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Líder extrativista e pastor marcado para morrer: “Prefiro me arriscar do que ficar com a escolta”

Líder extrativista ameaçado de morte no sul do Amazonas denuncia despreparo e abuso dos policiais enviados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos para protegê-lo

O pastor Antônio na Reserva Extrativista acompanhado por policial da Força Nacional

O pastor Antônio na Reserva Extrativista acompanhado por policial da Força Nacional

Elaíze Farias, no Pública

“Fiquei doente e deprimido, quase tive um infarto. Para mim chega: pedi a suspensão da escolta”. Antônio Vasconcelos, de 59 anos, é pastor evangélico e principal liderança da unidade de conservação Reserva Extrativista do rio Ituxi, localizada no município de Lábrea, no sul do Amazonas. Único amazonense com direito à escolta do Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos, está cansado da “falta de preparo” das guarnições destacadas para lhe proteger a mando da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Por ter sofrido “agressão verbal e autoritarismo”, diz Antônio, ele prefere “se arriscar” a ter que continuar com a escolta. O pedido de suspensão da proteção policial foi enviado no último dia 23 de agosto para a Secretaria. Na carta, Antônio reclama de estar longe da sua comunidade, sem condições financeiras e afirma “Eu não possuo mais condições emocionais para estar nessa situação”

Hoje, o pastor sente-se abatido, deprimido e doente: meses atrás precisou se internar em um hospital em Porto Velho (RO) por causa do estresse. No início de setembro, esteve em Manaus para firmar uma parceria com o Ibama. Veio sozinho, pois a escolta só lhe acompanha dentro do limite de Lábrea, e conversou longamente com a Pública.

Até dois anos atrás, Antônio Vasconcelos era alvo permanente de fazendeiros que ocupam irregularmente imensas extensões de terras públicas em Lábrea, município localizado na região conhecida como Arco do Desmatamento. No dia 23 de novembro de 2011, eles haviam decidido que chegara a vez do pastor “tombar” – o mesmo que ser assassinado, no vocabulário local. Naquele dia, segundo relatos, dois pistoleiros estavam perto da sua casa, em um hotel da cidade, aguardando o momento certo para disparar contra ele.

Os pistoleiros só não contavam com a coincidência da data. Também no dia 23 de novembro, um grupo de 13 policiais da Força Nacional de Segurança Pública chegava à cidade para iniciar a escolta do pastor. A guarnição chegara subitamente; Vasconcelos só havia sido informado que eles chegariam a qualquer momento. “Os policiais bateram na minha porta e anunciaram o início da escolta. Me explicaram como seria e depois foram se hospedar em um hotel”. E os pistoleiros? “Fugiram”. Ele conta que soube da presença de seus possíveis assassinos por uma camareira do hotel. “Ela ouviu a conversa deles. Quando viram que os policiais chegaram, um deles pegou o celular e ligou para alguém, dizendo ‘sujou, sujou, tem um monte de polícia aqui. Não dá mais para fazer o trabalho’. Decidiram ir embora”.

O pastor Antônio acompanhado da escola de membros da Força Nacional (foto: Arquivo-pessoal)

O pastor Antônio acompanhado da escola de membros da Força Nacional (foto: Arquivo-pessoal)

Criando uma reserva e fugindo das balas

Nascido em um lar evangélico da comunidade Vera Cruz, à margem do rio Purus, Vasconcelos se mudou com a família ainda criança para outra área, chamada Cucuriã. Na infância, ajudava os pais na exploração de seringa. Foi estudar quando a família se mudou novamente, desta vez para uma “praia” próxima à sede de Lábrea. Serviu o Exército, casou-se e teve oito filhos; trabalhou como segurança, eletricista e até teve seu próprio negócio, que não deu certo.

O curso da sua vida mudou quando precisou trazer a Manaus um filho qua havia sofrido um acidente. Ali, em contato com outros “irmãos” da Igreja Assembleia de Deus, aceitou atuar como pastor em comunidades rurais do rio Ituxi, em Lábrea. “A luta começou quando me tornei pastor”, lembra.

Município nascido a partir da expansão da produção de borracha, Lábrea fica a 702 quilômetros de Manaus. Durante o ciclo da borracha, a população – formada por imigrantes nordestinos que se uniram aos indígenas locais – vivia sob o jugo dos “coronéis de barranco”, como eram chamados os donos dos seringais. Com a sua decadência, os “patrões” continuaram se intitulando os donos da terra, dos rios e dos recursos naturais.

