Os 10 experimentos militares que vão chocar você

Felipe Mafra e Fernando Costa, no Point Notícias

No filme “X-Men Origins: Wolverine” um programa militar para a criação de um super-soldado, a arma IX. Conheça alguns dos experimentos militares reais mais bizarros feitos nos Estados Unidos, testados em civis e em soldados – tudo para aperfeiçoar a ciência da guerra. Os militares não tentaram inserir adamantium no esqueleto de ninguém, ou sequer criaram garras retráteis, mas atiraram plutônio em vítimas de acidentes, testaram gás neurotóxico em marinheiros e tentaram Percepção Extra Sensorial.

10.      VISÃO NOTURNA

A marinha estadunidense queria aperfeiçoar seus soldados e “instalar” neles uma visão noturna, que os ajudaria a enxergar raios infravermelhos durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, os nossos olhos não são capazes de captar esses sinais, pois não são tão sensíveis. Os cientistas da época sabiam que vitamina A melhorava a recepção de imagem nos olhos e então procuraram desenvolver uma vitamina alternativa para que seus soldados tivessem visão noturna. Alimentaram os voluntários com suplementos à base de fígado de peixe – depois de vários meses, a visão dessas pessoas começou a se modificar e alguns realmente conseguiram captar sinais infravermelos. Mas logo em seguida, outros cietistas desenvolveram os óculos de visão noturna e, mesmo tendo algum sucesso, a forma mais drástica de “ver melhor” foi pelo ralo.

9.         VACINA DE PLUTÔNIO

Na mesma época do desenvolvimento da bomba atômica, o plutônio virou febre entre os cientistas. Eles queriam saber quais seriam os possíveis males causados pela substância. Os testes começaram dia 10 de abril de 1945, quando pesquisadores injetaram plutônio em uma vítima de acidente para ver quanto tempo demorava até que seu corpo se livrasse da substância radioativa. Esse foi apenas o primeiro de 400 experimentos com radiação. Estudos mais comuns incluiam análises da radiação no organismo, em diferentes doses, e possíveis tratamentos para o câncer.

8.         DIRIGIR UM FOGUETE

Antes do homem ir para o espaço, ele dirigiu foguetes no chão. Cientistas da Nasa criaram projéteis que alcançavam a velocidade de 640 km/h – e, sim, não foram só os chimpanzés que os testaram (aliás, os macacos saíam dos testes, se não mortos, com sérios danos cerebrais). Foi em 1954 que o Coronel John Stapp, da Força Aérea, se submeteu ao teste. Ele alcançou a velocidade incrível de 1017 km/h, mas teve concussões, costelas quebradas, pulsos fraturados, perdeu alguns dentes e veias e seus dois olhos estouraram.

7.         PORQUINHOS-DA-ÍNDIA PACIFISTAS

A maioria dos soldados não se apresentou para lutar contra vírus e bactérias mortais, mas 2300 adventistas do sétimo dia o fizeram. Em uma interpretação literal da Bíblia (“Tu não matarás”), os religiosos se candidataram para servir de cobaias, no lugar de porquinhos da índia, no desenvolvimento de vacinas contra armas biológicas. Ninguém morreu na chamada “operação casaco branco”, mas os adventistas passaram por desconforto, febres, calafrios e dores.

6.         CAIR NA VELOCIDADE DO SOM

A Força Aérea queria descobrir como os pilotos poderiam sobreviver, caindo de grandes altitudes – como se estivessem saltando de um avião. A missão foi concedida ao Capitão Joseph Kittinger, que saltou várias vezes, cada vez quebrando recordes. A terceira vez que quebrou seu próprio recorde, ele saltou de 32 quilômetros de altura. A velocidade da queda foi tanta que ele quase quebrou a barreira do som: 988 quilômetros por hora (a velocidade do som é de 1224 km/h). Além disso, durante a queda, ele precisou suportar temperaturas extremas como 70 graus Celsius negativos!

5.         ALUCINÓGENOS

Algumas drogas não têm apenas valor nas ruas, pelo menos era o que achavam alguns cientistas. O LSD, por exemplo, quase foi promovido a arma de guerra – já que, teoricamente, deixaria o inimigo tão doidão que ele não conseguiria lutar. De 1955 a 1972 alguns soldados fumaram, cheiraram e injetaram tudo o que aparecia de novidade. Foi cogitada a criação de uma artilharia de alucinógenos, que despejaria as substâncias nos inimigos, deixando-os sonolentos.

