Depois de polêmica, Lobão e Mano Brown decidem tocar juntos na Virada Cultural de SP; Mano Brown não confirma

Publicado originalmente no UOL

foto: Caio Duran/AgNews
foto: Caio Duran/AgNews

Depois da polêmica sobre declarações de Lobão dadas à “Folha de S.Paulo”, o cantor disse no Twitter, na tarde desta sexta-feira (3), que conversou com o rapper Mano Brown e que eles “conseguiram se entender”. “Atenção, enfim, uma linda notícia,o Mano Brown acabou de me ligar, tivemos uma conversa franca e decidimos que vamos fazer um som juntos”. E acrescentou: “Vamos nos encontrar e vamos tocar juntos na Virada. Queremos mostrar pra galera que podemos divergir e ao mesmo tempo caminhar juntos”.

Mano Brown estará na Virada Cultural de São Paulo com o Racionais MCs no domingo (19) às 15h, no Palco Júlio Prestes. Já Lobão se apresenta no Palco São João, no sábado (18) às 18h.

O perfil oficial dos Racionais no Twitter, no entanto, desmentiu e ironizou durante a madrugada a afirmação de Lobão. “O Lobinho agora está falando que conversou com Brown. Mentiroso!”, escreveram em tuíte que foi compartilhado por Mano Brown na rede social.

Entenda o caso

Na entrevista, Lobão alfinetou o novo rap e disse que o ritmo faz parte de “anseios de intelectuais petistas”. Logo depois, recebeu diversas mensagens de artistas reclamando do conteúdo de suas declarações e de seu novo livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”. “Você segura o Lobão que vai ter uma fila pra bater! Kkkk até eu fui esculhambada! Vamos cobrar royaltes desse livro!”, escreveu a empresária Paula Lavigne para o rapper Mano Brown, escreveu no Twitter nesta quinta-feira (2).

“Conheci o Lobão em 1996. Cumprimentei e depois disso nunca mais o vi. Sinceramente não tenho o que falar da pessoa dele. Estranho o Lobão falar de mim sem nunca ter me conhecido. Não entendo a postura dele agora. Ele que pregava a ética e rebeldia, age como uma puta para vender livro. Nos anos 80 as ideias dele não fizeram a diferença para a gente aqui da favela. Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, nem ele comigo. O Lobão está sendo leviano e desinformado. Tô sempre no Rio de Janeiro, se ele quiser resolver como homem, demorô! Do jeito que aprendi aqui”, escreveu Mano Brown em uma série de publicações.

Outros músicos também foram citados e também se defenderam via rede social.

Depois de atingir a marca de 150 mil exemplares vendidos com sua autobiografia, Lobão volta às livrarias com um livro no qual se propõe a falar sobre o “estado de paralisia” em que acredita que o Brasil se encontra.

dica do Ronaldo Junior

afinal, vão ou não tocar juntos? :-)

Atualização:

O UOL publicou um comunicado de Mano Brown desmentindo a informação passada por Lobão. Segue: 

“Informamos que o Mano Brown não ligou e não conversou com o Lobão. Eles não irão tocar juntos na Virada Cultural como está sendo noticiado na imprensa. Pedimos que os veículos de comunicação que estão noticiando esse fato esclareçam a questão com a verdade, pois o Lobão mentiu e não haverá esse show do Racionais com o Lobão”.

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Show de insensibilidade: Manifestação de alguns internautas cristãos sobre a tragédia de Santa Maria provoca repulsa

boatchy (1)

A tragédia no município gaúcho de Santa Maria parou o país e comoveu o mundo. Uma onda de comoção inundou as redes sociais com mensagens de solidariedade. No entanto, algumas vozes cristãs se levantaram e as opiniões emitidas provocaram a revolta de muitos internautas.

