A descoberta mais deprimente sobre seu cérebro

shutterstock_92321848-600x400

 

Publicado no HypeScience

Segundo uma nova pesquisa da Universidade Yale (EUA) conduzida por Dan Kahan, as crenças políticas destroem nossa capacidade de fazer contas.

Kahan realizou algumas experiências sobre o impacto da paixão política sobre a capacidade das pessoas de pensar claramente. Sua conclusão foi de que o partidarismo pode minar nossas habilidades básicas de raciocínio.

Em outras palavras, pessoas perfeitamente capazes de fazer contas cometem erros graves em um problema que de outra forma provavelmente seriam capazes de resolver, simplesmente porque a resposta certa vai contra suas crenças políticas.

1.111 participantes foram questionados sobre suas opiniões políticas, e fizeram uma série de perguntas destinadas a avaliar sua “matemática”, isto é, sua capacidade de raciocínio matemático. Eles então foram convidados a resolver um problema muito difícil que envolvia interpretação dos resultados de um estudo científico (falso).

Algumas pessoas tiveram que interpretar uma tabela de números sobre se um creme de pele reduzia erupções cutâneas, e outras foram convidadas a interpretar uma tabela diferente, que continha os mesmos números, sobre se uma lei que proibia os cidadãos americanos de carregar armas ocultas em público reduzia o crime.

Kahan descobriu que, quando os números na tabela entravam em conflito com as posições das pessoas sobre o controle de armas, elas não faziam as contas direito, embora conseguissem fazer as mesmas contas quando o assunto era o creme de pele.

A pior constatação foi que, quanto mais avançadas eram as habilidades matemáticas das pessoas, mais provável era de que suas opiniões políticas, fossem liberais ou conservadoras, diminuíssem sua capacidade de resolver o problema de matemática.

Em outras palavras, diga adeus ao sonho de que a educação, o jornalismo, a evidência científica, a literacia mediática ou a razão possam fornecer as ferramentas e as informações de que as pessoas precisam para tomar boas decisões.

Na esfera pública, a falta de informação não é o problema real. O obstáculo é a forma como as nossas mentes funcionam, não importa o quão inteligentes ou racionais nós pensamos que somos. A cabeça não chega nem perto de ganhar do coração.

Essa não é a primeira vez que um estudo chega a uma conclusão desse tipo. Brendan Nyhan, professor assistente da Faculdade de Dartmouth (EUA), também realizou experimentos para tentar descobrir se os fatos importavam versus as crenças, e a resposta é, basicamente, não.

Ele concluiu que quando as pessoas estão mal informadas, dar-lhes fatos para corrigir esses erros só faz com que elas se apeguem ainda mais a suas crenças. Por exemplo, pessoas que pensavam que armas de destruição em massa haviam sido encontradas no Iraque acreditaram muito mais nessa desinformação quando foram apresentadas a uma notícia que a corrigia.

Outro resultado visto por Nyhan, muito semelhante a nova pesquisa, tinha a ver com crenças afetando a habilidade de uma pessoa de interpretar gráficos.

No seu experimento, as pessoas que disseram que a economia era a questão mais importante para elas, e que desaprovavam o histórico econômico do presidente americano Barack Obama, quando viram um gráfico de empregos não agrícolas em relação ao ano anterior – uma linha ascendente, adicionando cerca de um milhão de empregos – responderam, olhando diretamente para a figura, que o número de pessoas com empregos tinha abaixado.

No entanto, se antes de verem o gráfico elas eram convidadas a escrever algumas frases sobre uma experiência que fez com que se sentissem bem consigo mesmas, um número significativo de pessoas mudava de opinião sobre a economia. Isso sugere que, se você gastar alguns minutos afirmando sua autoestima, você é mais propenso a dizer que o número de empregos aumentou.

Seja como for, talvez a implicação mais importante desses estudos é de que mais e melhores fatos não transformam eleitores de baixa informação em cidadãos bem equipados: apenas os torna mais comprometidos com seus equívocos. O poder da emoção sobre a razão não é um “erro” em nossos sistemas operacionais humanos: é uma característica deles.

Leia Mais

Artista utiliza luzes e sombras para criar incríveis desenhos na parede

ShadowArt_interna

 

Publicado no Hypeness

Nascido no Azerbaijão, o artista Rashad Alakbarov é um verdadeiro “mestre de sombras”: utilizando diferentes materiais e objetos translúcidos suspensos, ele usa as sombras e os jogos de luz para criar desenhos nas paredes, que fazem você duvidar de seus sentidos.