Foi neste ambiente que o pastor ajudou a população de 680 pessoas, divididas em 14 comunidades à beira do rio Ituxi um afluente do rio Purus, a transformar a área em uma Reserva Extrativista (Resex) – os 760 mil hectares são cobiçadíssimos por serem ricos em madeira de lei e em diamante.

Ao chegar no rio Ituxi, em junho de 1995, Vasconcelos não se conformou apenas em pregar a palavra de Deus. Incomodado com a falta de perspectiva da população ribeirinha e com a exploração dos “patrões”, passou a ensiná-os a ler e a escrever. Também trabalhou como agente de saúde, sempre de forma voluntária. Depois, cobrou do poder público municipal carteiras escolares, material didático, escola e posto de saúde. “Percebi que faltava alguém para incentivar aquele povo, porque eles erravam por não conhecer. Reuni três comunidades e dava aula em dois turnos para crianças e adultos. Não existia luz elétrica. Cada aluno levava uma lamparina e colocava na carteira. Mesmo assim eles nunca faltavam. Todos tinham interesse em aprender e eu muito mais de ensinar”, lembra.

Hoje, a Resex Ituxi tem 12 escolas. Em uma delas, o professor é um dos oito filhos de Antônio Vasconcelos. A área atualmente tem três agentes de saúde e um barco hospitalar. “Não foi fácil. Foi preciso a gente lutar e gritar”, diz.

Apesar das iniciativas por educação e saúde, as populações das comunidades continuavam sem perspectiva. Foi quando o pastor teve a ideia de oficializar o extrativismo – coleta de produtos como copaíba, seringa, andiroba e castanha. O projeto, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, deu certo. “Eu nem sabia o que era Resex. Só ouvia falar e senti necessidade de aprender. Foi quando fiz um intercâmbio nas áreas onde já existiam Resex. Fui a Xapuri, onde morou Chico Mendes. Não sabia que eu já era conhecido. Foi a partir daquela reunião em Xapuri que eu soube que corria risco de morrer”, lembra.

As ameaças começaram em 2001. Em seguida, as perseguições, assim como o início de uma série de registros de boletins de ocorrências na delegacia de Lábrea. “Os poderosos não queriam a Resex porque a terra já estava toda demarcada pelos grileiros. A prefeitura dizia que ia prejudicar a economia local. Foi um embate muito duro. Quando a maioria decidiu pela criação da Resex, eles (os políticos e os fazendeiros) ficaram muito revoltados, mas saímos vitoriosos. A criação da Resex foi assinada em 2007 pelo presidente Lula. Mas foi aí que começou problema. Foi quando passamos a ser ameaçados com mais força. A situação piorou quando mataram o Dinho”, lembra, referindo-se a Adelino Ramos, liderança popular assassinada em 2011. Continue lendo

4 razões científicas para adotar um cachorro

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Carol Castro, no Ciência Maluca

Precisa mesmo da ciência? Essa foto não basta? Pensar na recepção calorosa toda vez que você chegar em casa também não é suficiente? Bem, então, vamos lá.

DIMINUI ESTRESSE NO TRABALHO
Pesquisadores da Universidade da Comunidade da Virginia pediram a 30 funcionários de uma empresa para levarem seus cachorros ao trabalho, durante uma semana. Outro grupo de 35 funcionários seguiria a rotina normal, sem a companhia dos bichinhos. Todos os voluntários tiveram de responder a questionários e ceder amostras da própria saliva aos pesquisadores  (foi usada para medir o nível de estresse). Ao final do dia, os funcionários “solitários” acabavam o dia mais estressado do que os felizardos acompanhados pelo cão.

DEIXA SEU CORAÇÃO MAIS SAUDÁVEL

Se a companha de um cachorro deixa você menos estressado, não é difícil concluir que seucoração também fica mais saudável. Dessa vez a pesquisa é lá do Japão. Um grupo de pesquisadores monitorou a vida de 191 pessoas, de 60 a 80 anos, com colesterol altodiabetes epressão sanguínea alta. 40% dos participantes tinham cachorros. E era esse grupo que corria o menor risco de morrer (medido pela variação dos batimentos cardíacos). Já entre os que já tinham problemas nas artérias do coração, os donos de cachorros viviam, em média, até um ano a mais do que os outros. Os pesquisadores acreditam que, além de diminuir o estresse, a companhia do bichinho supre parte da nossa necessidade de interação social. E isso, claro, nos deixa mais saudável.