Abaixo, outras manifestações de jovens cristãos que estão sendo amplamente divulgadas nas redes. Optei por omitir os nomes. #muitotriste

  • Sinceramente sobre a tragédia em Santa Maria soh tenho mt pena  dos familiares q agora ficam  cm a dor da perda e a saudade em seus coraçoes. E se aquelas pessoas q estavam na boate optassem por outro caminho (“JESUS”) a quantidade de mortos poderia não ser tão significativa.
  • o que seria de mim hoje se estivesse no mundo de pecado cheio de fantasias ilusoes,mais gracas a Deus to aqui pra falar pra todos que seu tivesse neste mundo eu seria um dos que moreram em santa maria… Sabe se Deus onde taria eu,morta? Viva? Com Deus viva!mais se estivesse com o mundo morta..
  • Lamentável, triste e trágico, (tragedia em santa maria) mas a realidade é que lugares onde é palco de pecados de imoralidade, bebedice dentre tantos outros, são lugares sem a proteção de Deus, pois ELE não pode habitar onde o pecado é presente e cortejado… Lembre-se sempre disso.
  • Que essa tragédia em santa maria no Rio Grande do Sul sirva de exemplo para as familias, a Biblia diz que o salario do pecado é a morte mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, o diabo roubou os sonhos de centenas de jovens, desperta jesus é o caminho.
  • Já fui do mundo vivendo nas baladas do mundo e graças a Deus renuncie tudo por amor a cristo e vou lutar pregando contra as baladas pois quando vamos em uma balada nosso anjo da guarda fica na porta e um demônio nós acompanha para dentro e se torna uma comunhão de demônios diz são joão maria vianey e olha oque Deu isso no rio grande do sul ” acorda juventude

dica da Fabiana Zardo e do Alexandre Melo Franco Bahia

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A Globo, o Malafaia e um desabafo…

Imagem: Púlpito Cristão
Imagem: Púlpito Cristão

Fabricio Cunha, no Facebook

E nos vemos mais uma vez enamorados com a rede Globo.

Sinceramente, não conseguiria entender esse encanto, senão fosse o fato de avaliá-lo muito mais à luz da “persona”, no caso, o pastor Silas Malafaia, do que do segmento evangélico.

Estrategicamente, a TV sempre deu mais prejuízo do que lucro. Não anotamos um número significativo de vidas ou estruturas transformadas que citam um programa evangélico de TV como a sua gênese.

Muito pelo contrário, na TV, o segmento evangélico alcança seu pior estereótipo. E não é pelas personagens “crentes” caricatas nas novelas. Não. São os televangelistas que são nossa pior imagem pública. Eles, sim, e seus projetos pessoais de poder, caricaturas de uma triste realidade.

Duas semanas atrás o senhor Malafaia foi até a Globo e apertou a mão não sei de quem (me lembrei da hora em que o advogado Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves aperta a mão do diabo, interpretado por Al Pacino em “Advogado do Diabo), “selou a paz” e firmou um “compromisso” entre nós, evangélicos e a emissora. Como pedido “fiel da balança”, solicitou um personagem evangélico que retratasse de fato quem somos.

Duas perguntas:

1. E quem somos? Um grupo formado por milhões de pessoas, que se agremiam nas mais diversas “denominações”, num país completamente diverso em sua identidade social, cultural e religiosa inclusive. Qual seria o retrato de um personagem “evangélico” de fato?

E, mais importante:

2. É a Globo, influenciada pelo sr. Silas Malafaia, que terá o poder de determinar o perfil do “bom evangélico”?

Por favor, sr. Malafaia (que nunca vai ler esse texto…). Quer falar, fale, mas fale em seu nome ou em nome de quem lhe deu procuração.

Também sou evangélico. Também sou pastor. Mas cansei de dizer que não sou como o senhor para pessoas que me conhecem sem ter o mínimo registro religioso que as dê algum discernimento para saberem que somos diferentes, que lemos bíblias diferentes, que vemos o mundo de forma diferente.

