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Assim surgiu a brincadeira da Girafa

imagem: Reprodução/DesktopNexus

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David Castillo, no Facebook

Diabo: Precisamos pensar em uma nova estratégia para dominar a mente das pessoas.

Sub-Diabo: Hum… deixa eu ver se descubro algo novo no Google.

Diabo: Tá… mas antes deixa eu ver meu face.

Sub Diabo: Isso chefe, o Face!

Diabo: Que tem o Face? Deixei o meu aberto?

Sub Diabo: Não chefe, o que eu quero dizer é que a gente tem q usar o Face pra conquistar a galera.

Diabo: Interessante, fale-me mais sobre isso!

Sub Diabo: Vamos criar uma charadinha com uma mensagem subliminar no meio, aí quem não acertar a gente domina a mente e faz ele fazer coisas imbecis…

Diabo: Ae… curti, pode entrar no meu face pra gente começar.

Sub Diabo: Vou entrar… opa, já tava logado… mas pera aí, esse é o perfil do Rafinha Bastos.

Diabo: Droga, esqueci de sair do meu fake… sai e entra de novo!

Sub Diabo: Beleza chefe, oq a gente faz agora?

Diabo: Antes de mais nada deixa eu cutucar o Feliciano… adorooo.

Sub Diabo: Boa.

Diabo: Bom, escreve ai uma historinha que se passa às 3 da manhã.

Sub Diabo: Mas chefe… assim o senhor está revelando o horário ultra-secreto em que os portais do inferno são abertos para nossos enviados espalhar a impureza sobre as vidas e…

Diabo: Heim?

Sub Diabo: Tá… depois não diga que eu avisei?

Diabo: Escreve aí que às 3 da manhã chega alguém pra tomar café na sua casa…

Sub Diabo: Até parece… a essa hora eu só abro a porta se for meus pais.

Diabo: Boa, escreve aí que quem chega são seus pais!

Sub Diabo: Meus pais?

Diabo: Não sua besta… os pais de quem ta lendo!

Sub Diabo: Ah tá…

Diabo: Diz aí que você tem algumas coisas pra oferecer.

Sub Diabo: Sei como é… charuto, farofa, galinha preta, pinga barata…

Diabo: Nãããoo… assim fica na cara, tem q colocar coisas inocentes tipo mel, geléia, pão, queijo…

Sub Diabo: Vinho?

Diabo: Tá… pode deixar o vinho vai!

Sub Diabo: Legal, e qual vai ser a charada?

Diabo: O que você abre primeiro?

Sub Diabo: O vinho, claro!

Diabo: Ahh… se ferrou trouxa, claro que a resposta certa é o olho!

Sub Diabo: Por que o olho?

Diabo: Porque? São 3 horas da manhã, você ta dormindo palhaço!

Sub Diabo: Tá… se eu tiver dormindo as 3 da manhã quem é que vai abrir o portal místico do inferno?

Diabo: Ah é!

Sub Diabo: Mas beleza, acho que a galera que não cuida do portal do inferno deve ta dormindo a essa hora, então pode ser essa a resposta certa!

Diabo: Legal… quem errar a pergunta vai ter que pagar uma prenda, tem que ser algo bobo, quase infantil, mas que traga uma legalidade nossa sobre a vida espiritual dessa pessoa.

Sub Diabo: E se a pessoa tiver que trocar sua foto de perfil?

Diabo: Pra que?

Sub Diabo: Pra mostrar ao mundo que aquela pessoa é nossa!

Diabo: Tipo marca da besta?

Sub Diabo: É… podia colocar uma foto de um animal bem besta mesmo!

Diabo: Macaco… eu acho macaco muito engraçado.

Sub Diabo: Não, macaco pode gerar piadas racistas, preconceituosas.

Diabo: Pô, meu fake ia curtir!

Sub Diabo: Elefante?

Diabo: Pô, legal… mas vai que a pessoa é gorda, olha o constrangimento que pode gerar.

Sub Diabo: Verdade… precisamos pensar em algo diferente, enxergar mais acima.

Diabo: Enxergar mais acima? Girafa! Esse é o bicho!

Sub Diabo: Boa chefe!

Diabo: Alem disso a girafa é um dos animais símbolos da sexualidade e que mais fazem uso do sexo com um parceiro do mesmo sexo…

Sub Diabo: Pô chefe, vc fica um saco quando assiste Discovery.

Diabo: Beleza… publica aí que ficou bom, publica aí…

Sub Diabo: Tá lá… já to vendo uma galera trocando a foto pra girafa.

Diabo: Finalmente vamos dominar o mundo!

Sub Diabo: Mas chefe, e se alguém descobrir nosso plano?

Diabo: Fácil, é só a gente trocar o avatar pra uma girafinha Tb!

Os Primeiros Comentários

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Por Rob Gordon, no Papo de Homem

– Senhor?

– Pois não?

– Adão na linha nove.

– Pode passar.

– Só um minuto.

– Alô?

– Oi, Adão. Tudo bem?

– Tudo. E o Senhor?

– Tudo em ordem. Como posso ajudá-lo?

– Eu liguei para tirar uma dúvida.

– Pois não.

– Foi o Senhor que fez o tatu cair do barranco?

– Fui Eu que fiz o quê?

– Que fez o tatu cair do barranco. Ele está todo machucado.

– Eu não faço ideia do que você está falando.

– Bom, é o que está no mural de recados.

– Que mural de recados?

– O mural de recados que temos aqui embaixo. Onde penduramos as notícias com os avisos sobre o que está acontecendo no Paraíso. Ontem, colocaram uma folha de bananeira com a notícia de que o tatu havia tentado escalar um barranco, escorregou e se espatifou no chão.

