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Como você mede um ano de vida?

Foto: acervo da Familia Pacitti Thomé

Helena Beatriz Pacitti

Como você mede um ano de vida?

Pelas promoções que alcançou?

Pelas vezes em que ficou procurando desenhos nas nuvens?

Pelas contas que pagou?

Pelo número de vezes que percebeu a mudança da lua no céu?

Pelas baladas as quais foi?

Pelos momentos em que não teve nada para fazer?

Pelo número de reuniões de trabalho desnecessárias?

Pelas vezes em que brincou com ( e como) uma criança?

Como você mede um ano pra viver?

Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos?

Pelas discussões onde se exaltou?

Pelos nasceres do sol que conseguiu assistir?

Pelas jóias que comprou?

Pelos momentos que cantou no chuveiro?

Pelo número de mentiras que disse?

Pelas canções que inventou?

Pelas contas de cartão que pagou?

Como se mede um ano de vida?

Pelas vezes que chegou tarde em casa?

Pelas apresentações que assistiu na escola da crianças?

Pelas horas que passou em frente a TV?

Pelas vezes em que disse ao seu amor “eu te amo” ?

Pelas promessas que fez e não cumpriu?

Pelas vezes em que sentiu compaixão genuína?

Por todas as segundas-feiras que praguejou?

Pelas vezes em que terminou o dia abraçado a alguém?

Pelas conversas onde falou mal de outros?

Pelas vezes que foi surpreendido pela chuva e e caminhou pingando?

Por medos que nunca aconteceram?

Pelos telefonemas que fez impulsivamente só para dizer um oi?

Pelas ações da bolsa que subiram e desceram?

Pelas vezes em que fez um idoso sorrir?

Pelos contracheques assinados?

Pelos muitos quilômetros que andou sem precisar de ajuda?

Como você mede um ano de vida?

Pelos momentos em que esteve em um hospital?

Pelas vezes em que beijou seu filho?

Pelas vezes em que desejou voltar no tempo?

Pelos livros que leu?

Pelas preocupações e noites de insônia?

Pelas vezes em que sentiu muitas saudades ?

Pelo número de sabonetes gastos?

Pelos poemas que arriscou?

Pelas vezes que esqueceu o celular em casa?

Pelas vezes em que preferiu se calar por pura delicadeza?

Por se surpreender que era época de declarar o imposto de renda?

Pelas vezes que levou alguém ao aeroporto?

Pelas cartas que recebeu?

Pelos cadernos que acumulou?

Pelos frascos de perfume esvaziados?

Pelas vezes em que dançou sozinho no meio da sala?

Pelos seus rendimentos financeiros?

Pelos amigos que voltaram?

Pelas pétalas e folhas que acariciou entre os dedos?

Pelas gargalhadas que deu?

Pelo amor que semeou?

Como você mede um ano da sua vida?

***

PS: Esse texto foi inspirado – podendo ser considerado uma paráfrase – na canção Seasons of Love, do compositor, dramaturgo norte americano e vencedor do prêmio Pulitzer, Jonathan Larson (1960-1996). Ela integra o musical- rock RENT, em cartaz no Nederlander Theatre em New York desde 1996. A vida de Jonathan foi curta, porém intensa e inspiradora, fazendo jus ao que acreditava e compunha.

Pai deixa 28 lições de vida aos filhos antes de morrer

Letícia Sorg, no Mulher 7 x 7

Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy. Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai – mesmo à distância. Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros. Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.

Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio. Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa. E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização”. “Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz”, diz Mandy ao jornal Daily Mail.

“Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.” Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.

O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens. Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos – e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem. Continue lendo