4.         GÁS

Em 2002 foi revelado que, durante os anos 70, alguns integrantes da marinha americana receberam pulverização de gases “experimentais”. Na época, eles tinham como objetivo evitar a contaminação dos tripulantes dos navios com doenças, mas posteiormente começaram os experimentos que criariam o Gás Mostarda. Possíveis doenças causadas nos marinheiros daquela época, como diversos tipos de câncer, ainda estão sendo analisadas.

3.         PERCEPÇÃO EXTRA SENSORIAL

Pessoas que dizem terem poderes psíquicos não têm muito crédito entre cientistas – o que não impediu o Pentágono de investir 20 milhões de dólares em pesquisas sobre o assunto. O objetivo era que os “superdotados” pudessem “ver” bunkers e outras estruturas militares dos inimigos à distância, descrevendo-as depois para os militares. O projeto foi cancelado depois de tentativas falhas.

2.         GUERREIRO 24 HORAS

O sono pode ser o pior inimigo de um guerreiro, seja durante o dia ou a noite, já que batalhas não têm hora para acabar. Mas vários grupos militares tentaram mudar isso, distribuindo estimulantes entre seus soldados. Mais recentemente, uma droga que faria com que os militares ficassem acordados até 40 horas foi testada. Atualmente, os cientistas americanos estão desenvolvendo maneiras de manter o cérebro ativo com eletromagnetismo – se você está com sono, um pequeno choque logo resolve.

 

1.         CONSTRUA SUA ARMADURA INTERIOR

Não estamos longe de ter soldados como o Wolverine, de X-Men. Cientistas buscam implantar nos militares qualidades encontradas em animais, como a resistência a altitudes de determinados tipos de pássaro e a capacidade de redirecionar o fluxo sanguíneo para regiões “não-críticas” do corpo durante o mergulho, como os leões-marinhos. O objetivo final é fazer com que os soldados sejam “a prova de morte”, contra qualquer tipo de condição: doenças infecciosas, armas radioativas, altitudes e temperaturas extremas e ambientes naturais perigosos. Exatamente como super-heróis mutantes.

 

 

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Excêntricos animais de estimação

Porque alguns são tão selvagens quantos seus pets.

Rejane Borges, no Obviousmag

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Frida Kahlo com seu veado de estimação, 1939.

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Phyllis Gordon e sua Cheetah, 1939.

A man walks his pet dog and pet boar, US, 1955.jpg
Um homem, seu cão e seu javali de estimação, EUA, 1955.

A pet black leopard and his owner, Florida, 1971.jpg
Leopardo preto e seu dono, Florida, 1971.

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Audrey Hepburn e seu veado de estimação.

Josephine Baker takes her pet cheetah Chiquita for a walk, 1931.jpg
Josephine Baker leva seu animal de estimação Chiquita para uma caminhada, 1931.

A girl has tea with her pet dog and raccoon, Massachusetts, 1930.jpg
Menina brinca de chá com seu cão e guaxinim de estimação, Massachusetts, 1930.
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Francisco bota fé no povo

O Papa ensinou a um país de tropas de choque que as ruas são um lugar de todos e não é nelas que mora o perigo

foto: O Dia
foto: O Dia

Elio Gaspari, em O Globo

No primeiro dia de sua visita Francisco lavou a alma do Brasil. Engarrafado na Presidente Vargas, num carro com a janela aberta, acariciou uma criança. Era apenas um homem que não tem medo do povo. Percorreu a muy leal cidade de São Sebastião em cenas inesquecíveis. Seu percurso não foi demarcado pelos batalhões de choque, mas por cordões de jovens voluntários, com camisetas amarelas (oh, que saudades da cor das Diretas Já).

Pouco depois, o Papa estava no jardim do Palácio Guanabara, num cenário cavernoso, com o prédio protegido pelo Batalhão de Choque. Submeteram-no a um protocolo redundante, obrigando-o a apertar as mãos de pessoas que já havia cumprimentado na Base Aérea. Havia hierarcas que ganhavam beijinho da doutora Dilma e ai daqueles que saíram só com o aperto de mão. (Noves fora o ministro Joaquim Barbosa, que passou batido pela chefe do Poder Executivo. Ele não faria isso com o prefeito de Miami.) No Guanabara estava a turma do andar de cima. Nela havia gente que, tendo ouro e prata, anda protegida por seguranças pagos pela patuleia da Presidente Vargas.