– Certo.

– E logo abaixo disso colocaram outra folha de bananeira falando que foi o Senhor quem fez isso.

– Eu?

– Sim. Foi uma raposa que colocou. Estou com a folha aqui.

– O que ela diz?

– “Foi bem feito para este tatu. Estes animais que não respeitam a vontade do Senhor acabam se perdendo no meio do caminho. E cada vez mais os jovens do Paraíso estão escalando barrancos. E o Senhor castiga. Precisamos rezar para que outros animais, especialmente os mais jovens, não sigam este exemplo”.

– Eu castigo?

– É o que diz aqui. O senhor tem algum problema com o tatu subir um barranco?

– Adão, faz cinco dias que eu estou refazendo meus mandamentos, porque me contaram que só cabem dez nas pedras que serão usadas. Então, estou tendo que cortar um monte de coisa. Você realmente acha que eu estaria preocupado com um tatu e um barranco?

– Bom, estou apenas falando o que eu vi no mural. Não é a primeira vez que vejo algo assim. Aliás, isso tem acontecido todo dia.

– Como assim?

– O Senhor ficou sabendo que semana passada uma tartaruga e um pelicano brigaram feio na praia?

– Não.

– Bom, brigaram. No dia seguinte, tinha uma folha de bananeira no mural contando o que havia acontecido. E a raposa havia comentado que “certamente foi por causa de inveja e outros pecados e certamente a alma destes animais pagarão por isso”.

– Como é que é?

– Logo embaixo tinha outra folha de bananeira, escrita por um leopardo. Dizia que é isso que acontece quando animais diferenciados começam a andar pela praia. Que eles sempre causam confusão e sujam tudo.

– O que são animais diferenciados?

– Não sei. Mas esta folha de bananeira tinha mais respostas. Tinha uma mensagem de um daqueles bichos que eu nunca lembro o nome… aquele, que tem bico, mas não é pássaro. O otorrino.

– O ornitorrinco?

– Isso. Ele colocou uma folha de bananeira dizendo que não é a primeira vez que este pelicano briga com outros animais. E que não adianta prender o pelicano em algum lugar porque, infelizmente, no Paraíso, os criminosos são tratados melhores que os animais honestos, por isso sempre estaremos nessa situação horrível. O que são criminosos? É um bicho?

– Não… deixa para lá. Não vem ao caso.

– Enfim, este ornitorrinco fala isso em todas as folhas de bananeira. Sempre fala que nada aqui dá certo porque todo mundo quer levar vantagem, enquanto os animais honestos trabalham cada dia mais. E ele está sempre falando sobre o mar.

– Do mar?

– Isso. Quer dizer, não é bem sobre o mar, é sobre a lula. Acho que ele não gosta muito da lula, porque qualquer coisa que colocam no mural, ele cola uma folha de bananeira dizendo que é culpa da lula. “Porque a lula que começou com isso”, “porque deviam prender a lula”, “porque é isso que acontece num paraíso onde acreditam na lula”. Acho que a lula, coitada, nem sabe que o ornitorrinco fala isso.

– Entendi. Mas pelo que percebi, são apenas alguns animais que fazem isso.

– Sim, mas tem mais alguns outros. A lebre também. Ela posta respostas em todas as folhas de bananeira que colam no mural de recados.

– E o que ela diz?

– Ela fala dos coríntios.

– Coríntios?! Como a lebre sabe o que são coríntios?

– Não sei. Aliás, o que são coríntios?

– É algo que você não precisa saber. Nem a lebre.

– Bom, em todas as folhas de bananeira que colocam no mural, ela coloca uma folha de bananeira embaixo com a mensagem “Coríntios!”. Em todas! Tatu caiu do barranco? “Coríntios!”. Rinoceronte derrubou uma árvore? “Coríntios!”.

– Só fala isso?

– Só. Aliás, outro dia ela e o ornitorrinco brigaram feio. A lebre colocou uma folha de bananeira com “Coríntios!” e o ornitorrinco colou uma folha de bananeira respondendo, logo abaixo, que “os coríntios são sempre favorecidos pela lula, por isso que o Paraíso é assim”. Ficaram dias discutindo. Cada vez que eu olhava o mural tinha uma folha de bananeira nova. Mas eu parei de ler, não entendia mais nada.

– Entendi.

– Eu mesmo cheguei a postar algumas folhas de bananeira respondendo algumas notícias, mas desisti.

– Por quê?

– Foi quando colocaram uma folha de bananeira dizendo que os pombos estavam voando baixo demais e passando perto dos outros animais. A raposa colocou uma resposta dizendo que “esta juventude está perdida e que suas almas serão castigadas pelo Senhor, pois trilham um caminho perigoso”. Aí eu escrevi numa folha de bananeira que “olhe, acho que o Senhor está ocupado demais para se preocupar com os pombos”.

– Bem, você acertou.

– Logo depois colaram uma folha de bananeira para mim. Dizia: “não é você que mora naquela caverna e usa somente uma folha de parreira? Eu já tentei ler os avisos que você coloca aqui no mural, e eles são muito ruins. Você não está qualificado para julgar o que se escreve no mural”.

– Sério?

– Sim. Foi o tamanduá. Ele sempre faz isso com meus comentários. O gozado é que eu nunca vi o tamanduá escrevendo nada ali. Ele fala mal do que escrevo, mas escrever, mesmo, ele não escreve nada.

– Isso é normal.

