termo índio, prefiro NATIVO) dos povos moicanos, iroqueses e cherokees que historicamente preferiam morrer a ter de servir os dominadores europeus, simbolizando a sua luta contra o sistema de governo que quer impor todo tipo de controle à liberdade do povo. Já o Neymar, imagino q tenha cochilado com gel no cabelo, e quando despertou de seu sono de beleza, atrasado para o treino, levantou e foi… voilà, o cabelo do Neymar estava feito, é apenas uma teoria minha.

Para os punks, o cabelo tinha um significado, e mesmo que com o tempo, este significa tenha se perdido, e mesmo q você não concorde ou até repudie completamente os ideais do movimento anarco-o-punk, teremos q concordar q o motivo de um punk copiar outro não era estético, mas ideológico.

Eu também copio meus ídolos, de maneira geral, busco ler quem eles leram, busco usar um discurso parecido, tento me parecer com eles. Na política, na igreja e no mundo acadêmico, eu tento imitar meus “ídolos”, mas não me tornar uma réplica ridícula deles, mas usar o potencial que tenho somado à experiência deles, para fazer com que nossos objetivos (os deles e os meus) sejam alcançados numa sinergia, mesmo q eles muitas vezes nem saibam quem eu sou.

A igreja é assim também – você já deve ter percebido onde eu quero chegar – quando tenta convencer por palavras, que um cidadão de uma religião qualquer a aceitar a nossa pratica religiosa… Geralmente, não se busca uma transformação IDEOLOGICA em q se converta à causa cristã, mas que simplesmente comece a imitar os outros crentes. Antes de qualquer comentário segue uma advertência: Não estou desconsiderando aqui a ação do Espírito Santo de Deus (como alguns afobados aMIMIMIgos gostariam de insinuar) mas pensando em termos de PRATICA EVANGELISTICA, referencio-me não a limitar o discurso de evangelismo a apenas copiar pratica da tradição evangélica, o que, perdoem-me, está deixando muito a desejar, e prefere gerar um povo q apenas imita esteticamente os referenciais lideres eclesiásticos, a desafiar o candidato a cristão a uma levar, a partir desta decisão, uma vida que se justifique pura e exclusivamente em valores cristãos como justiça, amor, humildade, etc, e não a se tornar uma cópia da cópia da cópia como costumeiramente observamos em qualquer canal de tv nos programas das igrejas onde cada apresentador (me perdoem, podem ser qualquer coisa, menos pastores) repete gesto, tom de voz, trejeitos de seus referenciais.

Este texto é a tentativa de propor um processo evangelístico que possa agredir menos a individualidade de cada candidato a cristão e conscientizá-los de que o diferencial entre CRISTÃO e NÃO-CRISTÃO não são roupas, jeito de falar e outras coisas superficialmente plásticas, mas que converter-se, trata-se de rearranjar sua vida, e passar a tomar todas as suas atitudes a partir de uma cosmovisão q tenha a bíblia e o discurso cristão – Não o discurso meramente dos valores que beneficiam os evangélicos, num corporativismo crente – aquele discurso de Mc 3, 1-6, onde Jesus desafia os especialistas da lei, replicadores de peso sem qualquer visão importância para a vida, e com indignação e tristeza rompeu a regra da lei para substituí-la pela regra da vida. Esse é o Cristo ao qual me converti, indignado e triste com a falta de amor.

 

“Mendigo de Curitiba” é internado em clínica de reabilitação de Araçoiaba (SP)

Janaina Garcia, no UOL

O ex-modelo Rafael Nunes, 31 morador de rua em Curitiba, foi internado por volta das 14h30 deste sábado (20) em um clínica de reabilitação de Araçoiaba da Serra (122 km de São Paulo). Ele ficou conhecido esta semana como “mendigo de Curitiba” depois que uma moradora da capital paranaense o fotografou e divulgou a foto no Facebook. A imagem foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais. Nunes está a caminho da cidade paulista.

Segundo a família, o jovem é usuário de crack.

Em entrevista ao UOL, o presidente da clínica onde o jovem foi internado, Valter Lattanzio, disse que a família procurou a instituição para pedir ajuda. “Mandamos uma equipe de profissionais nossos até Curitiba e, lá, eles encontraram o Rafael, nas ruas. Eles fizeram a abordagem e o jovem a aceitou”, afirmou.

Conforme o empresário, o ex-modelo “se encontra em estado de intoxicação” e será submetido a tratamento –que pode chegar a até oito meses –gratuitamente, dentro de um programa social da clínica no qual, de acordo com Lattanzio, estão outros 30 pacientes.

Nesta tarde, Nunes passará por uma avaliação de médicos do local a fim de ser definido o tipo de tratamento e o prazo de internamento.

Moradores e usuários de droga conhecem o jovem

Essa semana, no local, a reportagem do UOL conversou com usuários de drogas, comerciantes e integrantes do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e descobriu que o rapaz é conhecido na região.

Segundo o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), que auxilia moradores de rua, ele chegou a ser encaminhado para a Casa de Acolhimento São José. “O problema dele é o crack”, afirmou Regiane da Silva Keppe, integrante da organização.

Os comerciantes da região também lembram da figura. “Ele aparece aqui quase toda noite. Parece meio louco, acho que por causa das drogas”, afirmou Jefferson Alves Leite, que trabalha em uma barraca de cachorro-quente no local. O proprietário do estabelecimento, Edgar Weber, também conhece o rapaz: “Essa história só vai deixar ele mais perdido”, afirmou.

Uma funcionária da região, que não quis se identificar, disse: “Ele é bonito mesmo, devia ser modelo.”

“Espero que ele se recupere”, desabafa mãe

Também esta semana, a mãe do rapaz, Edit Claurene Silva, disse à Band que, desde que o filho saiu de casa, no ano passado, a rotina da família mudou. “Quando ele saiu ano passado, a gente não teve natal, ano novo. As coisas não têm mais graça. Chove e a gente fica pensando onde ele poderia estar. Espero que ele se recupere agora”, desabafou, à emissora.

Nunes morava em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, com os pais e com duas irmãs. Além de se modelo fotográfico, trabalhou como vendedor e feirante.

* Com informações de Carlos Kaspchak, de Curitiba

‘Avenida Brasil’: sucesso da novela é destaque no site da BBC

Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC
Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC

Publicado originalmente no Extra Online

Do Divino para o mundo. Essa pode não ser a pretensão do autor João Emanuel Carneiro para “Avenida Brasil”, mas o sucesso de sua obra acaba de chegar à imprensa internacional. Na manhã desta sexta-feira, dia do último capítulo da trama, o site de notícias britânico BBC divulgou uma longa reportagem sobre a novela.

A publicação destacou a mobilização dos brasileiros em torno de “Avenida Brasil”. Fatos curiosos, como a preocupação das companhias elétricas com a alta demanda de energia durante sua transmissão e a recente alteração de agenda da presidente Dilma Rousseff, foram usados para exemplificar tamanha influência. “Os brasileiros são conhecidos por levar suas novelas a sério, mas esta ultrapassou até mesmo outra paixão nacional, superando a audiência de uma partida final de futebol”, ressaltou a reportagem.

A ascensão da classe média brasileira, retratada com destaque na obra; o sucesso comercial de “Avenida Brasil”, que lançou até uma linha de produtos estéticos; e a próxima novela “Salve Jorge”, que terá o Complexo do Alemão como um de seus principais cenários; também foram alguns dos assuntos comentados pela BBC.

Foto: Internet / Reprodução