Até o momento em que Francisco chegou ao Rio o país viveu o clima neurastênico, no qual confundia-se uma peregrinação da fé com uma operação militar que, avaliada pela sua própria pretensão, foi uma catedral de inépcia. Vinte e cinco mil homens da polícia e das Forças Armadas para proteger o Papa. De quem? Num dos momentos mais ridículos já ocorridos em visitas do gênero, um soldado foi fotografado verificando o nível de radioatividade do quarto de Francisco em Aparecida. Os sábios da demofobia planejaram tudo e, como sucede a milhares de cariocas, o Papa acabou engarrafado na Presidente Vargas. Evidentemente, a prefeitura responsabilizou a Polícia Federal e a Polícia Federal reponsabilizou a prefeitura, mas isso não é novidade. Para alegria de quem estava na avenida, deu tudo errado e eles puderam ver o Papa de perto.

Todos os detalhes da neurastenia foram conscientes, da divulgação do aparato de segurança à exposição de temores com manifestações. Nenhuma das duas iniciativas era necessária. A exaltação da máquina policial é uma indiscrição, a menos que seu objetivo seja apenas causar temor. Os distúrbios ocorridos nas cercanias do Palácio Guanabara faziam parte do cotidiano do governador Sérgio Cabral, não da rotina de Francisco. Nesse sentido, a janela aberta do carro, o papamóvel com as laterais livres e o cordão dos voluntários vinham da agenda da Igreja, botando fé no povo e nos jovens.

Num discurso impróprio, a doutora Dilma referiu-se às “mudanças que iniciamos há dez anos”. Louvava a década de pontificado petista diante de um pastor cujo mandato começou há 2013 anos. Não entenderam nada.

O Brasil é uma democracia que passa por momentos de saudável tensão. Os hierarcas de Brasília e do Rio celebraram a suposta eficácia de geringonças eletrônicas (com contratos milionários) e, inexplicavelmente, ecoaram a demofobia e os rituais dos comissários poloneses durante a visita de João Paulo II a Varsóvia, em 1979. Onde havia fé, viram jogos de poder. Perderam uma santa oportunidade de celebrar a fé dos peregrinos baixar as tensões que envenenam a política nacional.

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Quem era o jovem fotógrafo que filmou a própria morte no Egito

Ahmed Samir Assem fez a imagem mais emblemática de um país mergulhado no caos.

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Ahmed Samir Assem

Publicado no EL Hombr

Ele tinha 26 anos e era fotógrafo free lancer. Estava cobrindo os levantes no Egito após o golpe militar que tirou o presidente Mohamed Mursi do poder. Acabou produzindo a imagem mais impressionante e emblemática da situação caótica por que passa o país.

Ahmed Samir Assem filmou sua própria morte. Ele registrava a ação de um franco atirador no topo de um edifício. O soldado, de acordo com testemunhas, disparava contra a multidão (naquele dia, 51 pessoas pereceram).

O homem dá alguns tiros — e então aponta seu fuzil para Assem. A câmera para de operar nesse momento.

Seu equipamento ensanguentado foi encontrado num dos acampamentos improvisados no local. Assem estava nas manifestações desde a primeira hora. Gente que apoiava a Irmandade Muçulmana (grupo do qual Mursi fazia parte) se ajoelhava para rezar quando foi atingida. O exército afirma que estavam tentando invadir uma instalação militar.

Ahmed Abu Zeid, editor de cultura do jornal para o qual Assem estava trabalhando, conta que um homem apareceu dizendo que um de seus colegas havia sido ferido. “Cerca de uma hora mais tarde, eu tive notícias de que Assem fora alvejado na testa por um atirador enquanto filmava e tirava fotos na cobertura dos prédios. A câmera de Ahmed será utilizada como prova das violações que foram cometidas”.

Assem fazia pós-graduação do departamento de comunicação da Universidade do Cairo e era, segundo os amigos e familiares, um profissional dedicado. Reuniu um acervo de 10 mil fotos desde que começou na profissão, há três anos. Costumava trabalhar para o jornal Al-Horia Wa Al-Adala, órgão oficial do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana. Sua página no Facebook é repleta de fotos de manifestantes e posts contra os militares, ao lado de imagens de casamentos e de outros serviços que prestou. Agora há preces e convocações para seu funeral.