– Mas o pior é que não dá mais nem para ler o mural direito. Você coloca uma folha de bananeira e, logo em seguida, tem dezenas de folhas de bananeiras falando sobre a lula, sobre o Senhor que vai castigar todo mundo, sobre os Coríntios, sobre os animais diferenciados… não dá.

– Mas este mural não funcionava bem?

– Sim, mas mudou desde que os macacos começaram a pedir aos outros animais para comentarem todas as notícias.

– Como assim?

– Bem, eles queriam criar um mural de recado deles, mas aí eu disse que o Paraíso precisava só de um mural de recados e que, com dois, ficaria tudo confuso. Eles acabaram concordando comigo, mas agora ficam pedindo para os outros animais encherem o mural com folhas de bananeira comentando tudo.

– Entendi.

– E a maior parte das folhas de bananeira comentando o que está no mural é de animais que não têm muito a dizer. São coisas que não interessam a ninguém e ficam ali apenas ocupando espaço.

– Adão, Eu acho que os macacos estão fazendo isso somente para sabotar o mural. Você não permitiu que eles criassem o próprio mural, então eles resolveram estragar o que vocês usam.

– Bem, faz sentido. Isso é bem a cara dos macacos. Eles fizeram até um concurso.

– Concurso?

– Sim. Se você colar quinze folhas de bananeira com comentários, os macacos escrevem uma folha de bananeira sobre você. O concurso chama “Quinze Folhas de Fama”. Então, todos comentam e respondem tudo que os macacos postam. Não sabia que todos os animais aqui queriam ficar famosos. Quer dizer, não que aparecer no mural de recados seja exatamente ficar famoso, mas…

– Concordo.

– Por isso que liguei para o Senhor. Não tem como pedir para que uns anjos com espadas de fogo venham conversar com os macacos?

– Não, Adão.

– Aposto que se fosse comigo, os anjos já estavam aqui.

– Oi?

– Não, nada. É que uns anjos podiam resolver o problema.

– Adão, se Eu fizer isso, vou dar razão para a raposa. E ela nunca mais vai parar de espalhar por aí que Eu vou castigar quem faz qualquer coisa que ela não concorde, dizendo que quem não concorda sou Eu.

– Bem, tem razão. Mas não sei o que fazer.

– Os animais têm o direito de comentar o que está no mural de recado. O certo seria esperar que os animais fizessem isso somente notícias importantes e com respostas que acrescentassem algo ao assunto.

– Sim. Mas não há espaço para notícias importantes. Os animais ficam entupindo o mural com folhas de bananeira, comentando todos os assuntos. Não vejo como isso pode mudar.

– Talvez você tenha razão.

– Isso quer dizer que os anjos…

– Não, Adão. Nada de anjos.

– Certo.

– Quais são os animais que fazem os piores comentários mesmo?

– Bem, tem uma raposa, uma lebre… Que mais? Aquele ornitorrinco… Aquele tamanduá que xinga os meus textos… e… falta um… Ah! O leopardo! Aquele que fala dos animais diferenciados.

– Certo. Algum mais?

– Não. Esses são os piores. Esses cinco. Esses que causam o tumulto ali.

– Certo. Eu vou dar um jeito nesses animais.

– Mesmo? Obrigado.

–Agora esqueça este mural por uns dias. Deixe a poeira baixar.

– Obrigado.

– Algo mais?

– Não, Senhor.

Depois que desligou o telefone, Deus ficou pensando sobre como resolver o problema. Na verdade, sabia o que deveria fazer, mas estava procurando por uma alternativa. Pensou bastante e chegou à conclusão que não havia saída.

Ao cair da noite, jogou os cinco animais que faziam os piores comentários para uma caverna. E, usando Seus poderes, fez os cinco animais se transformarem em um só, formando assim uma criatura nova. Uma criatura raivosa e não muito inteligente; uma criatura que rosnava e praguejava alto, mas não tinha coragem de olhar nenhum outro animal nos olhos.

Fechou a caverna com uma rocha e chamou um anjo. Pediu a ele que escolhesse um nome para esta nova criatura. Um nome que simbolizasse os cinco animais comentaristas, para que Deus nunca mais esquecesse o que havia acontecido ali.  O anjo parou para pensar.

– Raposa. Lebre. Leopardo. Ornitorrinco. Tamanduá. Tem que representar os cinco?

– Isso. Um nome assustador.

– Que difícil… Que tal Rotol?

– Rotol?

– Isso. São as iniciais dos cinco nomes.

– Não. Rotol parece nome de produto de limpeza. Precisamos de algo mais assustador.

– Hum… Posso usar um “l” depois do outro?

– Como assim?

– O que o Senhor acha de troll?

Deus sorriu. Troll. Era um nome ameaçador e bruto. E meio burro. Era perfeito.

Assim, ordenou que o troll jamais pudesse sair da caverna até que aprendesse a emitir sua opinião de forma educada e que começassem a pensar antes de falar, e deu o assunto por resolvido.

Mas Deus não sabia que a serpente estava por perto, ouvindo os gritos e palavrões do troll preso na caverna. E já estava pensando em maneiras de soltar aquela criatura horrenda pelo mundo. Precisava apenas esperar o momento ideal para isso. E sabia que ele chegaria quando um mural de recados e notícias enorme, muito maior que aquele usado no Paraíso, fosse criado.

Não havia pressa.

Como um engenheiro ganhou 1,25 milhão de milhas aéreas comprando pudim

pudim

 

Publicado no Gizmodo

Milhas aéreas são incríveis. Elas podem ser usadas para voos ou estadias gratuitas em hotéis, e, se você tiver sorte, também podem gerar ódio e desprezo de todos com quem você entra em contato e precisam pagar o preço inteiro quando viajam. O rei das viagens virtualmente gratuitas é David Phillips, um engenheiro civil que também é professor da Universidade da Califórnia.

