Arquivo da tag: Sérigo Pavarini

Bebê que segura dedo de médico ao nascer vira sensação na web

Foto foi tirada pelo pai da criança, chamada Nevaeh. Mãe descreveu momento como ‘algo para se lembrar para sempre’.

publicado no Planeta Bizarro

Após a cirurgia de cesariana para o nascimento da filha, a americana Alicia Atkins, moradora de Phoenix, no estado do Arizona, publicou uma imagem que mostra a pequena Nevaeh apertando o dedo do médico, Allan Sawyer, assim que sua mão deixa o útero da mãe.

A fotografia, feita pelo marido de Alicia, se espalhou pela rede e, até o momento, possui mais de 1.700 compartilhamentos. “É algo para se lembrar para sempre”, definiu a mulher.

Momento que Nevaeh dedo do médico ao nascer foi registrado pelo marido de Alicia (Foto: Reprodução)

Momento que Nevaeh dedo do médico ao nascer foi registrado pelo marido de Alicia (Foto: Reprodução)

Paulo Coelho: “‘Ulysses’ fez mal à literatura”

Paulo Coelho em biblioteca em Praga em 2009
Paulo Coelho em biblioteca em Praga em 2009

Rodrigo Levino, na Folha de S.Paulo

“Você sabia que eu sou mago?”, pergunta Paulo Coelho, em francês, a um amigo que o visita na Suíça, onde vive. “Mago das letras!”, responde rindo o interlocutor.

“Está vendo? Fora do Brasil ninguém sabe dessa história”, retruca o escritor em entrevista à Folha, por telefone.

É que o autor brasileiro de maior sucesso internacional, agora lançando “Manuscrito Encontrado em Accra” (Sextante), seu 22º romance, se reinventou.

Aos poucos, a aura mística que atribuía a si e o epíteto de mago foram deixados de lado. Hoje ele veste as roupas da modernidade e do pragmatismo.

Consagrado por 140 milhões de livros vendidos em 160 países e traduzido em 73 línguas, Paulo Coelho defende a livre circulação dos seus livros, pirateados ou a preços baixíssimos, e, conectado praticamente o dia inteiro, se tornou um militante digital e suprimiu qualquer tipo de atravessador. É ele quem fala com o seu público.

“O Twitter é o meu bar. Sento no balcão e fico ouvindo as conversas, puxando papo, sentindo o clima”, diz ele, que logo mais deve alcançar 15 milhões de seguidores em redes sociais.

A interlocução facilitada com os leitores o fez se abster de sessões de autógrafos e viagens de divulgação.

“Agora, só aceito ir a lugares curiosos. Semana que vem vou ao Azerbaijão. Chega de hotéis”, se gaba.

Mas não só disso. Segundo ele, ser lido de Nova York a Caruaru (PE) e Ulan Bator, na Mongólia, se deve ao fato de ser um autor moderno, de literatura globalizada, a despeito do que diga a crítica.

“Houve um tempo em que era possível aos críticos destruírem um filme ou um livro e isso tinha reflexo direto no público. Hoje essa relação se horizontalizou, o que vale é o boca a boca”, diz.
Sobre o tal modernismo de sua escrita, Coelho diz não ter a ver com estilo ou experimentações de narrativa.

“Sou moderno porque faço o difícil parecer simples e, assim, me comunico com o mundo inteiro.”

CULPA DE JOYCE

Para ele, escritores caíram em desgraça ao perseguirem o reconhecimento pela forma e não pelo conteúdo.

“Os autores hoje querem impressionar seus pares”, opina. E aponta em seguida o culpado: “Um dos livros que fez esse mal à humanidade foi ‘Ulysses’ [clássico de James Joyce], que é só estilo. Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”, provoca.

A acessibilidade pregada por ele dá o tom também em “Manuscrito”, o primeiro livro que escreveu desde o susto que tomou em 2011, quando ouviu de seu médico que, por causa de um problema cardiológico, teria apenas 30 dias de vida. “Perdi o chão”.

Sobreviveu para contar a história de uma Jerusalém sitiada, prestes a ser tomada por cruzados. Trocando em miúdos, uma reflexão com forte tom religioso sobre a iminência do fim. Sem ligações autobiográficas, garante.

“A única referência que faço no livro ao que passei é quando digo que recebi o manuscrito em questão no dia 30 de novembro, que foi a data da minha cirurgia. De resto, é um livro como qualquer outro meu”, conta ele, que escreve um desses a cada dois anos e sempre de uma vez só.

Entre uma coisa e outra, diz que se dá “ao luxo de ter tempo”. Tempo para se informar a respeito de tudo. Do julgamento do mensalão às intrigas sobre os autores brasileiros selecionados pela revista “Granta” (Alfaguara).

Lista sobre a qual ele diz não ter interesse. “Não faz parte do meu mundo. Gosto de autores como Eduardo Spohr [autor de 'A Batalha do Apocalipse']“.