O artista acaba brincando com a nossa percepção visual e torna bastante complexo o ato de tentar enxergar a composição das suas obras. Você vê os objetos, mas não consegue dizer em que parte da obra entra cada um, de tão criativo é o trabalho de Alakbarov com as sombras dos materiais suspensos.

As obras do artista estiveram expostas em Londres, na Galeria de Pury. Veja só:

ShadowArt1 ShadowArt2 ShadowArt3 ShadowArt5 ShadowArt7 ShadowArt9

Para acompanhar o trabalho do artista, e ver outras obras contemporâneas com origem no Azerbaijão, siga o link.

Leia Mais

Vadia e cristã: Tamar, a Marcha e o uso político do corpo

vadias2Aletuza Gomes Leite, no Novos Diálogos

Outros discursos e querelas têm surgido no âmbito religioso devido a Marcha das Vadias. “É lógico que a roupa da mulher, ou a falta dela, não justifica o estupro, mas isso não significa que concordamos que uma mulher possa vestir-se de maneira indiscreta, expondo o seu corpo indevidamente”, escreveu a pastora batista Zenilda Reggiani Cintra em um texto publicado em O Jornal Batista (OJB) de 08 de julho de 2012, no qual ela pretende pôr em discussão a Marcha das Vadias.

A princípio, como mulher, felicitei-me e fui atraída pelo texto de uma mulher, pastora e discutindo a Marcha no OJB, considerando que este espaço fora constantemente restrito aos homens batistas e, portanto aos seus interesses, valores e experiências. No percorrer do texto, no entanto, defrontei-me com meu próprio incômodo tão recorrente ao ler ou ouvir comentários de lideranças religiosas acerca de diversos movimentos construídos pelas mulheres.

Uma frustração se insurge em mim diante da negação de uma discussão política do corpo da mulher e sua presença nos enfrentamentos sociais e históricos, bem como a falta de análise em torno dos significados do corpo, das suas construções, domesticações e da vigilância a ele imposta. Pondero estes elementos como necessários ao tratarmos da temática da corporeidade para um exercício do desafiar-se a uma aproximação das dores e experimentos de mulheres diversas, frente a uma proposta mais emancipadora e libertadora destas.

Há muito já se movimentam as discussões em torno do corpo como espaço de construções através da “educação”, vigilância e formatações que moldam corpos de homens e mulheres aos valores vigentes de uma “moral e bons costumes” e que decidem e orientam a descrição e a indiscrição, a dignidade e a indignidade, o devido e o indevido, o moral e o imoral, a decente e a vadia.

As decisões do que é moral, longe do inocente ou neutro, constroem-se sócio-historicamente permeadas nas relações assimétricas que movimentam os jogos e poderes dentro de uma sociedade. Neste sentido o construir dos corpos é também uma construção de símbolos, na medida em que esta tenta embebê-los de sentidos, tornando-os representação de uma cultura, no nosso caso, sexista, racista, classicista, homofóbica e que decide a partir deste universo de sentidos o que é tornar-se mulher ou homem.

Esta tentativa enfrenta a recepção do indivíduo, o que impede uma produção em série de corpos comuns a mulheres e homens. Isto ocorre a partir do encontro com uma subjetividade humana que se inscreve também como produção de significação e não como mera reprodução desta.

Os corpos, portanto, transitam dentro de uma permissão espacial construída nos limites do que é decidido como moral, a esta se submetendo disciplinadamente. A moral é o “bom” e, portanto capaz de prescrever o que é devido aos corpos de homens e de mulheres. Os que se preservam nos limites da decência são representações do bom. Os que se instalam e/ou são instalados em processos diferenciados de recepção e extrapolam tais limites recebem a sanção de indignos, pervertidos, vadios e imorais.

Corpos que significam o mau. Sendo assim, eles ainda são representações dos jogos e forças políticas que, por meio de manipulação destes, desejam, constroem e mantém as relações de uns sobre outros. Faz-se urgente um discurso que celebre a autonomia dos corpos e a transgressão da “moral e dos bons costumes” que classicamente objetifica o humano, legitimando sobre minorias domínio e opressão em formas de violências diversas.