David ganhou destaque na mídia quando conseguiu converter cerca de 12.150 potes de pudim de chocolate Healthy Choice em um milhão de Milhas Aéreas. Desde então, David e sua família estão viajando pelo mundo por quase nada.

Como ele conseguiu fazer isso? Bem, antes de mais nada, precisamos explicar que tipo de homem David Phillips é; ele é o tipo de cara que lê todos os mínimos detalhes impressos em fontes minúsculas nas coisas. O tipo de cara que aprendeu a contar cartas para nunca ser enganado em um cassino. Phillips já disse que poderia ter se tornado um jogador profissional de cartas se não fosse pela fumaça de cigarro. Sim, este cara – segundo ele mesmo – poderia ser um jogador de cartas milionário, mas ele aprecia mais o ar fresco do que o cheiro desagradável do sucesso.

Seu mais famoso empreendimento foi em 1999, quando ele descobriu que a Healthy Choice estava fazendo uma promoção em sua seção de pratos congelados. A oferta era a seguinte: a cada 10 códigos de barras dos produtos da empresa enviados por uma pessoa, ela ganharia 500 Milhas Aéreas. No entanto, a empresa estipulou que os primeiros clientes a resgatarem os pontos das ofertas no primeiro mês receberiam o prêmio em dobro, ou seja, a compra de 10 dos seus produtos renderia 1.000 milhas aéreas.

Ao entender os detalhes da promoção, David vasculhou supermercados próximos à sua casa para ver qual produto oferecido tinha o melhor potencial de retorno. Depois de um trabalho bem chato, ele encontrou o que estava procurando – uma rede de supermercados que vendia cada pote individual de pudim de chocolate por US$ 0,25 cada. Isso significava que com US$ 2,50 ele conseguiria 1.000 milhas aéreas.

Percebendo o incrível retorno que ele estava para receber, David visitou todas as lojas da rede em um dia e comprou todos os potes de pudim Healthy Choice que encontrou.

Você provavelmente está pensando agora que um sujeito entrando em diversas lojas e pedindo para comprar todos os pudins Healthy Choice disponíveis, até no estoque, é um pouco suspeito, e se alguém questionou o que ele estava fazendo, e, se soubessem da história, também iam querer entrar na jogada, certo? David aparentemente imaginava isso e, enquanto comprava os pudins, disse às pessoas que estava fazendo isso para estocar para o ano 2000 que estava chegando.

Ao todo, David gastou cerca de US$ 3.000 em pudim, o que parece muito, mas não é quando você pensa que o valor total em dólar em milhas que ele estava para receber superava US$ 150.000. No entanto, antes disso, ele ainda precisava enviar todos aqueles códigos de barras.

De acordo com David, sua esposa ficou com bolhas de tanto descolar centenas de adesivos, e seus filhos e colegas de trabalho cresceram fisicamente e ficaram doentes de tanto comer pasta de chocolate. Além disso, ele duvidou se seria capaz de destacar todos aqueles códigos de barras a tempo de se qualificar para a primeira parte da promoção – a que garantia as milhas aéreas em dobro.

Foi aí que ele teve outra ideia – por que fazer sua esposa e filhos sofrerem quando ele poderia pedir para outras pessoas trabalharem para ele?

David entrou em contato com o Exército da Salvação local com uma oferta; se eles oferecessem um punhado de voluntários para ajudar a retirar os códigos de barras dos pudins, ele doaria todos os pudins para eles. Mas eis a parte bonita: isso foi considerado uma doação de caridade, que permitiu que David tivesse US$ 800 em deduções fiscais no fim do ano.

Os benefícios do esquema de David não pararam por aí. Após enviar os códigos de barras e receber de volta as 1.280.000 milhas (ele conseguiu algumas além do que conseguiria só com os pudins porque também comprou sopas a 90 centavos antes de perceber que esse método era para perdedores), ele agora tinha oficialmente mais de um milhão de milhas, o que dava a ele um acesso vitalício a algo chamado “Clube de Vantagens American Airlines”, rendendo a ele e a sua família voos incríveis para o resto da vida deles.

Mas não chegamos na melhor parte ainda. David provavelmente nunca vai ficar sem milhas porque ainda ganha milhas a uma velocidade 5x maior do que gasta, além de viajar frequentemente, graças a vários programas de incentivo que ele sempre está de olho para conseguir explorar do jeito que fez com o esquema do pudim. Hoje, ele tem mais de 4 milhões de milhas em suas várias contas e já voou para mais de 20 países e tirou diversas férias nesse tempo.

No fim, para um custo inicial de US$ 3000 (ou pouco mais de US$ 2000 se você considerar a dedução fiscal), e alguns outros acordos parecidos que ele se aproveitou para melhorar seus números, David nunca mais precisar pagar por outro voo pelo resto da sua vida. Um gênio.

Gustavo Ioschpe: devo educar meus filhos para serem éticos?

HANNAH ARENDT -  “Os maiores males não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão” (foto: Getty Images)

HANNAH ARENDT – “Os maiores males não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão” (foto: Getty Images)

Gustavo Ioschpe, na Veja on-line

Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, saía de casa para a escola numa manhã fria do inverno gaúcho. Chegando à portaria, meu pai interfonou, perguntando se eu estava levando um agasalho. Disse que sim. Ele me perguntou qual. “O moletom amarelo, da Zugos”, respondi. Era mentira. Não estava levando agasalho nenhum, mas estava com pressa, não queria me atrasar.