AJUDA A CONQUISTAR MULHERES


Quem fez o teste foi um psicólogo francês chamado Nicolas Guégen, da Universidade da Bretanha do Sul, na França. Ele pediu a um ator para pedir o número de telefone de mulheres aleatórias na rua. Na primeira vez, o cara foi sozinho. E só 11 mulheres, dentre 120 abordadas, passaram o número. Quando ele levou um cachorro o número subiu para 34 – sim, três vezes mais!

FAZ BEM AOS BEBÊS
Parece arriscado manter um bebê e um cachorro, cheio de bactérias, no mesmo lugar? Fique tranquilo. Eles só fazem bem: fortalecem o sistema imunológico dos pequenos. Médicos finlandeses acompanharam 397 recém-nascidos ao longo de um ano. E aqueles que ficavam menos doentes (29 dias a menos) eram os bebês que tinham um cão em casa.

E aí, convencido?

‘Querem faturar com protestos’, diz Marina Silva

Marina Silva em ato que celebrou as 500 mil assinaturas para criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

Marina Silva em ato que celebrou as 500 mil assinaturas para criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

Diógenes Campanha, na Folha de S.Paulo

Enquanto conversava com a Folha por telefone, na quinta-feira passada, a ex-ministra Marina Silva acompanhou, pela TV, as imagens da manifestação que transcorria em Brasília naquela noite: “Meu Deus, a polícia está batendo nas pessoas. Deve estar cheio de gente que eu conheço”, afirmou.

Ela disse que se colocava no lugar das mães “desses meninos”. Jovens que, segundo ela, colocaram em prática um “ativismo autoral” sobre o qual vem falando “há mais de três anos”, e que é uma das bandeiras da “Rede Sustentabilidade”, partido que tenta criar para voltar a disputar a Presidência em 2014.

Veja trechos da entrevista.

*

Folha – A sra. vem falando sobre um “ativismo autoral” presente nas manifestações. Sente-se satisfeita com elas?

Marina Silva – Isso é tão grande que seria pretensioso [dizer isso]. Falando com você, estou emocionada. Poxa vida, eu queria muito que o Chico Mendes estivesse vivo, ele entenderia como ninguém o que estou sentindo agora, de poder ter pensado nisso [antes]. E uma demanda que eu vejo oculta é a de um realinhamento político por uma agenda para o Brasil. Parar de o PT querer governar sozinho pegando o que há de pior no PMDB, e a mesma coisa o PSDB. Se continuar no mesmo discurso, vamos continuar indignos dessas manifestações.

O que achou de partidos terem se manifestado após a revogação dos reajustes das tarifas, capitalizando os resultados?

É difícil falar. Me desculpe, mas é ridículo. Você tem a água cavando seu leito na terra e, quando ela transborda depois desse esforço, vê aqueles que querem surfar na onda. Não entenderam nada, não aprenderam nada.

A Rede, que divulgou comunicado dizendo que seus ativistas continuarão “presentes nessas horas”, também não pode ser criticada?

Podem até dizer, porque o movimento é tão grande que as pessoas não têm a obrigação de saber que estamos nisso desde sempre. Não registrar que foi uma vitória seria injusto com os milhares e milhares da Rede. A gente nunca levou camisa, bandeira. Todo mundo da Rede que está aí legitimamente opera nessas manifestações, mas ela é multicêntrica. Se você vir as velhas bandeiras querendo surfar, faturar, a Rede é completamente diferente.

Qual acredita ser o seu papel diante desse movimento?

Meu papel é de mais um. A água que cava seu leito faz isso se misturando com a terra. Eu sou mais um nessa mistura de água e terra.

Mas também é uma liderança carismática capaz de juntar pessoas em torno de uma causa, inclusive a de poder voltar a disputar a Presidência…

Tenho dito que quero usar meu carisma para convencer as pessoas de que não dependam do carisma, que não acreditem que tem salvadores da pátria. A pátria é uma construção de todos nós.

A Rede defende a quebra do monopólio dos partidos na política. Não é contraditório formar um partido?

A Rede é um cavalo de Troia. Estamos antecipando o que seria essa nova institucionalidade política. Em vez de ser um partido para que os movimentos fiquem a serviço dele, somos um partido a serviço desses movimentos.