Spohr é uma das estrelas da “Geração Subzero” (Record), coletânea de autores que se julgam negligenciados pela crítica, contraponto à “Granta”. É nesse oposto que Coelho se sente à vontade e para quem pretende continuar escrevendo até morrer. “Depois disso, nada meu será publicado.” Tem medo de que haja disputa por direitos autorais entre herdeiros ou, pior, publiquem obras sem a sua autorização. “Aconteceu com Nabokov. Isso é um horror.”

Depoimentos de brasileiros que se inscreveram na clínica especializada em morte

Raquel (nome fictício), 68 anos, aposentada (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)
x
Felipe Pontes, na Época

“Há quatro anos, eu estava andando na rua quando desmaiei, caí e quebrei uma costela. Investigando a causa daquele desmaio, descobri que tenho ateromatose, uma doença degenerativa que entope minhas artérias carótidas e aorta. Isso prejudica o fluxo de sangue e oxigênio para meu cérebro, provocando desmaios e a morte de células nervosas. A ateromatose é imprevisível. Posso ter um derrame, dentro de um mês ou 15 anos, e perder a consciência de quem sou para sempre. Logo que fui diagnosticada, me inscrevi na Dignitas. Eu conhecia e admirava o trabalho do americano Jack Kevorkian, o Dr. Morte, que auxiliava seus pacientes terminais a morrer. Fiquei aliviada ao descobrir uma organização capaz de fazer isso, mesmo que eu tivesse de viajar até a Suíça. Não sei se usarei o serviço algum dia, mas é um conforto ter essa opção. Tenho duas filhas maravilhosas. Uma é mais emotiva e não gosta de tocar no assunto. Mas nenhuma das duas se opõe à minha decisão. Caso eu tenha algum problema grave, com sequelas, elas sabem onde encontrar uma pasta com declarações escritas sobre o meu desejo de cometer suicídio assistido e ser cremada.

Antes, eu era muito ativa. Hoje em dia, tudo é devagar por causa dessa doença. Tenho sono o tempo todo. Sinto dor para engolir. Às vezes, não consigo me equilibrar. Sei que há uma cirurgia para tratar da ateromatose. Mas é um risco. De dois conhecidos que fizeram, um morreu durante a operação e outro ficou com sequelas graves. Como qualquer outra pessoa, adoraria morrer dormindo, de enfarte, daqueles fulminantes. Mas nada me garante esse destino, e eu tenho pavor de perder o controle do meu cérebro. Sei bem como é acompanhar alguém que sofreu disso. Antes de morrer, minha mãe passou três anos delirando num leito de hospital, sem reconhecer pessoas e falar coisa com coisa. Foi terrível. Proibi minhas filhas de a visitarem. As duas tinham que guardar somente lembranças boas da avó, que não parecia mais um ser humano. Quero livrar as minhas filhas dessa dor. Para mim, a morte é o final feliz. Você e seu sofrimento não existem mais. As pessoas próximas ficam tristes, passam por um período de luto e depois sentem saudade.

Frequento médicos e faço exames regularmente. Não deixei de fumar um maço de cigarros por dia. Não há muito o que fazer nesse estágio da vida. Daqui pra frente, o que vier é lucro. Já deixei tudo pronto para elas. Não tenho mania de morte. Sou bem-humorada. Faço um esforço danado para realizar tudo o que ainda posso. Ultimamente, ando atarefada com a reforma do meu apartamento. Não entendo quando alguém sonha viver até os cem anos e não imagina a qualidade de vida e limitações que teria nesta idade. Experimentei muito mais do que várias pessoas de 90 anos. Não fiquei na janela olhando a vida. Aproveitei minha juventude, peguei muito sol, viajei pelo mundo, namorei, casei, me divorciei e trabalhei duro. Não me sinto uma suicida. Jamais pularia da janela. Cada um de nós é diferente e tem a suas crenças. O que serve para mim pode não servir a mais ninguém. Respeito isso. Não sou dona da verdade. Mas sou dona da minha vida.”

Hamilton Martins, 45 anos, comerciante (Foto: Cristiano Borges/ÉPOCA)(Foto: Cristiano Borges/ÉPOCA)

“Até agora não tive nenhuma doença grave. Cadastrei-me no serviço da Dignitas para apoiar a causa. Não tenho medo de comentar abertamente minha visão sobre suicídio assistido. Cada um tem direito de decidir a respeito da própria vida. Meus irmãos me entendem e apoiam. Já meus pais nem gostam de ouvir. Posso entendê-los. Não é natural perder o próprio filho. Só não quero que me vejam como louco. Se eu tivesse uma doença crônica ou problema físico incurável, certamente usaria o serviço. A clínica faz algo nobre ao oferecer essa oportunidade para quem está sofrendo. Mas eu espero, de verdade, não precisar usar o serviço.”

Ana Paula (nome fictício), 32 anos, ex-atleta (Foto: Mirian Fichtner/ÉPOCA)(Foto: Mirian Fichtner/ÉPOCA) Continue lendo