Voltei do colégio e fui ao armário procurar o tal moletom. Não estava lá, nem em nenhum lugar da casa. Gelei. À noite, meu pai chegou em casa de cara amarrada. Ao me ver, tirou da pasta de trabalho o moletom. E me disse: “Eu não me importo que tu não te agasalhes. Mas, nesta casa, nesta família, ninguém mente. Ponto. Tá claro?”. Sim, claríssimo. Esse foi apenas um episódio mais memorável de algo que foi o leitmotiv da minha formação familiar. Meu pai era um obcecado por retidão, palavra, ética, pontualidade, honestidade, código de conduta, escala de valores, menschkeit (firmeza de caráter, decência fundamental, em iídiche) e outros termos que eram repetitiva e exaustivamente martelados na minha cabeça. Deu certo. Quer dizer, não sei. No Brasil atual, eu me sinto deslocado.

Até hoje chego pontualmente aos meus compromissos, e na maioria das vezes fico esperando por interlocutores que se atrasam e nem se desculpam (quinze minutos parece constituir uma “margem de erro” tolerável). Até hoje acredito quando um prestador de serviço promete entregar o trabalho em uma data, apenas para ficar exasperado pelo seu atraso, “veja bem”, “imprevistos acontecem” etc. Fico revoltado sempre que pego um táxi em cidade que não conheço e o motorista tenta me roubar. Detesto os colegas de trabalho que fazem corpo mole, que arranjam um jeitinho de fazer menos que o devido. Tenho cada vez menos visitado escolas públicas, porque não suporto mais ver professores e diretores tratando alunos como estorvos que devem ser controlados. Isso sem falar nas quase úlceras que me surgem ao ler o noticiário e saber que entre os governantes viceja um grupo de imorais que roubam com criatividade e desfaçatez.

Sócrates, via Platão (A República, Livro IX), defende que o homem que pratica o mal é o mais infeliz e escravizado de todos, pois está em conflito interno, em desarmonia consigo mesmo, perenemente acossado e paralisado por medos, remorsos e apetites incontroláveis, tendo uma existência desprezível, para sempre amarrado a alguém (sua própria consciência!) onisciente que o condena. Com o devido respeito ao filósofo de Atenas, nesse caso acredito que ele foi excessivamente otimista. Hannah Arendt me parece ter chegado mais perto da compreensão da perversidade humana ao notar, nos ensaios reunidos no livro Responsabilidade e Julgamento, que esse desconforto interior do “pecador” pressupõe um diálogo interno, de cada pessoa com a sua consciência, que na verdade não ocorre com a frequência desejada por Sócrates. Escreve ela: “Tenho certeza de que os maiores males que conhecemos não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo de novo, e cuja maldição é não poder esquecer. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão”. E, para aqueles que cometem o mal em uma escala menor e o confrontam, Arendt relembra Kant, que sabia que “o desprezo por si próprio, ou melhor, o medo de ter de desprezar a si próprio, muitas vezes não funcionava, e a sua explicação era que o homem pode mentir para si mesmo”. Todo corrupto ou sonegador tem uma explicação, uma lógica para os seus atos, algo que justifique o porquê de uma determinada lei dever se aplicar a todos, sempre, mas não a ele(a), ou pelo menos não naquele momento em que está cometendo o seu delito.

Cai por terra, assim, um dos poucos consolos das pessoas honestas: “Ah, mas pelo menos eu durmo tranquilo”. Os escroques também! Se eles tivessem dramas de consciência, se travassem um diálogo verdadeiro consigo e seu travesseiro, ou não teriam optado por sua “carreira” ou já teriam se suicidado. Esse diálogo consigo mesmo é fruto do que Freud chamou de superego: seguimos um comportamento moral porque ele nos foi inculcado por nossos pais, e renegá-lo seria correr o risco da perda do amor paterno.

Na minha visão, só existem, assim, dois cenários em que é objetivamente melhor ser ético do que não. O primeiro é se você é uma pessoa religiosa e acredita que os pecados deste mundo serão punidos no próximo. Não é o meu caso. O segundo é se você vive em uma sociedade ética em que os desvios de comportamento são punidos pela coletividade, quer na forma de sanções penais, quer na forma do ostracismo social. O que não é o caso do Brasil. Não se sabe se De Gaulle disse ou não a frase, mas ela é verdadeira: o Brasil não é um país sério.

Assim é que, criando filhos brasileiros morando no Brasil, estou às voltas com um deprimente dilema. Acredito que o papel de um pai é preparar o seu filho para a vida. Essa é a nossa responsabilidade: dar a nossos filhos os instrumentos para que naveguem, com segurança e destreza, pelas dificuldades do mundo real. E acredito que a ética e a honestidade são valores axiomáticos, inquestionáveis. Eis aí o dilema: será que o melhor que poderia fazer para preparar meus filhos para viver no Brasil seria não aprisioná-los na cela da consciência, do diálogo consigo mesmos, da preocupação com a integridade? Tenho certeza de que nunca chegaria a ponto de incentivá-los a serem escroques, mas poderia, como pai, simplesmente ser mais omisso quanto a essas questões. Tolerar algumas mentiras, não me importar com atrasos, não insistir para que não colem na escola, não instruir para que devolvam o troco recebido a mais…

Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente. Simplesmente o fato de pensar a respeito, e de viver em um país em que existe um dilema entre o ensino da ética e o bom exercício da paternidade, já é causa para tristeza. Em última análise, decidi dar a meus filhos a mesma educação que recebi de meu pai. Não porque ache que eles serão mais felizes assim – pelo contrário -, nem porque acredite que, no fim, o bem compensa. Mas sim porque, em primeiro lugar, não conseguiria conviver comigo mesmo, e com a memória de meu pai, se criasse meus filhos para serem pessoas do tipo que ele me ensinou a desprezar. E, segundo, tentando um esboço de resposta mais lógica, porque sociedades e culturas mudam. Muitos dos países hoje desenvolvidos e honestos eram antros de corrupção e sordidez 100 anos atrás. Um dia o Brasil há de seguir o mesmo caminho, e aí a retidão que espero inculcar em meus filhos (e meus filhos em seus filhos) há de ser uma vantagem, e não um fardo. Oxalá.

O que as religiões pregam sobre os animais de estimação

Islamismo permite que apenas gatos sejam animais de estimação (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Islamismo permite que apenas gatos sejam animais de estimação (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Priscilla Merlino, na Época

Derivação do termo latino “Re-Ligare”, que significa “religação” com o Divino, a religião é o culto prestado a uma divindade. Trata-se da crença na existência de um ente supremo como lei universal. Apesar dos aspectos que distinguem a filosofia e doutrina de cada crença, a “fé” e o “amor” aparecem na base de praticamente todas as propostas religiosas.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a religião Católica ocupa o primeiro lugar no ranking da fé no Brasil, ao todo 70% dos entrevistados. Em segundo lugar vem a Igreja Evangélica com 17% da população. As outras religiões que compõem o mosaico da diversidade estão bem divididas, entre elas, destacam-se o Islamismo, religião que mais cresce no mundo, embora por aqui sua presença ainda seja menor que a do Judaísmo (87 mil) e a do Budismo (214,8 mil). Os seguidores da Umbanda e do Candomblé somam 515 mil e os Espíritas lideram o ranking dos menores, com 2,3 milhões.

Com a busca incessante pelo sentido da vida, as pessoas caminham cada vez mais rumo à religiosidade. E nossos amigos pets? Como são vistos perante a doutrina das maiores religiões do mundo?

São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Catolicismo

A Igreja Católica nasceu com a presença e pregação do próprio Jesus Cristo. “A partir do anúncio da vida, morte e ressurreição de Cristo somos convocados ao amor, à solidariedade, justiça e a transformar o mundo, para que aqui já se inicie o Reino de Deus”, explica o padre Juarez Pedro de Castro, da Arquidiocese de São Paulo.

Considerada a religião com maior número de fiéis no País, a Igreja Católica acredita que os animais são criaturas de Deus e por isso devem ser respeitados e amados. “A Igreja sempre considerou a proteção e o amor aos animais como algo importante. A própria Bíblia obriga o descanso semanal não só para o homem como também para os animais”, destaca padre Juarez. Embora admitam que o convívio com os animais seja benéfico aos seres humanos e simbolizem um sinal de amizade fiel, para os católicos os bichos não possuem a alma racional e inteligente, e, portanto não têm o mesmo destino dos homens e mulheres após a morte.

Um dos Santos mais populares da Igreja Católica, São Francisco de Assis amava e respeitava todas as pessoas, ao mesmo tempo, em que protegia animais e plantas aos quais chamava, carinhosamente, de irmãos. Considerado o santo mais amigo dos animais, foi intitulado Patrono do Presépio e dos Ecologistas. Graças à sua mensagem de paz, é respeitado por várias religiões, e sua Basílica em Assis, na Itália, é a segunda mais visitada por turistas de todo o mundo, ficando atrás apenas do Vaticano. Conhecido como protetor dos animais, São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. “Os animais não são coisas nem objetos, são criaturas de Deus, ou seja, criados por Deus segundo o relato bíblico e por isso devem ser amados e respeitados. É bom que se diga que antes de toda essa “moda” atual de proteção aos animais, quem sempre levantou a voz para protegê-los foi a Igreja Católica, que já desde os primórdios proibia e ainda proíbe, considerando pecado, a vivissecção de animais para fins de estudo”, ressalta padre Juarez.

Igreja Adventista do Sétimo Dia

A igreja Adventista do Sétimo Dia surgiu nos EUA no século XVIII com o despertar protestante para a doutrina da segunda vinda gloriosa de Jesus a este mundo (Apocalipse 1:7).

“Adventista é um termo que se refere a uma pessoa que “acredita no segundo advento (volta) literal de Cristo”. E Adventista “do Sétimo Dia” é uma referência ao dia que observamos (Êxodo 20:8-11), dedicando-o ao repouso, culto a Deus, companhia da família e contato com a natureza”, explica Leandro Quadros, consultor bíblico da Rede Novo Tempo de Comunicação.

Assim como a Bíblia, para a religião Adventista os animais são considerados companheiros do ser humano. “O livro de Gênesis relata que quando Adão e Eva foram criados, Deus também fez os animais para que juntamente com os seres humanos desfrutassem das alegrias do jardim do Éden (Gênesis 1:20-22). Ao criar os animais no quinto dia, Deus disse que aquela criação era “boa”, destaca Leandro.

Para os adventistas é importante lutar pela preservação da vida animal, levando ao pé da letra citações bíblicas, como as encontradas em Apocalipse 11:18, onde há uma séria advertência para quem maltrata os animais: “terá que prestar contas a Deus no dia do juízo final”.