E se quiser vender-se para a rede Globo, venda-se, venda o que tem, mas não o que não possui.

Você é sim, infelizmente, uma voz evangélica com força pública, mas NÃO REPRESENTA OS EVANGÉLICOS, muito menos os detém.

Você NÃO FALA EM MEU NOME e nem em nome de outros milhões de irmãos evangélicos brasileiros, que tomam a sua cruz a cada dia e seguem o mestre Jesus de Nazaré.

No mais, senhoras e senhores, como bem diz meu amigo caipira Carlinhos Veiga:
“Nas contas que fiz, não sobrou nem um pouco. Ou eu sou ruim de conta, ou esse mundo tá louco.”

Vamos em frente.

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O casamento gay não tira o seu direito de ser hétero

Tiago Xavier, no Papo de Homem

Auditório bem cheio no colóquio da Faculdade de Direito. Sem ar condicionado, o calor ia me levando à sonolência. Mas o assunto é bom e, os expositores, preparados. De um lado, a pesquisadora entusiasmada defende a proposta de um possível Estatuto da Diversidade Sexual.

“É o Direito que diz como as coisas devem ocorrer na realidade ou é a realidade que, mostrando as trajetórias das pessoas na busca pela felicidade, desafia o Direito a evoluir?

Refletia sobre isso enquanto o debatedor se preparava para fazer o contraponto. Lembro de bons argumentos que defendem que o indivíduo tem o direito de agir como bem quiser, desde que não prejudique os outros. Engraçado, não tinham resolvido isso no século XIX?

Protesto pela permanência da segregação racial

E aí o debatedor finaliza, me arrancando do meu sonho:

“Podem até aprovar o Estatuto da Diversidade Sexual, mas eu só peço que continuem permitindo que eu seja hétero!”

O auditório todo aplaude de pé. Aclamação geral.

E eu fico sem entender. Em nenhum momento durante a discussão a favor da proteção das novas formas de afetividade alguém procurou limitar os héteros. Aquilo me pareceu muito esquisito.

Comentando depois com amigos, vi que eles reagiram da mesma forma que a platéia. Fiquei bem curioso sobre a razão disso.

Vou tentar aqui lançar um pitaco. Só isso, longe de tentar resolver o ponto. Estou sinceramente interessado nas opiniões que surgirem.

As formas de regulação social

Vou me apoiar no exemplo da causa homossexual pra analisar a fonte de grande parte da resistência, o monoteísmo ocidental, que, também, foi um dos primeiros métodos de regulação social.

As religiões mais comuns no Ocidente possuem um conteúdo ético que é bem interessante. Deus se comunica basicamente para estipular o código moral a ser seguido, segundo o qual seremos recompensados ou punidos. Uma violação desse código, apesar de poder causar prejuízo para os outros, é especialmente ruim por constituir uma ofensa a Deus.

E esse conteúdo é interessante porque ele é bem parecido com o conteúdo ético que fundamenta a atuação do Estado moderno. Pegue a idéia de pecado, substitua Deus por Estado e você tem um raciocínio que é bem comum e útil no Direito Penal, por exemplo.

Eu não aponto essa semelhança para criticar. É só uma constatação. Nem seria louco de, a partir do meu ateísmo, propor o fim do Estado. Acho legítima certa regulação social. Mas não acho que uma sociedade regulada é necessariamente uma sociedade ética ou esclarecida. Esse paralelo Estado-Religião serve apenas pra tentar evidenciar o que eu acho que sejam as razões de um comodismo e de um abuso.

O Estado-Deus nas sociedades ocidentais

Em razão disso, vivemos uma regulação dual: certo ou errado; virtude ou pecado, lícito ou ilícito. São categorias rígidas, pré-definidas. Por outro lado, qualquer visita a consultórios de psicologia vai revelar nuances, matizes, um mosaico humano em degradê.