Discutir a maneira indiscreta ou indevida de expor o corpo de uma mulher, ao tempo tempo que reforça a “moral e bons costumes”, reafirma as relações de poder na qual ela é inscrita, violenta a autonomia da mulher sobre seu corpo e autoriza violências sobre o mesmo, ainda que tal discurso, superficialmente, diga a isso se opor. Deste modo oponho-me a fazer coro com quaisquer discursos que digam promover libertação se estes se assentam sobre pilares que agenciam opressões e violências.

Desejo aqui evocar um novo símbolo de mulher cristã que ecoa das páginas da Bíblia para que rapidamente não rotulem meu discurso da ausência de princípios religiosos, mas que nem por isso deixa de ser um símbolo transgressor, indevido, que se exponha de maneira imprópria e indiscreta. Quero convidar uma de maus costumes e imoral. Vadia! Poderia ser outra com este perfil, encontro-as nas páginas bíblicas, mas é Tamar que conclamo (Gn 38), aquela que na luta pelos seus direitos se fez corpo autônomo e indecente. Vestiu-se, portou-se e atuou como vadia. O que estava em jogo para Tamar eram as condições de mínima liberdade e direito. Na vadiagem ondulante e labiríntica ela encontra a possibilidade da construção de seus caminhos de mulher, enfrentando a moral, o controle e a vigilância.

A transgressão e o inapropriado são as veredas rumo à libertação dos jogos de poder encenados por Judá e designados próprios e devidos na sociedade patriarcal. Tamar é um convite a marcharmos como Vadias na luta pela nossa dignidade e autonomia de corpos e sexualidade, tantas vezes objetificados e transformados em mercadorias; domesticados, explorados e consumidos nas sinuosidades das relações de mercado, relações androcêntricas, embranquecedoras e heteronormativas, mas relações obedientes, morais, descentes, próprias, discretas e cristãs.

Em contraposição a estas, conduzamo-nos, extrapolando os limites da moral no enfrentamento político, bem como Tamar, por uma digna condição de ser mulher no exercício da autonomia sobre sua vida, seu corpo e no combate a todo o tipo de violência. Das páginas da Bíblia inauguremos a vadia Tamar como símbolo de mulher cristã para afirmar inclusive que uma mulher cristã deve sim participar da Marcha, sem constrangimentos, também pelo nome e pela maneira política como usamos o nosso corpo em contraposição à instrumentalização deste na sociedade e suas diversas relações de domínio.

Pela memória de Tamar. Na inauguração de um novo símbolo de testemunho de mulher cristã vadia: Vadias pela justiça, pela equidade, pela igualdade, vadias pela liberdade, pela vida. Na Marcha das Vadias pelos valores cristãos.

Leia Mais

Menina de 9 anos cria rede social e impressiona hackers

Alex Jordan é a criadora da Super Fun Kid Time, rede social que quer ajudar as crianças a encontrarem amigos para brincar

Alex Jordan, a pequena hacker de apenas 9 anos: durante conferência de tecnologia, menina desenvolveu, e programou, sua própria rede social
Alex Jordan, a pequena hacker de apenas 9 anos: durante conferência de tecnologia, menina desenvolveu, e programou, sua própria rede social

Gabriela Ruic, na Exame

São Paulo – As melhores invenções surgem de tentativas de se solucionar um problema. Pois Alexandra Jordan, de apenas 9 anos, parece ter levado esta máxima a sério. Entediada durante suas longas férias de verão, a menina resolveu desenvolver uma rede social na qual outras crianças podem combinar encontros para brincar, a Super Fun Kid Time.

Apresentada pela própria neste final de semana durante a TechCrunch Disrupt 2013, conferência anual de tecnologia organizada pelo site TechCrunch em São Francisco, a rede social foi completamente elaborada, e programada, por Alex. De acordo com ela, a ideia foi concebida junto com seu pai, Richard Jordan.

Depois de registrados no site, os pequenos usuários podem procurar por outros amigos, filtrando os resultados de acordo com o nome da sua escola, a etapa na qual está matriculado e até o nome do seu professor. Em seguida, é possível então escolher a criança com quem se quer brincar e agendar a data e horário do encontro.

Ao contrário dos outros participantes da conferência, que participam de maratonas intensas de programação, Alex não ficou acordada a noite inteira programando e foi dormir às 23h45. Segundo seu pai, a única ajuda externa recebida pela menina, que está aprendendo a programar em linguagens como Ruby e HTML, foi para o desenvolvimento do design do site, para o qual contou com o auxílio de um designer profissional.

Segundo Alex, sua paixão por tecnologia foi herdada do pai, que se apresenta no Twitter como físico, hacker e empreendedor. Em entrevista ao TechCrunch, ela descreveu como “divertida” a experiência de estar em contato com “outros hackers” e disse que a parte mais legal de programar é o fato de ser uma atividade que a acalma, “além de ser uma ótima forma de desenvolver raciocínios”.

Leia Mais

‘Guerra’ no Alemão envolve R$ 20 milhões em verbas

Recursos públicos e privados para projetos sociais são disputados entre José Junior e o Pastor Marcos

 José Junior e pastor Marcos: dois ex-amigos com vocação de resgatar traficantes do mundo do crime foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia e Divulgação

José Junior e pastor Marcos: dois ex-amigos com vocação de resgatar traficantes do mundo do crime
foto: Carlos Moraes / Agência O Dia e Divulgação

João Antonio Barros, em O Dia

Rio – A troca de acusações e ameaças de morte relatadas pelo coordenador do grupo AfroReggae José Júnior contra o pastor Marcos Pereira deixou transparente uma guerra surda que agita os bastidores da polícia e da política há mais de quatro anos. Nenhuma novidade para quem vive o dia a dia das ONGs nos Complexos da Penha e do Alemão. Com o resgate de traficantes dando ibope na mídia e o interesse de grandes empresas pela efervescência cultural e econômica nas áreas carentes, o território se transformou numa mina de ganhar dinheiro. Aliás, muito dinheiro.

A batalha entre os dois ex- amigos envolve justamente a distribuição de cifras volumosas — perto dos R$ 20 milhões por ano — em recursos públicos e privados. De olho em obter cada vez uma fatia maior do bolo, na corrida ao tesouro, cada lado lançou mão das suas armas num território povoado por traficantes, policiais e políticos.

A mistura não podia mesmo dar certo. Inovador na conversão de traficantes na cadeia, Marcos Pereira havia reinado nos governos Anthony e Rosinha Garotinho e encarou como uma invasão de área quando José Júnior lançou o bem-sucedido ‘Empregabilidade’ — um projeto para arrumar emprego a ex-detentos.A vingança do líder da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias pela entrada de José Júnior no projeto de resgate de traficantes do mundo do crime veio com a ocupação do Complexo do Alemão, em 2010. À época, o coordenador do AfroReggae saiu na frente na tentativa de rendição dos criminosos. Atropelou os líderes comunitários e fez a ponte direta com os criminosos.

O erro da empreitada, por causa do receio dos criminosos em serem presos, deu a Marcos Pereira espaço para atuar como incendiário no barril de pólvora. Na boca miúda, passou a assoprar no ouvido da comunidade que José Júnior era homem do governo no Alemão. A reação é rápida. Antes mesmo dos tiros e fogo contra a pousada do AfroReggae, em junho último, os líderes da comunidade passaram a questionar o volume e a distribuição de recursos obtidos por José Júnior.

Como exemplo, os líderes culturais e comunitários citam os R$ 3,5 milhões destinados recentemente pelo governo estadual ao AfroReggae. Se fosse dividido entre as 14 associações de moradores, o recurso alcançaria um número maior de crianças e adolescentes atendidos. Com raiva, passaram a chamar Júnior de ‘Roto Rooter’ — aspira a verba de todos os pequenos projetos da comunidade.

É justamente esta a visão das pessoas que cercam o pastor. Enquanto o AfroReggae surfou em verbas durante o governo Sérgio Cabral, as empreitadas de Marcos Pereira viram minguar os contratos oficiais — a tacada final aconteceu no ano passado, quando a Secretaria Estadual de Ação Social e Direitos Humanos cortou a receita para o atendimento a dependentes químicos, em Nova Iguaçu. Restam, não se sabe até quando, as receitas do governo federal.

José Júnior nega que a disputa por verbas seja a causa da briga. Para ele, não passa de ciúmes do pastor pelo sucesso do AfroReggae. Os missionários de Marcos também não olham a briga pelo prisma do ouro, e dizem que Júnior assediou o pastor Rogério Menezes a mudar de lado para ter acesso a um território onde ninguém gosta dele.

 Projetos sociais do AfroReggae no Complexo do Alemão: disputas por verbas vultosas são pano de fundo de rixa foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

Projetos sociais do AfroReggae no Complexo do Alemão: disputas por verbas vultosas são pano de fundo de rixa
foto: Fernando Souza / Agência O Dia

COORDENADOR DO AFROREGGAE NÃO POUPA ‘INIMIGO’

A prisão a que foi ‘condenado’ desde que entrou na fila da morte do tráfico de drogas já privou o coordenador do AfroReggae de momentos capitais na vida. Como para se mover precisa arrastar um bom aparato policial — nem tão ágil como o estalar dos dedos —, Júnior deixou de assistir ao pai nos seus últimos momentos de vida e não acompanhou o nascimento do filho caçula.

Rápido nas palavras, o líder cultural dá nome e sobrenome a quem o sentenciou a viver à sombra dos seguranças: o pastor Marcos Pereira. Questionado sobre a oferta de emprego e casa feita às testemunhas do processo contra o religioso, Júnior ataca: “Ele é o responsável por várias coisas erradas. É um cara muito perigoso, que mistura religião com o tráfico. Ele deixa o bandido duro, enquanto fica com o dinheiro”.

Nascido e criado no subúrbio, José Júnior diz que por questões de segurança alterou completamente a rotina, e trocou a Zona Sul por uma moradia mais afastada desde que descobriu uma carta enviada por traficantes aos líderes do Comando Vermelho com o pedido para matá-lo. “Ele envenenou os caras (traficantes), espalhou que eu era informante da Subsecretaria de Inteligência, articulou tudo só por ciúme. Não tolerava ver que as pessoas não iam mais para a igreja dele, iam para o AfroReggae”, cutuca.

Com a mesma contundência, o líder do AfroReggae refuta as acusações de ter articulado com a polícia um inquérito ‘caça às bruxas’, para tirar Marcos Pereira do caminho e ser o único a mediar conflito com traficantes no Rio. “Isso é mentira. Ele nem sabia que fazia mediação de conflito. Eu que levei para ele esta ideia. É carismático, mas não tem conteúdo, só tem oratória”, reage Júnior, acusado pela família do religioso de montar depoimentos e fabricar histórias, com o pastor Rogério Menezes — um ex-aliado de Marcos Pereira — para o prejudicar o líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias.

“Sou a vítima. Esse cara é uma mente do mal, talvez o bandido mais perigoso do Rio”, bate José Júnior, que diz ter certeza de que foi o pastor quem encomendou a sua morte. “Tenho uma gravação com o cara contratado para me matar. Combinei que só vou mostrar o conteúdo quando ele (o matador) morrer. Mas posso te dizer: foi o Marcos quem articulou tudo. Essa é uma guerra que não era dos traficantes, mas ele achou gente disposta a fazer o serviço”, diz Júnior, sobre quem ordenou os traficantes a atacarem os prédios do AfroReggae. “Vou te dizer uma coisa: os bandidos que tem aqui são estagiários perto dele.”

 Atividade do grupo cultural AfroReggae foto:  Paulo Araújo / Agência O Dia

Atividade do grupo cultural AfroReggae
foto: Paulo Araújo / Agência O Dia

Deputados discutirão investigação sobre o pastor com Beltrame

Quinze parlamentares se reúnem hoje com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para discutir a investigação da Polícia Civil que levou à cadeia o pastor Marcos Pereira. À frente do bloco está o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o também pastor Marco Feliciano (PSC-SP).

Os deputados — alguns evangélicos e ligados a Marcos Pereira — levantam a dúvida quanto à apuração do caso. Uma delas, a rapidez entre a troca de comando na Delegacia de Combate às Drogas e a conclusão do inquérito. Foram só dois meses. O pastor foi preso em maio pelos crimes de estupro e coação de testemunhas, e está no presídio Bangu 9.

Algumas dúvidas dos parlamentares foram levantados na edição de ontem do DIA. Entre eles, a manipulação das testemunhas e o uso de provas ilícitas. Em uma gravação, duas pessoas que trabalham no AfroReggae oferecem casa e trabalho na tentativa de convencer um homem a depor contra o pastor.

Leia Mais