“O fato de Deus ter criado os animais no quinto dia da criação e o ser humano no sexto, demonstra que o reino animal fazia parte do preparo do planeta para receber a “coroa da criação de Deus”: homem e mulher. A felicidade humana também estava no contato com a natureza animal. Além disso, estudos científicos provam que a Bíblia está com a razão. Pessoas que têm algum bichinho de estimação possuem menos possibilidades de terem algum problema de coração”, enfoca Leandro.

Baseando sua crença em textos bíblicos como Gênesis 2:7 e Gênesis 1:20, os adventistas acreditam que o ser humano se tornou alma (e não que recebeu uma alma), ou seja, tornou-se uma pessoa viva, no conceito bíblico, onde os animais vivos também são chamados de “almas”. Sendo assim, como os homens não possuem vantagens sobre os animais, pregam que ao morrer ambos vão para o mesmo lugar, sem diferenças: todos procedem do pó e ao pó tornarão.

“Não cremos que seres humanos e animais tenham alma, mas sim que são almas. O conceito bíblico de “alma” não é o mesmo que o apresentado por Platão e pela filosofia grega. Alguns dos textos citados devem encher de alegria os leitores da revista Papo de Pet que perderam pessoas queridas e animaizinhos de estimação, pois, ambos existirão novamente em nosso Planeta renovado, afirma Leandro que finaliza: Ao orientar Noé a sair da arca, além de abençoar a raça humana o Senhor abençoou também os animais (Gênesis 8:15-17)”.

Judaísmo

O Judaísmo surgiu há mais de 4 mil anos. Segundo sua principal fonte escrita, a Torá, Abrahão foi o primeiro hebreu, ao reconhecer que um mundo tão diverso de seres e de vida só poderia ter sido criado por um único Deus.

“Acreditamos na existência de um único Deus, Criador do Universo e de todas as criaturas. Deus fez do ser humano seu parceiro para cuidar do mundo onde vivemos, o que se reflete na preocupação com a consciência e a ação ecológica. O Judaísmo é uma religião focada mais na ação. Acreditamos que a responsabilidade social, ecológica e o cuidado na relação com as pessoas, com os animais e as plantas é inclusive mais importante do que a fé. É pela ação prática que podemos tornar este mundo um lugar melhor de se viver”, explica o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista, de São Paulo.

Segundo o judaísmo há um valor básico na relação entre seres humanos e animais, que é chamado de tsáar baalei haim. Há ainda a mitsvá, a obrigação de não causar sofrimento aos seres vivos – o modo judaico milenar de ação ecológica. “O respeito às árvores e às plantas em geral, bem como aos animais, é fundamental. Em nosso dia de descanso, o Shabat, não somente os seres humanos não trabalham; os animais também não. Os animais de corte, como vacas e galinhas, são sacrificados com cuidados especiais segundo as leis de cashrut, visando diminuir o seu sofrimento ao máximo. Enfim, temos uma sensibilidade especial pelo planeta, pela natureza em geral e pelos animais em particular. Quanto aos animais de estimação, como cães e gatos, valorizamos o contato com o próximo, gostamos de trazê-los para casa, alimentarmos e cuidarmos. É uma das mais belas formas de amor e de respeito ao organismo planetário como um todo”, revela o rabino Sternschein.

Islamismo
Para a religião Islâmica, a fonte única é Deus. Ela revelou todos os Livros Sagrados e enviou todos os Mensageiros e Profetas. A partir do envio do Profeta Mohamad como Mensageiro de Deus e a revelação do Alcorão Sagrado, começa essa terceira e última etapa da religião Divina, aproximadamente, 613 D.C.. A Religião Islâmica prega a crença verdadeira em seis pontos: crer em Deus Único; crer nos Anjos; crer nos Livros Sagrados; crer em Seus Mensageiros; crer no dia do Juízo-Final e crer no Destino.

“A religião ordena que os animais sejam tratados com misericórdia. Quanto aos gatos é permitido tê-los como estimação, porém, os cães, só podem ser utilizados para alguma finalidade que não seja somente estimação, já que a religião diz que o cachorro tem em sua saliva uma substância nociva ao ser humano, porém, pode tê-los como cães guia, para proteção, para caça, etc”, revela o Sheikh Jihad Hassan Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da UNI (União Nacional das Entidades Islâmicas).

Segundo o Islamismo, os animais possuem alma já que Deus, no dia do Juízo Final, irá devolver a vida a eles para fazer justiça até entre eles. E ao morrer o corpo do animal vira terra e sua alma retorna para Deus.

Ao ser indagado por seus companheiros se a gentileza para com os animais seria recompensada na vida posterior, o Profeta respondeu: “Sim, há uma meritória recompensa pela gentileza para com toda criatura viva”

Budismo

Uma das vertentes do Budismo, religião que surgiu na Índia há cerca de dois mil e seiscentos anos (seiscentos antes de Cristo), o Zen Budismo prega que se faça o bem, e o bem a todos os seres.

“Os ensinamentos de Buda se baseiam na impermanência (nada fixo, nada permanente, tudo se transformando a cada instante), na interdependência (nada tem origem independente, mas a vida é uma teia de inter-relacionamentos), nirvana (um estado de paz e tranquilidade possíveis através das práticas religiosas e da compreensão do vazio), explica Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-Budista de São Paulo.

E os animais fazem parte desta teia da existência, desta rede de inter-relacionamentos, uma vez que os humanos não vivem sem os animais. “Há várias histórias budistas sobre animais demonstrando sua gratidão aos seres humanos que os salvaram, dando exemplo de como nós deveríamos nos comportar. Animais estão presentes em vários contos budistas como exemplos de fidelidade, gratidão e tranqüilidade”, revela Monja Coen.