Podemos até afirmar que vivemos em um Estado laico, mas ainda vivemos em arenas em que a questão fundamental é definir o certo e o errado, na tarefa de identificar e punir as pessoas ruins. Dá pra entender o apelo desse modelo. Nele, o controle parece eficiente contra um mundo complicado. É só separar o joio do trigo e está tudo certo.

Quem hoje ainda confessaria se sentir ameaçado pelos direitos dos negros?

Nossa sociedade acaba espelhando esse modelo e os elos da nossa rede se formam ou se rompem muitas vezes segundo esses critérios. Não nos afastamos mais dos pecadores, mas dos culpados.

E olha que foi Jesus quem impediu o apedrejamento da prostituta. Daí eu achar que esse modelo tem mais a ver com o que queríamos – na nossa fragilidade – que o Estado fosse, do que propriamente com os valores que inspiraram o modelo.

A lei e os mandamentos

Se violar a lei parece pecado, o que é seguir a lei? “Ora, é fazer o certo!” Concordo, mas dá pra ir além. Se a lei favorece meu comportamento, significa que tenho respaldo do Estado. Não só material – no sentido de que posso me defender se alguém me atingir – mas respaldo moral. Em outras palavras, o Estado-Deus disse que estou certo.

Se isso parecer que faz sentido, qual será a reação quando o Estado diz, por meio da lei, que um comportamento, que sempre foi visto como oposto ao correto, passa a ser permitido? Nossa lógica dual entra em pane e o resultado é bastante angústia.

“Peraí, agora o Estado disse que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível, certo. Isso quer dizer então que o meu casamento heterossexual é o errado?”

Além disso, quando o Deus-Estado acolhe um novo comportamento – por meio do direito – isso lança sobre aqueles que conduzem suas vidas de modo tradicional uma luz de auto-avaliação: “então existe outro jeito de viver a vida?”.

Só que não é bom passar por isso.

Acho que o debatedor tirou sua frase de efeito – “que continuem permitindo que eu seja hétero” – desta visão.

Qual é a jogada, então?

Esse Deus, ao invés do outro, está ao nosso alcance. Vemos a face dele e o caminho está aberto à todos. É só participar da sociedade democrática.

Se o truque pra ganhar é identificar certos padrões com a fala do Estado, basta confundir a vitória moral com a vitória política. Esse fenômeno em que grupos sociais disputam a formação e a expressão da vontade do Estado foi chamado de Legislação simbólica pelo professor Marcelo Neves, da Universidade de Pernambuco.

Na opinião do professor, além dessa legislação simbólica servir pra confirmar os valores de um grupo sobre o outro, serve também pra criar uma aparência de atuação estatal, sem resolver de fato o problema.

Embora eu compreenda e concorde com o movimento de afirmação legislativa que levou homossexuais, negros e mulheres à política, acabo pensando que o professor tem sua razão. As manifestações legislativas favoráveis a esses grupos, embora importantes, não resolveram os problemas e ainda criaram resistência dos grupos que lhes são “contrários”, que, de forma ressentida, reclamam das ditaduras das minorias.

Uma breve (in)conclusão

Você está aí lendo isso querendo concordar ou discordar, querendo justiça quando os jornais exploram um crime particularmente ruim, querendo acertar, querendo saber “a verdade”, estabelcer culpas e responsabilidades. Desista. A realidade sempre vai dar rasteiras no nosso dualismo do céu e a terra e da vã filosofia.

A sensação de confusão já o coloca num impulso de concordar ou discordar e a fragilidade está aí, não na sociedade.

Retomo o mote inicial do texto. Não é a forma da união entre as pessoas que denota o avanço da sociedade. A sociedade avança na medida em que reconhece que não existe uma união intrinsecamente boa ou natural, e pára de meter o bedelho na forma como adultos irão buscar a felicidade.

A falha da técnica regulatória não é de técnica, mas de propósito. Não precisamos só regular as novas situações – embora isso não seja ruim.

Precisamos é de novas formas de pensar.

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