Mãe realiza sonho de dançar no casamento do filho três dias antes de morrer de câncer

 

Publicado no Extra

Nem mesmo a batalha contra um câncer de mama fez a americana Mary Ann Manning desistir de realizar um de seus maiores sonhos: dançar com o filho Ryan na festa de casamento dele, no último dia 5 de setembro. Já debilitada, a senhora de 61 anos emocionou todos os presentes na festa ao se apresentar com o noivo, seu filho, ao som de “Over the rainbow”, trilha do filme Mágico de Oz. Três dias depois de ter seu desejo atendido, Mary Ann morreu, devido a complicações da doença. As informações são do Daily Mail.
A dança foi registrada pela outra filha de Mary Ann, Kristie, em vídeo publicado no YouTube. Na publicação, ela escreve que a mãe “aguentou firme para dar ao filho esse último presente” e chama o acontecido de uma “síntese do que é o amor de mãe”. Kristie diz ainda que Mary Ann se juntou a seu outro filho, que morreu há quatro anos.

Mary Ann, de vestido com brilhantes ao lado da noiva, e a família Manning Foto: Reprodução / Facebook
Mary Ann, de vestido com brilhantes ao lado da noiva, e a família Manning Foto: Reprodução / Facebook

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Viver e vencer

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Ricardo Gondim

Por algum motivo, o filme “Casa de Areia” não me sai da cabeça. Sua mensagem de rara beleza me inquieta.

A trama se desenrola em 1910. O português Vasco (Ruy Guerra) convence a esposa grávida, Áurea, (Fernanda Torres) a sair em busca do sonho de buscar vida nova em um lugar ermo, possivelmente próspero. Áurea traz a mãe, Dona Maria (Fernanda Montenegro).

O sonho se transforma em pesadelo. Após longa e cansativa viagem junto a uma caravana, os três descobrem que a terra ficava em um lugar muito inóspito, rodeado de areia por todos os lados. Viver ali seria um peso. Com poucas chances de reverter as condições, a família teve de lutar para apenas sobreviver.

Áurea quer desistir. Procura voltar para o lugar de onde vieram. Vasco insiste em ficar e constrói uma casa. Depois de serem abandonados pelos demais integrantes da caravana, Vasco morre em um acidente. Áurea e Dona Maria ficam sozinhas, obrigadas a enfrentar constantes tempestades de areia.

As duas partem em busca de ajuda. Encontram Massu (Seu Jorge), um homem que nunca saíra dali para conhecer outra realidade. Massu passa a ser protetor e provedor. O negro Massu se torna assim o responsável pelo enraizamento das duas mulheres na terra. Ele ajuda, inclusive, a frágil estabilidade (emocional, inclusive) das mulheres. Áurea gasta dias alimentando o antigo desejo de escapar da hostilidade do lugar. Ela anseia partir de qualquer jeito. Sonha com a vida antiga. Os anos se arrastam. Ela não consegue. As tentativas de ir embora são frustradas. Em cada plano de escape, acontece um imprevisto e os planos são abortados.

O filme consolida a ideia de que não possuímos controle absoluto sobre os rumos da nossa vida. Muitas vezes, por mais que tentemos não nos antecipamos a incidentes. Não conseguimos dar a grande guinada na vida que desejamos ou idealizamos. Quase sempre nos vemos impotentes para contornar imprevistos: desastres, doenças, frustrações. Basta um instante crucial e sonhos são adiados – ou se perdem para sempre.

Homens e mulheres lutam para se convencer de que são capitães de suas próprias histórias. Mas tal onipotência é falsa. A sensação de comando só anestesia a angústia universal que nos acomete. Ninguém é dono do seu nariz. Chico Buarque constatou em Roda Viva:

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá.

Eclesiastes, o ácido existencialista bíblico, também afirmou:

Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos. Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora: Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos numa armadilha também os homens são enredados pelos tempos da desgraça que caem inesperadamente sobre eles. (Eclesiastes 9.11-12).

A realidade da vida é bruta. O devir se impõe com força. Os esforços de controlar o futuro são inúteis. Ninguém consegue dominar todas as variáveis da existência. Os acontecimentos não estão presos em uma engrenagem justa e precisa. A noção aristotélica da vida encadeada em causas que produzem efeitos numa sucessão infinita, não passa de fatalismo. Nossa existência não se arrasta em bitolas simétricas, por isso, não temos controle total sobre ela. A vida se dá com um grau de liberdade que possibilita, inclusive, acidentes. O Eclesiastes avisa que o tempo e o acaso afeta a todos. Tanto alegrias como frustrações se dão no espaço da imprevisibilidade.

Viver não consiste no esforço para controlar aquilo que os filósofos chamam de contingência. Somos desafiados a encontrar sentido e nos construir humanos apesar do imponderável. Se bailamos como um lençol que o vaivém indomável da bruma agita, podemos achar beleza nesse movimento. Vivemos para aprender que trilhas e encruzilhadas que todos enfrentam, apesar de inéditas, são fascinantes. Cada pessoa precisa de beleza para abrir seu próprio caminho nessa estrada virgem.

Qualquer surpresa pode acontecer a cada instante. O improvável espreita a todos como um caçador. Se há momentos em que colhemos o que semeamos, chegam também ocasiões em que a vida atola em areais insólitos. Às vezes é preciso remar por mera teimosia, e insistir sem levar em conta os ventos contrários. O porto seguro de nossos desejos pode estar perto e, o mesmo tempo, infinitamente distante. Quem sabe nossos filhos consigam sair do areal.