Para o Budismo não há conceito de alma para pessoas nem para animais. Tudo que existe é o co-surgir interdependente e simultâneo. “Há três semanas meu cão, um Akita branco de treze anos, entrou parinirvana. O nirvana final, a grande paz. Fizemos as mesmas cerimônias que fazemos para quando morre um ser humano. A prece antes da morte, a logo após morrer, a prece antes do enterro e durante o enterro e a prece que continuamos a fazer de semana a semana. Acreditamos que até 49 dias após o falecimento completa-se o ciclo de uma vida-morte. Assim oramos e agradecemos a vida que compartilhou conosco e rogamos aos Budas e Bodisatvas que o encaminhem à claridade suprema da sabedoria infinita e compaixão ilimitada”, relembra Monja Coen, que finaliza: “Cada animal vive e age de acordo com sua natureza, mas pode essa natureza também ser melhorada durante a vida através do treinamento e da prática diária do convívio respeitoso e amoroso. Animais são seres abençoados e sagrados – vamos cuidar deles e delas e seremos respeitadas por toda a vida do universo”.

Umbanda
Trata-se de uma religião espiritualista e espírita, desvinculada de mitos, lendas e crendices, que tem seus fundamentos no monoteísmo Divino, isto é, na existência de um único Deus, gerador e sustentador de tudo e de todas as coisas, inclusive de suas Forças Superiores Divinas – os Sagrados Orixás – Divindades de Deus responsáveis por reger, adaptar e guardar suas exteriorizações. A finalidade da Umbanda é gerar condições para a evolução dos espíritos encarnados e desencarnados a ela ligados e a extinção de carmas individuais ou coletivos, sendo carma a resultante (conseqüência) de procedimentos (atos) errôneos quanto ao trato dos sentidos íntimos, pessoais ou alheios. É uma religião que acredita na reencarnação dos espíritos, servindo esta forma como um meio de evolução e possibilidade para realizar resgates carmáticos. Em 2009, ano em que a Umbanda completa 100 anos, estima-se que já tenha conquistado cerca de 20 milhões de seguidores no País, embora estatísticas oficiais apontem um contingente bem menor. “Muitas pessoas preferem omitir, por vergonha, porque acreditam que ainda existe muito preconceito. É importante esclarecer que a religião Umbanda não mata nenhum tipo de animal”, revela Pai Salum, da FUCESP – Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo.

De acordo com Pai Salum, o sacrifício de animais origina-se das raízes africanas do Candomblé, mas é totalmente desencorajado pela Umbanda brasileira.

“Para ingressar na nossa Federação, avisamos que não vamos defender quem matar qualquer tipo de bicho. Não apoiamos a matança de animais. Assim como os Espíritas, acreditamos que os animais são seres vivos e possuem alma”, esclarece Pai Salum.

Espiritismo

Diferente do que muitos imaginam o Espiritismo não é uma nova religião, disputando a fé popular. Allan Kardec, nome que assina as obras espíritas, como O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns é um pseudônimo do professor Hipolyte Rivail, que, por volta de 1855 pesquisou a comunicação com os espíritos.

Rivail criou um instituto de pesquisas, dialogou com espíritos sábios e benevolentes, estudiosos da espiritualidade, e recolheu valiosos conceitos sobre os mais diversos ramos do conhecimento, inclusive sobre as características físico-químicas próprias da matéria em seu estado espiritual, constituindo os corpos dos Espíritos e o Universo que eles habitam. Após codificar toda essa gama de informações, publicou seus livros assinando-os com o pseudônimo Allan Kardec, pois o conteúdo deles é a doutrina dos Espíritos e não de sua autoria. Em seu ponto de partida, o Espiritismo é uma ciência, dedicada a estudar os Espíritos e sua relação com os homens.

“Para o Espiritismo, os animais são seres espirituais evoluindo por meio da transmigração, sem ainda possuir a consciência de si mesmo característica do homem. Um dia, quando ganharem a liberdade de escolha e uma consciência contínua, reencarnarão como homens. Como intuiu Francisco de Assis, os animais e plantas têm uma natureza que os aproxima dos homens. E numa figura poética extraordinária, os chamou de irmãos”, revela Paulo Henrique de Figueiredo, pesquisador do Espiritismo há 25 anos, autor da obra Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos e publisher da revista Universo Espírita.

Segundo a Doutrina dos Espíritos, os animais domésticos, como cachorro, gato, cavalo, macaco, possuem uma constituição neural superior e uma inteligência relativa mais acentuada. Possuem uma longa trajetória de convívio com os humanos, estabelecendo instintos sociais compartilhados. “Há dezenas de milhares de anos, os cachorros vigiavam as comunidades humanas durante a noite e, em troca, recebiam alimentos e companhia. Além disso, os animais possuem uma alma que tem a mesma origem da alma humana. Por isso, a afeição que sentimos por eles é natural e benéfica ao relacionamento familiar”, avalia Figueiredo.

Para o Espiritismo, se os animais estão em evolução, podemos auxiliá-los em sua trajetória quando agimos com ética e responsabilidade no relacionamento que estabelecemos com eles. “Por isso, é importante ensinar as crianças a cuidar bem dos animais, dar a eles carinho e proteção. Já os adultos, precisam refletir sobre o estado de crueldade e escravidão a que estão submetendo os animais destinados ao consumo humano, como bois, porcos e galinhas. Nas granjas, os animais são tratados como coisas sem alma, da mesma forma que os escravos eram considerados na idade média. A escravidão humana está quase extinta, um dia a humanidade terá consciência suficiente para libertar também os animais”, adverte Figueiredo. Fonte/PapodePet