O assassinato de Assem será usado politicamente. A imagem de sua morte é o retrato mais eloquente de um conflito que está começando. “No final das contas, Ahmed estava fazendo apenas o que se esperava dele: trabalhando”, disse um amigo. E num país mergulhado no caos como o Egito, ele pagou um alto preço por isso.

 

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Carta de um policial nos protestos de São Paulo

Policiais tentam conter manifestantes durante protesto nesta terça-feira (11), em São Paulo. (foto: Fabio Braga/Folhapress)
Policiais tentam conter manifestantes durante protesto nesta terça-feira (11), em São Paulo. (foto: Fabio Braga/Folhapress)

Danillo Ferreira, no blog Abordagem Policial

Ser policial e andar com uma lupa de análise política no bolso quase sempre é trágico. Leva-nos a conflitos internos, terremotos morais, furacões éticos. Sim: estou falando da atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, digo, estou falando da minha atuação nos protestos em favor da redução das tarifas de transporte público em São Paulo.

No front, companheiros, sabemos todos nós policiais (caso este texto seja publicado), no front não há raciocínio. “A determinação é desocupar a Avenida”. Um sentimento de dever nos une, e a determinação será cumprida. Deve ser cumprida. Por nós, que pegamos ônibus e metrô, e somos pouquíssimos partidários dos governos: são eles, afinal, que nos submetem a condições de trabalho questionáveis, que nos pagam salários inadequados com a natureza da função que exercemos, que incita a polícia a agir, mas que degola o primeiro que parecer abusivo à opinião pública. Afinal, soldado morto, farda noutro.

Vi baderneiros e atos descontrolados de manifestantes: danos desnecessários, resistências à ação policial, incitação à violência. Cá para nós, coisa natural em protestos e manifestações contra os governos. Diferentemente de tropas militares, manifestantes civis em reivindicações não possuem controle central, determinação uniformizada de ordens. Diferentemente da polícia, que quando é violenta com certeza acata a um interesse específico, a população em protesto pode tender à irresponsabilidade de uns poucos. E isto não deslegitima  a causa.

Vi policiais assumindo a lógica “nós contra eles”, como se na guerra estivessem, vi colegas ingenuamente assumindo-se engrenagem de uma máquina que está longe de ter como fim “a manutenção da ordem pública”. Vi o despendimento de uma estrutura militar significativa para calar a voz de cidadãos, para evitar sua permanência no espaço público, para negar a insatisfação que, lá em nosso âmago, faz parte de cada policial militar (salvo alguns que, certamente, estão bem privilegiados nos altos escalões de poder).

Cumprimos ordens, é verdade, mas elas pelo menos devem ser investigadas quanto às suas naturezas, quanto ao que representam politicamente, quanto a seus desdobramentos sociais. Ouço colegas dizerem que, “se os baderneiros são violentos, não podemos nos omitir, a repressão deve ocorrer, a violência tem que ser devolvida”. Obviamente, permitir-se apanhar é absurdo: tão absurdo que não sei se alguém acha mesmo que pedir respeito à manifestação popular significa pedir para apanhar. Mas a violência institucional policial, que, repito, é organizada e obedece a um comando central, é uma contradição do ponto de vista dos fins da própria instituição, que está sustentada (a princípio) na produção da paz.

Policiais são profissionais, têm deveres, modo de atuação especificado, direitos a garantir, deveres a fazer cumprir. A sociedade, neste momento se reconhecendo enquanto corpo político reivindicatório, tem um elemento que vez ou outra surge, sempre incomodando bastante quem quer as coisas do modo que elas estão: ideal, coragem política e insatisfação coletiva. Como deveria ser a relação entre esses dois setores da mesma sociedade?

Sou a favor do que defendem os manifestantes. Sou a favor da ação policial que evite ações violentas de manifestantes. Sou a favor de ações policiais não violentas. Sou a favor que cada policial militar paulista reflita sobre o que representa seu bastão erguido, seu espargidor acionado, seu tiro de borracha disparado. Trabalhamos para sobreviver, sem nossa profissão, não sustentaríamos nossas famílias, mas não é pequeno o conflito existencial de quem percebe que está jogando, porque é obrigado a jogar, o jogo de uns poucos, encerrados em seus gabinetes, presos afetiva e ambiciosamente à cadeira do poder. Lamento, tristeza e vergonha.

A carta acima foi recebida pelo Abordagem Policial de um leitor anônimo, de modo que não podemos afirmar a veracidade de qualquer ponto explicitado no texto. Pela temática e peculiar posição defendida pelo autor, resolvemos publicá-la.

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