Viver é resistir.
Viver é teimar.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Manual de instruções do mundo bizarro

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publicado no IdeaFixa

“Dream Diary” é o nome desta série malucona ilustrada por um artista chamado Vaka Valo. Ao que parece, a ideia dele é retratar aqueles sonhos bizarros e surreais que passam pelo nosso inconsciente enquanto estamos dormindo.

Quem aí nunca acordou depois de um sonho sem pé nem cabeça e não tinha noção do significado daquilo? Pois bem, talvez você se identifique com alguma dessas obras:

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Americano encontra mulher com quem sonhou por anos

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(Divulgação)

Chico Felitti, no Digo Sim

Título original: Darrell e Rosângela: dois sonhos em uma realidade

Darrell sempre sonhou com Rosângela . Rosângela sempre sonhou com Darrell.  Só que de jeitos bem diferentes.

O americano tinha 12 anos quando viu uma cena enquanto dormia. Estava numa festa em um casarão com uma mulher que nunca havia visto, mas que amava. A garoa da noite fazia o cabelo da moça ficar úmido, ele sentia na pele. E acordava.

Já Rosângela sonhava desde os 12 anos em sair da cidadezinha onde morava, no sul de Minas Gerais, e ir para os Estados Unidos. “Ainda criança, eu queria me casar com um americano!”

O sonho dele se repetiu, sempre à noite, “umas 30, 40 vezes” em 13 anos (dos 12 aos 25).

O sonho dela se repetia dia e noite na sua cabeça. “Eu via os filmes americanos e queria aquela vida para mim. Não sei exatamente o que era, mas queria.”

O sonho dele se transcorria dentro da casa da avó paterna em Salt Lake City, nos EUA.  “Era o amor da minha vida.”

O sonho dela levou-a a se mudar. Foi para Santos fazer faculdade e trabalhar, com uma ideia fixa. “Eu ia guardar dinheiro para ir para os Estados Unidos.”

O sonho dele levou-o a escolher uma especialização diferente da sua graduação, de antropólogo. “Descobri que havia um mestrado sobre sonhos e fui fazer.” Nas aulas, chegaram até a encenar a miragem que se repetia em muitas noites.

Sonho2 O casal, que hoje mora em Santos (ela desistiu de se mudar para os EUA) (Divulgação)

Rosângela não desistiu do sonho. Em 1989, ela decidiu que partiria assim que o ano virasse. Até comprou um apartamento para impressionar como profissional de sucesso na entrevista para o visto americano.

Darrell, sim, desistiu. “Na época eu gostaria de ter expurgado o sonho, porque ele não significava nada.” O último sonho que ele teve foi o único diferente de toda a vida. “Nele, essa pessoa estava na janela do apartamento onde eu morava, na avenida 9 de Julho, e não na casa da minha avó.” Nessa época, o americano já havia se mudado para São Paulo e trabalhava na editoria Internacional desta Folha.

Por sugestão de um amigo, ele, que terminara um namoro e estava desiludido, mandou uma carta para a seção de encontros amorosos da revista “Contigo”.  “Era um currículo, literalmente. Dizia o que eu tinha estudado e feito da vida.”

Enquanto isso, em Santos, uma colega de trabalho entrou na sala de Rosângela com uma revista “Contigo” na mão. Ela e as amigas brincaram que estavam encalhadas e que cada uma mandaria uma carta. Só ela mandou de fato. Dizia no papel “Quero me corresponder para fazer novos amigos”.

Ela recebeu umas 300 cartas. “Gente do Brasil inteiro, brasileiros que trabalhavam no Oriente Médio, enfim.”  Eram tantas missivas que até seu chefe ajudava a ler.

Mas ela respondeu uma só, a de Darrell. “Era um currículo, ele dizia os países que conhecia, o que tinha estudado, as línguas que falava. E ele era americano, né?”

Três dias depois, recebeu a resposta dele. Com uma foto. Na véspera do Natal, ele ligou para ela. Na do Ano-Novo, ela para ele.

Sonho3Ele só contou a ela dos sonhos recorrentes com seu rosto depois do casamento (Divulgação)

Em 13 de janeiro de 1990 marcaram de se ver, na estação Paraíso do Metrô. Ele a esperava na plataforma (“O casamento sempre começa no Paraíso!”). E esperou, e esperou. “Ela atrasou mais de duas horas.”

“Teve um congestionamento subindo a serra. Foi muito tempo de atraso”, confessa ela, que chegou na estação achando que ele não estaria mais ali.

Quando ele estava para ir embora, olhou para trás. “Virei e vi aquela mulher saindo do trem. Era ela. Foi bater o olho na orelha e no joelho dela e eu sabia. Eu queria falar aquilo, que ela era a mulher da minha vida, mas não podia, ela ia achar estranho.”

Três meses depois estavam casados.  O pedido formal nunca existiu. A decisão veio de uma frase proferida pelos dois. “Minha mãe não está muito contente de a gente estar morando juntos sem se casar.”

O encontro faz parte de uma palestra dele sobre sonhos e um livro sobre o mesmo assunto. Já narrou a história nos programas de Marcia Goldschmidt e de Olga Bongiovanni.

Rosângela Champlin, 56, e Darrell Champlin, 49, estão casados há 25 anos e vivem em Santos. “Depois dela, nunca tive outro sonho recorrente.”

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