Como a Rede pode atrair esses movimentos, já que causas ambientais não aparecem com veemência nos protestos?

É um erro querer instrumentalizar esse movimento. Seria contraditório com tudo o que tenho dito. A juventude não é atraída por ninguém. Ela é que se atrai e acha ridículo pessoas cheias de cacoetes querendo parecer com eles. Aqueles que têm mais experiência, em lugar de quererem ser donos da ação, deveriam se colocar no lugar de mantenedores de utopias.

Que similaridades vê entre a Rede e esses movimentos?

A Rede tenta ajudar com a atualização do processo político. Nosso esforço está sendo tolhido agora no Congresso. Em vez de os partidos se repensarem, tentam nos sufocar. É muito difícil, porque a característica da estagnação é que as pessoas não veem que estão na estagnação.

A votação do projeto que inibe novos partidos pode ser protelada no Senado, para não dar tempo de questionamento de sua constitucionalidade?

É uma injustiça, mas espero que comecem a entender que o país está mudando. A democracia não é um valor pra ser usado quando algo me beneficia. A base do governo está fazendo com a gente o que tentaram fazer com o PT e a gente reclamava tanto.

A resistência continua

resistir

Ricardo Gondim

O provérbio alemão: Deus ajuda o marinheiro em tempo de tempestade, mas o timoneiro tem de estar ao leme.
O provérbio inglês: Deus dá as mãos, mas não constrói pontes.
O provérbio dinamarquês: Deus alimenta os pássaros que mexem as asas.
O provérbio checo: Aquele a quem Deus descobriu o lugar onde se encontra um tesouro, deve tirá-lo sozinho desse lugar.
O provérbio basco: Deus é bom, mas não é tolo.
Joana D’Arc: Esforcemo-nos, Deus vai esforçar-se.
O provérbio brasileiro: Deus ajuda, quem cedo madruga.

Na militância política, a sabedoria popular pode ajudar os crentes a saírem da tolice espiritual, da imaturidade religiosa e da fé ingênua. Não adianta pedir a Deus que mude a realidade torta, injusta, falsa que impera no Brasil. É preciso botar a mão no arado, subir o poste ensebado e tirar a bandeira que as elites hastearam para firmar os próprios benefícios.Todos os segmentos devem se unir agora. É hora de promover ajuntamentos, comícios, mobilizações sem passeata mas com foco.

O nível de  insatisfação, indignação e revolta do povo transforma o Brasil em um barril de pólvora.

O que o povo pede? Tudo!

Creio ser legítimo os jovens cobrarem o impossível. Nicolae Steinhardt (1912-1989) , monge ortodoxo romeno, afirmou: Se nos pedem o impossível e nos endeusamos, significa que nos pedem que façamos milagres. De nossa parte, façamos da água comum, vinho nobre; da pobreza da terra, riqueza; dos cardos e das serralhas, pomos e rosas; da mesquinharia, grandeza; da descrença, animação; da indiferençaa, bondade samaritana; da hipocrisia e do legalismo, amor e chama; da taverna, castelo e do bordel, salão. Pelos nossos comportamentos e pelos nossos esforços. Esses milagres nos são acessíveis: pelo poder das palavras e dos atos este mundo pode vestir outras cores e, no aguardo, passa com outras tonalidades.

Não importa por enquanto se ainda não conseguimos propor o que deve mudar, se falta maturidade política nas ruas para desenhar alvos específicos que guiem a nossa agenda ou se o movimento não merece ser chamado de revolucionário. Basta que saibamos, exatamente, o que não toleramos mais – isso sabemos bem. A partir da indignação popular, urge que partidos e políticos entendam o beco sem saída que os desmandos de décadas nos meteram. Nesses becos, história mostra, surgem novos tempos. Mas eles não acontecem sem que lideranças ocupem o vácuo criado pela irresponsabilidade crônica. Agora é inadmissível que a presidenta, governadores, prefeitos, deputados e vereadores se mantenham na mesma omissão de sempre. Deixar os movimentos populares sem comando, a Bíblia ensina: sem profecia – sem profetas – o povo se perde.

A resistência continua, mas ela precisa direcionar-se, saber exatamente os canais que possibilitam mudanças democráticas sob o império das leis. Qualquer outra alternativa será o caos ou a barbárie – e barbárie sempre pede por regimes totalitários.

#vemprarua
#mudabrasil

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim